{"id":25854,"date":"2020-07-17T21:09:02","date_gmt":"2020-07-18T00:09:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25854"},"modified":"2020-07-22T23:01:51","modified_gmt":"2020-07-23T02:01:51","slug":"a-questao-racial-e-a-geografia-estatistica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25854","title":{"rendered":"A Quest\u00e3o Racial e a Geografia estat\u00edstica no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bloglavrapalavra.files.wordpress.com\/2020\/07\/p06b181p.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Giovani Damico<\/p>\n<p>A sociedade brasileira, enquanto sociedade de hist\u00f3rico colonial e um presente marcado por um capitalismo maduro (e doentio), tem a sociabilidade de sua popula\u00e7\u00e3o atravessada pela quest\u00e3o racial e ao mesmo tempo por problemas de desigualdade intr\u00ednsecos ao capitalismo. As contradi\u00e7\u00f5es sociais no Brasil atravessam assim condicionantes \u00e9tnico-raciais, de g\u00eanero, de identidade sexual, bem como gritantes contradi\u00e7\u00f5es de classe, que se entrecruzam com as contradi\u00e7\u00f5es socioespaciais.<\/p>\n<p>Analisar a realidade social no Brasil incorre necessariamente em um esfor\u00e7o de observar essas diversas condicionantes locais, em conson\u00e2ncia com a din\u00e2mica do capitalismo mundial em sua a\u00e7\u00e3o imperialista. Na rela\u00e7\u00e3o centro-periferia, somos situados enquanto elo fr\u00e1gil da cadeia imperialista, cabendo ao Brasil um papel submisso nas rela\u00e7\u00f5es internacionais com as pot\u00eancias dominantes. Situa\u00e7\u00e3o essa que s\u00f3 pode ser subvertida com uma transforma\u00e7\u00e3o end\u00f3gena em nossas rela\u00e7\u00f5es sociais estruturantes, bem como na nossa inser\u00e7\u00e3o na geopol\u00edtica mundial, rompendo com o papel submisso ora mencionado e estabelecendo rela\u00e7\u00f5es de novo tipo, enquanto na\u00e7\u00e3o soberana.<\/p>\n<p>Uma vez estabelecido este breve pre\u00e2mbulo, adentramos em nossas quest\u00f5es aqui centrais: como se reproduz o racismo no Brasil e no seu tecido geogr\u00e1fico hoje, como isso se relaciona com nossas estat\u00edsticas, a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, e como se situa o maior \u2013 ao menos enquanto pot\u00eancia \u2013 estrato da popula\u00e7\u00e3o brasileira neste debate, aquele estrato tipificado em nossas estat\u00edsticas como \u201cpopula\u00e7\u00e3o parda\u201d? Tais perguntas nortearam nossa discuss\u00e3o doravante.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o racial no Brasil em alguns atos<\/p>\n<p>O racismo no Brasil possui ao mesmo tempo suas condicionantes nacionais locais e hist\u00f3ricas, mas tal qual um fen\u00f4meno universal possui tamb\u00e9m suas determinantes que se assemelham gerais, que s\u00e3o observadas onde quer que ele ocorra, guardando assim, como em qualquer parte do mundo capitalista car\u00e1ter de fen\u00f4meno estrutural. Partiremos aqui da compreens\u00e3o de Almeida (2019), que concebe a no\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a e racismo enquanto um fen\u00f4meno \u201crelacional e hist\u00f3rico\u201d. Almeida define assim:<\/p>\n<p>Podemos dizer que o racismo \u00e9 uma forma sistem\u00e1tica de discrimina\u00e7\u00e3o que tem a ra\u00e7a como fundamento, e que se manifesta por meio de pr\u00e1ticas conscientes ou inconscientes que culminam em desvantagens ou privil\u00e9gios para indiv\u00edduos, a depender do grupo racial ao qual perten\u00e7am. (ALMEIDA, 2019, cap 2) [1]<\/p>\n<p>Tal concep\u00e7\u00e3o vai diferenciar ainda discrimina\u00e7\u00e3o racial de preconceito racial, sendo a primeira pautada em a\u00e7\u00f5es concretas ostensivas que inflijam algum tipo de dano \u00e0 pessoa alvo, enquanto o segundo est\u00e1 associado a forma\u00e7\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o e ado\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos, que podem ou n\u00e3o resultar em a\u00e7\u00f5es concretas racializadas. O autor vai ainda complementar sua compreens\u00e3o apontando as formas diretas e indiretas de discrimina\u00e7\u00e3o, sendo todas elas em alguma medida sustentadas a partir de rela\u00e7\u00f5es de poder.