{"id":2641,"date":"2012-04-07T21:06:44","date_gmt":"2012-04-07T21:06:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2641"},"modified":"2012-04-07T21:06:44","modified_gmt":"2012-04-07T21:06:44","slug":"tenorio-jr-pianista-de-vinicius-de-moraes-desapareceu-em-1976-em-buenos-aires","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2641","title":{"rendered":"Ten\u00f3rio Jr., pianista de Vin\u00edcius de Moraes, desapareceu em 1976 em Buenos Aires"},"content":{"rendered":"\n<p>Caros Amigos<\/p>\n<p>Passados mais de 35 anos, as reais circunst\u00e2ncias da morte de Francisco Ten\u00f3rio Jr., o Tenorinho, pianista de Vin\u00edcius de Moraes que desapareceu em mar\u00e7o de 1976, em Buenos Aires, podem ser esclarecidas.<\/p>\n<p>O procurador federal argentino da causa penal da Opera\u00e7\u00e3o Condor, Miguel Angel Osorio, que investiga delitos praticados pela alian\u00e7a pol\u00edtico-militar criada entre ditaduras da Am\u00e9rica do Sul para coordenar a repress\u00e3o a opositores, abriu, no m\u00eas de fevereiro, uma investiga\u00e7\u00e3o formal sobre as circunst\u00e2ncias da morte de Tenorinho. \u201cE como estou investigando formalmente a morte do m\u00fasico, entre outras coisas pedi a extradi\u00e7\u00e3o de Vallejos\u201d, disse \u00e0 Caros Amigos, em entrevista ao telefone, durante sua breve visita ao Brasil, para participar do 5\u00ba Encontro Latino Americano Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a, ocorrido em Porto Alegre (RS), nos dias 29, 30 e 31 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O argentino Claudio Vallejos, que afirma ter atuado na repress\u00e3o a presos pol\u00edticos na Esma (Escola de Mec\u00e2nica Armada), um dos maiores centros de deten\u00e7\u00e3o clandestina da Argentina durante a ditadura no pa\u00eds (1976-1983), onde cerca de cinco mil pessoas foram mortas e desaparecidas, foi preso no come\u00e7o de janeiro acusado de estelionato. Em 2010, o argentino, que vive h\u00e1 mais de 30 anos no Brasil, j\u00e1 havia sido preso pela Pol\u00edcia Civil por estelionato.<\/p>\n<p>Em 1986, durante entrevista \u00e0 revista &#8220;Senhor&#8221; (n\u00ba 270), ele admitiu ter matado 30 pessoas e falou sobre o destino de diversos brasileiros nas m\u00e3os da ditadura argentina. Entre eles, Sidney Fix Marques dos Santos, Luiz Renato do Lago Faria, Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa, Norma Esp\u00edndola e Roberto Rascardo Rodrigues. Afirmou, tamb\u00e9m, ter participado do assassinato do pianista brasileiro Francisco Ten\u00f3rio Cerqueira Jr., o Tenorinho. O m\u00fasico, que n\u00e3o militava em nenhuma organiza\u00e7\u00e3o, tocava com Vin\u00edcius de Moraes em Buenos Aires, na Argentina, em 1976, quando desapareceu ap\u00f3s sair para ir a uma farm\u00e1cia. Seu corpo nunca foi encontrado.<\/p>\n<p>Durante o encontro ocorrido em Porto Alegre, o procurador argentino Miguel Osorio entregou uma c\u00f3pia do documento referente \u00e0 abertura do processo relativo ao pianista desaparecido \u00e0 Jair Krischke, do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos (MJDH), que assessora o procurador federal. Veja trechos da conversa com Osorio.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Quando e como foi o in\u00edcio da causa penal da Opera\u00e7\u00e3o Condor e h\u00e1 quanto tempo o senhor atua na causa? <\/strong><\/p>\n<p>Miguel Angel Osorio &#8211;\u00a0A causa que hoje se conhece como Condor se inicia em 1997, considerando os delitos se chamam de delitos permanentes. Assim, com esse conceito jur\u00eddico come\u00e7amos a investiga\u00e7\u00e3o que em princ\u00edpio n\u00e3o se chamava Condor, e tinha o nome de um general que \u00e9 r\u00e9u. E depois foram se incorporando casos e a causa se desmembrou, foram abrindo-se conjuntos de investiga\u00e7\u00f5es. Assim, em 97 em algum momento come\u00e7ou a se configurar o que hoje se chama Causa Condor, e nesse momento temos quase 200 casos em curso de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>CA &#8211; E sobre a pris\u00e3o de Claudio Vallejos, o senhor acha que ele pode ajudar na elucida\u00e7\u00e3o do Plano Condor? <\/strong><\/p>\n<p>MAO &#8211;\u00a0Na