{"id":26560,"date":"2020-12-11T22:05:48","date_gmt":"2020-12-12T01:05:48","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26560"},"modified":"2020-12-13T11:07:06","modified_gmt":"2020-12-13T14:07:06","slug":"a-organizacao-classista-dos-portuarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26560","title":{"rendered":"A organiza\u00e7\u00e3o classista dos portu\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-MXbyHvIV5mw\/XpRf-NGKwQI\/AAAAAAAA04U\/-ZUHNcPMvTAE59XZu_gPmuerVJTr3Z0KgCLcBGAsYHQ\/s1600\/Cart%2525C3%2525A3o%252BPostal%252BAntigo%252BSantos%252BSP%252BTrabalhadores%252BPortu%2525C3%2525A1rios%252Be%252Bo%252BJacinto%252B%252528s.d.%252529..jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><br \/>\nA estiva em nossas m\u00e3os<\/p>\n<p>\u201cSomente a uni\u00e3o da estiva dar\u00e1 voz \u00e0 realidade da lingada\u201d<\/p>\n<p>Fragmento do programa \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019 dos estivadores do porto de Santos<\/p>\n<p>Marcelo Schmidt \u2013 militante da Unidade Classista e do PCB-RJ<\/p>\n<p>A \u2018lingada\u2019 \u00e9 o nome que se d\u00e1 ao trabalho dos estivadores no porto. Assim como a realidade da lingada determina a realidade do porto e da sua organiza\u00e7\u00e3o, a realidade do trabalho tamb\u00e9m determina a organiza\u00e7\u00e3o do mundo. No meio disso est\u00e1 o poder. Os estivadores portu\u00e1rios s\u00e3o a ponta da lan\u00e7a dos trabalhadores do porto, e o porto \u00e9 a porta de entrada de quase todos os bens e mercadorias que entram e saem do Brasil. A organiza\u00e7\u00e3o destes trabalhadores n\u00e3o significa apenas poder de parar a classe portu\u00e1ria, mas significa literalmente \u2018poder parar\u2019 e poder para o conjunto da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Segundo o depoimento do estivador L\u00eanin Braga no seu livro \u201cMem\u00f3rias do cais, cartas de um bagrinho\u201d, o povo trabalhador brasileiro precisa compreender a import\u00e2ncia da categoria dos estivadores e de todos os trabalhadores que movimentam o porto fazendo girar a economia brasileira. \u201cEstivador \u00e9 oper\u00e1rio que trabalha nos portos, no servi\u00e7o de carga e descarga dentro dos navios, transportando as mercadorias ou arrumando-as. Um trabalhador no porto de Santos tem orgulho de trabalhar no maior porto da Am\u00e9rica Latina e sabe que a maior parte da riqueza do seu pa\u00eds passa pelas suas m\u00e3os, sabe que a economia da cidade depende muito deste porto, que tem sua pr\u00f3pria vida\u201d. O posicionamento do porto \u00e9 estrat\u00e9gico como territ\u00f3rio em disputa para o conjunto dos trabalhadores, e esta disputa que come\u00e7a no mar, passa pelo porto, termina com o enraizamento de pessoas e de mercadorias at\u00e9 os territ\u00f3rios mais distantes do Brasil. O conflito de classes tem no porto um importante cap\u00edtulo da guerra de classes. Por isso o ataque do inimigo globalizado privado, intermediador de cargas entre governos e trabalhadores no porto \u00e9 grande, e s\u00e3o sucessivas as leis gestadas internacionalmente para parar o poder da estiva e retirar o senhorio governamental de organizar o sistema.<\/p>\n<p>O que acontece no Brasil acontece no mundo. A dispensa em massa dos estivadores na Espanha em 2019\/20, trocados por \u2018trabalhadores modernos\u2019 sem direitos, forma\u00e7\u00e3o e poder n\u00e3o fecha apenas as portas para a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, mas imp\u00f5e uma l\u00f3gica de mecaniza\u00e7\u00e3o e robotiza\u00e7\u00e3o, de engenharia e gest\u00e3o de \u2018port\u00f5es fechados\u2019 para a organiza\u00e7\u00e3o do poder da estiva e abertos para a gest\u00e3o capitalista. O poder popular n\u00e3o \u00e9 entrave para a moderniza\u00e7\u00e3o produtiva, mas \u00e9 entrave para a gest\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Segue o maior ataque aos trabalhadores nos setores de transportes no presente. O objetivo da burguesia patronal no setor \u00e9 varrer a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, e ao mesmo tempo destruir qualquer presen\u00e7a gestora do setor p\u00fablico, que em quase todo mundo, serve para organizar a log\u00edstica do transporte de bens e cargas nos pa\u00edses. A nova lei dos portos no Brasil repete todas as outras leis desde o governo Sarney: &#8216;\u00e9 chamada de moderniza\u00e7\u00e3o&#8217;, mas quer regredir o pa\u00eds ao per\u00edodo colonial e entregar os portos ao capital monopolista internacional. Sem governo, exclusividade, trabalhadores organizados, seguran\u00e7a; a pauta privatizante impulsiona a \u2018otimiza\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria\u2019, uma gest\u00e3o maximizando o lucro, o aumento da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Foi anunciada a privatiza\u00e7\u00e3o do porto de Santos at\u00e9 2021, assim como Vit\u00f3ria, S\u00e3o Sebasti\u00e3o e Itaja\u00ed.A organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da estiva e da classe portu\u00e1ria enfrenta um dos maiores desafios da sua hist\u00f3ria: continuar existindo, ousar ir al\u00e9m e fazer isso inspirando poder para toda a classe trabalhadora. No Brasil, os s\u00f3cios locais da burguesia internacional apontam o porto como um gargalo, \u2018o ponto fora da linha\u2019 da log\u00edstica nacional de transportes no sistema globalizado. No pa\u00eds de \u2018dominantes dominados\u2019, os s\u00f3cios do imperialismo s\u00e3o as elites dependentes locais e os atravessadores que precisam muito da destrui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a dos estivadores e portu\u00e1rios. O verdadeiro motivo do ataque \u00e9 destruir o poder dos trabalhadores de interromper localmente a circula\u00e7\u00e3o do sistema mundial de mercadorias. Controlar integralmente o fluxo e a log\u00edstica das mercadorias. O objetivo da defesa \u00e9 o contr\u00e1rio: construir o contra-ataque pelo controle obreiro no porto, para al\u00e9m do porto, sendo co-gestor da log\u00edstica e do poder estatal oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 neste sentido que propomos apresentar um projeto da base da estiva de Santos, que responde aos anseios da estiva no Brasil e no mundo: \u2018tomar a estiva nas pr\u00f3prias m\u00e3os\u2019. Enfrentar o ataque com sua pr\u00f3pria proposta unificadora gestora do porto, recha\u00e7ar a proposta patronal apresentada pelos governos dos capitalistas; apresentar uma proposta modernizadora de constru\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o da estiva e planifica\u00e7\u00e3o nos portos; que contrataria diretamente os melhores t\u00e9cnicos e unificaria todos os trabalhadores estrategicamente posicionados e envolvidos na log\u00edstica de mercadorias do porto. A uni\u00e3o dos trabalhadores estrat\u00e9gicos a partir da uni\u00e3o dos trabalhadores de transportes depende da unifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores estivadores em Santos e no Brasil. Unificar os trabalhadores para desenvolver as for\u00e7as produtivas, na gest\u00e3o sem patr\u00e3o; contratar os melhores t\u00e9cnicos, planificar os setores estrat\u00e9gicos, suplantar a competi\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar a vit\u00f3ria da unifica\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso apresentar um projeto ou programa que unifique a atual defesa fragmentada, suplante lideran\u00e7as desagregadoras e separatistas por uma vanguarda que valorize a profiss\u00e3o e enxergue a conex\u00e3o do estivador com os demais trabalhadores do sistema. \u00c9 preciso mostrar o grande perigo no projeto da nova lei dos portos, que ao contr\u00e1rio do que ela promete, \u00e9 encarecer a log\u00edstica e o transporte de bens e mercadorias que chegam \u00e0s casas e nas mesas do povo trabalhador. A proposta da vanguarda trabalhadora prop\u00f5e tomar \u2018em suas m\u00e3os\u2019 os problemas da profiss\u00e3o, do trabalho e do sistema log\u00edstico; unificar, tomar e gerir os problemas da produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de bens, mercadorias e trabalhadores do pa\u00eds. Organizar e tomar \u2018a estiva em nossas m\u00e3os\u2019 \u00e9 um manifesto do porto, e significa construir um projeto completo, que enfrenta o problema de frente e pela base; elimina o atravessador e a competi\u00e7\u00e3o no porto, para na sua pauta m\u00e1xima gerir, controlar o sistema de ponta a ponta: o exerc\u00edcio do controle obreiro da produ\u00e7\u00e3o, da circula\u00e7\u00e3o, e do poder popular.<\/p>\n<p>Esta proposta de unifica\u00e7\u00e3o para a luta nasce na frente dos trabalhadores de transportes no Rio de Janeiro, que na pr\u00e1tica, vem da pr\u00f3pria necessidade de luta dos trabalhadores no ascenso dos enfrentamentos da crise de 2008\/12, mas se refinou a partir de 2016, na greve geral em 2017 resistindo \u00e0s contra-reformas de &#8216;Temer&#8217;, e na marcha para Bras\u00edlia no mesmo ano. O seu programa classista e estrat\u00e9gico, para al\u00e9m das reivindica\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias das especificidades dos trabalhadores de cada setor \u00e9 de mais longa matura\u00e7\u00e3o, sendo constru\u00eddo tamb\u00e9m como um resultado da luta nacional no porto de Santos.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das diferen\u00e7as entre as centrais sindicais, existe o fortalecimento do trabalho de base cr\u00edtico, da forma\u00e7\u00e3o de quadros organizativos, classistas e internacionalistas. Existe um hist\u00f3rico de uni\u00e3o dos trabalhadores em transportes na ITF &#8211; Federa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores em Transportes, na FSM (Federa\u00e7\u00e3o Sindical Mundial), e no IDC &#8211; Conselho Internacional de Trabalhadores Portu\u00e1rios. Existe um esfor\u00e7o de fortalecimento e uni\u00e3o de federa\u00e7\u00f5es e sindicatos do setor de transportes e estrat\u00e9gicos no Brasil, aqueles capazes de parar a produ\u00e7\u00e3o global localmente, e da CONTTMAF, Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Transporte Aquavi\u00e1rio e A\u00e9reo, na Pesca e nos Portos, uma das \u00faltimas entre as grandes confedera\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas no Brasil.<\/p>\n<p>A proposta de constru\u00e7\u00e3o de um programa unificador da classe estivadora para al\u00e9m da classe tem por objetivo trabalhar criticamente a base, recuperando a ferramenta sindical para a luta classista, investindo na forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical para a consci\u00eancia na luta concreta na luta de classes, mas tamb\u00e9m constituir conselhos e comiss\u00f5es de base destes trabalhadores. Os trabalhadores nas formas mais simples e complexas disputando, negociando, assumindo poder. Recuperar ou otimizar a ferramenta sindical no ano do maior ataque \u00e0 estiva, aos trabalhadores da estiva no contexto do ataque de 2020 aos trabalhadores do porto, mas tamb\u00e9m do mar \u00e9 uma realidade que n\u00e3o pode deixar de ser confrontada imediatamente. Fortalecer a dire\u00e7\u00e3o para a luta concreta na luta de classes, para a unidade, para a cria\u00e7\u00e3o de poder popular.<\/p>\n<p>Precisam destruir o exemplo da gest\u00e3o diferente do modelo privado, paralela ao modelo Estatal, destruir o modelo anticapitalista que ousa ir al\u00e9m do presente modelo Estatal, no exerc\u00edcio de outro modelo de sociedade. Os trabalhadores necessitam da defesa organizada; o exerc\u00edcio de confronto do poder global-local com o poder local-global, que enfrenta o ataque com defesa e contra-ataque.<\/p>\n<p>A grande derrota do projeto patronal global-local s\u00f3 pode ser feita por um grande projeto da classe, o seu programa precisa combinar a\u00e7\u00e3o organizacional federada em um grande movimento local da classe, que unifique primeiramente sindicatos e federa\u00e7\u00f5es de transportes atrav\u00e9s de frentes de trabalhadores de transportes. Por isso o programa \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019 \u00e9 t\u00e3o importante, porque unifica a vanguarda no porto, para al\u00e9m das fam\u00edlias tradicionais existentes no porto, coloca o programa acima das lideran\u00e7as, prepara a unifica\u00e7\u00e3o da estiva nos locais onde o ataque est\u00e1 sendo gestado; avan\u00e7a na parte mais estrat\u00e9gica, constr\u00f3i a proposta de unifica\u00e7\u00e3o dos estivadores e portu\u00e1rios a partir das suas pautas concretas; vai al\u00e9m da estiva na a\u00e7\u00e3o concreta com os trabalhadores estrat\u00e9gicos, a partir do gargalo local-mundial: age do porto at\u00e9 a ponta.<br \/>\nOs patr\u00f5es precisam domesticar ou destruir os estivadores, que pela for\u00e7a da \u2018lingada\u2019 abrem e fecham o gargalo do Brasil.<\/p>\n<p>O Projeto estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 o projeto do trabalho de base cr\u00edtico da unidade da estiva para al\u00e9m da estiva<\/p>\n<p>Infelizmente este programa carece de quadros organizadores para coloc\u00e1-lo em pr\u00e1tica. Faltam quadros suficientemente conscientes, em n\u00famero certo para organizar a base em torno do programa, falta a institucionalidade no programa para dar apoio log\u00edstico e suporte. A estiva tem condi\u00e7\u00e3o de criar ac\u00famulo e consci\u00eancia, mas leva tempo; e leva ainda mais tempo para organizar para al\u00e9m da estiva. Ocupar o territ\u00f3rio \/ tempo pela organiza\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o e construir a consci\u00eancia para o programa torna-se o desafio ideal-concreto: Construir conselhos de base, recuperar a ferramenta sindical, organizar, debater o programa por \u2018equipes de vinculados\u2019, ou \u2018turma\u2019 (equipe de trabalhadores organizados), na e para al\u00e9m da estiva.<\/p>\n<p>Depois de unificar o programa \u00e9 preciso unificar a sua divulga\u00e7\u00e3o, combater o d\u00e9ficit organizativo de quadros para explicar e debater, e de conselhos para discutir o programa \u00e0 exaust\u00e3o. O programa necessita chegar \u00e0s bases organizadas, todos conscientemente necessitam debater o programa dos trabalhadores; que precisam estar suficientemente organizados e apoiados para defender o programa na base geral. E depois, al\u00e9m do porto, junto com os trabalhadores de transportes, estrat\u00e9gicos, conscientes, prec\u00e1rios e perif\u00e9ricos no conjunto da sociedade. \u00c9 preciso utilizar a estrutura sindical classista como apoio e vanguarda motorizada, blindada, m\u00f3vel para avan\u00e7ar na estrutura log\u00edstica do pa\u00eds. O desenvolvimento das for\u00e7as produtivas requer o desenvolvimento de cada elo da produ\u00e7\u00e3o e log\u00edstica, principalmente os elos da infantaria massiva nesta guerra.<\/p>\n<p>Desenvolver na estrutura m\u00f3vel blindada sindical classista o apoio log\u00edstico \u00e0 vanguarda e a massa trabalhadora que organiza e disputa a log\u00edstica do pa\u00eds. N\u00e3o basta recuperar a ferramenta sindical, \u00e9 necess\u00e1rio otimiz\u00e1-la para cumprir tal tarefa, torn\u00e1-la classista e aportar recursos para a luta de classes. Fazer com que atrav\u00e9s dela, o programa seja debatido, estudado, emendado, modificado, aprovado nas bases organizadas, e aponte para a base geral. Que n\u00e3o fique dentro do muro do porto. Dar voz a \u2018lingada\u2019 \u00e9 dar voz ao programa dos trabalhadores da estiva e do porto at\u00e9 a ponta do sistema, passando por todos os trabalhadores, inclusive aposentados e desempregados no conjunto da classe trabalhadora. Do mais fortalecido ao mais fragilizado, apoiando &#8216;quadros organizativos&#8217;, conselhos, com o programa transformado na base organizada, organizando a base geral.<\/p>\n<p>Tudo que enumeramos j\u00e1 acontece e se torna concreto, mas tem dificuldades de acontecer mais vezes e melhor, mais profundamente pelos problemas acima elencados; falta o programa ser aplicado, faltam quadros suficientes para colocar em pr\u00e1tica, estruturas capazes de apoiar sua log\u00edstica organizativa, unidade classista, prioridades, dificuldades. Falta enraizar, transformar, otimizar, recuperar, constituir conselhos de trabalhadores e comiss\u00f5es de base, elevar a consci\u00eancia geral, pelo trabalho de base cr\u00edtico organizativo da base organizada; e depois reproduzir adaptando fora do porto.<\/p>\n<p>Leve o tempo que levar, leve o tempo necess\u00e1rio. N\u00e3o h\u00e1 tempo m\u00ednimo ou m\u00e1ximo para o trabalho de base cr\u00edtico de um programa. Significa avan\u00e7ar na ferramenta sindical no apoio log\u00edstico classista, na constitui\u00e7\u00e3o de conselhos, suprir a falta de quadros com qualquer trabalhador dispon\u00edvel; fazer a avalia\u00e7\u00e3o correta do tamanho, profundidade das bases conscientes e organizadas em toda a cadeia log\u00edstica, estrat\u00e9gica, consciente, prec\u00e1ria, perif\u00e9rica do sistema. Adequar o programa aos quadros, territ\u00f3rio e tempo.<\/p>\n<p>A luta do estivador mundial tem uma grande oportunidade na luta do estivador brasileiro se o estivador brasileiro pensar como trabalhador de todo porto, para al\u00e9m do porto e como trabalhador mundial. O programa exige unifica\u00e7\u00e3o da luta com mar\u00edtimos, caminhoneiros, ferrovi\u00e1rios, petroleiros e rodovi\u00e1rios nas cidades dos maiores portos para a constru\u00e7\u00e3o da maior greve j\u00e1 feita nos \u00faltimos 50 anos no setor. O exerc\u00edcio desta greve \u00e9 t\u00e3o pedag\u00f3gico como o processo organizativo de gest\u00e3o do trabalhador atrav\u00e9s dos conselhos e das sucessivas bases organizadas. Faltam quadros para organizar um contra ataque que defenda profundamente, contra ataque massivamente, maci\u00e7amente. Que possa acrescentar a nova vanguarda, aumente a inser\u00e7\u00e3o do programa nos portos. Falta chamar a massa para recuperar e otimizar a ferramenta; organizar, e fazer conselhos para pensar o problema da estiva na raiz e nas poss\u00edveis formas de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit organizativo da estiva \u00e9 um d\u00e9ficit organizativo do porto e da classe. N\u00e3o se trata apenas da insufici\u00eancia de quadros, mas da sua forma\u00e7\u00e3o qualitativa e quantitativa para a revolu\u00e7\u00e3o, das estruturas de apoio e da verdadeira opera\u00e7\u00e3o onde o sistema \u00e9 mais exposto e fr\u00e1gil. Mas o maior problema imediato, que se apresenta neste ataque, \u00e9: de superar a falta de acesso ao programa nos locais de trabalho e moradia. O estivador tornou-se uma \u2018ferramenta trabalhador\u2019 integrada ao sistema; mas a organiza\u00e7\u00e3o classista libera o \u2018trabalhador ferramenta\u2019 para organizar a cl\u00e1ssica e a nova classe trabalhadora, transforma o quadro para atacar o d\u00e9ficit organizativo dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Um quadro estivador possui todo um hist\u00f3rico e bagagem de poder geral da classe porque domina o trabalho como forma superior de organiza\u00e7\u00e3o. O organizador quadro pode apresentar a teoria, mas \u00e9 o trabalhador organizado que a transforma para uso. O programa existe para resolver o problema concreto e fazer a discuss\u00e3o do poder na base. O quadro opera o programa da classe no cais e para al\u00e9m dele, agora e historicamente como o programa da base organizada, de conselhos de trabalhadores, da matura\u00e7\u00e3o e da tomada de consci\u00eancia e assimila\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. A classe toma a ferramenta nas m\u00e3os, faz o contra ataque na plenitude coletiva, insurge e golpeia na parte mais sens\u00edvel do sistema.<\/p>\n<p>O programa da revolu\u00e7\u00e3o brasileira foi constru\u00eddo na hist\u00f3ria dos estivadores, nas primeiras greves do Brasil, no trabalho do homem livre que era escravo e no trabalho do imigrante, na luta elementar do trabalho. O programa radical e revolucion\u00e1rio da estiva \u00e9 a voz da unidade cultural e da luta popular brasileira, nos conselhos, na base, na ferramenta sindical, na classe portu\u00e1ria e na classe trabalhadora. Os estivadores t\u00eam experi\u00eancia revolucion\u00e1ria, participaram da primeira greve geral, do levante popular comunista em novembro de 1935 em Recife. A excel\u00eancia organizativa est\u00e1 na greve insurrecional para a revolu\u00e7\u00e3o brasileira desde o ascenso anarquista, a luta por direitos, por \u201creformas de base\u201d; resiste ao golpe de 1964, sobrevive, constr\u00f3i uma defesa anti-neoliberal \u00e0 partir dos anos oitenta, e esteve nos maiores conflitos at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do porto do Rio de Janeiro se confunde com a hist\u00f3ria do Brasil. Nesta hist\u00f3ria, existe uma particularidade muito especial na estiva do Rio de Janeiro: quem entra no sal\u00e3o nobre do sindicato verifica que todos os quadros de ex presidentes da estiva s\u00e3o trabalhadores negros; o que configura uma coisa quase \u00fanica no contexto das lideran\u00e7as sindicais e pol\u00edticas do Brasil. Para voc\u00ea que n\u00e3o compreende o que isso significa, caminhe pela rua e observe o rosto da popula\u00e7\u00e3o brasileira no vai e vem pendular da manh\u00e3 e da tarde no caminho do trabalho e de casa. Agora faz a mesma coisa nos espa\u00e7os de poder, os espa\u00e7os de lideran\u00e7a, dos ju\u00edzes, militares de alta patente, parlamentares e governantes; nos sindicatos tamb\u00e9m, mas principalmente observe os patr\u00f5es do porto, os capitalistas do Brasil. Faltam trabalhadores negros nos espa\u00e7os de poder. A forma\u00e7\u00e3o da classe estivadora no Brasil teve forte participa\u00e7\u00e3o do trabalhador negro nos portos, e felizmente no Rio de Janeiro houve tamb\u00e9m nas suas lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o programa da luta concreta na luta de classes? Unificar a estiva em torno do trabalho na pauta concreta na luta de classes e valorizar sua hist\u00f3ria de poder; derrotar os patr\u00f5es e o governo, se defender organizadamente do ataque, preparar o contra ataque, como ponta de lan\u00e7a do projeto classista de unifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de transportes, estrat\u00e9gicos, e do conjunto da classe trabalhadora, para lan\u00e7ar uma contra ofensiva combativa, unit\u00e1ria, classista, internacionalista pela pr\u00f3pria natureza do porto.<\/p>\n<p>O programa da classe tem no programa da estiva um passo concreto, na necessidade de rod\u00edzio das lideran\u00e7as sindicais para que estas estejam mais pr\u00f3ximas do trabalho e das necessidades di\u00e1rias do trabalho, na constitui\u00e7\u00e3o de conselhos de trabalhadores, para que a a\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o seja ampliada pelos conselhos, pelos pr\u00f3prios trabalhadores organizados, e por fim pela lideran\u00e7a sindical renovada. O exerc\u00edcio de cria\u00e7\u00e3o de poder popular, portanto, nasce da necessidade imediata de trazer a dire\u00e7\u00e3o para a base, para que esta veja a dire\u00e7\u00e3o diretamente na base como forma superior da sua representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O programa \u00e9 maior do que qualquer representa\u00e7\u00e3o. \u00c9 pelo programa mais espec\u00edfico que se constroem as grandes bandeiras da classe trabalhadora. Os quadros organizativos, aqueles que debatem o programa na base precisam estar \u00e0 altura da sua defesa, o programa na forma de defesa prepara o contra ataque, surpreende, enfrenta o inimigo com uma estrat\u00e9gia de defesa profunda, para quando o inimigo pensar que venceu encontrar mais gente para defender, para quando cansar diante da defesa, ter pela frente um maior contra ataque, parando seu ataque, derrotando suas for\u00e7as locais, atrav\u00e9s do programa da estiva, do porto, do transporte, dos estrat\u00e9gicos e da classe trabalhadora. O programa da estiva obriga a adapta\u00e7\u00e3o, a descer ao por\u00e3o, praticar, lingar, cooperar. O programa da classe necessita incorporar para suplantar o atacante.