<\/p>\n<p>O racismo, enquanto fen\u00f4meno hist\u00f3rico e atual, tem no Brasil suas diversas particularidades. O passado colonial brasileiro balizou, amoldou e refor\u00e7ou paulatinamente processos de estratifica\u00e7\u00e3o de nossa sociedade. Nas palavras de Almeida (2019): \u201cA consequ\u00eancia de pr\u00e1ticas de discrimina\u00e7\u00e3o direta e indireta ao longo do tempo leva \u00e0 estratifica\u00e7\u00e3o social, um fen\u00f4meno intergeracional, em que o percurso de vida de todos os membros de um grupo social\u2013 o que inclui as chances de ascens\u00e3o social, de reconhecimento e de sustento material \u2013 \u00e9 afetado\u201d. A \u201cestratifica\u00e7\u00e3o\u201d social, ora referida, \u00e9 aqui compreendida enquanto uma divis\u00e3o entre classes sociais. Classes estas que compostas em cima de diversas condicionantes, sendo na nossa sociedade a condicionante racial de suma import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A partir da compreens\u00e3o materialista hist\u00f3rica, fundamentada em Marx e Engels (2007), entendemos que as sociedades s\u00e3o movidas a partir de suas estruturas econ\u00f4micas e pol\u00edticas, ambas com suas determina\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias que atravessam a sociabilidade de todos os indiv\u00edduos em cada tempo hist\u00f3rico. As concep\u00e7\u00f5es individuais s\u00e3o assim elas pr\u00f3prias influenciadas fortemente pela ideologia, ou seja, o conjunto de ideias instrumentalizadas a partir de determinados interesses de classe. Tal no\u00e7\u00e3o \u00e9 aqui fundamental para avan\u00e7armos na discuss\u00e3o acerca do racismo brasileiro e geral, enquanto fen\u00f4meno estrutural, mas tamb\u00e9m institucional e individual. Almeida (2019) desenvolve sobre as tr\u00eas formas de racismo e discrimina\u00e7\u00e3o, sendo a individual aquela na esfera \u201cprivada\u201d, que teria como \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d medidas de conscientiza\u00e7\u00e3o individual, tal compreens\u00e3o para o autor se coloca como insuficiente, sendo o aspecto institucional e estrutural determinantes na composi\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno. Almeida (2019) ressalta:<\/p>\n<p>Assim, a desigualdade racial \u00e9 uma caracter\u00edstica da sociedade n\u00e3o apenas por causa da a\u00e7\u00e3o isolada de grupos ou de indiv\u00edduos racistas, mas fundamentalmente porque as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o hegemonizadas por determinados grupos raciais que utilizam mecanismos institucionais para impor seus interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>A vincula\u00e7\u00e3o entre o aspecto institucional \u00e9 por sua vez indissol\u00favel, vez que estas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o moldadas, edificadas, a fim de garantir determinados interesses que est\u00e3o na base econ\u00f4mica da sociedade, suas estruturas. Para Almeida (2019): \u201cAs institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas a materializa\u00e7\u00e3o de uma estrutura social ou de um modo de socializa\u00e7\u00e3o que tem o racismo como um de seus componentes org\u00e2nicos\u201d. Uma vez estabelecidas as diferentes esferas do racismo, adentraremos um pouco mais nas condicionantes nacionais, enquanto contradi\u00e7\u00f5es que operam conjuntamente na composi\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno racial no Brasil.<\/p>\n<p>As condicionantes nacionais e locais influem diretamente na sua din\u00e2mica. Nosso hist\u00f3rico colonial nos traz uma quest\u00e3o racial com dois veios centrais: a dizima\u00e7\u00e3o, escraviza\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e0 sociedade colonial, e a posterior escraviza\u00e7\u00e3o em massa da popula\u00e7\u00e3o negra, trazida da \u00c1frica para nosso territ\u00f3rio e sua posterior incorpora\u00e7\u00e3o tardia \u00e0 sociedade do j\u00e1 nascente capitalismo brasileiro, no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A quest\u00e3o racial no Brasil coloca assim at\u00e9 os dias de hoje em choque as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e seus descendentes, bem como as popula\u00e7\u00f5es negras e afrodescendentes, com a popula\u00e7\u00e3o branca, sobretudo a classe dominante, que notadamente \u00e9 majoritariamente branca de ascend\u00eancia europeia.