{"id":26370,"date":"2020-11-02T21:39:47","date_gmt":"2020-11-03T00:39:47","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26370"},"modified":"2020-11-02T21:39:47","modified_gmt":"2020-11-03T00:39:47","slug":"processos-populares-se-fortalecem-na-nossa-america","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26370","title":{"rendered":"Processos populares se fortalecem na Nossa Am\u00e9rica"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/images.weserv.nl\/?fit=cover&amp;we=&amp;height=384&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.digitaljournal.com%2Fimg%2F1%2F0%2F4%2F8%2F0%2F9%2F3%2Fi%2F4%2F7%2F8%2Fp-large%2F602d82277537c0ead746b7f3ec8daf443421a922.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Narciso Isa Conde<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que, crescendo cada vez mais, nossos povos n\u00e3o querem viver sob o dom\u00ednio da recoloniza\u00e7\u00e3o neoliberal, nem tutelados por \u201cpartidocracias\u201d conservadoras, seja qual for sua intensidade opressiva, menos ainda quando a \u201cvolta do passado\u201d \u00e9 pior do que um simples retrocesso.<\/p>\n<p>O ciclo de rebeldias populares, iniciado com a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, ainda n\u00e3o chegou ao fim. A quarta onda transformadora, inaugurada pelo levantamento zapatista no M\u00e9xico e pela insurg\u00eancia chavista na Venezuela, est\u00e1 se revigorando depois de uma s\u00e9rie de golpes, em escala latino-americana, desencadeados pela contraofensiva imperialista.<\/p>\n<p>O imperialismo estadunidense n\u00e3o p\u00f4de consolidar os resultados de suas violentas agress\u00f5es no n\u00edvel regional. Come\u00e7a novamente a perder terreno. P\u00f4de temporariamente remover do poder estatal os processos de autodetermina\u00e7\u00e3o e as reformas antineoliberais, mas sem conseguir vencer a resist\u00eancia popular \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es e sem poder impor uma governabilidade colonizadora est\u00e1vel.<\/p>\n<p>As diversas modalidades de golpes contrarrevolucion\u00e1rios e contra as reformas, suas v\u00e1rias formas de retrocessos exacerbados \u2013 todas carregadas de um neoliberalismo mais violento, uma recoloniza\u00e7\u00e3o mais extremada e uma alian\u00e7a p\u00fablico-privada de car\u00e1ter fascistoide e mafioso \u2013 t\u00eam enfrentado altos n\u00edveis de contesta\u00e7\u00e3o popular; e, em v\u00e1rios casos, reverteram ou est\u00e3o a ponto de reverter as recentes imposi\u00e7\u00f5es imperialistas (M\u00e9xico, Argentina, Bol\u00edvia e Chile); em outros casos, a luta continua e os protestos s\u00e3o radicalizados de forma recorrente (Honduras, Haiti, Paraguai, Brasil, Equador, Col\u00f4mbia&#8230;).<\/p>\n<p>A agressiva hostilidade contra a Venezuela bolivariana e Cuba revolucion\u00e1ria \u00e9 consequ\u00eancia de frequentes fracassos.<br \/>\nCertamente, a perfeita combina\u00e7\u00e3o da aflu\u00eancia popular nas ruas e das lutas eleitorais na Bol\u00edvia e no Chile apontam para uma nova agita\u00e7\u00e3o de um amplo ciclo de rebeldias populares e para uma reativa\u00e7\u00e3o de seu mais recente e grande movimento pela nova independ\u00eancia e por modelos econ\u00f4micos sociais com justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>A IMPOSI\u00c7\u00c3O DO NEOLIBERALISMO E DE UMA RECOLONIZA\u00c7\u00c3O MAIS EXTREMADA AGRAVAM A CONFRONTA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>O capitalismo imperialista ocidental e suas express\u00f5es locais dependentes n\u00e3o contam com f\u00f3rmulas alheias a um neoliberalismo profundamente desacreditado, repudiado e impregnado do fortalecimento de um \u201cDestino Manifesto\u201d (veja NT), que se choca frontalmente com o anseio de autodetermina\u00e7\u00e3o de nossos povos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quanto mais neoliberalismo, quanto mais conservadorismo (classista, patriarcal, racista e ecocida&#8230;), quanto mais recoloniza\u00e7\u00e3o, maior \u00e9 a tend\u00eancia ao descontrole das consequ\u00eancias de sua contraofensiva saqueadora e maior \u00e9 a profundidade de sua crise de decad\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim tem acontecido \u2013 inclusive em prazos relativamente curtos \u2013 em situa\u00e7\u00f5es em que os erros, as inconsist\u00eancias pol\u00edticas e as omiss\u00f5es \u00e9tico-morais dos chamados modelos p\u00f3s-neoliberais e\/ou progressistas facilitaram \u2013 aos EUA, \u00e0s direitas e \u00e0s ultradireitas continentais \u2013 retrocessos no tempo que contribu\u00edram para o fortalecimento da indigna\u00e7\u00e3o popular, como aconteceu na Argentina e como acontece agora na Bol\u00edvia e poderia acontecer no Brasil, em Honduras, no Paraguai e no Equador, entre outros casos n\u00e3o necessariamente iguais.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que, crescendo cada vez mais, nossos povos n\u00e3o querem viver sob o dom\u00ednio da recoloniza\u00e7\u00e3o neoliberal, nem tutelados por \u201cpartidocracias\u201d conservadoras, seja qual for sua intensidade opressiva, menos ainda quando a \u201cvolta do passado\u201d \u00e9 pior do que um simples retrocesso.<\/p>\n<p>\u00c9 um n\u00edvel superior de capitalismo mafioso, colonialista, de privatiza\u00e7\u00e3o e saque do patrim\u00f4nio p\u00fablico e dos recursos naturais, sob maior repress\u00e3o com alta dosagem de neofacismo. \u00c9 um conjunto de velhas e novas pr\u00e1ticas de corrup\u00e7\u00e3o impune, associa\u00e7\u00f5es p\u00fablico-privadas criminosas que devastam o que resta do papel social e nacional do Estado, minera\u00e7\u00e3o destrutiva, privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, do solo e do subsolo; maior crise ambiental, profus\u00e3o do racismo, da homofobia, da xenofobia, da viol\u00eancia de g\u00eanero e da manipula\u00e7\u00e3o das pandemias (neste momento, da Covid 19), como uma esp\u00e9cie de ajuste global empobrecedor dos povos. Tudo isso quase sempre acompanhado por uma religiosidade fundamentalista, induzida pelas hierarquias eclesiais conservadoras e pelos \u00f3rg\u00e3os de intelig\u00eancia estadunidense.<\/p>\n<p>O SIGNIFICADO DAS CONTRAPARTIDAS POPULARES NO CHILE E NA BOL\u00cdVIA<\/p>\n<p>No Chile, a resposta popular tem caracter\u00edsticas de \u201cajuste de contas\u201d com o longo obscurantismo pinochetista-neoliberal, com sua vertente socioecon\u00f4mica e cultural recentemente fortalecida pela ultradireita conservadora; valioso \u201cajuste de contas\u201d a partir da indigna\u00e7\u00e3o popular-nacional acumulada, que aponta para uma grande transforma\u00e7\u00e3o constitucional sob a vigil\u00e2ncia e press\u00e3o extra institucional do povo trabalhador e de seus diversos movimentos sociais, persistentemente insubmissos e mobilizados.<\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia, assume a condi\u00e7\u00e3o de um contundente contragolpe dos povos origin\u00e1rios e da sociedade exclu\u00edda e ultrajada, que defenderam com garras anti-imperialistas \u2013 nas ruas, nos campos, nas urnas \u2013 &#8230; o heroicamente conquistado.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, cada um com suas particularidades e desigualdades sociais, est\u00e3o pendentes grandes e variadas transforma\u00e7\u00f5es institucionais e estruturais, mudan\u00e7as profundas na forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social, no sistema pol\u00edtico e no poder militar. Por\u00e9m, tudo isso est\u00e1 nas ruas, gestando-se um poder popular paralelo, com capacidade de pressionar e de influir na representa\u00e7\u00e3o institucional surgida nas vota\u00e7\u00f5es. Importantes contribui\u00e7\u00f5es ao patrim\u00f4nio da criatividade popular latino-caribenha, tamb\u00e9m em gesta\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a radicalidade anti-imperialista do povo boliviano est\u00e1 al\u00e9m dos resultados institucionais dessas elei\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201ccores\u201d do novo governo e \u00e0 representa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria nos organismos do Estado, o que sem d\u00favida tem a ver com as caracter\u00edsticas das for\u00e7as pol\u00edticas mais influentes na disputa eleitoral propriamente dita.