{"id":26329,"date":"2020-10-26T06:32:12","date_gmt":"2020-10-26T09:32:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26329"},"modified":"2020-10-30T21:36:53","modified_gmt":"2020-10-31T00:36:53","slug":"transformar-a-educacao-medica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26329","title":{"rendered":"Transformar a educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Artigo-horizontal.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Esse artigo \u00e9 parte da revista O Futuro \u2013 O Comunismo \u00e9 a Juventude do Mundo, n.1, que pode ser adquirida em formato digital pelo link<\/p>\n<p>https:\/\/sacola.pagseguro.uol.com.br\/f0d9ab26-36fd-40fc-9482-912121bd2802<\/p>\n<p>Lucas Uback1 e Daniel Felix Valsechi2<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, do ensino e da escola s\u00e3o debates recorrentes nos movimentos sociais contempor\u00e2neos. Enquanto forma particular de movimento social, todo movimento estudantil surge a partir da exist\u00eancia de estudantes e de sua organiza\u00e7\u00e3o coletiva por reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Considerando que grande parte das rela\u00e7\u00f5es sociais estabelecidas pelos estudantes ocorrem no contexto educacional, uma das especificidades do movimento estudantil consiste em pensar a educa\u00e7\u00e3o e suas m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es, incluindo o acesso \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de ensino e perman\u00eancia nelas, organiza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados curriculares, metodologias de ensino-aprendizagem, entre outras.<\/p>\n<p>Em cada movimento estudantil institucionalizado, as disputas entre os estudantes que o comp\u00f5e culmina na redefini\u00e7\u00e3o dessas reivindica\u00e7\u00f5es em seus espa\u00e7os deliberativos, expressando determinadas tend\u00eancias e prioridades da luta coletiva em cada per\u00edodo hist\u00f3rico. No que tange a organiza\u00e7\u00e3o coletiva dos estudantes de medicina em nosso pa\u00eds, a Dire\u00e7\u00e3o Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM) \u00e9 reconhecida juridicamente como a organiza\u00e7\u00e3o representativa dos estudantes de medicina no Brasil, capaz de articular em \u00e2mbito nacional o movimento estudantil de medicina. Para tanto, realiza diversos espa\u00e7os deliberativos regionais e nacionais, dentre eles o Encontro Cient\u00edfico dos Estudantes de Medicina (ECEM), evento deliberativo anual em que todo estudante regularmente matriculado no curso de medicina tem direito a voz e voto. \u00c9 justamente a partir dos posicionamentos constru\u00eddos no ECEM que a Executiva direciona sua linha de atua\u00e7\u00e3o, deliberando estrat\u00e9gias e a\u00e7\u00f5es a serem executadas at\u00e9 o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do tema do 48\u00ba ECEM, ocorrido em 2018 na cidade de Campinas (SP), a DENEM recebeu em suas redes sociais uma s\u00e9rie de coment\u00e1rios e os rebateu na cartilha de posicionamentos aprovados na plen\u00e1ria final desse evento, que se inicia respondendo \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o: a DENEM fala sobre medicina?<\/p>\n<p>A nossa forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica poucas vezes abre espa\u00e7o para pensarmos criticamente sobre ela mesma. Desde que entramos na Faculdade de Medicina (com letras mai\u00fasculas, mesmo), o curr\u00edculo \u00e9 tido como algo dado: \u00e9 assim porque \u00e9 assim. Por isso, \u00e9 importante apontar: o curr\u00edculo \u00e9 um projeto. As disciplinas, a forma de estudar, a organiza\u00e7\u00e3o da grade, a divis\u00e3o da carga hor\u00e1ria\u2026 tudo isso faz parte de um projeto. Escolher \u201co que\u201d e \u201ccomo\u201d estudamos \u00e9 escolher o que \u00e9 a medicina para nossa gera\u00e7\u00e3o. (DENEM, 2018, p. 5, grifos do original)<\/p>\n<p>Apesar dessa cartilha apresentar diversos posicionamentos que indicam a necessidade urgente de transformar a forma\u00e7\u00e3o e o curr\u00edculo nas escolas m\u00e9dicas brasileiras, bem como entender que \u201ca reformula\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo m\u00e9dico e modelos de ensino deve ocorrer junto a movimentos sociais e ampla participa\u00e7\u00e3o discente\u201d (ibidem, p. 35), n\u00e3o h\u00e1 um posicionamento expl\u00edcito sobre qual perspectiva melhor orienta essa transforma\u00e7\u00e3o. Tomando como ponto de partida um breve panorama hist\u00f3rico das lutas do movimento estudantil de medicina pela transforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica no Brasil, o objetivo deste trabalho \u00e9 explorar determinados posicionamentos do 42\u00ba ao 49\u00ba ECEM sobre educa\u00e7\u00e3o, descrevendo as contradi\u00e7\u00f5es encontradas e apontando que \u00e9 necess\u00e1rio a DENEM adotar uma perspectiva pedag\u00f3gica que oriente corretamente seus objetivos pol\u00edticos na sociedade de classes.<\/p>\n<p>Breve panorama hist\u00f3rico da luta pela transforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica no movimento estudantil de Medicina<\/p>\n<p>As primeiras escolas m\u00e9dicas no Brasil foram criadas com a chegada da Fam\u00edlia Real em 1808 e, ao longo do Per\u00edodo Imperial (1822-1889), os estudantes desenvolveram atividades pol\u00edticas e culturais, organizando-se em modalidades diversas. Na d\u00e9cada de 1930, a organiza\u00e7\u00e3o estudantil universit\u00e1ria passa a ser incorporada em torno de entidades institucionais representativas e hierarquicamente dispostas, inseridas no \u00e2mbito da universidade e chanceladas pelo pr\u00f3prio Estado, \u201cmudan\u00e7a que \u2018dispensa\u2019 a presen\u00e7a de in\u00fameras federa\u00e7\u00f5es, ligas, agremia\u00e7\u00f5es, clubes e grupos diversos para compor uma organiza\u00e7\u00e3o centralizada de cunho representativo e esp\u00edrito corporativo\u201d (PELLICCIOTTA, 1997, p. 11). Surgem, ent\u00e3o, os Diret\u00f3rios Acad\u00eamicos, Diret\u00f3rios Centrais, Uni\u00f5es Estaduais e a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE).<\/p>\n<p>Articulado em torno da UNE, o movimento estudantil travou lutas importantes no \u00e2mbito pol\u00edtico nacional, particularmente na defesa da \u201cuniversidade p\u00fablica, gratuita e de qualidade\u201d. Ao longo da d\u00e9cada de 1960, o movimento estudantil denunciou as interfer\u00eancias dos Estados Unidos da Am\u00e9rica na educa\u00e7\u00e3o brasileira, viabilizadas pelos acordos MEC-Usaid (ag\u00eancia estadunidense criada em 1961 para promover o \u201cDesenvolvimento Internacional\u201d) (MONTA\u00d1O; DURIGUETTO, 2011, p. 288).<\/p>\n<p>Sob a \u00e9gide da autocracia burguesa manifesta na ditadura civil-empresarial-militar (1964-1985), a UNE foi duramente reprimida, conforme ilustram \u201cepis\u00f3dios como o assassinato do estudante secundarista \u00c9dson Luis e a invas\u00e3o do Congresso da UNE em Ibi\u00fana (SP), com a pris\u00e3o de cerca de mil estudantes\u201d \u00e0s v\u00e9speras do Ato Institucional n\u00ba 5 (AI-5) (UNE, 2011). Diante disso, os Encontros de \u00c1rea e as Executivas de curso se fortaleceram como espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o dos estudantes em torno de suas especificidades, potencializando a articula\u00e7\u00e3o de formas de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s contrarreformas educacionais operadas nesse per\u00edodo (BALLAROTTI, 2010, p. 38).<\/p>\n<p>O primeiro ECEM ocorreu na cidade de Salvador (BA) em 1969 com o prop\u00f3sito de \u201caumentar o congra\u00e7amento entre estudantes de outras escolas, assim como discutir os problemas comuns \u00e0 classe estudantil e promover o aperfei\u00e7oamento dos \u00f3rg\u00e3os e entidades de representa\u00e7\u00e3o\u201d (ECEM, 1977 apud BALLAROTTI, 2010, p. 17); todavia, o car\u00e1ter pol\u00edtico desse evento se evidencia a partir de 1976. Foi durante o 17\u00ba ECEM, ocorrido em 1986 na cidade de Fortaleza (CE), que se aprovou a cria\u00e7\u00e3o da DENEM a partir da necessidade de os estudantes de medicina organizarem suas pautas e demandas em torno de uma entidade representativa.<\/p>\n<p>Pensar sobre a educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e elaborar posicionamentos diante da realidade hist\u00f3rica de cada per\u00edodo sempre foram atribui\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis da DENEM. Nesse sentido, destaca-se sua atua\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o Interinstitucional Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o do Ensino M\u00e9dico (CINAEM), criada em 1991 a partir de uma proposta articulada \u00e0s demandas da DENEM, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica (ABEM) e de entidades m\u00e9dicas. A CINAEM \u201cpropunha a avalia\u00e7\u00e3o das escolas m\u00e9dicas e a cria\u00e7\u00e3o de um novo modelo de curr\u00edculo socialmente referenciado, de forma a contemplar o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)\u201d (MORELLI, 2013, p. 4) e resultou na cria\u00e7\u00e3o em 2001 das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de gradua\u00e7\u00e3o em Medicina (DCNs). Entretanto, \u201cpouco se avan\u00e7ou no sentido da constru\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo voltado para atender as necessidades do SUS e do povo brasileiro\u201d, culminando no seguinte balan\u00e7o:<\/p>\n<p>O movimento da CINAEM demonstrou que a busca dessa transforma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da via institucional n\u00e3o resultou em uma altera\u00e7\u00e3o significativa na forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, sendo [que] a mobiliza\u00e7\u00e3o da base dos estudantes, junto com outros movimentos sociais, \u00e9 muito mais importante para que essas mudan\u00e7as aconte\u00e7am. [ibidem, p. 5]<\/p>\n<p>An\u00e1lise dos posicionamentos aprovados nos ECEMs<\/p>\n<p>Pontuaremos criticamente alguns dos posicionamentos aprovados nos ECEMs realizados entre 2012 a 2019, destacando: curr\u00edculo escolar e conte\u00fados, forma\u00e7\u00e3o docente continuada, concep\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica e rela\u00e7\u00e3o com a ABEM. Trata-se de um estudo bibliogr\u00e1fico a partir das cartilhas com os posicionamentos aprovados nesses eventos, n\u00e3o de um trabalho filol\u00f3gico sobre os posicionamentos da Executiva e tampouco de um estudo que pretende abarcar a complexidade da luta estudantil concreta, muitas vezes n\u00e3o documentada.<\/p>\n<p>Curr\u00edculo escolar e os conte\u00fados<\/p>\n<p>A DENEM se posicionou inicialmente de forma cr\u00edtica \u00e0s DCNs de 2014, repudiando a \u201cinflu\u00eancia de interesses mercadol\u00f3gicos no [seu] processo de elabora\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o\u201d (2014b, p. 28), capaz de respaldar as \u201cformas privatizantes do Sistema de Sa\u00fade como Organiza\u00e7\u00f5es Sociais (OSs) e Empresa Brasileira de Servi\u00e7os Hospitalares (EBSERH)\u201d (p. 30). A partir do 45\u00ba ECEM, passa a valorizar acriticamente a \u201caten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade no internato m\u00e9dico, conforme preconizado pelas DCNs de 2014\u201d (idem, 2015, p. 25; 2017, p. 51) e defender um curr\u00edculo escolar pautado em compet\u00eancias e habilidades, conforme as atuais DCNs preconizam. Ainda assim, a DENEM reiteradamente vem se posicionando \u201ccontra a influ\u00eancia da iniciativa privada nos curr\u00edculos da \u00e1rea de sa\u00fade\u201d (2014a, p. 21; 2017, p. 45) e nas reformas curriculares de curso (2018, p. 33), repudiando os \u201ccurr\u00edculos que reafirmem o corporativismo e a especializa\u00e7\u00e3o precoce\u201d (2015, p. 25).