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica racial no Brasil gerou processos hist\u00f3ricos que foram desde dizima\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas no in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, nos fazendo ter hoje a menor participa\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas no conjunto da popula\u00e7\u00e3o nacional de toda a Am\u00e9rica Latina. Somadas a um processo eugenista que utilizou desde a \u201cimporta\u00e7\u00e3o\u201d de europeus, at\u00e9 pol\u00edticas de embranquecimento da popula\u00e7\u00e3o, que somados ao genoc\u00eddio at\u00e9 hoje operante da popula\u00e7\u00e3o negra, segue gerando traumas hist\u00f3ricos not\u00f3rios. Ainda assim, no transcorrer da hist\u00f3ria brasileira, a miscigena\u00e7\u00e3o se tornou um fen\u00f4meno bastante presente em nossa sociedade, o que n\u00e3o reduziu sua condicionante racial, e o fen\u00f4meno do racismo.<\/p>\n<p>O desenvolvimento do capitalismo brasileiro, somado ao processo de regionaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, refor\u00e7aram matizes de uma desigualdade social gritante, onde regi\u00f5es Norte e Nordeste, aquelas que em termos relativos possuem as maiores popula\u00e7\u00f5es negras e ind\u00edgenas, se transformam paulatinamente nas regi\u00f5es menos desenvolvidas, com problemas cr\u00f4nicos de desemprego, tanto no campo quanto na cidade. A urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira do s\u00e9culo XX em diante, marcada pela faveliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra e parda, veio para radicalizar tais divis\u00f5es, o que matura at\u00e9 mesmo sentimentos xenof\u00f3bicos dentro de nosso territ\u00f3rio, que se misturam com o racismo.<\/p>\n<p>O processo de urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira levou a uma migra\u00e7\u00e3o massiva de popula\u00e7\u00f5es do Norte e Nordeste para o Sudeste brasileiro, sobretudo para o eixo Rio-S\u00e3o Paulo, o que refor\u00e7ou uma mudan\u00e7a em curso na composi\u00e7\u00e3o racial da regi\u00e3o, somando-se ao antigo processo de expans\u00e3o da escravid\u00e3o no sudeste, o qual tamb\u00e9m contribuiu para a presen\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o negra na composi\u00e7\u00e3o social da regi\u00e3o. Assim, as popula\u00e7\u00f5es migrantes, somadas \u00e0quelas descendentes do processo colonial, passaram a compor os estratos mais precarizados do proletariado na regi\u00e3o Sudeste, ao mesmo tempo que figuram como o estrato fundamental da classe trabalhadora que edifica o centro econ\u00f4mico brasileiro. Tal fen\u00f4meno levou a um crescimento consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o negra e \u201cparda\u201d do Sudeste brasileiro.<\/p>\n<p>Nas outras regi\u00f5es do pa\u00eds o racismo segue sendo uma condicionante fort\u00edssima das rela\u00e7\u00f5es sociais, embora com matizes diferentes. Em cidades como Salvador a composi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, predominantemente \u201cparda\u201d e negra, n\u00e3o gerou qualquer invers\u00e3o na din\u00e2mica racial, sendo esta uma cidade radicalmente desigual, na qual a situa\u00e7\u00e3o de classe frequentemente se associa \u00e0 quest\u00e3o racial. N\u00e3o \u00e0 toa as periferias soteropolitanas s\u00e3o marcadas pela presen\u00e7a massiva da popula\u00e7\u00e3o afrodescendente, enquanto os bairros das camadas m\u00e9dias e da elite baiana s\u00e3o de composi\u00e7\u00e3o predominantemente branca. Seria assim, Salvador, um exemplo dos mais emblem\u00e1ticos de tal quest\u00e3o. Salvador, a cidade brasileira comumente referida como a \u201cmais negra fora da \u00c1frica\u201d.