{"id":26444,"date":"2020-11-19T22:51:56","date_gmt":"2020-11-20T01:51:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26444"},"modified":"2020-11-19T22:51:56","modified_gmt":"2020-11-20T01:51:56","slug":"sobre-os-assim-chamados-sujeitos-emergentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26444","title":{"rendered":"Sobre os assim chamados sujeitos emergentes"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/fotos.web.sapo.io\/i\/o20042f1b\/19705471_21IdF.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Manifesta\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A validade do car\u00e1ter revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora e de seu partido de vanguarda<\/p>\n<p>Diego Torres*<\/p>\n<p>O papel da classe trabalhadora<\/p>\n<p>Desde sua cria\u00e7\u00e3o, o socialismo cient\u00edfico se distingue de outras teorias ao identificar na sociedade existente uma for\u00e7a social destinada a destruir o capitalismo e edificar uma nova sociedade. Essa for\u00e7a social \u00e9 a classe trabalhadora. Desde os primeiros trabalhos marxistas, desde os primeiros manuscritos, como por exemplo, A Situa\u00e7\u00e3o da Classe Trabalhadora na Inglaterra, O Manifesto Comunista ou Os Princ\u00edpios do Comunismo, \u201co principal elemento da doutrina de Marx e Engels foi a clarifica\u00e7\u00e3o do papel hist\u00f3rico do proletariado como o criador da sociedade socialista\u201d [1].<\/p>\n<p>Marx e Engels basearam suas proposi\u00e7\u00f5es em uma profunda an\u00e1lise da economia capitalista. Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es, caracter\u00edsticas e qualidades da classe trabalhadora para ser destinada a cumprir esse papel?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 a classe mais explorada na sociedade capitalista. Suas condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00e3o determinadas pelo fato de que sua exist\u00eancia, prazeres e pesares, vida e morte, dependem exclusivamente da venda de sua for\u00e7a de trabalho a um capitalista e das condi\u00e7\u00f5es desta venda, dadas por flutua\u00e7\u00f5es de mercado. Essas condi\u00e7\u00f5es de vida, esse interesse vital, os levam a lutar constantemente at\u00e9 a morte contra a classe capitalista, e torna o proletariado o advers\u00e1rio mais consequente e firme do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 puramente uma observa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica; \u00e9 baseada na descoberta da teoria do mais-valor, que permanece completamente v\u00e1lida. A presente crise capitalista de superprodu\u00e7\u00e3o e superacumula\u00e7\u00e3o vieram para destruir as \u00faltimas ilus\u00f5es daqueles que pensam que na economia a esfera da circula\u00e7\u00e3o poderia se desenvolver independentemente da esfera da produ\u00e7\u00e3o e das leis que a governam.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a classe trabalhadora est\u00e1 ligada ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. Enquanto trabalhadores, n\u00e3o est\u00e3o ligados ao passado da produ\u00e7\u00e3o, com os remanescentes de antigos sistemas de produ\u00e7\u00e3o, mas sim com o desenvolvimento e o futuro da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso significa, contra muitas avalia\u00e7\u00f5es, que o desenvolvimento material do capitalismo, a grande ind\u00fastria, n\u00e3o amea\u00e7a a exist\u00eancia do proletariado enquanto uma classe, n\u00e3o destr\u00f3i suas posi\u00e7\u00f5es na sociedade; na verdade, esse desenvolvimento impele o crescimento num\u00e9rico dos trabalhadores e aumenta seu papel na vida social.<\/p>\n<p>\u00c9 metodologicamente inconsistente tomar um per\u00edodo curto de tempo para avaliar o desaparecimento do proletariado. A lei da proletariza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mostra seu impressionante alcance quando n\u00f3s analisamos o capitalismo como um todo. Por exemplo, em meados do s\u00e9culo XIX nos EUA, a classe trabalhadora, trabalhadores e suas fam\u00edlias, constitu\u00edam menos de 6% da popula\u00e7\u00e3o. Na Alemanha, n\u00e3o passavam de 3%. Em meados do s\u00e9culo XX, essa cifra havia crescido para metade da popula\u00e7\u00e3o em ambos os casos. Hoje em dia, de acordo com a OIT, em escala global, a classe dos trabalhadores que n\u00e3o possuem meios de produ\u00e7\u00e3o e que vendem sua for\u00e7a de trabalho em troca de um sal\u00e1rio tem oscilado em torno de 65% da popula\u00e7\u00e3o desde os anos 1980.<\/p>\n<p>Isso significa que os interesses e aspira\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora coincidem com a orienta\u00e7\u00e3o geral do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. O n\u00edvel de desenvolvimento atingido pelas for\u00e7as produtivas requer a supress\u00e3o da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Na verdade, isso \u00e9 anunciado pela supress\u00e3o relativa da propriedade privada sobre meios concentrados e centralizados, mesmo sob o capitalismo, com o crescimento das sociedades an\u00f4nimas e monop\u00f3lios [2]. Desprovida de toda a propriedade privada sobre os meios de produ\u00e7\u00e3o, a classe trabalhadora n\u00e3o pode ter grande estima por ela. Na verdade, a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a base para a explora\u00e7\u00e3o do trabalhador pelo capitalista, motivo pelo qual a sua supress\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o pela propriedade social \u00e9 a \u00fanica forma que a classe trabalhadora tem para se emancipar.