{"id":25866,"date":"2020-07-21T00:11:02","date_gmt":"2020-07-21T03:11:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25866"},"modified":"2020-07-25T12:35:48","modified_gmt":"2020-07-25T15:35:48","slug":"116-anos-de-dinarco-reis-dirigente-nacional-do-pcb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25866","title":{"rendered":"116 anos de Dinarco Reis, dirigente nacional do PCB"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-mZHfXj0-24s\/V8IXR-7HOkI\/AAAAAAAAGP8\/_e7BTEFwaWsAcojLB3GmJch3Z8eB3qHtACLcB\/s320\/Dinarco-Reis.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Afonso Costa\/ Dinarco Reis Filho &#8211; Funda\u00e7\u00e3o Dinarco Reis (PCB)<\/p>\n<p>Dinarco Reis nasceu no dia 22 de julho de 1904, mas foi registrado civilmente no dia 23. O padre que o batizou atribui-lhe o prenome de Jos\u00e9, por n\u00e3o ter considerado seu nome como crist\u00e3o. Era apenas o sinal, o pren\u00fancio de que aquele rec\u00e9m-nascido n\u00e3o seria como tantos outros. A vida de Dinarco Reis foi dedicada ao fim da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o comunista, a combater as injusti\u00e7as e lutar pelo bem da humanidade.<\/p>\n<p>Carioca de Vila lsabel, nasceu na Pra\u00e7a Sete, hoje Bar\u00e3o de Drummond, ao lado do Convento de freiras que existe at\u00e9 hoje, no local da casa foi constru\u00eddo um edif\u00edcio. Sua inf\u00e2ncia foi atribulada por causa da separa\u00e7\u00e3o dos pais, um duro per\u00edodo de priva\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, que precocemente o obrigaram ao trabalho: j\u00e1 aos 14 anos sustentava-se como ajudante de eletricista. Depois sua tia o levou para Belo Horizonte, onde passou a juventude sem muitas complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Aos 20 anos, como pra\u00e7a volunt\u00e1rio, ingressa na Escola de Avia\u00e7\u00e3o Militar. Logo participa da campanha contra o movimento paulista de 1924. Em 1926, j\u00e1 como terceiro sargento, torna-se instrutor de voo e mec\u00e2nico-chefe de manuten\u00e7\u00e3o. Quatro anos mais tarde, participa ativamente da Alian\u00e7a Liberal, \u00e9poca em que se relaciona com Cordeiro de Farias e Eduardo Gomes. Combateu, em 1932, o &#8220;movimento constitucionalista&#8221;.<\/p>\n<p>Matriculando-se em seguida na Academia Militar de Realengo, em 1934 torna-se segundo tenente da avia\u00e7\u00e3o militar. Tem interven\u00e7\u00e3o importante no levante de 1935, dirigido pela Alian\u00e7a Nacional Libertadora: foi um dos comandantes da a\u00e7\u00e3o que tomou a Escola de Avia\u00e7\u00e3o Militar. Fracassado o movimento, \u00e9 preso pelas For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Foi na pris\u00e3o que conheceu dirigentes do movimento comunista nacional e internacional, recebendo ensinamentos te\u00f3ricos que permitiram que ele verificasse o acerto de sua decis\u00e3o: a sa\u00edda estava no socialismo. Fora cassado e at\u00e9 \u201cmorto\u201d, para efeitos legais. Ali\u00e1s, esses \u201cmortos-vivos\u201d constitu\u00edram espet\u00e1culo curioso e amargo da vida brasileira. Dinarco jamais conheceu a anistia, jamais foi \u201cressuscitado\u201d. Com a \u201cMacedada\u201d (uma lei limitada de anistia), foi libertado depois de 17 meses de pris\u00e3o, juntamente com grande quantidade de presos pol\u00edticos, contra os quais nada fora imputado como crime.<\/p>\n<p>Dirige-se para o Rio Grande do Sul e exila-se no Uruguai. Da\u00ed, como volunt\u00e1rio, segundo recomenda\u00e7\u00e3o do PCB, vai para a Espanha, onde luta em defesa da Rep\u00fablica contra o franquismo, destacando-se na Batalha do Ebro. Com a derrota dos socialistas, foi mandado para a Fran\u00e7a, onde \u00e9 preso em um campo de concentra\u00e7\u00e3o. Empreende fuga espetacular, junto com os camaradas David Capistrano, Hermenegildo Assis Brasil e Joaquim Silveira, os quais, ao chegar em Paris, se juntam \u00e0 Resist\u00eancia Francesa na luta contra o nazifascismo.