<\/p>\n<p>A resposta final est\u00e1 na a\u00e7\u00e3o paciente da vanguarda inserida na classe, pelos conselhos, pela ferramenta sindical no programa, na linha do programa; para a base geral dos milhares de estivadores, do f\u00f3rum local de sindicatos das cidades do entorno do porto, dos movimentos populares e de juventude; aglutinando a esquerda socialista, para operar a cria\u00e7\u00e3o de poder popular; construindo uni\u00e3o nos Estados, como uma frente estrat\u00e9gica construindo greves de solidariedade e pol\u00edticas a partir da estiva, do porto de Santos, do Rio de Janeiro, do Brasil. Enfrentando o d\u00e9ficit de organiza\u00e7\u00e3o pela a\u00e7\u00e3o, compreendendo as defici\u00eancias organizativas da base, conselhos e ferramentas sindicais.<\/p>\n<p>A especificidade do porto de Vit\u00f3ria. Se o capitalismo n\u00e3o possui um plano B, mas possui apenas um movimento de ataque direto e de expans\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao mundo do trabalho, o exerc\u00edcio maior \u00e9 o da defesa, da defesa organizada. Mais do que a exclusividade, os capitalistas querem destruir o exerc\u00edcio de poder. No porto de Vit\u00f3ria, os estivadores ao longo de muitos anos de luta na \u00faltima s\u00edntese de lutas, conseguiram agrupar esfor\u00e7os e ocupar espa\u00e7os no porto organizado p\u00fablico e disputar no porto privado. Segundo lideran\u00e7as locais, a experi\u00eancia do &#8216;Porto C\u00e9u&#8217; se mostra uma experi\u00eancia de gest\u00e3o direta e de controle obreiro dos estivadores e portu\u00e1rios atrav\u00e9s dos sindicatos. A experi\u00eancia cooperativada e assemblear, e o exerc\u00edcio de poder direto de gest\u00e3o ou controle obreiro se configuram hoje, na falta do ascenso revolucion\u00e1rio como a experi\u00eancia de maior exerc\u00edcio e cria\u00e7\u00e3o de poder popular, ao lado da recupera\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o das ferramentas sindicais, da organiza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o das bases e da forma\u00e7\u00e3o de conselhos de trabalhadores. Acabar com o atravessador no porto \u00e9 um exerc\u00edcio de pauta m\u00e1xima dos estivadores, mas organizar a base \u00e9 a tarefa di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Outro ponto muito importante \u00e9 quando a forma\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u00e9 feita pelo sindicato ou estimulada ou patrocinada pelo mesmo, que acompanha a excel\u00eancia do trabalhador, e faz na pr\u00e1tica, que toda a intermedia\u00e7\u00e3o do trabalho, passe pelo controle sindical, obreiro assemblear, da contrata\u00e7\u00e3o, da demiss\u00e3o, da forma\u00e7\u00e3o, e da excel\u00eancia operativa se j\u00e1 feita diretamente pelos trabalhadores. \u00c9 muito importante a experi\u00eancia de Vit\u00f3ria, que faz com que &#8216;o baf\u00f4metro&#8217; no porto seja da responsabilidade do sindicato no controle da qualidade do exerc\u00edcio da m\u00e3o de obra e n\u00e3o do patr\u00e3o. Quem controla a qualidade do trabalho \u00e9 o poder do pr\u00f3prio trabalhador. \u00c9 objetivo controlar a multifuncionalidade. A escala\u00e7\u00e3o feita por aplicativos sob controle dos trabalhadores no sindicato significa tamb\u00e9m controle dos trabalhadores por sobre a tecnologia do sistema. Quando os pr\u00f3prios trabalhadores controlam todos os processos do trabalho, o exerc\u00edcio do controle obreiro controla tamb\u00e9m os n\u00edveis de sa\u00fade, da produ\u00e7\u00e3o, da organiza\u00e7\u00e3o e da luta dos trabalhadores porque todos estes pontos se comunicam.<\/p>\n<p>A teoria geral da organiza\u00e7\u00e3o precisa compreender a teoria espec\u00edfica da organiza\u00e7\u00e3o. Como os quadros organizativos se submetem a base organizada e esta se submete a base geral onde a teoria \u00e9 transformada. Existe uma enorme urg\u00eancia organizativa diante do ataque inimigo; e ao mesmo tempo, diante do d\u00e9ficit organizativo. Mas somente o paciente, do\u00eddo, diligente e disciplinado trabalho de base cr\u00edtico pode gerar frutos e quebrar a fragmenta\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria na unidade classista da estiva, quebrar a fragmenta\u00e7\u00e3o da estiva pela tomada da estiva por cada estivador. O trabalho institucional \u00e9 complementar e o processo de renova\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as, a consequ\u00eancia. A ferramenta sindical ser\u00e1 recuperada e otimizada pelo projeto se as etapas n\u00e3o forem queimadas: Programa, conselhos, quadros, prioridades, base organizada e geral, sindicato classista.<\/p>\n<p>Unir no programa com todo aquele que enxerga a urg\u00eancia; sim, n\u00e3o se pode lamentar unir com a oposi\u00e7\u00e3o para melhorar o programa. Unir neste momento de ataque direto significa unir no programa, nos conselhos e discutir o programa; organizar, otimizar a ferramenta sindical e o controle da log\u00edstica no caminho de interioriza\u00e7\u00e3o deste processo que vai dos estivadores e aponta para o Brasil. \u00c9 preciso casar o trabalho de base cr\u00edtico, com o trabalho institucional, internacional; isso \u00e9 a estiva em nossas m\u00e3os. \u00c9 urgente \u2018o programa\u2019 maior que o programa da estiva, e aplicado como programa de toda classe.<\/p>\n<p>Desde os anos oitenta, ou seja, nos \u00faltimos quarenta anos, o ataque \u00e0 classe portu\u00e1ria \u00e9 uma realidade, o presente deste sistema \u00e9 o ataque, tendo faltado um programa para a defesa organizada e revolucion\u00e1ria. No momento em que mais um ataque tramita no congresso nacional o objetivo \u00e9 quebrar a defesa e a for\u00e7a dos trabalhadores do setor durante a pandemia de covid 19. Ao longo dos anos a defesa da classe portu\u00e1ria se adaptou, institucionalizou, obteve vit\u00f3rias; por\u00e9m insuficientes vit\u00f3rias fragmentadas, atomizadas, sem renovar suficientemente seus l\u00edderes, e sem um projeto de defesa classista para al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o por dentro dos muros. O olhar para os trabalhadores do porto foi o olhar pra dentro da automa\u00e7\u00e3o e perda do trabalho, mas a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 o controle pol\u00edtico do processo log\u00edstico. Trabalho e poder para todos. Diante da crise pand\u00eamica como crise do capital, a resposta correta \u00e9 controlar a organiza\u00e7\u00e3o produtiva.<\/p>\n<p>Existe um enfraquecimento da capacidade da classe portu\u00e1ria de parar o pa\u00eds que n\u00e3o reside apenas na sua fragmenta\u00e7\u00e3o, hoje a capacidade de parar o pa\u00eds est\u00e1 compartilhada com os demais trabalhadores de transportes e estrat\u00e9gicos. Ao mesmo tempo, a despeito de recordes no movimento de cargas nos portos, inclusive durante a pandemia, h\u00e1 mais de dez anos o sal\u00e1rio, o trabalho e o poder dos estivadores s\u00f3 despencam; se uma raz\u00e3o \u00e9 a divis\u00e3o e o sectarismo de dire\u00e7\u00f5es isoladas, a outra raz\u00e3o \u00e9 a incapacidade de conectar a luta concreta com a luta estrat\u00e9gica e classista na luta de classes. \u2018Estiva nas m\u00e3os\u2019, n\u00e3o pode ser apenas da estiva, mas objetiva conectar o concreto com o hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da obten\u00e7\u00e3o de um plano de sa\u00fade e da seguran\u00e7a existe um projeto de poder. Toda melhoria social, estruturas, direitos e at\u00e9 os instrumentos de cidadania de uma cidade portu\u00e1ria, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transportes, etc tiveram a participa\u00e7\u00e3o da luta dos estivadores, o ac\u00famulo da luta dos trabalhadores do porto. A melhoria social da cidade foi poss\u00edvel por causa da luta coletiva e da participa\u00e7\u00e3o de um pequeno n\u00famero de trabalhadores comparado ao n\u00famero de habitantes da cidade. Grande parte dos avan\u00e7os poss\u00edveis se deve a luta coletiva e classista nas cidades portu\u00e1rias que precisa retornar. Os estivadores s\u00e3o aqueles que se referem a eles mesmos como aqueles que se orgulham da profiss\u00e3o. Aqueles que colocam o colete no trabalho, mas os usam nos protestos de rua, porque existe um longo caminho para que a profiss\u00e3o tenha o valor que deve ter.<\/p>\n<p>Do lado contr\u00e1rio, existe uma nova cultura no porto de &#8216;cada um por si&#8217;, ela corr\u00f3i todo ganho acumulado que os estivadores e portu\u00e1rios j\u00e1 conquistaram, isso ganha corpo desde o golpe de 1964 piorando a vida e envenenando os trabalhadores do porto. Os que envenenam o trabalhador no individualismo tamb\u00e9m criam uma unanimidade: O porto \u00e9 caro no Brasil, o trabalhador ganha mal, e paga-se bem o atravessador do porto. Os patr\u00f5es dizem que o valor do trabalho do trabalhador TPA \u00e9 caro, mas o lucro deles \u00e9 o valor n\u00e3o pago ao estivador, e prop\u00f5em afogar os TPA no mar da precariedade. O porto \u00e9 caro por causa do patr\u00e3o, dos atravessadores patronais; se o porto fosse comandado por cooperativas e os mais preparados t\u00e9cnicos fossem contratados sob poder dos trabalhadores tudo seria barato inclusive o porto. Eis a quest\u00e3o chave do poder gestor.<\/p>\n<p>O maior desafio do estivador portu\u00e1rio \u00e9 levar adiante o seu velho projeto hist\u00f3rico, de controlar a admiss\u00e3o e a demiss\u00e3o dos trabalhadores, o controle obreiro, o controle dos portos, o de serem \u2018trabalhadores sem patr\u00e3o\u2019. N\u00e3o existe possibilidade de avan\u00e7ar sem recuperar a unidade dos trabalhadores da estiva e para al\u00e9m da estiva. Tudo foi feito com unidade. A hist\u00f3ria local da sociedade \u00e9 a hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o da classe.<\/p>\n<p>Compreender o estivador \u00e9 compreender a natureza do seu trabalho no porto. O desafio que se coloca \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do amor pela profiss\u00e3o, pela classe estivadora em amor pela classe trabalhadora. Outro desafio \u00e9 a compreens\u00e3o de que o porto organizado pelos trabalhadores \u00e9 um porto sem precariedade, sem trabalhadores \u2018cadastro\u2019, mas um porto onde todos sejam \u2018registro\u2019; ousar construir e lutar por trabalhadores gestores, um porto sob controle dos trabalhadores sem intermedi\u00e1rios e sem patr\u00f5es. Um porto humanizado onde a m\u00e1quina serve \u00e0 classe trabalhadora, com a cidade e o porto sob controle obreiro.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do porto na luta de classes \u00e9 a hist\u00f3ria do ataque patronal e da defesa dos trabalhadores<\/p>\n<p>Durante a pandemia de covid 19 a autoridade portu\u00e1ria sob as ordens da patronal olhou o trabalhador como um corpo estranho na opera\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria. Perguntamos-nos se foram fornecidos os EPIs corretamente nos portos. O ataque aos aposentados, aos ativos de mais de 60 anos que s\u00e3o a refer\u00eancia foi um ataque ao conjunto. Desde o governo Sarney que a \u2018modernidade\u2019 intensificou seu massacre, quase todas as leis retiraram direitos e atacaram a unidade dos trabalhadores; com o poder patronal aumentando em todos os governos at\u00e9 nos mais populares. Hoje a pandemia provou que o patr\u00e3o portu\u00e1rio n\u00e3o tem qualquer responsabilidade social. Seu ego\u00edsmo \u00e9 o lucro. No momento de maior lucro, superexposi\u00e7\u00e3o e superexplora\u00e7\u00e3o, o governo tenta sacar o direito de greve. Mas hoje tamb\u00e9m existe a solidariedade da classe e da fam\u00edlia portu\u00e1ria, com todos que se cotizaram para ajudar quem ficou sem trabalho.<\/p>\n<p>O maior desarme dos \u00faltimos 40 anos \u00e9 a maneira com que o estivador encara ser massacrado pelo sistema, como vai sendo influenciado, desorganizado, e amansado para acreditar no sistema; abandonando a uni\u00e3o e a revolu\u00e7\u00e3o como forma organizativa vitoriosa para os trabalhadores. As velhas formas de acomoda\u00e7\u00e3o defensiva desarmam; a nova lei portu\u00e1ria \u00e9 o ataque do governo patronal, do Estado patronal, ent\u00e3o como acreditar nesta forma defensiva? O patr\u00e3o e os governos nus necessitam o contra ataque direto, poderoso e massivo que s\u00f3 o conjunto da classe dar\u00e1 pela greve insurrecional e o trabalho de base cr\u00edtico. N\u00e3o \u00e9 somente na hora que se mexe diretamente com os direitos da classe estivadora que se deve agir, mas antes, durante e depois construir a defesa e o contra ataque na guerra de classes. Os estivadores, os portu\u00e1rios j\u00e1 fizeram uma greve mundial na categoria, isso mostra a import\u00e2ncia, posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e for\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta parar o porto e nem todos os portos sozinhos, como ficou evidenciado na recente greve dos correios. \u00c9 preciso uma greve geral com os dispostos a lutar pelas pautas espec\u00edficas, mas tamb\u00e9m contra o ataque que come\u00e7ou na crise de 2008, no bojo do ataque neoliberal e suas reformas que retiram direitos nos \u00faltimos 40 anos. Construir uma greve impactante como objetivo final. Precisa conscientizar antes. Os patr\u00f5es brasileiros s\u00e3o dominantes dominados internacionalmente, se o porto funcionar, se encher navio, se tiver lingada nada muda. O trabalhador quando entra de cabe\u00e7a e acredita nas leis do sistema tudo fica mais f\u00e1cil para o patr\u00e3o, porque ele controla o parlamento, o governo e as leis.<\/p>\n<p>A cabe\u00e7a brasileira patronal no porto \u00e9 a cabe\u00e7a do senhor de escravos. Quando este se torna capitalista n\u00e3o perde sua condi\u00e7\u00e3o de senhor apadrinhado do poder, e quando moderniza a explora\u00e7\u00e3o o faz como elite nacional colonial dependente. No porto e no Brasil o trabalhador \u00e9 a parte da equa\u00e7\u00e3o que se corta. Se na origem o problema era a falta de m\u00e3o de obra portu\u00e1ria especializada, para a elite hoje, o futuro \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o de custos e automa\u00e7\u00e3o com uma nova m\u00e3o de obra especializada. No meio temos um porto mecanizado explorando a m\u00e3o de obra &#8216;porque o atravessador tem que ganhar&#8217;. O porto nos ensina explicitamente porque o patr\u00e3o \u00e9 dispens\u00e1vel e como o portu\u00e1rio ganharia mais se o patr\u00e3o fosse \u2018dispensado do porto\u2019, com a classe trabalhadora no Estado oper\u00e1rio, na forma de cooperativas estivesse cogerindo a autoridade portu\u00e1ria oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>O patr\u00e3o continua roubando o mais valor da m\u00e3o de obra, mas agora leva tamb\u00e9m a terra p\u00fablica nos portos. A grilagem junto com a superexplora\u00e7\u00e3o \u00e9 o roubo duplo, do bem p\u00fablico, da coisa p\u00fablica e do trabalho prec\u00e1rio nos portos super explorados. A falta de opera\u00e7\u00e3o planejada no porto joga nas m\u00e3os do Estado a bagun\u00e7a, e faz o trabalhador trabalhar mais ganhando menos. Hoje o Estado \u00e9 o operador n\u00famero um; e amanh\u00e3 a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8216;acabar com a burocracia&#8217; acabando com o operador \u2018Landlord\u2019 estatal do porto, mas sem tirar a obriga\u00e7\u00e3o do Estado de socorrer eventual preju\u00edzo, que ser\u00e1 pago pelo povo trabalhador na sociedade. O privado n\u00e3o pode ser \u2018s\u00edndico\u2019 e muito menos planejador da log\u00edstica. O programa dos trabalhadores prop\u00f5e o controle estatal, o controle estatal oper\u00e1rio e o controle obreiro dos portos. Desde o in\u00edcio no Brasil a opera\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria \u2018foi coisa de amigos\u2019, est\u00e1 na hora de deixar de ser amiga do capital.<\/p>\n<p>O imperialismo n\u00e3o coloca sua pr\u00f3pria sorte nem seu sistema log\u00edstico nas m\u00e3os do privado, se este n\u00e3o estiver sob seu controle &#8216;landlord&#8217;. Mas nos pa\u00edses perif\u00e9ricos o imperialismo tem seus \u2018s\u00f3cios locais\u2019 nas republiquetas bananeiras para impedir o controle popular local. A press\u00e3o privada come\u00e7a nos anos sessenta e se intensifica nos anos oitenta, que troca o modelo estatal da ditadura pela &#8216;liberdade do neoliberalismo&#8217;. Os atravessadores log\u00edsticos apadrinhados causadores do gargalo log\u00edstico vociferam solu\u00e7\u00f5es para retirar o porto p\u00fablico, ocultando que eles mesmos contribu\u00edram para o seu estrangulamento. Mas enquanto existir estrangulamento log\u00edstico, este pode servir ao controle obreiro e desenvolver as for\u00e7as produtivas no porto. \u00c9 poss\u00edvel enfrentar os patr\u00f5es e a privatiza\u00e7\u00e3o criando uma \u2018Term\u00f3pilas no porto\u2019, uma batalha onde um pequeno grupo pode parar o projeto do capital. O limite da luta est\u00e1 al\u00e9m da negocia\u00e7\u00e3o, se as for\u00e7as vitoriosas compreenderem sua posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica no sistema. O problema central \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do poder em torno do respeito da profiss\u00e3o pelo pr\u00f3prio trabalhador.<\/p>\n<p>Lutar, pelo trabalho de base cr\u00edtico, significa acabar com a ilus\u00e3o de que o patr\u00e3o precisa ganhar para &#8216;eu ganhar&#8217;, o dar lucro para o empres\u00e1rio para que eles possam repartir o bolo; enquanto isso o estivador s\u00f3 faz perder. Agora querem retirar o direito ao trabalho. Chegou o momento de o trabalhador determinar seu pr\u00f3prio sal\u00e1rio na cooperativa do porto. Quem tem que controlar o trabalho no porto \u00e9 o trabalhador no porto. Quem tem que negociar a carga no porto \u00e9 o trabalhador, atrav\u00e9s do seu governo no Estado oper\u00e1rio, este tipo de ousadia precisa voltar a ecoar na beira do cais. Na pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o a ousadia precisa estar presente. A mesma forma\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia para manusear a carga precisa ensinar a fazer o sistema fluir e a fazer parar.<\/p>\n<p>Hoje a luta n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apenas nos limites do capitalismo. A pandemia provou que quando o sistema retira o trabalhador da equa\u00e7\u00e3o a soma se torna zero, n\u00e3o existe produ\u00e7\u00e3o. Estes argumentos s\u00e3o irrefut\u00e1veis, mas somente se houver a forma\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para apresent\u00e1-los. Por isso o porto precisa estar sob controle obreiro; sua forma\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o sob controle do Estado e conselhos e cooperativas que se exercitam na cria\u00e7\u00e3o do poder popular. A transi\u00e7\u00e3o \u00e9 a disputa do governo do porto e do Estado no porto. Atrav\u00e9s do controle obreiro e estatal administra-se a transi\u00e7\u00e3o e o saber da utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina, o fazer da m\u00e1quina humanizada e tamb\u00e9m o dom\u00ednio da m\u00e1quina, planejando e planificando a poligonal; otimizando o trabalho, a m\u00e1quina e o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. Para n\u00e3o perder seu trabalho, o estivador precisa tomar o porto nas m\u00e3os. Descobrir que o \u00fanico valor zero na soma do porto \u00e9 o patr\u00e3o.<\/p>\n<p>O poder do patr\u00e3o \u00e9 internacional e a sua resist\u00eancia tamb\u00e9m precisa ser. A luta do estivador \u00e9 igual no mundo como a luta dos \u2018dockers\u2019, pelas normas, pelas leis e pelo poder dos estivadores e portu\u00e1rios. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a luta por uma \u00fanica lei mundial, s\u00e3o as normas internacionais de prote\u00e7\u00e3o, a luta internacional e local por uma classe e poder. \u00c9 fundamental ensinar o trabalhador a ser amigo da sua profiss\u00e3o e da classe a partir do controle da estiva em suas m\u00e3os, e que para al\u00e9m das suas m\u00e3os est\u00e1 toda a humanidade.<\/p>\n<p>O grande passo educacional n\u00e3o \u00e9 a defesa da profiss\u00e3o apenas, mas a defesa do poder \/ gest\u00e3o do porto. Mas para exercer o poder local \u00e9 preciso um programa classista que aponte para o exerc\u00edcio do poder global brigando por um \u00fanico acordo coletivo global. Se o estivador e o portu\u00e1rio s\u00e3o os mesmos tamb\u00e9m poderia ser o seu aprendizado: da profiss\u00e3o e do poder. A diferen\u00e7a entre os trabalhadores \u00e9 o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o para poder brigar pela profiss\u00e3o e a consci\u00eancia do seu poder. O estivador atrav\u00e9s da sua cooperativa, sindicato, empresa sob controle obreiro aprenderiam a negociar com quem traz a carga sem atravessador, pelo controle gestor e obreiro da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>No caminho do trabalhador na estiva e no porto existe o patr\u00e3o. O patr\u00e3o \u00e9 inimigo da Cipa, da sa\u00fade, da organiza\u00e7\u00e3o, do sal\u00e1rio e do poder de compra; inimigo da cidade, dos direitos, mas tamb\u00e9m do aprendizado profissional, porque ama a ignor\u00e2ncia do pe\u00e3o. \u00c9 preciso aprender a comandar a estiva e a comunidade atrav\u00e9s da pr\u00e1tica coletiva e humanizada. Um ex\u00e9rcito de profissionais que o patr\u00e3o reclama de pagar 3,5 sal\u00e1rios, enquanto no resto do mundo um \u2018bagrinho\u2019, trabalhador novinho ganha at\u00e9 30 sal\u00e1rios. O lucro \u00e9 do patr\u00e3o. N\u00e3o existe preju\u00edzo no Porto, mas \u2018trabalhador e governo perdendo e intermedi\u00e1rios ganhando\u2019. No pico da pandemia nunca se movimentou tanto dinheiro ou poder.<\/p>\n<p>No caminho da forma\u00e7\u00e3o do trabalhador tamb\u00e9m existe o patr\u00e3o, por\u00e9m existe um mundo de possibilidades para o trabalhador se ele ousar compreender a sua condi\u00e7\u00e3o de classe. O patr\u00e3o no auge de uma safra faz corte no porto, ent\u00e3o ele n\u00e3o ser\u00e1 parceiro de qualquer forma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja fundamental para reproduzir a produ\u00e7\u00e3o. Somente o trabalhador pode controlar, financiar e operar uma forma\u00e7\u00e3o emancipadora, fazer os investimentos em cursos trazendo mais saber e mais poder; mais sa\u00fade e fluidez no porto. Ensinar que a opera\u00e7\u00e3o da estiva \u00e9 excel\u00eancia, que o trabalhado no porto n\u00e3o \u00e9 repetitivo, mas alia a t\u00e9cnica com a improvisa\u00e7\u00e3o baseada na experi\u00eancia do saber no porto. O que o patr\u00e3o quer retirar, com suas metas absurdas e imposs\u00edveis de lucro, o estivador n\u00e3o pode dar, ningu\u00e9m vive humanamente sem trabalho. No porto cada dia \u00e9 diferente, requer adapta\u00e7\u00e3o, profissionalismo no caleidosc\u00f3pio das atividades. O mundo n\u00e3o existir\u00e1 sem m\u00e1quinas, mas aquele que opera a m\u00e1quina com excel\u00eancia e faz dela parte do seu corpo \u00e9 como Mozart, Einstein e Pel\u00e9; um presente para a coletividade, que somente existe quando se aprende em conjunto com milhares de horas de treino.<\/p>\n<p>A luta para passar de cadastro para registro come\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o e continua na educa\u00e7\u00e3o para a luta de classes. Hoje o dinheiro da forma\u00e7\u00e3o do estivador e do portu\u00e1rio precisa ter o controle do trabalhador; auxiliado pela marinha, a administra\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria e o controle do sindicato; assim como no modelo dos trabalhadores mar\u00edtimos olhando para a sua forma\u00e7\u00e3o, com for\u00e7a pol\u00edtica e amor pela sua profiss\u00e3o. Quando a universidade do trabalhador do porto for uma realidade, o estivador vai passar pela porta e colocar a multifuncionalidade sob controle obreiro e n\u00e3o empresarial, o Estado sob controle dos trabalhadores, e o sindicato sob controle dos TPA. O trabalho deve servir aos trabalhadores sob o sindicato, nos conselhos e a gest\u00e3o portu\u00e1ria sob os trabalhadores. S\u00f3 existe estiva e qualifica\u00e7\u00e3o se a estiva tomar o trabalho nas m\u00e3os. Falta um plano de carreira como proposta dos trabalhadores contra a pr\u00f3pria precariza\u00e7\u00e3o, tudo educa\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica e o trabalho. O patr\u00e3o s\u00f3 vai ceder se for obrigado pela for\u00e7a organizada.