{"id":2653,"date":"2012-04-08T20:56:42","date_gmt":"2012-04-08T20:56:42","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2653"},"modified":"2012-04-08T20:56:42","modified_gmt":"2012-04-08T20:56:42","slug":"a-centralidade-ignorada-do-pico-petrolifero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2653","title":{"rendered":"A centralidade ignorada do Pico Petrol\u00edfero"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 um dos paradoxos da nossa \u00e9poca que a quest\u00e3o mais importante do s\u00e9culo XXI, aquela que vai marcar a nossa gera\u00e7\u00e3o e todas as que h\u00e3o de vir, seja quase totalmente ignorada pela maior parte dos mass media, dos respons\u00e1veis pol\u00edticos, dos economistas e a generalidade da popula\u00e7\u00e3o. Refiro-me ao Pico de Hubbert, ou Pico m\u00e1ximo da produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera poss\u00edvel no mundo.<\/p>\n<p>Se o petr\u00f3leo barato e abundante permitiu o desenvolvimento acelerado do mundo no s\u00e9culo XX, a situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria no s\u00e9culo XXI anuncia um quadro econ\u00f3mico totalmente diferente pois n\u00e3o existe qualquer substitutivo para a quantidade de petr\u00f3leo agora (ainda) consumida pelo mundo (cerca de 85 milh\u00f5es de barris por dia).<\/p>\n<p>O fim anunciado da era do petr\u00f3leo marca um momento crucial e decisivo nos destinos da humanidade, assinala um novo paradigma hist\u00f3rico. Ele provoca problemas muito complicados e que come\u00e7am desde j\u00e1. Ap\u00f3s o fim, nada ser\u00e1 como dantes \u2013 mas muito antes do fim o problema come\u00e7a j\u00e1 a manifestar-se.<\/p>\n<p>Tal como nos romances de mist\u00e9rio, o melhor esconderijo para um objecto \u00e9 um lugar que est\u00e1 \u00e0 vista de todos. No caso do Pico Petrol\u00edfero, ele tamb\u00e9m est\u00e1 \u00e0 vista de todos \u2013 mas parece que poucos o v\u00eaem. Praticamente TUDO da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea pode ser explicado e entendido \u00e0 luz do Pico Petrol\u00edfero \u2013 \u00e9 a quest\u00e3o central do nosso tempo.<\/p>\n<p>Na verdade, pode-se classificar todos os pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo do mundo em duas grandes categorias: aqueles que j\u00e1 atingiram o Pico (a grande maioria, M\u00e9xico inclusive) e os que ainda n\u00e3o o atingiram. Estes \u00faltimos s\u00e3o constitu\u00eddos por poucos pa\u00edses, a maior parte deles pequenos produtores do ponto de vista quantitativo. Os \u00fanicos grandes produtores que ainda n\u00e3o atingiram o pico s\u00e3o o Brasil e Angola.<\/p>\n<p>Muitos entendem (incorrectamente) que a quest\u00e3o do Pico seja a quantidade absoluta de petr\u00f3leo ainda remanescente no mundo. N\u00e3o \u00e9. A quest\u00e3o crucial \u00e9, sim, a da taxa de produ\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. O mundo j\u00e1 atingiu a taxa m\u00e1xima de produ\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e nada h\u00e1 a fazer quanto a isso. As pseudo solu\u00e7\u00f5es apregoadas pelos media, tais como os petr\u00f3leos n\u00e3o convencionais(como o \u00f3leo de Bakker, os xistos betuminosos do Canad\u00e1, o deep offshore, o polar, os biocombust\u00edveis l\u00edquidos, renov\u00e1veis em geral, etc) n\u00e3o podem de modo algum colmatar o d\u00e9fice da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo convencional que se avizinha.