<\/p>\n<p>A principal orienta\u00e7\u00e3o educacional e de sa\u00fade utilizada pela DENEM \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o social do processo sa\u00fade-doen\u00e7a (DSPSD), definindo-a recentemente como \u201cuma concep\u00e7\u00e3o que compreende as particularidades dos diferentes grupos marginalizados, como mulheres, povo negro, povos ind\u00edgenas e quilombolas, LGBTQI+ e outras popula\u00e7\u00f5es negligenciadas como fruto do modo de produ\u00e7\u00e3o e processo hist\u00f3rico\u201d (2018, p. 14). Defende a DSPSD \u201ccomo modelo de sa\u00fade a ser seguido nas gradua\u00e7\u00f5es em medicina\u201d (idem, 2016, p. 57), ao longo de toda a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica (idem, 2017, p. 48) e no internato (idem, 2015, p. 25), como caminho para que o estudante se identifique (idem, 2014b, p. 25) e se reconhe\u00e7a (idem, 2016, p. 13) como classe trabalhadora. Ainda que a DENEM compreenda historicamente em seus posicionamentos que a DSPSD consiste no \u201cm\u00e9todo que demonstra como o adoecimento est\u00e1 ligado principalmente \u00e0s desigualdades proporcionadas pelo capitalismo\u201d (2018, p. 28), a inser\u00e7\u00e3o da DSPSD nas tend\u00eancias pedag\u00f3gicas atuais da educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica modifica essencialmente seu prop\u00f3sito de apreender radicalmente o processo sa\u00fade-doen\u00e7a, pois n\u00e3o interessa a essas tend\u00eancias que as rela\u00e7\u00f5es sociais sejam compreendidas em sua totalidade.<\/p>\n<p>Ao ser inserida nessas tend\u00eancias pedag\u00f3gicas, a DSPSD esvazia-se de seu pr\u00f3prio fundamento, o materialismo hist\u00f3rico-dial\u00e9tico, e o processo sa\u00fade-doen\u00e7a \u00e9 entendido pelos professores e transmitido aos estudantes de maneira positivista a partir do modelo dos determinantes de sa\u00fade. Nesse modelo, as \u201ccondi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e doen\u00e7a dos indiv\u00edduos e dos grupos populacionais s\u00e3o analisadas em uma perspectiva positivista, fragmentadas, n\u00e3o conexas, sem uma base unificadora que as organize racionalmente e explique sua ocorr\u00eancia\u201d (ALBUQUERQUE; SILVA, 2014, p. 958). N\u00e3o h\u00e1 como apreender dialeticamente a DSPSD ao aplic\u00e1-la em uma concep\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica centrada na l\u00f3gica formal, portanto as tentativas de faz\u00ea-lo carregam consigo a intencionalidade de rebaix\u00e1-la ao \u201colhar social\u201d para a din\u00e2mica sa\u00fade-doen\u00e7a, ou antes, transform\u00e1-la em mais uma habilidade ou compet\u00eancia a ser adquirida pelo estudante.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma defesa marcante entre 2015 e 2017 de componentes do curr\u00edculo baseado em compet\u00eancias, em conformidade \u00e0s DCNs de 2014, at\u00e9 ent\u00e3o criticadas pela Executiva. Alinhada a \u201cpedagogia das compet\u00eancias\u201d nesse momento, a DENEM defende que as avalia\u00e7\u00f5es nos cursos de Medicina abordem \u201chabilidades e atitudes, e n\u00e3o s\u00f3 conte\u00fados\u201d (2015, p. 20), contemplando \u201cos campos do saber, do saber fazer, do demonstrar e do fazer, tendo em vista as necessidades de aprendizagem de conte\u00fado, habilidades e atitudes dos estudantes de cada institui\u00e7\u00e3o\u201d (2015, p. 21; 2017, p. 18).<\/p>\n<p>Notadamente a partir do 45\u00ba ECEM, cresce a influ\u00eancia do neoconstrutivismo nas disposi\u00e7\u00f5es da Executiva sobre o curr\u00edculo das escolas m\u00e9dicas brasileiras. Os posicionamentos traduzem a forma p\u00f3s-moderna de conceber a realidade objetiva no campo educacional, pois ao mesmo tempo em que se defende a utiliza\u00e7\u00e3o de \u201cmetodologias ativas de modo a fazer do estudante protagonista do processo ensino-aprendizagem\u201d, tamb\u00e9m se persegue um \u201ccurr\u00edculo m\u00e9dico cr\u00edtico, reflexivo e socialmente referenciado\u201d e que n\u00e3o retire \u201cde docentes e t\u00e9cnicos a responsabilidade pelo ensino\u201d (idem, 2015, p. 22). Questiona-se o que se entende por cr\u00edtico e por socialmente referenciado nessas proposi\u00e7\u00f5es, uma vez que o construtivismo \u00e9 sintonizado aos interesses da classe dominante.<\/p>\n<p>Os posicionamentos imersos nessa concep\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica incluem como parte de um novo curr\u00edculo \u201ca contempla\u00e7\u00e3o das necessidades de sa\u00fade de grupos historicamente marginalizados\u201d, com o objetivo de instrumentalizar o profissional de sa\u00fade para atend\u00ea-los de modo integral (ibidem, p. 23). A DENEM enfatizou a necessidade de reconhecer as demandas em sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es marginalizadas e oprimidas (2016, p. 16), propondo a inser\u00e7\u00e3o de conte\u00fados curriculares que v\u00e3o desde o ensino de libras (2018, p. 36) at\u00e9 o internato rural (2017, p. 43). Todavia, a mera inser\u00e7\u00e3o desses conte\u00fados em uma matriz curricular construtivista vai na dire\u00e7\u00e3o do assistencialismo acr\u00edtico na pr\u00e1tica m\u00e9dica e negligencia a supera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que determinam concretamente a marginaliza\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es. Isso porque, da maneira como vem sendo introduzidos em diversas escolas m\u00e9dicas, esses conte\u00fados servem apenas como adornos curriculares.<\/p>\n<p>A luta interessada em construir um ensino m\u00e9dico que instrumentalize os estudantes para resolver essas demandas imediatas, desarticulado dos conhecimentos objetivos capazes de promover o salto qualitativo da individualidade em si para a individualidade para si dos estudantes de medicina, distancia-se do objetivo pol\u00edtico de construir uma \u201cuniversidade reflexiva, que combata a reprodu\u00e7\u00e3o acr\u00edtica de a\u00e7\u00f5es e valores racistas, machistas, LGBTf\u00f3bicos ou de qualquer outro cunho discriminat\u00f3rio\u201d (idem, 2017, p. 80). Para a pedagogia hist\u00f3rico-cr\u00edtica, a transmiss\u00e3o de instrumentos que possibilitem o acesso \u00e0s \u201cobjetiva\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas para si\u201d produzidas historicamente pela humanidade \u2013 ci\u00eancias, arte e filosofia \u2013 constitui a centralidade da educa\u00e7\u00e3o escolar, mas por si s\u00f3 n\u00e3o garante a eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia dos estudantes, uma vez que esse processo \u00e9 tendencial.