{"id":2621,"date":"2012-04-04T19:40:04","date_gmt":"2012-04-04T19:40:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2621"},"modified":"2012-04-04T19:40:04","modified_gmt":"2012-04-04T19:40:04","slug":"argentina-o-terror-mais-brutal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2621","title":{"rendered":"Argentina: o terror mais brutal"},"content":{"rendered":"\n<p>O golpe argentino \u2013 que hoje completa 36 anos \u2013 foi o mais brutal, assim como a ditadura que instalou, de todos os que viveram a regi\u00e3o. Fechou o cerco dos regimes de terror que assolou o Cone Sul do continente, em quatro dos pa\u00edses onde o campo popular era mais forte e amea\u00e7ava mais a domina\u00e7\u00e3o das elites tradicionais e do imperialismo sobre a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A Argentina tinha sofrido um golpe similar ao brasileiro, em 1966, que deveria realizar programa paralelo ao da ditadura brasileira. Mas a resist\u00eancia popular impediu e as elites argentinas tiveram que promover uma transi\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia, depois que o golpe fracassou.<\/p>\n<p>Veio a elei\u00e7\u00e3o de Per\u00f3n, em 1973, na contram\u00e3o do que acontecia na regi\u00e3o \u2013 do golpe de 1964 no Brasil, aos golpes desse mesmo ano no Uruguai e no Chile. O per\u00edodo hist\u00f3rico tinha mudado, Per\u00f3n ja n\u00e3o teria investimentos externos da Europa, o pais languidesceu at\u00e9 o novo golpe, o de 1976, desta vez mais selvagem que os anteriores \u2013 de 1955 e 1966.<\/p>\n<p>Videla e a alta oficialidade argentina receberam os balan\u00e7os que lhes mandavam os militares golpistas do Brasil e do Chile. O uso brutal da tortura (contribui\u00e7\u00e3o brasileira com o pau-de-arara como tecnologia inovadora), evitar o Estadio Nacional, como mandou dizer Pinochet, para contornar campanhas internacionais pela liberta\u00e7\u00e3o de presos. Tornar assim sistem\u00e1tico o fuzilamento e o desaparecimento dos corpos.<\/p>\n<p>Isso a ditadura argentina fez com esmero. \u00c0 maior for\u00e7a da luta popular, mais repress\u00e3o. 30 mil mortos e desaparecidos, massacres, fuzilamentos, torturas \u2013 foi a s\u00edntese mais avan\u00e7ada dos regimes de terror da regi\u00e3o. Com requintes de crimes de lesa humanidade, in\u00e9ditos: como o sequestro dos filhos dos presos e fuzilados pela ditadura, crian\u00e7as entregues a outras fam\u00edlias, via de regra de militares, para ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como a ditadura de 1966 tinha fracassado, a de 1976 enfrentou a recess\u00e3o mundial, levando a Argentina a um profundo retrocesso econ\u00f4mico, promovendo a hegem\u00f4nica do capital financeiro, pelas desregulamenta\u00e7\u00f5es que promoveu. Come\u00e7ou mais tarde que as outras, mas n\u00e3o sobreviveu al\u00e9m do fim dos seus cong\u00eaneres. Demorou menos no poder, mas assassinou muito mais \u2013 como atesta a lista de suas v\u00edtimas no Parque da Mem\u00f3ria, em que se concentram uma quantidade impressionante de mortes nos anos 1975, 76 e 77.<\/p>\n<p>A ditadura foi sucedida pela democratiza\u00e7\u00e3o nos anos 80, pela crise da d\u00edvida e pelo neoliberalismo. Mas a luta da M\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio e do povo argentino permitiu que a anistia promulgada pela ditadura fosse superada e os argentinos tem, pelo menos, o consolo de ver a Videla e a v\u00e1rios dos seus colegas cumprindo penas em pres\u00eddios comuns, via de regra de pris\u00e3o perp\u00e9tua.<\/p>\n<p>Nada que permita ressarcir todo os danos e sofrimentos impostos ao pa\u00eds e ao povo. Mas pelo menos a justi\u00e7a tem sido cumprida, para que nunca mais se esque\u00e7a, para que nunca mais aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>http:\/\/www.cartamaior.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: CM\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2621\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-2621","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c68-argentina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Gh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2621"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2621\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}