{"id":26405,"date":"2020-11-10T21:10:07","date_gmt":"2020-11-11T00:10:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26405"},"modified":"2023-02-26T01:01:19","modified_gmt":"2023-02-26T04:01:19","slug":"as-eleicoes-nos-eua-e-os-impactos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26405","title":{"rendered":"As elei\u00e7\u00f5es nos EUA e os impactos no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3dARxAa3uwfVCoZJuSFo2XYnIr4RruqoMjDy7uA6-0cs7DJPAkxqflbIER-I8jHwytHvLp_DDLQnut8P6DjTfPG50oLxdarRkHhz8RkrZ86AYsDcOUqTm8tUa9Pj-F8-qtcxgHIjja1tUMk2E6iXp6z=w924-h957-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Edmilson Costa*<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos ocorreram numa conjuntura em que o imp\u00e9rio enfrenta um processo acelerado de decad\u00eancia, combinado com uma tripla crise: uma crise econ\u00f4mica, uma crise sanit\u00e1ria e uma crise de hegemonia. Mesmo antes da emerg\u00eancia dram\u00e1tica desses fen\u00f4menos, o sistema j\u00e1 tinha sido abalado pela crise de 2008, da qual at\u00e9 agora o Pa\u00eds ainda n\u00e3o se recuperou. A crise exp\u00f4s com rudeza expl\u00edcita os graves problemas sociais longamente omitidos pela m\u00eddia corporativa.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump e seus quatro anos de governo representaram uma esp\u00e9cie de tentativa desesperada das classes dominantes de reverter a crise, retomar a hegemonia do imp\u00e9rio e colocar o \u00f4nus na conta dos trabalhadores. Mas o governo Trump, com sua agressividade e extravag\u00e2ncia patol\u00f3gica, em vez de resolver os problemas, acirrou todas as contradi\u00e7\u00f5es, tanto do ponto de vista interno quanto externo. Os imp\u00e9rios em decad\u00eancia s\u00e3o assim mesmo: naturalizam as bizarrices e nem percebem que essas bizarrices representam seu esgotamento.<\/p>\n<p>Durante os quatro anos de governo nos Estados Unidos, Trump colocou o sistema de cabe\u00e7a para baixo. Apoiou supremacistas brancos, barbarizou os imigrantes, reprimiu os pretos e a juventude e renegou a ci\u00eancia na crise sanit\u00e1ria. Do ponto de vista internacional, rompeu todas as regras constitu\u00eddas pelo pr\u00f3prio sistema desde o p\u00f3s-guerra, brigou com velhos aliados da Europa, desencadeou uma ofensiva contra a China, principal financiador de seu d\u00e9ficit, estimulou golpes de Estado, imp\u00f4s san\u00e7\u00f5es selvagens contra na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se curvaram aos seus p\u00e9s, al\u00e9m de uma agenda pol\u00edtica abertamente agressiva e extravagante que inclu\u00eda o apoio a bandos fascistas em v\u00e1rias partes do mundo \u2013 tudo isso na v\u00e3 perspectiva de que essas bravatas seriam suficientes para resolver a crise. Quando a pandemia chegou, a economia norte-americana j\u00e1 estava a caminho de uma nova onda da crise sist\u00eamica global e a doen\u00e7a apenas acelerou e potencializou os problemas que j\u00e1 estavam inscritos num sistema fragilizado.<\/p>\n<p>Portanto, para se compreender a confus\u00e3o em torno da elei\u00e7\u00e3o de Biden \u00e0 presid\u00eancia e a resist\u00eancia de Trump em reconhecer a derrota, al\u00e9m da crise institucional em curso, \u00e9 preciso atentar para o fato de que todo esse imbr\u00f3glio imperial n\u00e3o \u00e9 nada mais nada menos do que a express\u00e3o pol\u00edtica da decad\u00eancia imperialista. Como escrevi em trabalho anterior, por mais que os escribas a servi\u00e7o de Wall Street propaguem que tudo que est\u00e1 acontecendo \u00e9 resultado da pandemia, a crise na verdade \u00e9 do pr\u00f3prio sistema capitalista. Trump e seus arroubos patol\u00f3gicos significam apenas os rugidos de um buf\u00e3o em final de espet\u00e1culo, um arranjo das classes dominantes que n\u00e3o deu certo e que agora o sistema procura corrigir apostando todas as fichas em Biden. Como se pode imaginar, as classes dominantes tamb\u00e9m cometem erros e, em muitos casos, esses erros abrem janelas de oportunidades para a constru\u00e7\u00e3o de alternativas populares.