<\/p>\n<p>O fato de que, apesar disso tudo, a classe trabalhadora conta com qualidades, derivadas de sua posi\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, consideradas indispens\u00e1veis para o trabalho revolucion\u00e1rio, n\u00e3o escapou aos mestres do socialismo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Por exemplo, n\u00f3s j\u00e1 falamos sobre seu crescimento num\u00e9rico constante, \u201co movimento prolet\u00e1rio\u201d \u2013 disseram Marx e Engels no Manifesto Comunista \u2013 \u201c\u00e9 o movimento independente da grande maioria pelo interesse da grande maioria\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, no entanto, apenas do aspecto quantitativo, mas tamb\u00e9m da ag\u00eancia da pr\u00f3pria burguesia que ao concentrar os meios de produ\u00e7\u00e3o, junta milhares de trabalhadores sob os tetos das f\u00e1bricas, normalmente situadas em polos da concentra\u00e7\u00e3o de capital, ou seja, nas grandes cidades. Assim, o proletariado supera a dispers\u00e3o e a isola\u00e7\u00e3o. Conforme problemas de ordem subjetiva s\u00e3o superados e o n\u00edvel de consci\u00eancia de classe aumenta, os trabalhadores podem se unir e se organizar melhor do que qualquer outra classe.<\/p>\n<p>Essa concentra\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora \u00e9 independente de certos processos temporais. Pode haver per\u00edodos de tempo e pa\u00edses em que uma se\u00e7\u00e3o dos capitalistas opta por descentralizar ou seccionar o processo produtivo. Essa op\u00e7\u00e3o obedece, geralmente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em que \u00e9 conveniente para capturar mais mais-valor ou dispersar temporariamente a classe trabalhadora e dificultar sua organiza\u00e7\u00e3o, quando o sacrif\u00edcio \u00e9 considerado necess\u00e1rio. De toda forma, essa op\u00e7\u00e3o \u00e9 revertida ap\u00f3s algum tempo, e o processo geral mostra que a tend\u00eancia do capital aponta para a concentra\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 comprovado pelo crescimento ininterrupto dos monop\u00f3lios, pelo fato que uma grande porcentagem da classe trabalhadora trabalha diretamente para eles e o seu reflexo no crescimento ininterrupto das concentra\u00e7\u00f5es urbanas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a classe trabalhadora \u00e9 a classe mais capaz, por meio de suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es, de se organizar. O trabalho nas grandes empresas acostuma o trabalhador ao esp\u00edrito do coletivismo, de disciplina severa, a a\u00e7\u00f5es conjuntas e \u00e0 solidariedade. Por exemplo, Engels fala sobre sua rigorosa disciplina, adjetivada como militar, em A Situa\u00e7\u00e3o da Classe Trabalhadora na Inglaterra, e Lenin sublinha em seus Cadernos sobre o Imperialismo como o capitalista acostuma a classe trabalhadora a uma extraordin\u00e1ria precis\u00e3o em cada movimento. E tudo isso antes da vigil\u00e2ncia e controle que as novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e telecomunica\u00e7\u00f5es permitiram!<\/p>\n<p>De todas as classes oprimidas, a classe trabalhadora \u00e9 a mais capaz de desenvolver sua consci\u00eancia e aceitar uma ideologia cient\u00edfica. O avan\u00e7o da ind\u00fastria demandou mais e mais trabalhadores educados. A manipula\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas complexas e valiosas que sustentam a produ\u00e7\u00e3o hoje demanda um alto grau de prepara\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e um n\u00edvel cultural muito maior do que forma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas precedentes.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a soma de todas as condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e econ\u00f4micas que tornam a classe trabalhadora a classe mais militante e revolucion\u00e1ria da sociedade. Essas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e econ\u00f4micas mant\u00e9m sua for\u00e7a nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Teorias que questionam o papel da classe trabalhadora<\/p>\n<p>Vladimir Ilyich Lenin escreveu em 1913 que \u201co principal fundamento na doutrina de Marx \u00e9 ter esclarecido o papel hist\u00f3rico e universal do proletariado enquanto o criador da sociedade socialista\u201d [3]. N\u00e3o \u00e9 estranho que muitas teorias anticomunistas, independentemente do fato de estarem envolvidas com aspectos parciais do marxismo, centram sua cr\u00edtica exatamente nessa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>O marxismo-leninismo enquanto teoria cient\u00edfica da classe trabalhadora tem tr\u00eas fontes e tr\u00eas partes constituintes; reivindicar apenas uma delas seria incompleto. Nesse sentido, h\u00e1 aqueles, por exemplo, que dizem que a cr\u00edtica ao capital \u00e9 v\u00e1lida, mas que negam o papel da classe trabalhadora, da revolu\u00e7\u00e3o e da ditadura do proletariado; passou-se mais de um s\u00e9culo desde que o revisionismo tentou dissecar isso, mas eles estavam acima de tudo focados em negar a importante quest\u00e3o da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, da pr\u00e1tica transformadora, em reduzir o marxismo a uma \u201cteoria cr\u00edtica\u201d, sob o fundamento de que a classe trabalhadora, o proletariado, perdeu for\u00e7a, que n\u00e3o se manifestou enquanto uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria, que foi integrada ao sistema.