{"id":25909,"date":"2020-07-31T12:28:53","date_gmt":"2020-07-31T15:28:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25909"},"modified":"2020-07-31T12:28:53","modified_gmt":"2020-07-31T15:28:53","slug":"construir-a-universidade-popular-e-preciso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25909","title":{"rendered":"Construir a Universidade Popular \u00e9 preciso!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3c7n23A7I38mx2_tGwkBBiiu-f4qyqs0s1pLmhKMGTixUmZ1AZBmkXStH1bPbNuK1sAeWZSBcUPsmLrHwL4kK6XClKM_XbMO63b-uSqB5KIpRRPEI7VppoySUsaKAjcnB0BgHMQ-v13w1MiMj2CWsrd=s951-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->\u00c9 o momento de fortalecer o movimento estudantil e as nossas entidades para resistirmos ao programa de educa\u00e7\u00e3o defendido e executado pela extrema direita, e apresentar o nosso projeto de constru\u00e7\u00e3o da universidade popular e a luta contra os retrocessos na educa\u00e7\u00e3o brasileira!<\/p>\n<p>MANIFESTO DO MOVIMENTO POR UMA UNIVERSIDADE POPULAR<\/p>\n<p>LUTAR, CRIAR, UNIVERSIDADE POPULAR:<br \/>\nESTUDANTES NA LUTA EM DEFESA DA VIDA E DOS DIREITOS!<br \/>\nA VIDA E OS DIREITOS DEVEM ESTAR ACIMA DO LUCRO!<\/p>\n<p>A pandemia de COVID-19 intensificou uma s\u00e9rie de contradi\u00e7\u00f5es que j\u00e1 vinham sendo evidenciadas pela crise sist\u00eamica que o capitalismo vive hoje, com reflexos nos diversos setores que envolvem a vida humana, impondo duras circunst\u00e2ncias \u00e0 realidade da classe trabalhadora em todo o planeta. Os governos burgueses t\u00eam mostrado sua incapacidade em combater a crise sanit\u00e1ria, especialmente porque a agenda de contrarreformas ultraliberais e os consequentes ataques aos direitos sociais se contrap\u00f5em \u00e0 ne-cessidade de isolamento social frente a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Enquanto pa\u00edses, como China e Vietn\u00e3, conseguiram tomar medidas eficientes de combate, desde campanhas de preven\u00e7\u00e3o massivas at\u00e9 a r\u00e1pida constru\u00e7\u00e3o de hospitais inteiros focados no combate \u00e0 doen\u00e7a, e Cuba se destaca novamente no cen\u00e1rio internacional exportando equipes de profissionais da sa\u00fade para outros pa\u00edses, no Brasil, o governo de Bolsonaro e Mour\u00e3o continua sua pol\u00edtica de subservi\u00eancia aos interesses do capital, na aplica\u00e7\u00e3o do programa ultraliberal de desmonte dos servi\u00e7os p\u00fablicos, ataques aos direitos sociais, liberdades democr\u00e1ticas e o incentivo ao irracionalismo.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica genocida de Bolsonaro j\u00e1 matou mais de 90 mil pessoas. Se, em um primeiro momento, os \u00f3bitos se destacavam entre os mais idosos, dada sua maior vulnerabilidade, foi com o avan\u00e7o da pandemia que os jovens tornaram-se tamb\u00e9m v\u00edtimas letais da doen\u00e7a, dado o massivo cont\u00e1gio entre a juventude trabalhadora &#8211; que em nenhum momento teve direito ao isolamento.<\/p>\n<p>Intensificando a precariza\u00e7\u00e3o, as ondas de demiss\u00f5es em diversos setores j\u00e1 fizeram mais de 1 milh\u00e3o de desempregados s\u00f3 no per\u00edodo de pandemia. Aqueles que mant\u00eam seu emprego t\u00eam sofrido com a suspens\u00e3o de contratos, redu\u00e7\u00e3o de carga hor\u00e1ria e de sal\u00e1rios. Todo o contingente de desempregados n\u00e3o consegue encontrar postos de trabalho formais, restando a informalidade como alternativa. Juntas, as empresas de aplicativos j\u00e1 s\u00e3o o maior empregador do pa\u00eds, somam um corpo de mais de 4 milh\u00f5es de trabalhadores, sendo os jovens de 18 a 27 anos cerca de 75% desse total, aumentando ainda mais o conjunto de milh\u00f5es de brasileiros que sofrem com cargas hor\u00e1rias abusivas e arcam com todo o \u00f4nus, como a m\u00e1 remunera\u00e7\u00e3o somada \u00e0 aus\u00eancia de responsabiliza\u00e7\u00e3o das empresas pelo corpo de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dessas quest\u00f5es, 2020 bate recordes de homic\u00eddios realizados