{"id":26185,"date":"2020-09-22T21:41:55","date_gmt":"2020-09-23T00:41:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26185"},"modified":"2020-09-22T21:41:55","modified_gmt":"2020-09-23T00:41:55","slug":"capitalismo-e-feminismo-nao-podem-coexistir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26185","title":{"rendered":"Capitalismo e feminismo n\u00e3o podem coexistir"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jacobin.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/GettyImages-82146480.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Trabalhadoras de uma f\u00e1brica de l\u00e3 operam grandes m\u00e1quinas de tecelagem, por volta de 1930. Foto: FPG \/ Arquivo Hulton \/ Getty<\/p>\n<p>REVISTA JACOBIN<\/p>\n<p>Por<br \/>\nNicole M. Aschoff<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o<br \/>\nGiuliana Almada<\/p>\n<p>A for\u00e7a do feminismo est\u00e1 em lutar por uma vida igualit\u00e1ria para todos, independentemente de sexo, ra\u00e7a ou renda. N\u00e3o podemos alcan\u00e7ar isso sob o capitalismo.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo que tanto feministas quanto n\u00e3o-feministas debatem sobre o capitalismo: se \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 bom para as mulheres. Mas cada aumento no interesse sobre esse tema est\u00e1 integrado em um contexto particular. Sendo assim, quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es que favorecem um exerc\u00edcio como este no momento presente?<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, o capitalismo est\u00e1 em crise. N\u00e3o necessariamente uma crise econ\u00f4mica, no sentido de uma recess\u00e3o completa. Mas temos testemunhado mais de uma d\u00e9cada de est\u00edmulos que incluem resgates multitrilion\u00e1rios pelos bancos centrais, anos de flexibiliza\u00e7\u00e3o quantitativa e um novo padr\u00e3o de juros baixos projetados para evitar que investidores se atirem coletivamente de um penhasco.<\/p>\n<p>Apesar desses esfor\u00e7os, os sal\u00e1rios e o crescimento econ\u00f4mico continuam estagnados. As empresas parecem mais interessadas em apostar no mercado de a\u00e7\u00f5es do que em investir no mundo real. Enquanto isso, o capitalismo neoliberal \u2014 as normas, ideias e pol\u00edticas que est\u00e3o por tr\u00e1s do status quo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas \u2014 est\u00e1 passando por uma profunda crise de legitimidade. H\u00e1 uma perda generalizada de confian\u00e7a no governo, uma crescente descren\u00e7a no capitalismo e um ressurgimento do populismo tanto \u00e0 esquerda quanto \u00e0 direita.<\/p>\n<p>Um segundo ponto de refer\u00eancia \u00e9 o ressurgimento do feminismo na \u00faltima d\u00e9cada. Este ressurgimento vem acontecendo de diversas maneiras, sob diferentes perspectivas sobre como melhor desenvolver uma agenda feminista, e tem sido uma constante no discurso p\u00fablico, mais recentemente com o movimento #MeToo (#EuTamb\u00e9m).<\/p>\n<p>A derrota de Hillary Clinton nas elei\u00e7\u00f5es estadunidenses de 2016, diante da crise de legitimidade do capitalismo neoliberal, colocou em xeque o modelo dominante do feminismo neoliberal \u2014 a ideia de que os objetivos feministas seriam melhor alcan\u00e7ados por meio do esfor\u00e7o individual de cada mulher que conquista uma posi\u00e7\u00e3o de poder e sucesso dentro do capitalismo. As mulheres, especialmente as mais jovens, est\u00e3o clamando por um tipo diferente de feminismo, muitas vezes impl\u00edcita ou explicitamente anticapitalista. Pesquisas revelam que cerca da metade dos jovens adultos estadunidenses prefere o socialismo ao capitalismo e, de acordo com Pew Research Center, 53% dos apoiadores de Bernie Sanders s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto de crise, que pode ser considerado como um momento de transforma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de ruptura em si, que olhamos para frente e perguntamos como as feministas devem orientar suas posi\u00e7\u00f5es e suas lutas.<\/p>\n<p>Eu digo \u201colhar para frente\u201d deliberadamente. Este \u00e9 o momento de avaliar as vit\u00f3rias duramente conquistadas e de elaborar uma estrat\u00e9gia para que todas as mulheres possam realmente desfrut\u00e1-las, e de avan\u00e7ar com novas demandas concretas que satisfa\u00e7am os amplos objetivos do feminismo.