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas de 1960, 1970 e 1980, H. Marcuse, A. Gorz e outros aludiram ao envelhecimento do marxismo e cantaram um \u201cadeus ao proletariado\u201d. Enquanto soci\u00f3logos de ideologia burguesa e pequeno-burguesa, eles constru\u00edram seus argumentos em contraste com as tend\u00eancias do momento, ou seja, eles n\u00e3o realizaram seus estudos com uma concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria, mas com base em aspectos parciais da realidade.<\/p>\n<p>Um primeiro aspecto de seus argumentos consiste em que a classe trabalhadora nos pa\u00edses de capitalismo mais desenvolvido, dos centros imperialistas, atingiu boas condi\u00e7\u00f5es de vida e que, consequentemente, sua consci\u00eancia se tornou conservadora, defensora do status quo e sem interesse em revolu\u00e7\u00f5es, e que o papel de vanguarda veio a ser ocupada por estudantes e por movimentos de liberta\u00e7\u00e3o africana e asi\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00c9 conveniente dizer que com o fim da Segunda Guerra Mundial, o papel da URSS e dos comunistas \u2013 a constru\u00e7\u00e3o do campo socialista e as possibilidades de avan\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a e da It\u00e1lia \u2013 for\u00e7aram o capitalismo \u00e0 ado\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria do Welfare State com o prop\u00f3sito de restringir o crescimento das lutas da classe trabalhadora e seus partidos comunistas. N\u00e3o negamos o fato de que nas na\u00e7\u00f5es localizadas no topo da pir\u00e2mide imperialista, mas tamb\u00e9m em pa\u00edses intermedi\u00e1rios, como um resultado do excedente de mais-valor obtido da explora\u00e7\u00e3o do trabalho internacional, a assim chamada aristocracia oper\u00e1ria, contra a qual lutamos, \u00e9 refor\u00e7ada, mas esse \u00e9 um fato incapaz de caracterizar a classe trabalhadora inteira como integrada ao sistema baseado em sua explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tais posi\u00e7\u00f5es mostraram o seu car\u00e1ter tempor\u00e1rio em primeiro lugar porque o welfare state na reestrutura\u00e7\u00e3o capitalista deu lugar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das conquistas da classe trabalhadora, e porque em todos os pa\u00edses, sem exce\u00e7\u00e3o, o epicentro da luta anticapitalista e anti-imperialista \u00e9 a luta da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Outro aspecto \u00e9 confrontar os interesses dos trabalhadores, com teorias sobre sua divis\u00e3o em colarinhos brancos, azuis e cinzas; ou seja, a quest\u00e3o das categorias no mundo do trabalho, a especializa\u00e7\u00e3o ou o que chamamos de divis\u00e3o do trabalho. O papel espec\u00edfico na produ\u00e7\u00e3o e mesmo diferen\u00e7as salariais sob o capitalismo n\u00e3o colocam em quest\u00e3o o papel da classe trabalhadora como produtora de mais-valor. O que \u00e9 verdade \u00e9 que o papel do Partido Comunista, o agente exterior que introduz a consci\u00eancia na classe tem uma maior responsabilidade na frente ideol\u00f3gica em mostrar ao trabalhador, independentemente da posi\u00e7\u00e3o que ele ocupa no processo produtivo, suas responsabilidades em face da domina\u00e7\u00e3o e da extra\u00e7\u00e3o de mais-valor pela burguesia.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as no mundo do trabalho<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, e baseados na revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica, os ide\u00f3logos burgueses e pequeno-burgueses equivalem a automa\u00e7\u00e3o e robotiza\u00e7\u00e3o do processo produtivo ao decr\u00e9scimo num\u00e9rico da classe trabalhadora e at\u00e9 ao \u201cfim do trabalho\u201d. \u00c9 acima de tudo na conforma\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que se segue \u00e0 contrarrevolu\u00e7\u00e3o na URSS e no campo socialista que essa teoria \u00e9 criada diretamente dos centros ideol\u00f3gicos do capital, atrav\u00e9s de porta-vozes como J. Rifkin, aludindo, por exemplo, que o setor de servi\u00e7os n\u00e3o forma parte da classe trabalhadora e levando a automa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o ao seu extremo ut\u00f3pico e \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do proletariado, mesmo que tenha sido provado n\u2019O Capital que m\u00e1quinas n\u00e3o produzem