{"id":25925,"date":"2020-08-03T18:10:28","date_gmt":"2020-08-03T21:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25925"},"modified":"2020-08-03T18:10:28","modified_gmt":"2020-08-03T21:10:28","slug":"o-centenario-de-nascimento-de-zedantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25925","title":{"rendered":"O centen\u00e1rio de nascimento de Zedantas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/i.pinimg.com\/originals\/7b\/75\/39\/7b75395f47321a192b89b770b0998862.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Roberto Arrais*<\/p>\n<p>BLOG FALOU E DISSE<\/p>\n<p>Carna\u00edba, no sert\u00e3o do Paje\u00fa, terra de muitas hist\u00f3rias, mas que destaca principalmente a de um de seus filhos mais ilustres, o m\u00e9dico e compositor Z\u00e9 Dantas \u2013 parceiro de muitas can\u00e7\u00f5es marcantes do rei do Bai\u00e3o Luiz Gonzaga \u2013 inicia os preparativos para as comemora\u00e7\u00f5es ao centen\u00e1rio de seu nascimento. Jos\u00e9 de Souza Dantas Filho, que assumiu o nome art\u00edstico de Zedantas, nasceu no dia 27 de fevereiro de 1921, quando Carna\u00edba ainda era uma vila do munic\u00edpio de Flores.<\/p>\n<p>O prefeito Anchieta Patriota est\u00e1 organizando uma Comiss\u00e3o Especial para pensar e desenvolver uma s\u00e9rie de eventos e atividades comemorativas ao Centen\u00e1rio de Zedantas, no come\u00e7o de 2021. At\u00e9 l\u00e1, muito esfor\u00e7o e muita dedica\u00e7\u00e3o no enfrentamento \u00e0 Covid-19, para que a pandemia n\u00e3o interfira em uma comemora\u00e7\u00e3o t\u00e3o expressiva para o munic\u00edpio, para Pernambuco e para a m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p>Em Carna\u00edba ele viveu sua inf\u00e2ncia e logo que foi estudar em Recife, vinha sempre de f\u00e9rias onde se abastecia de hist\u00f3rias e causos nos forr\u00f3s p\u00e9 de serra, nas conversas com os vaqueiros, nos encontros e festas com os amigos. Da\u00ed ele se inspirava, escrevia e como todo bom escritor, temperava ao seu gosto as grandes composi\u00e7\u00f5es que marcaram a vida brasileira dos anos 50, do s\u00e9culo passado e continua encantando gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Qual pernambucano(a) que ainda n\u00e3o entoou ou ouviu pelo menos algumas estrofes de m\u00fasicas escritas por Zedantas? Vamos conferir:<\/p>\n<p>A letra \u2018I\u2019<\/p>\n<p>Vai cartinha fechada<\/p>\n<p>Num d\u00eaxa ningu\u00e9m te abri<\/p>\n<p>Pra quela casa caiada<\/p>\n<p>Donde mora a letra \u201cI\u201d<\/p>\n<p>E diz que cumo a cacimba<\/p>\n<p>Do rio qui o ver\u00e3o sec\u00f4<\/p>\n<p>Meus oios chor\u00f4 tanta m\u00e1goa<\/p>\n<p>Que hoje sem \u00e1gua<\/p>\n<p>Nem responde \u00e0 d\u00f4 (\u2026).<\/p>\n<p>Zedantas se inspirava no amor, na natureza exuberante das caatingas sertanejas, nos dramas sociais, na alegria dos forr\u00f3s, nos lamentos, nos chamegos e nas desilus\u00f5es. E por falar em amor, Iolanda, foi o grande amor de sua vida e a ela ele dedicou uma de suas composi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m popularizada pelo seu principal parceiro, Luiz Gonzaga, \u2018A letra I\u2019, que acabamos de cantar.<\/p>\n<p>Ele foi o primeiro grande compositor a escrever uma m\u00fasica de protesto, em 1953, de grande repercuss\u00e3o e que continua atual quase sete d\u00e9cadas depois: \u2018Vozes da Seca\u2018. Esse era um quadro que o deixava indignado, pois perdurava \u2013 como perdura at\u00e9 hoje \u2013 nas secas do sert\u00e3o, pol\u00edticas clientelistas, com o governo federal, articulado com os \u2018coron\u00e9is\u2018, tratando \u2013 e ainda trata \u2013 o problema como sendo de uma regi\u00e3o, e n\u00e3o da na\u00e7\u00e3o, organizando frentes de trabalho de cunho eleitoreiro e sem desenvolver obras estruturadoras que pudessem assegurar melhorias reais nas condi\u00e7\u00f5es de vida dos sertanejos.