por interven\u00e7\u00e3o de agentes do Estado nas favelas e periferias, demonstrando que as incurs\u00f5es policiais s\u00e3o atividades essenciais. Opera\u00e7\u00f5es v\u00eam sendo conduzidas com as t\u00edpicas arbitrariedades, tirando vidas e sonhos da juventude do pa\u00eds, n\u00e3o por despreparo policial, mas sim por um ex\u00e9rcito de guerra treinado e preparado para matar e violar os direitos dos moradores das favelas, que deixam claro que s\u00f3 uma parcela da popula\u00e7\u00e3o tem direito a se proteger do v\u00edrus e a realizar o isolamento social. Como se j\u00e1 n\u00e3o bastasse a guerra imposta nesses territ\u00f3rios, muitas fam\u00edlias tiveram o aux\u00edlio emergencial negado, ou o dinheiro recebido pelo aux\u00edlio n\u00e3o supre as necessidades e os gastos mensais (cabe analisar os atrasos para o dep\u00f3sito do aux\u00edlio e do calend\u00e1rio para conseguir efetuar o saque), obrigando os trabalhadores a irem \u00e0s ruas em busca de recursos complementares para n\u00e3o passar fome.<\/p>\n<p>Brigadas e campanhas de solidariedade v\u00eam sendo realizadas nas favelas, cumprindo o que deveria ser o papel do Estado, distribuindo cestas b\u00e1sicas e kits de limpeza aos moradores em territ\u00f3rios os quais diversos fatores impossibilitam o combate \u00e0 pandemia, dentre eles, a falta de suprimento de \u00e1gua para as moradias (impedindo a realiza\u00e7\u00e3o de medidas profil\u00e1ticas), a falta de investimentos nas Unidades de Pronto Atendimento e nas Cl\u00ednicas da Fam\u00edlia, a falta de testes de diagn\u00f3stico (que v\u00eam sendo racionados), a falta de leitos (a maioria dos leitos de UTI no Brasil se encontra nos hospitais privados) e a falta de pol\u00edticas para a garantia do isolamento social.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, existe um contingente de trabalhadores muito grande que n\u00e3o consegue trabalho formal, vive em situa\u00e7\u00e3o de marginalidade e sobrevive sobre estrat\u00e9gias alternativas. O capital estabelece formas de controle (mecanismos de legitima\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da ordem), sendo o encarceramento em massa e o exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o negra um projeto pol\u00edtico, que tem como intuito controlar esse ex\u00e9rcito de m\u00e3o-de-obra excedente. Com crescimento do trabalho informal e precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida, aumenta o contingente de trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o de marginalidade, ocorrendo assim a intensifica\u00e7\u00e3o do projeto pol\u00edtico de encarceramento e exterm\u00ednio.<\/p>\n<p>De acordo com os dados da OXFAM (2020), o 1% dos mais ricos do planeta det\u00eam mais que o dobro da riqueza da popula\u00e7\u00e3o que habita o mundo\u00b9, e dados da ONU (2019) apontam que o Brasil tem 2\u00aa maior concentra\u00e7\u00e3o de renda do mundo\u00b2. Enquanto estes e toda classe dominante se desesperam na \u00e2nsia por mais lucros, trabalhadores e trabalhadoras s\u00e3o obrigados a continuar expondo suas vidas ao perigo no ambiente de trabalho e em transportes p\u00fablicos lotados, demonstrando que a quarentena \u00e9 um direito negado a boa parte da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos deixar ser esquecido que uma das primeiras mortes pela COVID-19 no pa\u00eds foi a de uma empregada dom\u00e9stica, que contraiu o v\u00edrus da sua patroa que havia retornado de uma viagem \u00e0 It\u00e1lia. Infelizmente, a maioria das mulheres trabalhadoras do nosso pa\u00eds se encontra nos postos de trabalhos informais e precarizados, muitas se encontram, tamb\u00e9m, na linha de frente dos hospitais e dos servi\u00e7os de sa\u00fade, tendo um risco aumentado ao COVID-19, principalmente, devido \u00e0 falta de garantia de EPIs nos locais de trabalho.