valor adicional, apenas o trabalho n\u00e3o pago gera mais-valor, que \u00e9 o meio pelo qual a burguesia e o capitalismo se sustentam. \u00c9 importante precisar que essa posi\u00e7\u00e3o foi difundida ao mesmo tempo em que ataques ao Partido eram necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as observadas no mundo do trabalho t\u00eam sido discutidas nesse mesmo sentido. Essas mudan\u00e7as incluem, mas n\u00e3o s\u00e3o limitadas \u00e0s assim chamadas terceiriza\u00e7\u00e3o, off shoring [o deslocamento da produ\u00e7\u00e3o], o return of piecework [o pagamento por pe\u00e7a produzida], etc. Cada mudan\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o do mundo trabalho, cada nova tend\u00eancia, sempre suscitou os mesmos argumentos do g\u00eanero, j\u00e1 o fordismo, taylorismo, toyotismo, just in time, sweatshops, apenas para citar alguns, trouxeram n\u00e3o apenas o fortalecimento da centralidade da classe trabalhadora no processo produtivo, mas tamb\u00e9m o ataque ideol\u00f3gico por parte do pensamento burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Muitas dessas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o unilaterais. Por exemplo, o deslocamento da produ\u00e7\u00e3o efetivamente parece deixar um estado de desola\u00e7\u00e3o social em certas regi\u00f5es, mas tem seu processo contr\u00e1rio e uma maior concentra\u00e7\u00e3o e um maior desenvolvimento industrial em outra regi\u00e3o, mais atrativa para o capital, o que est\u00e1 de acordo com a lei cardinal do m\u00e1ximo lucro. Para um observador local a ind\u00fastria desaparece, mas quando observado em escala global o contr\u00e1rio se mostra, h\u00e1 um aumento do n\u00famero de pessoas trabalhando por um sal\u00e1rio e qualquer atividade relacionada \u00e0 ind\u00fastria, mesmo que sob novas formas.<\/p>\n<p>No tocante \u00e0 terceiriza\u00e7\u00e3o e a relativa diminui\u00e7\u00e3o dos trabalhadores industriais em rela\u00e7\u00e3o a outros setores e camadas de trabalhadores em geral, seria conveniente em primeiro lugar revisar as estat\u00edsticas. As estat\u00edsticas burguesas a categorizam sem base em crit\u00e9rios de classe cient\u00edficos, e misturam tudo. O que \u00e9 mais \u00f3bvio \u00e9 a insist\u00eancia dos centros estat\u00edsticos burgueses em incluir, por exemplo, telecomunica\u00e7\u00f5es, transporte, armazenamento e energia no assim chamado setor de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Sobre os servi\u00e7os, \u00e9 tamb\u00e9m conveniente lembrar a figura do trabalhador coletivo conceituada por Marx n\u2019O Capital, desde que com o advento da manufatura, basta participar em uma fra\u00e7\u00e3o do trabalho requerido para criar mercadorias para ter um lugar no processo produtivo. Muitos dos trabalhos inclu\u00eddos como servi\u00e7os s\u00e3o providos para ind\u00fastrias sob a figura da subcontrata\u00e7\u00e3o, por exemplo, no caso da zeladoria ou limpeza, reparos, cantinas industriais, etc. Eles n\u00e3o podem ser inclu\u00eddos dessa forma na \u00e1rea dos \u201cservi\u00e7os\u201d colocando-os artificialmente na esfera do trabalho realizado no com\u00e9rcio, do trabalho improdutivo, etc.<\/p>\n<p>Lembrando-se das estat\u00edsticas da OIT j\u00e1 mencionadas, n\u00e3o parece que o crescimento do setor de servi\u00e7os aconte\u00e7a em detrimento da classe trabalhadora industrial; o crescimento desse setor em geral obedece \u00e0 cont\u00ednua destrui\u00e7\u00e3o de classes ligadas ao campo, a destrui\u00e7\u00e3o de pequenos propriet\u00e1rios e das camadas m\u00e9dias da sociedade. Isso n\u00e3o sup\u00f5e uma diminui\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora industrial dado o seu menor n\u00famero em compara\u00e7\u00e3o ao desses trabalhadores, isso sup\u00f5e uma proletariza\u00e7\u00e3o e reaproxima\u00e7\u00e3o destes \u00e0 classe trabalhadora, uma maior capacidade de influ\u00eancia e mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas e outras mudan\u00e7as no mundo do trabalho n\u00e3o alteram o papel da classe trabalhadora. Elas sup\u00f5em, no entanto, problemas especiais e desafios para a organiza\u00e7\u00e3o sindical e para o trabalho partid\u00e1rio, etc.<\/p>\n<p>O centro dessa quest\u00e3o \u00e9 que enquanto o capital existir, ele n\u00e3o pode destruir a for\u00e7a social da qual depende para se reproduzir. Mais-valor n\u00e3o pode ser gerado ou extra\u00eddo sem o trabalho produtivo, sem a classe trabalhadora. Uma coisa \u00e9 dizer corretamente que a burguesia desenvolve for\u00e7as produtivas para produzir mais com menos trabalhadores, e completamente diferente \u00e9 falar sobre o desaparecimento ou perda do papel da classe trabalhadora na luta de classes.<\/p>\n<p>Os assim chamados \u201csujeitos emergentes\u201d<\/p>\n<p>Apesar de ser importante confrontar teorias burguesas e pequeno-burguesas, n\u00e3o podemos ignorar certas teorias que emergiram no bojo da contrarrevolu\u00e7\u00e3o, que tiveram seu pico na d\u00e9cada de 1990 e que foram a base do altermundialismo e express\u00e3o do F\u00f3rum Social Mundial.