{"id":2635,"date":"2012-04-05T17:17:45","date_gmt":"2012-04-05T17:17:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2635"},"modified":"2012-04-05T17:17:45","modified_gmt":"2012-04-05T17:17:45","slug":"noite-vermelha-na-camara-de-nova-friburgo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2635","title":{"rendered":"Noite Vermelha na C\u00e2mara de Nova Friburgo"},"content":{"rendered":"\n<p>A noite de 28 de mar\u00e7o de 2012 ficar\u00e1 marcada na hist\u00f3ria do Legislativo de Nova Friburgo como a data em que os comunistas invadiram mesas e plen\u00e1rio da C\u00e2mara Municipal para realizar belo e sens\u00edvel ato em comemora\u00e7\u00e3o ao anivers\u00e1rio do PCB. Tr\u00eas dias depois da data em que comunistas de todo o Brasil festejaram os 90 anos de funda\u00e7\u00e3o do Partido, na C\u00e2mara de Niter\u00f3i, a milit\u00e2ncia de Nova Friburgo tomou conta do espa\u00e7o reservado para as reuni\u00f5es dos vereadores, para lembrar a hist\u00f3ria de lutas dos revolucion\u00e1rios brasileiros e, em especial, dos comunistas friburguenses.<\/p>\n<p>A Sess\u00e3o foi presidida pelo Vereador Professor Pierre (PDT), que solicitou, no plen\u00e1rio da C\u00e2mara, a marca\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia \u2013 transformada em solenidade \u2013 em homenagem ao PCB, a qual aprovada, de forma un\u00e2nime, pelos vereadores. Carregada de emo\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio ao fim, a atividade contou com a presen\u00e7a da milit\u00e2ncia do PCB de Nova Friburgo (Base Francisco Bravo) e da UJC, de amigos e simpatizantes e de representa\u00e7\u00f5es de entidades, partidos e organiza\u00e7\u00f5es, tais como: PSOL, PSTU, PDT, Sindicato dos Professores de Nova Friburgo e Regi\u00e3o, SEPE, SINDSPREV, Associa\u00e7\u00e3o de Docentes da FFSD, DCE M\u00e1rio Prata (FFSD), Gr\u00eamio do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o de Nova Friburgo, Conselho Municipal da Juventude, al\u00e9m dos camaradas Dinarco Reis Filho e Paulo Schueler, representando o Comit\u00ea Central do PCB e a Funda\u00e7\u00e3o Dinarco Reis.<\/p>\n<p>O ato foi aberto pelo camarada Ricardo Costa (Rico), Secret\u00e1rio de Organiza\u00e7\u00e3o da Base Francisco Bravo, do Comit\u00ea Regional e do CC, que fez breve exposi\u00e7\u00e3o sobre a hist\u00f3ria do PCB, em \u00e2mbito nacional e local. Rico destacou a luta desenvolvida pelos comunistas em Nova Friburgo, desde o ano de 1925, quando foram feitas as primeiras tentativas de cria\u00e7\u00e3o da c\u00e9lula local, atrav\u00e9s dos padeiros italianos Elp\u00eddio e Maradey, passando pela efetiva cria\u00e7\u00e3o do PCB no munic\u00edpio em 1929 (em reuni\u00e3o da qual teria participado Astrojildo Pereira), pela organiza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e sindical nos anos 30 a 50, pela elei\u00e7\u00e3o do comunista Francisco de Assis Bravo para a C\u00e2mara Municipal em 1962, por sua cassa\u00e7\u00e3o em 1964, pela reorganiza\u00e7\u00e3o do Partido nos anos 80 e pelas batalhas contempor\u00e2neas dos comunistas friburguenses, da d\u00e9cada de 90 aos dias atuais, enfrentando e superando as imensas dificuldades encontradas ao longo de toda essa trajet\u00f3ria, tanto em decorr\u00eancia da repress\u00e3o das ditaduras, quanto pela tentativa de liquida\u00e7\u00e3o do PCB ao fim do s\u00e9culo passado. Foram lembrados os nomes de figuras hist\u00f3ricas do PCB de Nova Friburgo, tais como os oper\u00e1rios Francisco Bravo, Jos\u00e9 Pereira da Costa Filho (Costinha), Arquimedes de Brito, os advogados Benigno Fernandes e Jorge El-Jaick, Molares, Manoel Leite (Lilito), Pedretti, o compositor e maestro da Banda Campesina Friburguense Joaquim Naegle, dentre outros.<\/p>\n<p>O camarada Sidney Moura, Secret\u00e1rio Pol\u00edtico da Base e membro do Comit\u00ea Central, proferiu comovente discurso lembrando o papel heroico dos comunistas brasileiros nas in\u00fameras batalhas em defesa dos interesses dos trabalhadores. Dirigiu-se especialmente \u00e0 juventude e \u00e0s mulheres, emocionando a todos com sua fala em reconhecimento \u00e0 participa\u00e7\u00e3o das camaradas em todos os momentos dif\u00edceis por quais passaram e passam aqueles que lutam por uma sociedade igualit\u00e1ria em nosso pa\u00eds. Aos jovens, disse esperar deles que concretizem os sonhos da gera\u00e7\u00e3o que enfrentou a ditadura de 64, gera\u00e7\u00e3o esta que n\u00e3o p\u00f4de legar aos filhos um mundo diferente do atual. Concluiu lendo o poema \u201cA meu Partido\u201d, de Pablo Neruda.