{"id":26323,"date":"2020-10-23T22:01:38","date_gmt":"2020-10-24T01:01:38","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26323"},"modified":"2020-10-23T22:01:38","modified_gmt":"2020-10-24T01:01:38","slug":"bolivia-democracia-recuperada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26323","title":{"rendered":"Bol\u00edvia: democracia recuperada?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistaopera.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/pera-12-696x464.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->(Foto: Casa de Am\u00e9rica)<\/p>\n<p>Vit\u00f3ria de Luis Arce na Bol\u00edvia \u00e9 avan\u00e7o, mas o golpe de 2019 e os interesses norte-americanos no pa\u00eds devem seguir no horizonte estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>Por Pedro Marin | Revista Opera<\/p>\n<p>Nas suas famosas notas sobre Maquiavel, Gramsci aconselha que a an\u00e1lise de situa\u00e7\u00f5es e as rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7as sejam feitas, \u201cse n\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es abstratas ou sustentadas no ar\u201d, em v\u00e1rios graus, \u201ca come\u00e7ar pelas rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7as internacionais\u201d. Para tratar da vit\u00f3ria extra-oficial do candidato do MAS na Bol\u00edvia, Lucho Arce, come\u00e7o portanto pelo mundo.<\/p>\n<p>Durante a pol\u00eamica \u00e9poca de \u201creforma e abertura\u201d, nos anos 80, a China manteve uma m\u00e9dia de crescimento econ\u00f4mico de 10% por tr\u00eas d\u00e9cadas. A partir dos anos 2000, o pa\u00eds come\u00e7ou a experimentar uma r\u00e1pida altera\u00e7\u00e3o na sua malha produtiva e mercado, diminuindo o peso da manufatura barata e de baixa qualidade (com sal\u00e1rios igualmente baixos) e expandindo o do setor de servi\u00e7os e tecnologia, com um complexo emaranhado de infraestrutura que conecta o setor privado e o estatal. Os m\u00e9todos foram e s\u00e3o objetos de col\u00e9ricas e importantes discuss\u00f5es, mas o fato \u00e9 que o PIB chin\u00eas cresceu vertiginosamente, tornando-se o segundo maior do mundo em 2010. A perigosa ascens\u00e3o de uma nova pot\u00eancia passou a figurar nas manchetes internacionais, a despeito do comportamento relativamente acanhado mantido por ela at\u00e9 a metade da primeira d\u00e9cada desse s\u00e9culo. E ent\u00e3o, ao final do governo Obama, j\u00e1 estava evidente que o gigante asi\u00e1tico n\u00e3o poderia ser ignorado, que a abertura dos anos 80 n\u00e3o bastaria para control\u00e1-lo pol\u00edtica e economicamente, e que o drag\u00e3o, no m\u00ednimo, buscava voar mais perto da \u00e1guia.<\/p>\n<p>Em 2012, o governo Obama fez seu piv\u00f4 para a \u00c1sia, estabelecendo como objetivo estrat\u00e9gico de sua pol\u00edtica externa aumentar seu poderio econ\u00f4mico, militar e pol\u00edtico nas portas da China. Mas uma boa parte da preocupa\u00e7\u00e3o com a ascens\u00e3o chinesa, para os Estados Unidos, deveria ser, antes de tudo, em seu hemisf\u00e9rio, na Am\u00e9rica do Sul, onde a presen\u00e7a chinesa \u2013 em especial no campo comercial \u2013 tamb\u00e9m crescia de forma impetuosa. Em tempos de ind\u00fastria 4.0, o governo Trump tirou da cartola uma \u201cDoutrina Monroe 2.0\u201d, isto \u00e9, uma pol\u00edtica que tem como premissa o entendimento do continente americano como uma zona vital e estrat\u00e9gica norte-americana, a ser \u201cprotegida\u201d com todas as ferramentas necess\u00e1rias e poss\u00edveis de qualquer influ\u00eancia estrangeira. Soma-se a isso a preocupa\u00e7\u00e3o natural dos Estados Unidos com a R\u00fassia, que apesar dos percal\u00e7os dos anos 90 e a despeito de n\u00e3o ter vivido um crescimento chin\u00eas, manteve-se uma pot\u00eancia militar e fortaleza geopol\u00edtica integrada, como uma pedra no sapato do projeto de poder norte-americano, tendo capacidade inclusive de alguma influ\u00eancia sobre a Europa, bra\u00e7o estrat\u00e9gico da pol\u00edtica dos EUA.