{"id":2651,"date":"2012-04-08T20:41:51","date_gmt":"2012-04-08T20:41:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2651"},"modified":"2012-04-08T20:41:51","modified_gmt":"2012-04-08T20:41:51","slug":"aspectos-da-experiencia-da-luta-de-classes-na-grecia-e-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2651","title":{"rendered":"Aspectos da experi\u00eancia da luta de classes na Gr\u00e9cia e Europa"},"content":{"rendered":"\n<p>Contribui\u00e7\u00e3o de Giorgos Marinos, membro do Bur\u00f4 Pol\u00edtico do CC do Partido Comunista Grego (KKE) e membro do Parlamento,no seminario internacional dos 90 anos do Partido Comunista Brasileiro.<\/p>\n<p>O Partido Comunista da Gr\u00e9cia expressa seu agradecimento ao Partido Comunista Brasileiro e o felicita para os eventos importantes que organizou. Nosso partido sa\u00fada calorosamente as lutas dos comunistas brasileiros que oferecem importantes exemplos de sacrif\u00edcio, de hero\u00edsmo, de resist\u00eancia e encabe\u00e7am a organiza\u00e7\u00e3o da luta da classe oper\u00e1ria e do campesinato pobre, o desenvolvimento da luta de classe na confronta\u00e7\u00e3o com a burguesia, o Estado burgu\u00eas e os mecanismos de repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Os comunistas tiram sua for\u00e7a dos valores revolucion\u00e1rios e \u00e9 por isso que n\u00e3o se ajoelharam perante as diversas persegui\u00e7\u00f5es, o encarceramento, os assassinatos que foram levados a cabo pelo advers\u00e1rio, com o intuito de impedir a luta pela liberta\u00e7\u00e3o dos grilh\u00f5es da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Esta experi\u00eancia oferece ensinamentos para responder \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es, tendo claro que a democracia burguesa foi e continua sendo a ditadura dos monop\u00f3lios e que a solu\u00e7\u00e3o vir\u00e1 do desenvolvimento da luta de classes at\u00e9 o final.<\/p>\n<p>Objetivamente, a luta de classes \u00e9 a for\u00e7a motriz do progresso social no conflito permanente do novo com o velho. Isto ocorre historicamente e marca o curso das forma\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, marca a luta nas condi\u00e7\u00f5es de capitalismo que vive sua \u00faltima etapa, a imperialista.<\/p>\n<p>A luta de classes \u00e9 um princ\u00edpio inviol\u00e1vel para os partidos comunistas. \u00c9 um princ\u00edpio que n\u00e3o se limita na luta di\u00e1ria contra os problemas dos trabalhadores, para determinar as condi\u00e7\u00f5es de venda da for\u00e7a de trabalho, mas sim que se determina pelo elemento qualitativo da luta pela derrocada do poder dos monop\u00f3lios, pela derrocada do sistema capitalista, pelo socialismo.<\/p>\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio, que surge da realidade objetiva, d\u00e1 for\u00e7as ao KKE, que protagoniza nas lutas de classes na Gr\u00e9cia, nas dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es, uma confronta\u00e7\u00e3o dura com a burguesia, com seus representantes pol\u00edticos e sindicais, com a Uni\u00e3o Europeia e as for\u00e7as do oportunismo que apoiam o sistema de explora\u00e7\u00e3o e trabalham para incorporar a classe oper\u00e1ria aos objetivos do capital com gestores do capitalismo.<\/p>\n<p>O que ocorre na Gr\u00e9cia, que se encontra na vanguarda da atualidade?<\/p>\n<p>\u00c9 preciso responder esta pergunta com base em dados reais porque, ao contr\u00e1rio, ser\u00e3o registradas posi\u00e7\u00f5es que distorcem a realidade.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, durante uns vinte anos, at\u00e9 2008, quando se manifestou a crise, o desenvolvimento capitalista registrou altas taxas; o PIB tinha um crescimento acima dos 3% ao ano.<\/p>\n<p>A riqueza produzida pelos trabalhadores foi multiplicada. No entanto, quem ganhou com este processo foi a plutocracia, que aumentou seus lucros em 28 vezes e acumulou muitos capitais, mediante a intensifica\u00e7\u00e3o do grau de explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, o aumento da mais-valia e do trabalho n\u00e3o remunerado.