{"id":2596,"date":"2012-03-29T01:57:13","date_gmt":"2012-03-29T01:57:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2596"},"modified":"2012-03-29T01:57:13","modified_gmt":"2012-03-29T01:57:13","slug":"levante-da-juventude-faz-protestos-contra-torturadores-em-sete-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2596","title":{"rendered":"Levante da Juventude faz protestos contra torturadores em sete estados"},"content":{"rendered":"\n<p>Jovens organizados pelo movimento Levante Popular da Juventude promoveram protestos em S\u00e3o Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Bel\u00e9m e Curitiba , nesta segunda-feira (26\/3) contra agentes da ditadura militar que torturaram, mataram, perseguiram militantes e pela instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p>Os jovens fizeram uma a\u00e7\u00e3o tradicional na Argentina e no Chile chamada de \u201cescracho\u201d, quando s\u00e3o realizados protestos para denunciar a participa\u00e7\u00e3o de agentes dos regimes autorit\u00e1rios em persegui\u00e7\u00f5es, torturas e assassinatos. No Brasil, os jovens apelidaram a a\u00e7\u00e3o de esculacho.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es denunciam que agentes da repress\u00e3o continuam impunes, apoiam a instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade e exigem a apura\u00e7\u00e3o e a puni\u00e7\u00e3o dos crimes cometidos durante a Ditadura Militar.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o da Verdade tem como objetivo esclarecer situa\u00e7\u00f5es de viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, ocorridas entre 1946 e 1988, como tortura, morte e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres. O \u00f3rg\u00e3o deve identificar os respons\u00e1veis pelas viola\u00e7\u00f5es. Os jovens apoiam a presidenta Dilma a indicar os sete conselheiros que coordenar\u00e3o os trabalhos.<\/p>\n<p><strong> As a\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, cerca de 150 jovens realizaram um protesto contra o torturador David dos Santos Ara\u00fajo, o Capit\u00e3o &#8220;Lisboa&#8221;, em frente a sua empresa de seguran\u00e7a privada Dacala, na Zona Sul da cidade de S\u00e3o Paulo. Ele \u00e9 assassino e torturador, de acordo com A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. A a\u00e7\u00e3o registra o seu envolvimento na tortura e morte de Joaquim Alencar de Seixas. Em agosto de 2010, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal ingressou com a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias do delegado da Pol\u00edcia Civil paulista pela participa\u00e7\u00e3o direta de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimento for\u00e7ados e homic\u00eddios em servi\u00e7o e nas depend\u00eancias de \u00f3rg\u00e3os da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, a juventude realizou a\u00e7\u00f5es contra David dos Santos, em frente \u00e0 filial da empresa Dacala. Cartazes com escritos \u201clevante contra tortura\u201d foram fixados na porta da empresa. Ao mesmo tempo, outros integrantes do Levante penduraram uma faixa nos Arcos da Lapa com os dizeres \u201cLevante-se contra tortura: em defesa da comiss\u00e3o da verdade\u201d, enquanto outro grupo fazia panfletagem em frente ao Clube Militar.<\/p>\n<p>Em Belo Horizonte, 70 jovens participaram da a\u00e7\u00e3o de escracho em frente \u00e0 resid\u00eancia do torturador Ariovaldo da Hora e Silva, no bairro da Gra\u00e7a. A manifesta\u00e7\u00e3o contou com faixas, cartazes e tambores, al\u00e9m de distribu\u00edrem c\u00f3pias de documentos oficiais do DOPS, contendo relatos das sess\u00f5es de tortura com a participa\u00e7\u00e3o de Ariovaldo, para informar a popula\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo do vizinho.