{"id":26351,"date":"2020-10-28T21:19:07","date_gmt":"2020-10-29T00:19:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26351"},"modified":"2020-10-30T21:48:33","modified_gmt":"2020-10-31T00:48:33","slug":"crise-e-pandemia-o-que-a-juventude-tem-a-ver-com-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26351","title":{"rendered":"Crise e pandemia: o que a juventude tem a ver com isso?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/omomento.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arton28844.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Geovane Rocha<\/p>\n<p>O MOMENTO<\/p>\n<p>A m\u00eddia burguesa vem se esfor\u00e7ando para convencer a juventude e os trabalhadores de que, at\u00e9 pouco tempo, viv\u00edamos em um mundo harmonioso de pleno emprego e crescimento econ\u00f4mico. Um mundo no qual a Emenda Constitucional 95 e a Reforma da Previd\u00eancia foram cruciais para equilibrar os gastos p\u00fablicos, em nome da sant\u00edssima responsabilidade fiscal, e garantir a retomada dos empregos. No entanto, o pa\u00eds de Alice sofreu um tremendo baque com a chegada da COVID-19, que nos jogou em uma recess\u00e3o profunda e todos est\u00e3o tendo que fazer \u201cseus devidos sacrif\u00edcios\u201d.<\/p>\n<p>O que essa narrativa fantasiosa procura esconder \u00e9 que, desde 2008, o capitalismo enfrenta sua terceira grande crise sist\u00eamica. E, diferente das suas crises anteriores, n\u00e3o tem conseguido alcan\u00e7ar novos patamares qualitativos e quantitativos de acumula\u00e7\u00e3o. O receitu\u00e1rio que vem sendo apresentado pelo capital para romper com a crise, as famigeradas medidas de austeridade, na verdade n\u00e3o s\u00f3 aprofundam, como intensificam a crise. Nesse processo, podemos observar que h\u00e1 um grande consenso entre os setores das classes dominantes: os trabalhadores e a juventude ser\u00e3o aqueles que pagar\u00e3o essa conta. N\u00e3o \u00e9 preciso fazer um exerc\u00edcio muito longo de rememora\u00e7\u00e3o para perceber como o Estado opera a favor dos interesses das clas-ses dominantes para garantir a manuten\u00e7\u00e3o de suas taxas de lucro e espoliar os trabalhadores. Foram trilh\u00f5es injetados na economia para salvar bancos e grandes empresas, vendas de empresas estatais estrat\u00e9gicas a pre\u00e7o de banana, um conjunto de contrarreformas para intensificar a explora\u00e7\u00e3o do trabalho e um fortalecimento dos aparelhos de repress\u00e3o para reprimir a juventude e os trabalhadores.<\/p>\n<p>O que fica claro para n\u00f3s diante de todo esse quadro \u00e9 que o v\u00edrus n\u00e3o foi o causador da crise, mas mesmo possuindo um car\u00e1ter ex\u00f3geno, ao se inserir em nossa sociedade, for\u00e7ou o capital a despir-se por completo. O que se v\u00ea \u00e9 uma intensifica\u00e7\u00e3o de sua crise e dos ataques direcionados aos despossu\u00eddos. Fica evidente que o capitalismo prioriza sempre seus lucros em detrimento da vida dos trabalhadores, e que a \u00fanica coisa que ele oferece \u00e9 mais explora\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria. Mas, afinal, onde est\u00e1 a juventude em todo esse contexto?<\/p>\n<p>Poucos meses ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), tendo \u00e0 sua frente o Dom Quixote olavista Abraham Weintraub, lan\u00e7ou uma Portaria que autorizava a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos digitais em Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior. Para al\u00e9m dessa Portaria, o MEC n\u00e3o apresentou nenhuma outra medida para auxiliar os estudantes, e isso n\u00e3o acontece por acaso. Com o avan\u00e7o da l\u00f3gica mercantilizante do capital em todas as esferas da vida social, a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica foi intensamente desmontada no pa\u00eds, testemunhamos um avan\u00e7o e fortalecimento da educa\u00e7\u00e3o privada em detrimento dela<\/p>\n<p>Al\u00e9m de congelar as verbas por meio da EC 95 e dos constantes cortes, o future-se veio como projeto que visava acabar de uma vez por todas com a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica em nosso pa\u00eds. Entretanto, por conta de press\u00e3o do movimento estudantil e das demais categorias do ambiente universit\u00e1rio, o projeto foi barrado. Com esse hist\u00f3rico de sucateamento, fica claro que a implementa\u00e7\u00e3o do ensino a dist\u00e2ncia nas universidades p\u00fablicas deixaria muitos estudantes para tr\u00e1s e aprofundaria problemas ligados \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o da carreira docente.