<\/p>\n<p>Na periferia do sistema, morrem tamb\u00e9m, pela aus\u00eancia ou pela presen\u00e7a proposital do Estado, muitos dos povos tradicionais. Nos campos, rios, aldeias e territ\u00f3rios quilombolas surgem iniciativas de organiza\u00e7\u00e3o interna na busca por sobreviv\u00eancia; barreiras sanit\u00e1rias e a solidariedade de classe \u00e9 que possibilitam a vida nesse momento em diversas regi\u00f5es de nosso pa\u00eds. A letalidade do v\u00edrus atinge os mais velhos, anci\u00e3os e caciques com mais for\u00e7a, e a luta contra a pandemia para esses povos se configura na luta pela sua pr\u00f3pria exist\u00eancia e hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Desde antes do come\u00e7o da pandemia, j\u00e1 v\u00ednhamos destacando a necessidade de levantar alto a bandeira do \u201cFora Bolsonaro e Mour\u00e3o\u201d para cassar a chapa presidencial e barrar a pol\u00edtica de terra arrasada e destrui\u00e7\u00e3o dos direitos dos trabalhadores. O governo ileg\u00edtimo, antinacional, antidemocr\u00e1tico e antipopular que comanda o pa\u00eds, fruto de elei\u00e7\u00f5es fraudulentas, combinadas com o aparato das fake news e apoiadas pelo Judici\u00e1rio, n\u00e3o expressa os interesses da juventude e da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente a organiza\u00e7\u00e3o da juventude e dos movimentos sociais e estudantis, articulados com os culturais, de favelas, de bairros, dos campos, rios e florestas no sentido de construir um movi mento unificado que fa\u00e7a frente a todos os ataques do presente e que garanta a vida e os direitos acima dos lucros!<\/p>\n<p>CONTRA A SUBSTITUI\u00c7\u00c3O DO ENSINO PRESENCIAL NAS UNIVERSIDADES E INSTITUTOS FEDERAIS<\/p>\n<p>A suspens\u00e3o das aulas e outras atividades acad\u00eamicas presenciais, inegavelmente, foi uma provid\u00eancia necess\u00e1ria para enfrentar a pandemia, entendendo que as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablicas do Brasil movimentam grande p\u00fablico diariamente, com demandas das diversas regi\u00f5es do pa\u00eds e tamb\u00e9m do exterior. Ap\u00f3s o in\u00edcio do per\u00edodo de quarentena no Brasil, entretanto, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o de Bolsonaro rapidamente publicou a portaria n\u00ba 343, de 17 de mar\u00e7o, prorrogada pela portaria n\u00ba 473 de 12 de maio, que autoriza e orienta os institutos e universidades federais a substitu\u00edrem as aulas presenciais pelas virtuais com interm\u00e9dio de tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o, aprofundando a pol\u00edtica de precariza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o em curso no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os debates nas universidades t\u00eam girado em torno dos modelos de Ensino a Dist\u00e2ncia (EaD) e Ensino Remoto, que apresentam diferen\u00e7as importantes. O EaD representa uma modalidade educacional reconhecida pelo MEC, onde a dist\u00e2ncia entre profes-sor e aluno \u00e9 mediada por um conjunto de tecnologias digitais da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (TDICs) e uso de materiais espec\u00edficos, se popularizando nas \u00faltimas d\u00e9cadas sob o discurso de uma suposta amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino, mas que na pr\u00e1tica tem representado um avan\u00e7o substancial da precariza\u00e7\u00e3o. Por sua vez, o Ensino Remoto, ao mesmo tempo que tenta se apresentar enquanto uma modalidade mais avan\u00e7ada por acontecer em tempo real e permitir, em tese, intera\u00e7\u00e3o direta entre professor e aluno, ignora por completo a aus\u00eancia de um planejamento espec\u00edfico e uma parte significativa dos curr\u00edculos que n\u00e3o podem ser aplicados em modo virtual. Ambas as modalidades de ensino virtual expressam um conjunto de limita\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es, consolidando-se enquanto formas para os conglomerados educacionais privados ampliarem seus lucros, sem qualquer compromisso com a qualidade do ensino oferecido.