<\/p>\n<p>Estamos lidando com posi\u00e7\u00f5es estimuladas na Europa por grupos associados \u00e0 socialdemocracia e na Am\u00e9rica Latina por uma esquerda p\u00f3s-socialista. Uma sa\u00edda \u00e0 crise ideol\u00f3gica das for\u00e7as revolucion\u00e1rias \u00e9 encontrada por uma suposta vis\u00e3o de esquerda, com as seguintes abordagens: assumindo as teses da burguesia acerca da substitui\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora como o sujeito hist\u00f3rico, eles reivindicam os assim chamados sujeitos emergentes: ind\u00edgenas, mulheres, ecologistas e minorias sexuais. Evidentemente, ajustando-se a tais no\u00e7\u00f5es, o partido pol\u00edtico da classe trabalhadora, a organiza\u00e7\u00e3o de vanguarda, n\u00e3o \u00e9 mais precisa e seu lugar \u2013 de acordo com eles \u2013 \u00e9 tomado pelos movimentos sociais, pela horizontalidade, por ONGs. Em sua l\u00f3gica, a luta pela derrubada do capitalismo e pelo poder n\u00e3o \u00e9 apenas desnecess\u00e1ria, mas tamb\u00e9m repreens\u00edvel. T\u00eam dois elementos em comum com outras teorias abertamente burguesas: a nega\u00e7\u00e3o do papel da classe trabalhadora e o ataque contra o partido da classe, o Partido Comunista e outros instrumentos de luta como os sindicatos e outras formas de associa\u00e7\u00e3o classistas.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio nos determos em uma ideia que refor\u00e7a o ecletismo ideol\u00f3gico e permite que posi\u00e7\u00f5es anti-classe trabalhadora sejam acomodadas. Intelectuais \u201ccriativos\u201d que chamam a si mesmos marxistas acusaram o marxismo de euro-centrismo e colocam a aten\u00e7\u00e3o nas assim chamadas especificidades, acima das generalidades.<\/p>\n<p>Eles apontam que a classe trabalhadora vista como uma for\u00e7a crescente por Marx era algo espec\u00edfico da Inglaterra ao final do s\u00e9culo XIX e que isso n\u00e3o era aplic\u00e1vel \u00e0 Am\u00e9rica Latina, muito menos no s\u00e9culo XXI. Eles superestimam a pobreza como um fator criador de condi\u00e7\u00f5es subjetivas, \u201cpobrismo\u201d \u00e9 a sua bandeira.<\/p>\n<p>Eles clamam por uma mistura do marxismo com outras ideias pol\u00edticas e desqualificam o partido de classe como um instrumento obsoleto. Por tr\u00e1s est\u00e1 uma vis\u00e3o em que a generalidade \u00e9 substitu\u00edda pela particularidade, pela especificidade, pela \u201coriginalidade\u201d; no caso a aten\u00e7\u00e3o posta na \u201cespecificidade latino-americana\u201d que d\u00e1 lugar a propostas ut\u00f3picas e m\u00edsticas que tornam, por exemplo, a quest\u00e3o ind\u00edgena e a luta pelos recursos naturais em um assunto de \u201cpensamento m\u00e1gico\u201d ou conex\u00e3o com for\u00e7as ancestrais.<\/p>\n<p>Movimentos sociais, deriva\u00e7\u00f5es e limites. A pequena-burguesia toma \u00e0 dianteira.<\/p>\n<p>As teorias que revisam o papel da classe trabalhadora acumularam for\u00e7a com o triunfo da contrarrevolu\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e no campo socialista. A contrarrevolu\u00e7\u00e3o, a perda do poder de Estado pela classe trabalhadora, for\u00e7ou um recuo geral em todo o mundo e em muitos casos a uma desorganiza\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria ou a completa liquida\u00e7\u00e3o de suas organiza\u00e7\u00f5es de vanguarda. Deve ser notado, no entanto, que haviam Partidos Comunistas e se\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora que resistiram e lutaram, o que criou dificuldades para um avan\u00e7o ainda maior dos planos do grande capital. Por exemplo, a Federa\u00e7\u00e3o Sindical Mundial e outras frentes anti-imperialistas reagruparam-se gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o comunista.<\/p>\n<p>Seguindo a tend\u00eancia geral do capitalismo \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o, os monop\u00f3lios passaram a ocupar com for\u00e7a total os novos mercados abertos pelas camadas da pequena-burguesia, especialmente o mercado da tecnologia inform\u00e1tica, de vendas self-service, certos setores da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, de prepara\u00e7\u00e3o de comida, etc. Naturalmente a pequena-burguesia se sentiu amea\u00e7ada, se radicalizou politicamente e se mobilizou. Apesar de ter iniciado um processo de proletariza\u00e7\u00e3o de um ponto de vista social, ideologicamente, se envolveu com as posi\u00e7\u00f5es mencionadas mais acima.