{"id":26126,"date":"2020-09-12T00:47:29","date_gmt":"2020-09-12T03:47:29","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26126"},"modified":"2020-09-18T23:13:47","modified_gmt":"2020-09-19T02:13:47","slug":"pos-graduando-a-tambem-e-trabalhador-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26126","title":{"rendered":"P\u00f3s-graduando\/a tamb\u00e9m \u00e9 trabalhador\/a!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3e_p8v9Y16E4HPQm_zmGW7o_gHpXyQzj1oTe9fHvUaZJSVMFULJdzcHLiz_0rUeq6HbnYSl4mqw4xa-1d115XAvFn0kr0DlePpkvQvU0crFPt02tBdPI5ERHY7lykT_fwEECwGG84ROPrKQkcId12DN=w672-h942-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->P\u00f3s-Graduandas e p\u00f3s-graduandos do MUP lan\u00e7am manifesto e se apresentam no Congresso da ANPG<\/p>\n<p>Ci\u00eancia e Tecnologia para a Soberania Popular<\/p>\n<p>De 14 a 19 de Setembro ocorrer\u00e1 o XXVII Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Graduandos (CNPG) que eleger\u00e1 uma Diretoria Provis\u00f3ria e aprovar\u00e1 as resolu\u00e7\u00f5es que orientar\u00e3o as lutas para o pr\u00f3ximo ciclo.<\/p>\n<p>O Movimento Por uma Universidade Popular da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o (MUP-P\u00f3s) comp\u00f5e, desde 2018, tamb\u00e9m a atual Diretoria da ANPG, mostrando-se como alternativa \u00e0 dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da entidade. Ressaltamos que as\/os diretores s\u00e3o eleitos por meio de elei\u00e7\u00f5es proporcionais que ocorrem em cada CNPG, e representam diferentes grupos, organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou movimentos sociais. Dentro da entidade temos defendido uma ANPG pela base, que se insira no cotidiano dos\/ p\u00f3s-graduandos, com participa\u00e7\u00e3o ativa e combatividade. Neste ano, ainda que de forma remota, estaremos presente com p\u00f3s-graduandos\/as de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds para dar continuidade a esse trabalho!<\/p>\n<p>Entre as pautas e embates principais na ordem do dia est\u00e1 a den\u00fancia e necess\u00e1ria mobiliza\u00e7\u00e3o contra os dr\u00e1sticos cortes de recursos para a pesquisa nas Universidades, suspens\u00e3o e corte de bolsas, e demais pol\u00edticas do Governo Bolsonaro e Governos Estaduais contra a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>O MUP, partindo da realidade e lutas objetivas dos\/as p\u00f3s-graduandos\/as, apresenta uma proposta de Ci\u00eancia e Tecnologia que esteja a Servi\u00e7o da Classe Trabalhadora: n\u00e3o acreditamos que a ci\u00eancia seja neutra, por isso n\u00e3o basta defendermos uma \u201cCi\u00eancia para a Na\u00e7\u00e3o ou Ci\u00eancia para o Desenvolvimento\u201d, temos que dizer a servi\u00e7o de que e de quem essa ci\u00eancia deve estar, que \u00e9 em defesa do povo brasileiro e por uma soberania popular! Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental a luta por uma ANPG capaz de produzir as s\u00ednteses com a base do movimento nacional de p\u00f3s-graduandos\/as, cada vez mais nas ruas, universidades e lutas da classe trabalhadora, dos movimentos populares e da juventude, n\u00e3o sendo uma entidade meramente formal, evitando assim a canaliza\u00e7\u00e3o de todos os esfor\u00e7os para o campo da institucionalidade e conversas de gabinete.<\/p>\n<p>O MUP chama todos os p\u00f3s graduandos que se identificam com essa luta a assinarem nosso Manifesto ao Congresso da ANPG, confira ele na \u00edntegra abaixo e assine pelo link : https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSdOr10-pgkJxDJYId8RBTSehm3Nzits2n2bgIt4YYpSXyfTyg\/viewform<\/p>\n<p>Venha compor esse movimento, organizar o MUP P\u00f3s na sua faculdade, pensar a atua\u00e7\u00e3o em sua entidade de base.