<\/p>\n<p>O R\u00c1CIO EROEI<\/p>\n<p>Na verdade, todas as solu\u00e7\u00f5es supletivas para colmatar o d\u00e9fice da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo convencional deparam-se com um obst\u00e1culo maior e inultrapass\u00e1vel: o do r\u00e1cio EROEI (Energy Returned On Energy Inputed). Este r\u00e1cio \u00e9 inexor\u00e1vel e implac\u00e1vel. Ele tem a grande vantagem de recorrer a unidades puramente f\u00edsicas, pondo de lado ilus\u00f5es monet\u00e1rias. Para cada barril de petr\u00f3leo investido na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo obt\u00e9m-se um retorno cada vez menor. Na d\u00e9cada de 1930 obtinham-se cerca de 100 barris de petr\u00f3leo por cada barril investido na sua produ\u00e7\u00e3o. Hoje, esta propor\u00e7\u00e3o \u00e9 muito menor e andar\u00e1 em torno dos 15. Em alguns casos de petr\u00f3leo n\u00e3o convencional a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior. Exemplo: a explora\u00e7\u00e3o dos xistos betuminosos que s\u00f3 resulta em cerca de tr\u00eas a quatro barris de produ\u00e7\u00e3o por cada barril investido (sem falar no gigantesco desperd\u00edcio de g\u00e1s natural necess\u00e1rio \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>No entanto, o objectivo desta comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 expor tecnicalidades relativas ao Pico Petrol\u00edfero e sim examinar as suas consequ\u00eancias econ\u00f3micas, sociais e pol\u00edticas. Para asquest\u00f5es t\u00e9cnicas, podem-se consultar os numerosos trabalhos de Colin Campbell, Jean Laherrere, Robert Hirsch, Gail Tverberg assim como os textos da ASPO (Association for Study of Peak Oil).<\/p>\n<p>Quando se fala em Pico Petrol\u00edfero toda a gente pensa imediatamente nos aspectos geopol\u00edticos do problema. Este \u00e9, naturalmente, o aspecto mais evidente. Basta ver as sucessivas agress\u00f5es imperialistas para a captura das reservas remanescentes no mundo, com as invas\u00f5es do Iraque, do Afeganist\u00e3o, da L\u00edbia, as amea\u00e7as actuais \u00e0 S\u00edria e a Ir\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o pelo governo dos Estados Unidos de um Comando para a \u00c1frica nas suas for\u00e7as armadas, etc. As guerras predat\u00f3rias por recursos s\u00e3o hoje not\u00edcias di\u00e1rias dos jornais.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os aspectos ostensivos que est\u00e3o \u00e0 vista de todos. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m aspectos mais subtis que se est\u00e3o a verificar neste momento e cujas causas profundas s\u00e3o o Pico Petrol\u00edfero. Tomemos um exemplo aleat\u00f3rio, um dentre muitos, para ilustrar: o caso da recente Revolu\u00e7\u00e3o Eg\u00edpcia. Pode-se afirmar que teve como causa subjacente a ultrapassagem do pico. Quando a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo do Egipto come\u00e7ou a declinar, os rendimentos das exporta\u00e7\u00f5es do mesmo consequentemente come\u00e7aram a diminuir. Mas estes constitu\u00edam uma fonte de receitaimportante do Or\u00e7amento de Estado eg\u00edpcio. Grande parte benef\u00edcios sociais do seu povo (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, etc) era assim financiada e tais benef\u00edcios come\u00e7aram progressivamente a contrair-se. Portanto, teve in\u00edcio a\u00ed a insatisfa\u00e7\u00e3o social, que finalmente chegou \u00e0 grande revolta popular conhecida de todos. Este exemplo d\u00e1 uma ideia de algo que se est\u00e1 a passar em muitas partes do mundo.<\/p>\n<p>Entretanto, podemos e devemos generalizar indo um pouco mais al\u00e9m no n\u00edvel de abstrac\u00e7\u00e3o. Pode-se tamb\u00e9m afirmar que o actual endividamento generalizado \u2013 Estados,municipalidades, fam\u00edlias, empresas n\u00e3o financeiras e financeiras \u2013 nos principais pa\u00edses capitalistas do mundo tem como causa profunda o in\u00edcio do esgotamento do petr\u00f3leo no mundopois o estancamento do crescimento prejudica a capacidade de reembolso.