<\/p>\n<p>Depois de muitas perip\u00e9cias, passando por Portugal e Espanha, em 1942 est\u00e1 na Venezuela. Da\u00ed regressa ao Brasil juntando-se aos n\u00e1ufragos dos navios torpedeados pelos alem\u00e3es. No ano seguinte, foi um dos principais organizadores da Confer\u00eancia da Mantiqueira, quando \u00e9 eleito o Comit\u00ea Central do PCB que reorganiza o Partido, enfraquecido pela persegui\u00e7\u00e3o do Estado Novo de Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Dedicando-se exclusivamente ao seu partido, Dinarco desenvolve atividades em v\u00e1rios estados brasileiros. Em 1954, afasta-se do organismo dirigente por divergir do &#8220;Manifesto de Agosto&#8221;, mas n\u00e3o abandonou o PCB, por causa da orienta\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria imprimida pela dire\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. A chamada Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o (1958) abriu novas perspectivas \u00e0 luta pol\u00edtica, rompendo com o sectarismo e privilegiando a luta de massas, apesar de refor\u00e7ar a perspectiva reformista, com a consolida\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia nacional democr\u00e1tica, em que se previa a alian\u00e7a com uma pretensa burguesia nacional para combater o imperialismo e o atraso interno representado pelo latif\u00fandio. Dinarco, com outros companheiros de Partido, esteve entre aqueles que defenderam a Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o.<br \/>\nA divulga\u00e7\u00e3o de documentos com pesadas cr\u00edticas ao per\u00edodo de St\u00e1lin, durante o XX Congresso do PC sovi\u00e9tico, entretanto, traria uma crise interna de graves consequ\u00eancias, que deveria ser enfrentada e superada. Dinarco retornava ao Comit\u00ea Central ao ser eleito no V Congresso do PCB, ascendendo \u00e0 Executiva, vendo suas responsabilidades crescerem. Mas nunca lhe faltou \u00e2nimo para enfrentar as novas condi\u00e7\u00f5es de luta.<\/p>\n<p>Os anos iniciais da d\u00e9cada de 1960 foram marcados pela ascens\u00e3o do movimento oper\u00e1rio, sindical e de massas, com v\u00e1rios setores e categorias sociais se mobilizando em defesa de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e sal\u00e1rio, conquista de direitos e mudan\u00e7as profundas de que o Brasil necessitava, despertando o povo para apoiar as chamadas \u201creformas de base\u201d propostas pelo Governo Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o da direita n\u00e3o poderia perdoar esses avan\u00e7os democr\u00e1ticos: veio o golpe de 1964. Cumpria ao PCB preservar a sua dire\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a decis\u00e3o de transferir ao exterior uma parte dela. Dinarco partiu, em 1971, tendo, antes da partida, sido respons\u00e1vel pela vida de v\u00e1rios outros companheiros. Antes disso foi respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a do VI Congresso do PCB, em 1967. Esteve em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e da Europa. Regressando ao Brasil com a anistia, retoma a reorganiza\u00e7\u00e3o do Partido.<\/p>\n<p>Dirigente comunista de renome internacional, Dinarco Reis faleceu em 1989, quando ainda estava em plena atividade, inclusive escrevendo e proferindo confer\u00eancias. Ele n\u00e3o foi s\u00f3 uma privilegiada testemunha da hist\u00f3ria, mas sim um protagonista atuante das lutas contempor\u00e2neas do povo pelas liberdades democr\u00e1ticas, no combate ao imperialismo e na luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>Faleceu sem ter sido anistiado pela Aeron\u00e1utica, que propositadamente o deu como morto desde o levante de 1935, apesar de ter sido perseguido pela pol\u00edcia durante toda a vida. Segundo suas pr\u00f3prias palavras: \u201cNunca fui anistiado&#8230; quero ver se pelo menos conseguem uma anistia m\u00ednima, ao menos me \u2018restituir a vida\u2019, coisa que eles n\u00e3o podem me tirar efetivamente\u201d.<\/p>\n<p>Sua anistia foi concedida ainda em 1989, n\u00e3o coincidentemente somente ap\u00f3s a sua morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25866\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[219,246],"class_list":["post-25866","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria","tag-manchete","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Jc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25866\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}