<\/p>\n<p>Apresentar o programa \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019 \u00e9 construir pontes de di\u00e1logo no mais local com olhar para o mundo (local-global), para enfrentamento local-global contra o maior ataque \u00e0 estiva e \u00e0 classe trabalhadora, mas a uni\u00e3o n\u00e3o pode ser a qualquer custo. O custo da derrota inimiga n\u00e3o deve superar as possibilidades da maior vit\u00f3ria, que \u00e9 construir o mundo novo socialista. Qualquer vit\u00f3ria precisa somar para o poder popular.<\/p>\n<p>O capitalismo nasceu tanto nas f\u00e1bricas como nos portos e reina no mundo onde seu ataque n\u00e3o para. O mundo real ainda \u00e9 comandado pelo sistema capitalista e o sistema capitalista precisa dos portos para funcionar. De acordo com estudos e fontes dos pr\u00f3prios patr\u00f5es, os capitalistas prev\u00eaem aumentar a capacidade do porto de Santos em 50% de 160 milh\u00f5es para 240 milh\u00f5es em 20 anos. Outros estudos, falam de sair de 140 milh\u00f5es para 215 milh\u00f5es de toneladas em 2040. Os patr\u00f5es querem chegar a isso aumentando a participa\u00e7\u00e3o da ferrovia de 33% em 2020 para 90% em 2040. Fazendo o porto de Santos chegar a 100% da regi\u00e3o de influ\u00eancia, gerando 2400 postos de trabalho em terminais, mas que tipo de trabalho? O crescimento do patr\u00e3o \u00e9 com precariedade.<\/p>\n<p>A capacidade ferrovi\u00e1ria de Santos \u00e9 de 50 milh\u00f5es de toneladas e hoje em 2020 se movimenta 45; a malha paulista 35 milh\u00f5es de capacidade, a malha sudeste 10 milh\u00f5es. A amplia\u00e7\u00e3o serra acima visa atingir a meta da malha paulista de 100 milh\u00f5es de toneladas, mais o que puder se atingir na malha sudeste. Desta forma, retornamos ao s\u00e9culo XIX onde toda expans\u00e3o ferrovi\u00e1ria e portu\u00e1ria na col\u00f4nia visava atender o interesse do imp\u00e9rio colonial. O objetivo da patronal s\u00f3cia menor no imperialismo \u00e9 adequar \u00e0 capacidade do porto nesta nova realidade; onde o porto se junta \u00e0 ferrovia atingindo a marca de 100 a 120 milh\u00f5es de toneladas por ferrovia, integrado na cidade de Santos, com investimentos de mais de 2 bilh\u00f5es de reais nos pr\u00f3ximos 5 \u00e0 10 anos.<\/p>\n<p>A patronal almeja o desenvolvimento ferrovi\u00e1rio e portu\u00e1rio para a carga de Santos. Os patr\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o ego\u00edstas que no projeto n\u00e3o cabe um \u00fanico passageiro. De novo, \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos andado para tr\u00e1s 200 anos, no que se refere ao passageiro, \u201cque des\u00e7am a serra de mula\u201d. O planejamento de mercado abocanha parte de tudo que entra e sai do Brasil. Se os patr\u00f5es pudessem abocanhavam o ar. O medo patronal \u00e9 ver no porto de Santos o gargalo do sistema ferrovi\u00e1rio ent\u00e3o pensam resolver isso na margem esquerda do canal do porto. Mas isso abre uma oportunidade, conhecendo os planos do inimigo fica mais f\u00e1cil assumir e bloquear \u201ca margem esquerda\u201d do conflito de classes. O medo patronal \u00e9 a perda da competitividade no maior porto da Am\u00e9rica Latina e do hemisf\u00e9rio sul. O trabalhador deve encarar esta oportunidade estudando a log\u00edstica do sistema.<\/p>\n<p>Um governo patronal n\u00e3o pode olhar a log\u00edstica como um todo porque est\u00e1 atendendo as necessidades patronais que s\u00e3o da minoria. A patronal quer assumir o governo log\u00edstico para que a prioridade seja mais lucro. Um plano log\u00edstico geral n\u00e3o cabe na proposta patronal porque um porto vai acabar competindo com o outro. O modelo &#8216;novo&#8217; significa transformar o pa\u00eds inteiro nos portos privados que j\u00e1 existem, cada um cuidando do seu interesse particular e a patronal ganhando mais dinheiro, o trabalhador perdendo, e o governo do lado de fora at\u00e9 tudo colapsar. Se n\u00e3o der certo o Estado paga a conta, e se der o lucro fica privado. Um planejamento portu\u00e1rio correto precisa olhar a poligonal, o porto organizado, a profissionaliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para assumir o controle p\u00fablico, privado, dos retro-portu\u00e1rios. Em 2019 houve no porto de Santos &#8211; 58 movimentos di\u00e1rios ou 12850 por ano. Em 2024 ser\u00e3o 54 movimentos di\u00e1rios e 11700 no ano, mostrando uma diminui\u00e7\u00e3o; diminui porque cresce o tamanho dos navios.<\/p>\n<p>A patronal portu\u00e1ria, a FENOP Federa\u00e7\u00e3o nacional das opera\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias e seus &#8216;parceiros&#8217; t\u00eam solu\u00e7\u00e3o contra o atraso da modernidade e far\u00e3o o porto \u2018competitivo\u2019: Vendendo o espa\u00e7o p\u00fablico do porto a partir de uma bela \u2018marquetagem\u2019. O tal plano de \u2018marketing\u2019 inclui os trabalhadores como uma fazenda de caf\u00e9 inclu\u00eda seus escravos no s\u00e9culo XIX, assim est\u00e1 \u2018a venda\u2019 dos portos no Brasil. A tal da \u2018venda do patrim\u00f4nio\u2019 da sociedade visa colocar o porto no s\u00e9culo XXI, \u00e1gil e integrado como no s\u00e9culo XIX. A receita de aeroportos que se tornaram &#8216;shoppings&#8217; cheios de lojas e vazios de avi\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste sentido o patr\u00e3o tem uma resposta: vamos melhorar a log\u00edstica e o tempo da opera\u00e7\u00e3o pela otimiza\u00e7\u00e3o e melhora do sistema de transportes; obviamente sem perguntar aos trabalhadores do porto e aos demais trabalhadores de transportes. Em todo o planejamento o trabalhador s\u00f3 aparece como custo. Nunca como trabalhador criador de riqueza e muito menos como gestor. Os patr\u00f5es n\u00e3o podem fazer o porto funcionar sem os trabalhadores, mas os trabalhadores podem fazer o porto funcionar sem os patr\u00f5es. Este \u00e9 um mundo ao inverso, onde o porto funciona com o trabalhador, mas \u00e9 dirigido pelos patr\u00f5es. Portanto, a verdadeira pergunta que se coloca \u00e9 como o trabalhador dirige o porto atrav\u00e9s da consci\u00eancia, do conhecimento e da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Por um bom tempo o sistema precisar\u00e1 transportar gr\u00e3os e quem manuseia gr\u00e3o no porto \u00e9 estivador; por um lado, o sistema vai ter que lidar com estivador at\u00e9 que tudo seja automatizado. Privatiza\u00e7\u00e3o significa capitula\u00e7\u00e3o e a resposta de luta \u00e9 um programa que ataque o problema na raiz. O estivador trabalhador consciente precisa tomar para si o porto at\u00e9 o dia em que tudo ser\u00e1 automatizado. O tempo do trabalho de base cr\u00edtico \u00e9 o tempo do avan\u00e7o do ataque que visa eliminar completamente o custo \/trabalho, leia-se OGMO, organiza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra portu\u00e1ria no porto organizado. O territ\u00f3rio desse enfrentamento \u00e9 dentro do muro do porto e para al\u00e9m do porto. N\u00e3o h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>O estivador j\u00e1 est\u00e1 consciente da luta, mas ainda muito \u2018tomado de surpresa\u2019 com o ataque. \u2018Nunca temos paz, quando teremos paz\u2019. \u00c9 o que se ouve na estiva, percebe-se o misto de raiva e de cansa\u00e7o. Ao mesmo tempo em que brigam para que o port\u00e3o do porto n\u00e3o seja fechado na cara da estiva, a defesa precisa canalizar a raiva, organizar a vanguarda, e dar \u00e2nimo novo ao esp\u00edrito de luta hist\u00f3rico da classe estivadora. De um lado o programa precisa ser conhecido, do outro os patr\u00f5es correm para que navios com menor e maior calado atraquem no porto. Agora querem navios de 22 mil cont\u00eaineres e de calado alto atraquem no porto, amanh\u00e3 eles v\u00e3o querer o dobro com a metade dos trabalhadores. O problema da seguran\u00e7a \u00e9 um problema que n\u00e3o pode ser resolvido. &#8216;A medida tomada \u00e9 limitar o uso de celulares para que todo este processo de desgaste humano e maquin\u00e1rio n\u00e3o sejam filmados e registrados&#8217;. Vamos explicar porque a classe estivadora, portu\u00e1ria e trabalhadora precisa fiscalizar a produ\u00e7\u00e3o: para n\u00e3o acidentar e para n\u00e3o morrer. A proposta patronal para a estiva \u00e9 continuar a superexplora\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p>Nas palavras do estivador Sim\u00e3o militante e estudioso da estiva e do porto: \u201cO processo de automatiza\u00e7\u00e3o passa a quil\u00f4metros da realidade portu\u00e1ria. Importante ferramenta de convic\u00e7\u00e3o. Num roteiro de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que se vende para a sociedade local. Numa linguagem liberal argumentada nas salas e nos bares como verdade absoluta. Num porto onde o seguro \u00e9 para a carga e n\u00e3o para o ser humano. Os estivadores dedicam parte consider\u00e1vel de suas exist\u00eancias trabalhando, militando, o mecanismo de explora\u00e7\u00e3o do trabalho atrav\u00e9s da extra\u00e7\u00e3o de mais valor\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe o trabalho sem o estivador e o portu\u00e1rio, mas \u00e9 contra ele o ataque que adoece, explora, acidenta e mata. E toda a efici\u00eancia \u00e9 um jogo ganho para quem controla e conduz o processo de opera\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria, e todo acidente tem uma causa humana e cai na conta do trabalhador. A falta de efici\u00eancia e as falhas s\u00e3o humanas da classe trabalhadora porque ela se posiciona como elo fraco na equa\u00e7\u00e3o. A resposta da classe estivadora, portanto, precisa tornar o elo fraco em elo forte com todos os trabalhadores do porto, do transporte, estrat\u00e9gicos, conscientes, da massa trabalhadora, prec\u00e1ria e perif\u00e9rica. O elo fraco precisa ser elo forte da corrente do poder oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe colabora\u00e7\u00e3o nem sociedade com a patronal porque ela n\u00e3o \u00e9 s\u00f3cia na doen\u00e7a, na explora\u00e7\u00e3o, no acidente e na morte. A fam\u00edlia portu\u00e1ria pode ficar com a cadeira patronal vazia. O programa precisa apontar objetivos imediatos, mas tamb\u00e9m hist\u00f3ricos. Alem disso, qualquer mudan\u00e7a que ataque seus privil\u00e9gios s\u00e3o enfrentados pelos empres\u00e1rios com o grito: &#8216;vamos respeitar contratos assinados porque \u00e9 a lei do mercado&#8217;, mas os trabalhadores somente t\u00eam uma \u00fanica sa\u00edda: vencer a patronal. Colocar no seu horizonte o seu controle pol\u00edtico do porto. Aprender a confiar na opera\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria em suas m\u00e3os, planejar e planificar, aprender a mandar na confraterniza\u00e7\u00e3o e na disciplina da sua sabedoria, gerir o porto pelo seu controle, e abolir a presen\u00e7a da patronal, abolir a \u2018investidora\u2019, abolir o controle do capital.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da estiva tem um horizonte do poder ou a aniquila\u00e7\u00e3o, ainda que na transi\u00e7\u00e3o e na constru\u00e7\u00e3o do poder da estiva para o poder popular precisemos verificar a velocidade desta opera\u00e7\u00e3o. A velocidade \u00e9 lenta, mas pode ser apressada no calor das lutas. O verdadeiro desafio se coloca da seguinte forma: diante do ataque patronal a sa\u00edda \u00e9 apresentar uma defesa organizada no porto organizado. Buscar o enfraquecimento inimigo, apresentar um contra ataque organizado cessando seu lucro e atuando no gargalo. Por fim a constru\u00e7\u00e3o classista, construir o poder paralelo na base, um contra ataque maci\u00e7o atrav\u00e9s da greve insurrecional, sob o conjunto das for\u00e7as estrat\u00e9gicas ao lado da vanguarda, o longo caminho da estiva s\u00f3 pode parar no fim.<\/p>\n<p>O lado patronal j\u00e1 enfraqueceu os mar\u00edtimos, aniquilou a hegemonia ferrovi\u00e1ria, e debilitou fortemente os trabalhadores da avia\u00e7\u00e3o; contribuindo tamb\u00e9m para o esfacelamento dos caminhoneiros e dos trabalhadores rodovi\u00e1rios. O alvo imediato \u00e9 o porto, mas prepara-se um ataque frontal \u00e0 representa\u00e7\u00e3o petroleira, velado aos mar\u00edtimos, e direto contra trabalhadores da Eletrobr\u00e1s e dos Correios. Ningu\u00e9m pode enfrentar a patronal sozinho sob pena de ver suas for\u00e7as serem completamente vencidas. O esc\u00e1rnio \u00e9 t\u00e3o grande que um dos projetos de \u2018estudo da patronal\u2019 copia o \u2018Porto Gente\u2019. Os patr\u00f5es querem \u2018uma vis\u00e3o de Porto\u2019 como antigamente, com menos direitos para os trabalhadores, e estes completamente ausentes do processo decis\u00f3rio. Os patr\u00f5es querem no porto um grande fazend\u00e3o colonial onde o Estado os d\u00e1 dinheiro para organizarem os pe\u00f5es \u2018libertos\u2019 das amarras do OGMO e da organiza\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria, para que abracem a \u2018modernidade\u2019 do mundo sem direitos, contrato, registro, cadastro, um porto aparentemente \u2018n\u00e3o organizado\u2019, mas muito bem organizado pelo capital.<\/p>\n<p>Os capitalistas no porto querem um planejamento organizado na forma de um porto n\u00e3o organizado onde s\u00f3 tem um senhor: o patr\u00e3o. Um grande patr\u00e3o para gerir uma multid\u00e3o de TUPs, terminais privados, que aparentemente competem entre si, como lobos de uma mesma alcat\u00e9ia pelo mesmo butim. Um planejamento privado \u201ca la gest\u00e3o estatal\u201d (planejamento e repress\u00e3o dos trabalhadores), onde o Estado paga seu \u2018s\u00f3cio\u2019 para que ele opere com liberdade a gest\u00e3o do sistema mundial localmente. Este processo n\u00e3o \u00e9 novidade, ele come\u00e7a com estradas, aeroportos, em uma \u2018cesta de desestatiza\u00e7\u00e3o\u2019, concess\u00f5es, tudo que fuja da palavra privatiza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que ela possa ser gritada na pra\u00e7a. A secretaria de portos j\u00e1 em 2013 era \u2018poder concedente\u2019, como nos aeroportos, ferrovias e rodovias, tudo com gest\u00e3o privada e dom\u00ednio privado na forma de PPP parcerias p\u00fablico privada. Mas aquilo que aparentemente traz em si muita for\u00e7a, tamb\u00e9m tem muita fragilidade. O terminal de Santos \u00e9 estrat\u00e9gico para a balan\u00e7a comercial, portanto, o conjunto dos trabalhadores estrat\u00e9gicos pode causar mais danos.<\/p>\n<p>\u201cA partir da promulga\u00e7\u00e3o da nova lei dos portos n\u00famero 12815, de 2013, v\u00e1rias mudan\u00e7as foram promovidas nos portos brasileiros, competitividade, moderniza\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de estivadores\u201d. Mas tamb\u00e9m a partir da crise de 2008, e do ascenso das lutas de 2012-2013, houve um aumento da organiza\u00e7\u00e3o da luta na estiva e uma renova\u00e7\u00e3o para a luta concreta na luta de classes, o que cria poder e esperan\u00e7a. Hoje o TCU, tribunal de contas da uni\u00e3o e MPT, Minist\u00e9rio p\u00fablico do trabalho se digladiam pela forma da privatiza\u00e7\u00e3o dos portos, o olhar do minist\u00e9rio p\u00fablico mais condescendente com os trabalhadores TPA, citando a constitui\u00e7\u00e3o federal, leis portu\u00e1rias, conven\u00e7\u00f5es da OIT, como a 137, a NR 29 do antigo minist\u00e9rio do trabalho, mostrando que o TCU que &#8216;morde e assopra&#8217; \u00e9 parte da estrutura patronal e tem lado. N\u00e3o existe tr\u00e9gua ou paz no cais, sob ataque a estiva agora \u00e9 \u201ccategoria essencial\u201d.<\/p>\n<p>O novo sindicalismo, com sua prevalente forma organizativa montada nas f\u00e1bricas e na metalurgia automobil\u00edstica do ABC paulista assiste a mudan\u00e7a da classe trabalhadora, e do desafio da sua organiza\u00e7\u00e3o como um enigma a ser decifrado. Diante disso, os trabalhadores estrat\u00e9gicos dos transportes, do petr\u00f3leo e os trabalhadores soldados est\u00e3o trabalhando mais e mais depois da crise de 2008, e da pandemia de 2020. Os estivadores portu\u00e1rios est\u00e3o sob grande press\u00e3o e sentem diariamente como a economia n\u00e3o parou durante a pandemia, longe disso; na mesma hora que recebem um forte ataque.<\/p>\n<p>O governo baixou uma MP (medida provis\u00f3ria) que \u201cmodifica\u201d a greve do setor durante a pandemia. A inten\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 fazer passar a nova lei dos portos que visa substituir o sistema de &#8216;landlord&#8217; estatal por uma administra\u00e7\u00e3o privada nos portos que n\u00e3o tem paralelo no mundo. Isso como cavalo de Tr\u00f3ia para destruir qualquer possibilidade de controle. \u00c9 como se o Estado sa\u00edsse e s\u00f3 voltasse para pagar as contas. Este segundo ponto \u00e9 destruir o poder da estiva no seu controle do pr\u00f3prio trabalho, destruir o seu exemplo de rebeldia, e finalmente controlar um poss\u00edvel foco de insurg\u00eancia em um setor muito sens\u00edvel \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o do trabalho nas engrenagens do capitalismo. Tudo se resume ao poder de fazer produzir e circular bens, pessoas e mercadorias sem travas.<\/p>\n<p>Unidade ou perecer. O trabalho das federa\u00e7\u00f5es \u00e9 a unifica\u00e7\u00e3o de maior abrang\u00eancia no setor. \u201cO isolamento \u00e9 a morte\u201d segundo Ernani Duarte, presidente dos estivadores do Rio de Janeiro: Retirar os mais fortes de uma falsa particularidade e isolamento, e os mais fracos da fragilidade. Homogeneizar a luta da estiva e dos portu\u00e1rios seguindo o movimento mundial de unifica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se esquecendo da &#8216;sabedoria da estiva&#8217;, ou das especificidades de cada fun\u00e7\u00e3o no porto presentes nas intersindicais. O sindicalismo unit\u00e1rio moderno requer uma federa\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria forte como interlocutor nacional e internacional da luta dos trabalhadores sem anular as particularidades dos sindicatos na base que podem politicamente exercer a sua vincula\u00e7\u00e3o que mais serve a organiza\u00e7\u00e3o de base. \u00c9 tempo de passar por cima de poss\u00edveis diferen\u00e7as, inclusive de finan\u00e7as \/ d\u00edvidas e colocar todo esfor\u00e7o em um \u00fanico lugar de mais \u00eanfase na arrecada\u00e7\u00e3o do que nos gastos ou nas d\u00edvidas. Unificar todas as diversidades restaurando o poder central.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica da federa\u00e7\u00e3o precisa ser a unifica\u00e7\u00e3o fazendo respeitar as decis\u00f5es colegiadas. Unifica\u00e7\u00e3o com respeito aos sindicatos menores, mas valorizando um melhor trabalho nos lugares onde o sistema capitalista pode sofrer um maior impacto devido \u00e0 capacidade local de parar o sistema mundial. \u00c9 importante o objetivo de pauta m\u00e1xima de poder, mas ser\u00e1 necess\u00e1rio abandonar velhas formas anacr\u00f4nicas de privil\u00e9gios do passado. \u00c9 papel de uma federa\u00e7\u00e3o incentivar os chamados &#8216;cintur\u00f5es&#8217; das regi\u00f5es, sudeste, nordeste, sul, etc cujo objetivo \u00e9 n\u00e3o deixar que as especificidades regionais dos trabalhadores sejam usadas pelos patr\u00f5es para dividir os trabalhadores, enfrentar a precariedade na for\u00e7a unit\u00e1ria, aut\u00f4noma, a greve de impacto, na constru\u00e7\u00e3o do PUA pacto de unidade e a\u00e7\u00e3o e do CGT comando geral dos trabalhadores, e manter a tarefa institucional diplom\u00e1tica na secretaria dos portos.<\/p>\n<p>Uma das tr\u00eas federa\u00e7\u00f5es do setor, a Fenccovib \u00e9 a federa\u00e7\u00e3o representante dos arrumadores, conferentes, trabalhadores de bloco, consertadores, vigias, e amarradores de navios; todos muito parecidos com os estivadores, como se fossem uma grande fam\u00edlia, uma grande classe no porto. De acordo com M\u00e1rio Teixeira, presidente da federa\u00e7\u00e3o, \u201cdepois da lei 8630\/93 houve um retrocesso, uma desuni\u00e3o entre os sindicatos na negocia\u00e7\u00e3o coletiva, aquilo que era organizado na forma de negocia\u00e7\u00e3o nacional e acordos coletivos de \u00e2mbito nacional, tornou-se estadualizado fragilizando a unidade. Os patr\u00f5es comeram os sindicatos um por um. O problema do portu\u00e1rio hoje n\u00e3o s\u00e3o as leis. A 8630\/93, a conven\u00e7\u00e3o 137 da OIT de 1993, a lei 9619\/98, a lei 12815\/13, e agora a lei 1447\/20. O grande problema \u00e9 a falta de unidade, \u00e9 preciso unir o porto, os portos. Mas esta uni\u00e3o precisa recriar o PUA a partir dos transportes e o CGT\u201d. Existe uma crescente aproxima\u00e7\u00e3o entre as federa\u00e7\u00f5es. J\u00e1 existia uma maior aproxima\u00e7\u00e3o entre a FNE, federa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos estivadores e a FENCCOVIB, a outra federa\u00e7\u00e3o, FNP (Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Portu\u00e1rios) se aproxima ainda mais agora.<\/p>\n<p>As federa\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias, as tr\u00eas, unificadas, lan\u00e7am um manifesto sobre a privatiza\u00e7\u00e3o dos portos. Neste nosso estudo n\u00e3o objetivamos falar das particularidades de cada categoria no conjunto da categoria portu\u00e1ria, mas \u00e9 importante dizer que, os ataques da patronal objetivam e tem se mostrado muito competentes at\u00e9 o momento em: eliminar quase que por completo os trabalhadores envolvidos na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica do porto; almejando ou eliminando aqueles que t\u00eam maior forma\u00e7\u00e3o e escolaridade; e finalmente um ataque frontal \u00e0 estiva pela sua capacidade e hist\u00f3ria de poder no conjunto do porto.<\/p>\n<p>Um resumo do documento conjunto de 28 de outubro de 2020 aponta para reconhecer a magnitude do ataque, para a dificuldade de unifica\u00e7\u00e3o das tr\u00eas estruturas, ainda que reconhe\u00e7a que todas as entidades patronais estejam solidamente unidas e que a continua\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista acabe com a representa\u00e7\u00e3o por categoria e determine a necessidade de uma nova representa\u00e7\u00e3o por setor. Neste caminho elencam uma s\u00e9rie de exig\u00eancias de manuten\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter p\u00fablico e de &#8216;LANDLORD&#8217; do porto.<\/p>\n<p>Enquanto isso, as entidades governamentais, praticamente todas do lado da destrui\u00e7\u00e3o do porto, est\u00e3o aliadas \u00e0s entidades patronais no discurso e na forma: sem o porto p\u00fablico como ente organizativo da produ\u00e7\u00e3o e de circula\u00e7\u00e3o de mercadorias nos portos. O documento das federa\u00e7\u00f5es aponta para discutir novas formas de mobiliza\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de uma greve no setor ou para a greve geral, a unidade \u00e9 o centro do documento: \u201cFicou expl\u00edcito e patente que a organiza\u00e7\u00e3o patronal, integrando todos os setores, atrav\u00e9s da chamada coaliz\u00e3o entre FENOP, ATP, ABRATEC, e ABTP, est\u00e1 buscando uni\u00e3o e posicionamento conjunto no processo de privatiza\u00e7\u00e3o e para a mudan\u00e7a da legisla\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria, contando ainda com o respaldo em entendimentos favor\u00e1veis \u00e0s suas teses (de \u00f3rg\u00e3os governamentais) do TCU tribunal de contas da uni\u00e3o, ANTAQ ag\u00eancia do setor \u2013 e at\u00e9 da SNTPTA, em alguns casos\u201d.