<\/p>\n<p>Contato com o MUP P\u00f3s, mande mensagem em nossa redes :<\/p>\n<p>https:\/\/www.instagram.com\/mup.posgrad\/<\/p>\n<p>https:\/\/www.facebook.com\/mup.posgrad<\/p>\n<p>Manifesto: P\u00f3s-graduando\/a tamb\u00e9m \u00e9 trabalhador\/a! Ci\u00eancia e Tecnologia para a Soberania Popular<\/p>\n<p>1. Conjuntura<\/p>\n<p>A conjuntura pol\u00edtica em meio \u00e0 pandemia do coronav\u00edrus e ao avan\u00e7o da crise econ\u00f4mica \u00e9 de aplica\u00e7\u00e3o de uma plataforma neoliberal extremada que continua avan\u00e7ando, surrupiando direitos trabalhistas e ampliando a privatiza\u00e7\u00e3o de recursos e bens p\u00fablicos. \u00c9 uma express\u00e3o da crise mundial do Capitalismo, sua forma cruel de reprodu\u00e7\u00e3o e total desprezo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e trabalhadoras. No Brasil e na Am\u00e9rica Latina as a\u00e7\u00f5es da burguesia e do Estado frente a crise visam garantir a entrega de riquezas, recursos naturais e total submiss\u00e3o ao capital internacional.<\/p>\n<p>Os interesses objetivos da burguesia nessa crise, que demandaram o golpe de 2016, a ascens\u00e3o de Michel Temer e as elei\u00e7\u00f5es com \u201ccartas marcadas\u201d em 2018, pressup\u00f5em a manuten\u00e7\u00e3o de uma democracia cada vez mais restrita e que garantam as mudan\u00e7as institucionais que flexibilizam\/eliminam direitos sociais, criminalizam ainda mais as lutas e movimentos sociais, solapam a base material das entidades estudantis, dos sindicatos, reduzem o espa\u00e7o pol\u00edtico e eleitoral dos partidos de esquerda, particularmente da esquerda socialista, e promovem o desaparelhamento do Estado de instrumentos e recursos capazes de promover pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de renda e oferecer servi\u00e7os sociais gratuitos e de qualidade. S\u00e3o essas as novas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas criadas pelo aniquilamento das poucas conquistas sociais estabelecidas na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e pela nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a burguesia e a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mesmo com todas dificuldades os estudantes e trabalhadores t\u00eam reagido firmemente ao desamparo a que foram relegados pelo Estado e pelos capitalistas diante da Pandemia e \u00e0 piora acentuada de suas condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho. Diversas iniciativas de solidariedade e auto-organiza\u00e7\u00e3o t\u00eam se desenvolvido motivadas pela defesa da vida e pela urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o, principalmente nos bairros perif\u00e9ricos das grandes cidades. V\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es nas Universidades e no campo da educa\u00e7\u00e3o tem se destacado, como, por exemplo, contra as formas de precariza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e da pesquisa atrav\u00e9s do uso indiscriminado do modelo de ensino e trabalho remoto e tamb\u00e9m a recente aprova\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s muita press\u00e3o, do novo Fundeb e a garantia de verbas para a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em sua hist\u00f3ria, os p\u00f3s-graduandos, trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o, cientistas e pesquisadores, cumpriram o importante papel de serem uma ferramenta de luta e questionamento nos momentos de maior ofensiva das pautas que atacam a ci\u00eancia, a pesquisa e o conhecimento que devem estar a servi\u00e7o da classe trabalhadora e de seus filhos.