<\/p>\n<p>Contudo, diferente do que faz parecer o governo federal, os impactos da pandemia sobre a vida dos estudantes e trabalhadores das universidades n\u00e3o se restringem apenas \u00e0 presen\u00e7a na sala de aula e calend\u00e1rios acad\u00eamicos. A pr\u00f3pria estrutura dessas institui\u00e7\u00f5es abrangem diversos setores da vida dos seus estudantes com trabalho, pesquisa, extens\u00e3o, moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia m\u00e9dica e psicol\u00f3gica, entre outros. Assim, uma simples transposi\u00e7\u00e3o do presencial para o virtual &#8211; como foi imposto para as institui\u00e7\u00f5es de ensino, ignorando tudo que permeia o funcionamento de uma universidade e a vida daqueles que comp\u00f5e a comunidade acad\u00eamica &#8211; n\u00e3o apenas \u00e9 incapaz de solucionar os problemas mais centrais ocasionados pela pandemia, como \u00e9 incompat\u00edvel com os objetivos, ferramentas, metodologias e necessidades para realiza\u00e7\u00e3o das aulas.<\/p>\n<p>A portaria \u00e9 o exemplo concreto da neglig\u00eancia do governo Bolsonaro-Mour\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ignorando a ampla desigualdade entre os estudantes brasileiros, que varia de acordo com as institui\u00e7\u00f5es e sua localidade, al\u00e9m da falta de preparo, planejamento e recursos espec\u00edficos para operacionalizar essa mudan\u00e7a na metodologia de ensino. Mais uma vez o Governo Federal transferiu, unilateralmente, a responsabilidade de estabelecer as formas de implementa\u00e7\u00e3o de qualquer que seja a pol\u00edtica para o momento e suas condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a gest\u00e3o das universidades, seus trabalhadores e para os estudantes, se isentando do processo.<\/p>\n<p>No Brasil, 58% dos domic\u00edlios n\u00e3o t\u00eam acesso a computador e 33% n\u00e3o disp\u00f5em de internet, segundo a pesquisa TIC Domic\u00edlios 2019, do Cetic (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o), em \u00e1reas rurais, o \u00edndice de pessoas sem acesso \u00e9 ainda maior que nas cidades, chegando a 53,5%.<\/p>\n<p>Evidenciando ainda mais a desigualdade, a pesquisa mostra que nas casas onde havia acesso \u00e0 internet, o rendimento m\u00e9dio por pessoa era por volta de R$ 1.769, quase o dobro do rendimento nas casas daqueles que n\u00e3o acessam a rede. A pesquisa aponta tamb\u00e9m a dificuldade em fazer a internet chegar a certas regi\u00f5es do pa\u00eds, nesse caso mesmo que as pessoas queiram, n\u00e3o existe possibilidade de contratar um servi\u00e7o de internet pela falta de cobertura; como esperado, esse percentual \u00e9 mais elevado na Regi\u00e3o Norte, onde 13,8% daqueles que n\u00e3o acessam a internet n\u00e3o t\u00eam acesso ao servi\u00e7o nos locais que frequentam.<\/p>\n<p>Mas os problemas destas formas de ensino est\u00e3o para al\u00e9m da dist\u00e2ncia ou dificuldade de acesso \u00e0s TDICs. A concep\u00e7\u00e3o de um modelo educacional voltado para a l\u00f3gica elitista e meritocr\u00e1tica de mercado, que prioriza um ensino cada vez mais tecnicista para acelerar o processo de forma\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, \u00e9 um problema central e recai, inclusive, sobre o acesso. Al\u00e9m de acentuar as desigualdades, ele refor\u00e7a a perspectiva individualista e culpa os pr\u00f3prios estudantes e trabalhadores por estarem em situa\u00e7\u00e3o de precariedade, sob a falsa argumenta\u00e7\u00e3o da necessidade de um esfor\u00e7o individual, e ignora o contexto maior no qual a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 inserida. Ademais, a implementa\u00e7\u00e3o dessa modalidade transfere os \u00f4nus referentes \u00e0 estrutura para os pr\u00f3prios estudantes, como energia, \u00e1gua, ambienta\u00e7\u00e3o, desconsiderando a realidade da maioria dos lares brasileiros, al\u00e9m de n\u00e3o proporcionar nenhuma forma de assist\u00eancia aos mesmos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nos espa\u00e7os em que os calend\u00e1rios do ensino remoto v\u00eam sendo aprovados, \u00e9 n\u00edtida a centralidade da quest\u00e3o financeira \u00e0 medida que vem sendo debatida, especificamente, a situa\u00e7\u00e3o dos