{"id":26422,"date":"2020-11-13T20:09:31","date_gmt":"2020-11-13T23:09:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26422"},"modified":"2020-11-13T20:09:31","modified_gmt":"2020-11-13T23:09:31","slug":"as-fake-news-e-as-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26422","title":{"rendered":"As fake news e as elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-c8vo13WefjU\/X2Auitrgx2I\/AAAAAAAAB3c\/o_OL7Ww-kSE8BAaNeFi1cgVz0Y0z5cI3gCNcBGAsYHQ\/w400-h225\/vote%2Bwaldo.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Dicas de filmes e livros para entender o assunto<\/p>\n<p>Alexandre Campos<\/p>\n<p>https:\/\/camerapolis.blogspot.com\/2020\/09\/fake-news-e-eleicoes-dez-dicas-de.html<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es municipais est\u00e3o chegando no Brasil e um fen\u00f4meno que preocupa profissionais da comunica\u00e7\u00e3o, do direito, das ci\u00eancias sociais e pol\u00edticas e a sociedade civil em geral s\u00e3o as fake news. Muito tem se falado sobre isso e, nos \u00faltimos meses, diversas lives reuniram especialistas de v\u00e1rias \u00e1reas para debaterem o tema e tentarem antever os desafios eleitorais. Tive a satisfa\u00e7\u00e3o de mediar uma delas, &#8220;Cobertura eleitoral em tempos de fake news&#8221;, pela Associa\u00e7\u00e3o de Jornalistas do Sul Fluminense (Ajosul). A live foi bastante ampla, reunindo representantes da \u00e1rea acad\u00eamica, das fact-checking e meio jur\u00eddico. Vale a pena conferir [1].<\/p>\n<p>As fake news s\u00e3o apontadas como parte de um fen\u00f4meno mais amplo, que \u00e9 o da p\u00f3s-verdade (ou p\u00f3s-fato, como preferem alguns especialistas). O termo p\u00f3s-verdade foi eleito a palavra do ano de 2016 do Dicion\u00e1rio Oxford. No entendimento da Universidade de Oxford, a express\u00e3o p\u00f3s-verdade relaciona ou denota circunst\u00e2ncias nas quais fatos objetivos t\u00eam menos influ\u00eancia em moldar a opini\u00e3o p\u00fablica do que apelos \u00e0 emo\u00e7\u00e3o e a cren\u00e7as pessoais [2]. As fake news, vale lembrar, n\u00e3o s\u00e3o uma novidade. Elas existem desde os prim\u00f3rdios do jornalismo. A diferen\u00e7a da atualidade est\u00e1 no casamento com a tecnologia, que amplia a velocidade de compartilhamento, as facilidades de edi\u00e7\u00e3o e simula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos noticiosos (cada vez mais surgem p\u00e1ginas de fake news que imitam a diagrama\u00e7\u00e3o, layout e reda\u00e7\u00e3o t\u00edpicos do jornalismo) e o engajamento das pessoas com as mentiras. Sim, muita gente quer acreditar na mentira simplesmente porque concorda com ela, porque ela contribui, de alguma forma, para seus valores e vis\u00f5es de mundo.<\/p>\n<p>De acordo com estudiosos dos fen\u00f4menos das fake news e p\u00f3s-verdade, o marco desta onda tecnol\u00f3gica atual foi mesmo o ano de 2016, por conta das elei\u00e7\u00f5es de Donald Trump, nos Estados Unidos, e do Brexit (a sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia, coisa que at\u00e9 hoje tem dado muito o que falar por l\u00e1). Enquanto as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegam, a gente pode entender um pouco mais sobre os impactos da desinforma\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica e no cotidiano e aprender quais s\u00e3os seus mecanismos e as motiva\u00e7\u00f5es de quem est\u00e1 por tr\u00e1s das principais m\u00e1quinas de mentiras espalhadas pelo mundo: no Brasil, na R\u00fassia e at\u00e9 na pacata Maced\u00f4nia. Aqui selecionamos dez obras (seis filmes e quatro livros) nacionais e estrangeiras que discutem as fake news no contexto eleitoral.