<\/p>\n<p>A ofensiva burguesa, que se apoia nos setores da classe dominante brasileira em alian\u00e7a com o imperialismo, refor\u00e7a a vis\u00e3o na qual o seu interesse \u00e9 transposto como necessidade de toda a sociedade, isto \u00e9, comp\u00f5e o que hoje largamente se difunde como \u201cp\u00fablico\u201d, e a ilus\u00e3o de que o Estado representa o interesse de \u201dtodos os brasileiros\u201d. Por\u00e9m a Ci\u00eancia e Universidade Popular que defendemos nos coloca na posi\u00e7\u00e3o de combater tanto o irracionalismo terraplanista como tamb\u00e9m a ci\u00eancia que \u00e9 produzida e apropriada para potencializar a explora\u00e7\u00e3o, atender o interesse privado e do lucro, como por exemplo dos grandes monop\u00f3lios farmac\u00eauticos, da tecnologia das grandes empresas de entregas e do agroneg\u00f3cio. Queremos uma ci\u00eancia e pesquisa a servi\u00e7o da emancipa\u00e7\u00e3o e do atendimento das necessidades humanas. Defendemos a garantia e aumento dos recursos p\u00fablicos para a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, para o fomento \u00e0 pesquisa e que dinheiro p\u00fablico s\u00f3 deva ser aplicado em educa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia p\u00fablicas, com controle popular e fins sociais.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica de Frente Ampla da esquerda vendeu a ilus\u00e3o de que era necess\u00e1rio e poss\u00edvel unir-se \u00e0 direita cl\u00e1ssica e liberal para derrotar Bolsonaro por meio de acordos internos ao aparato burocr\u00e1tico estatal. Essa alian\u00e7a esfacela-se com o desenvolvimento da conjuntura: Rodrigo Maia est\u00e1 sentado sobre dezenas de pedidos de impeachment, o Supremo Tribunal Eleitoral n\u00e3o cassa a chapa Bolsonaro-Mour\u00e3o e o STJ concedeu habeas corpus a Queiroz. Ao mesmo tempo, de Rodrigo Maia e Globo \u00e0 Bolsonaro e Guedes h\u00e1 uma Frente Ampla da direita para aprovar as reformas pr\u00f3-capital, como a reforma tribut\u00e1ria e a reforma administrativa, e avan\u00e7ar nos cortes de financiamento p\u00fablico em educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, sa\u00fade, moradia&#8230;e na privatiza\u00e7\u00e3o de empresas e servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Cabe a n\u00f3s p\u00f3s-graduandos e p\u00f3s-graduandas, por meio de nossas entidades de base e da ANPG e ao lado de organiza\u00e7\u00f5es da luta social, demonstrar que nossos interesses n\u00e3o s\u00e3o os mesmos que os do empresariado, dos industriais, dos banqueiros, do agroneg\u00f3cio e do imperialismo. Defendemos o fortalecimento do F\u00f3rum Sindical e Popular como espa\u00e7o privilegiado de luta, caminho para novas formas de organiza\u00e7\u00e3o cada vez mais pr\u00f3ximos de um Poder Popular.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o momento de juntos construir e massificar nossas entidades na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e, principalmente, a ANPG. Queremos retomar a ANPG para o dia-a-dia dos\/as pesquisadores\/as e p\u00f3s graduandos\/as brasileiros, em vez de canalizar a for\u00e7a e luta s\u00f3 para articula\u00e7\u00f5es de gabinete e no campo da institucionalidade burguesa.<\/p>\n<p>Precisamos fazer frente ao governo Bolsonaro nas p\u00f3s gradua\u00e7\u00f5es das Universidades P\u00fablicas, Comunit\u00e1rias, Privadas e Centros de Pesquisa, mas principalmente nas ruas!