<\/p>\n<p>Como acreditar, diante desse cen\u00e1rio de constante desmonte, que as universidades conseguiriam garantir a todos os estudantes acesso aos recursos digitais para assistirem \u00e0s aulas remotas? Ou, que os professores, categoria desvalorizada pelo Estado, tivessem condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho? A Portaria ainda desconsidera o fato de que a pandemia mudou completamente a din\u00e2mica dos lares, gerando sobrecarga nos estudantes, em especial nas estudantes que tamb\u00e9m s\u00e3o m\u00e3es.<\/p>\n<p>Houve aqueles que, talvez por ingenuidade, passaram a defender a implementa\u00e7\u00e3o do ensino remoto com a justificativa de que muitos estudantes precisavam se formar para adentrar no mercado de trabalho e ajudar suas fam\u00edlias. No entanto, parecem esquecer que o desemprego vem atingindo n\u00fameros cada dia mais preocupantes, e os jovens s\u00e3o os mais afetados com a falta de trabalho formal. H\u00e1 at\u00e9 munic\u00edpios que ostentam o t\u00edtulo de capital do desemprego, como \u00e9 o caso de Salvador.<\/p>\n<p>Se tornou comum encontrar jovens com forma\u00e7\u00e3o em postos informais de trabalho ou em subempregos (quadro agravado pela pandemia). Para sobreviver, muitos est\u00e3o se sujeitando a formas de trabalho conhecidas como uberizadas, sem direito trabalhista e nenhum tipo de prote\u00e7\u00e3o. E foi por conta da falta de direitos e prote\u00e7\u00e3o que muitos desses jovens, em sua maioria negros, foram \u00e0s ruas em protesto esse ano, solicitando n\u00e3o s\u00f3 EPI\u2019s, mas regulamenta\u00e7\u00e3o da categoria e um conjunto de direitos trabalhistas fundamentais para garantir uma jornada digna. Quando n\u00e3o est\u00e1 lutando por educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade, por emprego e condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho, a juventude tem que lutar pelo direito de viver. N\u00e3o podemos esquecer que, nessa pandemia, a letalidade policial aumentou drasticamente, e jovens como Wesley Souza, residente do bairro da Santa M\u00f4nica, s\u00e3o covardemente assassinados pela Pol\u00edcia Militar na periferia de Salvador ou em bairros perif\u00e9ricos pelo Brasil.<\/p>\n<p>Somos de uma gera\u00e7\u00e3o que cresceu bombardeada pela ideologia neoliberal e um conjunto de teorias que glorificam o entendimento particular da realidade social. Uma gera\u00e7\u00e3o que foi moldada para acreditar que o capitalismo, \u201capesar de tudo, \u00e9 bom\u201d. Crescemos sem construir ou testemunhar grandes lutas das massas e dos trabalhadores, sofreremos as dr\u00e1sticas consequ\u00eancias da derrota da estrat\u00e9gia conciliat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Diante disso, n\u00e3o nos cabe mais palavras de ordem que clamam por demandas abstratas. Precisamos nos organizar em nossos gr\u00eamios, CAs, DAs, DCEs, associa\u00e7\u00e3o de moradores, sindicatos, e construir a luta cotidiana em defesa de uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade, por emprego, moradia, soberania alimentar, direito \u00e0 terra e por nossa emancipa\u00e7\u00e3o. Com os ac\u00famulos da experi\u00eancia do ciclo anterior, construiremos, como for\u00e7a auxiliar do proletariado, as condi\u00e7\u00f5es que nos levar\u00e3o a uma forma de organiza\u00e7\u00e3o da vida onde a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem ser\u00e1 mera lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>Venceremos!<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"eAzwSYvER2\"><p><a href=\"https:\/\/omomento.org\/crise-e-pandemia-o-que-a-juventude-tem-a-ver-com-isso\/\">Crise e Pandemia: O que a Juventude tem a ver com isso?<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Crise e Pandemia: O que a Juventude tem a ver com isso?&#8221; &#8212; O Momento - Di\u00e1rio do Povo\" src=\"https:\/\/omomento.org\/crise-e-pandemia-o-que-a-juventude-tem-a-ver-com-isso\/embed\/#?secret=eAzwSYvER2\" data-secret=\"eAzwSYvER2\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26351\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[197],"tags":[247,219],"class_list":["post-26351","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","tag-jd","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6R1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26351\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}