<\/p>\n<p>FILMES<\/p>\n<p>Privacidade Hackeada (2019): Este document\u00e1rio, dispon\u00edvel na Netflix, foca no esc\u00e2ndalo da participa\u00e7\u00e3o da Cambridge Analytica em algumas elei\u00e7\u00f5es, inclusive na americana, em que Trump foi eleito. Por meio de depoimentos, at\u00e9 mesmo de alguns ex-colaboradores da empresa, o filme se aprofunda nas artimanhas tecnol\u00f3gicas das redes sociais que se apropriam dos nossos dados e influenciam nosso comportamento e, claro, nosso voto. O ex-CEO da empresa, Alexander Nix, a classificava como uma &#8220;empresa de comunica\u00e7\u00e3o orientada por dados&#8221;. Privacidade Hackeada exp\u00f5e de forma impressionante o n\u00edvel de influ\u00eancia e manipula\u00e7\u00e3o que as t\u00e9cnicas da Cambridge Analytica tiveram em diversas campanhas do mundo, como na Argentina (2015), Trinidade e Tobago (2009), Mal\u00e1sia (2013), It\u00e1lia (2012), dentre outros pa\u00edses. &#8220;\u00c9 a personalidade que impulsiona o comportamento, e o comportamento obviamente influencia em quem voc\u00ea vota&#8221;, diz Nix [3].<\/p>\n<p>The Waldo Moment (2013): que Black Mirror \u00e9 o tipo de obra que nos ajuda a entender a atualidade acho que ningu\u00e9m que tenha assistido alguns bons epis\u00f3dios da s\u00e9rie tem d\u00favidas. O terceiro epis\u00f3dio da segunda temporada \u2013 The Waldo Moment \u2013 mostra como Waldo, um ursinho azul desbocado, gerado por computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica para debochar e ofender pol\u00edticos, acaba se tornando candidato nas elei\u00e7\u00f5es locais do Reino Unido. Com um discurso niilista contra &#8220;tudo o que a\u00ed est\u00e1&#8221;, Waldo, arrebata cora\u00e7\u00f5es de um eleitorado apol\u00edtico e cheio de revolta. No entanto, o humorista Jamie Salter, respons\u00e1vel pelo personagem, n\u00e3o gosta muito da ideia da candidatura, mas, contra a sua vontade, se v\u00ea obrigado a aceitar e conduzir o sucesso do personagem. Salter sabe que a candidatura n\u00e3o tem proposta e nem conte\u00fado. \u00c9 puro esc\u00e1rnio e irrealidade. O processo eleitoral \u00e9 o fio condutor dessa trama. E voc\u00ea, conhece algum Waldo de carne e osso em alguma elei\u00e7\u00e3o? [4]<\/p>\n<p>O dilema das redes (2020): semelhante a Privacidade Hackeada, esta produ\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ada neste ano pela Netflix, tamb\u00e9m foca nos algor\u00edtimos e aspectos t\u00e9cnicos das redes sociais, embora n\u00e3o aborde o caso da Cambridge Analytica. O filme nos mostra como a arquitetura dessas plataformas \u00e9 feita para gerar mudan\u00e7as em nosso comportamento, prender nossa aten\u00e7\u00e3o e at\u00e9 nos viciar. Os pr\u00f3prios tecn\u00f3logos comentam quais s\u00e3o os seus v\u00edcios digitais. O que \u00e9 preocupante: se eles, que t\u00eam consci\u00eancia das artimanhas tecnol\u00f3gicas, se v\u00eaem ref\u00e9ns em alguns casos, imagine n\u00f3s, pobres mortais. O dilema das redes possui algumas sequ\u00eancias dramatizadas que retratam muito bem o quanto ficamos viciados em telefone celular e a baixa autoestima que as novas m\u00eddias t\u00eam gerado nos mais jovens, que se v\u00eaem em uma sociedade de superexposi\u00e7\u00e3o e excesso de objetividade com a ditadura dos likes. O filme tamb\u00e9m traz todas essas problematiza\u00e7\u00f5es para o campo pol\u00edtico, mostrando como as redes t\u00eam favorecido ideias radicais e influenciado nas elei\u00e7\u00f5es. A prop\u00f3sito, com refer\u00eancias ao Brasil e \u00e0 elei\u00e7\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro [5].