<\/p>\n<p>PELA VIDA ACIMA DOS LUCROS!<\/p>\n<p>FORA BOLSONARO-MOUR\u00c3O-GUEDES!<\/p>\n<p>2. P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A nossa situa\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-graduandos\/as no pa\u00eds \u00e9 dram\u00e1tica. As bolsas n\u00e3o atendem sequer metade dos\/as mestrandos\/as e doutorandos\/as matriculados. A desvaloriza\u00e7\u00e3o das bolsas desde o \u00faltimo reajuste, realizado em 2013, \u00e9 de aproximadamente 45%, o que equivale a uma perda mensal superior a 650 reais para mestrandos e 1000 reais para doutorandos. A press\u00e3o para publicar e ao mesmo tempo titular em curto prazo \u00e9 determinante na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, independente, em geral, das condi\u00e7\u00f5es de estudo e trabalho do\/a p\u00f3s-graduando\/a.<\/p>\n<p>A Portaria n\u00ba 34 da CAPES, que institui modelo de distribui\u00e7\u00e3o de bolsas, retirou bolsas de centenas de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o logo no in\u00edcio da pandemia e em curto prazo tende a resultar em um corte superior a 10 mil bolsas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, quando retirar as denominadas \u201ccotas empr\u00e9stimo\u201d. Al\u00e9m disso, o modelo rec\u00e9m-institu\u00eddo tem como um dos dois fatores de distribui\u00e7\u00e3o a \u201cTitula\u00e7\u00e3o M\u00e9dio do Curso\u201d, crit\u00e9rio que na pr\u00e1tica refor\u00e7a a press\u00e3o dos programas sobre os prazos de defesa, sem considerar a qualidade do resultado e condi\u00e7\u00f5es para a pesquisa.<\/p>\n<p>A bolsa afirmada como benef\u00edcio oculta o trabalho realizado pelos\/as p\u00f3s-graduandos\/as na pesquisa, um trabalho realizado por cerca de 250 mil mestrandos e doutorandos em todo o pa\u00eds. Os\/as p\u00f3s-graduandos\/as participam de aproximadamente 90% das pesquisas brasileiras, no entanto, n\u00e3o t\u00eam direito trabalhista e os anos dedicados ao trabalho cient\u00edfico em laborat\u00f3rios, em campo, em produ\u00e7\u00e3o intelectual n\u00e3o s\u00e3o contabilizados para a aposentadoria.<\/p>\n<p>O desmonte da Universidade P\u00fablica contribui para agravar esta situa\u00e7\u00e3o. O d\u00e9ficit de docentes e funcion\u00e1rios t\u00e9cnico-administrativos \u00e9, em muitos casos, suprido pelos\/as p\u00f3s-graduandos, no laborat\u00f3rio, no campo e na sala de aula. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, trabalhadores com direitos s\u00e3o substitu\u00eddos por p\u00f3s-graduandos precarizados, sem direito a f\u00e9rias, afastamento por sa\u00fade ou adicional por insalubridade \u2013 como ocorre em algumas atividades de laborat\u00f3rios e campo.<\/p>\n<p>Nas universidades privadas e comunit\u00e1rias, os cortes tamb\u00e9m s\u00e3o sentidos, onde, com o fim das bolsas, muitos p\u00f3s-graduandos e p\u00f3s-graduandas, al\u00e9m de n\u00e3o terem mais o aux\u00edlio, ficam com d\u00edvidas de mensalidades. A amplia\u00e7\u00e3o do ensino privado foi tamb\u00e9m uma consequ\u00eancia do desinvestimento nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, que deveriam ter mais vagas e condi\u00e7\u00f5es de pesquisa.<\/p>\n<p>O argumento de sacrif\u00edcio pela forma\u00e7\u00e3o para um futuro emprego de qualidade, por sua vez, n\u00e3o se sustenta ap\u00f3s o exame da realidade. O desemprego entre mestres e doutores afetava 25% dos titulados em 2014, enquanto no mundo essa taxa era equivalente a 2%. Desde ent\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho piorou, o desemprego e a informalidade hoje s\u00e3o ainda mais elevados. A doc\u00eancia \u00e9 historicamente o principal destino de mestres e doutores no Brasil, no entanto, essas vagas tornaram-se escassas com a redu\u00e7\u00e3o dos concursos p\u00fablicos e a expans\u00e3o do Ensino \u00e0 Dist\u00e2ncia nas universidades privadas. Nenhum\/a p\u00f3s-graduando\/a consciente nega que o futuro como \u201cDr. Uber\u201d nos assombra.