{"id":25872,"date":"2020-07-22T23:03:18","date_gmt":"2020-07-23T02:03:18","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25872"},"modified":"2020-07-29T10:39:34","modified_gmt":"2020-07-29T13:39:34","slug":"assata-shakur-me-ensinou-a-lutar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25872","title":{"rendered":"Assata Shakur me ensinou a lutar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jacobin.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Assata-Shakur.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Assata Shakur algemada sendo levado a julgamento em 1976 \/ Getty Imagens<\/p>\n<p>REVISTA JACOBIN<\/p>\n<p>Por Karen Anisia<\/p>\n<p>Revolucion\u00e1ria, escritora e poetisa, a militante negra Assata Shakur, que vive hoje no ex\u00edlio em Cuba, nasceu neste dia em 1947. Perseguida pelo FBI por seu engajamento nos movimentos radicais de liberta\u00e7\u00e3o negra, fez uma fuga cinematogr\u00e1fica da pris\u00e3o e se engajou na luta internacional anti-imperialista. Seu legado ecoa nos protestos do Black Lives Matter, nas favelas do Brasil, nas revoltas antirracistas.<\/p>\n<p>A vida de Assata Shakur, cujo nascimento em 16 de julho de 1947 hoje comemoramos, \u00e9 um poderoso testemunho da luta por liberdade. Natural de Nova York, Assata, al\u00e9m de madrinha do rapper Tupac Shakur, militou nos Panteras Negras, no Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Negra, foi alvo do programa de contraintelig\u00eancia do governo norte-americano contra os movimentos radicais negros, foi presa, fugiu da pris\u00e3o, entrou na lista de \u201cterroristas mais procurados\u201d do FBI, e hoje vive em Cuba \u2013 acolhida como exilada pol\u00edtica h\u00e1 cerca de 4 d\u00e9cadas. Sua hist\u00f3ria de vida e seus poemas \u2013 com frequ\u00eancia declamados nas recentes manifesta\u00e7\u00f5es organizadas por militantes do Black Lives Matter \u2013 inspiram agora uma nova gera\u00e7\u00e3o na luta contra o racismo e o capitalismo.<\/p>\n<p>A recusa ao nome de batismo, e a ado\u00e7\u00e3o de outro que representasse seu esp\u00edrito subversivo, foi express\u00e3o, em meio aos conturbados acontecimentos do final dos anos 60, de sua escolha pol\u00edtica em se definir militante em antagonismo contra um sistema que perpetuava desigualdades e opress\u00f5es \u2013 n\u00e3o lhe cabia o nome que lhe fora legado pela escravid\u00e3o. A liberdade que Assata buscava, no entanto, n\u00e3o poderia ser apenas uma conquista individual, mas necessariamente uma pr\u00e1tica coletiva: a emancipa\u00e7\u00e3o de todo o povo oprimido.<\/p>\n<p>Ainda jovem, se aproximou dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o e se somou \u00e0 luta organizada. Em sua autobiografia, publicada em 1999 com um pref\u00e1cio de Angela Davis, Assata descreve o caminho que tra\u00e7ou at\u00e9 se tornar uma revolucion\u00e1ria, primeiro se libertando das concep\u00e7\u00f5es anticomunistas disseminadas pelos aparelhos ideol\u00f3gicos midi\u00e1ticos dos EUA e em seguida estudando os te\u00f3ricos revolucion\u00e1rios do socialismo africano. Sua conclus\u00e3o, afinal, foi a de que n\u00e3o bastaria apenas buscar \u201cenegrecer\u201d a estrutura econ\u00f4mica capitalista: \u00e9 necess\u00e1rio derrub\u00e1-la.