estudantes concluintes (somente em etapa de apresenta\u00e7\u00e3o do TCC e cola\u00e7\u00e3o de grau) e dos estudantes ingressantes, tendo em mente os n\u00fameros de estudantes egressos e ingressos para que a universidade possa manter sua verba no ano seguinte, evidenciando o car\u00e1ter criminoso do governo federal que amea\u00e7a os j\u00e1 escassos recursos das universidades p\u00fablicas diante de uma pandemia. Al\u00e9m disso, vemos mais uma vez se colocar em primeiro plano a quest\u00e3o do ensino, relegando e desmontando o trip\u00e9 universit\u00e1rio (pesquisa e extens\u00e3o) no per\u00edodo de excepcionalidade vivido.<\/p>\n<p>Ao pressionar as universidades para seu retorno das atividades em modalidade remota, o MEC, em acordo com os interesses do atual governo e dos tubar\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o, ignora que os impactos da pandemia na vida dos estudantes v\u00e3o al\u00e9m da suspens\u00e3o do calend\u00e1rio acad\u00eamico, e que esses desdobramentos deveriam estabelecer uma ordem de prioridades na hora de direcionar os esfor\u00e7os e recursos da pasta, os quais determinam inclusive o debate da transfer\u00eancia das aulas para o meio virtual, exigindo encaminhamentos muito mais profundos que o de distribuir tablets e chips para os estudantes. \u00c9 v\u00e1lido lembrar, inclusive, que a maioria dos estudantes necessitam de livros emprestados pelas bibliotecas para garantir o acompanhamento das disciplinas, tendo em vista que n\u00e3o apresentam condi\u00e7\u00f5es financeiras para garantir a compra no mercado online\/f\u00edsico de materiais que s\u00e3o cobrados no ensino e avalia\u00e7\u00f5es, laborat\u00f3rios de inform\u00e1tica para elabora\u00e7\u00e3o de trabalhos e realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas, bem como acompanhamento especializado devido a especificidades no processo de ensino-aprendizagem. Aos estudantes que possuem defici\u00eancias, tal cen\u00e1rio virtual sem os devidos amparos \u00e9 sin\u00f4nimo de exclus\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que diz o discurso da \u201cinova\u00e7\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o do acesso\u201d anteriormente citado.<\/p>\n<p>O Movimento Estudantil n\u00e3o pode recuar na defesa de uma bandeira hist\u00f3rica, como a luta contra a substitui\u00e7\u00e3o do ensino presencial, especialmente diante de tamanha crise social, na qual a vulnerabilidade daqueles que mais sofrem com as desigualdades do nosso pa\u00eds \u00e9 acentuada.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos est\u00e1gios<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos estudantes concluintes que precisam cumprir a disciplina de Est\u00e1gio Curricular Obrigat\u00f3rio para integraliza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo, por exemplo, \u00e9 ignorada nas discuss\u00f5es. Al\u00e9m dessa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser inclu\u00edda nos calend\u00e1rios, as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o se prop\u00f5em a dialogar com estes para compreender as suas condi\u00e7\u00f5es e se preparar para ofertar a disciplina de maneira presencial, tendo a garantia da biosseguran\u00e7a, mobilidade e assist\u00eancia estudantil para estes discentes.<\/p>\n<p>Ainda, a quest\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de est\u00e1gios n\u00e3o foi sequer debatida, orientada ou normatizada pelo MEC, deixando uma brecha enorme nesse ponto fundamental. Enquanto algumas universidades e institutos proibiram a completa realiza\u00e7\u00e3o de est\u00e1gios obrigat\u00f3rios, seja pela modalidade presencial ou remota, outras aprovaram a realiza\u00e7\u00e3o dos mesmos, a exemplo do IFAL. N\u00e3o obstante, esse debate n\u00e3o \u00e9 um ponto central nas discuss\u00f5es dos comit\u00eas criados pelas institui\u00e7\u00f5es, em que muitas n\u00e3o emitiram nenhum documento ou posicionamento a respeito, deixando estudantes ref\u00e9m dos interesses dos contratantes, dos perigos de contamina\u00e7\u00e3o e sem nenhum tipo de apoio legal, financeiro ou psicol\u00f3gico. Nas institui\u00e7\u00f5es federais que autorizaram a realiza\u00e7\u00e3o de est\u00e1gios, em nenhum momento se estabelece par\u00e2metros e crit\u00e9rios de seguran\u00e7a que venham a resguardar estudantes e professores, colocando mais ainda o corpo discente e docente em posi\u00e7\u00f5es de risco.