<\/p>\n<p>Em suma, precariedade das condi\u00e7\u00f5es de estudo e pesquisa, produtivismo acad\u00eamico e perspectiva de desemprego definem a situa\u00e7\u00e3o geral dos\/as p\u00f3s-graduandos\/as brasileiros\/as. Sob essas circunst\u00e2ncias, vivemos o triste cen\u00e1rio em que adoecimento mental est\u00e1 na pauta do dia quando discutimos a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No contexto da pandemia, o MEC e grande parte das reitorias est\u00e3o pressionando a pr\u00e1tica do ensino e trabalho remoto, como forma de continuidade das atividades acad\u00eamicas e cient\u00edfica, como pol\u00edtica para o \u201cnovo normal\u201d, cujo slogan pode ser, muito bem, \u201ca universidade n\u00e3o pode parar\u201d. A necessidade de cumprir prazos para assegurar a bolsa, a perman\u00eancia no programa ou alguma perspectiva de carreira na pesquisa praticamente nos obrigam a cumprir disciplinas por meios digitais e adaptar as pesquisas com bibliotecas fechadas, laborat\u00f3rios restritos e limita\u00e7\u00f5es ao trabalho de campo. Independente das consequ\u00eancias para a qualidade da pesquisa e da forma\u00e7\u00e3o, por um lado, e das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, sociais e econ\u00f4micas das p\u00f3s-graduandas\/os para enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o, por outro. As Portarias CAPES n\u00ba 55 e 121, que tratam da prorroga\u00e7\u00e3o de bolsas, n\u00e3o s\u00e3o efetiva, pois n\u00e3o investem mais recursos, na pr\u00e1tica colocam o problema para os programas definirem entre os atuais bolsistas e aqueles que aguardam para receber bolsa. Ao mesmo tempo, suspende o crit\u00e9rio de tempo de titula\u00e7\u00e3o apenas para o tri\u00eanio que se encerra em 2020, portanto, negligenciando os efeitos a m\u00e9dio prazo, o que inviabiliza a aprova\u00e7\u00e3o da prorroga\u00e7\u00e3o em muitos programas.<\/p>\n<p>P\u00d3S-GRADUANDO TAMB\u00c9M \u00c9 TRABALHADOR!<\/p>\n<p>BOLSA N\u00c3O \u00c9 PRIVIL\u00c9GIO!<\/p>\n<p>EM DEFESA DA AMPLIA\u00c7\u00c3O E REAJUSTE DE BOLSAS!<\/p>\n<p>PELA REVOGA\u00c7\u00c3O DA PORTARIA N\u00ba 34!<\/p>\n<p>PELA PRORROGA\u00c7\u00c3O EFETIVA DAS BOLSAS ENQUANTO DURAR A PANDEMIA!<\/p>\n<p>3. Ci\u00eancia e Tecnologia<\/p>\n<p>No Brasil, os investimentos em ci\u00eancia e tecnologia lograram retornos p\u00fablicos quando estavam vinculados a empresas estatais, como o caso da Petrobras, Embraer e Eletrobras, por exemplo. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante destacar que essas s\u00e3o \u00e1reas em que o Brasil desenvolveu tecnologia de ponta: n\u00e3o por acaso, estas empresas se encontram em processo avan\u00e7ado de privatiza\u00e7\u00e3o ou j\u00e1 foram privatizadas. No entanto, o que predomina no complexo de ci\u00eancia e tecnologia no Brasil \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o privada do conhecimento produzido com investimento p\u00fablico.