<\/p>\n<p>O momento alto do evento ficou por conta das homenagens feitas aos militantes hist\u00f3ricos do PCB de Nova Friburgo: Fl\u00e1vio Antunes de Moraes e Arist\u00e9lio Travassos de Andrade, cujas biografias seguem abaixo. Dinarco Reis Filho lembrou a amizade de mais de 50 anos com o camarada Arist\u00e9lio, cuja vi\u00fava e filhos, Marly, Alexandre e Sylas, receberam as homenagens dos militantes do PCB de Nova Friburgo. \u201cSeu\u201d Fl\u00e1vio, como \u00e9 carinhosamente chamado pelos comunistas e lutadores friburguenses, acompanhado de amigos e familiares, agradeceu, sensibilizado, as honras recebidas.<\/p>\n<p>A noite terminou com um grande congra\u00e7amento de todos os presentes, que se reuniram para foto hist\u00f3rica, e com a juventude comunista clamando o grito de guerra do PCB: \u201cFor\u00e7a, a\u00e7\u00e3o, aqui \u00e9 o Partid\u00e3o!!\u201d.<\/p>\n<p>Arist\u00e9lio Travassos de Andrade nasceu em 18 de mar\u00e7o de 1934, na cidade de Timba\u00faba, Estado de Pernambuco, de onde seus pais sa\u00edram, para morar no Rio de Janeiro, quando tinha 3 anos de idade. Em 1952, ingressou no Partido Comunista Brasileiro, do qual nunca se afastou. Anos depois, conheceu Marly, companheira admir\u00e1vel que lhe acompanhou at\u00e9 o fim da vida e com quem teve dois filhos (Sylas e Alexandre). Quando se iniciou a constru\u00e7\u00e3o da refinaria Duque de Caxias, o Partido lhe deu como tarefa fazer o concurso para a Petrobras. Ingressou na empresa em 1958. Na Reduc, foi fundador de um amplo movimento pol\u00edtico, em defesa dos princ\u00edpios que nortearam a funda\u00e7\u00e3o da Petrobras, com destaque para a luta em defesa do mon\u00f3polio estatal do Petr\u00f3leo, o Movimento 2004 (n\u00famero da lei que criou a Petrobras).<\/p>\n<p>O Sindicato da Reduc foi violentamente perseguido em 1964. Nenhuma unidade da Petrobras teve o n\u00famero de cassados que teve a refinaria, e o n\u00famero de demitidos passou de 300. Tal era a fama do Sindicato e dos comunistas da refinaria, que, nas palavras de Arist\u00e9lio, \u201cfoi criado um campo de concentra\u00e7\u00e3o para n\u00f3s\u201d. Muitos foram torturados. Mesmo cassados, refundaram o Movimento 2004, que deu origem \u00e0 Comiss\u00e3o de Anistiados da Petrobras, que at\u00e9 hoje luta pelos direitos destes trabalhadores. Em 1964, Arist\u00e9lio ficou preso no DOPS e, depois, no Pres\u00eddio Ferreira Viana, na famosa Rua Frei Caneca. N\u00e3o conseguia mais emprego e acabou virando jornalista, transformando-se num dos mais competentes e respeitados profissionais da \u00e1rea, sempre lembrado e admirado por antigos colegas e pelos leitores, quando se tornou colunista. Trabalhou no Jornal dos Sports, no Correio da Manh\u00e3, na sucursal do Estad\u00e3o, da Folha de S\u00e3o Paulo e em O Globo, na revista Placar (que fundou com Maur\u00edcio Az\u00eado) e na TV Manchete<\/p>\n<p>Retornou \u00e0 Petrobras, assumindo a fun\u00e7\u00e3o de chefe de setor de divis\u00e3o e, depois, superintendente adjunto do Servi\u00e7o de Comunica\u00e7\u00e3o. Quando Collor foi eleito, pediu demiss\u00e3o e veio para Friburgo ser diretor de jornalismo da TV Serra Mar, onde trabalhou por um ano. Bateu de frente com os maus prefeitos da regi\u00e3o, chegando a ser amea\u00e7ado, tendo sido obrigado a se afastar. Tornou-se colunista do jornal friburguense A Voz da Serra, onde, durante v\u00e1rios anos, produziu deliciosas cr\u00f4nicas sobre a cidade, o estado e o pa\u00eds, falando de tudo: pol\u00edtica, futebol, samba e jazz, de que era grande entendedor, por isso mesmo integrante do Clube de Jazz.<\/p>\n<p>Em maio de 2004, foi eleito diretor tesoureiro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa. Neste mesmo ano, aceitou o desafio lan\u00e7ado pelos camaradas do PCB de Nova Friburgo e foi candidato \u00e0 prefeitura, arrebanhando quase 8.000 votos (cerca de 7% da vota\u00e7\u00e3o), numa das mais significativas performances obtidas por um candidato de esquerda no munic\u00edpio, talvez a maior da hist\u00f3ria da cidade, levando-se em considera\u00e7\u00e3o ter sido candidatura pr\u00f3pria, sem coliga\u00e7\u00f5es. Dois anos depois, cumpriu de novo a tarefa de ser candidato pelo PCB, desta vez a deputado estadual, mas a sa\u00fade j\u00e1 debilitada n\u00e3o permitia mais muitas andan\u00e7as.