{"id":25941,"date":"2020-08-04T23:12:00","date_gmt":"2020-08-05T02:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25941"},"modified":"2020-08-04T23:12:00","modified_gmt":"2020-08-05T02:12:00","slug":"covid-19-nas-prisoes-tragedia-anunciada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25941","title":{"rendered":"Covid-19 nas pris\u00f5es: trag\u00e9dia anunciada"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/reconhecidos-olhos-7-238x178.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Detento da penitenci\u00e1ria de Guare\u00ed (SP), em mar\u00e7o deste ano | Foto: Daniel Arroyo\/Ponte<\/p>\n<p>Com preven\u00e7\u00e3o ineficiente, agentes morrem e espalham coronav\u00edrus nas pris\u00f5es<\/p>\n<p>por Ca\u00ea Vasconcelos<\/p>\n<p>Ponte<\/p>\n<p>Segundo CNJ, 65 servidores morreram de Covid-19 em todo o pa\u00eds e entre os presos, s\u00e3o mais de 11 mil infectados e 74 mortos; para especialista, desencarcerar \u00e9 solu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Dos 110 mil agentes penitenci\u00e1rios do sistema prisional brasileiro, 5.854 est\u00e3o infectados pelo coronav\u00edrus e 65 morreram em decorr\u00eancia da doen\u00e7a. \u00c9 o que aponta o boletim semanal do CNJ (Conselho Nacional de Justi\u00e7a), divulgado nesta quarta-feira (29\/7). Os dados divulgados s\u00e3o de 27 de julho.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre as pessoas presas, dos 812 mil que formam a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria brasileira, 11.269 est\u00e3o infectadas pelo coronav\u00edrus e 74 morreram. Os dados do CNJ divergem dos dados do Depen (Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional), \u00f3rg\u00e3o subordinado ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica. Atualizados na \u00faltima quarta-feira (29\/7), os n\u00fameros do Depen apontam para 11.386 infectados, 73 \u00f3bitos, 7.045 recuperados, 3.027 casos suspeitos e 32.514 testes nas pris\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>No sistema socioeducativo brasileiro, 1.793 confirmados servidores est\u00e3o infectados e 16 morreram. Entre os adolescentes, 627 casos foram confirmados.<\/p>\n<p>O Sudeste lidera o n\u00famero de mortes nacionais, com 51,4% dos 74 \u00f3bitos. O estado com mais mortes \u00e9 S\u00e3o Paulo, com 19 detentos mortos, segundo dados do Depen, al\u00e9m dos 2.512 infectados, 128 com suspeita e 1.203 recuperados.<\/p>\n<p>A apura\u00e7\u00e3o do Sifuspesp (Sindicato dos Funcion\u00e1rios do Sistema Prisional do Estado de S\u00e3o Paulo) aponta que SP registrou 26 mortes de agentes penitenci\u00e1rios at\u00e9 a manh\u00e3 desta quinta-feira (30\/7), al\u00e9m de 387 servidores infectados e 97 com suspeita da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Neste boletim, o CNJ come\u00e7ou a lan\u00e7ar os dados de S\u00e3o Paulo com informa\u00e7\u00f5es da SAP-SP (Secretaria da Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria de S\u00e3o Paulo), que separa o n\u00famero dos infectados por tipo de testagem.<\/p>\n<p>Entre as pessoas presas infectadas s\u00e3o 459 confirmados com exame RT-PCR (feito de forma nasal com haste flex\u00edvel para colher pelas narinas e garganta o material gen\u00e9tico do paciente) e 1.258 testes r\u00e1pidos (feito a partir da coleta de sangue) com resultados positivos, al\u00e9m de 18 \u00f3bitos. Entre os servidores, 493 foram confirmados com RT-PCR e 371 testes r\u00e1pidos com resultados positivos, al\u00e9m de 21 \u00f3bitos.