<\/p>\n<p>Ariovaldo foi investigador da Pol\u00edcia Federal, lotado na Delegacia de Vigil\u00e2ncia Social como escriv\u00e3o. Delegado da Pol\u00edcia Civil durante a ditadura, exerceu atividades no Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) entre 1969 e 1971, em Minas Gerais. Na obra Brasil Nunca Mais (Projeto A), ele \u00e9 acusado de envolvimento na morte de Jo\u00e3o Lucas Alves e de ter praticado tortura contra presos pol\u00edticos. Foram suas v\u00edtimas Jaime de Almeida, Afonso Celso Lana Leite e Nilo S\u00e9rgio Menezes Macedo, entre outros.<\/p>\n<p>Em Porto Alegre, 100 jovens fizeram um ato pela manh\u00e3 em frente \u00e0 casa do Coronel Carlos Alberto Ponzi, ex-chefe do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es de Porto Alegre e um dos 13 brasileiros acusados pela Justi\u00e7a Italiana pelo desaparecimento do militante pol\u00edtico Lorenzo Ismael Vi\u00f1as em Uruguaina (RS), no ano de 1980.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, cerca de 80 pessoas realizaram a a\u00e7\u00e3o em frente ao escrit\u00f3rio de advocacia do ex-delegado da Pol\u00edcia Federal em Fortaleza (CE), Jos\u00e9 Armando Costa, localizado no bairro da Aldeota.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Armando Costa foi delegado da Pol\u00edcia Federal em Fortaleza no in\u00edcio da d\u00e9cada de 70. \u00c0 \u00e9poca, presos pol\u00edticos relataram \u00e0 Justi\u00e7a Militar que a tarefa do delegado era fazer interrogat\u00f3rios logo ap\u00f3s as sess\u00f5es de tortura e coagia-os a assinar falsos depoimentos sob amea\u00e7a. Costa aparece nos depoimentos de ao menos cinco ex-presos pol\u00edticos torturados no Cear\u00e1, contidos no projeto Brasil Nunca Mais, da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em Bel\u00e9m, cerca de 80 jovens realizaram o esculhacho no pr\u00e9dio do torturador e apoiador da ditadura militar Adriano Bessa Ferreira. Entregaram um manifesto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o convocando a sociedade a se posicionar em defesa da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade e contra os torturadores.<\/p>\n<p>Adriano Bessa atuou como delator de atividades de militantes que lutavam contra a ditadura. Seu nome consta de listas da extinta Comiss\u00e3o Geral de Investiga\u00e7\u00f5es (CGI), criada para \u201capurar atos de corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva ou contr\u00e1rios \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira de 31 de mar\u00e7o\u201d. Al\u00e9m de ter prestado servi\u00e7o militar, fez carreira no setor financeiro. Foi presidente do Banco do Estado do Amazonas, da Ag\u00eancia de Desenvolvimento da Regi\u00e3o Metropolitana de Bel\u00e9m e gerente de ag\u00eancias banc\u00e1rias. Foi tamb\u00e9m professor da Universidade Federal do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Em Curitiba, aconteceu um ato p\u00fablico na Boca Maldita, centro da capital paranaense, para denunciar os assassinatos, torturas e viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na Ditadura Militar. Entre os denunciados est\u00e1 o tenente Paulo Avelino Reis, citado como torturador em documentos do Grupo Tortura Nunca Mais.<\/p>\n<p>Levante Popular da Juventude<\/p>\n<p>O Levante Popular da Juventude \u00e9 um movimento social organizado por jovens que visa contribuir para a cria\u00e7\u00e3o de um projeto popular para o Brasil, constru\u00eddo pelo povo e para o povo. N\u00e3o \u00e9 ligado a partidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Com car\u00e1ter nacional, tem atua\u00e7\u00e3o em todos os estados do pa\u00eds, no meio urbano e no campo. Se prop\u00f5e a articular jovens, militantes de outros movimentos ou n\u00e3o, interessados em discutir as quest\u00f5es sociais e colaborar para a organiza\u00e7\u00e3o popular. Tem como objetivo propiciar que a juventude tome consci\u00eancia da sua hist\u00f3ria e da realidade \u00e0 sua volta para transform\u00e1-la.