<\/p>\n<p>Marx, no Livro III de &#8220;O Capital&#8221;, explica a lei da renda diferencial de explora\u00e7\u00f5es mineiras. Verifica-se que o esgotamento de recursos facilmente extra\u00edveis obriga a buscar aqueles commaior dificuldade de extrac\u00e7\u00e3o (mais distantes, com teores de min\u00e9rio menores, com mais dificuldades de extrac\u00e7\u00e3o, etc) e a renda diferencial diminui assim. Isso \u00e9 v\u00e1lido para toda e qualquer explora\u00e7\u00e3o mineira \u2013 e tamb\u00e9m para o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Neste momento os campos grandes e antigos do mundo, de extrac\u00e7\u00e3o f\u00e1cil (Gawar, Cantarell, &#8230;), j\u00e1 ultrapassaram o pico e est\u00e3o agora no lado direito da curva de decl\u00ednio. \u00c0 medida queeste petr\u00f3leo &#8220;velho&#8221; se esgota seria preciso substitu\u00ed-lo por produ\u00e7\u00e3o de campos novos, de menores dimens\u00f5es e de extrac\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil. Mas a produ\u00e7\u00e3o mundial j\u00e1 est\u00e1 estagnada h\u00e1 v\u00e1rios anos \u2013 apesar dos pre\u00e7os altos. S\u00f3, simplesmente, para conseguir manter no futuro os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o actuais seriam precisos investimentos cada vez mais colossais com perfura\u00e7\u00f5es cada vez mais profundas (deep offshore, etc), em lugares cada vez mais in\u00f3spitos (zonas polares, etc) e com r\u00e1cios EROEI cada vez piores. Trata-se portanto de um problema de taxa de extrac\u00e7\u00e3o e n\u00e3o da dimens\u00e3o absoluta das reservas remanescentes. Tudo isso indicia um problema sist\u00e9mico. Deve-se notar que nos referimos aqui a realidades puramente f\u00edsicas, pondo de lado miragens monet\u00e1rias.<\/p>\n<p>Examinando o assunto pelo lado das reservas (e n\u00e3o da taxa de extrac\u00e7\u00e3o), verifica-se ainda que pa\u00edses produtores tender\u00e3o a manter para si pr\u00f3prios o petr\u00f3leo remanescente nos seus territ\u00f3rios. Assim, independentemente da capacidade t\u00e9cnica e financeira para a aumentar a taxa de produ\u00e7\u00e3o, a quantidade dispon\u00edvel para exporta\u00e7\u00e3o necessariamente diminui. O exemplo da Indon\u00e9sia, pa\u00eds que do ponto de vista formal continua na OPEP, \u00e9 significativo.<\/p>\n<p>A acumula\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente ao modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Pela sua natureza, este modo de produ\u00e7\u00e3o tem de criar um excedente pois \u00e9 isso que garante a sua sobreviv\u00eancia. O crescimento vertiginoso do s\u00e9culo XX deveu-se basicamente \u00e0 exist\u00eancia de um combust\u00edvel abundante e barato: o petr\u00f3leo (assim como a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do s\u00e9culo XIX deveu-se ao carv\u00e3o). Ora, quando o petr\u00f3leo come\u00e7a a escassear surge um problema estrutural: o sistema come\u00e7a a patinar, a girar em seco, pois n\u00e3o pode &#8220;crescer&#8221;. Isto explica os fen\u00f3menos doendividamento e da financiariza\u00e7\u00e3o. Endividamento porque grande parte do investimento efectuado at\u00e9 agora contava com o crescimento futuro a fim de gerar recursos para poder ser reembolsado. Financiariza\u00e7\u00e3o porque capitalistas, desesperados na busca do lucro, passaram a tentar obter dinheiro a partir de dinheiro sem actividade produtiva real. Pode-se afirmar que a Crise desencadeada em 2008 tem a\u00ed a sua g\u00e9nese real.<\/p>\n<p>O problema sist\u00e9mico \u00e9 que 1) as d\u00edvidas contra\u00eddas no passado contando com o crescimento futuro teriam de ser pagas; e 2) a obten\u00e7\u00e3o de dinheiro a partir de dinheiro, sem a passagem pela etapa intermedi\u00e1ria da mercadoria, n\u00e3o pode perdurar para todo o sempre. Em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro ponto, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma evid\u00eancia meridiana e inelut\u00e1vel: d\u00edvidas que n\u00e3o podem ser pagas n\u00e3o o ser\u00e3o. Os credores n\u00e3o gostam de tal solu\u00e7\u00e3o e, portanto, tentam resolver o seu problema de outras formas como a escraviza\u00e7\u00e3o de pa\u00edses (Gr\u00e9cia, &#8230;) e classes sociais devedoras (um neo-feudalismo em que estas seriam servas das suas d\u00edvidas). \u00c9 o que est\u00e1 a acontecer em pa\u00edses de capitalismo &#8220;velho&#8221;, como os Estados Unidos, a Europa e o Jap\u00e3o, agora a caminho da decad\u00eancia.