<\/p>\n<p>Desde princ\u00edpios da d\u00e9cada de 1990, se implantaram duras medidas antipopulares. A situa\u00e7\u00e3o em que se encontrava a classe trabalhadora e os setores populares se deteriorou, o desemprego se manteve em altos n\u00edveis nas condi\u00e7\u00f5es de crescimento da economia capitalista.<\/p>\n<p>No marco da Uni\u00e3o Europeia e a n\u00edvel nacional, tanto na Gr\u00e9cia como nos demais Estados membros, os governos burgueses foram respons\u00e1veis pela promo\u00e7\u00e3o de significativas mudan\u00e7as reacion\u00e1rias. Direitos trabalhistas e de seguridade social foram eliminados, comercializaram-se os servi\u00e7os sociais e atrav\u00e9s deste curso, levou-se a cabo a superacumula\u00e7\u00e3o de capitais, manifestou-se a crise capitalista.<\/p>\n<p>Portanto, em todas as fases do ciclo econ\u00f4mico, o capitalismo \u00e9 um sistema explorador, antipopular, b\u00e1rbaro e esta caracter\u00edstica \u00e9 ainda mais clara em condi\u00e7\u00f5es de crise, quando se destroem rapidamente as for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o, aprofundam-se os problemas do povo e se piora a situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e dos setores populares.<\/p>\n<p>Insistimos no car\u00e1ter da crise como crise de superacumula\u00e7\u00e3o de capital que manifesta o aprofundamento da contradi\u00e7\u00e3o entre o car\u00e1ter social da produ\u00e7\u00e3o e a apropria\u00e7\u00e3o capitalista de seus resultados porque este \u00e9 o elemento objetivo que surge do estudo das leis do sistema.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 de grande import\u00e2ncia, pois demonstra na pr\u00e1tica os limites do capitalismo, sua decad\u00eancia e a necessidade de sua derrocada em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as burguesas e oportunistas que suprimem ou distorcem a realidade, utilizando numerosas constru\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Estas for\u00e7as possuem posi\u00e7\u00f5es muito perigosas que, desgra\u00e7adamente, s\u00e3o adotadas inclusive por alguns Partidos Comunistas.<\/p>\n<p>Interpretam a crise como uma crise do Neoliberalismo, dizendo que o mercado ficou sem controle sobre as normas de regula\u00e7\u00e3o e sobre os bancos.<\/p>\n<p>Este enfoque \u00e9 anticient\u00edfico e, politicamente, serve a muitos prop\u00f3sitos. Absolve o capitalismo e cria confus\u00f5es acerca da busca de um melhor modo de gest\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p>A atividade econ\u00f4mica dos monop\u00f3lios que derivaram da concentra\u00e7\u00e3o-centraliza\u00e7\u00e3o do capital \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do sistema e determina o car\u00e1ter do mercado.<\/p>\n<p>Os elementos b\u00e1sicos de sua opera\u00e7\u00e3o s\u00e3o o crit\u00e9rio dos lucros, a livre circula\u00e7\u00e3o de capitais, as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital, j\u00e1 que os meios de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o propriedade capitalista.<\/p>\n<p>A estes elementos n\u00e3o concernem somente a gest\u00e3o neoliberal do sistema, por\u00e9m tamb\u00e9m a gest\u00e3o socialdemocrata, digamos neokeynesiana, toda gest\u00e3o no marco do sistema explorador, independentemente do tamanho do Estado burgu\u00eas que continua sendo o capitalista coletivo.