<\/p>\n<p>O Levante organiza a juventude para fazer den\u00fancias \u00e0 sociedade, por meio de a\u00e7\u00f5es de Agita\u00e7\u00e3o e Propaganda. N\u00e3o h\u00e1 bandeiras previamente definidas. A luta pol\u00edtica se d\u00e1 pelas pautas escolhidas pelos pr\u00f3prios militantes, que realizam atividades de estudo e debates, sistematicamente, por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Abaixo, leia o manifesto da jornada de luta.<\/p>\n<p><strong>MANIFESTO LEVANTE CONTRA TORTURA<\/strong><\/p>\n<p>Mas ningu\u00e9m se rendeu ao sono. Todos sabem (e isso nos deixa vivos): a noite que abriga os carrascos, abriga tamb\u00e9m os rebelados. Em algum lugar, n\u00e3o sei onde, numa casa de sub\u00farbios, no por\u00e3o de alguma f\u00e1brica se tra\u00e7am planos de revolta.<\/p>\n<p>Pedro Tierra<\/p>\n<p>Sa\u00edmos \u00e0s ruas hoje para resgatar a hist\u00f3ria do nosso povo e do nosso pa\u00eds. Lembramos da parte talvez mais sombria da hist\u00f3ria do Brasil, e que parece ser<\/p>\n<p>propositadamente esquecida: a Ditadura Militar. Um per\u00edodo onde jovens como n\u00f3s, mulheres, homens, trabalhadores, estudantes, foram proibidos de lutar por uma vida melhor, foram proibidos de sonhar. Foram esmagados por uma ditadura que cruelmente perseguiu, prendeu, torturou e exterminou toda uma gera\u00e7\u00e3o que ousou se levantar.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixaremos que a hist\u00f3ria seja omitida, apaziguada ou relativizada por quem\u00a0 quer que seja. A hist\u00f3ria dos que foram assassinados e torturados porque acreditavam ser poss\u00edvel construir uma sociedade mais justa \u00e9 tamb\u00e9m a nossa hist\u00f3ria. N\u00f3s somos seu\u00a0 povo. A mesma for\u00e7a que matou e torturou durante a ditadura hoje mata e tortura a juventude negra e pobre. N\u00e3o aceitamos que nos torturem, que nos silenciem, nem que enterrem nossa mem\u00f3ria. N\u00e3o esqueceremos de toda a barb\u00e1rie cometida.<\/p>\n<p>Temos a disposi\u00e7\u00e3o de contar a hist\u00f3ria dos que ca\u00edram e \u00e9 necess\u00e1rio expor e julgar aqueles que torturaram e assassinaram nosso povo e nossos sonhos. Torturadores e apoiadores da ditadura militar: voc\u00eas n\u00e3o foram absolvidos! N\u00e3o podemos aceitar que voc\u00eas vivam suas vidas como se nada tivesse acontecido enquanto, do nosso lado, o que resta s\u00e3o sil\u00eancio, saudades e a loucura provocada pela tortura. N\u00f3s acreditamos na justi\u00e7a e n\u00e3o temos medo de denunciar os verdadeiros respons\u00e1veis por tanta dor e sofrimento.<\/p>\n<p>Convidamos a juventude e toda a sociedade para se posicionar em defesa da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade e contra os torturadores, que hoje denunciamos e que vivem escondidos e impunes e seguem amea\u00e7ando a liberdade do povo. At\u00e9 que todos os torturadores sejam julgados, n\u00e3o esqueceremos, nem descansaremos.<\/p>\n<p>Pela mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a!<\/p>\n<p>Levante Popular da Juventude<\/p>\n<p>Fonte<a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/node\/13086\" rel=\"nofollow\">:<\/a> <a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/node\/13086\" rel=\"nofollow\">http:\/\/www.mst.org.br\/node\/13086<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: MST\n\n\n\n\n\n\n\n\nP\u00e1gina do Levante da Juventude\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2596\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-2596","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-FS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2596","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2596"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2596\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2596"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}