<\/p>\n<p>Tudo conjugado, verificamos que estamos na imin\u00eancia de abalos tel\u00faricos no sistema mundial. O mundo tal como o conhecemos ir\u00e1 mudar na nossa gera\u00e7\u00e3o. Os breves cem anos de crescimento (populacional inclusive) proporcionados pelo petr\u00f3leo est\u00e3o a acabar e isso significa uma avaria insan\u00e1vel num modo de produ\u00e7\u00e3o que exige a acumula\u00e7\u00e3o indefinida. N\u00e3o existem rem\u00e9dios tecnol\u00f3gicos que possam resolver o problema. Teremos de mudar de paradigma, com uma dieta for\u00e7osa de energia. Na realidade, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de energia pois o caso do petr\u00f3leo \u00e9 apenas um aspecto particular do caso mais geral do esgotamento dos recursos planet\u00e1rios (ur\u00e2nio, min\u00e9rios diversos, madeira, a pr\u00f3pria \u00e1gua, &#8230;). \u00c9 preciso revisitar o estudo dos &#8220;Limites de crescimento&#8221;, de 1972, t\u00e3o vilipendiado por economistas vulgares.<\/p>\n<p>O QUE FAZER?<\/p>\n<p>O primeiro passo para a resolu\u00e7\u00e3o de um problema \u00e9 reconhecer que ele existe. At\u00e9 agora o mundo permaneceu na ignor\u00e2ncia do problema ou, pior ainda, na nega\u00e7\u00e3o do mesmo.Reconhecer a realidade do Pico Petrol\u00edfero e traz\u00ea-la ao debate p\u00fablico como a quest\u00e3o central do nosso tempo \u00e9 uma tarefa premente e urgente. O Pico Petrol\u00edfero deveria permear todo o discurso pol\u00edtico, todos os projectos sociais e econ\u00f3micos que se tem em vista \u2013 com o abandono do paradigma dos recursos infinitos. No entanto, a consci\u00eancia do Pico Petrol\u00edfero continua a restrita a c\u00edrculos especializados e portanto o necess\u00e1rio debate na sociedade ainda est\u00e1 longe de generalizado. Isso \u00e9 tamb\u00e9m da responsabilidade daqueles que \u2013 como n\u00f3s \u2013se interessam e participam da vida social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, temos de promover medidas que: 1) n\u00e3o agravem o problema com projectos de investimentos ruinosos moldados na ideia dos recursos infinitos (novos aeroportos, auto-estradas, &#8230;); e 2) tendam a amenizar o problema mantendo padr\u00f5es de justi\u00e7a equitativa entre os pa\u00edses (sejam ou n\u00e3o produtores de petr\u00f3leo) e entre as diferentes classes sociais.<\/p>\n<p>Os problemas relacionados com a taxa de extrac\u00e7\u00e3o s\u00e3o imediatos mas aqueles relativos ao inelut\u00e1vel esgotamento dos stocks existentes no planeta s\u00e3o a prazo mais longo (40 ou 50 anos, talvez). Quanto a este \u00faltimo, devemos ter em mente que h\u00e1 diferentes maneiras de caminhar na curva do decl\u00ednio. Uma \u00e9 a forma brutal da guerra por recursos e com uma reparti\u00e7\u00e3o altamente injusta da dota\u00e7\u00e3o existente do ouro negro entre pa\u00edses e classes sociais. Outra, uma forma civilizada em que os problemas inevit\u00e1veis ser\u00e3o t\u00e3o minimizados quanto poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A forma civilizada poderia ser um acordo internacional nos moldes do &#8220;Protocolo do esgotamento do petr\u00f3leo&#8221;, redigido pelo Dr. Collin J. Campbell (ver <a href=\"http:\/\/resistir.info\/energia\/depletion_protocol_p.html\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/energia\/depletion_protocol_p.html<\/a>) que estabelece bases para um programa de transi\u00e7\u00e3o (o parlamento portugu\u00eas aprovou-o formalmente, mas ele \u00e9 ignorado pelo governo). O protocolo pretende:<\/p>\n<p>\uf0b7 Impedir o aproveitamento especulativo da escassez (profiteering), de modo a que os pre\u00e7os do barril possam permanecer num relacionamento razo\u00e1vel com o custo de produ\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>\uf0b7 Permitir aos pa\u00edses pobres arcarem com as suas importa\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>\uf0b7 Evitar desestabilizar fluxos financeiros decorrentes de pre\u00e7os do petr\u00f3leo excessivos;<\/p>\n<p>\uf0b7 Encorajar os consumidores a evitar o desperd\u00edcio;<\/p>\n<p>\uf0b7 Estimular o desenvolvimento de energias alternativas.