<\/p>\n<p>Fala-se de uma crise financeira de d\u00edvida. Neste ponto tamb\u00e9m se faz uma abstra\u00e7\u00e3o anticient\u00edfica, numa tentativa de separar a esfera da circula\u00e7\u00e3o da coluna vertebral do sistema, a produ\u00e7\u00e3o, onde se cria a mais-valia atrav\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Os capitais superacumulados que se geram na produ\u00e7\u00e3o, encontram uma sa\u00edda no setor financeiro, que tamb\u00e9m possui suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A crise que se manifestou em 2008 \u00e9 profunda e sua continua\u00e7\u00e3o demonstra que n\u00e3o se destruiu o capital superacumulado, o que se faz necess\u00e1rio para alcan\u00e7ar um equil\u00edbrio. Na Gr\u00e9cia, no per\u00edodo de 2009-2011, o PIB caiu mais de 12%. A queda do PIB em 2011 foi superior a 7%. Em 2012, a previs\u00e3o \u00e9 de queda de mais de 3%.<\/p>\n<p>As leis do capitalismo s\u00e3o implac\u00e1veis e o KKE considera que uma poss\u00edvel recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 d\u00e9bil e marcada pelo alto desemprego, com a perman\u00eancia da deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>\u00c9 conhecido o fato de que se tenta impedir o debate sobre a Gr\u00e9cia acerca da vers\u00e3o dominante do governo quanto \u00e0 d\u00edvida e, por isso, gostar\u00edamos de levantar algumas quest\u00f5es. \u00c9 verdade que a d\u00edvida \u00e9 muito alta. Estima-se que esteja na casa dos 260.000 milh\u00f5es de euros, ou seja, superior a 160% do PIB.<\/p>\n<p>A pergunta que devemos responder \u00e9 sobre os fatores, as causas que levaram a esta d\u00edvida.<\/p>\n<p>O KKE responde de modo documentado e apresenta, com elementos, que a d\u00edvida foi criada pela pol\u00edtica dos governos burgueses que utilizam os empr\u00e9stimos para financiar o grande capital, a pol\u00edtica que promove a isen\u00e7\u00e3o de impostos \u00e0s empresas, mant\u00e9m os impostos sobre os lucros a n\u00edveis muito baixos e permite uma grande evas\u00e3o fiscal. A d\u00edvida se deve \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, o que levou \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e de importantes setores da ind\u00fastria manufatureira, assim como aos grandes fundos alocados conforme as necessidades da OTAN.<\/p>\n<p>Os governos do partido liberal da ND e do PASOK socialdemocrata, assim como o governo de coaliz\u00e3o formado por estes dois partidos juntamente com o partido nacionalista de LAOS, em novembro de 2011, tomaram medidas antipopulares muito duras.<\/p>\n<p>Normalmente, tais medidas foram pr\u00e9-decididas anteriormente na Uni\u00e3o Europeia, sob a responsabilidade dos governos gregos, no marco da estrat\u00e9gia das reestrutura\u00e7\u00f5es capitalistas que tinham como objetivo a redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da for\u00e7a de trabalho com a finalidade de aumentar a competitividade e a rentabilidade do capital.<\/p>\n<p>Trata-se, pois, de medidas que promovem o trabalho de meio-per\u00edodo, os trabalhos tempor\u00e1rios, a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores, o ataque contra a jornada laboral de oito horas, o aumento da idade de aposentadoria, a comercializa\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, do Bem-Estar social, da Educa\u00e7\u00e3o, a liberaliza\u00e7\u00e3o e a privatiza\u00e7\u00e3o da energia, das comunica\u00e7\u00f5es, do transporte, etc.<\/p>\n<p>Desde maio de 2010, quando o governo do PASOK firmou o contrato de empr\u00e9stimo e o primeiro memorando com a Uni\u00e3o Europeia, o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Central Europeu, assim como a continua\u00e7\u00e3o desde fevereiro de 2012, quando o governo de coaliz\u00e3o firmou o segundo contrato de empr\u00e9stimo e o segundo memorando, foram implantadas medidas antipopulares ainda mais cru\u00e9is. Estas medidas promovem cortes nos sal\u00e1rios e nas pens\u00f5es, a aboli\u00e7\u00e3o dos conv\u00eanios coletivos setoriais e a redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo que prev\u00ea o Conv\u00eanio Coletivo Nacional de Trabalho, a aboli\u00e7\u00e3o da bonifica\u00e7\u00e3o de Natal e P\u00e1scoa, o pagamento das f\u00e9rias, a demiss\u00e3o de 30.000 funcion\u00e1rios em 2012 e 150.000 at\u00e9 2015, etc.