<\/p>\n<p>Conforme apontado por Duarte (2013, p. 146), a mudan\u00e7a das \u201ccategorias de em si e para si s\u00e3o tendenciais porque n\u00e3o expressam estados puros, mas tend\u00eancias\u201d. Essa mudan\u00e7a se torna ainda mais custosa quando o estudante est\u00e1 inserido em uma estrutura pedag\u00f3gica neoconstrutivista\u00b3, que despreza ou secundariza a fun\u00e7\u00e3o escolar de transmitir os conte\u00fados cient\u00edficos, art\u00edsticos e filos\u00f3ficos. Portanto, ainda que a Executiva j\u00e1 tenha se posicionado a favor da inser\u00e7\u00e3o de outros conte\u00fados al\u00e9m dos m\u00e9dico-cient\u00edficos, o que inclui \u201cconte\u00fados das \u00e1reas de Sociologia, Filosofia e Antropologia\u201d (DENEM, 2014a, p. 9), o objetivo pol\u00edtico de que apenas com essa revis\u00e3o curricular o estudante seja capaz de compreender \u201ca sociedade em que est\u00e1 inserido, seu modo de organiza\u00e7\u00e3o, a origem das contradi\u00e7\u00f5es sociais, entendendo-se como classe trabalhadora\u201d (idem, 2017, p. 49) revela-se idealista porque ineficaz quando desacompanhado de uma proposta de supera\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias pedag\u00f3gicas na educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Forma\u00e7\u00e3o docente continuada<\/p>\n<p>O corpo docente, segundo o ju\u00edzo da Executiva, deveria estar em processo cont\u00ednuo de forma\u00e7\u00e3o (idem, 2017, p. 34; 2019, p. 11). Isso por si s\u00f3 n\u00e3o garante que os professores e preceptores adotar\u00e3o uma postura cr\u00edtico-reflexiva sobre a realidade, afinal o projeto de \u201caprendizagem continuada\u201d ou ainda de \u201ceduca\u00e7\u00e3o ao longo da vida\u201d foi uma iniciativa da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) lan\u00e7ada na d\u00e9cada de 1970 (PRONKO, 2015, p. 95) e que traduz uma necessidade do capital de formar sujeitos criativos e resilientes, portanto, adapt\u00e1veis e readapt\u00e1veis ao processo produtivo vigente. Essa no\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o permanente \u00e9 expandida pelas pedagogias do \u201caprender a aprender\u201d, que norteiam a forma\u00e7\u00e3o docente e m\u00e9dica na atualidade.<\/p>\n<p>Em vez de criticado, esse processo \u00e9 aprofundado pela DENEM ao defender a necessidade de instrumentalizar docentes com \u201cmetodologias pedag\u00f3gicas e recursos atuais que melhor contemplem as diferentes etapas na forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e diferentes necessidades dos estudantes\u201d (2017, p. 50, grifos nossos). Denota-se nessa passagem alguns dos conceitos-chave da concep\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica construtivista: inova\u00e7\u00e3o, etapismo e adapta\u00e7\u00e3o. A concep\u00e7\u00e3o educacional p\u00f3s-moderna de criatividade, caracterizada por Duarte (2001, p. 38) como \u201ccapacidade de encontrar novas formas de a\u00e7\u00e3o que permitam melhor adapta\u00e7\u00e3o aos ditames da sociedade capitalista\u201d, auxilia-nos a compreender os objetivos intr\u00ednsecos \u00e0 l\u00f3gica dominante na forma\u00e7\u00e3o dos docentes nas escolas m\u00e9dicas e dos trabalhadores m\u00e9dicos no Brasil.<\/p>\n<p>Concep\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica<\/p>\n<p>De forma geral, a DENEM vem defendendo uma educa\u00e7\u00e3o \u201claica, suprapartid\u00e1ria e plural\u201d (2014b, p. 39), al\u00e9m de \u201ccr\u00edtica, voltada \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o, e que se coloque ao lado do povo, visando atender \u00e0s demandas sociais e suas particularidades\u201d (2016, p. 54; 2017, p. 46). A educa\u00e7\u00e3o serve, portanto, como \u201cforma de enfrentamento a todas as formas de opress\u00e3o (desigualdades regionais, de g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual e raciais)\u201d (idem, 2014b, p. 24) e deve seguir uma dire\u00e7\u00e3o \u201clibertadora que combata o modelo de sociedade patriarcal, racista e que desconsidera a diversidade sexual e identidade de g\u00eanero\u201d (idem, 2017, p. 44). Mais recentemente, posiciona-se \u201ccontr\u00e1ria a qualquer sistema educacional que tenha como objetivo responder as demandas do capital, n\u00e3o corroborando para a emancipa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos\u201d (ibidem, p. 43) e contra o ensino a dist\u00e2ncia, a menos que utilizado de forma complementar ao ensino presencial (ibidem, 2014a, p. 13; 2014b, p. 23; 2017, p. 40).<\/p>\n<p>Essa compreens\u00e3o ainda sincr\u00e9tica da Executiva sobre a educa\u00e7\u00e3o resulta em posicionamentos contradit\u00f3rios e gen\u00e9ricos: se, por um lado, a DENEM reafirma a insufici\u00eancia das concep\u00e7\u00f5es educacionais vigentes em se articular com a pr\u00e1tica social; por outro, parece se distanciar da compreens\u00e3o hist\u00f3rico-cr\u00edtica do trabalho educativo como o \u201cato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indiv\u00edduo singular, a humanidade que \u00e9 produzida hist\u00f3rica e coletivamente, pelo conjunto dos homens\u201d (SAVIANI, 2013, p. 17), processo de media\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para inserir os estudantes de forma cr\u00edtica e intencional na sociedade.<\/p>\n<p>Mais notadamente a partir do 45\u00ba ECEM, a DENEM se posicionou contr\u00e1ria \u00e0s \u201cmetodologias de ensino verticalizadas, que alienam o estudante da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e consequentemente da sua forma\u00e7\u00e3o\u201d (2015, p. 23; 2017, p. 50) e \u00e0s \u201cpr\u00e1ticas antipedag\u00f3gicas dos m\u00e9todos tradicionais de ensino, que pretendem tornar as alunas e os alunos agentes passivos no processo de ensino e aprendizagem e que valorizam a memoriza\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e autom\u00e1tica dos conte\u00fados, em detrimento da criticidade, criatividade e autonomia dos estudantes\u201d (2017, p. 34-35). A Executiva tamb\u00e9m defendeu rela\u00e7\u00f5es institucionais horizontais, que possibilitem protagonismo estudantil em decis\u00f5es educacionais no \u201ccontexto de curr\u00edculos inovadores\u201d (idem, 2016, p. 50) e que o professor \u201cn\u00e3o seja um mero reprodutor de conte\u00fado, mas que estimule o debate cr\u00edtico e reflexivo, com participa\u00e7\u00e3o ativa dos estudantes\u201d (idem, 2017, p. 44). Em suma: concebe a \u201cpedagogia da ess\u00eancia\u201d como portadora de todos os v\u00edcios e a \u201cpedagogia da exist\u00eancia\u201d, de quase todas as virtudes.