<\/p>\n<p>\u201cO lugar de uma mulher \u00e9 na luta\u201d<br \/>\nO primeiro contato de Assata Shakur com a pol\u00edtica radical foi com a Golden Drums Society, grupo estudantil do qual participou quando estudava na Faculdade Comunit\u00e1ria de Manhattan. Sua subsequente aproxima\u00e7\u00e3o com o Partido dos Panteras Negras (fundado poucos anos antes, em outubro de 1966) se deu a partir da crescente percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o bastaria movimentos reformistas, dentro da ordem, para mudar significativamente a realidade social. Assata estava ent\u00e3o em busca de uma organiza\u00e7\u00e3o que se alinhasse com seu desejo de transforma\u00e7\u00e3o completa da sociedade, encontrando no programa de 10 pontos dos Panteras Negras o projeto pol\u00edtico que a contemplava. Como militante do partido, chegou a participar na distribui\u00e7\u00e3o do jornal da organiza\u00e7\u00e3o, do projeto caf\u00e9 da manh\u00e3 gratuito para crian\u00e7as (as cozinhas comunit\u00e1rias dos panteras chegaram a alimentar diariamente 10 mil crian\u00e7as) e nas atividades da cl\u00ednica de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Desde que se engajou na luta socialista, o cotidiano de Assata foi marcado por tens\u00f5es e amea\u00e7as, passando a viver sempre em alerta, sabendo que sua escolha pol\u00edtica a impossibilitaria de ter uma vida normal. Abra\u00e7ando essa condi\u00e7\u00e3o, Assata logo decide se somar \u00e0s fileiras do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Negra, uma organiza\u00e7\u00e3o inspirada nas guerrilhas de liberta\u00e7\u00e3o nacional do terceiro mundo, que promovia, em pleno solo norte-americano, interven\u00e7\u00f5es como opera\u00e7\u00f5es armadas contra a pol\u00edcia e contra traficantes, assaltos a bancos e resgates de presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>As duas organiza\u00e7\u00f5es, movimentos organizados anticapitalistas no cora\u00e7\u00e3o do sistema imperialista, surgiram no contexto da luta pelos direitos civis dos anos 60\u201370 contra a segrega\u00e7\u00e3o racial, da radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento estudantil contra a guerra do Vietn\u00e3 e da inspira\u00e7\u00e3o internacionalista trazida pelas lutas anti-coloniais na \u00c1frica e na \u00c1sia, assim como pelo exemplo pr\u00f3ximo do processo revolucion\u00e1rio cubano (que toma o poder em 1959).<\/p>\n<p>A postura combativa que esses grupos passam a adotar os colocam no topo da lista de inimigos oficiais do Estado, sendo duramente reprimidos e perseguidos. Para lidar com o clima de insurg\u00eancia interna, os servi\u00e7os secretos dos EUA criam programas como a COINTELPRO, um conjunto de opera\u00e7\u00f5es secretas conduzidas ilegalmente pelo FBI cujo objetivo era vigiar, infiltrar e destruir os n\u00facleos organizados de oposi\u00e7\u00e3o radical ao sistema pol\u00edtico. Esse programa tinha como uma das t\u00e1ticas atacar a integridade e credibilidade dos l\u00edderes e militantes, acusando-os de crimes comuns, utilizando falsas acusa\u00e7\u00f5es e provas plantadas para prend\u00ea-los ou desmoraliz\u00e1-los, mobilizando a m\u00eddia para campanhas de assassinato de reputa\u00e7\u00e3o. No interior dos movimentos essa t\u00e1tica tinha o efeito planejado de minar a efici\u00eancia em organizar a comunidade, fazendo-os gastar tempo, energia e recursos para libertar ativistas, ou dirimir crises internas de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Assim como Martin Luther King, Malcolm X, Muhammad Ali, e Fred Hampton, Assata foi alvo da COINTELPRO. Espalhou-se a acusa\u00e7\u00e3o de que ela teria participado de um assalto a um banco no Bronx e sua imagem foi estampada em jornais e cartazes com letras garrafais de \u201cprocura-se\u201d. Foragida, em fuga permanente, Assata estava na companhia de outros dois camaradas do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Negra, Sundiata Acoli e Zayd Shakur, quando seu grupo foi interceptado pela pol\u00edcia em 2 de maio de 1973. Iniciou-se ali o tiroteio que tirou a vida de um dos policiais e de Zayd Shakur. Assata foi baleada nas costas e no bra\u00e7o. No hospital foi acorrentada \u00e0 cama, espancada, torturada e proibida de receber visitas por cinco dias.