<\/p>\n<p>Temos de nos preparar para um mundo cada vez menos energ\u00edvoro. Hoje, os pa\u00edses que t\u00eam governos mais l\u00facidos j\u00e1 tomam medidas para facilitar a transi\u00e7\u00e3o. A Su\u00e9cia por exemplo tem um programa ambicioso para eliminar o petr\u00f3leo da sua economia, com produ\u00e7\u00e3o de biometano em grande escala. Os parlamentos da Austr\u00e1lia e da Gr\u00e3-Bretanha fizeram comiss\u00f5es e estudos acerca do Pico Petrol\u00edfero e formas de minimiz\u00e1-lo. Os governos do Ir\u00e3o e do Paquist\u00e3o estimulam activamente a substitui\u00e7\u00e3o dos refinados de petr\u00f3leo nos transportes por ve\u00edculos a g\u00e1s natural (j\u00e1 existem 2,8 milh\u00f5es em cada um destes pa\u00edses) e o da \u00cdndia faz o mesmo (j\u00e1 existem 1,1 milh\u00e3o). A China e a Austr\u00e1lia j\u00e1 utilizam o g\u00e1s natural liquefeito (GNL) na camionagem pesada. Os exemplos poderiam multiplicar-se.<\/p>\n<p>Considerando que a maior parte do petr\u00f3leo do mundo \u00e9 consumida no sector dos transportes e \u00e9 desej\u00e1vel reduzir o seu consumo tanto quanto poss\u00edvel \u2013 em benef\u00edcio das gera\u00e7\u00f5es futuras e de utiliza\u00e7\u00f5es imediatas mais priorit\u00e1rias (fertilizantes agr\u00edcolas, agro-defensivos, pl\u00e1sticos, qu\u00edmica fina, etc) \u2013 ser\u00e1 uma boa ideia come\u00e7ar por substituir os refinados de petr\u00f3leo no sector dos transportes. O combust\u00edvel mais promissor para isso \u00e9 o metano, o principal constituinte do g\u00e1s natural. Nos transportes (cami\u00f5es, autobuses, ferryboats, navios, etc) ele pode ser utilizado sob a forma comprimida (GNC) ou liquefeita (GNL). Ao contr\u00e1rio do petr\u00f3leo, o g\u00e1s natural tamb\u00e9m pode ter origem n\u00e3o f\u00f3ssil: \u00e9 o caso do biometano, uma energia renov\u00e1vel produzida a partir de res\u00edduos e que n\u00e3o compete com a produ\u00e7\u00e3o alimentar.<\/p>\n<p>&#8211; x &#8211;<\/p>\n<p>Caros amigos:<\/p>\n<p>Durante milhares de anos a nossa esp\u00e9cie viveu neste planeta sem recorrer ao petr\u00f3leo. O seu fim anunciado pode, portanto, n\u00e3o ser uma trag\u00e9dia se soubermos fazer a transi\u00e7\u00e3o. A nossa reac\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de ser adaptativa, como sempre se deu ao longo de toda a hist\u00f3ria humana diante de abalos fora do seu controle. A verdadeira trag\u00e9dia n\u00e3o est\u00e1 no fim do petr\u00f3leo e sim no capitalismo. Este modo de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 que impede a sustentabilidade do nosso planeta. Se n\u00e3o o ultrapassarmos, nesta fase do mundo p\u00f3s Pico Petrol\u00edfero, teremos a intensifica\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie: guerras predat\u00f3rias por recursos naturais, distribui\u00e7\u00e3o cada vez mais injusta da riqueza remanescente e todo o seu cortejo de sequelas. Mas h\u00e1 v\u00e1rios futuros poss\u00edveis. Cabe a n\u00f3s lutar pelos mais justos.<\/p>\n<p>Jorge Figueiredo,<\/p>\n<p>economista, editor do\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 1.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nJorge Figueiredo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2653\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2653","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-GN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2653\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}