<\/p>\n<p>Com o ERE a desigualdade de g\u00eanero cresce<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o do capitalismo, as mulheres da classe trabalhadora cada vez mais s\u00e3o lan\u00e7adas para as duplas e triplas jornadas de trabalho, quadro acentuado diante de um momento que limita diversos servi\u00e7os que servem como suporte m\u00ednimo a essas mulheres, que agora lidam com a presen\u00e7a de mais pessoas por mais tempo em casa, a suspens\u00e3o das atividades nas creches e nas escolas dos filhos e a manuten\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria do trabalho, em muitos casos mais intensa. Um contexto que, certamente, ir\u00e1 se colocar como uma barreira a mais para a perman\u00eancia dessas mulheres nas universidades, fortalecendo o j\u00e1 alto n\u00famero de evas\u00e3o. Para al\u00e9m disso, discentes m\u00e3es v\u00eam sendo exigidas a acompanhar as aulas remotas de maneira s\u00edncrona com seus filhos\/filhas, e ter conhecimentos\/pensar estrat\u00e9gias para ensinar em casa e garantir o desenvolvimento infantil. Algumas encontrando diversos obst\u00e1culos como a falta de equipamentos tecnol\u00f3gicos, falta de espa\u00e7o dom\u00e9stico para realiza\u00e7\u00e3o das ativi-dades e sobrecarga &#8211; sendo extremamente complicado conseguir conciliar a rotina &#8211; com uma fixa\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rio para assistir aulas remotas da universidade em casa.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa realizada pelo Parent Science (2020)\u00b3, a pandemia vem afetando a produtividade acad\u00eamica e tem se visto uma grande dificuldade dos docentes em trabalhar de maneira remota &#8211; apenas 8% das docentes mulheres e 18,3% dos docentes homens, relataram estar conseguindo trabalhar de maneira remota. A pesquisa analisa os impactos de g\u00eanero, ra\u00e7a e parentalidade, mostrando que mulheres negras (com ou sem filhos) e mulheres brancas com filhos foram as mais afetadas quanto \u00e0 produtividade acad\u00eamica, enquanto a produtividade dos homens foi a menos afetada.<\/p>\n<p>Nossas universidade e institutos federais valem a luta!<\/p>\n<p>Vale lembrar que a pesquisa nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino n\u00e3o est\u00e1 parada e \u00e9 respons\u00e1vel hoje pelos maiores avan\u00e7os no que tange o combate \u00e0 pandemia. Dessa forma, em todo o pa\u00eds, pesquisadores t\u00eam voltado seus esfor\u00e7os para a confec\u00e7\u00e3o de EPIs, maneiras de produzir respiradores com menos recursos, produ\u00e7\u00e3o em larga escala de insumos para hospitais e distribui\u00e7\u00e3o nas cidades, al\u00e9m dos testes das poss\u00edveis vacinas para COVID-19. Existem tamb\u00e9m in\u00fameros projetos de extens\u00e3o que possuem um papel pedag\u00f3gico e de conscientiza\u00e7\u00e3o para tentar frear o crescimento do cont\u00e1gio, e as movimenta\u00e7\u00f5es da comunidade acad\u00eamica, sindicatos, entidades estudantis e coletivos para arrecadar recursos para seus membros em vulnerabilidade e para demais grupos da comunidade externa.<\/p>\n<p>Desde maio os levantamentos apontam que apenas nas Universidades federais j\u00e1 eram conduzidas pelo menos 823 pesquisas relacionadas ao novo coronav\u00edrus, pelo menos 96 a\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool e produtos sanitizantes e 104 a\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, como protetores faciais, m\u00e1scaras de pano e aventais.