<\/p>\n<p>Chegamos ent\u00e3o \u00e0 Bol\u00edvia, um pa\u00eds que em dez anos (2008-2018) expandiu suas importa\u00e7\u00f5es para a China em 254% e as exporta\u00e7\u00f5es em 236%, que chegou a incluir a \u201cdiplomacia espacial\u201d no rol de rela\u00e7\u00f5es com a China, com o sat\u00e9lite Tupac Katari, desenvolvido pela China Aerospace Science and Technology Corporation (CASTC) e lan\u00e7ado do centro de lan\u00e7amento de Xichang, na prov\u00edncia de Sichuan, em 2013. Em 2016, veio tamb\u00e9m o an\u00fancio de um empr\u00e9stimo de 7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por parte da China para desenvolvimento de infraestrutura energ\u00e9tica e de transporte na Bol\u00edvia. E em 2018, no marco dos 33 anos do estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre os dois pa\u00edses, o presidente chin\u00eas Xi Jinping declarou que as rela\u00e7\u00f5es \u201cestavam no seu ponto mais alto\u201d durante uma visita de Evo ao pa\u00eds, na qual se acordou uma parceria estrat\u00e9gica de quatro pontos, que inclu\u00eda uma pol\u00edtica de confian\u00e7a m\u00fatua e apoio aos interesses de cada na\u00e7\u00e3o; a expans\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o por meio da Iniciativa do Cintur\u00e3o e Rota, a coopera\u00e7\u00e3o cultural, educacional, esportiva, midi\u00e1tica e tur\u00edstica; e a coordena\u00e7\u00e3o multilateral dentro das Na\u00e7\u00f5es Unidas para quest\u00f5es de desenvolvimento sustent\u00e1vel e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Tamb\u00e9m com a R\u00fassia se ampliou a coopera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e militar, e chegou-se a assinar um projeto para a instala\u00e7\u00e3o de um reator nuclear na cidade de El Alto.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental notar que essas iniciativas n\u00e3o ocorreram num pa\u00eds qualquer. Como escrevi em outubro passado, a obra do marechal M\u00e1rio Travassos, Proje\u00e7\u00e3o Continental do Brasil, pode ser um ponto de partida interessante para compreender a import\u00e2ncia da Bol\u00edvia no continente; trata-se de uma massa de terra que divide todo o continente pela gigantesca Cordilheira dos Andes e onde se entrela\u00e7am as bacias do Prata e do Amazonas, com tr\u00eas faixas de relevo (altiplano na regi\u00e3o andina, a sudoeste, que cumpre uma fun\u00e7\u00e3o de \u201cmuralha\u201d; uma regi\u00e3o intermedi\u00e1ria em que se come\u00e7a a ver long;as plan\u00edcies mais ao leste e plan\u00edcies mais baixas a norte e nordeste). Trata-se al\u00e9m disso de um pa\u00eds que faz fronteira com outros cinco, com uma infraestrutura que os integra relativamente bem, e que cumpre o papel bastante relevante de exportador de g\u00e1s para a regi\u00e3o (especialmente para o Brasil e Argentina). Para o professor Lewis Tambs, \u201cquem controla Santa Cruz comanda Charcas. Quem controla Charcas comanda o Heartland [cora\u00e7\u00e3o da terra, em tradu\u00e7\u00e3o livre]. Quem controla o Heartland comanda a Am\u00e9rica do Sul\u201d; tal \u00e9 a import\u00e2ncia do pa\u00eds onde caiu Che Guevara.