{"id":26354,"date":"2020-10-30T21:40:41","date_gmt":"2020-10-31T00:40:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26354"},"modified":"2020-11-08T23:40:13","modified_gmt":"2020-11-09T02:40:13","slug":"toda-solidariedade-aos-trabalhadores-do-funk","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26354","title":{"rendered":"Toda solidariedade aos trabalhadores do funk"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/scontent.fpoa5-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-0\/p526x296\/123247295_2117873001669692_586620358046547634_o.jpg?_nc_cat=109&amp;ccb=2&amp;_nc_sid=8bfeb9&amp;_nc_ohc=GG47a5MlaVQAX-elyPP&amp;_nc_ht=scontent.fpoa5-1.fna&amp;tp=6&amp;oh=93ca5546e878095412327a9761b72b1b&amp;oe=5FC10346\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->SER MC N\u00c3O \u00c9 CRIME!<\/p>\n<p>Nota pol\u00edtica da UJC e CNMO &#8211; RJ<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma den\u00fancia indevida e criminosa por parte da bancada do PSL, os MCs trabalhadores do funk Cabelinho e Maneirinho foram surpreendidos com intima\u00e7\u00f5es para depor, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de apologia ao crime de tr\u00e1fico de drogas. Acusa\u00e7\u00f5es essas sem base jur\u00eddica alguma. Um desses MCs, Cabelinho, apresenta em seu trabalho a realidade de um jovem favelado com sonhos, mas que sempre s\u00e3o frustrados pela a\u00e7\u00e3o organizada do Estado racista.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que a persegui\u00e7\u00e3o a jovens trabalhadores do funk acontece, sempre com intimida\u00e7\u00f5es judiciais at\u00e9 as consequ\u00eancias finais: o encarceramento. O uso da \u201capologia ao crime\u201d como acusa\u00e7\u00e3o, mais uma vez indica a seletividade racista que a institucionalidade burguesa compreende enquanto crime.<\/p>\n<p>O Judici\u00e1rio enquanto aparato do Estado \u00e9 tamb\u00e9m media\u00e7\u00e3o e express\u00e3o das ideias da classe dominante, cada vez mais punitivistas. Por ser uma express\u00e3o cultural oriunda das favelas cariocas, historicamente marcadas pelas contradi\u00e7\u00f5es raciais e de classe, o funk \u00e9 compreendido enquanto crime, e os trabalhadores envolvidos tamb\u00e9m s\u00e3o considerados criminosos. A criminaliza\u00e7\u00e3o do funk \u00e9 uma consequ\u00eancia hist\u00f3rica de um processo de domina\u00e7\u00e3o racista do capitalismo brasileiro, moldando como a nossa classe deve ser expressar.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da cultura negra no Brasil evidencia ainda mais essa contradi\u00e7\u00e3o. Se hoje o funk \u00e9 perseguido e criminalizado, vale resgatar que no in\u00edcio da Rep\u00fablica e durante os anos que se sucederam, a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0 capoeira, religi\u00f5es de matriz africana e posteriormente ao samba, s\u00f3 nos prova uma coisa: o racismo, enquanto estrutura, atinge qualquer espa\u00e7o social e isso tem um car\u00e1ter hist\u00f3rico. Pouca coisa mudou e o nosso povo ainda luta pelas mesmas coisas h\u00e1 mais de 200 anos.<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro, Estado esse que tem se colocado enquanto laborat\u00f3rio de experimento para t\u00e1ticas cada vez mais letais da guerra \u00e0s drogas, mant\u00e9m sua popula\u00e7\u00e3o e em especial a classe trabalhadora ref\u00e9m das pol\u00edticas neoliberais e coronelistas em muitos munic\u00edpios e aposta num projeto [pol\u00edtico] letal de exterm\u00ednio e repress\u00e3o dos corpos negros, como promessa para os problemas de seguran\u00e7a p\u00fablica e na aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantem a vida dessas pessoas. No entanto, a coer\u00e7\u00e3o &#8211; caracter\u00edstica t\u00e1tica do racismo estrutural &#8211; n\u00e3o se d\u00e1 somente pelas ofensivas que geram morte como denunciado acima e, por isso, o nosso dever \u00e9 se organizar ante \u00e0s afrontas do Estado em nossos comit\u00eas de favelas, associa\u00e7\u00f5es de moradores, associa\u00e7\u00f5es do bairro, movimentos sociais que atuam na periferia, rodas culturais e cobrar do mesmo que essas acusa\u00e7\u00f5es sejam retiradas e que os MCs possam ter acesso a uma defesa justa.