<\/p>\n<p>O resultado das elei\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos \u00e9 muito mais uma derrota de Trump do que uma vit\u00f3ria de Biden. Os setores populares n\u00e3o devem ter nenhuma ilus\u00e3o de que o novo governo significa uma mudan\u00e7a de fundo no sistema imperialista. Evidente que Biden vai ter que dar algum tipo de respostas aos setores populares que sa\u00edram as ruas, em plena pandemia, nos \u00faltimos meses, contra o racismo, a misoginia, o desemprego e a pobreza no imp\u00e9rio. Mas Biden \u00e9 um homem do sistema, um democrata de centro, que foi indicado como candidato \u00e0 presid\u00eancia justamente para evitar que Bernie Sanders ganhasse a conven\u00e7\u00e3o e, caso fosse indicado, como prometia, pudesse realizar um conjunto de reformas muito al\u00e9m daquilo que o sistema estaria disposto a aceitar. De qualquer forma, a derrota de Trump pode abrir espa\u00e7o para a emerg\u00eancia dos movimentos populares, especialmente entre a juventude, os negros, os latinos e os trabalhadores sufocados pelo desemprego e os baixos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, seria um erro crasso confundir as classes dominantes imperialistas com os interesses dos trabalhadores, dos negros, dos latinos e da juventude dos Estados Unidos. L\u00e1 tamb\u00e9m existe luta de classes e, inclusive, a luta de classes no cora\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio dever\u00e1 ser t\u00e3o ou muito mais dura que nos outros pa\u00edses, porque l\u00e1 \u00e9 o centro do imperialismo. L\u00e1 \u00e9 que se encontra o n\u00facleo duro das classes dominantes mundiais. Portanto, \u00e9 l\u00e1 onde a burguesia colocar\u00e1 toda a sua for\u00e7a para derrotar o movimento popular. Como tamb\u00e9m \u00e9 l\u00e1 que est\u00e1 ocorrendo uma crise de propor\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas e onde podem ocorrer lutas t\u00e3o intensas quanto na d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo passado, como as manifesta\u00e7\u00f5es contra a guerra do Vietn\u00e3 e pelos direitos civis. As contradi\u00e7\u00f5es acumuladas nas \u00faltimas seis d\u00e9cadas come\u00e7am a chegar \u00e0 superf\u00edcie e prometem grandes jornadas de lutas.<\/p>\n<p>Por que acreditamos que haver\u00e1 um acirramento da luta de classes nos Estados Unidos? Porque, como dissemos, o Pa\u00eds vive uma crise tripla, ou seja, n\u00e3o se trata de uma crise conjuntural qualquer, mas de uma crise sist\u00eamica que requer mudan\u00e7as estruturais que Biden n\u00e3o pode fazer ou n\u00e3o quer fazer. Sem mudan\u00e7as estruturais n\u00e3o se pode resolver as principais reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, da juventude, dos negros, dos latinos, dos pobres, dos sem teto nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que o sistema n\u00e3o est\u00e1 de m\u00e3os atadas: como sempre vai tentar absorver e cooptar os movimentos sociais e populares, mediante atendimento de algumas pautas identit\u00e1rias, mas se n\u00e3o conseguir seus objetivos pela via da negocia\u00e7\u00e3o, vai tentar derrot\u00e1-los de forma brutal como aconteceu com os Panteras Negras na d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo passado. Como a luta de classes \u00e9 din\u00e2mica, muita \u00e1gua ainda vai rolar no teatro de opera\u00e7\u00f5es da principal na\u00e7\u00e3o imperialista do planeta.<\/p>\n<p>Os impactos no Brasil e na Am\u00e9rica Latina<br \/>\nDe qualquer forma, \u00e9 importante compreendermos com frieza o que est\u00e1 acontecendo no centro do imp\u00e9rio, seus impactos no mundo e, especialmente, no Brasil, para podermos construir uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que favore\u00e7a os interesses populares. A vit\u00f3ria de Joe Biden representa um duro golpe para a extrema-direita no mundo inteiro e ao fascismo emergente. As pol\u00edticas fascistas, supremacistas brancas, mis\u00f3ginas, negacionistas da ci\u00eancia e as bizarrices em geral tendem a ficar na defensiva. Tendem por qu\u00ea? Porque todo movimento quando sofre uma derrota em que sua lideran\u00e7a \u00e9 golpeada de maneira como ocorreu nos EUA, ou seja, quando o movimento perde a cabe\u00e7a, o corpo tende a se desagregar. No caso espec\u00edfico, um Trump fora da presid\u00eancia, sem o poder presidencial, deixa o trumpismo com enorme dificuldade para se reorganizar, para retomar o discurso, para empolgar novamente as pessoas.