<\/p>\n<p>O racismo brasileiro gestou assim divis\u00f5es sociais flagrantes em nosso pa\u00eds, que s\u00e3o em grande parte marcadas pela componente da cor da pele. Entretanto, tais rela\u00e7\u00f5es seguem sendo ainda bastante confusas em uma s\u00e9rie de aspectos, e nas pr\u00f3ximas linhas buscaremos trazer algumas contribui\u00e7\u00f5es sobre a quest\u00e3o, inclusive pensando qual o papel da popula\u00e7\u00e3o miscigenada em nossa quest\u00e3o racial. Qual o papel da popula\u00e7\u00e3o assim chamada parda, que engloba cada vez mais um contingente gigantesco da popula\u00e7\u00e3o brasileira?<\/p>\n<p>A quest\u00e3o Racial e o Estado<\/p>\n<p>Vimos seguindo a compreens\u00e3o de Almeida, de que existe uma vincula\u00e7\u00e3o estrutural, e desta forma indissoci\u00e1vel entre o fen\u00f4meno racial e o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Tal vincula\u00e7\u00e3o estrutural significa tamb\u00e9m rebatimento nas superestruturas, ou seja, as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, religiosas, educacionais, midi\u00e1ticas etc, forjadas e amoldadas para esta sociedade s\u00e3o elas pr\u00f3prias parte constitutiva de uma din\u00e2mica que reproduz o fen\u00f4meno racial, de modo que um Estado, em uma sociedade capitalista com as caracter\u00edsticas como a nossa sociedade, \u00e9 necessariamente um Estado reprodutor do racismo enquanto fen\u00f4meno estrutural e tamb\u00e9m superestrutural.<\/p>\n<p>Marx, em seus escritos sobre a quest\u00e3o judaica, traz uma contribui\u00e7\u00e3o expressiva a este debate, no qual aborda a rela\u00e7\u00e3o entre aspectos religiosos e raciais da sociabilidade dos judeus, frente ao Estado alem\u00e3o, um estado igualmente racializado, mas tamb\u00e9m amoldado sob uma l\u00f3gica crist\u00e3. Entendemos que alguns paralelos importantes podem ser estabelecidos entre as duas problem\u00e1ticas. Marx (2010, p. 34) aponta que: \u201cO estado crist\u00e3o s\u00f3 pode se relacionar com o judeu na qualidade de Estado crist\u00e3o [\u2026]\u201d. O racioc\u00ednio segue adentrando na peculiaridade da rela\u00e7\u00e3o que o Judeu estabelece com este Estado. Mas aqui nos interessa uma premissa b\u00e1sica que o autor estabelece: um Estado guarda de forma inerente as condicionantes estruturais da sociedade \u00e0 qual \u00e9 correspondente. O Estado, em uma sociedade marcada por contradi\u00e7\u00f5es raciais, s\u00f3 pode se relacionar com sua popula\u00e7\u00e3o enquanto um Estado racial.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 quest\u00e3o racial e religiosa se relacionam de forma bastante imbricada, embora guardem suas diferen\u00e7as. Mas ambas se encontram de forma bastante pr\u00f3xima quando abordada a quest\u00e3o da emancipa\u00e7\u00e3o. Marx (2010) se det\u00e9m longamente no debate sobre a emancipa\u00e7\u00e3o religiosa, a qual podemos aqui estender tamb\u00e9m para a quest\u00e3o racial. O problema da emancipa\u00e7\u00e3o necessariamente perpassa por transforma\u00e7\u00f5es estruturais, na base do processo que gera tais contradi\u00e7\u00f5es. A emancipa\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m de um exerc\u00edcio da cr\u00edtica, deveria perguntar tamb\u00e9m: \u201cDe que tipo de emancipa\u00e7\u00e3o se trata? Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es que tem sua base na ess\u00eancia da emancipa\u00e7\u00e3o exigida?\u201d (MARX, 2010, p. 36). As respostas a tal quest\u00e3o recaem em dois tipos de emancipa\u00e7\u00e3o: a pol\u00edtica e a humana. Aqui nos interessa a primeira delas, que se relaciona diretamente com nosso \u201cest\u00e1gio atual das coisas\u201d.