<\/p>\n<p>Os trabalhadores sob ataque direto t\u00eam um hist\u00f3rico de negocia\u00e7\u00e3o das federa\u00e7\u00f5es e entidades do setor, mas necessitam mais do que trabalho institucional e parlamentar de excel\u00eancia para o enfrentamento, que ganha tempo, mas que n\u00e3o ataca o problema na raiz. Uma hora o ataque estar\u00e1 t\u00e3o perto que precisar\u00e1 encontrar a defesa organizada e o contra-ataque&#8217;. Organizar a defesa \u00e9 defender o programa da base, um programa radical dos estivadores, defender a constru\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o da estiva para al\u00e9m da estiva e do porto para al\u00e9m dos trabalhadores do porto, a uni\u00e3o na forma de frentes de trabalhadores de transportes que se convertam no PUA, pacto de unidade e a\u00e7\u00e3o com os trabalhadores estrat\u00e9gicos e finalmente no CGG e CGT, comandos gerais de greve e de trabalhadores.<\/p>\n<p>A \u00fanica forma de derrotar o patr\u00e3o, a privatiza\u00e7\u00e3o, o fim da profiss\u00e3o \u00e9 o enfrentamento direto na forma de uma defesa organizada e profunda, que prepare um contra ataque. Isso se evidencia na necessidade de parar completamente o porto e toda cidade portu\u00e1ria, parando tamb\u00e9m a log\u00edstica do porto e para al\u00e9m do porto; al\u00e9m de no mesmo dia construir uma greve dos setores de transportes, dos setores estrat\u00e9gicos (com \u00eanfase no petr\u00f3leo energia e correios), nos setores conscientes (professores e funcionalismo p\u00fablico sob ataque pela reforma administrativa), e finalmente fazer um trabalho de enraizamento nas massas trabalhadoras atrav\u00e9s dos movimentos populares, da juventude, e dos poucos sindicatos tornados classistas para construir a greve geral.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel se ambos, estrutura sindical e programa radical n\u00e3o convergirem no sentido de abra\u00e7ar o porto e tom\u00e1-lo como se ocupa a casa e o local de trabalho, com toda ajuda que se possa buscar. De um lado fazendo o trabalho de enraizamento do programa e buscando a unidade classista com os trabalhadores do entorno do porto na forma de frentes geogr\u00e1ficas locais de trabalhadores; na forma de constru\u00e7\u00e3o de frentes de trabalhadores de transportes, e finalmente do PUA, do CGG e CGT. Mas tudo isso come\u00e7a no porto, intramuros, dentro do porto para dialogar no porto do in\u00edcio ao fim.<\/p>\n<p>Como fazer o trabalhador compreender o seu papel no controle da engrenagem do porto, valorizar sua profiss\u00e3o e tomar consci\u00eancia do controle do poder para fazer funcionar o porto, parar qualquer processo de transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que n\u00e3o seja controlado, controlar cada processo que n\u00e3o seja do benef\u00edcio da classe, impulsionar o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas a partir de si mesmo, e aliar o controle da classe ao benef\u00edcio do conjunto dos trabalhadores brasileiros \u00e9 a grande quest\u00e3o. Controlar a log\u00edstica do porto, o trabalho no porto, a log\u00edstica do pa\u00eds atrav\u00e9s do controle do porto em solidariedade com os trabalhadores de transportes, estrat\u00e9gicos e a massa da classe.<\/p>\n<p>A virtude da exist\u00eancia de in\u00fameras frentes de luta no Brasil, outras tantas frentes sindicais, com destaque para frente sindical de Santos pela frente com o porto \u00e9 a possibilidade de constru\u00e7\u00e3o da frente dos trabalhadores de transportes do Estado de S\u00e3o Paulo, a partir da experi\u00eancia classista de Santos. Isso foi feito no Rio de Janeiro e por causa disso tamb\u00e9m foi poss\u00edvel a greve geral mais forte no dia 28 de abril de 2017. Aquilo que serve de experi\u00eancia classista para o conjunto dos trabalhadores pode juntar na luta de classes o que \u00e9 estrat\u00e9gico. A partir do porto abrem-se todas as portas.<\/p>\n<p>A frente dos trabalhadores de transportes do Estado do Rio de Janeiro \u00e9 uma experi\u00eancia nascida das frentes que existiam na cidade, no calor das lutas entre 2012-2017, apontavam para a necessidade de constitui\u00e7\u00e3o da conex\u00e3o dos trabalhadores mais estrat\u00e9gicos para a luta. Existe um pioneirismo nos trabalhadores da estiva do Rio de Janeiro e de Santos que deve ser aproveitado pelo conjunto da classe trabalhadora, principalmente para fazer avan\u00e7ar o projeto organizativo onde ele \u00e9 mais necess\u00e1rio: avan\u00e7ar para o conjunto da massa trabalhadora, incluindo os mais prec\u00e1rios e perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>A defesa n\u00e3o \u00e9 recente, apresentamos as demandas dos estivadores e trabalhadores portu\u00e1rios como parte das demandas da Frente dos Trabalhadores em Transportes do Estado do Rio de Janeiro no seu documento do dia 14\/3\/17 e 28\/9\/18, que serviu de base para enfrentamento da reforma trabalhista atrav\u00e9s da greve geral de 28 de abril de 2017. Do &#8216;ocupa Bras\u00edlia&#8217; capitaneado pelo movimento sindical e popular em 24 de maio de 2017 com 200 mil pessoas em Bras\u00edlia, e o ascenso sindical, popular classista at\u00e9 2018. Depois do ascenso da greve e da marcha \u00e0 Bras\u00edlia um l\u00edder estivador se pergunta e desabafa: Porque paramos no meio? N\u00e3o se avan\u00e7a? Precisamos refletir, debater, agir. Era tarde.as:<\/p>\n<p>\u201c\u2015Garantia da presen\u00e7a do Poder P\u00fablico, atrav\u00e9s da Autoridade Portu\u00e1ria, em todas as atividades do setor, sejam nos Portos Organizados ou nos TUPs Terminais de Uso Privado, tendo em vista se tratar de atividade de interesse social, econ\u00f4mico e de seguran\u00e7a nacional.<br \/>\n\u2015Saneamento e reequil\u00edbrio urgente do Fundo de Pens\u00e3o PORTUS, e, consequentemente, a implanta\u00e7\u00e3o de novos planos, bem assim a ado\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de gest\u00e3o que garanta a participa\u00e7\u00e3o dos associados, de modo a tornar efetiva a complementa\u00e7\u00e3o de aposentadoria para os contribuintes, para isso, deve-se viabilizar a inser\u00e7\u00e3o no sistema de novos associados, inclusive de outras empresas e entidades do setor portu\u00e1rio.<br \/>\n\u2015Implanta\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica p\u00fablica de desenvolvimento do transporte de CABOTAGEM, tanto para carga, quanto para passageiro, bem assim da constru\u00e7\u00e3o naval de embarca\u00e7\u00f5es em nossos estaleiros, gerando emprego no pa\u00eds, inclusive para o transporte de longo curso, inibindo a evas\u00e3o de divisas nacionais com a indesej\u00e1vel pr\u00e1tica de afretamento de navios estrangeiros.<br \/>\n\u2015A preserva\u00e7\u00e3o dos portos organizados como meio de regula\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional por via mar\u00edtima, visando \u00e0 garantia da preval\u00eancia de \u00e1reas para a explora\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria p\u00fablica, sobretudo para as m\u00e9dias, pequenas e micro empresas; garantia da preserva\u00e7\u00e3o da Autoridade Portu\u00e1ria P\u00fablica, como tamb\u00e9m o restabelecimento do poder deliberativo ao Conselho de Autoridade Portu\u00e1ria. Preserva\u00e7\u00e3o da soberania nacional com participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria do capital nacional no \u00e2mbito das empresas portu\u00e1rias concession\u00e1rias ou autorizadas, respectivamente, dentro e fora dos portos organizados.<br \/>\n\u2015Garantia de representa\u00e7\u00e3o sindical dos trabalhadores portu\u00e1rios aos sindicatos das respectivas categorias profissionais portu\u00e1rias diferenciadas, nos termos da legisla\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria vigente, quais sejam: estivadores, arrumadores, portu\u00e1rios, trabalhadores de bloco, consertadores de carga, vigias portu\u00e1rios e conferentes de carga, tanto nos portos p\u00fablicos, quanto nos terminais de uso privado, respectivamente, dentro e fora da \u00e1rea do porto organizado.<br \/>\n\u2015Garantia da preserva\u00e7\u00e3o do trabalho portu\u00e1rio aos trabalhadores das categorias acima mencionadas registrados e cadastradas nos OGMOs, \u00d3rg\u00e3os Gestores de M\u00e3o de Obra, tanto \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de trabalho avulso, quanto \u00e0s de v\u00ednculo empregat\u00edcio; garantia de Centros de Ensino e Treinamento para trabalhadores portu\u00e1rios avulsos e com v\u00ednculo empregat\u00edcio, registrados e cadastrados no OGMOS.<br \/>\n\u2015Cumprimento da Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 137 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, j\u00e1 ratificada pelo governo brasileiro, por\u00e9m, precisa ser efetivado o seu cumprimento, tanto pelo governo, quanto pelos empres\u00e1rios do setor portu\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>O programa \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019, de alguma forma complementa tanto o trabalho das lutas da frente dos trabalhadores de transportes no documento acima, como o trabalho institucional das federa\u00e7\u00f5es, para ganhar tempo para o ac\u00famulo de for\u00e7as e o enfrentamento patronal. O programa \u00e9 um projeto de fortalecimento dos trabalhadores mais organizados e conscientes da classe estivadora em Santos, que, pela base, se organizam para recuperar a ferramenta sindical dos estivadores de Santos para a luta concreta na luta de classes; e para construir uma unidade classista, dos trabalhadores da estiva, dos portos, de transportes e estrat\u00e9gicos, aqueles capazes de parar a economia global localmente, a partir do porto de Santos, nas estivas, portos do Brasil, e finalmente, no conjunto dos trabalhadores em transportes e estrat\u00e9gicos de S\u00e3o Paulo, do Brasil, e no mundo. Seu objetivo imediato \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o do respeito do estivador portu\u00e1rio, no contexto do conjunto da classe trabalhadora. Conquistar direitos e o poder da estiva colocados \u00e0 servi\u00e7o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O programa se unifica \u00e0s demandas das frentes para ser trabalhado nas bases. Se o objetivo \u00e9 educar os trabalhadores, essa educa\u00e7\u00e3o precisa se basear no mais importante: Cada setor precisa de um programa, e quanto mais abrangente o programa mais ele vai se parecer ao projeto da \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019. Neste sentido, ser sindicalista \u00e9 menos do que ser classista, e ser classista \u00e9 menos no sentido de ser pol\u00edtico da constru\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o brasileira; porque construir a uni\u00e3o da estiva, das estivas, dos portos, dos trabalhadores em transportes e dos trabalhadores estrat\u00e9gicos, chegando at\u00e9 os mais prec\u00e1rios e perif\u00e9ricos no conjunto da classe trabalhadora, somente se materializa na tomada do poder pol\u00edtico por parte da massa trabalhadora com a derrota final do poder patronal e a sua substitui\u00e7\u00e3o pelo poder popular. Ser classista \u00e9 mais importante que a corpora\u00e7\u00e3o, e ser revolucion\u00e1rio \u00e9 brigar para ter trabalho no mundo sem patr\u00f5es.<\/p>\n<p>O projeto da luta do estivador \u00e9 um projeto da educa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do porto. A pedagogia do porto n\u00e3o pode existir sem a pedagogia da estiva, e ambas necessitam do controle do trabalhador. O estivador e o portu\u00e1rio s\u00e3o a mesma coisa no mundo e necessitam da luta pela valoriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, a profiss\u00e3o \u00e9 o porto. O programa pede o controle do trabalho sobre a educa\u00e7\u00e3o do trabalho. O processo educativo do estivador precisa estar nas m\u00e3os do estivador. \u00c9 poss\u00edvel uma universidade com a marinha e o Estado sob condu\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do porto. O programa educativo do trabalhador est\u00e1 no projeto \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019. O programa \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o para a coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O programa precede o operador, as hist\u00f3rias, os apitos, os cheiros; as t\u00e9cnicas do trabalho no porto aproximam o programa da base; o programa coloca o horizonte da classe em palavras compreendidas; resume os pontos para compreender o poder da classe estivadora. Na &#8216;estiva em nossas m\u00e3os&#8217;, o portu\u00e1rio importa no processo, ele constr\u00f3i o poder da classe. O conselho inicialmente criado para debater problemas concretos da realidade concreta constr\u00f3i no processo o conselho armado da cr\u00edtica e no seu amadurecimento a cr\u00edtica das armas, um conselho forte em uma coletividade de conselhos, uma base organizada e uma dire\u00e7\u00e3o operam do mais numeroso para o mais especializado e vice versa. A estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 o programa do agora e do futuro.<\/p>\n<p>Um dos objetivos do programa \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de uma estrutura sindical guarda-chuva para apoiar quadros, conselhos de trabalhadores e operar atrav\u00e9s de bases organizadas na base geral. Um sindicato poderoso e classista apoiando quadros organizativos, os trabalhadores na base organizada, na base geral; por solidariedade a massa trabalhadora prec\u00e1ria, perif\u00e9rica, organizada ou n\u00e3o. Quando se prioriza a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os internos da estiva e do porto se aumenta a possibilidade de organiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os externos de solidariedade. O trabalho de base cr\u00edtico local tamb\u00e9m \u00e9 internacional.<\/p>\n<p>A recente explos\u00e3o no porto de Beirute no L\u00edbano mostra o risco na profiss\u00e3o. Trabalho, seguran\u00e7a no trabalho, fortalecer e defender a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica dos estivadores e trabalhadores no porto sem a interfer\u00eancia patronal na determina\u00e7\u00e3o de quem trabalha e quem n\u00e3o trabalha, de quem tem direito ao trabalho, quem n\u00e3o tem; e como trabalha. O mundo no cais sem a intermedia\u00e7\u00e3o, os atravessadores e o mando patronal s\u00e3o como bandeiras hist\u00f3ricas n\u00e3o apenas da estiva, mas da classe. O quadro organizador na base, interagindo com o l\u00edder de parede, o l\u00edder de turma de trabalhadores, a equipe de vinculados, o l\u00edder sindical na base, a forma\u00e7\u00e3o dos conselhos de trabalhadores, e outras formas de organiza\u00e7\u00e3o classista visam o enfraquecimento patronal e a estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o do poder popular, a partir da defesa da vida e do poder dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Neste sentido o projeto \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019 \u00e9 um projeto marcadamente simples da teoria cr\u00edtica e do movimento organizativo dos trabalhadores: atrav\u00e9s do trabalho de base cr\u00edtico, pela luta mais imediata, como a escala\u00e7\u00e3o justa, at\u00e9 a discuss\u00e3o do poder de parar o pa\u00eds como parte de uma a\u00e7\u00e3o insurgente na greve geral. O objetivo \u00e9 mudar a \u2018lingada\u2019, o trabalho do estivador, pelo bem da estiva, valorizar a profiss\u00e3o: Atrav\u00e9s da luta pela recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical, para a organiza\u00e7\u00e3o combativa, unit\u00e1ria, classista e internacionalista dos trabalhadores da estiva; mas para al\u00e9m da estiva, at\u00e9 que por solidariedade, do mais organizado ao menos; do mais estrat\u00e9gico v\u00e1 ao mais perif\u00e9rico, prec\u00e1rio, a organiza\u00e7\u00e3o e enraizamento do trabalho de base cr\u00edtico da estiva.<\/p>\n<p>Sucumbir ou lutar. Este \u00e9 um grande momento organizativo para se lutar para recuperar a ferramenta sindical, para aperfei\u00e7oar, construir unidade na estiva para al\u00e9m da estiva, independ\u00eancia de classe, enfrentamento do inimigo capitalista, dire\u00e7\u00e3o na base, para criar comiss\u00f5es de trabalhadores em cada turma da estiva, para incluir todos os trabalhadores no sistema sob controle dos trabalhadores. Recuperar o respeito e o poder da classe intervindo no treinamento e no regramento do trabalho, garantindo sa\u00fade, trabalho e renda a todo o momento; negociar e enfrentar a conjuntura de livre requisi\u00e7\u00e3o pelo poder organizativo do trabalhador, investir no desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e na efici\u00eancia do porto sob o controle dos trabalhadores valorizando a estiva e demonstrando que a exist\u00eancia da intermedia\u00e7\u00e3o do patr\u00e3o encarece o porto e a vida. Unificar e recuperar a ferramenta sindical objetivando a conquista de respeito e poder.<\/p>\n<p>Neste momento, precisamos fazer a transi\u00e7\u00e3o do programa dos trabalhadores para o ataque patronal, e do ataque fazer a transi\u00e7\u00e3o para a cultura, hist\u00f3ria e a supera\u00e7\u00e3o. Nutrir com a cultura da solidariedade, mas o poder da classe junto. A exist\u00eancia mesma dos estivadores \u00e9 desde tempos imemoriais mitol\u00f3gica nos rios Nilo, Eufrates, no Amarelo, no Ganges, no lago Texcoco, no mar Mediterr\u00e2neo, no oceano Atl\u00e2ntico, nos portos de Ostia, Calecute, Liverpool, Dakar; nos maiores portos do mundo uma exist\u00eancia baseada na organiza\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho t\u00e9cnico e coletivo, porque a m\u00e1 arruma\u00e7\u00e3o da mercadoria em um navio pode significar que ele n\u00e3o chegar\u00e1 ao destino. Este pioneirismo hist\u00f3rico precisa ser assumido no projeto organizativo, porque \u00e9 fruto de muitas lutas e constru\u00e7\u00f5es de poder organizativo, que hoje recupera e unifica o trabalho ao respeito e poder. A ousadia no processo \u00e9 materializar esta tradi\u00e7\u00e3o nas turmas, nos turnos, na base organizada e na base geral no porto, para ir al\u00e9m da estiva.<\/p>\n<p>Um programa para inspirar os outros, para debater com os trabalhadores, para ver o programa transformado pelos pr\u00f3prios trabalhadores, para ver sua mensagem resumida, para conhecimento da estiva, do porto, da classe e de cada brasileiro. A base da a\u00e7\u00e3o \u00e9 o programa unit\u00e1rio, mas somente a unidade classista na pr\u00e1tica pode combinar o programa e a pr\u00e1tica de uni\u00e3o dos trabalhadores diante do inimigo capitalista, que combine a a\u00e7\u00e3o defensiva organizada com um contra ataque massivo, maci\u00e7o, completo.<\/p>\n<p>De todos os jogadores no tabuleiro da guerra de classes, o estivador \u00e9 o melhor colocado no conflito de classes, porque pode abrir ou fechar o gargalo log\u00edstico do pa\u00eds. Ao mesmo tempo, a superestrutura age firme na cabe\u00e7a de cada trabalhador para separar cada um do seu poder coletivo, o trabalhador recebe a mensagem do patr\u00e3o como sua e a interioriza, d\u00e1 para o patr\u00e3o o seu poder, que ele usa para retirar trabalho, sua sa\u00fade, a renda e a vida do estivador. O grande poder do patr\u00e3o amparado pelo poder governamental do patr\u00e3o nos portos somente pode ser vencido por uma a\u00e7\u00e3o combinada de trabalho de base cr\u00edtico na estiva e trabalho classista para al\u00e9m da estiva, um poder classista, para tomar o poder da elite no porto, no governo e virar o Estado em oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Neste sentido o processo organizacional na sua estrat\u00e9gia de cria\u00e7\u00e3o de poder popular \u00e9 permanente para recuperar e usar a ferramenta coletiva, construir conselhos e exerc\u00edcio de coletividade e poder, organizar segundo o processo respeitoso de matura\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e assimila\u00e7\u00e3o cr\u00edtica por parte da base organizada, para a base geral, para a classe e para o conjunto da sociedade. No in\u00edcio, no meio e no fim acercam-se os fatos e a luta espec\u00edfica, o cimento s\u00e3o as experi\u00eancias de poder, e os blocos coletivos sustentam estruturas e experi\u00eancias organizativas coletivas formais e aut\u00f4nomas de di\u00e1logo nos comit\u00eas de trabalhadores, que cobrem toda a enorme extens\u00e3o do porto.<\/p>\n<p>Um programa classista se constr\u00f3i na base com as maiores especificidades. A forma do di\u00e1logo e a autonomia dos conselhos de trabalhadores \u00e9 uma delas. Onde se posicionam os quadros organizativos externos que t\u00eam um conhecimento maior da luta de classes, e os internos que s\u00e3o especialistas da luta concreta na estiva, para trabalharem juntos na base organizada; em como se divide o processo organizativo. No caso da estiva por turmas. Os comit\u00eas de base v\u00e3o autonomamente discutindo o programa que se torna seu programa e tamb\u00e9m da classe, quanto mais longe vai, mais especificamente diferenciado fica, sem perder conte\u00fado de programa. Neste sentido \u00e9 a capacidade coletiva de organizar no modo infantaria, no sentido compacto e de massa, onde cada um sabe seu lugar no trabalho, na solidariedade, no socorro, na defesa e no ataque.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 a forma determinante de cobrir completamente a base geral a partir da base organizada, do pequeno n\u00famero de quadros at\u00e9 o maior n\u00famero de trabalhadores organizados. O car\u00e1ter excepcional do modus organizativo n\u00e3o exime a considera\u00e7\u00e3o da forma organizativa cl\u00e1ssica convergindo para forma espec\u00edfica e mais eficiente para que o exerc\u00edcio da solidariedade fa\u00e7a cobrir todo o terreno \/tempo convergindo em cada um.<\/p>\n<p>Uma discuss\u00e3o de grupo de trabalho, que quando afiada multiplica, uma discuss\u00e3o multiplicada do programa, na estrat\u00e9gia de multiplica\u00e7\u00e3o, que convence individualmente e mapeia coletivamente, com a mensagem de uma p\u00e1gina na m\u00e3o; a rede social n\u00e3o substitui o olho no olho, e cada quadro organiza o seu grupo, e o conjunto de quadros na base organizada uma turma, a partir de um grupo original, visando o ponto de chegada o conjunto dos trabalhadores na base geral de uma determinada estiva, dialogando tamb\u00e9m com o conjunto dos portu\u00e1rios; porque a mensagem \u00e9 da estiva para al\u00e9m da estiva e para a classe, determinando os passos, os fatores, a prioriza\u00e7\u00e3o, os apoios, as estruturas, o poder, a forma\u00e7\u00e3o, a exorta\u00e7\u00e3o, a mensagem, o programa. Cada programa tem os seus desdobramentos no papel na pr\u00e1tica, do mais forte e do mais organizado para o menos.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o coletivo faz com que o indiv\u00edduo desagregador seja vencido pela a\u00e7\u00e3o organizativa coletiva do programa. De alguma forma fica o desafio da inclus\u00e3o da grande massa. Vencer o inimigo, pela sobreviv\u00eancia da estiva, o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, pelo controle do processo do trabalho, do comando do trabalho, em um grande PUA, pacto de unidade e a\u00e7\u00e3o, e um CGT, comando geral dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Das coisas mais b\u00e1sicas: Manter o trabalho, o campo de trabalho, a estiva, intervir na constru\u00e7\u00e3o das leis do trabalho na estiva, na seguran\u00e7a, na n\u00e3o interrup\u00e7\u00e3o da renda, na a\u00e7\u00e3o institucional, for\u00e7ando a dire\u00e7\u00e3o na base, construindo conselhos, tomando a forma\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os, unificando a carreira da estiva; se confundem com a a\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de controle do trabalho, do seu poder, de pensar o porto no espectro da log\u00edstica do Brasil no contexto da Am\u00e9rica Latina e do mundo. Tudo isso \u00e9 faina, o trabalho \u00e9 poder. Das coisas mais b\u00e1sicas come\u00e7a a caminhada e organiza\u00e7\u00e3o para o poder mais hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe contradi\u00e7\u00e3o entre compreender a faina, a lingada e o poder. Entre perceber a urg\u00eancia da defesa organizada do porto organizado diante do ataque patronal, e a necessidade de compreender que o correto tempo de matura\u00e7\u00e3o do trabalho de base cr\u00edtico com eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o da teoria em pr\u00e1tica cr\u00edtica leva tempo. Leve o tempo que levar, agora \u00e9 preciso agir com o que se tem, e n\u00e3o parar o processo organizativo com o que se tem, e o que se tem \u00e9 muito se comparado a outras categorias. O ac\u00famulo \u00e9 grande para convocar para a luta e terminar a paz dos vencidos para impor a guerra da maioria. Tomar consci\u00eancia \u00e9 a\u00e7\u00e3o da &#8216;estiva em nossas m\u00e3os&#8217;.