<\/p>\n<p>A extrema-direita e o fascismo emergente tender\u00e3o a ficar na defensiva, inclusive porque Trump pode at\u00e9 futuramente ser preso em fun\u00e7\u00e3o de suas falcatruas empresariais. O sistema j\u00e1 optou por Biden e as estrepolias de Trump n\u00e3o passam daquilo que os advogados costumam designar como jus esperneandi. Mesmo que Biden realize algumas mudan\u00e7as heterodoxas para alcan\u00e7ar algum tipo de retomada da economia, pouco mudar\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas neoliberais nos pa\u00edses da periferia. Afinal, essas pol\u00edticas v\u00eam sendo desenvolvidas desde a d\u00e9cada de 80 (no Brasil, a partir do governo Collor e mais especificamente no governo Fernando Henrique Cardoso) e enquanto a oligarquia financeira ditar as regras em Washington a orienta\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 sendo a mesma. Resta aos povos da periferia aproveitar esse momento de crise do imp\u00e9rio para ampliar a organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre e derrotar em cada Pa\u00eds a ofensiva neoliberal e abrir caminhos para alternativas que representem os interesses populares.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a possibilidade de uma distens\u00e3o provis\u00f3ria na pol\u00edtica internacional, muito embora n\u00e3o se possa esquecer que os governos democratas foram os mais belicistas da hist\u00f3ria dos Estados Unidos. A grande inc\u00f3gnita \u00e9 o que vai ocorrer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disputa com a China, ao acordo rompido com o Ir\u00e3, \u00e0s san\u00e7\u00f5es contra a Venezuela, Cuba e Cor\u00e9ia do Norte. Pode ser que, em fun\u00e7\u00e3o da grave crise interna, eles priorizem ou sejam obrigados a priorizar a cura das feridas internas. Mas h\u00e1 ainda um grande perigo: que far\u00e1 Trump at\u00e9 a posse do novo presidente? Como uma pessoa imprevis\u00edvel n\u00e3o est\u00e1 descartada nenhuma maluquice t\u00edpica de um animal ferido. De qualquer forma, \u00e9 importante lembrarmos que a luta de classes tamb\u00e9m est\u00e1 acirrada na Am\u00e9rica Latina: as manifesta\u00e7\u00f5es que ocorreram no Equador antes da pandemia, a derrota do golpe na Bol\u00edvia a partir da resist\u00eancia do movimento popular e a vit\u00f3ria do plebiscito do povo chileno por uma nova constitui\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s as maiores manifesta\u00e7\u00f5es desde os tempos da Unidade Popular, s\u00e3o processos que apontam positivamente para o ressurgimento de vit\u00f3rias populares na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No que se refere ao Brasil, a derrota de Trump significa tamb\u00e9m um duro golpe ao governo Bolsonaro, porque esse construiu toda a pol\u00edtica governamental em subservi\u00eancia vergonhosa ao governo Trump, chegando ao n\u00edvel de bater contin\u00eancia \u00e0 bandeira norte-americana, dizer que amava Trump e envergonhar a diplomacia brasileira em vota\u00e7\u00f5es bizarras. Como um capit\u00e3ozinho do mato, considerava-se um amigo de Trump, mas na verdade era apenas um amigo imagin\u00e1rio, porque o governo dos EUA, ignorando a propalada \u201camizade, tomou uma s\u00e9rie de medidas contra a economia brasileira. \u00c9 exatamente esse servilhismo rasteiro que o constrange a reconhecer a derrota de Trump, bem como \u00e9 o fanatismo que leva seus apoiadores lun\u00e1ticos a continuar batendo na tecla de que Trump foi derrotado pela fraude. Comportamentos t\u00edpicos de quem est\u00e1 sem rumo.<\/p>\n<p>Da mesma forma que o movimento fascista emergente sai enfraquecido desse processo, toda a pol\u00edtica negacionista de Bolsonaro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia, todas as suas estrepolias contra o uso de m\u00e1scaras e as lorotas contra a vacina\u00e7\u00e3o e a cloroquina est\u00e3o muito fragilizadas. Tamb\u00e9m ficar\u00e1 sem ch\u00e3o a pol\u00edtica externa brasileira, que se destacou por envergonhar a longa tradi\u00e7\u00e3o da diplomacia do Pa\u00eds e, se n\u00e3o mudar, transformar\u00e1 o Brasil num p\u00e1ria internacional. Mas a \u00e1rea que sai mais enfraquecida \u00e9 a pol\u00edtica ambiental, comandada por um inimigo declarado