<\/p>\n<p>O apoio expl\u00edcito \u00e0s metodologias ativas de ensino marca o 45\u00ba e 46\u00ba ECEM. Compreendendo o per\u00edodo como \u201cum cen\u00e1rio em que novas medidas pedag\u00f3gicas s\u00e3o pensadas\u201d, a DENEM constata \u201ca necessidade da implementa\u00e7\u00e3o de metodologias de ensino centradas no estudante\u201d (2016, p. 50), \u201cvisando uma educa\u00e7\u00e3o emancipadora, de qualidade e que compreenda que pessoas diferentes possuem processos de aprendizado diferentes\u201d (ibidem, p. 54). Nesse sentido, assinala-se que as metodologias ativas s\u00e3o necess\u00e1rias e importantes nas reformas curriculares, \u201cembora insuficientes, para a transforma\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, dada a estrutura hegem\u00f4nica da educa\u00e7\u00e3o e trabalho m\u00e9dicos\u201d (ibidem, p. 57).<\/p>\n<p>H\u00e1 uma suposta contradi\u00e7\u00e3o nos posicionamentos aprovados nesses eventos, momento hist\u00f3rico em que h\u00e1 grande influ\u00eancia do pensamento p\u00f3s-moderno na constru\u00e7\u00e3o da DENEM: a defesa aberta das metodologias ativas ocorre ao mesmo tempo em que se persegue a necessidade de \u201cabordagens pedag\u00f3gicas qualificadas para fomentar a educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica cr\u00edtica\u201d (ibidem, p. 64, grifo nosso). A no\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica adotada n\u00e3o expressa um projeto pedag\u00f3gico de supera\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista ou de eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia dos estudantes por meio do ensino, mas sim de uma educa\u00e7\u00e3o que objetive uma transgress\u00e3o resignada, mantendo intoc\u00e1vel a estrutura de explora\u00e7\u00e3o no capitalismo.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, de forma gen\u00e9rica e pouco elaborada, a Executiva esbo\u00e7ou a necessidade de adotar uma perspectiva te\u00f3rico-pedag\u00f3gica alinhada aos seus objetivos pol\u00edticos. Entretanto, n\u00e3o reconhece e n\u00e3o critica o neoconstrutivismo enquanto concep\u00e7\u00e3o liberal de mundo aplicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, reflexo dos interesses dominantes.<\/p>\n<p>Rela\u00e7\u00e3o com a ABEM<\/p>\n<p>Houve posicionamentos cr\u00edticos da DENEM diante de a\u00e7\u00f5es da ABEM entre 2012 e 2014, destacadamente sobre a desresponsabiliza\u00e7\u00e3o desta em viabilizar que estudantes de medicina participassem do 51\u00ba Congresso Brasileiro de Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica (COBEM) (2014a, p. 22) e sobre sua \u201comiss\u00e3o pol\u00edtica e de atua\u00e7\u00e3o\u201d diante do processo de constru\u00e7\u00e3o das DCNs de 2014 (2014b, p. 29). Apesar dessas cr\u00edticas pontuais, a DENEM j\u00e1 considerava que a participa\u00e7\u00e3o estudantil nessa associa\u00e7\u00e3o e em seus eventos era \u201cestrat\u00e9gico para a articula\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o do movimento estudantil de medicina\u201d (2014a, p. 22).<\/p>\n<p>A partir de 2015, as cr\u00edticas \u00e0 ABEM de cunho institucional arrefecem e ganha for\u00e7a o apelo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos integrantes da DENEM nos \u201cespa\u00e7os burocr\u00e1ticos-administrativos\u201d (idem, 2017, p. 41). Nesse sentido, a DENEM vem buscando ampliar a \u201carticula\u00e7\u00e3o entre docentes e discentes, em conjunto com a ABEM\u201d (2019, p. 11), t\u00e1tica leg\u00edtima no momento hist\u00f3rico em que organiza\u00e7\u00f5es estudantis de direita tamb\u00e9m buscam ocupar essa associa\u00e7\u00e3o; mas, parece ignorar a cr\u00edtica \u00e0 principal concep\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica difundida direta ou indiretamente por essa associa\u00e7\u00e3o, que influencia desde as mudan\u00e7as curriculares nas escolas m\u00e9dicas at\u00e9 as pr\u00e1ticas docentes.<\/p>\n<p>Os posicionamentos dessa associa\u00e7\u00e3o v\u00eam sendo norteados explicitamente pelo neoconstrutivismo e utilizados como delineamento nas recomenda\u00e7\u00f5es para as escolas m\u00e9dicas no contexto da pandemia da COVID-19, com \u201cgarantia institucional de oferta de capacita\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de professores para atua\u00e7\u00e3o em ambientes virtuais de aprendizagem e utiliza\u00e7\u00e3o de metodologias ativas adequadas\u201d (ABEM, 2020b, p. 4). Em r\u00e1pida an\u00e1lise do tem\u00e1rio dos \u00faltimos COBEMs (idem, 2020a?), destacamos n\u00e3o apenas o l\u00e9xico p\u00f3s-moderno, mas antes o conte\u00fado imanente em alguns eixos, subeixos e cursos: \u201cCurr\u00edculo embasado em compet\u00eancias\u201d (57\u00ba), \u201cCompet\u00eancias para a doc\u00eancia e preceptoria\u201d (56\u00ba), \u201c[\u2026] educa\u00e7\u00e3o na p\u00f3s-modernidade e metodologias de ensino\u201d (55\u00ba), \u201cAvalia\u00e7\u00e3o de aprendizagem em curr\u00edculos com metodologias ativas\u201d (54\u00ba) e \u201cMetodologias ativas de ensino-aprendizagem\u201d (53\u00ba).<\/p>\n<p>A DENEM, diante do exposto, n\u00e3o pode apenas esperar \u201cque a ABEM assuma seu papel no debate sobre a educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica\u201d (2014b, p. 29), uma vez que esta entidade j\u00e1 assumiu papel de destaque na defesa e difus\u00e3o das pedagogias do \u201caprender a aprender\u201d na forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica brasileira. Cabe \u00e0 DENEM critic\u00e1-las enfaticamente e desvelar que a chamada \u201ceduca\u00e7\u00e3o m\u00e9dica transformadora\u201d propagandeada pela ABEM integra o projeto pol\u00edtico da classe dominante na manuten\u00e7\u00e3o da sociedade do capital.<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e luta de classes<\/p>\n<p>Diante do exposto, \u00e9 poss\u00edvel notar que o neoconstrutivismo vem norteando nos \u00faltimos anos a elabora\u00e7\u00e3o de propostas e diretrizes educacionais para as escolas m\u00e9dicas brasileiras. O lema \u201caprender a aprender\u201d proclama o objetivo central da educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica baseada em problemas: capacitar o estudante para buscar conhecimentos por si mesmo, secundarizando a fun\u00e7\u00e3o do professor ao instituir \u201cuma hierarquia valorativa na qual aprender sozinho situa-se num n\u00edvel mais elevado do que a aprendizagem resultante da transmiss\u00e3o de conhecimentos por algu\u00e9m\u201d (DUARTE, 2001, p. 36). Verifica-se, ainda, o desapre\u00e7o aos conte\u00fados curriculares, ou antes, \u00e0s objetiva\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas; subordinando a teoria \u00e0 pr\u00e1tica e propondo-se a desenvolver no estudante \u201chabilidades e compet\u00eancias\u201d e tantos outros recursos cognitivos quanto exigidos pelo capital para forma\u00e7\u00e3o de um trabalhador d\u00f3cil, resolutivo e eficiente.