<\/p>\n<p>Os principais benefici\u00e1rios de toda estrutura p\u00fablica de ci\u00eancia e tecnologia s\u00e3o os grandes monop\u00f3lios, que, atrav\u00e9s de seus lobbys e p\u00edfias contrapartidas financeiras \u00e0s universidades, institutos de pesquisa e diretamente aos pesquisadores, privatizam a produ\u00e7\u00e3o intelectual e direcionam os projetos de pesquisa. O resultado refor\u00e7a a depend\u00eancia do Brasil em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses centrais. Em relat\u00f3rio divulgado pela CAPES, em 2016, entre as 20 principais corpora\u00e7\u00f5es que colaboram com a colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil, somente uma empresa \u00e9 nacional, a Petrobr\u00e1s, 12 s\u00e3o dos EUA e 7 da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>O processo de privatiza\u00e7\u00e3o da C&amp;T tem se intensificado nos \u00faltimos anos, a partir do Marco Legal de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, aprovado ainda no governo Dilma, e iniciativas como o Future-se, que colocam a ci\u00eancia e a educa\u00e7\u00e3o nas universidades sob a dire\u00e7\u00e3o e os interesses da iniciativa privada. Desde o Marco, empresas podem se aproveitar dos laborat\u00f3rios das universidades p\u00fablicas, da for\u00e7a de trabalho de p\u00f3s-graduandos e pesquisadores para seus pr\u00f3prios fins, possibilitando que empresas privadas aumentem seus lucros a partir da infraestrutura da universidade com pouqu\u00edssimas contrapartidas, at\u00e9 mesmo deixando de investir em pesquisa e desenvolvimento pr\u00f3prio, com impacto na oferta de emprego para mestres e doutores. Ainda, essas iniciativas promovem o direcionamento e sele\u00e7\u00e3o das pesquisas, privilegiando aquelas que interessam ao mercado, restringindo o financiamento para ci\u00eancias humanas e b\u00e1sicas e abandonando o desenvolvimento de tecnologia e pesquisa nacional a servi\u00e7o das necessidades e interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O governo Bolsonaro-Mour\u00e3o, desde o in\u00edcio comprometido com o desinvestimento e com a privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e da C&amp;T, intensifica este ciclo. Agora, aproveita-se da grave situa\u00e7\u00e3o nacional e do isolamento social para promover mais ataques \u00e0 ci\u00eancia, como os novos cortes de bolsas de pesquisa CAPES e CNPQ. Al\u00e9m dos cortes de bolsas somos surpreendidos com um novo modelo de concess\u00e3o de bolsas do CNPq, que privilegia as ci\u00eancias aplicadas, numa concep\u00e7\u00e3o rasa do processo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. As ci\u00eancias b\u00e1sicas e pesquisas que a princ\u00edpio podem n\u00e3o ser aplicadas podem servir para avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos futuros. A pesquisa e a ci\u00eancia e tecnologia n\u00e3o pode estar \u00e0 demanda do mercado, correndo o risco de n\u00e3o ser criadora. Este governo j\u00e1 deixou claro seus interesses e n\u00e3o investir\u00e1 na ci\u00eancia nacional e nas universidades p\u00fablicas. Mais do que isso, corta os investimentos e remaneja-os para o setor privado, direta ou indiretamente.<\/p>\n<p>POR UMA CI\u00caNCIA E TECNOLOGIA POPULAR E SOBERANA!<\/p>\n<p>4. Movimento Nacional de P\u00f3s-graduandas\/os<\/p>\n<p>O movimento de p\u00f3s-graduandos \u00e9 marcado por sua hibridez, onde estamos envoltos em uma din\u00e2mica entre o estudo e o trabalho: somos profissionais j\u00e1 graduados, pesquisadores, trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia, com a miss\u00e3o de produzir conhecimento e pensar o futuro do nosso pa\u00eds e somos tamb\u00e9m estudantes em mais uma etapa de forma\u00e7\u00e3o. Essa peculiaridade e liminaridade entre o mundo do estudo e o do trabalho dificulta muitas vezes a consci\u00eancia