das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente. A press\u00e3o internacional contra as queimadas e o desmatamento vai aumentar e n\u00e3o adianta Bolsonaro vir agora querer bancar o nacionalista tardio, pois esse governo n\u00e3o tem nenhuma moral nesse setor porque foi e est\u00e1 sendo o governo mais entreguista e subserviente da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>Do ponto de vista mais ideol\u00f3gico, a turma bolsonarista em luta contra o chamado marxismo cultural ficar\u00e1 na berlinda porque seus parceiros internacionais est\u00e3o reduzidos a pe\u00e7as folcl\u00f3ricas de museus. Outro tema que chamar\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 se o governo brasileiro continuar\u00e1 se comportando de maneira hostil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disputa em rela\u00e7\u00e3o a Huawei, a vacina de origem chinesa e produzida no Instituto Butant\u00e3, mesmo sabendo que a China \u00e9 o maior parceiro comercial do Brasil. Mas h\u00e1 ainda um assunto que viciou tanto os operadores do governo, que tende a continuar na ordem do dia, muito embora com menos for\u00e7a, que s\u00e3o as fake news. Um Bolsonaro sem fake news, sem espet\u00e1culos di\u00e1rios bizarros para ofuscar os problemas reais, sem um guru t\u00e3o grotesco quanto ele no centro do imp\u00e9rio, \u00e9 um governante com o trono enferrujado. As pesquisas de opini\u00e3o da \u00faltima semana, bem como o fracasso dos candidatos que ele est\u00e1 apoiando nas elei\u00e7\u00f5es municipais, j\u00e1 come\u00e7am a demonstrar isso.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode deixar de avaliar que a derrota de Trump deixou o bolsonarismo sem norte, sem b\u00fassola e com a brocha na m\u00e3o. Inclusive esse processo fortalecer\u00e1 o Minist\u00e9rio P\u00fablico nas investiga\u00e7\u00f5es contra Flavio Bolsonaro e as mil\u00edcias. O depoimento da ex-funcion\u00e1ria do Zero Um indica nessa dire\u00e7\u00e3o. Politicamente, Bolsonaro vai ficar completamente nas m\u00e3os do Centr\u00e3o que, como todos sabem, vai cobrar muito mais caro o apoio a um governo agora mais fragilizado, principalmente porque tudo leva a crer que esse setor sair\u00e1 bastante fortalecido nas elei\u00e7\u00f5es municipais. S\u00e3o esses elementos da conjuntura que devem ser levados em conta na organiza\u00e7\u00e3o da luta e elabora\u00e7\u00e3o de propostas alternativas ao governo Bolsonaro. Mesmo assim, apesar de ferido, o bolsonarismo n\u00e3o est\u00e1 morto e ainda precisa muita luta para derrotar esse governo e sua pol\u00edtica de terra arrasada.<\/p>\n<p>As tarefas da nova conjuntura<\/p>\n<p>Diante dessa nova conjuntura quais s\u00e3o as tarefas das for\u00e7as classistas, especialmente dos comunistas?<\/p>\n<p>1) A hora \u00e9 de passar \u00e0 ofensiva contra o governo Bolsonaro e sua pol\u00edtica de terra arrasada e realizar uma ampla agita\u00e7\u00e3o e propaganda, tanto nas redes sociais, quanto nas ruas, contra esse discurso que est\u00e1 sendo desmoralizado pela conjuntura. Ou seja, \u00e9 fundamental ampliar as den\u00fancias contra o negacionismo, em defesa da vida, das vacinas, contra a vassalagem do governo em rela\u00e7\u00e3o aos EUA, em defesa das pol\u00edticas ambientais, contra as queimadas e o desmatamento, em defesa da biodiversidade, das comunidades ind\u00edgenas e quilombolas.<\/p>\n<p>2) Retomar as manifesta\u00e7\u00f5es de ruas contra o desemprego e pelas frentes de trabalho que garanta emprego para todos, contra o corte de direitos e sal\u00e1rios, contra a carestia, em defesa da sa\u00fade p\u00fablica e do SUS, em defesa da vida e da vacina\u00e7\u00e3o em massa da popula\u00e7\u00e3o, da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade, das universidades e da ci\u00eancia, da Petrobr\u00e1s e das empresas p\u00fablicas. Como a grande maioria dos trabalhadores j\u00e1 sai \u00e0s ruas, de segunda a s\u00e1bado, em defesa da sua sobreviv\u00eancia, \u00e9 natural que tamb\u00e9m possa protestar aos domingos nas ruas contra as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e do povo.