<\/p>\n<p>Fake news \u2013 baseado em fatos reais (2017): mais um document\u00e1rio, s\u00f3 que, desta vez, brasileiro, produzido pela equipe do Que mundo \u00e9 esse?, da Globonews. A produ\u00e7\u00e3o vai aos Estados Unidos, Reino Unido, R\u00fassia e at\u00e9 \u00e0 Maced\u00f4nia para investigar o fen\u00f4meno das fake news. Apesar de ser um document\u00e1rio brasileiro, peca por n\u00e3o se aprofundar tanto na realidade do pr\u00f3prio pa\u00eds. Realizado um ano antes das elei\u00e7\u00f5es de 2018, a impress\u00e3o que d\u00e1 ao revermos o filme atualmente \u00e9 que a tsunami das fake news foi um tanto subestimada quanto a seus impactos pol\u00edticos e eleitorais no Brasil. Mas certamente o ponto alto de Fake news \u2013 baseado em fatos reais \u00e9 a pacata e insuspeita Maced\u00f4nia. Por ser um polo de m\u00e3o de obra barata no ramo da tecnologia digital, o pa\u00eds europeu virou celeiro mundial de produ\u00e7\u00e3o de fake news, influenciando elei\u00e7\u00f5es como a de Trump, nos EUA, e o Brexit, no Reino Unido. A equipe entrevista um dos &#8220;Veles Boys&#8221;. O grupo de profissionais da cidade de Veles ficou assim conhecido por conta do trabalho com desinforma\u00e7\u00e3o em larga escala. O entrevistado, um garoto de 19 anos muito esperto e inteligente, mostra sem pudores como produz e dissemina seu conte\u00fado falso. Embora a t\u00f4nica do document\u00e1rio seja de que fake news pode ser de esquerda ou de direita, o Veles boy n\u00e3o poupa cr\u00edtica e deboche aos eleitores de Trump. Ele diz que o diferencial entre as mentiras de direita e de esquerda, ao menos no contexto americano, est\u00e1 na ades\u00e3o e engajamento do p\u00fablico. &#8220;Os eleitores de Bernie Sanders t\u00eam pensamento cr\u00edtico. J\u00e1 os eleitores de Trump acreditam em qualquer coisa&#8221;, tira sarro o garoto. Detalhe: mesmo sem ser nativo no idioma ingl\u00eas, o jovem maced\u00f4nio consegue criar textos mentirosos que convencem o eleitorado americano trumpista. M\u00e9rito do Veles boy ou dem\u00e9rito dos eleitores de Trump? [6]<\/p>\n<p>Rede de \u00f3dio (2020): para o cr\u00edtico Jos\u00e9 Geraldo Couto, &#8220;n\u00e3o pode haver filme mais atual, especialmente para n\u00f3s, brasileiros&#8221;, do que esta produ\u00e7\u00e3o polonesa dirigida por Jam Komasa. O filme mostra como a desregulamenta\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de marketing digital e eleitoral possibilita com que empresas e grupos ligados a essa atividade possam se valer das artimanhas mais anti\u00e9ticas e mentirosas, gerando caos social e destrui\u00e7\u00e3o. Mais do que isso, o filme aborda como poucos aspectos psicol\u00f3gicos, mostrando o peso do rancor, do ressentimento, da sexualidade e da falta de autoestima na pol\u00edtica. A narrativa gira em torno do jovem Tomasz Giemsa (Maciej Musialowski), uma esp\u00e9cie de sobrevivente neste mundo com o tecido social esgar\u00e7ado pelas novas tecnologias. Tomasz \u00e9 v\u00edtima e ao mesmo tempo algoz: \u00e9 influenciado psicologicamente por suas intera\u00e7\u00f5es nas redes e, como profissional de estrat\u00e9gias esp\u00farias de marketing digital, torna-se um manipulador de pessoas t\u00e3o ressentidas e outsiders quanto ele. A elei\u00e7\u00e3o em curso ajuda a mostrar a ascens\u00e3o de tend\u00eancias como xenofobia, racismo, homofobia e fascismo pelos meios digitais [7].<\/p>\n<p>Cont\u00e1gio (2011): vista em tempos de coronav\u00edrus, esta produ\u00e7\u00e3o americana dirigida por Steven Soderbergh soa prof\u00e9tica em alguns aspectos ao retratar uma pandemia fict\u00edcia que possui pontos semelhantes \u00e0 situa\u00e7\u00e3o que o mundo vive atualmente. Dentre eles, a chamada &#8220;infodemia&#8221;, a epidemia de informa\u00e7\u00e3o, incluindo muita mentira e fake news. A ideia do filme parece ser mostrar que as informa\u00e7\u00f5es falsas podem se replicar tanto quanto um v\u00edrus. A trama inclui um blogueiro metido a jornalista que propaga um falso rem\u00e9dio para a doen\u00e7a. Poderia se chamar cloroquina ou ivermectina, mas, na trama, recebe o nome de &#8220;fors\u00edtia&#8221;. Embora Cont\u00e1gio n\u00e3o mostre especificamente nenhum processo eleitoral, o filme entra em nossa lista justamente por conta do contexto pand\u00eamico, que tem influenciado e sido influenciado pela pol\u00edtica. Com certeza o problema da covid-19 ter\u00e1 protagonismo nas elei\u00e7\u00f5es municipais brasileiras [8].