<\/p>\n<p>A perspectiva de emancipa\u00e7\u00e3o \u00e9 entretanto um processo de ruptura frente \u00e0s estruturas e superestruturas colocadas. Marx aponta que \u201cA emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do judeu, do crist\u00e3o, do homem religioso, de modo geral consiste na emancipa\u00e7\u00e3o do Estado em rela\u00e7\u00e3o ao juda\u00edsmo, ao cristianismo, \u00e0 religi\u00e3o como tal\u201d (MARX, 2010, p. 38). Entendemos, seguindo tal compreens\u00e3o, que sem uma subvers\u00e3o integral das institui\u00e7\u00f5es, forjadas sobre preconceitos religiosos, mas tamb\u00e9m \u00e9tnico-raciais, a emancipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode se completar. A emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica aqui mencionada remete diretamente \u00e0 supera\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es de classe, da separa\u00e7\u00e3o radical entre interesses particulares e interesses gerais, da pr\u00f3pria propriedade privada enquanto base de sustenta\u00e7\u00e3o de tais conflitos (MARX, 2010, p. 42). Voltando-nos para a realidade brasileira atual, tais formula\u00e7\u00f5es se mostram extremamente pertinentes e atuais.<\/p>\n<p>A estat\u00edstica oficial: entre contribui\u00e7\u00f5es e embaralhamentos<\/p>\n<p>Nosso \u00f3rg\u00e3o nacional de geografia e estat\u00edstica, o IBGE, \u00e9 reconhecido \u2013 ou pelo menos costumava ser \u2013 como um \u00f3rg\u00e3o de grande compet\u00eancia em produ\u00e7\u00e3o de dados. Tendo o grosso de sua base de dados sido disponibilizada para an\u00e1lises p\u00fablicas, que nas \u00faltimas d\u00e9cadas deram aos pesquisadores subs\u00eddios para avan\u00e7os importantes na compreens\u00e3o de nossa realidade nacional, regional e local. Embora nos per\u00edodos mais recentes tenham surgido ind\u00edcios de opera\u00e7\u00f5es escusas do Governo Federal em sua crescente escalada fascista para adulterar dados produzidos pelo IBGE, este ainda \u00e9 um important\u00edssimo \u00f3rg\u00e3o para a pesquisa de nossa realidade.<\/p>\n<p>O trabalho demogr\u00e1fico do IBGE \u00e9 pautado por algumas premissas que consideramos particularmente problem\u00e1ticas, \u00e0s quais buscaremos pontuar expondo e discutindo alguns dados, comparando rapidamente as cidades de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. As tr\u00eas maiores cidades brasileiras, possuem respectivamente 11,25; 6,3 e 2,7 milh\u00f5es de habitantes, segundo o censo do IBGE de 2010. A popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo compreende assim 6,8 milh\u00f5es de brancos (60,64%), 736 mil pretos (6,54%) e 3,4 milh\u00f5es de pardos (30,51%). A popula\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro possui 3,2 milh\u00f5es de brancos (53,6%), 724 mil pretos (12,3%) e 2,3 milh\u00f5es de pardos (33,6%). Salvador, por fim, possui 505 mil brancos (18,9%), 743 mil pretos (27,8%) e 1,38 milh\u00e3o de pardos (51,7%). Apontamos aqui apenas estes tr\u00eas estratos que figuram como quase a totalidade das popula\u00e7\u00f5es dessas cidades.<\/p>\n<p>A estat\u00edstica demogr\u00e1fica do IBGE, para estipular a composi\u00e7\u00e3o racial, utiliza-se da premissa da autodeclara\u00e7\u00e3o. Para o IBGE vale a indica\u00e7\u00e3o individual acerca de sua identidade \u00e9tnico-racial. Tal concep\u00e7\u00e3o implica que a popula\u00e7\u00e3o amostrada pelos recenseadores \u00e9 questionada acerca de sua identidade racial, bem como de seus familiares. Tal componente gera um primeiro problema que gostar\u00edamos de tratar. A identifica\u00e7\u00e3o racial, em um pa\u00eds marcado por uma tradi\u00e7\u00e3o colonial, carrega necessariamente um elemento muito dificultoso, que \u00e9 a pr\u00f3pria nega\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o racial \u00e0 qual parte expressiva da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 submetida, ap\u00f3s s\u00e9culos de humilha\u00e7\u00e3o e rebaixamento moral, incutidos pela ideologia dominante. Isto dificulta muito uma valora\u00e7\u00e3o precisa a partir da autodeclara\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m do fato de confus\u00f5es e incompreens\u00f5es sobre as categorias (preto, pardo, amarelo, branco e ind\u00edgena), existem ainda as diferentes compreens\u00f5es acerca dos marcadores sociais, como a composi\u00e7\u00e3o difusa das fam\u00edlias brasileiras. A pr\u00f3pria miscigena\u00e7\u00e3o gera fen\u00f4menos fenot\u00edpicos, no qual na mesma fam\u00edlia filhos de mesmo pai e m\u00e3e, por vezes acabam por ter autoidentifica\u00e7\u00f5es distintas e at\u00e9 mesmo extremadas, como irm\u00e3os autodeclarados brancos e negros.