<\/p>\n<p>No final, n\u00f3s podemos comparar a atual situa\u00e7\u00e3o de ataque imediato da estiva, do porto, do conjunto dos trabalhadores de transportes e estrat\u00e9gicos ou mesmo da massa prec\u00e1ria e perif\u00e9rica brasileira em um di\u00e1logo com que L\u00eanin possivelmente faria uma alegoria e descreveria a vida de gera\u00e7\u00f5es de estivadores e portu\u00e1rios: \u201conde o estivador diz nunca houve paz e L\u00eanin responderia vamos organizar esta guerra\u201d. L\u00eanin e o estivador discutem a consci\u00eancia.<\/p>\n<p>A primeira tarefa \u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o da vanguarda real. Os estivadores s\u00e3o como a infantaria, que avan\u00e7a compacta atrav\u00e9s da hist\u00f3ria; um pequeno grupo de trabalhadores diante dos trabalhadores do mundo. Um grupo seleto, compacto, que escolheu um caminho dif\u00edcil, segurando literalmente cada um pelas m\u00e3os. Cercado por todos os lados, e marchando debaixo de fogo, eles caminham unidos pelo trabalho, pelo objetivo de debater e agir, por uma decis\u00e3o tomada, precisamente a fim de combater o inimigo e n\u00e3o tombar na beira do cais ou na faina di\u00e1ria diante das ofertas generosas do sistema.<\/p>\n<p>No processo de apresentar o programa da classe estivadora para a classe em geral, alguns os culpam de terem formado um grupo \u00e0 parte e estrat\u00e9gico porque eles preferiram valorizar o of\u00edcio, o caminho da luta especializada. Enquanto muitos se perderam, a vanguarda pensou por anos em como apresentar e preparar este enfrentamento estrat\u00e9gico e final. Diante da luta espont\u00e2nea e puramente imediata, responderam muitas vezes sim e outras n\u00e3o \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o. Fora e dentro do porto o mundo muda e gritam: Vamos aderir ao sistema! Se a hist\u00f3ria da estiva mostra que est\u00e3o errados, respondem que &#8216;esta parte mais \u00e0 vanguarda&#8217;, \u00e9 feita de ultrapassados no mundo mecanizado, rob\u00f3tico, digital e de &#8216;home office&#8217;. Que n\u00e3o h\u00e1 alternativa. Mas se uma pequena parte resolve lutar por tudo e vencer, a outra \u00e9 de &#8216;trabalhadores livres dentro da superestrutura&#8217;, submetidos para fazer o sistema girar e que se esquecem que os bra\u00e7os na roda tem poder para fazer a roda girar, parar e quebrar. O centro do debate \u00e9 debater o poder da classe com a classe.<\/p>\n<p>Os que t\u00eam poder para girar e para n\u00e3o girar a roda, t\u00eam at\u00e9 poder para abrir m\u00e3o do poder, e tem todo o direito de lutar do outro lado, do governo e da patronal, que aparentemente tudo controla atrav\u00e9s do sistema capitalista mundial. Nada pode ser mais urgente que a escolha do lado. A vanguarda mais consciente precisa procurar aqueles que querem resolver todo este problema e deixar o outro lado tomar o seu destino. \u00c9 muito importante separar os que querem defender seus direitos, respeito e poder dos que n\u00e3o querem neste primeiro momento. A classe trabalhadora necessita separar e largar de m\u00e3o aqueles que jogam do outro lado, para unir as m\u00e3os e os esfor\u00e7os com os que sinceramente querem tomar a \u2018estiva em suas m\u00e3os&#8217;, que t\u00eam lado do trabalhador.<\/p>\n<p>A estiva necessita fazer as perguntas corretas para obter as respostas corretas. A resposta para o trabalho, o poder e respeito est\u00e1 no debate destas quest\u00f5es. Aqueles que n\u00e3o querem debater t\u00eam todo direito de se colocar do lado do patr\u00e3o, mas \u00e9 preciso largar a m\u00e3o daqueles que querem debater trabalho e poder. Por isso \u00e9 preciso pedir com todo respeito que &#8216;larguem as m\u00e3os dos que querem a estiva nas m\u00e3os&#8217;. Que parem de atrasar o debate verdadeiro da revolu\u00e7\u00e3o por causa do patr\u00e3o e di\u00e1logo social, a mis\u00e9ria, a submiss\u00e3o no p\u00e2ntano do capital. \u00c9 preciso debater o programa dos trabalhadores. Os patr\u00f5es querem poder para lucrar, os estivadores tempo pras suas fam\u00edlias, para a cultura, para o lazer, por isso precisam da &#8216;estiva nas m\u00e3os&#8217;, com liberdade para abra\u00e7ar o poder e chegar onde quiserem, combatendo o sistema e os que negam poder \u00e0 estiva, que negam at\u00e9 seu pr\u00f3prio poder de classe e abra\u00e7am o poder patronal do capital.<\/p>\n<p>Programa estiva em nossas m\u00e3os:<\/p>\n<p>Somente a uni\u00e3o da estiva dar\u00e1 voz a realidade da lingada. Estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 unificar a estiva, o \u2018lingadeiro\u2019, o da casa, o tratorista, o que tem outro emprego, o vinculado, o aposentado em uma estiva unit\u00e1ria, combativa, classista, solid\u00e1ria e internacionalista.<\/p>\n<p>1- Unidade da estiva de Santos, dos trabalhadores nas estivas e portos do Brasil; uni\u00e3o para al\u00e9m da estiva na unifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em transportes e estrat\u00e9gicos, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o da FRENTE DOS TRABALHADORES DE TRANSPORTES DO ESTADO DE S\u00c3O PAULO. Fortalecer o trabalho classista, junto a mar\u00edtimos, caminhoneiros, ferrovi\u00e1rios e todos os trabalhadores de transportes, os petroleiros e outros estrat\u00e9gicos, e por solidariedade com toda a classe trabalhadora para contra atacar a tentativa de destrui\u00e7\u00e3o da estiva; faremos este enfrentamento juntos com todo tipo de trabalho, inclusive nossa luta di\u00e1ria.<\/p>\n<p>2- Ter independ\u00eancia de central sindical, para poder alinhar a base de Santos, com as outras bases do Brasil, e voltar a ter o di\u00e1logo e protagonismo junto com a federa\u00e7\u00e3o. Ser independente na conjuntura pol\u00edtica atual, tamb\u00e9m facilitar\u00e1 tanto a luta como um di\u00e1logo com o governo. E por outro lado aumentar\u00e1 muito o trabalho institucional no congresso, sem deixar de ter lado na luta de classes. Desfilia\u00e7\u00e3o da for\u00e7a sindical, voltar para a FNE, filia\u00e7\u00e3o a IDC, FSM e ITF. Vamos juntar nosso poder com os portos do Brasil, da Am\u00e9rica Latina e do mundo.<\/p>\n<p>3- Trabalho institucional em Santos, em S\u00e3o Paulo, no congresso em Bras\u00edlia, na OIT em Genebra para enfrentar a nova lei dos portos como lei da morte da estiva; pelo fortalecimento de uma estrat\u00e9gia nacional e classista para os estivadores e trabalhadores brasileiros. Convencer os estivadores a se tornarem a vanguarda no porto para recuperar o n\u00edvel de compra de 20 anos e arrancar dos patr\u00f5es os valores corretos referentes a 100% dos dias parados durante a pandemia; o trabalhador n\u00e3o pode pagar por esta crise.<\/p>\n<p>4- A diretoria executiva precisa fazer rod\u00edzio de 3 meses, trabalhando junto com a classe estivadora. Mudar o estatuto para fortalecer uma diretoria colegiada com maior participa\u00e7\u00e3o da categoria. Redu\u00e7\u00e3o da ajuda de custo ao sindicato de 7%, para 4%. A passagem direta do recolhimento dos associados da ativa via OGMO do 1% do aposentado para a associa\u00e7\u00e3o dos aposentados da estiva, ficando a cargo do sindicato somente a fiscaliza\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o justa da ajuda social.<\/p>\n<p>5- Mudan\u00e7a da estrutura do diretor de parede, a fun\u00e7\u00e3o ficaria igual ou similar a de um l\u00edder de turma, seria a voz da diretoria executiva junto aos trabalhadores e vice versa. Fortalecimento do trabalho de base visando fortalecer a uni\u00e3o do estivador. Estimular a constru\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es e conselhos de trabalhadores independentes em cada turma; que em parceria com a dire\u00e7\u00e3o sindical poderiam discutir direitos na luta concreta na luta de classes.<\/p>\n<p>6- Regrar a escala\u00e7\u00e3o \u2018on line\u2019, dar os ajustes que t\u00eam que ser feitos. Fortalecer e defender a escala\u00e7\u00e3o sob controle da estiva com a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica dos trabalhadores sem interfer\u00eancia da patronal. Recuperar a bandeira hist\u00f3rica dos estivadores e lutar pelo controle obreiro na \u201cdeten\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra por parte do sindicato\u201d na contrata\u00e7\u00e3o, demiss\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos estivadores. Combater a contrata\u00e7\u00e3o de estivadores de fora do nosso sistema. Incluir nos acordos e conven\u00e7\u00f5es coletivas a multifuncionalidade.<\/p>\n<p>7- Construir respeito e o poder do trabalhador estivador e do porto; disputar o planejamento e log\u00edstica deste setor com a patronal, representar atrav\u00e9s da uni\u00e3o intersindical todos os trabalhadores do porto. Para isso, regrar os termos de trabalho do trabalhador vinculado, forma\u00e7\u00e3o e requalifica\u00e7\u00e3o interna, o crescimento profissional e os degraus salariais, a exemplo do cargo do guincheiro e do l\u00edder.<\/p>\n<p>8- Lutar para a sa\u00fade e seguran\u00e7a do estivador ser a quest\u00e3o central do trabalho di\u00e1rio sem deixar que diminuam o sal\u00e1rio do trabalhador. Preparar um farto material para a recupera\u00e7\u00e3o pela luta e o trabalho institucional a aposentadoria especial do estivador e do portu\u00e1rio, na busca por insalubridade, periculosidade e risco portu\u00e1rio.<\/p>\n<p>9- Fazer um acordo com a DP Word, sair desta conjuntura de livre requisi\u00e7\u00e3o. Abrir a mesa de negocia\u00e7\u00e3o. Abrir negocia\u00e7\u00e3o com a VLI e USIMINAS, tentar fechar um acordo para a volta da m\u00e3o de obra, com um regramento r\u00edgido para evitar problemas do passado. Discutir um DPV, conforme a lei, no artigo 40, inciso 1,2,3,4,5 e 6 utilizando a verba do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Mar\u00edtimo FDEPM.<\/p>\n<p>10- Fortalecer a qualidade e efici\u00eancia do servi\u00e7o prestado pelos estivadores junto aos operadores portu\u00e1rios e TUPs privados, investindo na parceria com institutos na forma\u00e7\u00e3o, requalifica\u00e7\u00e3o, equipamentos, turmas operacionais de movimenta\u00e7\u00e3o de carga que complementariam nossa forma\u00e7\u00e3o em parceria com a marinha de guerra.<\/p>\n<p>Mudar a lingada para o bem da estiva: Propostas para desenvolver a dignidade, o respeito e o poder dos estivadores portu\u00e1rios, mudar para o poder da estiva.<\/p>\n<p>Fazer a transi\u00e7\u00e3o para a cultura, hist\u00f3ria, a supera\u00e7\u00e3o dos estivadores para al\u00e9m do porto, a transi\u00e7\u00e3o do programa e movimento da base para derrotar o patr\u00e3o, a transi\u00e7\u00e3o na luta concreta para a hist\u00f3rica, da &#8216;estiva em nossas m\u00e3os&#8217; para oper\u00e1rios sem patr\u00f5es. \u00c9 preciso unificar cada trabalhador do porto, cadastro e registro, fortalecer a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores; unificar o conhecimento dos outros portos, valorizar a mem\u00f3ria, as grandes greves como a \u2018greve do navio espanhol\u2019, lembrar que nesta pandemia a taxa de explora\u00e7\u00e3o e de superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de transportes e de estivadores foi maior, que voluntariamente nenhum deles parou; e que contra vontade, alguns foram impedidos de trabalhar enquanto outros trabalharam mais.<\/p>\n<p>Os patr\u00f5es empurram &#8216;um sistema S portu\u00e1rio&#8217; onde eles controlariam os fundos de forma\u00e7\u00e3o profissional. A marinha de guerra resiste. A forma\u00e7\u00e3o a partir do fundo da marinha \u00e9 um exerc\u00edcio de gest\u00e3o. A proposta dos trabalhadores \u00e9 a co-gest\u00e3o atrav\u00e9s de uma universidade dos trabalhadores com gest\u00e3o compartilhada com os trabalhadores militares. Recuperar a forma\u00e7\u00e3o e a alian\u00e7a entre trabalhadores dos transportes e trabalhadores soldados, criar gestores trabalhadores e soldados na forma\u00e7\u00e3o. A realidade \u00e9 que toda mudan\u00e7a da nova lei dos portos \u00e9 para pior e dificultaram a greve. Neste momento, ir para a rua, fazer passeatas, sem preparar a ida, sem planejamento \u00e9 destruir a for\u00e7a ofensiva dos trabalhadores por nada. Com o devido tempo \u00e9 necess\u00e1rio ocupar os espa\u00e7os institucionais e a base, os espa\u00e7os classistas, a m\u00eddia, a educa\u00e7\u00e3o, a cultura, as ruas da cidade e do porto. Se as demandas s\u00e3o claras a mobiliza\u00e7\u00e3o fica mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>\u2018Estiva em nossas m\u00e3os\u2019 \u00e9 um movimento de unifica\u00e7\u00e3o de toda a estiva, do porto, de outras estivas, portos e trabalhadores de outras categorias e outros setores, inclusive internacionalmente. Estiva nas m\u00e3os dos trabalhadores est\u00e1 tamb\u00e9m na &#8216;BR do mar&#8217;, o ataque aos trabalhadores mar\u00edtimos, na destrui\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s, na privatiza\u00e7\u00e3o das ferrovias, do metr\u00f4. \u00c9 o \u2018PUA\u2019, que precisa incluir o metrovi\u00e1rio na maior cidade do pa\u00eds, o caminhoneiro e o rodovi\u00e1rio. Estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 o ENCLAT, o encontro nacional de toda a classe trabalhadora, dos movimentos populares e da juventude. Se a patronal prop\u00f5e mudar o tra\u00e7ado no porto, as poligonais, o pdz (zonal) determinando o que \u00e9 p\u00fablico e privado, determinando como isso atinge a estiva, e os TPA, \u00e9 preciso que isso seja sentido por todos trabalhadores organizados. O porto organizado precisa organizar o Brasil ou vai perder toda a organiza\u00e7\u00e3o da classe no porto e fora dele.<\/p>\n<p>Se a estiva permanecer lastimando os detalhes da sua perda, se a patronal vai ou n\u00e3o requisitar estivador, ela vai perder o trabalho, o respeito e vai acabar, se n\u00e3o brigar pelo poder de existir no porto. Defender a &#8216;estiva&#8217; x estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 a falsa pol\u00eamica, porque sem um programa de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o e enfrentamento n\u00e3o haver\u00e1 vida no porto, somente o capital. O programa prop\u00f5e a estiva nas m\u00e3os do estivador para ele determinar o que ser\u00e1 dela e para al\u00e9m dela. Unificar a estiva, unificar as estivas, unificar a classe estrat\u00e9gica: o PUA, CGG e o CGT. Unificar e vencer. Unificar para enfrentar a patronal unificada com o governo patronal; educar nas diferen\u00e7as de propostas, no programa do poder de destrui\u00e7\u00e3o capitalista e do outro o poder de gest\u00e3o dos trabalhadores, e apontar as diferen\u00e7as claramente. A estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 um movimento de valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho da estiva nos portos, o controle do trabalho, poder e unidade, estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 um programa de constru\u00e7\u00e3o de poder popular, porque o g\u00e9rmen da luta na estiva est\u00e1 construindo o poder da classe.<\/p>\n<p>Tecnicamente a organiza\u00e7\u00e3o para apresenta\u00e7\u00e3o e debate do programa se divide na organiza\u00e7\u00e3o das turmas pela recupera\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o do sindicato tornado combativo, unit\u00e1rio, classista e internacionalista. Paralelamente, a constitui\u00e7\u00e3o de comit\u00eas ou conselhos de base em cada turma a partir de pequenos comit\u00eas de discuss\u00e3o por &#8216;faina, ou equipe de vinculados estimula o debate e o controle dos trabalhadores sobre o porto, faz pensar o porto a partir da demanda concreta no trabalho, debate o programa, e o poder do programa. Encara o d\u00e9ficit organizativo e pensa a greve a partir da primeira demanda. Para os tr\u00eas, quatro, dez mil trabalhadores; os primeiros vinte trabalhadores na ferramenta mais vinte na vanguarda nos conselhos que organizam a defesa do porto. A dire\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima da base com um respons\u00e1vel por cada turma encontra, por outro lado, um grupo organizado na forma de conselho por turma. Um equil\u00edbrio entre conselho e dire\u00e7\u00e3o no n\u00famero de centenas na vanguarda, de milhares na base organizada fazendo o n\u00facleo do porto, de tr\u00eas mil com a estiva, at\u00e9 dez mil no porto; para a vanguarda em Santos, milhares, milh\u00f5es na forma da frente sindical, popular e de juventude da cidade do porto e do entorno metropolitano do porto.<\/p>\n<p>De dezenas e centenas a dezenas e centenas de milhares, e milh\u00f5es. Da estiva ao porto, do porto para al\u00e9m do porto, do transporte ao estrat\u00e9gico, do consciente (professores e funcion\u00e1rios p\u00fablicos), para a massa prec\u00e1ria e perif\u00e9rica, movimentos populares e juventude. Diante ao ataque e viol\u00eancia da elite, o programa pode construir um contra-ataque violento de massa estudando a necessidade num\u00e9rica exata de cada trabalho de base cr\u00edtico, a partir do estudo de caso concreto. Por exemplo, atrav\u00e9s da simula\u00e7\u00e3o:<br \/>\n20 \u2013 20 \u2013 Vanguarda no porto de Santos na diretoria do sindicato e nos conselhos<\/p>\n<p>100 \u2013 Vanguarda na estiva e nos portu\u00e1rios<\/p>\n<p>3000 &#8211; base organizada<\/p>\n<p>10000 \u2013 base geral<\/p>\n<p>x<\/p>\n<p>10000 \u2013 Vanguarda na classe trabalhadora em Santos e na regi\u00e3o metropolitana de Santos<\/p>\n<p>100000 \u2013 base organizada<\/p>\n<p>1000000 \u2013 base geral<\/p>\n<p>Porto de Santos: Vinte na vanguarda do sindicato e 20 nos conselhos (20 turmas), tr\u00eas mil estivadores, dez mil trabalhadores no porto de Santos; do outro lado, organizando dez mil localmente \u00e9 um passo na organiza\u00e7\u00e3o para a centena de milhar e os milh\u00f5es de trabalhadores na luta de massas no Estado \/ Brasil. Pacientemente tudo pode conectar.<\/p>\n<p>Existem trabalhadores na estiva que est\u00e3o construindo o programa dos trabalhadores. Existe um ac\u00famulo e passado onde outros trabalhadores tamb\u00e9m constru\u00edram o mesmo programa. A hist\u00f3ria tem um encontro de programas que se colocam um por sobre o outro, mas somente quem vive hoje pode aplicar o programa de hoje, se n\u00e3o esquecerem o ac\u00famulo, vit\u00f3rias, derrotas, avan\u00e7os, recuos na luta de classes. O fazer da classe hoje \u00e9 o debate hoje, se colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para fazer o di\u00e1logo com a classe estivadora e portu\u00e1ria, em transportes com o programa de hoje sobreposto ao de ontem; unificar com os estrat\u00e9gicos, os mais organizados, conscientes, ir al\u00e9m e se dispor, por solidariedade a fazer o debate com toda a classe, a massa prec\u00e1ria e perif\u00e9rica que est\u00e1 na ponta.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria dos trabalhadores est\u00e1 determinada pelas suas lutas concretas na luta de classes, mas quando isso se inverte, no momento de ascenso, as prioridades est\u00e3o na responsabilidade hist\u00f3rica do trabalhador estrat\u00e9gico para construir solidariedade ao trabalhador prec\u00e1rio e perif\u00e9rico, a massa revolucion\u00e1ria da classe. A condi\u00e7\u00e3o do trabalho do estivador determina a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical, a solidariedade de classe, a vit\u00f3ria da classe. Neste sentido encontramos um &#8216;ethos solid\u00e1rio&#8217; sindical e pol\u00edtico al\u00e9m desta sociedade capitalista, que constr\u00f3i com a classe o futuro socialista.<\/p>\n<p>O ethos sindical classista \u00e9 revolucion\u00e1rio, o programa dialoga com a estiva em nossas m\u00e3os para al\u00e9m do ethos da estiva. &#8216;O ethos sindical classista ou pol\u00edtico&#8217; apresenta o programa classista e pol\u00edtico para os defensores do &#8216;ethos capitalista&#8217;. Os estivadores t\u00eam responsabilidade com sua agenda concreta de sobreviv\u00eancia, mas sobreviver apenas s\u00f3 vai ganhar tempo, o fantasma da destrui\u00e7\u00e3o se concretiza no avan\u00e7o e ataque do capital, se n\u00e3o ousarem tomar os meios de produ\u00e7\u00e3o eles est\u00e3o condenados ao desaparecimento. N\u00e3o se pode &#8216;tomar o destino sem tomar a estiva&#8217;, e n\u00e3o se pode tomar o porto sem a unidade estrat\u00e9gica, a solidariedade de toda a classe para derrotar os patr\u00f5es do porto, da cidade, do Brasil, da Am\u00e9rica Latina e do mundo no porto. A solidariedade da estiva apresenta o programa, organiza a luta, anuncia localmente &#8216;o mundo do trabalho em nossas m\u00e3os&#8217;. Os estivadores chegaram a um ponto sem retorno, da\u00ed pra frente ou se vence ou perde. Prevalecer ou cair. Mas existe um oceano de trabalho de base no meio.<\/p>\n<p>O tempo do estivador \u00e9 o tempo do cais. &#8216;A organiza\u00e7\u00e3o precisa do tempo passado, mas precisa mais ainda do tempo presente da transforma\u00e7\u00e3o real. Um estivador pertence, por exemplo, a uma &#8216;turma&#8217;, tem o tempo de cais e tamb\u00e9m o de associado; portanto, pode ser antigo de cais e novo de associado, \u201cpoder ser um bagrinho\u201d , um cadastro e depois se tornar mais antigo no porto, se tornar registro, e ademais tem as fam\u00edlias, a tradi\u00e7\u00e3o que traz peso na estiva. Existe toda uma tradi\u00e7\u00e3o que precisa encontrar o s\u00e9culo XXI. Acabar com a &#8216;pax patronal&#8217; \u00e9 quest\u00e3o de vida e morte para a estiva no porto. O estivador que constr\u00f3i conselhos na base, discute a necessidade de derrotar o inimigo hoje, trabalha, dialoga na base, leva o p\u00e3o para casa, opera greves mundiais, pertence \u00e0 luta local e ao mesmo tempo\/espa\u00e7o sua luta \u00e9 log\u00edstica nacional e internacionalista.<\/p>\n<p>O estivador sob ataque se volta para a sua hist\u00f3ria, o ataque segue, os atravessadores e o agroneg\u00f3cio t\u00eam muito lucro, o seu lucro pode ser a fragilidade dos governantes. A depend\u00eancia de gerar mais lucro \u2018para o setor\u2019. Enquanto o inimigo, seguindo a tend\u00eancia mundial da superexplora\u00e7\u00e3o neoliberal, em conjunto com o imperialismo anuncia &#8216;leis de modernidade portu\u00e1ria&#8217; para arrancar o que resta do estivador e do portu\u00e1rio; o estivador pode aproveitar esta tend\u00eancia \u2018de rapidez do sistema\u2019 para concentrar suas for\u00e7as no embarque \/ desembarque destas mercadorias e inventar o seu novo poder. Um poder unificador do trabalhador bagrinho, at\u00e9 seus la\u00e7os na a marinha de guerra, passando pela quebra da ignor\u00e2ncia da for\u00e7a da classe pela sabedoria da pr\u00f3pria classe; da unidade classista, do projeto &#8216;estiva em nossas m\u00e3os&#8217;, sob controle dos trabalhadores para recuperar a educa\u00e7\u00e3o coletiva da classe, aprendendo a ser gestores e conselheiros do fundo de desenvolvimento da educa\u00e7\u00e3o do porto na forma de uma universidade para os portu\u00e1rios e soldados do mar.<\/p>\n<p>Um fundo para a educa\u00e7\u00e3o dos estivadores e portu\u00e1rios e mar\u00edtimos e aerovi\u00e1rios e aeronautas, ferrovi\u00e1rios, todos os fundos dos trabalhadores recuperados depois de serem roubados e usados para pagar juros, enquanto as migalhas enriqueceram os gerentes do sistema. Est\u00e1 na hora de recuperar o dinheiro para seu fim devido, formar em excel\u00eancia a classe trabalhadora. Toda a\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a e a gest\u00e3o do fundo dos trabalhadores n\u00e3o pode ser personalizada, mas \u00e9 preciso retornar \u00e0 cultura do trabalhador, sua hist\u00f3ria cooperativada, a uni\u00e3o deve estar constitu\u00edda sob um programa e apoiada sobre um coletivo. A uni\u00e3o da estiva se expressa na hist\u00f3ria, na cultura e na forma\u00e7\u00e3o do porto.