<\/p>\n<p>Por um lado, observamos um aumento nas campanhas anticomunistas, a desorganiza\u00e7\u00e3o de largos contingentes de trabalhadores, a liquida\u00e7\u00e3o de partidos de vanguarda, criando-se dificuldades para o posicionamento da classe trabalhadora. Pelo outro lado, vemos uma difus\u00e3o massiva de elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas que promovem confus\u00e3o, o redobramento do ativismo dos estratos m\u00e9dios, etc. resumidamente, o fortalecimento de posi\u00e7\u00f5es da pequena-burguesia. O resultado da conflu\u00eancia desses fatores levou em muitos pa\u00edses \u00e0 hegemonia da pequena-burguesia na dire\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e populares no per\u00edodo imediato ap\u00f3s a contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o abandono de posi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, a cr\u00edtica e o ataque contra o capitalismo foram tidos como uma quest\u00e3o de vontade. Por exemplo, prop\u00f4s-se transformar o capitalismo atrav\u00e9s de mudan\u00e7as na esfera do consumo ou na esfera da circula\u00e7\u00e3o. A concep\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de luta de classes foi abandonada em favor de uma luta contra a globaliza\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>A pequena-burguesia, na dire\u00e7\u00e3o dos movimentos populares, n\u00e3o tem objetivos revolucion\u00e1rios, n\u00e3o v\u00ea na situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que atua como base para a sua mobiliza\u00e7\u00e3o as possibilidades revolucion\u00e1rias, e prefere dar um passo atr\u00e1s na hist\u00f3ria para um estado anterior das coisas.<\/p>\n<p>Massas verdadeiramente infelizes foram atra\u00eddas por essas lideran\u00e7as que falharam, no entanto, em ligar os aspectos econ\u00f4micos e sociais ao aspecto pol\u00edtico, \u00e0 quest\u00e3o da tomada do poder.<\/p>\n<p>A pequena-burguesia \u00e9 uma camada da popula\u00e7\u00e3o cujo destino, vida e morte, dependem em muitos casos de seus esfor\u00e7os individuais, um pequeno aspecto do mundo que n\u00e3o os leva a considerar a realidade social como um todo. No n\u00edvel organizacional o assunto n\u00e3o \u00e9 criar organiza\u00e7\u00f5es poderosas capazes de derrubar seu inimigo, mas um movimento solto, fraco e com rela\u00e7\u00f5es informais entre seus membros, grandes organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201cmonstros\u201d que \u201cconstrangem a personalidade\u201d. No n\u00edvel do discurso eles n\u00e3o s\u00e3o regidos por orienta\u00e7\u00f5es baseadas nas leis da forma\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica capitalista, mas em modas como a altermundializa\u00e7\u00e3o, contra-globaliza\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-capitalismo, os \u201cindignados\u201d, etc.<\/p>\n<p>A tudo isso devemos adicionar uma superestima pelos aspectos t\u00e9cnicos dos problemas pol\u00edticos. A tese da revolu\u00e7\u00e3o 2.0, por exemplo, toma como decisiva a tecnologia usada nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. O que importa n\u00e3o \u00e9 o n\u00facleo organizado que emite as mensagens, que decide os slogans, e nem a classe que busca influenciar, o que determina o sucesso de uma a\u00e7\u00e3o \u00e9 o uso per se do telefone m\u00f3vel, twitter, facebook, etc. As ferramentas se tornaram fetiches.<\/p>\n<p>Uma avalia\u00e7\u00e3o do sucesso ou derrota de tais pol\u00edticas n\u00e3o foi feito, o movimento era tudo. Trazer qualquer coisa que questionasse esse consenso recebia como resposta o isolamento do movimento em geral.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 surpresa que as lutas lideradas pela pequena-burguesia durante esse per\u00edodo eram escassas e de alcance limitado. S\u00e3o a pr\u00f3pria pr\u00e1tica e falha das teorias dos \u201csujeitos emergentes\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo as lutas mais s\u00e9rias desse per\u00edodo n\u00e3o poderiam triunfar sem o engajamento da for\u00e7a social decisiva, a classe trabalhadora. Por conta da falta de interesse ou capacidade de organizar e agitar a classe trabalhadora, as mais s\u00e9rias lutas desse per\u00edodo tentaram desestabilizar violentamente a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias, para impedir a realiza\u00e7\u00e3o do ciclo do capital atrav\u00e9s de manobras convergentes. Sendo atacado em v\u00e1rias frentes, o Estado burgu\u00eas pode sempre arrebatar tais iniciativas, contanto que seu ex\u00e9rcito industrial, o proletariado, continuasse a produzir mais-valor. Tornou-se uma imagem comum ver em qualquer parte do mundo a pol\u00edcia militarizada lan\u00e7ando bombas de g\u00e1s para dispersar as massas populares dos centros nevr\u00e1lgicos dos canais de comunica\u00e7\u00e3o e transporte.<\/p>\n<p>A pequena-burguesia \u00e9 uma camada altamente inst\u00e1vel e vol\u00e1til. Desapontada pela derrota, retira-se para o campo da fantasia ou indiferen\u00e7a. Ao per\u00edodo de mobiliza\u00e7\u00e3o, segue-se um refluxo dram\u00e1tico.<\/p>\n<p>Quando as massas atendem ao chamado desses ativistas, eles veem a si mesmos apreendidos pelo espontane\u00edsmo. As massas populares s\u00e3o imensamente criativas, e essa criatividade n\u00e3o \u00e9 inibida, mas sim propalada quando s\u00e3o dadas orienta\u00e7\u00f5es claras e precisas, exatamente o que a lideran\u00e7a n\u00e3o faz. A limita\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada no discurso como uma virtude do movimento, da horizontalidade, etc.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a pequeno-burguesa das lutas populares nesse per\u00edodo falhou o que n\u00e3o significa que n\u00e3o persista, levada por um decl\u00ednio de suas condi\u00e7\u00f5es de vida, tentando arrebanhar pessoas sob suas bandeiras. Os monop\u00f3lios puderam, na maioria absoluta dos casos, alcan\u00e7ar seus objetivos.