verdade, n\u00e3o acredito nem desacredito. Eu pedi a sua pris\u00e3o concretamente a partir das declara\u00e7\u00f5es que ele fez h\u00e1 pouco tempo depois de sua pris\u00e3o, no final de fevereiro. O per\u00edodo de deten\u00e7\u00e3o est\u00e1 tramitando e ent\u00e3o veremos o que ele pode trazer para essa investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>CA &#8211; Quais s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es que o senhor tem sobre Vallejos? <\/strong><\/p>\n<p>MAO &#8211;\u00a0N\u00e3o temos elementos que indiquem Vallejos como integrante do grupo de agentes de intelig\u00eancia da Marinha, como ele disse que era, e tampouco como integrante do aparato militar. N\u00e3o h\u00e1 registro dele como militar e como pessoa de intelig\u00eancia, ao menos formalmente. Digo oficialmente porque o que aconteceu na Esma [Escola de Mec\u00e2nica da Armada, um dos maiores centros clandestinos de deten\u00e7\u00e3o da ditadura Argentina, ocorrida entre 1976 e 1983] ningu\u00e9m d\u00e1 conta, e a Marinha, oficialmente, diz que n\u00e3o sabe o que aconteceu l\u00e1, que n\u00e3o h\u00e1 nenhum registro. Quando eu pe\u00e7o o registro das v\u00edtimas que passaram ali, eles dizem \u201cn\u00e3o o temos\u201d. Bom, oficialmente, a partir da perspectiva oficial, Vallejos apenas foi soldado. At\u00e9 agora, isso \u00e9 tudo que h\u00e1 oficialmente sobre essa pessoa.<\/p>\n<p><strong>CA &#8211; Em entrevistas \u00e0 imprensa brasileira no ano de 1986, Vallejos falou sobre o caso Tenorinho, o senhor acredita que ele poderia ajudar na elucida\u00e7\u00e3o do caso do pianista? <\/strong><\/p>\n<p>MAO &#8211;\u00a0Tomara que assim seja. Entre outras coisas, \u00e9 por esse motivo que pedi que ele seja extraditado para a Argentina. Uma investiga\u00e7\u00e3o formal sobre o m\u00fasico rec\u00e9m come\u00e7ou agora em fevereiro, para saber o que aconteceu com ele. De acordo com as informa\u00e7\u00f5es que eu tenho, o m\u00fasico teria sido sequestrado dias antes do golpe militar, e a morte haveria ocorrido dois ou tr\u00eas dias depois do golpe. Ent\u00e3o eu me apoio nisso para poder abrir a investiga\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, agora, formalmente, a Argentina est\u00e1 investigando na Causa Condor a morte do m\u00fasico. E como estou investigando formalmente a morte do m\u00fasico, entre outras coisas pedi a extradi\u00e7\u00e3o de Vallejos.<\/p>\n<p><strong>CA &#8211; E sobre a participa\u00e7\u00e3o do governo do Brasil na causa Condor. O senhor acredita que Vallejos poderia ajudar no esclarecimento? Na entrevista de 86, Vallejos falou da participa\u00e7\u00e3o de uma pessoa da embaixada do Brasil em Buenos Aires, que teria ido \u00e0 Esma ver Tenorinho. <\/strong><\/p>\n<p>MAO &#8211;\u00a0Veremos de que maneira que isso se pode esclarecer, ele pode ser um mit\u00f4mano ou estar falando a verdade. Veremos isso a partir do que ele declarar quando estiver em Buenos Aires, ent\u00e3o. Porque ele pode querer ou n\u00e3o querer colaborar. Se for indiciado, pode confirmar essa informa\u00e7\u00e3o ou neg\u00e1-la. \u00c9 dif\u00edcil antecipar o que ele pode dizer. Se ele incriminar um funcion\u00e1rio brasileiro, temos que ver de que maneira teremos acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, ouvi-lo, tentar ter acesso a algum documento que o governo brasileiro tenha.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/carosamigos.terra.com.br\/index2\/index.php\/noticias\/2699-argentina-investiga-desaparecimento-de-pianista-brasileiro\" target=\"_blank\">http:\/\/carosamigos.terra.com.br\/index2\/index.php\/noticias\/2699-argentina-investiga-desaparecimento-de-pianista-brasileiro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: CA\n\n\n\n\n\n\n\n\nPor Tatiana Merlino\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2641\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-2641","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-GB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2641","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2641"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2641\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}