<\/p>\n<p>LIVROS<\/p>\n<p>A morte da verdade: notas sobre a mentira na era Trump (Michiko Kakutani): escrito pela jornalista norte-americana (de origem japonesa) Michiko Kakutani, com experi\u00eancia de longos anos no \u201cThe New York Times\u201d, esta \u00e9 mais uma das obras que situam o ano de 2016 e a elei\u00e7\u00e3o de Trump como marcos do fen\u00f4meno da p\u00f3s-verdade. Em um livro curto, Kakutani conseguiu condensar e, ao mesmo tempo, abordar com profundidade, caracter\u00edsticas como o enfraquecimento do conceito de fato, as guerras culturais, o tribalismo que enclausura cada vez mais os indiv\u00edduos em suas respectivas bolhas, o uso da ironia por parte dos pol\u00edticos como forma de propagar inconsequ\u00eancias e preconceitos de forma descompromissada (na pior das hip\u00f3teses, basta depois dizer que foi mal compreendido) e, claro, a propaganda pol\u00edtica flagrantemente mentirosa e seus &#8220;fatos alternativos&#8221;. A jornalista e escritora demonstra um desapre\u00e7o especial pelo p\u00f3s-modernismo e seus impactos filos\u00f3ficos na percep\u00e7\u00e3o da realidade. Com uma min\u00facia digna de um bom trabalho de lingu\u00edstica, ela mostra como conservadores religiosos e extremistas de direita valeram-se de um mesmo modus operandi do discurso p\u00f3s-moderno para legitimarem suas narrativas: &#8220;O argumento p\u00f3s-moderno de que todas as verdades s\u00e3o parciais (e dependem da perspectiva de uma pessoa) levou ao argumento de que existem diversas maneiras leg\u00edtimas de entender ou representar um acontecimento. Isso tanto encorajou um discurso mais igualit\u00e1rio quanto possibilitou que as vozes dos outrora exclu\u00eddos fossem ouvidas. Mas tamb\u00e9m foi explorado por aqueles que quiseram defender teorias ofensivas ou desacreditadas, ou equiparar coisas que n\u00e3o podem ser equiparadas. Os criacionistas, por exemplo, reivindicaram que a teoria do &#8220;design inteligente&#8221; fosse ensinada junto com a teoria da evolu\u00e7\u00e3o nas escolas. &#8220;Ensine as duas&#8221;, alguns sugeriram. Outros disseram: &#8220;Ensine a controv\u00e9rsia&#8221;.<\/p>\n<p>Dez argumentos para voc\u00ea deletar agora suas redes sociais (Jaron Lanier): o tecn\u00f3logo e fil\u00f3sofo da tecnologia Jaron Lanier \u00e9 uma figura ex\u00f3tica e carism\u00e1tica. Com suas longas madeixas rastafari, ele percorre o mundo alertando sobre os riscos das redes sociais, que classifica como verdadeiras m\u00e1quinas de mudan\u00e7a de comportamento e manipula\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida, Lanier entende do assunto, j\u00e1 que \u00e9 cria do Vale do Sil\u00edcio, da gera\u00e7\u00e3o de tecn\u00f3logos que ajudou a moldar as plataformas digitais que temos hoje, como Facebook e Twitter. Mas Lenier faz parte do time de tecn\u00f3logos que, apesar das boas inten\u00e7\u00f5es iniciais, perceberam que as consequ\u00eancias fugiram um pouco do controle. A prop\u00f3sito, Lanier \u00e9 um dos profissionais a dar depoimento no document\u00e1rio O dilema das redes, j\u00e1 sugerido aqui. Sua proposta, resumida no t\u00edtulo do livro, parece radical. Afinal, ser\u00e1 que conseguiremos deletar nossas redes sociais e viver mais offline? Mas Lanier diz que a ideia n\u00e3o \u00e9 deletar nada para sempre, mas s\u00f3 por um tempo, para que as empresas respons\u00e1veis pelas plataformas digitais sejam for\u00e7adas a adotar uma postura mais \u00e9tica e respons\u00e1vel. Dentre os problemas apontados pelo autor neste livro bomb\u00e1stico e por vezes desalentador, est\u00e3o os modos como a intelig\u00eancia artificial aprende com as tarefas dos seres humanos para, em seguida, torn\u00e1-los obsoletos, ampliando o desemprego. E, claro, a pol\u00edtica e as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o ficam de fora. O assunto \u00e9 abordado principalmente no cap\u00edtulo 9 \u2013 &#8220;As redes sociais tornam a pol\u00edtica imposs\u00edvel&#8221;. Isso porque elas v\u00e3o aos poucos erodindo os pressupostos comuns, distanciando as pessoas e dificultando o di\u00e1logo. Tendo em vista que a pol\u00edtica \u00e9 um espa\u00e7o de luta, por\u00e9m uma luta regrada, isso significa que para se fazer pol\u00edtica \u00e9 preciso estabelecer acordos e consensos, o que tem ficado cada vez mais complicado em tempos de tribalismo digital.