de nossa posi\u00e7\u00e3o e, num contexto de precariza\u00e7\u00e3o e produtivismo surge o debate da organiza\u00e7\u00e3o da categoria dos p\u00f3s-graduandos: que mecanismos temos para alterar essa realidade? Como se organizam os p\u00f3s-graduandos local e nacionalmente? Qual a tarefa de nossas entidades e as possibilidades de nossa a\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Entendemos que a universidade n\u00e3o est\u00e1 isolada da sociedade: assim como devemos estreitar la\u00e7os com as outras categorias da universidade e entidades, devemos estar em forte contato com os movimentos sociais. Uma quest\u00e3o fundamental: se produzimos conhecimento, para quem e para que serve esse produto do nosso trabalho?<\/p>\n<p>Acreditamos que transformar a nossa realidade come\u00e7a da base e isso significa dar import\u00e2ncia para as entidades locais, como as APGs e os Representantes Discentes. A ANPG precisa estreitar as suas rela\u00e7\u00f5es regionais e criar mecanismos para um maior di\u00e1logo e a\u00e7\u00e3o local, no cotidiano dos p\u00f3s-graduandos e das p\u00f3s-graduandas. Precisamos conhecer a realidade e as especificidades de nossa categoria, como das m\u00e3es e pais p\u00f3s-graduandos e de toda a diversidade que ela comporta. Essa integra\u00e7\u00e3o passa pela cria\u00e7\u00e3o de campanhas, debates e canais diretos de comunica\u00e7\u00e3o: espa\u00e7os onde de fato a entidade possa se aproximar das e dos p\u00f3s-graduandos, sendo mais do que uma entidade representativa, mas tamb\u00e9m participativa. \u00c9 essencial uma entidade enraizada regionalmente, que possa estar inserida na amplitude e diversidade de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>A autonomia da entidade e do movimento de p\u00f3s-graduandos \u00e9 tamb\u00e9m fundamental, principalmente quando presenciamos casos de ass\u00e9dio e coa\u00e7\u00e3o. Estando em espa\u00e7os da institucionalidade n\u00e3o podemos esquecer dos compromissos com a nossa categoria e princ\u00edpios, por isso devemos ser transparentes, para n\u00e3o corrermos o risco de ter uma representa\u00e7\u00e3o apenas de fachada e a servi\u00e7o de interesses contr\u00e1rios aos dos p\u00f3s-graduandos.<\/p>\n<p>Por isso, propomos:<\/p>\n<p>\u25cf Fomentar a cria\u00e7\u00e3o, reconstru\u00e7\u00e3o e fortalecimento de APG\u2019s em todo pa\u00eds;<\/p>\n<p>\u25cf Construir plen\u00e1rias estaduais que aproximem as entidades locais dos debates nacionais;<\/p>\n<p>\u25cf Maior participa\u00e7\u00e3o de vice-presidentes regionais na articula\u00e7\u00e3o e acompanhamento do trabalho realizado por cada APG, por meio de reuni\u00f5es peri\u00f3dicas e canais de comunica\u00e7\u00e3o diretos;<\/p>\n<p>\u25cf Regionalizar a atua\u00e7\u00e3o das diretorias para incorporar as demandas e discuss\u00f5es locais, bem como proporcionar que as diretrizes da gest\u00e3o da ANPG sejam fruto do debate na base;<\/p>\n<p>\u25cf Aproxima\u00e7\u00e3o de movimentos sociais e incentivo a projetos de extens\u00e3o popular;<\/p>\n<p>\u25cf Maior di\u00e1logo com entidades de representa\u00e7\u00e3o de diversas categorias de trabalhadores e estudantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26126\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[134],"tags":[224,247],"class_list":["post-26126","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c139-mup","tag-3b","tag-jd"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6No","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26126\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}