{"id":26442,"date":"2020-11-19T22:49:31","date_gmt":"2020-11-20T01:49:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26442"},"modified":"2020-11-19T22:49:31","modified_gmt":"2020-11-20T01:49:31","slug":"nao-basta-ter-o-governo-e-preciso-construir-o-poder-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26442","title":{"rendered":"N\u00e3o basta ter o governo, \u00e9 preciso construir o Poder Popular"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pbs.twimg.com\/media\/EmfQ-3mXEAIP9WM.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->BOL\u00cdVIA E A AUTOCR\u00cdTICA NECESS\u00c1RIA: \u201cN\u00c3O BASTA TER O GOVERNO, PRECISAMOS DO PODER POPULAR\u201d<\/p>\n<p>Dirigentes do mundo progressista destacam que \u201cas revolu\u00e7\u00f5es fazemos n\u00f3s, os povos organizados\u201d<\/p>\n<p>Alina Duarte<\/p>\n<p>Embora a ultra-direita e seus grupos paramilitares tenham buscado impedir por todas as vias poss\u00edveis, Luis Arce Catacora assumiu a presid\u00eancia da Bol\u00edvia e Evo Morales deixou o ex\u00edlio na Argentina para voltar para casa.<\/p>\n<p>Depois de um ano de profunda crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social, consequ\u00eancia de um golpe de Estado e um governo de fato caracterizado por seu \u00edmpeto repressivo, racista e corrupto, o povo boliviano tem novamente um governo eleito democraticamente. Com ele, abrem-se os caminhos, debates e propostas de a\u00e7\u00e3o para retomar e fortalecer o chamado &#8220;processo de mudan\u00e7a\u201d inaugurado no ano de 2006 com a chegada de Evo Morales na presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Entretanto, al\u00e9m dos demolidores 55,11% nas urnas nas elei\u00e7\u00f5es passadas de 18 de<br \/>\noutubro, \u00e9 importante pontuar que a Bol\u00edvia n\u00e3o respira ventos de continuidade, mas de mudan\u00e7a. A resist\u00eancia, as organiza\u00e7\u00f5es e os movimentos sociais se oxigenaram, se renovaram e se fortaleceram depois de dezenas de mortos, perseguidos pol\u00edticos e exilados,<br \/>\nincluindo o pr\u00f3prio ex-presidente Evo Morales.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda que Evo, sua ex-equipe, o Movimento Ao Socialismo (MAS) e, em geral, o povo, voltem ao Pal\u00e1cio do Governo com a cabe\u00e7a erguida e com o respaldo de milh\u00f5es, a autocr\u00edtica parece ser a carta mais forte que o MAS tem para avan\u00e7ar. Tamb\u00e9m \u00e9 a maior li\u00e7\u00e3o para oferecer \u00e0 regi\u00e3o e aos processos de emancipa\u00e7\u00e3o popular que superam os dilemas do que parece delinear uma segunda onda progressista na regi\u00e3o latino-americana.<\/p>\n<p>A autocr\u00edtica e o poder popular<\/p>\n<p>O MAS, formalmente MAS-IPSP (Instrumento Pol\u00edtico para a Soberania dos Povos), retorna ao poder e enfrenta um grande desafio: voltar \u00e0s origens do que, embora se projete ao exterior ou se entenda como um partido pol\u00edtico, internamente se prioriza no sobrenome, o<br \/>\n\u201cinstrumento pol\u00edtico\u201d. Este \u00falitmo se reconfigura hoje para disputar o poder, enquanto permite formar quadros e combater os retrocessos do golpismo e os erros do processo de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de um instrumento que nos ajude a lutar pela revolu\u00e7\u00e3o e pelo poder [&#8230;] Sabemos o que j\u00e1 n\u00e3o queremos: racismo, oligarcas, exclus\u00e3o, mas precisamos construir com as pessoas o socialismo comunit\u00e1rio e por isso temos que seguir lutando\u201d, disse o soci\u00f3logo<br \/>\nencarregado da forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 da Vice-Presid\u00eancia do Estado Plurinacional, Juan Carlos Pinto Quintanilla, durante uma entrevista para a autora em La Paz, tr\u00eas dias depois das elei\u00e7\u00f5es presidenciais que deram a vit\u00f3ria ao bin\u00f4mio Arce-Choquehuanca.