<\/p>\n<p>A primeira pergunta a se fazer, portanto, \u00e9 se algo mudou do ponto de vista geopol\u00edtico na Bol\u00edvia neste \u00faltimo ano;,se a amea\u00e7a da influ\u00eancia chinesa e russa deixou de existir; se o Comando Sul dos Estados Unidos deixou de considerar a presen\u00e7a dos pa\u00edses na Am\u00e9rica do Sul uma amea\u00e7a; se os Estados Unidos podem abrir m\u00e3o dessa por\u00e7\u00e3o chave do seu hemisf\u00e9rio no grande xadrez que se joga a n\u00edvel global. Neste caso, a resposta \u00e9 clara: n\u00e3o. A \u00fanica diferen\u00e7a relevante neste um ano, do ponto de vista das disputas internacionais, \u00e9 que os Estados Unidos est\u00e3o \u00e0s portas de uma elei\u00e7\u00e3o presidencial, o que pode motivar os movimentos mais variados (tanto uma postura intervencionista de \u00faltima hora, visando popularidade, quanto uma postura menos intervencionista por ora em fun\u00e7\u00e3o dos acontecimentos internos). O fato \u00e9 que a pol\u00edtica de \u201cprote\u00e7\u00e3o\u201d de seu espa\u00e7o vital de atores estrangeiros se mant\u00e9m, quer ven\u00e7a Trump ou Biden: ainda que com algumas diferen\u00e7as, com um enfoque quase obsessivo em quest\u00f5es judiciais e \u201ccombate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o\u201d, Biden tamb\u00e9m leva para seu programa a competi\u00e7\u00e3o com a China como um elemento estrat\u00e9gico fundamental, falando em um esfor\u00e7o para os Estados Unidos \u201cliderarem de novo\u201d, acabando com o \u201cv\u00e1cuo de lideran\u00e7a\u201d, e projetando uma pol\u00edtica externa voltada para os interesses da classe m\u00e9dia norte-americana, com cria\u00e7\u00e3o de empregos e redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o chinesa \u2013 o que tal postura significa em termos de controle sobre recursos naturais no continente \u00e9 evidente; uma tradi\u00e7\u00e3o que faz lembrar do gosto \u00e1cido de chumbo das bananas da United Fruit Company.<\/p>\n<p>Pois bem. As pesquisas de boca de urna das elei\u00e7\u00f5es bolivianas d\u00e3o vit\u00f3ria com ampla margem para Luis Alberto Arce Catacora, candidato do MAS \u00e0 presid\u00eancia. \u201cLucho\u201d Arce foi ministro da Economia e Finan\u00e7as de 2006 a 2017, sendo apontado como um ator chave no \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d de seus governos \u2013 o que pesou especialmente nestas elei\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que a Bol\u00edvia tem vivido uma queda dura de sua produ\u00e7\u00e3o durante a pandemia e um consequente aumento da pobreza. O resultado oficial deve ser divulgado nos pr\u00f3ximos dias, mas os an\u00fancios dos institutos de pesquisa bastaram para que a presidente de facto Jeanine \u00c1\u00f1ez, o ex-presidente e candidato Carlos Mesa e o secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, reconhecessem a vit\u00f3ria do candidato do MAS.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que, por um lado, o interregno de um ano da ditadura \u00c1\u00f1ez foi absolutamente destrutivo para sua popularidade, mas, de qualquer forma, \u00c1\u00f1ez nunca foi uma figura popular, e sua ascens\u00e3o ao poder s\u00f3 poderia ter ocorrido por meio de um golpe. A incapacidade de se criar uma \u201cfrente ampla\u201d de direita, que abarcasse Camacho e Mesa, tamb\u00e9m ficou clara; mas essa incapacidade tamb\u00e9m existia em novembro do ano passado, e isso n\u00e3o impediu que o golpe marchasse. Al\u00e9m disso \u00e9 not\u00e1vel a aptid\u00e3o que os movimentos sociais e sindicais ligados ao MAS tiveram em resistir durante esse ano, e merece destaque o papel que cumpriram h\u00e1 alguns meses, ao organizar mobiliza\u00e7\u00f5es por todo o pa\u00eds para garantir que as elei\u00e7\u00f5es fossem realizadas \u2013 se h\u00e1 uma \u201cvolta da democracia\u201d na Bol\u00edvia (e \u00e9 ing\u00eanuo afirm\u00e1-lo) ela se deve primeiramente \u00e0 capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o popular, n\u00e3o \u00e0 vota\u00e7\u00e3o de anteontem. Mas o que impressiona, parece paradoxal e motiva inquieta\u00e7\u00f5es com os resultados da Bol\u00edvia \u00e9 o fato de que aqueles que h\u00e1 um ano levaram adiante o golpe, com a falsa acusa\u00e7\u00e3o de fraude, tomem hoje uma postura t\u00e3o radicalmente oposta \u00e0 que mantiveram ativamente n\u00e3o s\u00f3 nos primeiros meses do golpe, mas durante todo o ano que seguiu.