<\/p>\n<p>Levada a tribunal, um j\u00fari branco e conservador, a condenou com senten\u00e7a perp\u00e9tua. Como muitos militantes do movimento negro radical da \u00e9poca, Assata foi deixada em confinamento solit\u00e1rio. Depois de mais de dois anos e meio em completo isolamento em uma pris\u00e3o masculina, foi transferida para uma pris\u00e3o feminina de seguran\u00e7a m\u00e1xima, junta com psicopatas e supremacistas brancas. Foram seis anos e meio de c\u00e1rcere, at\u00e9 que em 2 de novembro de 1979 seus camaradas a arrancaram da pris\u00e3o, em uma fuga cinematogr\u00e1fica. Assata descrevia a si mesma como \u201cescrava fugitiva\u201d, referindo-se ao sistema prisional norte-americano como uma \u201cnova planta\u00e7\u00e3o colonial\u201d: o perfil \u2013 racial e de classe \u2013 dos presidi\u00e1rios, assim como as condi\u00e7\u00f5es degradantes a quais estavam submetidos (incluindo, muitas vezes, o trabalho for\u00e7ado) convertia o processo de encarceramento em massa nos EUA em uma forma escravid\u00e3o moderna. Ap\u00f3s cinco anos na clandestinidade, em que literalmente some do mapa, Assata reaparece publicamente em Cuba, onde encontra asilo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Assata \u00e9 bem vinda em Cuba<br \/>\nAcolhida pela solidariedade internacional do povo cubano e por um governo com uma pol\u00edtica abertamente anti-imperialista oferecendo ref\u00fagio a militantes revolucion\u00e1rios do mundo inteiro, Assata p\u00f4de enfim viver livre da persegui\u00e7\u00e3o daqueles que a queriam morta. O Estado norte-americano, no entanto, nunca desistiu de persegui-la. Em 2005, \u00e9 anunciada uma recompensa de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares para qualquer informa\u00e7\u00e3o que leve \u00e0 sua captura e, em 2013, torna-se a primeira mulher a ser inclu\u00edda na lista dos 10 \u201cterroristas\u201d mais procurados pelo FBI. As press\u00f5es sobre o governo cubano para fazer com que ela fosse extraditada aos EUA foram todas mal sucedidas. Questionado sobre a entrega de Assata, no contexto do distensionamento das rela\u00e7\u00f5es entre EUA e Cuba durante o governo Obama, o ent\u00e3o ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores cubano foi categ\u00f3rico: \u201cposso dizer que isto est\u00e1 fora de quest\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No ex\u00edlio, Assata recebeu visitas de amigos e familiares, fez gradua\u00e7\u00e3o e mestrado, escreveu sua autobiografia e concedeu entrevistas. Em 1997, no Festival Mundial da Juventude, questionada sobre a quest\u00e3o do racismo em Cuba, responde:<\/p>\n<p>\u201cA primeira coisa que eu entendi \u00e9 que precisava aprender sobre a hist\u00f3ria e desenvolvimento de Cuba, que eu n\u00e3o poderia transferir as experi\u00eancias dos EUA para Cuba, porque eram realidades e hist\u00f3rias diferentes.[\u2026] Ainda existem pessoas com pensamentos racistas, sexistas, classistas. Mas a diferen\u00e7a \u00e9 que essas pessoas n\u00e3o est\u00e3o no poder para determinar as prioridades pol\u00edticas e econ\u00f4micas. [\u2026] Quando chegou a hora de lutar contra o racismo em Angola, na \u00c1frica do Sul, as pessoas deram suas vidas aqui.