<\/p>\n<p>Articulada a partir de 1979, a pedagogia hist\u00f3rico-cr\u00edtica surge no Brasil enquanto uma proposta educacional contra-hegem\u00f4nica cuja metodologia posiciona a pr\u00e1tica social como ponto de partida e ponto de chegada da pr\u00e1tica educativa. Tribut\u00e1ria da concep\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica, especificamente do materialismo hist\u00f3rico, consiste em uma teoria pedag\u00f3gica de inspira\u00e7\u00e3o marxista que tem fortes afinidades com a psicologia hist\u00f3rico-cultural desenvolvida pela Escola de Vig\u00f3tski. Ao entender a educa\u00e7\u00e3o como media\u00e7\u00e3o no seio da pr\u00e1tica global, \u201cprocura articular um tipo de orienta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica que seja cr\u00edtica sem ser reprodutivista\u201d (SAVIANI, 2013, p. 57); o que significa entender que a escola por si s\u00f3 n\u00e3o revolucionar\u00e1 a sociedade, mas a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 obra da classe trabalhadora conscientemente organizada, cabendo \u00e0 pr\u00e1tica pedag\u00f3gica incidir no processo de salto da consci\u00eancia a partir dos conhecimentos objetivos que possibilitem apreender a realidade no sentido da essencialidade concreta.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o entre teoria e pr\u00e1tica presente nas duas tend\u00eancias atuais na educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, o ensino m\u00e9dico tradicional e o ensino m\u00e9dico baseado em problemas, origina-se da l\u00f3gica formal que estrutura a formula\u00e7\u00e3o central das duas tend\u00eancias pedag\u00f3gicas contempor\u00e2neas, a pedagogia tradicional (prioridade da teoria sobre a pr\u00e1tica) e a pedagogia nova (subordina\u00e7\u00e3o da teoria \u00e0 pr\u00e1tica). Al\u00e9m da fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica n\u00e3o dial\u00e9tica, essas tend\u00eancias dominantes na educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica brasileira se colocam como supostamente neutras, buscando ignorar ou atenuar a luta de classes. Tendo em vista que a neutralidade \u00e9 imposs\u00edvel na sociedade dividida em classes antag\u00f4nicas,<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o comprometida com a possibilidade de os trabalhadores tornarem-se dirigentes deve, ent\u00e3o, proporcionar a compreens\u00e3o da realidade social e natural, com o fim de domin\u00e1-la e transform\u00e1-la. Assim, todos os indiv\u00edduos devem ter acesso a esses conhecimentos, como meio de compreens\u00e3o da realidade o mais objetivamente poss\u00edvel em cada momento hist\u00f3rico. A no\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias tem seus fundamentos filos\u00f3ficos e \u00e9tico-pol\u00edticos radicalmente opostos a essa perspectiva. Portanto, para ser poss\u00edvel uma pedagogia das compet\u00eancias contra-hegem\u00f4nica ter\u00edamos de suprimir exatamente o termo que nos impede de admitir os princ\u00edpios anteriores: compet\u00eancias. (RAMOS, 2003, p. 111, grifos do original)<\/p>\n<p>Ao posicionar-se claramente em defesa da transmiss\u00e3o dos conhecimentos objetivos e do trabalho do professor, a pedagogia hist\u00f3rico-cr\u00edtica tamb\u00e9m se posiciona frente a luta de classes, pois entende que \u201ca educa\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um ato pol\u00edtico, dada a subordina\u00e7\u00e3o real da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica\u201d (SAVIANI, 2019, p. 344). Duarte (2016) defende \u201ca tese de que, na perspectiva da pedagogia hist\u00f3rico-cr\u00edtica, por um lado a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um meio para a revolu\u00e7\u00e3o socialista e, por outro, a revolu\u00e7\u00e3o socialista \u00e9 um meio para a plena efetiva\u00e7\u00e3o do trabalho educativo\u201d (p. 21) e conclui: \u201ca escola por si s\u00f3 n\u00e3o faz a revolu\u00e7\u00e3o, mas lutar para que a escola transmita os conte\u00fados cl\u00e1ssicos \u00e9 uma atitude revolucion\u00e1ria\u201d (p. 27). Assim, a pedagogia hist\u00f3rico-cr\u00edtica deve<\/p>\n<p>[\u2026] se constituir num movimento nacional que explore as contradi\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o escolar brasileira na dire\u00e7\u00e3o da socializa\u00e7\u00e3o da propriedade dos conhecimentos cient\u00edficos, art\u00edsticos e filos\u00f3ficos, entendendo-se esse movimento como parte da luta mais ampla pela socializa\u00e7\u00e3o da propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, ou seja, a luta pela revolu\u00e7\u00e3o socialista. (ibidem, p. 21)<br \/>\nSaviani (2019) afirma que os movimentos sociais \u201cnascem de reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, mantendo-se, portanto, no n\u00edvel corporativo e com um car\u00e1ter transit\u00f3rio\u201d (p. 207), devendo passar \u201cdo n\u00edvel de consci\u00eancia em-si para o n\u00edvel de consci\u00eancia para-si\u201d visando integrar a luta comum da classe trabalhadora. No \u00e2mbito da luta pela transforma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, a tarefa de cada estudante de medicina alinhado aos interesses da classe trabalhadora no presente momento hist\u00f3rico n\u00e3o pode ser outra sen\u00e3o engajar-se de forma coerente nessa luta coletiva, contribuindo para combater e superar as tend\u00eancias pedag\u00f3gicas que v\u00e3o no sentido oposto a essa transforma\u00e7\u00e3o e integrando o movimento estudantil de medicina cujos interesses s\u00e3o expressamente populares, como determinados4 Centros e Diret\u00f3rios Acad\u00eamicos (CA\/DAs) e a DENEM.