<\/p>\n<p>O sal\u00e1rio m\u00ednimo na Gr\u00e9cia, dos 751 euros brutos caiu para 586 euros brutos, o seguro-desemprego foi diminu\u00eddo de 411 euros para 320, e os sal\u00e1rios para jovens menores de 25 anos foram reduzidos a 510 euros brutos.<\/p>\n<p>Atualmente, a Gr\u00e9cia conta com mais de 1.200.000 desempregados, o pre\u00e7o da for\u00e7a de trabalho diminuiu dramaticamente, o grau de explora\u00e7\u00e3o aumentou e a pobreza se estendeu a mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso levar em conta que com os novos empr\u00e9stimos de 120.000 milh\u00f5es de euros em 2010, de 130.000 milh\u00f5es de euros em 2012 e apesar do corte da d\u00edvida de 100.000 milh\u00f5es de euros, a d\u00edvida est\u00e1 crescendo e se estima que alcan\u00e7ar\u00e1, em 2015, a marca de 400.000 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Em ess\u00eancia, neste processo as for\u00e7as do capital levaram o povo conscientemente \u00e0 ru\u00edna, enquanto continua em aberto a possibilidade de uma quebra incontrolada.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia adquirida pelos povos da Uni\u00e3o Europeia reafirma a posi\u00e7\u00e3o do KKE de que a UE \u00e9 uma uni\u00e3o imperialista interestatal, cujo crit\u00e9rio est\u00e1 relacionado aos interesses do capital e que se faz cada vez mais perigosa para a classe trabalhadora e para os setores populares. Al\u00e9m disso, participa das guerras imperialistas contra a Iugosl\u00e1via, o Iraque, o Afeganist\u00e3o, a L\u00edbia, das amea\u00e7as contra o Ir\u00e3 e a S\u00edria, e est\u00e1 se preparando para as novas guerras que ser\u00e3o geradas pela competi\u00e7\u00e3o interimperialista.<\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o entre as pot\u00eancias imperialistas se baseia no desenvolvimento desigual. Ela est\u00e1 relacionada com quem se prevalecer\u00e1 na guerra para a conquista de novos mercados e quais monop\u00f3lios ser\u00e3o refor\u00e7ados na crise.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da UE afirma que qualquer unifica\u00e7\u00e3o de Estados capitalistas cria um mercado maior, que funciona com base nos interesses e nos lucros do capital. Este \u00e9 o objetivo e n\u00e3o se impede, inclusive, o caso de numa unifica\u00e7\u00e3o, num ambiente capitalista em geral, participe um pa\u00eds socialista. Porque este tamb\u00e9m estaria obrigado a atuar no marco estabelecido por crit\u00e9rios econ\u00f4micos privados. N\u00e3o se trata de uma quest\u00e3o de vontade ou de estado de esp\u00edrito, mas da opera\u00e7\u00e3o objetiva das leis que regem as economias, onde os meios de produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o nas m\u00e3os dos monop\u00f3lios, ou do capitalista coletivo, o Estado, cujo crit\u00e9rio \u00e9 concentrar mais-valias e lucros.<\/p>\n<p>Os bancos, as empresas petroleiras e outros monop\u00f3lios se refor\u00e7am e competem entre si para predominar e obter maior quota do mercado.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da UE mostra qu\u00e3o valiosa \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o precoce do car\u00e1ter da unifica\u00e7\u00e3o capitalista, para que se possa fazer frente \u00e0s ilus\u00f5es e que o movimento oper\u00e1rio se prepare a tempo. O KKE tem nessa revela\u00e7\u00e3o uma contribui\u00e7\u00e3o importante. Contudo, devemos assinalar que existe um problema grave quanto \u00e0 postura dos partidos comunistas que n\u00e3o organizaram rapidamente uma frente contra a UE e que aceitaram, na Europa, a l\u00f3gica do Estado de bem-estar, na realidade, do Estado burgu\u00eas que, devido \u00e0 confronta\u00e7\u00e3o com o socialismo antes de sua derrocada e \u00e0 luta de classes, assim como para incorporar as for\u00e7as populares, teve que fazer concess\u00f5es e satisfazer algumas demandas sobre o n\u00edvel de sal\u00e1rios e os servi\u00e7os sociais.