\u201d<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de Assata Shakur em Cuba foi al\u00e9m da possibilidade de sobreviv\u00eancia \u2013 foi uma experi\u00eancia de cura, que refor\u00e7ou sua f\u00e9 na humanidade e sua convic\u00e7\u00e3o na for\u00e7a da solidariedade. Com a ajuda do povo latino-americano, confraternizando com exilados pol\u00edticos de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, conhecendo as v\u00edtimas mutiladas pela guerra civil em El Salvador ou Guatemala, vivenciou uma realidade que se opunha \u00e0 domina\u00e7\u00e3o imperialista dos corpos e das ideias, uma cultura que preservava suas ra\u00edzes e se mantinha forte, que aliava um orgulho patri\u00f3tico com um profundo senso de dever internacionalista, de amor com os povos do mundo em luta. Imersa nessa nova atmosfera, conseguiu ainda analisar sob outra perspectiva o que o capitalismo e seus pa\u00edses centrais representavam para a periferia do sistema, desenvolvendo um olhar cada vez mais cr\u00edtico aos efeitos do imperialismo e fortalecendo seus ideais radicais de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Cuba, a poesia de Assata passa a pregar uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o amorosa\u201d. A revolu\u00e7\u00e3o, vai dizer Assata, \u00e9 sexy, \u00e9 bonita, \u00e9 criativa: \u201cparte de ser uma revolucion\u00e1ria \u00e9 criar uma vis\u00e3o de mundo que \u00e9 mais humana. Mais divertida tamb\u00e9m. Que seja mais amorosa. Ser revolucion\u00e1rio \u00e9 trabalhar para criar algo bonito\u201d.<\/p>\n<p>Foi a ajuda dos camaradas do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Negra, o acolhimento de Cuba e a solidariedade dos povos oprimidos que auxiliou Assata a viver em liberdade, fiel ao reconhecimento de que a liberdade universal de todos os povos \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a liberdade de cada povo:<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m estava claro para mim que sem um componente verdadeiramente internacionalista, o nacionalismo era reacion\u00e1rio. N\u00e3o h\u00e1 nada de revolucion\u00e1rio no nacionalismo por si s\u00f3 \u2013 Hitler e Mussolini eram nacionalistas. Qualquer comunidade seriamente preocupada com sua pr\u00f3pria liberdade precisa estar preocupada tamb\u00e9m com a liberdade dos outros povos. A vit\u00f3ria do povo oprimido em qualquer lugar do mundo \u00e9 uma vit\u00f3ria para o povo Negro. Cada vez que um dos tent\u00e1culos do imperialismo \u00e9 cortado, estamos mais pr\u00f3ximos da liberta\u00e7\u00e3o. [\u2026] O imperialismo \u00e9 um sistema internacional de explora\u00e7\u00e3o e, n\u00f3s, revolucion\u00e1rios, precisamos ser internacionalistas para derrot\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAssata me ensinou a lutar\u201d<br \/>\nEm sua autobiografia, Assata narra o que sentiu ao reencontrar a fam\u00edlia em Cuba:<\/p>\n<p>\u201cPor quanta coisa todas n\u00f3s passamos. Nossa luta come\u00e7ou em um navio negreiro, anos antes de nascermos. \u00b4Venceremos\u00b4, minha palavra favorita em espanhol, me veio \u00e0 mente. Dez milh\u00f5es de pessoas [cubanas] se levantaram contra o monstro. Dez milh\u00f5es de pessoas, h\u00e1 apenas noventa milhas de dist\u00e2ncia. N\u00f3s est\u00e1vamos aqui juntas, na terra delas, minha pequena fam\u00edlia, nos abra\u00e7ando depois de tanto tempo. N\u00e3o havia d\u00favidas para n\u00f3s: nosso povo ser\u00e1 livre um dia.\u201d<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que pretendia o governo estadunidense com o esfor\u00e7o em demonizar a imagem de Assata, apresentando-a como terrorista e inimiga p\u00fablica, sua trajet\u00f3ria combativa tem inspirado uma nova gera\u00e7\u00e3o de lutadores em todo mundo. Seja em novos coletivos e movimentos no pr\u00f3prio EUA, como As Filhas de Assata, grupo de mulheres criado em 2015 na cidade de Chicago com o objetivo continuar a tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica radical da luta negra, ou na periferia de S\u00e3o Paulo, com projetos como Biblioteca comunit\u00e1ria Assata Shakur, que desenvolve um trabalho de educa\u00e7\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 leitura focando em autores negros, sua chama continua a se espalhar.