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>Apesar de historicamente pautar que a atual forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica brasileira n\u00e3o caminha no sentido dos interesses populares e da transforma\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica social, as disputas estudantis na DENEM v\u00eam resultando em posicionamentos gen\u00e9ricos ou, pior, que endossam perspectivas que v\u00e3o na contram\u00e3o dessa transforma\u00e7\u00e3o. Frente ao exposto, conclu\u00edmos que a Executiva se posiciona claramente sobre a necessidade de transformar a educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica vigente, mas ainda n\u00e3o se posiciona de forma coerente sobre como viabilizar essa transforma\u00e7\u00e3o. Na medida em que toda organiza\u00e7\u00e3o coletiva de estudantes se fundamenta em determinada concep\u00e7\u00e3o de homem, de sociedade e da natureza, os movimentos estudantis que escolhem caminhar ao lado da classe trabalhadora pela supera\u00e7\u00e3o do capitalismo devem defender uma perspectiva te\u00f3rico-pedag\u00f3gica que seja consoante a sua posi\u00e7\u00e3o de classe, que possibilite compreender radicalmente a fun\u00e7\u00e3o dos estudantes no processo educacional e de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A DENEM precisa escolher entre dois caminhos poss\u00edveis para a educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica no Brasil: o primeiro, persistir na luta gen\u00e9rica e desorientada por sua transforma\u00e7\u00e3o, alinhando-se \u00e0 atual posi\u00e7\u00e3o da ABEM e abrindo caminho para determinadas iniciativas de desenvolvimento estudantil em educa\u00e7\u00e3o5; o segundo, adotar explicitamente uma perspectiva educacional em sintonia aos seus objetivos pol\u00edticos na luta com a classe trabalhadora, deixando a perspectiva neoconstrutivista para as organiza\u00e7\u00f5es estudantis de direita, que precisam assumir \u201cuma atitude negativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 transmiss\u00e3o do conhecimento pela educa\u00e7\u00e3o escolar\u201d (DUARTE, 2008, p. 215) para, por meio da pr\u00e1tica social fetichizada, dar sentido \u00e0 filantropia e ao esporte universit\u00e1rio de alto rendimento. Esperamos que as disputas estudantis inerentes aos espa\u00e7os deliberativos da DENEM apontem para o segundo caminho, assumindo uma posi\u00e7\u00e3o de combate ao neoconstrutivismo na educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica brasileira ao mesmo tempo em que constr\u00f3i, de forma intencional e coletiva, sua transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Defendemos a pedagogia hist\u00f3rico-cr\u00edtica para trilhar esse caminho, rumo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista brasileira.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>1 Lucas Uback \u00e9 m\u00e9dico residente em Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade no munic\u00edpio de S\u00e3o Bernardo do Campo, SP; militante do comit\u00ea de base da Sa\u00fade da Unidade Classista.<\/p>\n<p>2 Daniel Feliz Valsechi \u00e9 m\u00e9dico do Consult\u00f3rio na Rua em Santo Andr\u00e9, SP; militante do comit\u00ea de base da Sa\u00fade da Unidade Classista e do Partido Comunista Brasileiro.<\/p>\n<p>3 Sob diversos nomes e aplica\u00e7\u00f5es, o neoconstrutivismo se fundamenta na epistemologia e psicologia gen\u00e9tica de Jean Piaget (DUARTE, 2011, p. 33) e integra o que Saviani (2013) denomina de \u201cpedagogias da exist\u00eancia\u201d, express\u00e3o educacional da agenda neoliberal e p\u00f3s-moderna. Seus principais representantes na educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica s\u00e3o: \u201cpedagogia das compet\u00eancias\u201d, pedagogia do \u201caprender a aprender\u201d, Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) ou Problem-Based Learning (PBL) e Aprendizagem baseada em times ou Team-Based Learning (TBL). Os m\u00e9todos ativos s\u00e3o m\u00e9todos escolanovistas (DUARTE, 2008, p. 210) que atravessam essas pr\u00e1ticas educacionais.<\/p>\n<p>4 Cabe pontuar que nem todo movimento estudantil se situa \u00e0 esquerda ou \u00e9 orientado por uma perspectiva revolucion\u00e1ria. O principal exemplo nas escolas m\u00e9dicas brasileiras s\u00e3o as Associa\u00e7\u00f5es Atl\u00e9ticas Acad\u00eamicas (AAAs), movimento estudantil de direita \u2013 no m\u00ednimo conservador e frequentemente reacion\u00e1rio. Ao organizar a massa de estudantes em prol do objetivo declarado e delirante de elevar o nome da faculdade por meio da vit\u00f3ria em competi\u00e7\u00f5es esportivas universit\u00e1rias, as Atl\u00e9ticas realizam o objetivo velado de desmobilizar a organiza\u00e7\u00e3o consciente dos estudantes de medicina pela transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais. O mesmo pode ocorrer quando, em determinados per\u00edodos hist\u00f3ricos, estudantes conservadores e reacion\u00e1rios ganham for\u00e7a na gest\u00e3o institucional de organiza\u00e7\u00f5es estudantis, como os CA\/DAs e a DENEM.<\/p>\n<p>5 Munidas de conceitos aparentemente progressistas, como \u201cengajamento estudantil\u201d e \u201cresponsabilidade social da escola m\u00e9dica\u201d, essas iniciativas se difundem para formar os educadores construtivistas do amanh\u00e3. Destaca-se a pretensiosa fundamenta\u00e7\u00e3o dessas iniciativas na \u201ceduca\u00e7\u00e3o m\u00e9dica baseada em evid\u00eancias\u201d, que nada mais \u00e9 do que a importa\u00e7\u00e3o da literatura internacional (especialmente estadunidense e europeia) com os melhores tips e guides para aperfei\u00e7oar a educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica neoconstrutivista.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE EDUCA\u00c7\u00c3O M\u00c9DICA \u2013 ABEM. COBEM \u2013 Edi\u00e7\u00f5es<br \/>\nanteriores. [S.I.] [2020a?]. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/37Q8xht. Acesso em: 20 jun. 2020.<\/p>\n<p>__. Recomenda\u00e7\u00f5es da ABEM ap\u00f3s ouvir Estudantes, Professores e Gestores das Escolas M\u00e9dicas Brasileiras no contexto da Pandemia do Covid-19. Bras\u00edlia, 18 mai. 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/2yTIOI8. Acesso em: 29 mai. 2020.