<\/p>\n<p>Depois de uma longa batalha contra o c\u00e2ncer e os efeitos do tratamento da doen\u00e7a, que o deixaram bastante debilitado, em 05 de mar\u00e7o de 2010, descansava o bravo camarada Arist\u00e9lio, de quem lembraremos sempre os 58 anos ininterruptos de milit\u00e2ncia no PCB, a participa\u00e7\u00e3o ativa nas batalhas contra a ditadura, contra as desigualdades e injusti\u00e7as promovidas pelo capitalismo, assim como a autoria dos belos textos em defesa da nossa cultura, da democracia e do socialismo.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Antunes de Moraes nasceu em 25 de junho de 1926, na cidade de Trajano de Moraes, Estado do Rio de Janeiro. Conheceu o PCB no ano de 1957, \u00e9poca em que participou ativamente das campanhas nacionais a favor da Paz Mundial e pela cria\u00e7\u00e3o da Petrobras, a hist\u00f3rica campanha do \u201cPetr\u00f3leo \u00e9 Nosso\u201d.<\/p>\n<p>Veio morar em Nova Friburgo no ano de 1960, abrindo pequeno com\u00e9rcio na Avenida Alberto Braune, n\u00ba 50. Conheceu os militantes comunistas Francisco Bravo, Costinha, Manoel Leite (Lilito) e outros, tendo atuado nos movimentos pol\u00edticos promovidos pelo Partido e em defesa dos trabalhadores, como as lutas pelo 13\u00ba sal\u00e1rio, por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, pelo direito \u00e0 previd\u00eancia, dentre outras.<\/p>\n<p>Com o golpe militar de 1964, foi obrigado a sair de Friburgo, ficando foragido na casa de amigos, na Ladeira Boaventura, em Niter\u00f3i. Casou-se, em 1967, com Zilmeia Romani de Moraes, professora da rede estadual, com quem teve dois filhos: Aline e M\u00e1rio Felipe.<\/p>\n<p>Na retomada das lutas democr\u00e1ticas, na d\u00e9cada de 1980, reencontrou-se com os camaradas do PCB, que, no ano de 1985, conquistada a legalidade pol\u00edtica, organizaram a Comiss\u00e3o Provis\u00f3ria do Partido em Nova Friburgo, cuja presid\u00eancia de honra foi ocupada por Chico Bravo. Fl\u00e1vio foi encontrado, pelos militantes do PCB, durante a campanha de filia\u00e7\u00f5es, na casa onde trabalhava como caseiro, no S\u00edtio do Viaduto, em Mury, ao lado de onde, mais tarde, passaria a viver seu amigo Arist\u00e9lio. Convidado a se filiar ao PCB, respondeu que j\u00e1 era \u201ccomunista de carteirinha\u201d desde a d\u00e9cada de 50!<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, participou de todos os movimentos em que estiveram presentes os comunistas friburguenses: o apoio militante \u00e0s greves dos oper\u00e1rios t\u00eaxteis, metal\u00fargicos, do vestu\u00e1rio, dos banc\u00e1rios e dos professores; as manifesta\u00e7\u00f5es contra os aumentos das passagens de \u00f4nibus e contra o monop\u00f3lio da FAOL; as lutas contr\u00e1rias \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o da Autarquia Municipal de \u00c1gua e Esgoto; as campanhas contra a ALCA, pela reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale, pela Petrobras 100% estatal, o plebiscito pela terra; a solidariedade internacional a Cuba Socialista e a todos os povos agredidos pelo imperialismo; as campanhas eleitorais do PCB. Hoje, morador no bairro de Theodoro da Silveira, contribui com a luta comunit\u00e1ria e pela preserva\u00e7\u00e3o ambiental daquele recanto ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Base Francisco de Assis Bravo \u2013 PCB de Nova Friburgo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pcbfriburgo.blogspot.com.br\/2012\/04\/noite-vermelha-na-camara-de-nova.html\" target=\"_blank\">http:\/\/pcbfriburgo.blogspot.com.br\/2012\/04\/noite-vermelha-na-camara-de-nova.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nNova Friburgo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2635\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-2635","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Gv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2635\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}