<\/p>\n<p>O povo do M\u00e9xico conta com exemplos dolorosos desses limites e suas deriva\u00e7\u00f5es. A continua\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica dessas posi\u00e7\u00f5es levaram centenas de grupos e numerosas organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicavam como revolucion\u00e1rias \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do espontane\u00edsmo. Eles n\u00e3o tra\u00e7am como um objetivo a introdu\u00e7\u00e3o da teoria ao movimento, eles n\u00e3o levantam quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora nos centros produtivos, e nem da organiza\u00e7\u00e3o da contraofensiva nesses centros, etc. Eles n\u00e3o podem oferecer aos movimentos populares a alian\u00e7a com a classe trabalhadora, a mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as para a derrubada do inimigo, etc., na verdade, eles n\u00e3o podem oferecer muito mais do que uma torcida. Um exemplo de como o Estado mexicano esmagou os movimentos populares desvinculados do movimento da classe trabalhadora \u00e9 a APPO (Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca).<\/p>\n<p>Se essas posi\u00e7\u00f5es subsistem em nosso pa\u00eds \u00e9 porque a alternativa foi mostrada de maneira deficiente. O Partido Comunista assume essa responsabilidade e dobra a sua insist\u00eancia na frente ideol\u00f3gica. Deve haver o acompanhamento dos movimentos que se op\u00f5em ao capital, ao monop\u00f3lio e ao imperialismo, mas n\u00e3o deve haver concess\u00f5es ideol\u00f3gicas. Somente com for\u00e7a na teoria e persist\u00eancia ao trabalhar pelo levante do movimento sindical da classe trabalhadora no M\u00e9xico \u00e9 que n\u00f3s podemos oferecer uma alian\u00e7a ben\u00e9fica para o povo e um caminho para fora da crise que ir\u00e1 apontar para a derrubada do inimigo.<\/p>\n<p>Felizmente, n\u00f3s assistimos ao reagrupamento da classe trabalhadora e seus partidos, processo que de toda forma deve ser vigiado por conta de sua poss\u00edvel revers\u00e3o.<\/p>\n<p>A necessidade do partido revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora, o Partido Comunista.<\/p>\n<p>Resumindo, n\u00f3s poder\u00edamos dizer que, na frente ideol\u00f3gica, as teorias sociol\u00f3gicas burguesas sobre o fim da classe trabalhadora s\u00e3o associadas \u00e0 indisponibilidade do partido da classe, ou seja, do Partido Comunista.<\/p>\n<p>Na luta de classes, j\u00e1 nos terrenos ideol\u00f3gico, pol\u00edtico e econ\u00f4mico, para que o proletariado se constitua como uma classe \u00e9 necess\u00e1ria a sua vanguarda, que com a teoria do marxismo-leninismo orienta cada passo, cada a\u00e7\u00e3o concreta no quebra-cabe\u00e7a de uma estrat\u00e9gia pela derrubada do capitalismo e que tenha clareza no programa do socialismo-comunismo, que somente \u00e9 poss\u00edvel reivindicando e extraindo conclus\u00f5es das experi\u00eancias de constru\u00e7\u00e3o socialista do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Os trabalhos cl\u00e1ssicos do marxismo-leninismo mostram que \u00e9 por conta de seu papel na produ\u00e7\u00e3o que os trabalhadores s\u00e3o a for\u00e7a revolucion\u00e1ria capaz de enterrar o capitalismo, dadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em que eles se tornam uma classe, ou seja, que eles adquirem consci\u00eancia. Lenin em Que Fazer? explica as formas de consci\u00eancia e baseia, desta forma, um partido de novo tipo. Em nome da modernidade, os novos reformistas emergiram das fileiras do movimento comunista e renunciaram totalmente \u00e0s caracter\u00edsticas da teoria da organiza\u00e7\u00e3o leninista, e \u00e0 ess\u00eancia do programa comunista, a ditadura do proletariado.<\/p>\n<p>Sem o centralismo democr\u00e1tico, o partido de novo tipo \u00e9 imposs\u00edvel, e \u00e9 justamente contra ele que as cr\u00edticas s\u00e3o dirigidas.<\/p>\n<p>O substituto sugerido \u00e9 o movimento, sem estrutura, amorfo, sem coer\u00eancia estrat\u00e9gica, sem disciplina, sem programa, \u201catualizada\u201d, revivendo as teses de Bernstein.<\/p>\n<p>O Partido Comunista \u00e9 o partido da classe trabalhadora, o destacamento de vanguarda que nos conflitos sociais de classe aponta o caminho, que mostra quando \u00e9 necess\u00e1rio passar para a ofensiva, quando \u00e9 necess\u00e1rio passar para a defensiva, que est\u00e1 um passo \u00e0 frente dos desvios na luta, equipado pela concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria, levantando as palavras de ordem necess\u00e1rios para cada situa\u00e7\u00e3o concreta e sem perder de vista a plano estrat\u00e9gico que \u00e9 a ruptura das rela\u00e7\u00f5es capitalistas, derrubando a burguesia, construindo o poder da classe trabalhadora e o socialismo-comunismo.<\/p>\n<p>O Partido Comunista \u00e9 capaz de levantar seus objetivos na condi\u00e7\u00e3o de unidade ideol\u00f3gica, program\u00e1tica e org\u00e2nica, lutando por sua coes\u00e3o interna e expurgando qualquer coisa que ameace a unidade. O Partido Comunista, vanguarda da classe trabalhadora, n\u00e3o pode perder de vista a luta contra o oportunismo e pela preserva\u00e7\u00e3o, independentemente da situa\u00e7\u00e3o, do crit\u00e9rio de classe.