<\/p>\n<p>Diante desses fatos, a Uni\u00e3o da Juventude Comunista &#8211; RJ e o Coletivo Negro Minervino de Oliveira &#8211; RJ, com base no extenso hist\u00f3rico do Partido Comunista Brasileiro (PCB) de defesa e atua\u00e7\u00e3o pela cultura popular, honrando o legado de Jorge Amado na composi\u00e7\u00e3o da Constituinte de 1946, respaldando e reconhecendo todas as manifesta\u00e7\u00f5es culturais do povo e para o povo \u00e0 \u00e9poca, v\u00eam manifestar profundo rep\u00fadio \u00e0s violentas ofensivas e pr\u00e1ticas intimidadoras usadas pelo Estado burgu\u00eas para coibir todo e qualquer tipo de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica partindo de jovens negros e perif\u00e9ricos e tamb\u00e9m solidariedade aos MCs Cabelinho e Maneirinho. Vemos que a hist\u00f3ria se repete, dado o exemplo da persegui\u00e7\u00e3o pelo judici\u00e1rio ao DJ e Produtor Rennan da Penha, que foi preso por suposto envolvimento com o tr\u00e1fico de drogas do Complexo da Penha, argumentos que foram facilmente desmentidos por sua defesa. Ou o caso do GTA, um dos organizadores da roda cultural da Central, que tamb\u00e9m foi encarcerado de forma injusta.<\/p>\n<p>Nesse sentido, estamos ao lado de todas e todos os trabalhadores da cultura e estamos dispostos a construir as trincheiras de luta de resist\u00eancia contra o fascismo que cresce a cada dia no nosso pa\u00eds. Os comunistas reconhecem que ser MC ou DJ n\u00e3o \u00e9 crime, mas um trabalho com potencial revolucion\u00e1rio, transformador. MC \u00c9 TRABALHADOR e apresenta a realidade da forma concreta que \u00e9, e n\u00e3o a esconde!<\/p>\n<p>&#8220;Deixo avisado que eu n\u00e3o acredito que exista um conto de fada<br \/>\nAutoridade que era pra me proteger sobe o morro e me mata<br \/>\nLuto e luta das balas achada<\/p>\n<p>E o arrombado de terno e gravata<br \/>\nQue autoriza essa guerra na minha favela enquanto outra bala se acha<\/p>\n<p>Essa \u00e9 minha realidade<br \/>\n\u00c9 o reflexo que n\u00f3s passa no morro<br \/>\n\u00c9 bonita a paisagem<br \/>\nMas \u00e9 feio como tratam meu povo&#8221;<\/p>\n<p>Reflexo &#8211; Mc Cabelinho<\/p>\n<p>Pelo Poder Popular!<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o Estadual do Coletivo Negro Minervino de Oliveira &#8211; RJ\/CMNO<br \/>\nCoordena\u00e7\u00e3o Estadual da Uni\u00e3o da Juventude Comunista &#8211; RJ\/UJC<\/p>\n<p>Rio, 30\/10\/2020.<\/p>\n<p>#PraCegoVer Imagem cont\u00e9m MC de funk cantando em baile de fundo, usando camisa listrada em azul e branco, texto em fundo vermelho com letra em branco dizendo &#8220;Ser mc n\u00e3o \u00e9 crime&#8221; e abaixo &#8220;nota pol\u00edtica&#8221;. Canto superior esquerdo cont\u00e9m logo da UJC com foice e martelo dentro de estrela branca e logotipo do CMNO contendo c\u00edrculo preto com desenho de m\u00e3o e dentro o mapa da \u00c1frica.<br \/>\n\u00c1rea de anexos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26354\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,27],"tags":[226],"class_list":["post-26354","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular","category-c27-ujc","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6R4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26354"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26354\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}