<\/p>\n<p>Primeiramente, no entanto, a servi\u00e7o da clareza, algumas ressalvas: n\u00e3o falo por todas as mulheres, obviamente, mas tamb\u00e9m n\u00e3o falo por todas as mulheres de esquerda, ou todas as feministas, ou todas as socialistas, ou todas as socialistas-feministas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 muitas cr\u00edticas feministas ao capitalismo. Dadas as restri\u00e7\u00f5es de tempo e de minha pr\u00f3pria base de conhecimento, me dirijo apenas a algumas delas.<\/p>\n<p>Chelsea Follett \u2013 nossa moderadora, analista pol\u00edtica da Cato, e editora executiva da Human Progress \u2014 teve a gentileza de trazer algumas perguntas orientadoras para a discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>1. A dissemina\u00e7\u00e3o do capitalismo tem resultado em um saldo l\u00edquido positivo ou negativo para as mulheres?<br \/>\nEsta \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil de responder, at\u00e9 porque acho estranho formular uma equa\u00e7\u00e3o de custos humanos que atravesse os s\u00e9culos de capitalismo. Podemos colocar a pergunta da seguinte forma: as melhorias mais recentes na expectativa de vida, alfabetiza\u00e7\u00e3o e autonomia das mulheres compensam o exterm\u00ednio em massa de mulheres e crian\u00e7as ind\u00edgenas, as vidas desesperadas de mulheres presas e torturadas na escravid\u00e3o, e a desfigura\u00e7\u00e3o e morte precoce de mulheres que passaram sua vida labutando em sweatshops [\u201cf\u00e1bricas de suor\u201d com condi\u00e7\u00f5es de trabalho muito prec\u00e1rias e socialmente inaceit\u00e1veis], cujos corpos s\u00e3o destru\u00eddos pelo trabalho fabril?<\/p>\n<p>\u00c9 um c\u00e1lculo dif\u00edcil de fazer com precis\u00e3o. Mas se quis\u00e9ssemos tentar, certamente precisar\u00edamos temperar as alega\u00e7\u00f5es otimistas dos recentes sucessos do capitalismo global com a dura realidade de que mais de dois bilh\u00f5es de pessoas sofrem de desnutri\u00e7\u00e3o, de que 95% da renda criada com o crescimento global n\u00e3o \u00e9 compartilhada com os 60% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o mundial e de que o n\u00famero absoluto de pessoas que vivem na pobreza aumentou em um bilh\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Estou disposta a dizer que concordo com Marx, sobre o capitalismo ser melhor que o feudalismo. Tamb\u00e9m podemos apontar para dados que sugerem um progresso agregado, por exemplo, em dire\u00e7\u00e3o ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 expectativa de vida, mortalidade e educa\u00e7\u00e3o. As mulheres de classe m\u00e9dia e alta em grande parte do mundo gozam de acesso e direitos que teriam sido invejados por suas irm\u00e3s h\u00e1 um s\u00e9culo e meio atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Contudo, ao celebrarmos esses ganhos, os quais devem ser celebrados, precisamos ser cautelosos com as setas causais que desenhamos. Embora alguns desses ganhos possam ser atribu\u00eddos ao desenvolvimento e \u00e0 racionaliza\u00e7\u00e3o \u2014 que est\u00e3o correlacionados com o capitalismo \u2014 muitos deles s\u00e3o resultado de uma persistente luta pol\u00edtica, e n\u00e3o do capitalismo propriamente dito.<\/p>\n<p>Leis e normas contra a discrimina\u00e7\u00e3o, o direito de n\u00e3o sermos propriedade dos nossos maridos, o direito ao voto, o direito de podermos nos proteger e proteger nossos filhos da viol\u00eancia dom\u00e9stica \u2014 estes e tantos outros n\u00e3o foram simplesmente transmitidos de cima para baixo por uma C\u00e2mara de Com\u00e9rcio. Eles foram conquistados por movimentos sociais, muitos deles liderados por socialistas e feministas, que lutaram com unhas e dentes e sofreram muitas derrotas pelo caminho.<\/p>\n<p>Neste momento, por\u00e9m, penso que seja importante olhar para frente. Mesmo que reconhe\u00e7amos que o capitalismo tenha proporcionado um ganho l\u00edquido para as mulheres \u2014 o que eu n\u00e3o reconhe\u00e7o \u2014 \u00e9 muito mais importante perguntar se o capitalismo levar\u00e1 a ganhos no futuro.<\/p>\n<p>O feminismo n\u00e3o se trata apenas de eliminar a discrimina\u00e7\u00e3o baseada no g\u00eanero. O feminismo se trata de lutar por e criar igualdade e uma boa vida para todos, independentemente de sexo, g\u00eanero, ra\u00e7a, etnia, educa\u00e7\u00e3o, renda, religi\u00e3o, ou de onde vivem. Isto \u00e9 o que h\u00e1 de melhor no feminismo \u2014 e \u00e9 por isso que sou feminista.