<\/p>\n<p>Durante a conversa, a autocr\u00edtica e o reconhecimento dos erros que permitiram que se gestasse um golpe de estado, apesar da solidez institucional que se acreditava ter, s\u00e3o uma constante, sendo fundamental na an\u00e1lise o papel da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta ter governo<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos n\u00e3o s\u00f3 da vontade das pessoas para sustentar o processo, mas tamb\u00e9m a sua repolitiza\u00e7\u00e3o. Significa que, nesse caminho paralelo, as lideran\u00e7as t\u00eam que ser renovadas, t\u00eam que ser fortalecidas porque sempre se pensou que basta estarmos no governo. Viu-se que<br \/>\nn\u00e3o bastava fazer obras [de infraestrutura] se n\u00e3o houvesse a consci\u00eancia das pessoas sobre o que iriam defender, e para defender \u00e9 preciso ter uma percep\u00e7\u00e3o do horizonte pol\u00edtico sobre o qual devem trabalhar e construir com elas. Por isso tamb\u00e9m estamos levantando a quest\u00e3o do<br \/>\npoder popular como um eixo importante que deve ser constru\u00eddo; n\u00e3o basta ter governo. Temos que ver como o descentralizamos para que o verdadeiro poder esteja nas pessoas.\u201d<\/p>\n<p>A complexidade que enfrentam \u00e9 evidente.<br \/>\nO Movimento ao Socialismo n\u00e3o nasceu como um partido e internamente se manifesta a pluralidade de posturas pol\u00edticas que, embora tenham contribu\u00eddo para a vit\u00f3ria, a g\u00eanese e a conforma\u00e7\u00e3o do processo de mudan\u00e7a, \u201cser t\u00e3o diverso gerou uma fragilidade de n\u00e3o fortalecer<br \/>\numa linha de discuss\u00e3o\u201d, disse Pinto Quintanilla. \u201cTodos participaram a partir da sua perspectiva, a partir da sua vis\u00e3o para construir um mundo alternativo ao neoliberal, mas \u00e0s vezes essa constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente, conforme j\u00e1 vimos no governo progressista. Os eixos voltam a ser o mercado capitalista e voltam a ser a resposta \u00e0s necessidades fundamentais do povo, mas n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m do capitalismo\u201d, aponta Pinto Quintanilla.<\/p>\n<p>Nisso, Am\u00e9rica Maceda Llanque, que faz parte do movimento Feminismo Comunit\u00e1rio Abya Yala: \u201cA autocr\u00edtica \u00e9 o que mais temos a oferecer\u201d. Acrescenta que \u201ctem que ser cr\u00edtica e autocr\u00edtica no processo de mudan\u00e7a. Embora as<br \/>\ncondi\u00e7\u00f5es materiais da popula\u00e7\u00e3o tenham melhorado, isso n\u00e3o foi acompanhado por um processo de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de consci\u00eancia, de autoconsci\u00eancia e de autocr\u00edtica, e n\u00f3s, o povo boliviano, tamb\u00e9m tivemos que pagar por esses erros\u201d.<\/p>\n<p>Cabe assinalar que enquanto a Bol\u00edvia foi um dos pa\u00edses com maior crescimento<br \/>\necon\u00f4mico da regi\u00e3o durante a \u00faltima d\u00e9cada (crescimento anual do PIB de 4,9% entre 2006 e 2019), ao caminhar pelas ruas de La Paz, militantes do MAS t\u00eam clareza de que o crescimento e o desenvolvimento econ\u00f4mico (dos quais um dos principais art\u00edfices foi justamente Luis Arce), n\u00e3o foram suficientes para sustar um processo que permitiu, com relativa facilidade, um golpe de estado.