<\/p>\n<p>ALBUQUERQUE, Guilherme Souza Cavalcanti de; SILVA, Marcelo Jos\u00e9 de Souza e. Sobre a sa\u00fade, os determinantes da sa\u00fade e a determina\u00e7\u00e3o social da sa\u00fade. Sa\u00fade debate, Rio de Janeiro, v. 38, n. 103, p. 953-965, dez. 2014. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/37J9xUL. Acesso em: 19 jun. 2020.<\/p>\n<p>BALLAROTTI, Bruna. O movimento estudantil de medicina e a cria\u00e7\u00e3o do SUS: uma hist\u00f3ria na luta pela sa\u00fade. 2010. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso \u2013 Universidade Federal de Santa Catarina, Florian\u00f3polis, 2010. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/3dkGIzY. Acesso em: 29 mai. 2020.<\/p>\n<p>DIRE\u00c7\u00c3O EXECUTIVA NACIONAL DOS ESTUDANTES DE MEDICINA \u2013 DENEM. Caderno com as Delibera\u00e7\u00f5es dos Grupos de Discuss\u00e3o e Trabalho: [42\u00ba] ECEM 2012 e [43\u00ba] ECEM [S.I.] Jul. 2014a. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/3dlMnWf. Acesso em: 27 abr. 2020.<\/p>\n<p>__. [47\u00ba] Encontro Cient\u00edfico dos Estudantes de Medicina 2017: posicionamentos. Belo Horizonte: 2017. 99 p. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/3exlj6P. Acesso em: 04 mai. 2020.<\/p>\n<p>__. Resultados dos Grupos de Discuss\u00e3o e Trabalho do 44\u00ba Encontro Cient\u00edfico dos Estudantes de Medicina. Bras\u00edlia: 2014b. 45 p. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/2yTJ7Ti. Acesso em: 28 abr. 2020.<\/p>\n<p>__. XLIX ECEM \u2013 49\u00ba Encontro Cient\u00edfico dos Estudantes de Medicina: documento final. 1 ed. [S.I.] 2019b. 37 p. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/2Mj5ft2. Acesso em: 11 mai. 2020.<\/p>\n<p>__. XLV ECEM \u2013 45\u00ba Encontro Cient\u00edfico dos Estudantes de Medicina: cartilha com os posicionamentos aprovados em plen\u00e1ria final do ECEM, realizada no dia 02 de agosto de 2015. 1. ed. [S.I.] 2015. 92 p. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/3cg6GTX. Acesso em: 28 abr. 2020.<\/p>\n<p>__. XLVI ECEM \u2013 46\u00ba Encontro Cient\u00edfico dos Estudantes de Medicina: cartilha com os posicionamentos aprovados em plen\u00e1ria final do ECEM 2016. 1. ed. [S.I.] 2016. 70 p. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/2ArDc88. Acesso em: 04 mai. 2020.<\/p>\n<p>__. XLVIII ECEM \u2013 48\u00ba Encontro Cient\u00edfico dos Estudantes de Medicina: documento final. 1 ed. [S.I.] 2018. 48 p. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/2Y0137l. Acesso em: 11 mai. 2020.<\/p>\n<p>DUARTE, Newton. A individualidade para si: contribui\u00e7\u00e3o a uma teoria hist\u00f3rico-cr\u00edtica da forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. 3 ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2013.<\/p>\n<p>__. As pedagogias do \u201caprender a aprender\u201d e algumas ilus\u00f5es da assim chamada sociedade do conhecimento. Rev. Bras. Ed., n. 18, p. 35-40, set.\/dez. 2001. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/2BjmNDo. Acesso em: 27 mai. 2020.<\/p>\n<p>__. Os conte\u00fados escolares e a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos: contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria hist\u00f3rico-cr\u00edtica do curr\u00edculo. Campinas: Autores Associados, 2016.<\/p>\n<p>__. Por que \u00e9 necess\u00e1ria uma an\u00e1lise cr\u00edtica marxista do construtivismo? In: LOMBARDI, Jos\u00e9 Claudinei; SAVIANI, Dermeval (orgs.). Marxismo e educa\u00e7\u00e3o: debates contempor\u00e2neos. 2 ed. Campinas: Autores Associados, 2008.<\/p>\n<p>__. Vigotski e o \u201caprender a aprender\u201d: cr\u00edtica \u00e0s apropria\u00e7\u00f5es neoliberais e p\u00f3s-modernas da teoria vigotskiana. 5 ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2011.<\/p>\n<p>MONTA\u00d1O, Carlos; DURIGUETTO, Maria L\u00facia. Estado, classe e movimento social. 3 ed. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2011. (Biblioteca B\u00e1sica do Servi\u00e7o Social, v. 5).<\/p>\n<p>MORELLI, Thiago Cherem. Por uma avalia\u00e7\u00e3o de verdade. COES em movimento, n. 2, [S.I.], 2013, [15] p. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/36O49yU. Acesso em: 30 mai. 2020.<\/p>\n<p>PELLICCIOTTA, Mirza Maria Baffi. Uma aventura pol\u00edtica: as movimenta\u00e7\u00f5es estudantis dos anos 70. 1997. 235 p. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado) \u2013 Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, Campinas. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/3eMTGXF. Acesso em: 30<br \/>\nmai. 2020.<\/p>\n<p>PRONKO, Marcela. O Banco Mundial no campo internacional da educa\u00e7\u00e3o. In: PEREIRA, Jo\u00e3o M\u00e1rcio Mendes; PRONKO, Marcela (org.). A demoli\u00e7\u00e3o de direitos: um exame das pol\u00edticas do Banco Mundial para a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade (1980-2013). Rio de Janeiro: Escola Polit\u00e9cnica de Sa\u00fade Joaquim Ven\u00e2ncio, 2014. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/3dl1Hma. Acesso em: 28 mai. 2020.<\/p>\n<p>RAMOS, Marise Nogueira. \u00c9 poss\u00edvel uma pedagogia das compet\u00eancias contra-hegem\u00f4nica? Rela\u00e7\u00f5es entre pedagogia das compet\u00eancias, construtivismo e neopragmatismo. Trab. educ. sa\u00fade, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 93-114, mar. 2003. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/2YelrCY. Acesso em:<br \/>\n18 jun. 2020.<\/p>\n<p>SAVIANI, Dermeval. Pedagogia hist\u00f3rico-cr\u00edtica: primeiras aproxima\u00e7\u00f5es. 11 ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2013.<\/p>\n<p>__. Pedagogia hist\u00f3rico-cr\u00edtica, quadrag\u00e9simo ano: novas aproxima\u00e7\u00f5es. 1 ed. Campinas: Autores Associados, 2019.<\/p>\n<p>UNI\u00c3O NACIONAL DOS ESTUDANTES \u2013 UNE. Hist\u00f3ria da UNE. [S.I.] 2011. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/2XgjO74. Acesso em: 30 mai. 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26329\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[226,247],"class_list":["post-26329","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc","tag-4b","tag-jd"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6QF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26329\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}