<\/p>\n<p>O DF \u00e9 o local que concentra mais casos de contamina\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, com 1.464 pessoas presas infectadas. Segundo o Depen, s\u00e3o 3 \u00f3bitos e 1.356 recuperados, sem nenhum caso suspeito.<\/p>\n<p>Entre os servidores, o Nordeste concentra mais casos confirmados, com 39,5% dos casos, e o Norte aparece em segundo lugar, com 25,1%. No n\u00famero de mortes, o Sudeste lidera, com 43,1% casos, seguido pela regi\u00e3o Nordeste, com 29,2% dos casos nacionais. Depois de SP, o Par\u00e1 \u00e9 o estado onde h\u00e1 mais servidores infectados, com 601 casos, seguido do Maranh\u00e3o com 474, Cear\u00e1 com 455 e Bahia com 428.<\/p>\n<p>\u2018Teste r\u00e1pido n\u00e3o serve para nada\u2019<br \/>\nPara o m\u00e9dico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, que tamb\u00e9m \u00e9 professor do Departamento de Pol\u00edtica, Gest\u00e3o e Sa\u00fade da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo, os testes r\u00e1pidos n\u00e3o servem para nada.<\/p>\n<p>\u201cO \u00fanico teste que funciona \u00e9 o RT-PCR. Para voc\u00ea saber que \u00e9 um transmissor da doen\u00e7a tem que come\u00e7ar a ter algum sintoma. Mas, quando voc\u00ea sentir algo j\u00e1 deve estar no terceiro ou quarto dia com o v\u00edrus\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, voc\u00ea se infecta, o v\u00edrus come\u00e7a a se multiplicar, pr\u00e9-sintom\u00e1tico voc\u00ea j\u00e1 dissemina o v\u00edrus. Por isso, no momento que voc\u00ea come\u00e7a a ter sintoma, tem que j\u00e1 ser afastado imediatamente. Isso em qualquer tipo de gripe: afasta e faz o RT-PCR\u201d, continua Gonzalo.<\/p>\n<p>Quando o RT-PCR d\u00e1 positivo, detalha o m\u00e9dico sanitarista, al\u00e9m dos 14 dias de afastamento e isolamento social, \u00e9 preciso refazer o teste, pois novos ind\u00edcios apontam que o v\u00edrus continua transmitindo mesmo quando os sintomas foram embora.<\/p>\n<p>Com a visitas ao sistema prisional suspensa no territ\u00f3rio nacional, avalia Gonzalo, foram os agentes penitenci\u00e1rios que levaram o v\u00edrus para dentro das pris\u00f5es. \u201cO v\u00edrus n\u00e3o chega para o preso sem ser pelas pessoas que trabalham l\u00e1. Todos deviam usar m\u00e1scaras e identificar o mais rapidamente poss\u00edvel qualquer sintoma de gripe nos trabalhadores do sistema prisional\u201d.<\/p>\n<p>A testagem em massa, apesar de ser uma das bandeiras dos sindicatos de servidores do sistema prisional, aponta o m\u00e9dico, pode n\u00e3o ser a solu\u00e7\u00e3o para conter o v\u00edrus nas pris\u00f5es. \u201cVoc\u00ea pode fazer o teste hoje, mas amanh\u00e3 pegar o v\u00edrus\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cComo profissional de sa\u00fade, e n\u00e3o uma pessoa da \u00e1rea do direito ou da seguran\u00e7a p\u00fablica, avalio que o melhor caminho seria colocar para fora da cadeia as pessoas que fazem parte do grupo de risco ou tem comorbidades, porque o Estado n\u00e3o vai cuidar delas\u201d, pondera.<\/p>\n<p>Medidas para proteger o servidor demoraram para serem tomadas, diz sindicato<br \/>\nPara F\u00e1bio Jab\u00e1, presidente do Sifuspesp, a testagem \u00e9 o caminho para proteger os servidores. \u201c\u00c9 preciso fazer testagem em massa. O Estado vai acabar optando pelo PCR, porque o teste r\u00e1pido d\u00e1 muito falso negativo, n\u00e3o \u00e9 seguro\u201d, afirma.