<\/p>\n<p>Um l\u00edder comunit\u00e1rio no poder e o efeito da desmobiliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mas decifrar com precis\u00e3o cient\u00edfica cir\u00fargica o que permitiu um golpe desta magnitude na Bol\u00edvia n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. No entanto, Am\u00e9rica Maceda esbo\u00e7a alguns dos fatores: a desmobiliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, a burocratiza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a direitiza\u00e7\u00e3o de certos setores<br \/>\ndentro do governo:<\/p>\n<p>\u201cOs 14 anos desmobilizaram as organiza\u00e7\u00f5es sociais embora tenhamos uma hist\u00f3ria e uma mem\u00f3ria sindical org\u00e2nica muito forte na Bol\u00edvia e uma luta especificamente contra aqueles que tinham o poder e que eram uma classe social dominante, uma classe pol\u00edtica que<br \/>\nrespondia a uma realidade colonial, capitalista, a elite do pa\u00eds. Uns poucos que governavam e que praticamente exclu\u00edam a maior parte da popula\u00e7\u00e3o que era ind\u00edgena origin\u00e1rio-camponesa. Fisicamente t\u00ednhamos o inimigo no Estado, no poder [&#8230;]. Se identificava facilmente onde estava o inimigo, que era quem ostentava o poder\u201d, explica Maceda. \u201cMas quando um de n\u00f3s, um irm\u00e3o, um dirigente cocalero, um dirigente ind\u00edgena campon\u00eas, ind\u00edgena origin\u00e1rio, assume o poder atrav\u00e9s de um processo democr\u00e1tico, de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e cultural como a temos chamado, o inimigo j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 fisicamente ali e o perdemos de vista fisicamente. Nos desmobilizamos, quando na realidade o inimigo seguia ali, seguia sendo o capitalismo, o patriarcado, o colonialismo, mas n\u00e3o pod\u00edamos o identificar fisicamente\u201d.<\/p>\n<p>Acrescenta que \u201cent\u00e3o n\u00e3o se podia fazer uma mobiliza\u00e7\u00e3o contra o companheiro irm\u00e3o presidente, n\u00e3o se podia fazer um protesto, uma marcha. E isso tamb\u00e9m burocratizou as organiza\u00e7\u00f5es sociais\u201d.<br \/>\nUm ano depois do golpe, os erros, as cr\u00edticas dos cen\u00e1rios pr\u00e9vio e posterior contribuem para uma nova discuss\u00e3o, a das tarefas e desafios que enfrentaremos ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es que deram ao MAS uma vit\u00f3ria acachapante.<\/p>\n<p>\u201cAs revolu\u00e7\u00f5es fazemos n\u00f3s, os povos organizados\u201d<\/p>\n<p>\u201cA tarefa das organiza\u00e7\u00f5es sociais era seguir aprofundando o processo de mudan\u00e7a, seguir comandando, dizer ao governo, que \u00e9 companheiro e amigo, o que \u00e9 que tinha que ser feito e essa \u00e9 a parte que nos cabe assumir agora. Embora o governo como tal tenha se burocratizado e transitado \u00e0 direita na \u00e9poca com pol\u00edticas contradit\u00f3rias ao que se propunha para viver bem &#8211; erros que se cometeram -, por outro lado, a popula\u00e7\u00e3o, as organiza\u00e7\u00f5es sociais, os movimentos sociais entraram nessa l\u00f3gica de querer ser governo quando a tarefa fundamental, pelo menos para n\u00f3s, \u00e9 fazer a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica cultural que \u00e9 o caminho que escolhemos como processo de mudan\u00e7a boliviano porque sabemos que os governos n\u00e3o fazem as revolu\u00e7\u00f5es, as revolu\u00e7\u00f5es fazemos n\u00f3s, os povos, os povos organizados\u201d.<\/p>\n<p>Segundo esta an\u00e1lise, ser um \u201cmovimento de movimentos\u201d que conquiste o poder<br \/>\npopular segue sendo o grande desafio.<\/p>\n<p>Os outros fatores chave<\/p>\n<p>\u00c0s vezes deixados de lado, n\u00e3o quisemos omitir dois fatores a serem considerados,<br \/>\nsobretudo para serem levados em conta por aqueles que adotam uma agenda anticapitalista, anti-imperialista, antifascista, em defesa da vida, em diferentes latitudes do planeta. O primeiro \u00e9 a solidariedade internacional. A necessidade de restabelecer a exist\u00eancia de organismos internacionais e regionais como a ALBA e a UNASUR, desarticulados<br \/>\npor governos de direita na regi\u00e3o que por sua vez se reconfiguraram em torno da inger\u00eancia e do intervencionismo como a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos e seu Grupo de Lima, faz-se gritante.