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora, os setores populares na Europa lutariam por melhores posi\u00e7\u00f5es se a situa\u00e7\u00e3o do movimento comunista e dos trabalhadores em geral fosse diferente. Porque o efeito do oportunismo, do reformismo \u00e9 um fator chave na recess\u00e3o da luta de classes. A Gr\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 um caso especial. O fator determinante que contribuiu para o desenvolvimento da luta de classes \u00e9 a linha revolucion\u00e1ria do KKE, porque, apesar das debilidades e das dificuldades que enfrenta, tem clara a dire\u00e7\u00e3o da luta, a necessidade, a vig\u00eancia e a atualidade do socialismo.<\/p>\n<p>Estimados camaradas:<\/p>\n<p>Na zona do euro e na Uni\u00e3o Europeia, onde em 2010 apareceram sinais de recupera\u00e7\u00e3o, foram muito preocupantes as estimativas de que, em 2011 e em princ\u00edpios de 2012, haveria uma diminui\u00e7\u00e3o no PIB ou um estancamento marginal. Isto concerne tamb\u00e9m aos pa\u00edses imperialistas poderosos, como a It\u00e1lia e a Espanha.<\/p>\n<p>Hoje em dia, na UE, o n\u00famero de desempregados supera os 42 milh\u00f5es e a popula\u00e7\u00e3o que vive sob a linha de pobreza supera o n\u00famero de 115 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>For\u00e7as burguesas e oportunistas se utilizam da situa\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia e falam de ocupa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pela UE ou pela Alemanha, de aboli\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a realidade.<\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia, igual a qualquer Estado capitalista, participa das organiza\u00e7\u00f5es imperialistas com o aval consciente da classe burguesa e cede, conscientemente, direitos soberanos para garantir seus interesses a longo prazo.<\/p>\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es de desigualdade, lei absoluta do capitalismo, a presen\u00e7a de todo Estado capitalista no sistema imperialista e nas organiza\u00e7\u00f5es imperialistas, est\u00e1 determinada por sua for\u00e7a econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar.<\/p>\n<p>Estes assuntos requerem grande aten\u00e7\u00e3o e devem ser tratados no marco da rela\u00e7\u00e3o verdadeira de depend\u00eancia e interdepend\u00eancia dos Estados capitalistas, levando em conta que a desigualdade e o predom\u00ednio das posi\u00e7\u00f5es dos Estados mais potentes no sistema imperialista \u00e9 um elemento caracter\u00edstico do capitalismo, assim como a desigualdade nas rela\u00e7\u00f5es desaparecer\u00e1 na medida em que o povo grego e os demais povos decidirem romper as cadeias de explora\u00e7\u00e3o, destruir o sistema, construir o socialismo e desenvolver um sistema de rela\u00e7\u00f5es internacionais com base no benef\u00edcio m\u00fatuo.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio prestar ainda mais aten\u00e7\u00e3o na posi\u00e7\u00e3o que, em nome da independ\u00eancia e da soberania nacional, leva partidos comunistas a alian\u00e7as com for\u00e7as burguesas e limita sua a\u00e7\u00e3o aos objetivos de perpetua\u00e7\u00e3o do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Estimados camaradas:<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia se levam a cabo lutas de classe maci\u00e7as e duras h\u00e1 muito tempo. Numerosas greves gerais e setoriais, greves em empresas, dezenas de manifesta\u00e7\u00f5es, paralisa\u00e7\u00f5es em edif\u00edcios estatais e outros.<\/p>\n<p>O ponto chave \u00e9 que nestas lutas protagonizam o KKE e o PAME, o movimento de orienta\u00e7\u00e3o de classe que agrupa em suas fileiras centenas de sindicatos, federa\u00e7\u00f5es, centrais de trabalhadores, comit\u00eas de lutas em empresas, sindicalistas que lutam na linha da luta de classes.