<\/p>\n<p>S\u00f3 com a testagem, aponta Jab\u00e1, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer isolamento dentro das pris\u00f5es, ser\u00e1 poss\u00edvel controlar o coronav\u00edrus no sistema prisional. \u201cO que a gente tem feito \u00e9 pedir para a SAP aumentar a demanda da testagem em massa e os EPIs [equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual]. Luva e m\u00e1scara n\u00e3o est\u00e3o faltando, o que falta \u00e9 o EPI quando o policial penal tem que ir para o hospital, porque muito preso faz tratamento de hemodi\u00e1lise, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>Esse tamb\u00e9m o entendimento de Fernando Anuncia\u00e7\u00e3o, presidente da Fenaspen (Federa\u00e7\u00e3o Nacional Sindical dos Servidores Penitenci\u00e1rios). \u201cSe tiv\u00e9ssemos uma testagem em massa, o n\u00famero triplicaria\u201d, lamenta. \u201cO funcion\u00e1rio acaba levando e trazendo o v\u00edrus. Muitas das testagens que est\u00e3o sendo feitas s\u00e3o particulares, porque o Estado n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Anuncia\u00e7\u00e3o afirma que os afastamentos est\u00e3o acontecendo, mas de forma burocr\u00e1tica. \u201cMuitas vezes o funcion\u00e1rio faz o afastamento por conta pr\u00f3pria. No DF temos um hotel para isolar os servidores, para n\u00e3o levar o v\u00edrus para a fam\u00edlia. Nos demais locais, eles voltam para casa e o que fazemos \u00e9 orientar a higieniza\u00e7\u00e3o constante das roupas e das m\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>Abandono institucional deixa os agentes mais vulner\u00e1veis<br \/>\nO NEB (N\u00facleo de Estudos da Burocracia) da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas) fez um levantamento no come\u00e7o de junho de 2020 que aponta que apenas 9,3% dos 301 agentes afirmaram terem recebido treinamento espec\u00edfico para enfrentar a pandemia: oito em cada dez reconheceram que n\u00e3o se sentem habilitados para atuar durante o cen\u00e1rio atual.<\/p>\n<p>\u201cO que a gente viu com a pesquisa \u00e9 que, embora os policiais penais materializem as viola\u00e7\u00f5es com os presos, \u00e9 um p\u00fablico que tamb\u00e9m \u00e9 muito fragilizado\u201d, aponta Giordano Magri, pesquisador do NEB.<\/p>\n<p>\u201cEles t\u00eam os menores sal\u00e1rios, est\u00e3o mais expostos aos efeitos da pandemia e n\u00e3o tiveram suporte institucional para atuar nesse momento. Indiretamente, isso acaba trazendo consequ\u00eancias para toda a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>O abandono institucional, aponta o pesquisador, deixa os servidores mais vulner\u00e1veis. \u201cFalta de treinamento, falta de distribui\u00e7\u00e3o de EPIs e falta de suporte da chefia nas atua\u00e7\u00f5es. Alguns agentes apontaram que tiveram redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO abandono, no geral, gera consequ\u00eancias que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 imediatas, mas trazem impactos que fazem com que eles sejam mais infectados e se tornem vetores da contamina\u00e7\u00e3o dentro das unidades\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m: Idosos vivem em celas sem ventila\u00e7\u00e3o e com \u00e1gua racionada: \u2018pris\u00e3o feita para morrer\u2019, diz defensor<\/p>\n<p>Coronav\u00edrus: 121 agentes que poderiam ajudar pris\u00f5es em SP n\u00e3o foram nomeados<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25941\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[197],"tags":[225],"class_list":["post-25941","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Kp","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25941"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25941\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}