<\/p>\n<p>A necessidade de o M\u00e9xico tomar uma postura decisiva e sem hesita\u00e7\u00f5es durante o golpe de Estado e de uma Argentina que acabava de chegar ao poder mediando a sa\u00edda de Evo Morales por seu territ\u00f3rio deve acender todos os alertas de que, sem uma organiza\u00e7\u00e3o internacionalista, a desarticula\u00e7\u00e3o fascista e imperialista de batalhas progressistas \u00e9 mais f\u00e1cil.<br \/>\nMas n\u00e3o s\u00f3 no n\u00edvel governamental. A solidariedade internacional mostrou que a press\u00e3o em embaixadas, debates, pronunciamentos e campanhas em redes sociais exerceram, em primeiro lugar, uma visibilidade do golpismo e, em segundo, uma press\u00e3o chave sobre organismos e governos orquestradores ou legitimadores das atrocidades do governo de fato<br \/>\nde Jeanine A\u00f1ez.<\/p>\n<p>O segundo fator, n\u00e3o menos importante, foi o do jornalismo que se negou a chamar de &#8220;ren\u00fancia\u201d o golpe de Estado, que apesar do bloqueio midi\u00e1tico internacional, disputou as narrativas impostas pelos grandes meios corporativos e organismos internacionais porta-vozes dos interesses das oligarquias.<\/p>\n<p>Enquanto o governo de fato se apressou em tirar do ar meios internacionais como a<br \/>\nTelesur e a RT, em fechar esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o e r\u00e1dio e impor uma nova linha editorial aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, as redes sociais conseguiram romper com o cerco midi\u00e1tico. Meios como Kawsachun Coca e a sua vers\u00e3o em ingl\u00eas Kawsachun News, autofinanciados pelas Federa\u00e7\u00f5es do Tr\u00f3pico de Cochabamba, apesar das agress\u00f5es, continuaram seu trabalho.<\/p>\n<p>Os riscos p\u00f3s-golpe<\/p>\n<p>A resist\u00eancia a um golpe de Estado fortaleceu as bases do MAS contra as suposi\u00e7\u00f5es, sobretudo nas redes sociais, sobre a possibilidade da administra\u00e7\u00e3o de Arce-Choquehuanca se tornar um governo reacion\u00e1rio como o de Lenin Moreno no Equador: as risadas daqueles que estiveram nas barricadas n\u00e3o se deixaram esperar. No interior do MAS, nas ruas e na sua milit\u00e2ncia, esse temor sequer parece existir. O processo de mudan\u00e7a busca se descentralizar. Se por um lado h\u00e1 os dirigentes, por outro, h\u00e1 as bases mobilizadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, os riscos existem sim. Os grupos de extrema direita continuam<br \/>\norganizados. Com discursos, amea\u00e7as, bloqueios e\/ou armas, tentaram neutralizar a vit\u00f3ria popular e se agarrar a um golpe de Estado claramente derrotado. Com s\u00edmbolos nazistas e discursos de \u00f3dio, o Comit\u00ea C\u00edvico de Santa Cruz e a<br \/>\nJuventude Cochala t\u00eam encabe\u00e7ado a defesa golpista garantindo, sem provas, como h\u00e1 um ano atr\u00e1s, que no \u00faltimo 18 de outubro foi orquestrada uma fraude. E ainda que o pr\u00f3prio Tribunal Supremo Eleitoral, a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos e at\u00e9 o Departamento de<br \/>\nEstado dos EUA o tenham respaldado, n\u00e3o param de acusar anomalias eleitorais.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es dos grupos de extrema direita n\u00e3o se reduzem a declara\u00e7\u00f5es, bloqueios ou cultos. Ainda sem conhecer os autores materiais e mentores intelectuais, na noite de 5 de novembro, ou seja, duas semanas depois do processo eleitoral, se registrou uma explos\u00e3o na sede de campanha do Movimento Ao Socialismo em La Paz, quando o ent\u00e3o candidato eleito Luis Arce se encontrava l\u00e1 dentro. Acabar com a impunidade de que gozaram estes grupos paramilitares tamb\u00e9m dever\u00e1 estar na agenda do novo governo.