{"id":26162,"date":"2020-09-17T22:41:07","date_gmt":"2020-09-18T01:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26162"},"modified":"2020-09-17T22:41:07","modified_gmt":"2020-09-18T01:41:07","slug":"carta-do-mup-ao-ii-encontro-de-mulheres-da-anpg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26162","title":{"rendered":"Carta do MUP ao II Encontro de Mulheres da ANPG"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IMG_20200915_133755_086.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Eles n\u00e3o v\u00e3o nos calar! Criar, criar, Universidade Popular!<\/p>\n<p>Somos mulheres pesquisadoras, p\u00f3s-graduandas, trabalhadoras. Estamos em diferentes regi\u00f5es, do norte ao sul do pa\u00eds. Trazemos conosco m\u00faltiplas culturas, express\u00f5es de g\u00eaneros e formas de relacionarmo-nos. Questionamos a l\u00f3gica hegem\u00f4nica das rela\u00e7\u00f5es, que \u00e9 patriarcal, racista, heteronormativa, e diariamente nos articulamos para combat\u00ea-la. Temos consci\u00eancia de que vivemos em uma sociedade desigual, capitalista, cuja supera\u00e7\u00e3o depende necessariamente da nossa luta coletiva e organizada!<\/p>\n<p>Viemos para o II Encontro de Mulheres da ANPG com a inten\u00e7\u00e3o de compartilhar um pouquinho das nossas trajet\u00f3rias e construir caminhos comuns para nossas futuras mobiliza\u00e7\u00f5es. Em cada grupo de discuss\u00e3o, vamos denunciar os permanentes ataques, inclusive ideol\u00f3gicos, que est\u00e3o em curso nas Universidades, Institutos e demais institui\u00e7\u00f5es de pesquisas contra os estudos feministas, sexuais e de g\u00eanero. Ao mesmo tempo, frente aos modos de produzir conhecimento ou fazer pesquisa diretamente vinculados ao desenvolvimento do capital, apresentaremos alternativas constru\u00eddas por pesquisadoras militantes, movimentos sociais, extens\u00e3o populares.<\/p>\n<p>Sabemos bem o quanto a experi\u00eancia das mulheres na academia tem particularidades, e trazemos aqui alguns exemplos que ilustram como as desigualdades estruturantes da nossa sociedade se expressam em nosso dia a dia: ainda que as mulheres sejam maioria na academia hoje, elas s\u00e3o minorias nos \u201ctopos da carreira\u201d. [1] Al\u00e9m disso, no per\u00edodo da pandemia, vimos que as publica\u00e7\u00f5es de mulheres pesquisadoras diminu\u00edram em propor\u00e7\u00e3o aos homens.[2] N\u00e3o suficiente, entre n\u00f3s mulheres h\u00e1 tamb\u00e9m muitas desigualdades: pesquisadoras negras, trans, l\u00e9sbicas precisam construir seus pr\u00f3prios c\u00edrculos de apoio, auto-organizados, para enfrentarem as discrimina\u00e7\u00f5es na academia.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a maternidade e os demais trabalhos relacionados ao cuidado s\u00e3o elementos importantes para pensar a desigualdade das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, j\u00e1 que, historicamente, t\u00eam sido relegados principalmente \u00e0s mulheres. Em meio a tantas tarefas cotidianas, afetadas pelas m\u00faltiplas jornadas de trabalho e\/ou pela aus\u00eancia de assist\u00eancia estudantil, terminamos nossos dias exauridas, dificultando em muito nossa condi\u00e7\u00e3o de estudo\/pesquisa. Al\u00e9m disso, as quest\u00f5es de ass\u00e9dio, moral e sexual, s\u00e3o pontos que n\u00e3o podem deixar de serem considerados neste processo de esgotamento, bastante frequentes em nossas trajet\u00f3rias acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>Ainda assim, n\u00e3o queremos reduzir nossa luta \u00e0 busca pelo mesmo lugar que em geral ocupam os homens cis na academia, uma vez que isso apenas contribuiria para aprofundar as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o t\u00edpicas da sociedade capitalista. O produtivismo acad\u00eamico e a competitividade