<\/p>\n<p>O not\u00f3rio interesse em promover a precariza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica por parte daqueles que est\u00e3o a frente do MEC vem acompanhado do desrespeito \u00e0 autonomia das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, ignorando os processos de consulta nas escolhas da dire\u00e7\u00e3o e reitorias. Al\u00e9m de atropelar ou manipular conselhos e inst\u00e2ncias deliberativas para aprova\u00e7\u00e3o de interesses pr\u00f3prios que n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o as necessidades e direitos dos estudantes, professores e t\u00e9cnico-administrativo. A postura rasteira do MEC torna os debates institucionais sobre a implementa\u00e7\u00e3o de metodologias virtuais ainda mais turvos, com pouco interesse em elucidar os justos questionamentos da comunidade acad\u00eamica e direcionar recursos e esfor\u00e7os para o combate ao coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>O governo est\u00e1 comprometido em destruir a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/p>\n<p>Essa neglig\u00eancia se d\u00e1 pelo compromisso do Governo Federal com um projeto de educa\u00e7\u00e3o acr\u00edtico e tecnicista, que encontra no ensino remoto a oportunidade perfeita para apresentar a precariza\u00e7\u00e3o como uma receita para o sucesso, mesmo sabendo que isso custar\u00e1 a inviabiliza\u00e7\u00e3o de milhares de matr\u00edculas pelas mais diversas condi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o enfrentadas no contexto da pandemia e da crise do capitalismo.<br \/>\nO mesmo MEC que corta a verba da educa\u00e7\u00e3o sistematicamente promete pagar por tablets e chips para incentivar a implementa\u00e7\u00e3o do ensino remoto, o que fica de fora da exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 a realidade financeira do projeto de inclus\u00e3o digital de Bolsonaro. Desde as primeiras ado\u00e7\u00f5es dessa metodologia, vemos estampadas nas p\u00e1ginas oficiais das universidades p\u00fablicas agradecimentos a grandes empres\u00e1rios e publicidade de empresas do ramo da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o que est\u00e3o financiando o \u201cnovo normal\u201d da educa\u00e7\u00e3o. Como quem paga a banda escolhe a m\u00fasica, sabemos bem que o final dessa hist\u00f3ria \u00e9 a domina\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica pelos oligop\u00f3lios da ed-uca\u00e7\u00e3o, colocando em pr\u00e1tica o velho projeto de leil\u00e3o das federais.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer que a pol\u00edtica do governo genocida gira em torno do pr\u00f3prio privil\u00e9gio, express\u00e3o disso \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dire-ta do bra\u00e7o direito do presidente, o ministro da economia Paulo Guedes, que n\u00e3o apenas \u00e9 irm\u00e3o da vice-presidenta da associa\u00e7\u00e3o nacional de universidades privadas &#8211; ferrenha defensora da privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e das metodologias de ensino \u00e0 dist\u00e2ncia &#8211; como tem investimentos ativos no setor educacional privado e \u00e0 dist\u00e2ncia, captando at\u00e9 1 bilh\u00e3o de reais em lucro.<\/p>\n<p>N\u00e3o iremos rebaixar nossas bandeiras! H\u00e1 mais de um ano o movimento estudantil brasileiro imp\u00f5e den\u00fancias e derrotas ao projeto de destrui\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o coordenado por Bolsonaro, Mour\u00e3o, Guedes e seus aliados, e novamente daremos nosso recado em defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade, firmes na luta pelo acesso universal e pela universidade popular, na constru\u00e7\u00e3o do socialismo!<\/p>\n<p>Leia o Manifesto do MUP na \u00edntegra em: https:\/\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Manifesto-MUP.pdf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25909\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[224],"class_list":["post-25909","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6JT","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25909"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25909\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}