<\/p>\n<p>No Chile, est\u00e1 pendente o tema da representa\u00e7\u00e3o e correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es para a Conven\u00e7\u00e3o Constituinte, assim como aos conte\u00fados da nova Constitui\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, de todo modo, as for\u00e7as populares, comportando-se com desenvoltura nas recentes rebeli\u00f5es e com capacidade demonstrada para influir exercendo a democracia das ruas, \u00e9 um sinal de esperan\u00e7a, ainda que apresente defici\u00eancia frente \u00e0 capacidade militar e ao desdobramento da viol\u00eancia por parte das direitas e dos EUA.<\/p>\n<p>Em ambos os casos \u2013 e em muitos outros \u2013 est\u00e1 presente o desafio da forma\u00e7\u00e3o das novas vanguardas anti-imperialistas e anticapitalistas com capacidade de a\u00e7\u00e3o integral, isto \u00e9, avan\u00e7os ainda pendentes de dire\u00e7\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia pol\u00edtica alternativa nos movimentos sociais em luta e em todas as for\u00e7as potencialmente transformadoras, garantia para o salto do puramente reformista ou reformador para o rigidamente socialista-revolucion\u00e1rio, que inclui o pol\u00edtico-militar.<\/p>\n<p>Os acontecimentos recentes, enquanto v\u00e3o al\u00e9m das fronteiras desses pa\u00edses irm\u00e3os e de est\u00edmulo a outros processos de resist\u00eancia e indigna\u00e7\u00e3o popular, revelam que, em nossa Am\u00e9rica, est\u00e1 novamente em curso transformar o ideal bolivariano e guevarista em realidade, ou seja, forjar uma P\u00e1tria Grande desvencilhada do norte insidioso e brutal e do seu \u201cDestino Manifesto\u201d, sob o sinistro lema de \u201cAm\u00e9rica para os gringos\u201d. (28-10-2020 \u2013 Santo Domingo RD)<\/p>\n<hr \/>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Este texto pode ser lido no original em:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"s9d0xHRnpz\"><p><a href=\"https:\/\/diario16.com\/bolivia-y-chile-la-ola-transformadora-se-reactiva-en-nuestra-america\/\">Bolivia y Chile: La ola transformadora se reactiva en nuestra Am\u00e9rica<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"\u00abBolivia y Chile: La ola transformadora se reactiva en nuestra Am\u00e9rica\u00bb \u2014 Diario16\" src=\"https:\/\/diario16.com\/bolivia-y-chile-la-ola-transformadora-se-reactiva-en-nuestra-america\/embed\/#?secret=s9d0xHRnpz\" data-secret=\"s9d0xHRnpz\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>[N T: \u201cDestino Manifesto\u201d\u2192 A doutrina do &#8220;Destino Manifesto&#8221; \u00e9 uma filosofia que expressa a cren\u00e7a de que o povo dos Estados Unidos foi eleito por Deus para comandar o mundo, sendo o expansionismo geopol\u00edtico estadunidense apenas uma express\u00e3o dessa vontade divina. No s\u00e9culo XIX, a doutrina do destino manifesto era uma cren\u00e7a comum entre os habitantes dos Estados Unidos, que dizia que os colonizadores estadunidenses deveriam se expandir pela Am\u00e9rica do Norte. Ela expressa a cren\u00e7a de que o povo estadunidense foi eleito por Deus para civilizar o seu continente. (Wikip\u00e9dia)]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26370\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[234],"class_list":["post-26370","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Rk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26370\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}