<\/p>\n<p>Assata nos ensina a acreditar, como ela, \u201cno fogo do amor e no suor da verdade\u201d. Honrar seu legado significa se colocar a servi\u00e7o da luta, n\u00e3o se deixar desanimar, dar for\u00e7a \u00e0s camaradas com as quais queremos construir, aqui e agora, um outro mundo. Seja nos lembrando que \u201cningu\u00e9m na hist\u00f3ria jamais conquistou sua liberdade apelando para o senso moral de seus opressores\u201d ou fortalecendo nossa autoconfian\u00e7a ao proclamar a eterna verdade de que \u201conde houver opress\u00e3o haver\u00e1 resist\u00eancia\u201d, Assata se faz uma voz cada dia mais presente. Nas suas palavras encontramos a brisa que se transforma em furac\u00e3o e nos permite sentir o cheiro da liberdade. Nas recentes manifesta\u00e7\u00f5es anti-racistas nos EUA \u00e9 comum se deparar com pixa\u00e7\u00f5es de frases de Assata Shakur ou militantes vestindo camisetas estampadas com \u201cAssata me ensinou\u201d e \u201cAssata \u00e9 bem vinda aqui\u201d. Um de seus poemas, apelidado agora de \u201co canto de Assata\u201d, tem sido declamado coletivamente nas manifesta\u00e7\u00f5es, para horror das m\u00eddias conservadoras, que se referem a ele (corretamente, por sinal) como um \u201chino marxista\u201d:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 nosso dever lutar por nossa liberdade<br \/>\n\u00c9 nosso dever vencer<br \/>\nDevemos amar uns aos outros e apoiar uns aos outros<br \/>\nN\u00e3o temos nada a perder al\u00e9m de nossas correntes\u201d<\/p>\n<p>Como observou um artigo na Left Voice, pot\u00eancia do \u201ccanto de Assata\u201d est\u00e1 em fundir o chamado do feminismo negro por \u201ccuidado coletivo\u201d com o chamado \u00e0s armas para a guerra de classes, tirado da c\u00e9lebre conclus\u00e3o do Manifesto Comunista. Assata Shakur continua vivendo em paz em Cuba, professando seu amor \u00e0 vida e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o. Nenhuma tentativa de negocia\u00e7\u00e3o, nem mesmo os 2 milh\u00f5es oferecidos por sua captura compraram sua liberdade, conseguiram apagar sua hist\u00f3ria ou neutralizar sua voz. Seu grito ecoa nos protestos do Black Lives Matter, nas favelas do Brasil, nas revoltas anti-imperialistas. Em todo o lugar em que vive um revolucion\u00e1rio, Assata \u00e9 bem vinda tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Sobre a autora<br \/>\nKaren Anisia \u00e9 graduanda em T\u00eaxtil e Moda pela USP e integrante do Coletivo Negro Minervino de Oliveira.<\/p>\n<p>\u00c1rea de anexos<br \/>\nVisualizar o v\u00eddeo It Is Our Duty To Fight For Our Freedom do YouTube<\/p>\n<p>Visualizar o v\u00eddeo It is our duty to fight for our freedom protest do YouTube<\/p>\n<p>Visualizar o v\u00eddeo George Floyd Protesters Recite Marxist Chant: \u2018Nothing to Lose but Our Chains\u2019 do YouTube<\/p>\n<p>Exibindo IMG-20200722-WA0010.jpg.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25872\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[48,165],"tags":[222,247],"class_list":["post-25872","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c58-cuba","category-eua","tag-2b","tag-jd"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Ji","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25872\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}