<\/p>\n<p>Nas palavras do estivador \u201cEstiva em nossas m\u00e3os , o nome j\u00e1 diz , \u00e9 a estiva na m\u00e3o da lingada, \u00e9 a m\u00e3o do vinculado, do que trabalha da casa, do trabalhador antigo, do trabalhador aposentado retornado, \u00e9 dos trabalhadores cadastros que est\u00e3o a\u00ed; estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o de todos que est\u00e3o a\u00ed no dia a dia, do tratorista, estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 a ideia de unifica\u00e7\u00e3o, de unificar a categoria em si, mas n\u00e3o apenas isso, unificar no porto, mas tamb\u00e9m unificar no contexto geral, ter um di\u00e1logo fraterno com outros trabalhadores, a categoria unificada com outras, a uni\u00e3o da estiva e das outras estivas, no seu n\u00edvel federativo e internacional; a estiva em nossas m\u00e3os se unifica para resgatar o PUA, e o PUA hoje unificaria o transporte enfrentando o ataque neoliberal\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSomos um grupo que n\u00e3o apenas pensa a unifica\u00e7\u00e3o local, mas tamb\u00e9m a geral; n\u00f3s n\u00e3o podemos perder nosso trabalho e identidade, mas devemos pensar e unificar para al\u00e9m, unificar o nosso setor porque ningu\u00e9m pode sozinho; as outras categorias dos transportes foram massacradas, hoje a bola da vez \u00e9 o trabalhador do porto infelizmente. Estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 unificar a estiva, as estivas e o PUA, a uni\u00e3o pelo nosso trabalho e nossos direitos porque juntos somos mais fortes\u201d<\/p>\n<p>Quanto mais se escuta o trabalhador, o pe\u00e3o, o bagrinho, o cadastro, o registro mais se compreende o programa, \u201cEstiva em nossas m\u00e3os \u00e9 a luta por trabalho, a resposta do trabalhador atrav\u00e9s da garantia do trabalho e do poder do trabalho. Se voc\u00ea analisar todos os ataques ver\u00e1 que a defesa \u00e9 tomar o nosso trabalho em nossas m\u00e3os. A uni\u00e3o da lingada \u00e9 a estiva na m\u00e3o do estivador, do vinculado, do cadastro, do tratorista. \u00c9 a unifica\u00e7\u00e3o do trabalho dos trabalhadores do porto para aumentar seu poder. Agora precisamos retornar ao passado, escutar as vozes do passado, subir nos ombros de tit\u00e3s. Fazer respeitar a vida dos trabalhadores no porto. Recuperar o tempo que enfrent\u00e1vamos patr\u00f5es e presidentes, quando o term\u00f4metro da luta de classes era a interven\u00e7\u00e3o dos fuzileiros navais no porto, quando a coisa esquentava mesmo havia interven\u00e7\u00e3o federal\u201d.<\/p>\n<p>Osvaldo Pacheco n\u00e3o foi um estivador qualquer, suas hist\u00f3rias ecoam na estiva, no porto, para al\u00e9m do porto, nos setores estrat\u00e9gicos, nos mais conscientes; e no tempo em que ele viveu tamb\u00e9m na massa prec\u00e1ria e perif\u00e9rica trabalhadora. O trabalho hoje, para al\u00e9m do programa, \u00e9 contar a hist\u00f3ria da luta de classes atrav\u00e9s da hist\u00f3ria da luta da classe estivadora. A contribui\u00e7\u00e3o de Osvaldo Pacheco, como da vanguarda anterior ao per\u00edodo hist\u00f3rico da sua milit\u00e2ncia no ascenso anarquista, e do ascenso posterior, do per\u00edodo democr\u00e1tico popular do novo sindicalismo, tudo ensina na estiva e na classe. Os estivadores precisam hoje mais do que nunca de toda sua hist\u00f3ria, da sua cultura, do seu respeito e do seu poder. Abaixo fragmento da mem\u00f3ria sindical de Santos 1930-64.<\/p>\n<p>\u201cOswaldo Pacheco da Silva &#8211; Membro do Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro foi um dos maiores l\u00edderes sindicais dos portu\u00e1rios brasileiros. Sergipano, foi presidente do sindicato dos Estivadores de Santos, da FNE Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Estivadores, do PUA (Pacto de Unidade e A\u00e7\u00e3o), do F\u00f3rum Sindical de Debates, deputado constituinte em 1946 e (sempre) militante comunista. O l\u00edder do Porto de Santos, sem d\u00favida nenhuma, \u00e9 uma refer\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 do movimento sindical dos portu\u00e1rios de Santos, mas de toda a classe trabalhadora. Um exemplo. Nos momentos mais dif\u00edceis e sofridos n\u00e3o esqueceu dos companheiros: &#8220;Tentaram me tirar do pres\u00eddio, e todos os presos que l\u00e1 estavam se mobilizaram no corredor da sa\u00edda e declaram para a dire\u00e7\u00e3o: S\u00f3 tiram o Pacheco daqui se matarem todos n\u00f3s&#8221;. Exilou-se no M\u00e9xico em 1964, depois retornou ao Brasil, Santos, foi preso na \u00e9poca da ditadura militar, torturado sob o regime dos generais e faleceu em 1993\u201d.<\/p>\n<p>Imortalizado no romance &#8216;Agonia da Noite&#8217; do escritor Jorge Amado, segundo volume da Trilogia \u201cOs subterr\u00e2neos da liberdade\u201d descreve como os estivadores santistas se recusam a carregar um navio de caf\u00e9 oferecido pelo governo de Get\u00falio Vargas \u00e0 Espanha franquista. As hist\u00f3rias de Oswaldo Pacheco eram como lendas entre os estivadores. Ao mesmo tempo, depoimentos de trabalhadores na estiva hoje demonstram que a mem\u00f3ria de Oswaldo Pacheco \u00e9 muito viva, e a caracter\u00edstica principal que vem \u00e0 mente era o seu trabalho de base cr\u00edtico, a sua acessibilidade para os trabalhadores na base, e a capacidade de conversar com todos os trabalhadores no porto, sabendo ouvir suas demandas imediatas e com grande habilidade as conectando com a luta de classes, Oswaldo como descreve J. Amado era muito querido pela estiva.<\/p>\n<p>\u201cEram quase duas e meia quando Oswaldo e Aristides, o primeiro-secret\u00e1rio do sindicato \u2014 tamb\u00e9m ansiosamente procurado pela pol\u00edcia \u2014 apareceram no cais, cercados pelo grupo de camaradas. Os estivadores, reunidos em frente ao armaz\u00e9m, prorromperam em aplausos. Os policiais postados nas imedia\u00e7\u00f5es se movimentaram. Mas antes que pudessem se aproximar de Oswaldo e Aristides, esses j\u00e1 tinham sido envolvidos pela multid\u00e3o, que os cercava em ruidosa demonstra\u00e7\u00e3o de estima\u201d.<\/p>\n<p>Quando Oswaldo Pacheco foi entrevistado pelo NPC N\u00facleo Piratininga de comunica\u00e7\u00e3o nos anos 1990 ele foi descrito como algu\u00e9m de olhos brilhantes, cheios de vida e sonhos, de fala mansa, professoral como educador popular, como militante que carrega sabedoria e um discurso muito firme. Falava da saudade das lutas memor\u00e1veis dos anos quarenta, de quando se filiou ao sindicato da estiva em 1943 e do auge da for\u00e7a dos trabalhadores estivadores, de transportes, e estrat\u00e9gicos nos anos de 1960. Os trabalhadores comunistas ocuparam um lugar pol\u00edtico no parlamento burgu\u00eas brasileiro, que se transformou em tribuna tamb\u00e9m para a classe trabalhadora. A diferen\u00e7a \u00e9 que a sua candidatura nasce em uma assembleia de trabalhadores como mandato coletivo.<\/p>\n<p>Oswaldo Pacheco foi eleito com uma das maiores vota\u00e7\u00f5es no Estado, e quando o PCB foi cassado, o partido indo para a ilegalidade, o camarada volta a exercer o seu trabalho na base, continuando a participar das assembleias e das lutas conforme nos ensina a experi\u00eancia da &#8216;Comuna de Paris&#8217;: Cada trabalhador representante direto dos trabalhadores atua com mandato revers\u00edvel pelo voto popular, recebe vencimento m\u00e9dio do trabalhador, e quando seu mandato direto termina volta \u00e0 base de onde veio.<\/p>\n<p>Um exemplo de luta na estiva e para al\u00e9m da estiva, a luta pelo fortalecimento do trabalho de base cr\u00edtico, sendo uma lideran\u00e7a agregadora da classe estivadora e portu\u00e1ria no Brasil inteiro. A hist\u00f3ria demonstra como a estiva unificada unifica o Brasil, como a luta concreta hoje pode beber na fonte da excel\u00eancia na luta de classes. Foi poss\u00edvel ontem. Pode ser poss\u00edvel hoje. O Projeto estiva em nossas m\u00e3os \u00e9 o projeto do trabalho de base cr\u00edtico da unidade da estiva para al\u00e9m da estiva, inclusive o passado. Existe uma ponte no porto entre as vit\u00f3rias passadas e o presente. A hist\u00f3ria do porto na luta de classes \u00e9 a hist\u00f3ria do ataque patronal e da defesa dos trabalhadores. Voltar a excel\u00eancia organizativa \u00e9 nas palavras de L\u00eanin dar um passo atr\u00e1s para dar dois para frente. A cultura do porto \u00e9 uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o e de oper\u00e1rios sem patr\u00f5es, o dever de suplantar o inimigo da estiva n\u00e3o \u00e9 apenas da estiva, mas de toda a classe.<\/p>\n<p>\u201cProcuramos sempre trabalhar a base. As assembl\u00e9ias eram o ponto mais importante para as decis\u00f5es e as formas de luta. No per\u00edodo do Pacto de Unidade e A\u00e7\u00e3o (PUA), com vit\u00f3rias maiores ou menores, \u00edamos acumulando for\u00e7as na unidade de a\u00e7\u00e3o\u2026 Ap\u00f3s v\u00e1rias lutas e vit\u00f3rias a n\u00edvel nacional, com todas as categorias dos portos, ferrovi\u00e1rios, mar\u00edtimos e aerovi\u00e1rios e aeronautas, e apoi\u00e1vamos tamb\u00e9m lutas de outras categorias, at\u00e9 que chegamos ao Comando Geral dos Trabalhadores. O objetivo do PUA\u2026 era organizar o movimento sindical a n\u00edvel nacional para sermos uma for\u00e7a capaz de avan\u00e7ar na cidade e no campo, pelos direitos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e sociais\u2026 Lutamos pelos direitos da cidadania, a democracia, liberdade e autonomia sindical. Lut\u00e1vamos tamb\u00e9m pela defesa da soberania, limita\u00e7\u00e3o de remessa de lucros para o exterior, reforma agr\u00e1ria, reforma tribut\u00e1ria, participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na administra\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico\u201d depoimento de Oswaldo Pacheco.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de ac\u00famulo para responder ao ataque nacional e internacional patronal atinge nos anos 1960 o seu auge na constru\u00e7\u00e3o da proposta de &#8216;reformas de base&#8217; capitaneada pelo movimento sindical unit\u00e1rio, combativo, classista e nacionalista. No dia 19 de fevereiro de 1964 um edital de assembleia geral convoca os trabalhadores brasileiros para manifestarem \u201csua inabal\u00e1vel disposi\u00e7\u00e3o a favor das reformas de base\u201d. O edital assinado pela comiss\u00e3o tinha Oswaldo Pacheco como destaque, o presidente da FNE federa\u00e7\u00e3o nacional dos estivadores, era representante do PUA e do CGT. Mais de 150 mil trabalhadores participam e apenas 18 dias depois o golpe burgu\u00eas civil-militar \u00e9 deflagrado para interromper os avan\u00e7os sociais, as reformas de base, e o poder popular. O exemplo hist\u00f3rico mostra que \u00e9 poss\u00edvel unir a estiva e liderar a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>A maior contribui\u00e7\u00e3o de Oswaldo Pacheco segundo Jos\u00e9 Adilson atual presidente da FNE federa\u00e7\u00e3o nacional dos estivadores foi a sua vis\u00e3o de futuro, era uma lideran\u00e7a \u00e0 frente do seu tempo. Ele foi capaz de visualizar as mudan\u00e7as no mundo do trabalho, dentro e fora do porto \u00e0 frente das outras lideran\u00e7as. \u00c9 dele a frase que se referia ao seu tempo, mas apontava para as vicissitudes do momento que estamos vivendo hoje. \u201c\u00c9 melhor ser um bagrinho estivador combativo dentro de um movimento de lutas no seu porto pequeno, do que um presidente em um grande porto burocratizado\u201d. A sua acessibilidade e carisma e vis\u00e3o no meio da estiva foi algo incompar\u00e1vel.<\/p>\n<p>Oper\u00e1rios sem patr\u00f5es, recuperar esta palavra de ordem, atualizar a mensagem atrav\u00e9s do programa \u201cestiva em nossas m\u00e3os\u201d \u00e9 aquilo que se coloca imediatamente para trabalhar a base da estiva, mas tamb\u00e9m toda a classe trabalhadora, sobre a massa trabalhadora prec\u00e1ria e perif\u00e9rica a partir dos trabalhadores em transportes e trabalhadores estrat\u00e9gicos, para desenvolver as for\u00e7as produtivas e o poder popular. A fus\u00e3o entre um programa da classe hoje com a palavra de ordem hist\u00f3rica dos trabalhadores no porto encontra espa\u00e7o de di\u00e1logo, debate no cais e no entorno do porto.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que se coloca n\u00e3o pode ser apenas discutir o controle dos trabalhadores sobre o processo de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho apenas na estiva mas em toda a classe, sobre quem trabalha, n\u00e3o trabalha, sobre o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, a divis\u00e3o da riqueza do trabalho, pleno conhecimento da cadeia do trabalho e sua log\u00edstica; a constru\u00e7\u00e3o do poder do trabalho, da nova \u00e9tica do trabalho, na nova sociedade, a partir das aspira\u00e7\u00f5es e da cultura do trabalhador hoje, o passo a partir do concreto; o programa pronto para o quadro trabalhar nas bases organizadas a eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia, nas condi\u00e7\u00f5es subjetivas para as condi\u00e7\u00f5es objetivas, em uma sociedade madura no capitalismo, para a revolu\u00e7\u00e3o brasileira e para a nova sociedade socialista.<\/p>\n<p>O programa estimula a valoriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o e a cultura do trabalho como organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, seus conhecimentos espec\u00edficos no contexto do estudo do trabalho; do estudo da associa\u00e7\u00e3o, sindicaliza\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, a ferramenta sindical, a base organizada, os conselhos de trabalhadores. O programa busca nas palavras de ordem &#8216;oper\u00e1rios sem patr\u00f5es&#8217; o posicionamento frontal na luta de classes, a partir dos valores culturais da estiva: sua luta, solidariedade, treinamento, profissionalismo, uni\u00e3o.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores remete aos seus elementos centrais: a concentra\u00e7\u00e3o de trabalhadores na constru\u00e7\u00e3o civil e no transporte mar\u00edtimo at\u00e9 o s\u00e9culo XIX, na ind\u00fastria e no transporte sobre trilhos e rodas que fazem parte hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX e XXI. Os estivadores nascem ombreados com a for\u00e7a desta hist\u00f3ria, t\u00eam seu auge na organiza\u00e7\u00e3o comunista entre o p\u00f3s-segunda guerra e o golpe de 1964; historicamente importantes, seguem sendo, mas diminuiu sua capacidade organizativa da classe, para al\u00e9m da classe, no conjunto da classe trabalhadora consideravelmente, porque aumentou o seu isolamento classista e alcance pol\u00edtico. Do outro lado, aumenta a capacidade do capital de controlar o processo de carga e descarga no porto. Quando a estiva recuperar a capacidade pol\u00edtica atrav\u00e9s das suas qualidades voltar\u00e1 a ser como foi: a ponta da lan\u00e7a, a capacidade t\u00e9cnica do trabalho, a continuidade das lutas, o controle obreiro; em sindicatos fortes, classistas, capazes de alcan\u00e7ar toda a log\u00edstica do porto e mais al\u00e9m. Quando a estiva recuperar sua capacidade classista toda classe trabalhadora ser\u00e1 beneficiada.<\/p>\n<p>\u00c9 tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 cultura \u00e9 hist\u00f3ria. A estiva conseguiu conquistar e manter direitos e normas para garantir a regula\u00e7\u00e3o da contrata\u00e7\u00e3o e do exerc\u00edcio profissional do trabalho. Os estivadores arrancaram de pouco em pouco, ao longo dos anos, o poder da patronal em toda parte. Mesmo hoje em dia s\u00e3o capazes de parar a precariza\u00e7\u00e3o como no porto de Barcelona. O objetivo \u00e9 serem vinculados \u00e0 profiss\u00e3o, n\u00e3o a um contrato prec\u00e1rio, de ser vinculado ao of\u00edcio valorizado na log\u00edstica geral do pa\u00eds, encontrar prop\u00f3sito, pertencimento profissional, o controle do trabalho e o exemplo deste controle para os demais trabalhadores. O poder oper\u00e1rio depende de condi\u00e7\u00f5es objetivas, da cultura e da consci\u00eancia dos trabalhadores, mas cada gera\u00e7\u00e3o escreve um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O objetivo hoje \u00e9 sair da condi\u00e7\u00e3o de isolamento, de pura luta concreta trade unionista, quando n\u00e3o pelega afundada no banditismo e na corrup\u00e7\u00e3o, para um sindicalismo classista, internacionalista, pol\u00edtico para a constru\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o brasileira. Constituir uma pol\u00edtica eficaz de alian\u00e7as que fa\u00e7a operar as for\u00e7as mais radicais nos lugares mais dif\u00edceis; sair do isolamento pela qualidade dos quadros organizativos promovendo a politiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, por meio de pr\u00e1ticas conectadas aos desejos mais concretos e imediatos dos trabalhadores. A politiza\u00e7\u00e3o no seu processo \u00e9 uma ponte entre a demanda concreta realizada e a sua conex\u00e3o com a pauta hist\u00f3rica de poder.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de base n\u00e3o tem logrado se apresentar como a\u00e7\u00e3o da grande pol\u00edtica a partir da discuss\u00e3o de pequenas vit\u00f3rias concretas, existe um vazio de discuss\u00e3o nacional e internacionalista, existe a perda da cultura da solidariedade na estiva. A estiva n\u00e3o vive sem o exerc\u00edcio da solidariedade. Precisa dialogar com aquilo que est\u00e1 enraizado na cultura pol\u00edtica do trabalho, transformar a teoria cr\u00edtica geral, debater, dialogar, observar os trabalhadores interferem na transforma\u00e7\u00e3o da teoria pela base organizada, a partir da sua cultura pol\u00edtica, a partir da democratiza\u00e7\u00e3o do controle, da justi\u00e7a do acesso ao trabalho, sem \u2018panelas\u2019 favorecendo os protegidos da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas do controle obreiro \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o equitativa e assemblear do acesso ao trabalho e renda. A forte fiscaliza\u00e7\u00e3o dos acidentes e da produ\u00e7\u00e3o. Interferir no embarque e desembarque das cargas politicamente. Isso significa voltar a &#8216;estudar os trabalhadores no porto\u2019 como fizeram os comunistas no passado, que adotaram pr\u00e1ticas concretas por meio de vit\u00f3rias concretas, ao mesmo tempo em que estimulavam pr\u00e1ticas classistas que impactavam a realidade concreta dos trabalhadores, somente neste momento a grande pol\u00edtica ganha um destaque todo especial, sem deixar de lado o resto.<\/p>\n<p>Existe uma rela\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o do poder obreiro entre o trabalho do \u2018quadro pol\u00edtico e organizador\u2019 nos moldes cl\u00e1ssicos como no grupo de Oswaldo Pacheco e o trabalho de base cr\u00edtico na base organizada, para a base geral, para a massa perif\u00e9rica, para o conjunto dos trabalhadores na sociedade. Este trabalho atemporal, como observado se configura em tr\u00eas momentos de atua\u00e7\u00e3o dos quadros que significam um \u00fanico momento e a\u00e7\u00e3o: Em primeiro lugar o quadro assistente: a assist\u00eancia externa do quadro formulador, experiente, especialista na luta geral e na grande pol\u00edtica da classe, mais preocupado com as quest\u00f5es do Brasil e do mundo. Em segundo lugar o quadro externo: intermedi\u00e1rio, organizativo, conhecedor da luta geral, mas t\u00e9cnico da luta concreta do setor, na espec\u00edfica miss\u00e3o organizativa dos estivadores e portu\u00e1rios, dos estrat\u00e9gicos; elo organizativo entre a luta hist\u00f3rica e imediata. Finalmente o quadro interno: especialista nos trabalhadores do setor, da estiva \/ porto na luta e a\u00e7\u00e3o concreta na luta de classes. Observa-se que a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica cl\u00e1ssica seja uma exce\u00e7\u00e3o hoje, mas nos setores estrat\u00e9gicos capazes de parar o sistema ela continua a regra. No meio disso o cimento dos conselhos de trabalhadores onde vanguarda e base se encontram, e seguem juntas na dire\u00e7\u00e3o da base organizada e da base geral.<\/p>\n<p>Na base organizada do per\u00edodo cl\u00e1ssico, a forma organizativa se dava pela constitui\u00e7\u00e3o na base de uma c\u00e9lula, com um comando trino: um secret\u00e1rio pol\u00edtico, um organizador pr\u00e1tico, um tesoureiro; para de forma planejada e planificada constituir uma base organizada, fazer bom uso da ferramenta sindical para o conjunto dos trabalhadores do setor. Hoje objetiva utilizar esta ferramenta para a luta classista, promovendo a frente \u00fanica dos trabalhadores, e a abertura destes espa\u00e7os para dialogar a pauta estrat\u00e9gica da sociedade; e finalmente promover o exerc\u00edcio mais leg\u00edtimo de poder paralelo como estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o do poder popular, a constru\u00e7\u00e3o de conselhos de trabalhadores em cada turma na estiva, garagem de \u00f4nibus, esta\u00e7\u00e3o de trem, de metr\u00f4, no navio, setor do aeroporto, e base de pilotos e aeronautas. Em cada lugar: equilibrar a espontaneidade das bases com a disciplinada entrega integral e racional do saber pr\u00e1tico dos comunistas.<\/p>\n<p>Nos dias de hoje a estiva n\u00e3o pode prescindir do estudo para al\u00e9m da estiva: Ampliar a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, constituir conselhos, organizar base, atuar atrav\u00e9s de quadros, recuperar ferramentas sindicais, otimiz\u00e1-las, torn\u00e1-las classistas, submeter a teoria cr\u00edtica para a base organizada na cultura do porto, negar a cultura pol\u00edtica do desarme, apresentar a revolu\u00e7\u00e3o brasileira, constituir a frente \u00fanica dos trabalhadores. Utilizar o m\u00e9todo cr\u00edtico de estudo da realidade, o m\u00e9todo em Marx, a constitui\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o ethos sindicalista, a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, a estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o do poder popular, a correta pol\u00edtica de quadros, a defesa da totalidade da teoria cr\u00edtica das experi\u00eancias socialistas, a defesa incondicional do poder pr\u00f3prio da estiva, popular, a partir da observa\u00e7\u00e3o da estiva na classe, estudar o micro local, atuando na Am\u00e9rica Latina. E o ataque macro global ao micro local executado pelos seus s\u00f3cios locais capitalistas no porto brasileiro e latino-americano, da constitui\u00e7\u00e3o da defesa local e micro para a a\u00e7\u00e3o macro internacionalista. A micro-macro revolu\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta \u00e9 compreender a conjuntura, o processo hist\u00f3rico, no territ\u00f3rio \/ tempo, na linha de enfrentamento pr\u00e1tico, no conflito de classes na guerra de classes. O concreto, o argumento, a partir daquilo que investigamos. A estiva estudando e investigando. A investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica precisa ser minuciosa, \u00e9 preciso muita paci\u00eancia para determinar o conjunto das evid\u00eancias do processo organizativo dos trabalhadores, para determinar o d\u00e9ficit organizativo da revolu\u00e7\u00e3o brasileira a partir do porto, do concreto, e partir para apresentar o programa. Com muito trabalho, muita investiga\u00e7\u00e3o, procura-se determinar o aspecto singular da pesquisa, a caracter\u00edstica especial dos trabalhadores da estiva e do porto na sua contribui\u00e7\u00e3o para os trabalhadores em transportes, estrat\u00e9gicos, e para o conjunto da classe trabalhadora. A especificidade do trabalho determina tamb\u00e9m a sua cr\u00edtica do trabalho de base. Felizmente o estudo dos trabalhadores n\u00e3o \u00e9 acad\u00eamico apenas, mas \u00e9 rigoroso nas tentativas pr\u00e1ticas para a transforma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da sociedade. Investigar \u00e9 agir na estiva.