<\/p>\n<p>Estas lutas se desenvolvem num ambiente de anticomunismo intenso por parte dos partidos burgueses e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, num clima de intimida\u00e7\u00e3o patronal, de organiza\u00e7\u00e3o de ataques de provoca\u00e7\u00e3o pelo mecanismo estatal e paraestatal, mediante v\u00e1rios grupos de mascarados anticomunistas que se apresentam como antiautorit\u00e1rios. At\u00e9 o momento, estas provoca\u00e7\u00f5es causaram quatro mortes e muitos feridos, por\u00e9m n\u00e3o venceram o esp\u00edrito combativo da classe trabalhadora. O KKE, o PAME e os demais agrupamentos militantes d\u00e3o passos adiante, continuam com determina\u00e7\u00e3o, com a organiza\u00e7\u00e3o da luta, insistindo no trabalho nas f\u00e1bricas, nas empresas, nos bairros populares, dando prioridade ao reagrupamento do movimento oper\u00e1rio, \u00e0 mudan\u00e7a da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\n<p>Ultimamente, foram promovidos passos importantes na a\u00e7\u00e3o comum do PAME com os agrupamentos militantes dos camponeses, dos pequenos empres\u00e1rios, da juventude e das mulheres, no esfor\u00e7o de consolidar a alian\u00e7a social que \u00e9 a base da pol\u00edtica de alian\u00e7as do KKE. O fruto deste esfor\u00e7o \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de centenas de comit\u00eas populares que possuem uma a\u00e7\u00e3o significativa em bairros populares, em cidades e comunidades sobre os problemas das fam\u00edlias populares.<\/p>\n<p>Um elemento importante destes acontecimentos \u00e9 a confronta\u00e7\u00e3o intensa do KKE e do movimento de classe com o SYN\/SYRIZA, com o Partido da Esquerda Europeia (PIE, sigla em espanhol) e outras for\u00e7as do oportunismo, que utilizam uma fraseologia enganosa, enquanto suas posi\u00e7\u00f5es apoiam a preserva\u00e7\u00e3o do capitalismo, apoiam a Uni\u00e3o Europeia e louvam o Banco Central, cria confus\u00f5es separando a d\u00edvida em moral e imoral, legal e ilegal, facilitando o ataque das for\u00e7as burguesas.<\/p>\n<p>Intensificou-se a confronta\u00e7\u00e3o com as for\u00e7as do sindicalismo colaboracionista, com a Confedera\u00e7\u00e3o Geral dos Trabalhadores da Gr\u00e9cia e a Confedera\u00e7\u00e3o dos Empregados do Setor P\u00fablico, controladas pelo PASOK, pela ND e pelas poucas for\u00e7as do oportunismo.<\/p>\n<p>Trata-se de for\u00e7as que apoiam a colabora\u00e7\u00e3o de classes e o di\u00e1logo social com os empregadores; s\u00e3o c\u00famplices na elimina\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas e seguem a linha das organiza\u00e7\u00f5es subjugadas das CSI e as CES, que est\u00e3o em confronta\u00e7\u00e3o com a FSM.<\/p>\n<p>O KKE \u00e9 a luta motriz da resist\u00eancia do povo. Est\u00e1 na vanguarda da luta acerca de qualquer problema popular e p\u00f5e xeque, na pr\u00e1tica, as afirma\u00e7\u00f5es absurdas dos oportunistas, que n\u00e3o oferecem nenhuma contribui\u00e7\u00e3o s\u00e9ria na luta dos trabalhadores. O KKE espera que os problemas do povo sejam resolvidos com o socialismo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso deixar claro que a orienta\u00e7\u00e3o da luta tem grande import\u00e2ncia. Hoje em dia, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente a resist\u00eancia necess\u00e1ria, nem tampouco \u00e9 suficiente reivindicar inclusive demandas mais avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>O principal \u00e9 que a luta se baseie numa linha antimonopolista, em objetivos de luta que reforcem a unidade classista da classe trabalhadora e sua alian\u00e7a com as camadas populares.