<\/p>\n<p>P\u00f3s-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news (Matthew D&#8217;Ancona): o livro nos mostra como diversos pilares da democracia e modernidade, como m\u00eddia, ci\u00eancia, universidades e institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, v\u00eam sendo cada vez mais desacreditados. Ao mesmo tempo em que jornalistas s\u00e3o difamados, as m\u00eddias digitais favorecem o crescimento de teorias conspirat\u00f3rias sem fundamento. Novamente, as elei\u00e7\u00f5es americana e brit\u00e2nica, nas quais obtiveram \u00eaxito, respectivamente, Trump e o Brexit, s\u00e3o apontadas como \u00e1pice da era da p\u00f3s-verdade. D&#8217;Ancona, jornalista brit\u00e2nico com passagem por ve\u00edculos como The Guardian, The New York Times, Telegraph e The Times, ressalta que a mentira e o uso proposital da desinforma\u00e7\u00e3o sempre existiram. A diferen\u00e7a agora \u00e9 o engajamento do p\u00fablico, que, em parte desiste de procurar a verdade em meio a tantas mentiras, conformando-se em abra\u00e7ar as narrativas que melhor se encaixam em suas vis\u00f5es de mundo e, tamb\u00e9m em parte, acredita piamente nas informa\u00e7\u00f5es disponibilizadas em suas bolhas e tribos. Mais uma vez, nesta obra vemos o poder das novas tecnologias e das m\u00eddias sociais de manipularem, polarizarem e enraizarem opini\u00f5es.<\/p>\n<p>A m\u00e1quina do \u00f3dio: notas de uma rep\u00f3rter sobre fake news e viol\u00eancia digital (Patr\u00edcia Campos Mello): por fim, mas n\u00e3o menos importante, o rec\u00e9m-lan\u00e7ado livro da jornalista brasileira Patr\u00edcia Campos Mello tem o m\u00e9rito de esmiu\u00e7ar a situa\u00e7\u00e3o do Brasil, com foco nas elei\u00e7\u00f5es de 2018. A autora tem larga experi\u00eancia em cobertura pol\u00edtica e mostra o quanto as m\u00eddias digitais ganharam espa\u00e7o nas elei\u00e7\u00f5es da d\u00e9cada passada para c\u00e1. O livro faz uma cr\u00edtica n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s mentiras, mas \u00e0s campanhas de difama\u00e7\u00e3o que se valem do discurso de \u00f3dio para desconstruir a imagem de jornalistas profissionais (e as mulheres jornalistas s\u00e3o um alvo ainda maior). Nesse aspecto, a obra ganha mais um trunfo, por seu cunho autobiogr\u00e1fico, j\u00e1 que a autora foi respons\u00e1vel pela primeira de uma s\u00e9rie de reportagens sobre o financiamento de disparos em massa no Whatsapp e demais redes de dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, na maioria das vezes em benef\u00edcio de Jair Bolsonaro. Desde ent\u00e3o, ela se tornou alvo de uma pesada campanha de difama\u00e7\u00e3o arquitetada pelo chamado &#8220;gabinete do \u00f3dio&#8221; e por suas mil\u00edcias digitais. Campos Mello discute de forma minuciosa os modos como l\u00edderes populistas (ou tecnopopulistas) se valem de seus ex\u00e9rcitos de trolls e rob\u00f4s para manipular grandes parcelas da popula\u00e7\u00e3o em redes sociais como Twitter, Facebook, Instagram e Whatsapp.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>[1] Live &#8220;Cobertura eleitoral em tempos de fake news&#8221;:<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ke6HlMpLzkM?