<\/p>\n<p>E foi a\u00ed que ele bradou pelo Brasil um grito de protesto nos seguintes versos:<\/p>\n<p>(..) auxilio dos sulista<\/p>\n<p>nesta seca do sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas dout\u00f4 uma esmola<\/p>\n<p>a um home qui \u00e9 s\u00e3o<\/p>\n<p>ou lhe mata de vergonha<\/p>\n<p>ou vicia o cidad\u00e3o (\u2026)\u201d<\/p>\n<p>Zedantas ainda prop\u00f4s, nessa mesma composi\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00f5es para enfrentar os problemas gerados pela seca, quando dizia:<\/p>\n<p>(\u2026) D\u00ea servi\u00e7o a nosso povo<\/p>\n<p>encha os rios de barrage<\/p>\n<p>d\u00ea comida a pre\u00e7o bom<\/p>\n<p>n\u00e3o esque\u00e7a a a\u00e7udage<\/p>\n<p>livre assim n\u00f3is da ismola<\/p>\n<p>que no fim dessa estiage<\/p>\n<p>lhe pagamo at\u00e9 os juro<\/p>\n<p>sem gastar nossa corage. (\u2026).<\/p>\n<p>Outra tem\u00e1tica que ele trabalhava muito nas suas composi\u00e7\u00f5es era a natureza, o inverno, o meio ambiente, destacando os rios que banhavam a regi\u00e3o do Paje\u00fa, as chuvas, os p\u00e1ssaros, a caatinga, os festejos juninos, o tempo e nisso tudo ele integrava os vaqueiros, os agricultores e as belezas do sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos desses motes est\u00e3o presentes neste cl\u00e1ssico da m\u00fasica nordestina, \u2018A volta da Asa Branca\u2019:<\/p>\n<p>(\u2026) A Asa Branca uvindo o ronco do truv\u00e3o<\/p>\n<p>J\u00e1 bateu asa e vort\u00f4 pro meu sert\u00e3o (\u2026).<\/p>\n<p>Rios correndo, as cachu\u00eara t\u00e3o zuando,<\/p>\n<p>Terra moiada, mato verde, qui riqueza!(\u2026)\u201d.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura sertaneja enraizada nos festejos juninos Zedantas tinha muitas composi\u00e7\u00f5es e dentre elas ganha destaque \u2018Noites Brasileiras\u2019, que fala das brincadeiras e adivinha\u00e7\u00f5es do amor que se faziam nas noites de S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Noites brasileiras<\/p>\n<p>Ai que saudade que eu sinto<\/p>\n<p>Das noites de S\u00e3o Jo\u00e3o<\/p>\n<p>Das noites t\u00e3o brasileiras das fogueiras<\/p>\n<p>Sob o luar do sert\u00e3o (\u2026)\u201d.<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 40, j\u00e1 graduado m\u00e9dico, ele foi morar no Rio de Janeiro, fazer resid\u00eancia m\u00e9dica, e logo foi contratado pelo Hospital dos Servidores do Estado. Mas o sert\u00e3o continuou povoando o seu cora\u00e7\u00e3o e a sua imagina\u00e7\u00e3o, por isso o encontro com Luiz Gonzaga, sertanejo como ele, de Ex\u00fa, no sert\u00e3o do Araripe, que resultou na a forma\u00e7\u00e3o de uma dupla produziu uma obra extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por tudo o que produziu, Zedantas \u00e9 um dos mais ilustres filhos do munic\u00edpio, que sabe reconhecer o seu talento e a grande contribui\u00e7\u00e3o que deu para a m\u00fasica popular brasileira e para a promo\u00e7\u00e3o da cidade, da regi\u00e3o e de Pernambuco. O hospital tem o seu nome e exibe logo na recep\u00e7\u00e3o uma foto do m\u00e9dico Jos\u00e9 Dantas, vestido com o jaleco. O seu legado \u00e9 exibido no Museu Z\u00e9 Dantas, que re\u00fane com alguns objetos doados pela sua esposa Iolanda. Em frente \u00e0 casa onde ele nasceu foi erguido um busto dele, assentado no canteiro central de uma das principais avenidas da cidade que o homenageia todos os anos, em novembro, com a Festa de Zedantas, que este ano seria a 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o, mas que por conta da Covid-19 dever\u00e1 ser suspensa.<\/p>\n<p>Zedantas tinha simpatia pela luta socialista, sendo seu \u00faltimo livro de cabeceira, que se encontra no Museu em Carna\u00edba, \u2018Reflex\u00f5es sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana\u2019, com artigos de diversos autores, entre eles, Leo Huberman e um dos comandantes da Revolu\u00e7\u00e3o, Ernesto Che Guevara.<\/p>\n<p>Ele faleceu em 11 de mar\u00e7o de 1962, bem jovem, aos 41 anos de idade, deixando vi\u00fava a sua querida Iolanda Dantas e tr\u00eas filhos; Sandra, M\u00f4nica e Jos\u00e9. Uma das suas netas, Marina Elali, tem se destacado como cantora, projetando-se nacionalmente, inclusive cantando Zedantas.<\/p>\n<p>*Roberto Arrais \u00e9 jornalista(rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico) e mestre em Gest\u00e3o P\u00fablica. \u00c9 membro do Comit\u00ea Central do PCB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25925\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[226],"class_list":["post-25925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6K9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}