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, estes objetivos n\u00e3o podem ser alcan\u00e7ados no capitalismo.<\/p>\n<p>Recentemente houve a greve clim\u00e1tica, ent\u00e3o vamos considerar o exemplo das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Nada demonstra melhor o fracasso do chamado livre mercado do que a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica que se aproxima. Embora o capitalismo possa ser racional no n\u00edvel individual, em um n\u00edvel sist\u00eamico ele \u00e9 altamente irracional. A busca imprudente por lucros dos capitalistas individuais, fortalecidos por elites e governos, criou o enorme problema coletivo do aquecimento global, para n\u00e3o mencionar o esgotamento dos recursos e a destrui\u00e7\u00e3o de biomas.<\/p>\n<p>Mas em vez de encarar este problema de frente \u2014 um problema que compreendemos h\u00e1 d\u00e9cadas \u2014 durante os \u00faltimos quarenta anos as elites e os empres\u00e1rios t\u00eam insistido no poder de cura dos mercados livres. Eles argumentam que mercados seriam naturais e que fariam parte de uma ordem espont\u00e2nea, que indiv\u00edduos racionais que operam com informa\u00e7\u00f5es perfeitas criam resultados \u00f3timos, e que externalidades s\u00e3o triviais.<\/p>\n<p>Sabemos o que precisa ser feito, mas os imperativos do lucro e as prerrogativas arraigadas das elites t\u00eam impedido os pa\u00edses de adotar projetos e programas que nos libertem de economias destrutivas baseadas em combust\u00edveis f\u00f3sseis, e de desenvolver e instituir solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis para atender \u00e0s nossas necessidades.<\/p>\n<p>Somente um projeto coletivo, ancorado na solidariedade e na coopera\u00e7\u00e3o, e organizado em torno do princ\u00edpio de retomar o nosso planeta das m\u00e3os das corpora\u00e7\u00f5es vorazes, nos dar\u00e1 uma oportunidade de lutar para alterar a nossa trajet\u00f3ria atual.<\/p>\n<p>2. Podemos dizer que o capitalismo \u00e9 um sistema econ\u00f4mico intrinsecamente explorador, opressor e patriarcal interconectado com a subjuga\u00e7\u00e3o das mulheres?<br \/>\nVamos analisar um pouco essa quest\u00e3o. O capitalismo \u00e9 explorador? Na economia pol\u00edtica, a explora\u00e7\u00e3o descreve uma rela\u00e7\u00e3o pela qual uma pessoa vende sua for\u00e7a de trabalho a algu\u00e9m que possui os meios de produ\u00e7\u00e3o e que lucra pagando a ela, a trabalhadora, menos do que o valor daquilo que ela produz. Portanto, sim, a maioria das pessoas, inclusive as mulheres, s\u00e3o exploradas no sentido de que trabalham por um sal\u00e1rio e que n\u00e3o poderiam comprar comida ou pagar aluguel sem trabalhar em troca de um sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Esta explora\u00e7\u00e3o \u00e9 opressiva, ou seja, constitui um tratamento cruel ou injusto? Bem, isso depende. Nos Estados Unidos, por exemplo, nem todas as mulheres s\u00e3o oprimidas (Algumas feministas e socialistas rejeitariam esta avalia\u00e7\u00e3o). No entanto, n\u00e3o acho que mulheres brancas altamente remuneradas, que possuem respeito, seguran\u00e7a e autonomia na organiza\u00e7\u00e3o de suas vidas profissionais, sejam oprimidas \u2014 ou pelo menos n\u00e3o o suficientemente oprimidas para que eu v\u00e1 \u00e0s ruas lutar por elas.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que este cen\u00e1rio feliz n\u00e3o descreve a situa\u00e7\u00e3o da grande maioria das mulheres. Uma mulher que trabalha em tempo integral por um sal\u00e1rio m\u00ednimo e n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de ir ao m\u00e9dico, nem de comprar legumes, nem de pagar aluguel \u00e9 oprimida. Uma jovem rec\u00e9m formada mergulhada em d\u00edvidas de cr\u00e9dito estudantil, que trabalha mais de sessenta horas semanais em uma startup de tecnologia \u2014 daquelas que complementam os p\u00e9ssimos sal\u00e1rios que pagam aos funcion\u00e1rios com cerveja gr\u00e1tis e uma mesa de pebolim na sala de descanso \u2014 \u00e9 oprimida.