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da organiza\u00e7\u00e3o anarquista, comunista, e democr\u00e1tico popular, os comunistas particularmente, estavam determinados a atingir o m\u00e1ximo de trabalhadores, mas havia uma estrat\u00e9gia, que consistia em construir um pequeno grupo tecnicamente preparado; que a partir da\u00ed organizava uma parte importante da base, que se convertia em base organizada, esta coincidia com os trabalhadores mais organizados no sentido da sindicaliza\u00e7\u00e3o, nas assembleias, participa\u00e7\u00e3o nas discuss\u00f5es concretas e nas greves que as conectavam com as discuss\u00f5es mais importantes na luta de classes. A organiza\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de quadros no porto e o debate na base aponta para a organiza\u00e7\u00e3o da frente \u00fanica dos trabalhadores, a frente \u00fanica econ\u00f4mica, a organiza\u00e7\u00e3o por setores dos trabalhadores com uma federa\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria. E isso se discute hoje na fus\u00e3o de federa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No passado, o que caracterizou a organiza\u00e7\u00e3o comunista dos trabalhadores na estiva e no porto foi a a\u00e7\u00e3o da vanguarda por sobre o grupo de trabalhadores organizados; hoje, a partir da vanguarda e base organizada na base geral, para al\u00e9m da base geral, na massa trabalhadora geral, prec\u00e1ria e perif\u00e9rica, e no conjunto da sociedade. Um grupo seleto de revolucion\u00e1rios, bem apoiados, bem preparados, com autonomia, no n\u00famero correto, e que respeitam o tempo de matura\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de transforma\u00e7\u00e3o do conjunto da teoria cr\u00edtica na luta concreta na luta de classes. Desta forma foi poss\u00edvel constituir juntamente com a base organizada um programa e uma linha de atua\u00e7\u00e3o de implementa\u00e7\u00e3o da linha pol\u00edtica que balizaria o conjunto da atua\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica no meio das diversas tend\u00eancias ideol\u00f3gicas, com foco classista, recuperando a ferramenta sindical, organizando os trabalhadores e construindo conselhos de trabalhadores nos locais de trabalho e de moradia. A investiga\u00e7\u00e3o mostra que o caminho organizativo n\u00e3o mudou.<\/p>\n<p>As especificidades do Brasil no contexto da Am\u00e9rica Latina pedem a constitui\u00e7\u00e3o de sindicatos que ao mesmo tempo interagem com conselhos, com outros sindicatos, com movimentos populares, associa\u00e7\u00f5es, e juventude. Nestes sindicatos, mais estrat\u00e9gicos, o desenvolvimento do trabalho de base cr\u00edtico, na luta concreta, econ\u00f4mica, na luta de classes, a constru\u00e7\u00e3o da luta pol\u00edtica, vai al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o sindical; passa pela organiza\u00e7\u00e3o classista, e se constitui na organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos quadros, um grupo seleto \u201ccom grande capacidade de resist\u00eancia e maior esp\u00edrito de sacrifico\u201d; ou seja, um alto teor de entrega militante, de disciplina revolucion\u00e1ria, de estudo espec\u00edfico e pr\u00e1tico do conflito de classes no contexto da teoria da guerra de classes, e de solidariedade para com a constru\u00e7\u00e3o do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Para a constitui\u00e7\u00e3o do porto de &#8216;oper\u00e1rios sem patr\u00f5es&#8217;, a atua\u00e7\u00e3o dos comunistas no seu in\u00edcio esbarrou no decl\u00ednio da organiza\u00e7\u00e3o anarco-sindicalista e na atua\u00e7\u00e3o dos reformistas, mas a estrat\u00e9gia da frente \u00fanica com os trabalhadores, incluindo ambas as for\u00e7as, se mostrou melhor preparada e adaptada para assumir a vanguarda organizativa e viver o per\u00edodo de ouro da organiza\u00e7\u00e3o do porto vermelho entre os anos da p\u00f3s-segunda guerra at\u00e9 o golpe de 1964, agindo na completa tomada das tr\u00eas principais posi\u00e7\u00f5es na luta de classes: A eleitoral burguesa utilizando o parlamento como tribuna, e agita\u00e7\u00e3o e propaganda. Ocupando o espa\u00e7o institucional jur\u00eddico-burgu\u00eas para pressionar e obter vit\u00f3rias, direitos mediatos e imediatos. A organizacional, recuperando as ferramentas sindicais para a luta de classes, organizando trabalhadores, e constituindo conselhos. E a constitui\u00e7\u00e3o de frentes \u00fanicas de trabalhadores estrat\u00e9gicos, e para al\u00e9m deles, do PUA, de trabalhadores urbanos, rurais e soldados, acumulando greves para o comando CGG e o CGT, um comando geral dos trabalhadores para a greve geral pol\u00edtica e insurrecional.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o para esse fim significa suplantar de um lado, a \u2018a\u00e7\u00e3o direta anarquista\u2019 que trazia no seu bojo um revide de terra arrasada da patronal, antes que houvesse um amadurecimento da base organizada; e do outro o vi\u00e9s principal \u2018jur\u00eddico e institucional\u2019 dos sindicatos pelegos. Objetiva-se um meio termo \/ tempo de constru\u00e7\u00e3o s\u00f3lida de organiza\u00e7\u00e3o. Nas palavras de L\u00eanin, a arma da cr\u00edtica e a cr\u00edtica das armas, que arma a classe trabalhadora para um fim insurrecional, ao mesmo tempo em que atrav\u00e9s de pequenas e m\u00e9dias vit\u00f3rias acumulam para as vit\u00f3rias hist\u00f3ricas atrav\u00e9s da estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o do poder dos trabalhadores, do poder popular. O m\u00e9rito da organiza\u00e7\u00e3o comunista junto aos trabalhadores da estiva respondeu a anseios que somente o pensamento mais refinado da luta de classes podia alcan\u00e7ar. Ao mesmo tempo em que atendia os desejos mais importantes da classe estivadora: a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao trabalho e o fim do favorecimento seletivo dos escolhidos pela patronal para comandar a organiza\u00e7\u00e3o, e o controle da produ\u00e7\u00e3o do trabalho em um ac\u00famulo e ousadia da classe.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil e dos transportes est\u00e1 na g\u00eanese da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores estrat\u00e9gicos e de toda a classe trabalhadora; a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores estivadores no porto de Santos est\u00e1 apoiada nos ombros da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil nos anos vinte e trinta. O in\u00edcio verdadeiramente organizativo dos comunistas \u00e9 o BOC (bloco oper\u00e1rio) uma frente \u00fanica institucional, pol\u00edtica, classista, sindical. Desde o in\u00edcio os comunistas baseiam suas a\u00e7\u00f5es organizativas no princ\u00edpio de constitui\u00e7\u00e3o de conselhos de trabalhadores, que s\u00e3o recrutados nas bases dos sindicatos; isso objetivava antes de recuperar a ferramenta sindical para a luta de classes \u2018quebrar a pasmaceira dos sindicatos\u2019, agitar suas bases, \u2018unificar e organizar os trabalhadores desorganizados\u2019. Portanto, desde o in\u00edcio o objetivo que continua agora na \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019 \u00e9 o mesmo: recuperar a ferramenta de luta, organizar a base e constituir conselhos de trabalhadores.<\/p>\n<p>Neste caminho, o foco na prioriza\u00e7\u00e3o do local da organiza\u00e7\u00e3o, a quantidade de estruturas sindicais classistas apoiando o esfor\u00e7o organizativo, e principalmente a quantidade \/ qualidade de quadros no processo organizativo revolucion\u00e1rio determinam a vit\u00f3ria ou a derrota do processo de organiza\u00e7\u00e3o. O d\u00e9ficit organizativo de quadros organizativos determinando o d\u00e9ficit revolucion\u00e1rio. Na atual conjuntura, de ataque concentrado nos setores estrat\u00e9gicos, s\u00e3o eles mesmos, os quadros, que precisam assumir esta vanguarda defensiva para a constitui\u00e7\u00e3o da defesa profunda (formada de diversas camadas); o que significa que o contra-ataque precisa ser organizado nos marcos da luta de classes sem esquecer-se da luta concreta, para al\u00e9m da luta corporativa sindical econ\u00f4mica e trade unionista, mas para uma luta classista e pol\u00edtica insurrecional. O papel do quadro pol\u00edtico organizativo \u00e9 determinante na organiza\u00e7\u00e3o pelos \u2018seus conhecimentos de t\u00e1tica e organiza\u00e7\u00e3o\u2019, que conhece a estiva e al\u00e9m dela. Organizar centenas ou milhares de estivadores juntos significa qualidade e quantidade.<\/p>\n<p>A frente \u00fanica de democracia dos oper\u00e1rios e trabalhadores se inicia nos setores mais estrat\u00e9gicos, pela frente dos trabalhadores de transportes e estrat\u00e9gicos, aqueles capazes de parar localmente o sistema capitalista global; da\u00ed para os setores mais conscientes da luta de classes, na frente dos trabalhadores organizados; para ent\u00e3o cobrir por solidariedade os mais prec\u00e1rios e perif\u00e9ricos, e o conjunto da classe trabalhadora, no conjunto da sociedade. A massa de trabalhadores em geral, incluindo os trabalhadores prec\u00e1rios, perif\u00e9ricos, precisa ser necessariamente organizada a partir dos trabalhadores estrat\u00e9gicos, que atrav\u00e9s de uma pol\u00edtica de quadros possa construir mais quadros organizativos, especializados na inser\u00e7\u00e3o da massa geral, prec\u00e1ria e perif\u00e9rica; e atrav\u00e9s do seu n\u00famero, estruturas classistas, apoio aos movimentos populares e de juventude, priorizando as a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas segundo as especificidades da luta concreta na luta de classes, para cobrir toda a classe trabalhadora, em bases menores destacadas e massa.<\/p>\n<p>Uma reivindica\u00e7\u00e3o concreta dos trabalhadores pode e deve ser elevada em uma reivindica\u00e7\u00e3o da classe, a reivindica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que retorna para a base atrav\u00e9s de grandes debates nos locais de trabalho e de moradia. A organiza\u00e7\u00e3o pode iniciar com um n\u00famero restrito de quadros, mas n\u00e3o pode terminar o processo organizativo desta forma. O processo organizativo precisa levar o tempo que levar para coincidir com os ascensos da luta de classes, e neste sentido, elevar o n\u00famero de quadros do conjunto da esquerda revolucion\u00e1ria de centenas para milhares e milhares para dezenas de milhares; e de dezenas para centenas de milhares, e da\u00ed para milh\u00f5es, que inseridos na massa trabalhadora geral, prec\u00e1ria, perif\u00e9rica organizam com a massa a revolu\u00e7\u00e3o brasileira. A luta da estiva no bojo da luta de classes pode at\u00e9 come\u00e7ar pequena, mas n\u00e3o pode terminar esta jornada desta forma. A cultura da estiva precisa falar para todo o Brasil.<\/p>\n<p>Os estivadores em coaliz\u00e3o com os ferrovi\u00e1rios h\u00e1 cem anos compreenderam na pr\u00e1tica que a constru\u00e7\u00e3o da sua paralisa\u00e7\u00e3o funciona como um torniquete local na estrutura de circula\u00e7\u00e3o global do sistema capitalista; mas demoraram a atingir as condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas para por isso em pr\u00e1tica: \u2018a ades\u00e3o, a paralisa\u00e7\u00e3o assumia uma dimens\u00e3o ainda maior por estrangular o sistema de escoamento de mercadorias entre S\u00e3o Paulo e Santos\u2019. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o se torna mais complexa, n\u00e3o basta a pauta corporativa porque o conjunto da sociedade estaria contra. \u00c9 preciso disputar o conjunto da sociedade, a partir de alian\u00e7as classistas entre os setores estrat\u00e9gicos, os setores mais conscientes, disputar os setores mais prec\u00e1rios e perif\u00e9ricos e a massa trabalhadora para este debate; vencer com os movimentos populares, os sindicatos, a juventude, e o conjunto da sociedade. Hoje os estivadores e os ferrovi\u00e1rios (caminhoneiros) seriam derrotados se lutassem sozinhos; como foram os trabalhadores dos correios. Por\u00e9m, estes seriam vitoriosos como fizeram os portu\u00e1rios e ferrovi\u00e1rios franceses em 2019, que venceram a reforma da previd\u00eancia do presidente Macron porque cumpriram todo o processo organizativo. Organizaram de forma unit\u00e1ria a luta do setor estrat\u00e9gico, o movimento popular (coletes amarelos), a juventude e o setor consciente nas universidades, e no processo disputaram e ganharam a sociedade, que tamb\u00e9m defendeu a greve.<\/p>\n<p>O objetivo de um movimento classista sempre foi centralizar a a\u00e7\u00e3o da classe no local, na comunidade, \u2018centralizar a a\u00e7\u00e3o dos sindicatos na cidade\u2019. Para isso existe o tempo de \u2018jogar for\u00e7as contra for\u00e7as\u2019, e o tempo de matura\u00e7\u00e3o do trabalho de base cr\u00edtico para a assimila\u00e7\u00e3o critica da base organizada; a constitui\u00e7\u00e3o de uma defesa profunda, parte do paciente trabalho constitutivo e resistente e resiliente e constante de constru\u00e7\u00e3o organizativa; para ent\u00e3o na forma de contra-ataque \u2018jogar for\u00e7as contra for\u00e7as\u2019. Uma maior flexibilidade na a\u00e7\u00e3o, uma maior const\u00e2ncia na organiza\u00e7\u00e3o, e a constru\u00e7\u00e3o de um contra ataque superior, que prepara um ainda maior contra ataque de massas, para aterrar o inimigo capitalista, que \u00e9 superado pelo conjunto das for\u00e7as locais, ainda que continue superior globalmente. Todo este trabalho \u00e9 silencioso e somente se mostra na hora certa. O atacante precisa ser aterrado pela for\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o de base e discuss\u00e3o do programa, nos quadros organizativos em novas bases organizadas e novos conselhos.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o da luta no interior dos sindicatos se reverte na organiza\u00e7\u00e3o da base organizada e geral, mas somente a recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta, por solidariedade pode \u2018destacar quadros pol\u00edticos\u2019, para a base consciente e organizada no sentido de constituir o PUA e uma frente \u00fanica de trabalhadores, e continuar girando e destacando quadros organizativos para a massa geral, prec\u00e1ria, perif\u00e9rica. O resultado das lutas impactam diretamente fortalecendo a inser\u00e7\u00e3o dos quadros num maior espectro de cobertura. S\u00e3o as vit\u00f3rias concretas, as pequenas vit\u00f3rias que determinam o avan\u00e7o dos quadros no processo organizativo na base organizada e para al\u00e9m dela. As vit\u00f3rias parciais da luta pavimentam as conquistas hist\u00f3ricas da categoria, e estas apontam os objetivos hist\u00f3ricos. A vit\u00f3ria da posi\u00e7\u00e3o dos quadros operativos precisa acontecer na opera\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. A orienta\u00e7\u00e3o do programa no PUA e na frente \u00fanica dos trabalhadores pode ser traduzida na correta pol\u00edtica de quadros e na constru\u00e7\u00e3o do ENCLAT, o encontro da classe trabalhadora, dos movimentos e da juventude, e parte da discuss\u00e3o no porto.<\/p>\n<p>Toda greve precisa ser razoavelmente bem preparada, todo trabalho de base cr\u00edtico tamb\u00e9m, \u2018procurando evitar que qualquer corpora\u00e7\u00e3o v\u00e1 isoladamente \u00e0 greve desgastante e procurando conhecer psicologicamente cada ambiente, os componentes, e as aspira\u00e7\u00f5es individuais\u2019 que tamb\u00e9m se exercitam na greve. \u00c9 um equil\u00edbrio constitutivo de for\u00e7as. Isso somente \u00e9 poss\u00edvel de se atingir com o conhecimento completo dos quadros internos que atuam em determinada base organizada, da pr\u00f3pria base organizada, e um razo\u00e1vel conhecimento da base geral, da prioriza\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o na massa geral dos trabalhadores para al\u00e9m da base geral em dire\u00e7\u00e3o aos trabalhadores prec\u00e1rios e perif\u00e9ricos; dos aliados classistas e dos atores pol\u00edticos por sobre o tabuleiro do territ\u00f3rio \/ tempo do conflito de classes, na guerra de classes. A linha do conflito de classes precisa ser estudada com os atores envolvidos, na constru\u00e7\u00e3o do front social. A linha do conflito de classes precisa ser estudada a partir da linha hist\u00f3rica e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O front social \u00e9 como o muro do porto que precisa ser superado. A proposta de uni\u00e3o sindical, intersindical portu\u00e1ria, ou frente \u00fanica dos trabalhadores no porto \u00e9 uma proposta para se estender como proposta de frente dos trabalhadores que est\u00e1 sendo debatida dentro do programa. A frente \u00e9 a proposta nos limites da classe trabalhadora. O objetivo \u00e9 congregar as entidades sindicais, oficiais ou n\u00e3o, inclusive os pelegos. \u00c9 na totalidade, na maioria esmagadora que a linha classista precisa ser exercida. \u00c9 na correta de a\u00e7\u00e3o dos quadros, base organizada, conselhos e nos sindicatos classistas pautando a a\u00e7\u00e3o do coletivo, do conjunto. Superar o front social \u00e9 superar o inimigo localmente.<\/p>\n<p>Precisamos falar da organiza\u00e7\u00e3o de massas, da ANL (A\u00e7\u00e3o nacional libertadora) que foi a maior organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico sindical de massas na hist\u00f3ria da esquerda brasileira. A sua virtude \u00e9 a absor\u00e7\u00e3o de nacionalistas, humanistas, esquerda revolucion\u00e1ria de diferentes matizes, sociais democratas e reformistas. Sua luta e efic\u00e1cia contra o fascismo, o imperialismo e tamb\u00e9m contra o capitalismo foi muito importante. No seu vi\u00e9s sindical, os comunistas se aproximavam com os socialistas, reformistas e ministerialistas (aliados do governo), a fim de desenvolver um sindicalismo unit\u00e1rio, \u2018um trabalho de unifica\u00e7\u00e3o sindical\u2019. A participa\u00e7\u00e3o dos estivadores de Santos foi no seu lan\u00e7amento em um teatro. O lan\u00e7amento da frente de massas em um est\u00e1dio, teatro, grande pra\u00e7a p\u00fabica nos anos trinta tem uma simbologia que aponta para a toda a sociedade. A intelectualidade e a cultura s\u00e3o fundamentais para isso. O seu bra\u00e7o sindical \u00e9 um congregamento de uni\u00e3o sindical da classe e as principais bandeiras s\u00e3o discutidas, o grande exemplo para o hoje.<\/p>\n<p>No seu aspecto pol\u00edtico, a constru\u00e7\u00e3o da radicaliza\u00e7\u00e3o sindical, social e pol\u00edtica a radicaliza\u00e7\u00e3o no seu objetivo, \u2018todo poder a ALN\u2019 n\u00e3o pode ser resumida a um manifesto, mas ao trabalho permanente de constru\u00e7\u00e3o do poder popular, o trabalho de base cr\u00edtico. Leve uma semana, um ano, dez anos, um s\u00e9culo, a educa\u00e7\u00e3o popular \u00e9 a base da revolu\u00e7\u00e3o popular. O debate em torno da pol\u00edtica e da estrat\u00e9gia precisa estar acess\u00edvel \u00e0 classe trabalhadora, mas tamb\u00e9m disputar a hegemonia no conjunto da sociedade. Os inimigos da ANL continuam bem atuais, o latif\u00fandio, o imperialismo, o fascismo, o capitalismo. O programa central na ANL \u00e9 central hoje. A situa\u00e7\u00e3o de polaridade na sociedade entre direita e esquerda, o debate e a quest\u00e3o militar, a unidade da esquerda revolucion\u00e1ria, a incorpora\u00e7\u00e3o da outra esquerda, a incorpora\u00e7\u00e3o das mais diversas lutas, a mensagem popular, o indiv\u00edduo na luta geral, na luta de classes. A diferen\u00e7a \u00e9 compreender que a revolu\u00e7\u00e3o no Brasil capitalista hoje \u00e9 socialista.<\/p>\n<p>\u2018O car\u00e1ter radical da ANL est\u00e1 explicitado no seu programa\u2019 que incorpora outras tantas radicalidades&#8217;. Hoje, uma grande frente de massas incorporaria direitos das mulheres, negros, ind\u00edgenas, LGBTTI, dos estudantes e da juventude; dos idosos, dos migrantes e estrangeiros; dos direitos e garantias democr\u00e1ticas, direitos de cidadania, pol\u00edticas afirmativas, garantia republicana com o funcionalismo p\u00fablico; das quest\u00f5es nacionais e o poder dos sal\u00e1rios e dos trabalhadores contra a carestia, o desemprego, pelas garantias das mais diversas categorias na luta pelos seus direitos. A frente acumula e ganha tempo para organizar a defesa no contra-ataque e incorporar as demandas revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>A frente de massas coloca nas massas a tarefa violenta de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade. Os trabalhadores organizados precisam ser a for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o e liderar o processo. O n\u00facleo dos comunistas estivadores portu\u00e1rios na ANL era o maior da cidade de Santos. Eles partiam do concreto. Os trabalhadores organizados tinham na ANL um lugar privilegiado para debater suas pautas imediatas e hist\u00f3ricas. Na frente de massas \u00e9 preciso debater a exaust\u00e3o a linha pol\u00edtica entre: a a\u00e7\u00e3o concreta insurrecional com data marcada, para al\u00e9m da defesa, no contra-ataque; e a paciente defesa e o trabalho de base cr\u00edtico para ac\u00famulo para ser usado apenas quando a massa claramente passar da defesa para o contra ataque; e incluir por in\u00e9rcia os que n\u00e3o querem avan\u00e7ar, por medo de serem derrotados ou perderem o que adquiriram, e os que mostram oportunismo. Quando chegar o furac\u00e3o no porto a defesa da estiva precisa estar pronta.<\/p>\n<p>O programa, projeto, estrat\u00e9gia popular, nacional revolucion\u00e1ria e socialista \u00e9 mais eficaz na estrat\u00e9gia de trabalho de base cr\u00edtico. A sua coluna mestra \u00e9 o trabalho sindical classista, aquele que amplia seu escopo com os movimentos populares, a juventude, associa\u00e7\u00f5es de moradores, para a greve geral insurrecional; para a formula\u00e7\u00e3o, a agita\u00e7\u00e3o e propaganda, a cultura, o trabalho de base organizativo e cr\u00edtico, a cria\u00e7\u00e3o de unidade aguardando o ascenso revolucion\u00e1rio. O exemplo do passado para a atualidade coloca um ac\u00famulo para enfrentar o inimigo que almeja a destrui\u00e7\u00e3o no porto hoje.<\/p>\n<p>O conhecimento da ANL pelo movimento classista hoje corresponde a um renascimento das for\u00e7as organizativas dos estivadores e portu\u00e1rios, agora sob hegemonia de um programa, a &#8216;estiva em nossas m\u00e3os&#8217;; para recuperar um excelente trabalho de base cr\u00edtico na estiva, para a estiva e para al\u00e9m da estiva; onde \u00e9 preciso construir a frente \u00fanica, fazer da organiza\u00e7\u00e3o um caminho para tomar o Estado, a mensagem para a sociedade a servi\u00e7o dos trabalhadores, a disputa do governo, do Estado e estabelecer hegemonia na sociedade; estabelecer uma frente das trabalhadoras e trabalhadores no sentido \u201cdaqueles que vivem do pr\u00f3prio trabalho\u201d; o poder popular como a dire\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na sua principal for\u00e7a dirigente, e os estivadores neste comando. Os estivadores antes isolados constroem agora um movimento da classe e para a classe.<\/p>\n<p>Quando a ANL foi fechada circulou um boletim dos estivadores exigindo sua abertura. Quando a ANL foi fechada o trabalho de base em bases s\u00f3lidas continuou de outras formas com o ac\u00famulo adquirido nos setores de transportes, e de juventude, isso garantiu as futuras bases de florescimento do movimento pol\u00edtico, sindical e classista a partir da organiza\u00e7\u00e3o acumulada nos seus setores mais estrat\u00e9gicos. Depois de 10 anos acumulando, trabalhando a base, inclusive no setor militar, a partir de 1944 \/ 45 at\u00e9 1964 os frutos s\u00e3o colhidos como frutos da melhor qualidade no processo organizativo.