<\/p>\n<p>Temas pendentes para o presente e o futuro<\/p>\n<p>Em seu retorno \u00e0 Bol\u00edvia, no \u00faltimo 9 de novembro, diante de centenas de pessoas<br \/>\nque lhe esperavam na fronteira argentino-boliviana, Evo resumiu os desafios imediatos:<\/p>\n<p>\u201cVamos seguir trabalhando. Agora o que nos cabe \u00e9 cuidar de Lucho (Luis Arce)<br \/>\nPresidente, defender nosso processo de mudan\u00e7a. A direita n\u00e3o morre, n\u00e3o dorme. O imp\u00e9rio est\u00e1 sempre almejando nossos recursos naturais, mas com essa experi\u00eancia, com mais for\u00e7a acabou-se o tempo de chorar sem nos organizarmos. Como sempre, gestar novos programas<br \/>\nsociais, novas pol\u00edticas econ\u00f4micas, vamos levantar com Lucho a nossa economia, uma economia fundamentalmente a servi\u00e7o das pessoas mais humildes\u201d.<\/p>\n<p>E embora o golpismo tenha sido derrotado, ainda falta combater seus retrocessos tanto nas for\u00e7as militares quanto numa sociedade profundamente impactada social e economicamente. Ser\u00e1 preciso quebrar as barreiras de uma democracia burguesa que impede o avan\u00e7o e a consolida\u00e7\u00e3o do poder popular, do socialismo comunit\u00e1rio, do chamado Bem<br \/>\nViver, do Sumak Kawsay (quechua), do Suma Qama\u00f1a (aymara). Construir lideran\u00e7as que \u201cmandem obedecendo\u201d, que se encontrem \u00e0 altura de uma sociedade consciente e com as feridas do fascismo \u00e0 flor da pele. Uma reestrutura\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o comprometidos com a emancipa\u00e7\u00e3o dos povos. Fortalecer a<br \/>\nsolidariedade internacionalista tanto governamental quanto entre militantes a favor da vida e desse outro mundo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o alguns dos pontos que hoje a Bol\u00edvia, que deu uma demonstra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de dignidade ao mundo, ainda tem em frente. Se quem milita pela vida e esse outro mundo poss\u00edvel no jornalismo, na academia, nos bairros, nas f\u00e1bricas, nas organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais, nas comunas e nas diversas trincheiras dentro e fora das institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o resgatarem os erros, as cr\u00edticas, os debates e as li\u00e7\u00f5es de quem venceu o fascismo em pleno s\u00e9culo XXI, n\u00e3o se surpreendam se a extrema<br \/>\ndireita, com um novo rosto, volte a custar nosso sangue, morte e desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Alina Duarte \u00e9 jornalista e investigadora senior do Council on Hemispheric Affairs,<br \/>\nCOHA.<\/p>\n<p>Publicado originalmente pelo Council on Hemispheric Affairs (COHA), em 11 de<br \/>\nnoviembre de 2020, no link:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"F0tQa3ov4a\"><p><a href=\"https:\/\/www.coha.org\/bolivia-y-la-autocritica-necesaria-no-basta-con-tener-el-gobierno-hay-que-tener-el-poder-popular\/\">Bolivia y la autocr\u00edtica necesaria: \u201cNo basta con tener el gobierno, hay que tener el poder popular\u201d\u00a0<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Bolivia y la autocr\u00edtica necesaria: \u201cNo basta con tener el gobierno, hay que tener el poder popular\u201d\u00a0&#8221; &#8212; COHA\" src=\"https:\/\/www.coha.org\/bolivia-y-la-autocritica-necesaria-no-basta-con-tener-el-gobierno-hay-que-tener-el-poder-popular\/embed\/#?secret=F0tQa3ov4a\" data-secret=\"F0tQa3ov4a\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Leonardo Carvalheira, PCB<\/p>\n<p>https:\/\/docs.google.com\/document\/d\/1xEOTXHANK2LNedCKmlpGzMs-NNGEkkJ5JiIPOqOisY4\/edit?usp=drivesdk<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26442\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[234],"class_list":["post-26442","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Su","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26442"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26442\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}