<\/p>\n<p>Boa parte desta opress\u00e3o est\u00e1 ligada ao patriarcado, ou, mais precisamente, ao sexismo, j\u00e1 que n\u00e3o vivemos em uma sociedade formalmente patriarcal. Ainda n\u00e3o existe consenso sobre o capitalismo ser inerentemente sexista, e o sexismo certamente existe fora do capitalismo. Podemos imaginar um modelo de capitalismo que n\u00e3o seja sexista ou racista. Mas o capitalismo \u00e9 uma forma real de organiza\u00e7\u00e3o das normas, prioridades, estruturas e atividades da sociedade que evoluem ao longo do tempo e do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Como um sistema hist\u00f3rico, o sexismo e o racismo t\u00eam sido centrais na estrat\u00e9gia de acumula\u00e7\u00e3o no capitalismo. O sexismo faz com que o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado das mulheres, essencial para a sociedade, pare\u00e7a natural, fruto de seu amor. O sexismo e o racismo tamb\u00e9m continuam sendo ferramentas extremamente \u00fateis no repert\u00f3rio dos empres\u00e1rios para dividir e oprimir os trabalhadores, para desencorajar as demandas por melhores sal\u00e1rios e benef\u00edcios, ou para obstruir esfor\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o de sindicatos.<\/p>\n<p>3. Ou ser\u00e1 que o capitalismo n\u00e3o contribui para o empoderamento das mulheres, aumentando seu bem-estar material e promovendo a paridade de g\u00eanero?<br \/>\nEm vez de formularmos nossas perguntas e respostas como um ou outro, dever\u00edamos optar por uma discuss\u00e3o mais matizada sobre ambos. Como eu disse anteriormente, as mulheres t\u00eam sido empoderadas no capitalismo. Embora precisemos ter cuidado para n\u00e3o confundir correla\u00e7\u00e3o com causalidade \u2014 tendo em mente aquelas vari\u00e1veis escondidas, tais como os movimentos de mulheres, de direitos civis, o movimento trabalhista e o ambiental \u2014 os mercados ainda podem empoderar as mulheres.<\/p>\n<p>Dinheiro \u00e9 poder. Se as mulheres da atualidade tiverem a sorte de ter pais ricos, ou de terem nascido com habilidades ou intelig\u00eancia excepcionais que as permitam conseguir um emprego bem remunerado e gratificante, elas ser\u00e3o empoderadas. Mais do que isso, elas ser\u00e3o capazes de empoderar outras pessoas em suas redes sociais, como seus pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, observar que algumas mulheres t\u00eam bastante poder no capitalismo n\u00e3o implica que o caminho tenha sido tra\u00e7ado e que, se simplesmente o seguirmos, os objetivos do feminismo ser\u00e3o alcan\u00e7ados. A incr\u00edvel riqueza dos poucos que est\u00e3o no topo da pir\u00e2mide n\u00e3o \u00e9 um acidente ou uma pontinha inofensiva sobre uma base saud\u00e1vel de pessoas que vivem uma boa vida. As reformas favor\u00e1veis ao mercado das \u00faltimas d\u00e9cadas tornaram um punhado de pessoas (na maioria homens) absurdamente ricas, enquanto a grande maioria teve seu sustento estagnado e suas oportunidades reduzidas.<\/p>\n<p>Os incr\u00edveis avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e cient\u00edficos dos \u00faltimos quarenta anos poderiam ter sido canalizados para reduzir drasticamente a pobreza, melhorar os resultados dos cuidados de sa\u00fade e a sustentabilidade ecol\u00f3gica de nossos processos de produ\u00e7\u00e3o, e para garantir a seguran\u00e7a no fornecimento e distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua limpa, alimentos nutritivos e moradia adequada. S\u00e3o coisas que todas as pessoas valorizam, e que dariam grande poder \u00e0s mulheres que sofrem desproporcionalmente por n\u00e3o as terem.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos todos instrumentos necess\u00e1rio para melhorar enormemente a vida das mulheres, e de todas as outras pessoas. No entanto, n\u00e3o direcionamos nossos recursos, conhecimento e energia para atingir este objetivo. Por qu\u00ea? Porque o objetivo do capitalismo n\u00e3o \u00e9 melhorar o mundo \u2014 \u00e9 gerar lucro.<\/p>\n<p>Esse texto \u00e9 uma vers\u00e3o ligeiramente editada das observa\u00e7\u00f5es feitas por Nicole Aschoff, membra do conselho editorial da Jacobin, em um debate no Instituto Cato, em Washington, DC. O tema: \u201cO capitalismo ajuda ou prejudica as mulheres?&#8221;<\/p>\n<p>Sobre a autora<\/p>\n<p>Nicole faz parte do conselho editorial da Jacobin. Ela \u00e9 autora dos livros &#8220;The New Prophets of Capital e The Smartphone Society: Technology, Power&#8221; e &#8220;Resistance in the New Gilded Age&#8221;, prestes a ser publicado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26185\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180],"tags":[224],"class_list":["post-26185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Ol","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}