<\/p>\n<p>3) \u00c9 fundamental construir novas ferramentas para a reorganiza\u00e7\u00e3o de nossa classe, uma vez que as organiza\u00e7\u00f5es sindicais do velho ciclo est\u00e3o superadas e n\u00e3o respondem mais \u00e0s necessidades da luta de classe e perderam a perspectiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es sociais em nosso Pa\u00eds. Entre as novas organiza\u00e7\u00f5es que emergem nessa conjuntura est\u00e1 o F\u00f3rum por Direitos e Liberdades, uma organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane os principais sindicatos nacionais dos trabalhadores e da juventude e v\u00e1rias entidades do movimento popular. Portanto, \u00e9 hora de consolidar sua estrutura nacional e construir as organiza\u00e7\u00f5es do F\u00f3rum nos Estados, de forma a que possa se transformar num protagonista da luta de classes no Brasil a partir de cada Estado. A consolida\u00e7\u00e3o dessa organiza\u00e7\u00e3o em n\u00edvel nacional \u00e9 fator determinante para que os trabalhadores e a juventude re\u00fanam as condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o do Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (Enclat), a ser realizado no momento em que a luta de classes permitir a constru\u00e7\u00e3o de uma nova ferramenta sindical e popular pra unir e organizar os trabalhadores, a juventude e o povo pobre das periferias.<\/p>\n<p>4) Construir um programa estrat\u00e9gico que possibilite a disputa com a burguesia e os conciliadores de classes sobre os novos rumos do Pa\u00eds no p\u00f3s-pandemia, com medidas que apontem claramente na perspectiva anticapitalista e antimperialistas. Aliado a essa medida, \u00e9 fundamental um programa de emerg\u00eancia, que responda concretamente as reivindica\u00e7\u00f5es mais sentidas dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o, como emprego, renda, habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>5) Todos os lutadores sociais e pol\u00edticos devem estar preparados para qualquer tipo de conjuntura em nosso Pa\u00eds, pois \u00e9 certo que teremos um acirramento da luta de classes nos pr\u00f3ximos meses em fun\u00e7\u00e3o do desemprego, da mis\u00e9ria, da carestia e das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida a que est\u00e1 submetida a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Numa conjuntura dessa ordem, as classes dominantes far\u00e3o tudo para manter o seu dom\u00ednio e sua pol\u00edtica de terra arrasada. Por isso, \u00e9 fundamental construir instrumentos para que as massas n\u00e3o sejam esmagadas nas suas manifesta\u00e7\u00f5es, nas greves ou nos seus locais de moradias.<\/p>\n<p>Finalmente, acreditamos que, mesmo diante dessa conjuntura dif\u00edcil, a luta pol\u00edtica no Brasil se torna mais favor\u00e1vel para um discurso contra o capitalismo, que desmoralize a pol\u00edtica neoliberal e os servi\u00e7os privados e que ligue as dificuldades da vida cotidiana da popula\u00e7\u00e3o ao poder e \u00e0 trucul\u00eancia das classes dominantes brasileiras. Acreditamos que existe uma reserva de for\u00e7a social adormecida na sociedade brasileira que precisa ser despertada. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio ficar atento para orientar e dirigir essas for\u00e7as quando despertarem no processo de acirramento da luta de classes em nosso pa\u00eds. \u00c9 importante ainda tomarmos em conta que as mudan\u00e7as em nosso Pa\u00eds n\u00e3o ser\u00e3o f\u00e1ceis, tanto em fun\u00e7\u00e3o da brutalidade das classes dominantes, quanto pelo papel que o Brasil representa na geopol\u00edtica internacional. Uma derrota do imperialismo no Brasil ter\u00e1 repercuss\u00f5es mundiais. Por isso, a luta aqui ser\u00e1 muito dura e dif\u00edcil, mas quando as massas est\u00e3o dispostas a mudar a vida n\u00e3o tem for\u00e7a capaz de derrot\u00e1-las.<\/p>\n<p>*Secret\u00e1rio-Geral do PCB<\/p>\n<p>Charge: Mauro Iasi<\/p>\n<p>Mais zoom aplicado ao item para ajust\u00e1-lo \u00e0 largura da tela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26405\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7,165,383],"tags":[234],"class_list":["post-26405","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","category-eua","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6RT","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26405\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}