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;start=70&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>[2] &#8220;O que \u00e9 p\u00f3s-verdade, a palavra do ano segundo a Universidade de Oxford&#8221;:<\/p>\n<p>https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2016\/11\/16\/O-que-%C3%A9-%E2%80%98p%C3%B3s-verdade%E2%80%99-a-palavra-do-ano-segundo-a-Universidade-de-Oxford<\/p>\n<p>[3] Cr\u00edtica sobre Privacidade Hackeada:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"rwpHd5w2Np\"><p><a href=\"https:\/\/observatoriodocinema.uol.com.br\/artigos\/2019\/07\/privacidade-hackeada-da-netflix-te-fara-repensar-tudo-o-que-voce-ve-na-internet\">Privacidade Hackeada, da Netflix, te far\u00e1 repensar TUDO o que voc\u00ea v\u00ea na internet<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Privacidade Hackeada, da Netflix, te far\u00e1 repensar TUDO o que voc\u00ea v\u00ea na internet&#8221; &#8212; Observat\u00f3rio do Cinema\" src=\"https:\/\/observatoriodocinema.uol.com.br\/artigos\/2019\/07\/privacidade-hackeada-da-netflix-te-fara-repensar-tudo-o-que-voce-ve-na-internet\/embed#?secret=rwpHd5w2Np\" data-secret=\"rwpHd5w2Np\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>[4] Black Mirror e a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro:<\/p>\n<p>https:\/\/epoca.globo.com\/como-black-mirror-ajuda-entender-fenomeno-bolsonaro-23148634<\/p>\n<p>[5] O dilema nas redes:<\/p>\n<p>https:\/\/ninalemos.blogosfera.uol.com.br\/2020\/09\/14\/5-licoes-de-o-dilema-das-redes-doc-que-mostra-o-vicio-nas-redes-sociais\/<\/p>\n<p>[6] Fake news \u2013 baseado em fatos reais:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"lKt6yGe5HW\"><p><a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/lupa\/2017\/09\/22\/direto-da-macedonia-eu-ganhei-dinheiro-publicando-noticias-falsas\/\">Direto da Maced\u00f4nia: &#8216;Ganhei dinheiro publicando not\u00edcias falsas&#8217;<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Direto da Maced\u00f4nia: &#8216;Ganhei dinheiro publicando not\u00edcias falsas&#8217;&#8221; &#8212; Ag\u00eancia Lupa\" src=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/lupa\/2017\/09\/22\/direto-da-macedonia-eu-ganhei-dinheiro-publicando-noticias-falsas\/embed\/#?secret=lKt6yGe5HW\" data-secret=\"lKt6yGe5HW\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>[7] Cr\u00edtica de Jos\u00e9 Geraldo Couto sobre Rede de \u00f3dio:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"lBjO649Fpo\"><p><a href=\"https:\/\/ims.com.br\/blog-do-cinema\/a-engrenagem-do-odio-por-jose-geraldo-couto\/\">A engrenagem do \u00f3dio<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;A engrenagem do \u00f3dio&#8221; &#8212; Instituto Moreira Salles\" src=\"https:\/\/ims.com.br\/blog-do-cinema\/a-engrenagem-do-odio-por-jose-geraldo-couto\/embed\/#?secret=lBjO649Fpo\" data-secret=\"lBjO649Fpo\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>[8] &#8220;Cont\u00e1gio, o filme: profecias sobre a cloroquina e o (mau) uso da internet:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Ksiefq5n2K\"><p><a href=\"http:\/\/www.diretodaciencia.com\/2020\/05\/31\/contagio-o-filme-profecias-sobre-cloroquina-e-o-mau-uso-da-internet\/\">Cont\u00e1gio, o filme: \u2018profecias\u2018 sobre cloroquina e o (mau) uso da internet<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Cont\u00e1gio, o filme: \u2018profecias\u2018 sobre cloroquina e o (mau) uso da internet&#8221; &#8212; Direto da Ci&ecirc;ncia\" src=\"http:\/\/www.diretodaciencia.com\/2020\/05\/31\/contagio-o-filme-profecias-sobre-cloroquina-e-o-mau-uso-da-internet\/embed\/#?secret=Ksiefq5n2K\" data-secret=\"Ksiefq5n2K\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u00c1rea de anexos<br \/>\nVisualizar o v\u00eddeo Live &#8211; Cobertura Eleitoral em Tempos de Fake News do YouTube<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26422\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[17],"tags":[227],"class_list":["post-26422","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s21-eleicoes","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Sa","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26422\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}