<\/p>\n<p>Este aspecto gera um problema conceitual e anal\u00edtico grave: os dados colhidos pelo IBGE s\u00e3o pautados em cima de uma avalia\u00e7\u00e3o subjetiva, mas buscam produzir um dado objetivo. Tal pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 de todo estranha \u00e0s ci\u00eancias estat\u00edsticas, por\u00e9m, sendo a quest\u00e3o racial de natureza t\u00e3o complexa, a ado\u00e7\u00e3o apenas da autodeclara\u00e7\u00e3o gera uma fragilidade e imprecis\u00e3o consider\u00e1vel no dado produzido. Tal problema esbarra inclusive no pr\u00f3prio funcionamento do racismo, que age sobretudo enquanto um fen\u00f4meno de fora para dentro. O racismo, enquanto fen\u00f4meno social, n\u00e3o est\u00e1 circunscrito \u00e0 esfera do indiv\u00edduo e sua percep\u00e7\u00e3o individual, mas sim a uma esfera social, que geram uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es \u201cinstitucionais, econ\u00f4micas (estruturais) e tamb\u00e9m individuais\u201d, como ressaltado por Almeida (2019), as quais rebater\u00e3o nos indiv\u00edduos e nas comunidades.<\/p>\n<p>A problem\u00e1tica das estat\u00edsticas n\u00e3o se encerra por a\u00ed: o IBGE adota ainda um crit\u00e9rio de aglutina\u00e7\u00e3o a partir do qual a popula\u00e7\u00e3o autodeclarada preta e parda comp\u00f5e a popula\u00e7\u00e3o negra. Tal elemento para n\u00f3s causa ainda mais confus\u00e3o conceitual. Visto que, evidentemente do ponto de vista social, n\u00e3o existe um entendimento de que pretos e pardos possuem uma sobreposi\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, somado ao fato de que existe socialmente uma compreens\u00e3o de pretos e negros enquanto sin\u00f4nimos, o que \u00e9 diferenciado apenas a partir de estudos e compreens\u00f5es mais cient\u00edficas da realidade.<br \/>\nVoltando \u00e0s cidades que tomamos como exemplo, visualizamos como Salvador desponta como a cidade com a maior popula\u00e7\u00e3o preta, embora com uma margem pequena frente a S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro (7 e 20 mil respectivamente), sendo de fato a cidade brasileira com maior popula\u00e7\u00e3o preta. Entretanto, popularmente \u00e9 concebida como a cidade mais negra, o que de acordo com a l\u00f3gica do IBGE estaria bastante equivocado, vez que S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro possuem respectivamente 2 e 1 milh\u00e3o a mais de residentes autodeclarados negros (usando o crit\u00e9rio do IBGE). Tal confus\u00e3o, embora n\u00e3o traga maiores preju\u00edzos, refor\u00e7a a necessidade de avan\u00e7os neste debate e na pr\u00f3pria forma de concep\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise dos dados.<\/p>\n<p>A dificultosa situa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o parda<\/p>\n<p>Se o racismo \u00e9 um fen\u00f4meno estrutural no Brasil, ele \u00e9 tamb\u00e9m um fen\u00f4meno marcado por suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es internas. Ou, como diria Mao Zedong (2017), toda contradi\u00e7\u00e3o principal \u00e9 marcada por suas contradi\u00e7\u00f5es internas. Dentre as contradi\u00e7\u00f5es do racismo brasileiro chamam aten\u00e7\u00e3o as condicionantes espaciais e a condicionante da popula\u00e7\u00e3o miscigenada, que aqui chamamos de parda, utilizando a tipifica\u00e7\u00e3o oficial do IBGE, embora concordemos com muitas das cr\u00edticas referentes \u00e0 problem\u00e1tica de tal conceitua\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o miscigenada no Brasil \u00e9 um fato, independente da denomina\u00e7\u00e3o que utilizemos, o que ainda \u00e9 alvo de amplo debate, ao qual n\u00e3o pretendemos adentrar.