<\/p>\n<p>Fazer qualquer afirma\u00e7\u00e3o sobre um pa\u00eds que viveu um ano t\u00e3o vol\u00e1til e excepcional, com base em resultados eleitorais que sequer foram confirmados ainda, significa invariavelmente precipitar-se. Mesmo a janela de tempo at\u00e9 o an\u00fancio oficial dos resultados oferece certas oportunidades de a\u00e7\u00e3o, ainda que sua concretiza\u00e7\u00e3o pare\u00e7a cada vez mais improv\u00e1vel. O que j\u00e1 est\u00e1 desenhado s\u00e3o as linhas mestras do horizonte estrat\u00e9gico do conflito boliviano. Os interesses norte-americanos sobre o pa\u00eds, t\u00e3o bem representados pela OEA, seguem vigentes, e t\u00eam na \u00e9poca em que vivemos um peso especial. Em igual p\u00e9 est\u00e1 a disposi\u00e7\u00e3o de certos setores da direita boliviana em recorrer ao golpismo, \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 insubordina\u00e7\u00e3o e a discursos puramente racistas \u2013 o processo que desaguou no \u00faltimo domingo, afinal, foi marcado por todos esses elementos, e \u00e9 certo que n\u00e3o ser\u00e1 por princ\u00edpio que deixar\u00e3o de us\u00e1-los.<\/p>\n<p>O que j\u00e1 se sabe \u00e9 que MAS e Luis Arce anunciam uma \u201cnova etapa do movimento\u201d, \u201csem \u00f3dio, com muito di\u00e1logo e focada na reativa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u201d. Fala-se em \u201cescutar todos os setores\u201d e tra\u00e7ar um caminho de reencontro e confraterniza\u00e7\u00e3o, \u201cque n\u00e3o seja rancoroso\u201d. Se se trata do discurso t\u00edpico de um vencedor ou da prepara\u00e7\u00e3o para uma virada de princ\u00edpios, \u00e9 cedo para afirmar. O certo \u00e9 que mesmo que Arce queira \u201ctra\u00e7ar um caminho de reencontro\u201d, um pacto nacional, ter\u00e1 que lidar com as bases e objetivos do golpe de estado de 2019, n\u00e3o ignor\u00e1-los. Isso inclui a necessidade de reverter as medidas do governo \u00c1\u00f1ez e, principalmente, lidar com as For\u00e7as Armadas e com a Pol\u00edcia Nacional da Bol\u00edvia, punir os culpados (inclusive os civis, como Camacho e sua organiza\u00e7\u00e3o semifascista), levar adiante reformas dentro das tropas ou, ainda, recorrer a um modelo similar ao venezuelano de mil\u00edcias civis. N\u00e3o faz\u00ea-lo, com a inten\u00e7\u00e3o de apaziguamento, significar\u00e1 tornar-se ref\u00e9m dos golpistas, seguir sob a tutela da espada e legitim\u00e1-la. E faz\u00ea-lo tampouco ser\u00e1 f\u00e1cil. \u00c9 o tipo de a\u00e7\u00e3o capaz de gerar as primeiras ondas de rea\u00e7\u00e3o, de trazer de volta as revoltosas mar\u00e9s de novembro de 2019 para a aparente calmaria de 2020, o que possivelmente seja precisamente o c\u00e1lculo da direita boliviana. \u00c9 dizer: a batalha boliviana segue viva, e na ina\u00e7\u00e3o ou combate, na concilia\u00e7\u00e3o ou na contenda, os dados seguir\u00e3o sendo jogados. Com a segunda postura, ao menos, as massas populares ter\u00e3o sua rodada.<\/p>\n<p>Pedro Marin<br \/>\n24 anos, \u00e9 editor-chefe e fundador da Revista Opera. Foi correspondente na Venezuela pela mesma publica\u00e7\u00e3o, e articulista e correspondente internacional no Brasil pelo site Global Independent Analytics. \u00c9 autor de &#8220;Golpe \u00e9 Guerra &#8211; Teses para enterrar 2016&#8221; e co-autor de &#8220;Carta no Coturno &#8211; A volta do Partido Fardado no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26323\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[44],"tags":[233],"class_list":["post-26323","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c55-bolivia","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Qz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26323"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26323\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}