n\u00e3o s\u00e3o princ\u00edpios que est\u00e3o em nosso horizonte, e entendemos que nossas pesquisas devem produzir conhecimento, ci\u00eancia e tecnologia para transformar essa dif\u00edcil realidade, inclusive no que tange ao acesso desigual ao ensino superior e \u00e0s p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ademais, como efeito direto do produtivismo e da competitividade na academia, vemos muitas colegas adoecerem e at\u00e9 mesmo desistirem das suas carreiras. N\u00e3o \u00e0 toa, o sofrimento ps\u00edquico \u00e9 um tema cada vez mais presente em nossas vidas, e a aus\u00eancia de espa\u00e7os efetivos de acolhimento institucional s\u00e3o sintomas da naturaliza\u00e7\u00e3o desse ritmo doentio de produ\u00e7\u00e3o. Em meio a tanto descompasso, emergem t\u00e9cnicas de adequa\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3sticos ou teorias mirabolantes, todos com a inten\u00e7\u00e3o de anestesiar nossa indigna\u00e7\u00e3o e invisibilizar nossas dores. Dentro desse complexo contexto, n\u00f3s acreditamos que a revolta \u00e9 urgente e necess\u00e1ria! N\u00e3o podemos normalizar as desigualdades e o sofrimento.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que h\u00e1 uma s\u00e9rie de reivindica\u00e7\u00f5es que podem contribuir para uma melhor trajet\u00f3ria das mulheres na carreira acad\u00eamica, tais quais: a socializa\u00e7\u00e3o das tarefas relativas a cuidados, a divis\u00e3o n\u00e3o sexista do trabalho, os refeit\u00f3rios populares, as creches p\u00fablicas, as lavanderias comunit\u00e1rias, a educa\u00e7\u00e3o sexual dos homens e mulheres em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero, mais vagas em moradias estudantis, a\u00e7\u00f5es afirmativas, dentre outras tantas. Em nossa hist\u00f3ria nas universidades e na sociedade, contudo, nada foi conquistado sem muita luta e, tragicamente, muitas de nossas poucas conquistas est\u00e3o sendo retiradas ou ainda s\u00e3o colocadas em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Os constantes ataques do governo de Jair Bolsonaro, Mour\u00e3o e seus aliados \u00e0s pesquisadoras das \u00e1reas dos estudos feministas, da diversidade sexual e de g\u00eanero, ou simplesmente vinculadas a movimentos sociais de cunho anticapitalista, s\u00e3o a mais evidente express\u00e3o de que nossos trabalhos s\u00e3o perigosos \u00e0 ordem estabelecida hegemonicamente. Diariamente eles tentam nos calar, mas coletivamente n\u00f3s resistimos!<\/p>\n<p>Somos p\u00f3s-graduandas, pesquisadoras, e fazemos parte do Movimento por uma Universidade Popular (MUP)! Atrav\u00e9s desta carta, convidamos a todas que carregam consigo a indigna\u00e7\u00e3o e a vontade de criar alternativas para nosso futuro a tornarem-se parte do MUP tamb\u00e9m. Basta preencher nosso formul\u00e1rio, que entraremos em contato contigo: https:\/\/forms.gle\/YBA7GAJgZxVnx9Xj8<\/p>\n<p>Leiam, na \u00edntegra, o manifesto do Movimento por uma Universidade Popular para o pr\u00f3ximo Congresso da ANPG: https:\/\/ujc.org.br\/ciencia-e-tecnologia-para-soberania-popular\/<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:[1] https:\/\/www.unifesp.br\/noticias-anteriores\/item\/3169-mulheres-sao-minoria-entre-reitores-e-nas-bolsas-de-pesquisa-mais-prestigiadas[2] https:\/\/www.aguia.usp.br\/noticias\/49310\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26162\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[60,27],"tags":[226],"class_list":["post-26162","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","category-c27-ujc","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6NY","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26162"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26162\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}