<\/p>\n<p>O partido e a alian\u00e7a antimonopolista, anti-imperialista e anticapitalista.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora \u00e9 a \u00fanica classe realmente revolucion\u00e1ria, mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o imperialismo leva grandes estratos e setores da sociedade \u00e0 din\u00e2mica da contradi\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho. \u201cA alta das taxas, a mercadoriza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, o avan\u00e7o da agress\u00e3o imperialista, a pol\u00edtica de subsun\u00e7\u00e3o do campo ao monop\u00f3lio, a defesa pol\u00edtica da taxa de mais-valor extraordin\u00e1rio dos monop\u00f3lios, os tratados inter-imperialistas e suas consequ\u00eancias, as manifesta\u00e7\u00f5es da barb\u00e1rie capitalista, a degrada\u00e7\u00e3o acelerada do ecossistema, o cancelamento das conquistas sociais e democr\u00e1ticas, etc., s\u00e3o quest\u00f5es que afetam outras camadas do povo\u201d [4].<\/p>\n<p>N\u00f3s demonstramos desde o come\u00e7o que outras camadas que entram em conflito com os interesses do grande capital n\u00e3o s\u00e3o capazes de derrub\u00e1-lo sem a alian\u00e7a da classe trabalhadora e que sua lideran\u00e7a sobre as lutas em geral deve ser questionada. Por sua vez, o proletariado dificilmente conseguiria triunfar ou mesmo manter o poder se estivesse isolado do resto dos trabalhadores e estratos populares, se n\u00e3o alcan\u00e7ar a ades\u00e3o ou a neutralidade de muitas camadas, se n\u00e3o impedir a tentativa da burguesia de mobiliz\u00e1-las. O que estamos tentando estabelecer \u00e9 que a base objetiva para a alian\u00e7a entre esses estratos e a classe trabalhadora existe, uma alian\u00e7a anti-monopolista, anti-imperialista e anticapitalista.<\/p>\n<p>Trabalhar sobre essa base adquire maior relev\u00e2ncia em momentos de crise, quando as contradi\u00e7\u00f5es se afiam, quando o interesse de cada classe \u00e9 revelado e onde as colis\u00f5es da luta de classe permitem uma r\u00e1pida compreens\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>De toda forma, n\u00e3o \u00e9 fact\u00edvel que a espontaneidade forme uma alian\u00e7a dessa natureza, ela n\u00e3o pode ser produzida sem prepara\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma alian\u00e7a para esmagar o poder de uma classe dominante e tomar o poder para outra, para a classe trabalhadora. O partido revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora \u00e9 a \u00fanica forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que pode forjar tal alian\u00e7a, uma vez que tem tanto a capacidade de analisar em cada momento os deslocamentos e viradas abruptas em toda a luta de classes quanto tem tamb\u00e9m a habilidade de traduzir essas an\u00e1lises em orienta\u00e7\u00f5es adequadas para a classe trabalhadora. Orienta\u00e7\u00f5es que acabam por mostrar aos demais estratos populares a conveni\u00eancia e necessidade dessa lideran\u00e7a, que os organiza em interven\u00e7\u00f5es efetivas nas lutas populares em geral. Qualquer que seja a forma organizativa que essa alian\u00e7a contra o capitalismo adote, ela s\u00f3 pode ser levada at\u00e9 o final, a derrubada do inimigo, com a exist\u00eancia de um Partido Comunista forte.<\/p>\n<p>Qualquer um que queira ver em breve o funeral do capitalismo deve reconhecer a necessidade urgente de reagrupar os coveiros, deve saber que lutar pelo fortalecimento do Partido Comunista \u00e9 a melhor garantia de que tal dia chegue.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] V.I. Lenin, Collected Works, Soviet Edition, Tome XVIII, pg. 544<\/p>\n<p>[2] K. Marx, Capital, Tome 3, 5th Section, Chapter 27, Mexican Edition \u2013 Fondo de Cultura Econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>[3] Lenin, Vladimir Ilich; Historic vicissitudes in the doctrine of Karl Marx; in Selected Works in 12 Tomes, Tome V; Soviet Edition, 1976<\/p>\n<p>[4] Theses for the 4th Congress of the Communist Party of Mexico, 2.8 F), \u201cImperialism, Capitalist International Restructuring, the so called globalization, the crisis of the system\u201d.<\/p>\n<p>*Diego Torres \u00e9 dirigente do PCM (Partido Comunista do M\u00e9xico)<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: P\u00e1gina 1917.<\/p>\n<p>Fonte:https:\/\/lavrapalavra.com\/2019\/04\/10\/sobre-os-assim-chamados-sujeitos-emergentes-a-validade-do-carater-revolucionario-da-classe-trabalhadora-e-seu-partido-de-vanguarda\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26444\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[109],"tags":[226],"class_list":["post-26444","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c122-franca","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Sw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26444"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26444\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}