{"id":25997,"date":"2020-08-18T20:14:27","date_gmt":"2020-08-18T23:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25997"},"modified":"2020-08-18T20:14:27","modified_gmt":"2020-08-18T23:14:27","slug":"o-povo-nao-e-burro-nem-merece-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25997","title":{"rendered":"O povo n\u00e3o \u00e9 burro, nem merece Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radiopeaobrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/alan_san01-1024x683.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Presidente da Rep\u00fablica, Jair Bolsonaro, cumprimenta populares no Aeroporto Internacional Serra da Capivara de S\u00e3o Raimundo Nonato. (Foto: Alan Santos \/ PR)<\/p>\n<p>O ganho de popularidade por Bolsonaro n\u00e3o existiria sem o grande deserto de alternativas por parte da oposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Por Pedro Marin | Revista Opera<\/p>\n<p>Jair Bolsonaro recupera sua popularidade. \u00c9 o que aponta a \u00faltima pesquisa Datafolha, que d\u00e1 conta de um aumento de 5% nos que avaliam seu governo como \u00f3timo ou bom e 4% que o consideram regular. O \u00edndice daqueles que consideravam sua gest\u00e3o como ruim ou p\u00e9ssima desceu 10 pontos percentuais.<\/p>\n<p>Impressionados, desesperados e indispostos, desprezando tudo o que cheira suor ou se pretendendo realistas quando s\u00e3o na verdade ing\u00eanuos que se tornam c\u00e9ticos quando deprimidos frente a sua desilus\u00f5es, muitos come\u00e7am a apontar o culpado: o povo, que \u00e9 burro. \u201cMerecem Bolsonaro\u201d, decretam.<\/p>\n<p>O povo n\u00e3o \u00e9 burro; \u00e9 pragm\u00e1tico. Quem v\u00ea nisso uma criminosa indisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luta deveria se perguntar o que a oposi\u00e7\u00e3o tem feito desde janeiro de 2019. Constatar\u00e1 que, fora esperar uma bala de prata midi\u00e1tica contra o presidente, n\u00e3o tem feito nada. Os bravos lutadores que apontam que o aux\u00edlio emergencial foi conquistado no Congresso, como se isso fosse motivo de algum orgulho, devem se lembrar que uma consider\u00e1vel fra\u00e7\u00e3o da esquerda considerava demasiadamente radical ir para as ruas se opor aos apoiadores do presidente e falar em \u201cdemocracia\u201d \u2013 alguns se excitando com tal \u201cradicalidade\u201d, outros a repreendendo. Impressionar-se com as cifras e dizer que \u201cn\u00e3o adianta fazer nada\u201d \u00e9 constatar justamente que nada foi feito, e que algo deveria. Dado o recado contra a emp\u00e1fia, passemos \u00e0 an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Se confirmada, a raz\u00e3o fundamental desta recupera\u00e7\u00e3o de Bolsonaro \u00e9 a crescente disponibiliza\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial, somada ao deserto de alternativas tratado no \u00faltimo par\u00e1grafo. Apontar para uma todo-poderosa m\u00e1quina de propaganda ou a uma ignor\u00e2ncia popular quanto \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 ignorar que a tend\u00eancia na popularidade presidencial at\u00e9 o momento vinha sendo de queda, e crer que tal m\u00e1quina de propaganda estava inativa nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>As baixas e confus\u00f5es no minist\u00e9rio da Economia no come\u00e7o da semana n\u00e3o foram acasos \u2013 a tend\u00eancia apontada pelo Datafolha provavelmente j\u00e1 havia chegado ao Planalto, e a decis\u00e3o do presidente por seguir gastando decepciona Guedes e seus associados. A li\u00e7\u00e3o de Maquiavel, segundo a qual um pr\u00edncipe n\u00e3o pode estar seguro tendo a inimizade dos homens do povo \u2013 que s\u00e3o muitos \u2013 mas pode se tiver a dos poderosos \u2013 que s\u00e3o poucos \u2013 enfim foi compreendida.<\/p>\n<p>Ocupam lugar destacado nessas disputas quatro elementos: as privatiza\u00e7\u00f5es, a reforma administrativa, a reforma tribut\u00e1ria e o teto de gastos. O c\u00e1lculo se estabelece assim entre garantir a amizade parcelada do povo e pag\u00e1-la em onerosas faturas junto aos poderosos. Bolsonaro sabe que n\u00e3o pode manter os gastos, nos termos atuais, por muito tempo, sem que perca o apoio fundamental da classe que representa. Mas sabe tamb\u00e9m que n\u00e3o precisa: como ocorre a todos os atores hoje, est\u00e1 de olho em novembro, m\u00eas que trar\u00e1 a sa\u00edda de Celso de Mello do STF \u2013 Bolsonaro apontar\u00e1 seu sucessor, mas ele deve ser aprovado pelo Senado -, as elei\u00e7\u00f5es municipais \u2013 que definir\u00e3o a infraestrutura e a m\u00e1quina pol\u00edtica de cada for\u00e7a dali para frente, especialmente para 2022 -, e as elei\u00e7\u00f5es para a presid\u00eancia da C\u00e2mara e do Senado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o presidente calcula que, \u00e0 medida que perde apoio, perde tamb\u00e9m legitimidade, se tornando mais vulner\u00e1vel a ataques, impedimentos e manobras. Passadas as elei\u00e7\u00f5es municipais e as reconfigura\u00e7\u00f5es institucionais, ter\u00e1 mais condi\u00e7\u00f5es de avan\u00e7ar com uma reforma tribut\u00e1ria injusta e uma reforma administrativa que rebaixe os sal\u00e1rios e destrua a m\u00e1quina p\u00fablica. Contanto que n\u00e3o ultrapasse continuamente o teto de gastos, poder\u00e1 manter alguns \u201cprogramas sociais\u201d \u2013 custam muito menos, afinal, do que manter a m\u00e1quina p\u00fablica funcionando.<\/p>\n<p>Essas manobras permitir\u00e3o a Bolsonaro manter alguma popularidade moment\u00e2nea, mas ela tende a se degradar \u00e0 medida que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica piora \u2013 e o cen\u00e1rio para o p\u00f3s-pandemia \u00e9 p\u00e9ssimo. O presidente n\u00e3o expandiu suas bases, n\u00e3o se tornou popular \u2013 comprou tempo. Tempo que, ao fim, acabar\u00e1 por custar muito frente ao povo, e pouco frente aos poderosos. No entanto, uma vez feitas as reformas, enquanto os primeiros voltem a lhe punir nas taxas de aprova\u00e7\u00e3o, aos \u00faltimos o presidente se tornar\u00e1 descart\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o merece Bolsonaro, tampouco pretensos democratas que se creem merecedores de outro povo, ou ainda de povo algum. \u201cNo mundo, n\u00e3o existe sen\u00e3o a massa do povo\u201d, anotara Maquiavel. Espero que o compreendamos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Pedro Marin<\/p>\n<p>24 anos, \u00e9 editor-chefe e fundador da Revista Opera. Foi correspondente na Venezuela pela mesma publica\u00e7\u00e3o, e articulista e correspondente internacional no Brasil pelo site Global Independent Analytics. \u00c9 autor de &#8220;Golpe \u00e9 Guerra &#8211; Teses para enterrar 2016&#8221; e co-autor de &#8220;Carta no Coturno &#8211; A volta do Partido Fardado no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25997\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[224],"class_list":["post-25997","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Lj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25997","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25997"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25997\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}