<\/p>\n<p>Aqui buscamos avaliar como a popula\u00e7\u00e3o parda se relaciona com essas contradi\u00e7\u00f5es. A pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com a estat\u00edstica vai se dar de forma contradit\u00f3ria, vez que parte da popula\u00e7\u00e3o miscigenada tem grande dificuldade de se \u201cautodeclarar\u201d nos termos propostos pelo IBGE. Evidentemente novamente a quest\u00e3o hist\u00f3rica tem seu peso, mas pesquisas v\u00e3o apontar como esta tipifica\u00e7\u00e3o gera muitas confus\u00f5es. Parcelas consider\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o, ao serem perguntadas de forma espont\u00e2nea, se qualificam como morenas ou outras denomina\u00e7\u00f5es. Independente de tais denomina\u00e7\u00f5es, tal estrato da popula\u00e7\u00e3o, que hoje compreende a segunda maior parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira (apenas atr\u00e1s da popula\u00e7\u00e3o branca), e que seguindo as tend\u00eancias atuais, deve se tornar maioria em uma d\u00e9cada, \u00e9 ela pr\u00f3pria tamb\u00e9m alvo do racismo brasileiro.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o parda \u00e9 maioria em Salvador e figura em segundo lugar nas cidades do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Hoje, se somada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra, ultrapassa em n\u00edvel nacional o total autodeclarado como branco. Como apontamos novamente, entendemos que este dado tem em si certo grau de subjetividade e imprecis\u00e3o, entretanto, tomando-o como fato, a popula\u00e7\u00e3o parda ser\u00e1 em breve maioria, mas tal qual a popula\u00e7\u00e3o negra, ela est\u00e1 tamb\u00e9m no centro da quest\u00e3o da desigualdade social no Brasil.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o parda vive dilemas existenciais consider\u00e1veis. As contradi\u00e7\u00f5es sociais geram, inclusive, um sentimento de confus\u00e3o que adentra a subjetividade desta popula\u00e7\u00e3o, que ora oscila buscando identifica\u00e7\u00e3o maior com a popula\u00e7\u00e3o branca, por vezes at\u00e9 tentando modificar tra\u00e7os fenot\u00edpicos em busca de um padr\u00e3o est\u00e9tico hegem\u00f4nico tipicamente branco, mas por vezes tamb\u00e9m tem se movimentado a fim de uma proximidade maior com a identifica\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o negra ou ind\u00edgena, abra\u00e7ando suas origens \u00e9tnico-raciais, apesar da miscigena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Partindo do pressuposto j\u00e1 explicitado do racismo enquanto um fen\u00f4meno estrutural, social e que vem sobretudo de fora para dentro, a popula\u00e7\u00e3o parda \u00e9 ela pr\u00f3pria alvo do racismo tal qual a popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena, embora este apare\u00e7a de forma matizada e conflituosa. Dentro do seio dos movimentos negros (doravante MN) existe uma quest\u00e3o pendente: qual o papel da popula\u00e7\u00e3o parda na luta antirracista? A popula\u00e7\u00e3o parda costumeiramente \u00e9 evocada dentro das estat\u00edsticas, e comp\u00f5e as narrativas do MN. Ao se falar de negritude no Brasil, ao se utilizar dados, ao se criticar a viol\u00eancia policial, a discrimina\u00e7\u00e3o racial no mercado de trabalho, frequentemente a popula\u00e7\u00e3o parda adentra estas cr\u00edticas, e casos de racismo contra estratos desta popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m incorporados nas importantes den\u00fancias realizadas pela luta antirracista. Entretanto, no interior do MN, existe de fato uma grande dificuldade de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o bem definida com a popula\u00e7\u00e3o parda, que por vezes tem sua presen\u00e7a questionada nos espa\u00e7os da luta antirracista. Acreditamos que esta \u00e9 uma quest\u00e3o pendente a ser resolvida e que, no jogo das contradi\u00e7\u00f5es sociais em nossa na\u00e7\u00e3o, apenas uma luta antirracista unificada e somada ao conjunto das lutas revolucion\u00e1rias poder\u00e1 ser exitosa.