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o principal hoje \u00e9 que, atrav\u00e9s das lutas trabalhistas e populares, se consiga a maior agrupa\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o das for\u00e7as poss\u00edvel com o fim de derrotar o sistema de explora\u00e7\u00e3o. A luta de classes n\u00e3o se limita na confronta\u00e7\u00e3o com os governos antipopulares, nem na reivindica\u00e7\u00e3o por melhores condi\u00e7\u00f5es de venda da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o crucial \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o que cria as condi\u00e7\u00f5es para o poder oper\u00e1rio e popular, o socialismo que \u00e9 o requisito para a aboli\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem. Todo o resto se esvai pelos ares, igual ao ocorrido com o \u201cmovimento dos indignados\u201d.<\/p>\n<p>A luta pelo socialismo determina o trabalho ideol\u00f3gico, pol\u00edtico e de massas que faz o KKE e acreditamos que isto pode dar for\u00e7a a todos os partidos comunistas, defendendo as conquistas do socialismo que conseguiu eliminar o desemprego e a pobreza, estabeleceu sistemas historicamente avan\u00e7ados nos setores da sa\u00fade, do bem-estar, da educa\u00e7\u00e3o, da cultura, dos esportes, satisfazendo as necessidades do povo.<\/p>\n<p>O KKE luta desta maneira, tratando de modo cr\u00edtico os erros, as omiss\u00f5es e os desvios oportunistas que levaram \u00e0 queda do socialismo na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e nos demais pa\u00edses socialistas.<\/p>\n<p>Somos obrigados a entrar corajosamente num conflito com o anticomunismo e com as cal\u00fanias sem fundamento hist\u00f3rico das for\u00e7as do capital, que se enfurecem porque seu interesse requer que a classe trabalhadora trabalhe duro, produza mais-valia, produza riqueza para que sejam aproveitadas pelos capitalistas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso acabar com isso. Esta postura \u00e9 contempor\u00e2nea, necess\u00e1ria e representa os interesses dos povos.<\/p>\n<p>O chamado socialismo do s\u00e9culo XXI \u00e9 enganoso. \u00c9 alheio ao poder trabalhador e popular, \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 planifica\u00e7\u00e3o central. \u00c9 uma op\u00e7\u00e3o concebida para a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo com a roupagem da humaniza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie imperialista.<\/p>\n<p>O KKE trabalha na base a sua proposta pol\u00edtica:<\/p>\n<p>Um poder dos trabalhadores, popular que se basear\u00e1 nas unidades de produ\u00e7\u00e3o, assegurando a participa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria na constru\u00e7\u00e3o da nova sociedade.<\/p>\n<p>A socializa\u00e7\u00e3o dos meios concentrados de produ\u00e7\u00e3o, da riqueza mineral, da energia, dos transportes, das telecomunica\u00e7\u00f5es, do comercio e outros setores estrat\u00e9gicos. Incentivo \u00e0s cooperativas de produ\u00e7\u00e3o dos pequenos camponeses e dos pequenos empres\u00e1rios, onde as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o estejam maduras para a propriedade social. Cria\u00e7\u00e3o de uma planifica\u00e7\u00e3o central que se expandir\u00e1 a n\u00edvel regional e nacional.<\/p>\n<p>A retirada da OTAN, da Uni\u00e3o Europeia e de todas as organiza\u00e7\u00f5es imperialistas e o esfor\u00e7o na cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de benef\u00edcio com outros Estados e povos.<\/p>\n<p>O cancelamento unilateral da d\u00edvida, j\u00e1 que n\u00e3o foi contra\u00edda pelo nosso povo.<\/p>\n<p>As dificuldades s\u00e3o bem conhecidas. S\u00e3o requeridos grandes sacrif\u00edcios, por\u00e9m este \u00e9 o caminho que responde aos interesses da classe oper\u00e1ria, dos setores populares.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: KKE\n\n\n\n\n\n\n\n\nGiorgos Marinos\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2651\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-2651","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-GL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2651\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}