<\/p>\n<p>Em vias de conclus\u00e3o destacamos ainda como a condicionante geogr\u00e1fica \u00e9 fundamental para a compreens\u00e3o do racismo em nosso pa\u00eds. O tecido regional no Brasil \u00e9 racializado, e historicamente as regi\u00f5es mais brancas acabaram por se tornar as mais desenvolvidas, o que guarda suas rela\u00e7\u00f5es com as pol\u00edticas eugenistas e com a pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o das classes dominantes brasileiras. Mas, para al\u00e9m das condicionantes regionais, o pr\u00f3prio tecido urbano \u00e9 rasgado por contradi\u00e7\u00f5es raciais, j\u00e1 mencionadas, e a pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o do racismo opera de forma diferente no espa\u00e7o. Notadamente em bairros povoados pelas camadas m\u00e9dias e abastadas, o racismo se expressa sobretudo na pol\u00edtica de expuls\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es negras e pardas, por vezes operadas pelos processos de \u201cgentrifica\u00e7\u00e3o\u201d que conseguem afastar popula\u00e7\u00f5es \u201cindesejadas\u201d de determinadas localidades. A fragmenta\u00e7\u00e3o urbana, ou seja, o fatiamento da cidade em nichos e bols\u00f5es de determinados estratos sociais \u00e9 uma outra forma de express\u00e3o deste fen\u00f4meno, vis\u00edvel na presen\u00e7a de comunidades pobres, vizinhas a condom\u00ednios luxuosos murados.<\/p>\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o do racismo opera assim diferentemente no tecido urbano e nas diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds. Um mesmo trabalhador pode ser alvo de formas de racismo em determinado bairro e n\u00e3o sofr\u00ea-las em um outro bairro. A viol\u00eancia policial declara abertamente em que bairros o racismo mais escancarado em sua face genocida pode aparecer, e em que bairros n\u00e3o deve operar, ou deve operar de formas mais sutis. A miscigena\u00e7\u00e3o vai tamb\u00e9m interagir com o espa\u00e7o urbano de formas particulares, nas quais um mesmo trabalhador pardo, a depender do bairro onde viva, pode perceber e vivenciar o racismo de formas bastante diferentes, sendo at\u00e9 mesmo considerado branco, ou n\u00e3o-branco a depender de seu local de moradia e conv\u00edvio.<\/p>\n<p>Por fim, compreendemos que a sociedade brasileira \u00e9 essencialmente complexa e composta por contradi\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas, muitas delas ainda pouco compreendidas. Em s\u00edntese, entendemos que apenas com uma compreens\u00e3o cada vez mais precisa e aprofundada da din\u00e2mica do espa\u00e7o, somada \u00e0 din\u00e2mica do capital, e das contradi\u00e7\u00f5es que atravessam nossa sociedade \u00e9 que poderemos finalmente ter mais clareza dos caminhos a serem percorridos para a supera\u00e7\u00e3o definitiva da sociedade que nos oprime e perpetua viol\u00eancias de classe, ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade e tantas outras. Tarefa que compete a todos aqueles engajados na revolu\u00e7\u00e3o brasileira, rumo \u00e0 sociedade sem classes e livre da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>* Giovani Damico \u00e9 Ge\u00f3grafo e mestrando em Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>[1] A publica\u00e7\u00e3o referenciada foi acessada em formato e-pub, o qual n\u00e3o possui pagina\u00e7\u00e3o, com vistas a aproxima\u00e7\u00e3o da p\u00e1gina citada informamos o capitulo utilizado.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>Almeida, S\u00edlvio Luiz de. Racismo estrutural. S\u00e3o Paulo: P\u00f3len, 2019. (e-pub)<br \/>\nBRASIL, Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Dispon\u00edvel em: &lt;htthttps:\/\/sidra.ibge.gov.br\/Tabela\/3175#resultadops:\/\/sidra.ibge.gov.br\/Tabela\/3175#resultado&gt;. Acesso em: 15\/06\/2020 &lt;https:\/\/censo2010.ibge.gov.br\/apps\/atlas\/&gt;<br \/>\nMAO, Zedong. Sobre a Contradi\u00e7\u00e3o. In: Cinco Teses Filos\u00f3ficas. Edi\u00e7\u00f5es Nova Cultura: S\u00e3o Paulo, 2017.<br \/>\nMARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alem\u00e3. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2007.<br \/>\nMARX, Karl. Sobre a Quest\u00e3o Judaica. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25854\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,20],"tags":[222],"class_list":["post-25854","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s6-movimentos","category-c1-popular","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6J0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25854\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}