<\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o do trabalho de base cr\u00edtico no porto precisa necessariamente da presen\u00e7a de \u2018um elemento da pr\u00e1tica da categoria, um fator constitutivo de sua pr\u00f3pria cultura e experi\u00eancia\u2019. A cultura do porto n\u00e3o pode desaparecer, a sua lideran\u00e7a sindical, classista, pol\u00edtica, necessita combinar a experi\u00eancia maior da luta de classes com a experi\u00eancia espec\u00edfica dos trabalhadores do setor, que quando organizados exprimem suas pr\u00f3prias respostas organizativas, a partir da transforma\u00e7\u00e3o da teoria cr\u00edtica geral na luta concreta na luta de classes. O programa, o movimento classista, a mensagem e base.<\/p>\n<p>A continuidade, o ac\u00famulo organizativo cr\u00edtico \u00e9 a melhor maneira de constru\u00e7\u00e3o do ascenso revolucion\u00e1rio das massas. A soma de ferramentas sindicais classistas, quadros, bases organizadas e conselhos de trabalhadores s\u00e3o uma soma de excel\u00eancia. O maior anseio hist\u00f3rico da estiva \u2018trabalhar como oper\u00e1rios sem patr\u00f5es\u2019 precisa de uma estrat\u00e9gia de ruptura e hist\u00f3rica para que isso ganhe concretude nas pequenas lutas, como tamb\u00e9m na estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o do poder popular. Neste caminho \u00e9 preciso a condi\u00e7\u00e3o objetiva da estrutura de ganho de espa\u00e7o e consci\u00eancia subjetiva no ac\u00famulo e eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia, para vencer as lideran\u00e7as traidoras e eliminar os patr\u00f5es.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio projeto pode se tornar um fator de orgulho, se tornar \u2018oper\u00e1rios sem patr\u00e3o\u2019. A atividade coletiva coordenada se refere ao trabalho de base cr\u00edtico que organiza concretamente individualidades em coletividades, sem anular as aspira\u00e7\u00f5es individuais, mas acrescentando aspira\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas coletivas. Existe cultura em cada estivador, nos muros do porto e para al\u00e9m dele na cultura organizativa da classe. A influ\u00eancia se refere diretamente na concretude da linha pol\u00edtica que precisa ser constantemente avaliada nas bases organizadas na presen\u00e7a de quadros. Contar a hist\u00f3ria da luta na luta.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso contar as hist\u00f3rias da estiva com a simplicidade da classe; ouvir a linguagem popular, suas lutas, alegorias, \u201ca hist\u00f3ria das tr\u00eas barrigas de contra mestres\u201d, quando o trabalho de distribui\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os na parede com o preceito de que o trabalho caiba, equitativamente, a todos\u201d, e visa eliminar o favoritismo na parede. Foi assim: Quando a lei instituiu o sal\u00e1rio por produ\u00e7\u00e3o, cabia uma cota ao trabalhador, uma cota e meia ao contra mestre auxiliar, uma cota por por\u00e3o at\u00e9 o limite de tr\u00eas cotas para contra mestre geral do navio. Da\u00ed \u201ctr\u00eas barrigas porque comem por tr\u00eas bocas, pois n\u00e3o se compreende um homem a servi\u00e7o do patr\u00e3o perceber tr\u00eas cotas retiradas do montante dos ternos, onde cada trabalhador, a custa de muito labor, s\u00f3 consegue ganhar uma cota.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 genial como o trabalhador consciente analisa a explora\u00e7\u00e3o que incide sobre ele, e jocoso, debochado inventa formas de transformar aquilo em indigna\u00e7\u00e3o, chacota e luta concreta. O contr\u00e1rio da explora\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar a justa divis\u00e3o a partir do justo trabalho e da justa responsabilidade compartilhada na execu\u00e7\u00e3o do trabalho; tudo isso \u00e9 o exemplo de excel\u00eancia que a profiss\u00e3o da estiva ensina para as demais profiss\u00f5es; porque a partir desta excel\u00eancia e respeito vem tamb\u00e9m, para al\u00e9m da reivindica\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, a reivindica\u00e7\u00e3o de poder. Fazer do trabalho um direito para todos, \u2018acabar com os &#8216;ganhos&#8217; e fazer com que o trabalho fosse um direito para todos\u2019; e fazer das &#8216;barrigas&#8217; uma necessidade individual significa no fim apontar a inutilidade dos atravessadores patronais do porto, e, portanto o controle obreiro no Estado oper\u00e1rio. O trabalhador cuida da carga do in\u00edcio ao fim, fiscaliza, trabalha, contrata, demite, paga e gerencia.<\/p>\n<p>Uma estiva sem favorecimento e solid\u00e1ria de um lado, do outro uma estiva com poder. O per\u00edodo do porto vermelho com Oswaldo Pacheco e &#8216;Chuvisco&#8217; \u00e9 o per\u00edodo de ousadia na luta de classes, mas com plena garantia de que o direito mais imediato seria atendido, sendo considerado \u2018o processo civilizacional na estiva\u2019. Os comunistas, os socialistas, classistas no porto significaram: organiza\u00e7\u00e3o, direitos chave, enraizamento, trabalho de base cr\u00edtico, constante, paciente, com empatia, exemplo, conectado \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es mais justas das condi\u00e7\u00f5es do trabalho, da \u2018faina di\u00e1ria\u2019. A partir da\u00ed poderia ent\u00e3o ser dirigida a estrat\u00e9gia de radicaliza\u00e7\u00e3o da cidade. Uma vez organizado o setor estrat\u00e9gico, conectando isso com outras categorias organizadas; pode-se ent\u00e3o partir para a organiza\u00e7\u00e3o da massa geral, perif\u00e9rica, dos desempregados, a massa trabalhadora. A radicaliza\u00e7\u00e3o precisa chegar da ponta da lan\u00e7a (estiva) at\u00e9 a ponta da classe (prec\u00e1rios e perif\u00e9ricos). De ponta a ponta a proposta radical precisa ser apresentada para toda a sociedade. Uma marcha de oper\u00e1rios sem patr\u00e3o at\u00e9 o centro com a &#8216;estiva nas m\u00e3os&#8217;.<\/p>\n<p>Com a garantia do trabalho, &#8216;rod\u00edzio&#8217; na sua pr\u00f3pria classe, pode-se ent\u00e3o apontar para a classe geral, lan\u00e7ar um objetivo mais alto, a proposta de trabalhar sem patr\u00e3o, o controle obreiro ser apresentado nas pra\u00e7as, nas escolas, outros sindicatos e gr\u00eamios, \u201ccom a implanta\u00e7\u00e3o do rod\u00edzio seria refor\u00e7ado entre muitos trabalhadores o \u2018orgulho de ter trabalho e n\u00e3o ter patr\u00e3o\u2019 na medida em que s\u00e3o trabalhadores, fiscais, contramestres, de seu pr\u00f3prio of\u00edcio, determinando quem trabalha em quanto tempo e em que condi\u00e7\u00f5es\u201d. O ato sindical traz para a conven\u00e7\u00e3o coletiva o ato classista e se apresenta a outros sindicatos. O ato pol\u00edtico apresenta a cidade, a sociedade, as leis, a pedra das ruas ao estivador, que enquanto pensar na sua vit\u00f3ria n\u00e3o vai pensar na derrota da classe.<\/p>\n<p>A hora se faz urgente para a cultura e a consci\u00eancia da classe estivadora. A condi\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 obra de eleva\u00e7\u00e3o e de exerc\u00edcio do of\u00edcio \u201c\u00e9 impl\u00edcito o \u2018direito\u2019 oper\u00e1rio de recusa \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o organizado fora das regras convencionadas, tornando comum a paralisa\u00e7\u00e3o ou o atraso na execu\u00e7\u00e3o do trabalho. A mesma consci\u00eancia como j\u00e1 vimos, para o pa\u00eds e o mundo. O exerc\u00edcio do controle e da gest\u00e3o obreira determina o poder de parar. A greve dos locais de trabalho, das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, classista de solidariedade com direitos comparados, a greve pol\u00edtica da insurrei\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e revolucion\u00e1ria para ser organizada nos conselhos. A garantia do trabalho, da sabedoria da estiva, da congrega\u00e7\u00e3o e da uni\u00e3o da classe.<\/p>\n<p>A cultura da gest\u00e3o oper\u00e1ria e o controle da produ\u00e7\u00e3o. \u201cResistir \u00e0s ordens dos empregadores quando forem violadas as regras de trabalho tornava-se fonte de orgulho e auto-estima, \u2026 fa\u00e7a a coisa certa para estar entre seus companheiros, um homem que levasse para seu navio sua media de energia, qualifica\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia, robustez, engenhosidade, estaria expressando seu senso de fraternidade e comunidade com seus companheiros\u201d. Isso \u00e9 para ser ensinado em toda parte, nas pra\u00e7as e escolas para toda a humanidade. O trabalho, o respeito, o poder, a humanidade. \u201cA raz\u00e3o disso era simples: sua contribui\u00e7\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o do trabalho tornava as opera\u00e7\u00f5es de carga e descarga menos dif\u00edceis e perigosas; sua reputa\u00e7\u00e3o de \u2018bom membro do sindicato\u2019 unia-se a de \u2018um bom estivador no trabalho\u2019. Assim, uma atividade considerada brutal e degradante podia se transformar em criativa experi\u00eancia \u00e9tica, os ternos (grupos de trabalho) da estiva podem ser definidos como \u2018pequenas sociedades cooperativas\u201d. A experi\u00eancia da estiva aponta para outra \u00e9tica, de outro sistema, imposs\u00edvel sob o capitalismo.<\/p>\n<p>Nesta rede cooperativada a ajuda m\u00fatua, o cuidado solid\u00e1rio, a vida em comunidade sa\u00eda do local de trabalho para o local de moradia, os la\u00e7os de amizade e de fam\u00edlia se estreitavam, esta \u00e9 uma das grandes caracter\u00edsticas da estiva como resposta a um mundo cada vez mais individualizado, \u2018uberizado\u2019, fragmentado, \u2018al\u00e9m do envolvimento, os colegas s\u00e3o os maiores censores\u2019, n\u00e3o pelo sentido cr\u00edtico apenas, mas do cuidado integral e educativo. Da\u00ed para experi\u00eancias do poder popular foi um passo, com verdadeiros julgamentos entre os pr\u00f3prios trabalhadores, no sentido de resolver problemas concretos de conviv\u00eancia no trabalho e para al\u00e9m dele. \u201cA corte (justi\u00e7a dos trabalhadores) deveria ser ainda suficientemente democr\u00e1tica para ouvir trabalhadores e chefias, e todos deveriam estar prontos para julgar e ser julgados\u201d. A justi\u00e7a laboral e comunit\u00e1ria foi fruto das experi\u00eancias dos trabalhadores no porto at\u00e9 o golpe de 1964, e deveria ser estuda hoje como verdadeira proposta de cria\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a e poder popular.<\/p>\n<p>Os estivadores, os portu\u00e1rios ainda que sendo pioneiros no conjunto dos trabalhadores de transportes, e dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, nas lutas da classe trabalhadora brasileira, bebem na fonte do conjunto das lutas populares e da classe trabalhadora, na luta das mulheres tecel\u00e3s, dos gr\u00e1ficos, dos escravos. De todos n\u00e3o organizados, em todas as comiss\u00f5es e conselhos de trabalhadores, que n\u00e3o tinham a m\u00ednima chance de verem suas reivindica\u00e7\u00f5es atendidas, porque n\u00e3o possuem poder. A classe trabalhadora tem no seu longo processo organizativo muito mais fracasso para contar do que vit\u00f3rias. O inimigo capitalista \u00e9 mais forte que reis, senhores feudais e o conjunto da aristocracia, mas a classe trabalhadora tamb\u00e9m \u00e9 mais forte do que os escravos e os servos da gleba.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso unificar experi\u00eancias. As raz\u00f5es da derrota do conjunto das lutas populares, na hist\u00f3ria da classe, da estiva na primeira s\u00edntese das lutas organizadas no Brasil sob as lideran\u00e7as anarquistas foi \u2018o anti-clericalismo libert\u00e1rio (anti-religi\u00e3o), a divis\u00e3o organizativa entre trabalhadores qualificados e n\u00e3o qualificados, a forma de apresentar o programa revolucion\u00e1rio, a cr\u00edtica da presen\u00e7a das mulheres nas f\u00e1bricas, ou a interven\u00e7\u00e3o estatal nos sindicatos\u2019 que levou ao distanciamento de lideran\u00e7as e base. Os estivadores viveram seu auge na forma organizativa sob os comunistas, e ap\u00f3s o fim da hegemonia em 1964, o velho sindicalismo continuou organizando e resistindo em conjunto com a estiva brasileira. Nos anos oitenta mais resist\u00eancia sob o novo sindicalismo que foi hegem\u00f4nico at\u00e9 2008 e em 2016, quando atinge o seu esgotamento. Os estivadores e a classe vivem hoje um intervalo para a constru\u00e7\u00e3o organizativa de um programa unit\u00e1rio, classista que precisa estar adaptado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es presentes e futuras.<\/p>\n<p>O hoje-futuro-passado necessita associar as experi\u00eancias de conselhos e comiss\u00f5es de trabalhadores com dire\u00e7\u00f5es renovadas e estruturas recuperadas que apostem em uma base cada vez mais organizada. O programa revolucion\u00e1rio somente cabe na base organizada em torno da sua pr\u00f3pria agenda concreta, mas precisa do programa classista. Somente cabe na luta concreta na luta de classes se a demanda concreta se transformar na demanda da classe. Existe uma linha complexa evolutiva ou cumulativa, da forma\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na estiva at\u00e9 o ocaso do novo sindicalismo; hoje existem avan\u00e7os e recuos e cada um deles merece ser estudado para ajudar a massa, a classe, \u00e0 estiva que toma a estiva em suas m\u00e3os para enfrentar um modelo de porto completamente privado.<\/p>\n<p>Aquilo que o conjunto dos cr\u00edticos do velho sindicalismo colocava como o maior problema da organiza\u00e7\u00e3o classista, a clivagem entre os quadros e a massa geral da base geral, passando pela base organizada, talvez seja uma das maiores for\u00e7as que se colocam hoje no novo per\u00edodo nascente. No meio existe o cimento dos conselhos de trabalhadores e populares. Os quadros de vanguarda organizativos inflex\u00edveis contra o fascismo, o imperialismo e o capitalismo, preparados e flex\u00edveis na t\u00e1tica, lutando, cr\u00edticos do cupulismo e do aparelhamento focados na luta concreta e na luta maior hist\u00f3rica. A luta revolucion\u00e1ria precisa ser aprendida como desafio para uma correta pol\u00edtica de quadros no porto, estes importantes aspectos s\u00e3o abordados pelo programa \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019. Assim como a estiva precisa do poder de cada trabalhador organizado e coletivo, ela tamb\u00e9m precisa de quadros projetando um sindicalismo unit\u00e1rio, classista, combativo, internacionalista, que visa organizar a greve insurrecional; e da luta concreta a estrat\u00e9gia do poder popular e a revolu\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de a\u00e7\u00e3o direta tem muito que contribuir com a nova s\u00edntese popular, seu exemplo de educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e consci\u00eancia \u00e9 absorvido pelos comunistas no seu projeto popular, nacional e insurrecional revolucion\u00e1rio, a ruptura organizacional; a hist\u00f3ria da profiss\u00e3o no seu processo de poder e valoriza\u00e7\u00e3o t\u00eam na s\u00edntese anarquista e comunista muita similaridade. O processo democr\u00e1tico popular traz uma \u00eanfase na conven\u00e7\u00e3o coletiva, na a\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, mas tamb\u00e9m tem luta econ\u00f4mica. Com a \u00eanfase insurrecional esquecida e o setor de transportes submetido a uma l\u00f3gica fabril metal\u00fargica, o centro gravitacional muda de lugar e a revolu\u00e7\u00e3o brasileira entra por dentro da via negocial. \u201cA colabora\u00e7\u00e3o de classes\u201d nunca foi algo desconhecido no porto, mas este nunca foi o aspecto prevalente: Estiva \u00e9 luta. O projeto democr\u00e1tico popular fechou o porto em si mesmo, seu decl\u00ednio pode fazer o porto se abrir novamente.<\/p>\n<p>Infelizmente, o principal aspecto do per\u00edodo de ouro da estiva at\u00e9 1964 foi esquecido, a prepara\u00e7\u00e3o em excel\u00eancia de quadros externos vindos para auxiliar os quadros internos nas quest\u00f5es da luta concreta, mas principalmente da luta de classes foi colocada no segundo plano pela CUT Central \u00fanica dos Trabalhadores, que ou n\u00e3o tinha estes quadros ou n\u00e3o priorizou os trabalhadores de transportes, quando colocou em segundo plano a centralidade do trabalho, a explora\u00e7\u00e3o da mais valia e a revolu\u00e7\u00e3o. Quando abriu espa\u00e7o para a hegemonia da organiza\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, e isolacionista no maior porto do Brasil, quando desarmou a classe trabalhadora do poder da estiva e do poder popular. O que promoveu o isolacionismo e a \u00eanfase negocial que resultou nas maiores capitula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas na luta de classes teve como conseq\u00fc\u00eancia a falsa cren\u00e7a na sua individualidade de poder, a cis\u00e3o dos elos nacionais e internacionais, a capitula\u00e7\u00e3o do sindicalismo classista, a assun\u00e7\u00e3o e sua substitui\u00e7\u00e3o pelo sindicalismo de resultados, de cren\u00e7a jur\u00eddica, de &#8216;colabora\u00e7\u00e3o empresarial&#8217;, &#8216;trabalho decente&#8217; e sindicalismo recuado diante do inimigo.<\/p>\n<p>O novo per\u00edodo a partir da crise de 2008 sob a nova s\u00edntese precisa da organiza\u00e7\u00e3o da defesa diante do inimigo, a unifica\u00e7\u00e3o da estiva, dos portu\u00e1rios, que se faz necess\u00e1ria para substituir o isolacionismo nacional e internacional. Se o conjunto das for\u00e7as existentes n\u00e3o se colocar frontalmente contra a patronal e o governo, a coaliz\u00e3o patronal \/ governo vai passar por cima da estiva e fazer do porto um condom\u00ednio fechado, seguindo o modelo dos portos privados. O sindicalismo classista come\u00e7a a substituir o sindicalismo burocr\u00e1tico no maior porto, mas isso carece de tempo e passos firmes. A renova\u00e7\u00e3o coincide com a recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical, mas \u00e9 preciso aperfei\u00e7oar a ferramenta para organizar a classe para o enfrentamento classista. Os conselhos de trabalhadores s\u00e3o o amadurecimento do di\u00e1logo do problema na base neste passo.<\/p>\n<p>A estiva come\u00e7a a dialogar para se tornar a estiva nas m\u00e3os da estiva. Um grande movimento pode de forma organizada parar um grande ataque. Lembrar que o per\u00edodo de ouro n\u00e3o era aquilo que os comunistas, socialistas, trabalhistas traziam de fora para dentro do porto, mas aquilo que o porto levava de dentro para fora, para o conjunto da classe trabalhadora. Quando os quadros organizativos traduziram e deram voz \u00e0 vontade imediata do trabalhador na luta concreta na luta de classes. \u201cA influ\u00eancia gradativa do PCB (partido comunista brasileiro) entre os estivadores, em particular, evidencia tamb\u00e9m o enraizamento de seus militantes nas bases da categoria\u2019. Porque foram eles que melhor traduziram as demandas por democratiza\u00e7\u00e3o da estiva, que lutaram \u2018pela discrimina\u00e7\u00e3o na dura parede de cada dia\u2019. A nova s\u00edntese sob o projeto \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019 come\u00e7a da\u00ed, do acesso ao trabalho, do controle do trabalho, o longo caminho para o poder classista, o poder da classe, para al\u00e9m da classe. O problema organizativo hoje \u00e9 um problema real e final.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o da estiva em uma estiva sem patr\u00f5es \u00e9 um longo caminho, que a urg\u00eancia apresenta como tarefa para hoje, agora. Foi o adensamento da cultura da solidariedade, o fortalecimento da estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o de poder popular atrav\u00e9s do controle obreiro e outras experi\u00eancias que favoreceram o salto de uma gera\u00e7\u00e3o de estivadores para ousar disputar o controle do trabalho para al\u00e9m do controle do trabalho somente na estiva. &#8216;Oper\u00e1rios sem patr\u00f5es&#8217; precisa retornar como mensagem atual e o programa da classe estivadora e portu\u00e1ria hoje. Mensagem de porta de entrada para os conselhos, a \u201cmicro-sociedade pol\u00edtica\u201d; a participa\u00e7\u00e3o, conviv\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o. Os desafios hoje pedem muita ousadia diante da destrui\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o como a conhecemos. O inimigo sabe que se a estiva n\u00e3o preparar o contra-ataque ser\u00e1 seu fim.<\/p>\n<p>O contra-ataque \u00e9 quando se decide o dia, se prepara para o dia, vem, v\u00ea, surpreende o inimigo, atacando com tudo que se tem. Se a profiss\u00e3o sobreviveu ao tempo, aos ventos liberais dos \u00faltimos quarenta anos misturados \u00e0 repress\u00e3o da ditadura militar, \u00e0 tentativa de destrui\u00e7\u00e3o da estiva sob o governo Sarney, a desregulamenta\u00e7\u00e3o do setor portu\u00e1rio diante daqueles que ousam \u2018viver sem patr\u00f5es\u2019. O passo est\u00e1 dado, a estiva cruzou o rio e n\u00e3o tem como voltar atr\u00e1s. Diante de um inimigo global atuando localmente com s\u00f3cios locais, nada menos do que uma defesa local atuando com a cabe\u00e7a mais internacionalista poss\u00edvel, com alian\u00e7as para al\u00e9m da estiva. Uma micro-macro revolu\u00e7\u00e3o na estiva, a matura\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o cr\u00edtica na estiva, a recupera\u00e7\u00e3o das ferramentas, a constru\u00e7\u00e3o de bases organizadas e de conselhos nas turmas \u00e9 mais do que nunca agora um ato organizativo revolucion\u00e1rio. Este ato passa pela participa\u00e7\u00e3o ativa no micro local \u2018estiva\u2019 da pol\u00edtica visando a participa\u00e7\u00e3o radical da consci\u00eancia pol\u00edtica nacional \/ global no contexto da Am\u00e9rica Latina. Nunca a situa\u00e7\u00e3o do estivador portu\u00e1rio em Valpara\u00edzo no Chile foi t\u00e3o vizinha da situa\u00e7\u00e3o da classe no Brasil.<\/p>\n<p>Unidade com todos aqueles que querem construir este programa na estiva. Toda a constru\u00e7\u00e3o do trabalho de base cr\u00edtico na micro participa\u00e7\u00e3o embrion\u00e1ria associativa, no pequeno trabalho na equipe de vinculados, na turma, na parede, na lingada, no porto se torna a \u2018parte organizada\u2019 no porto organizado; a \u2018m\u00e3o no poder da estiva\u2019 que aponta para a supera\u00e7\u00e3o pela luta. Aquilo que aparentemente parece se associar ao reformismo, e se anular diante dele, pelo contr\u00e1rio, d\u00e1 a linha, unifica a estiva em uma frente \u00fanica de todos os trabalhadores e parte do programa revolucion\u00e1rio a partir do programa da profiss\u00e3o. Na hist\u00f3ria da estiva esta constru\u00e7\u00e3o serviu para acabar com a viol\u00eancia, exercitar o conv\u00edcio social, a pol\u00edtica educativa dos sindicatos, da classe; pela recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta e sindicaliza\u00e7\u00e3o, os avan\u00e7os e recuos, os aprendizados. Todo este m\u00faltiplo aprendizado foi fortalecendo a constru\u00e7\u00e3o para um trabalho de base cr\u00edtico mais s\u00f3lido.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica do trabalho de base na estiva significa o programa da estiva em nossas m\u00e3os. O programa nasce da estiva para a classe, a estiva atrav\u00e9s da sua cultura de solidariedade, valoriza a profiss\u00e3o, cria o poder da classe, modifica a teoria cr\u00edtica, cria o poder no seu enfrentamento concreto; n\u00e3o mais sozinha, mas no conjunto da classe em movimento, da proposta revolucion\u00e1ria, que conhece e opera a cadeia organizativa por toda a rede de bens e mercadorias globais no local do conflito de classes. O micro-macro revolucion\u00e1rio que se evidencia pela a\u00e7\u00e3o organizativa da vanguarda tem como desafio uma ainda maior vanguarda de quadros operativos se quiser ir para al\u00e9m da estiva. Foi assim nos grandes ascensos no passado, do nascimento da estiva at\u00e9 1917, em 1935, 45, 53, 58, 60, 62, 63, 64, 68, 78, 83, 87; nas leis 8630\/93, 12815\/13, e na nova lei dos portos 14047\/20; sabendo que recuar nunca beneficiou o trabalhador e n\u00e3o vai parar, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 a privatiza\u00e7\u00e3o dos portos, a destrui\u00e7\u00e3o da classe estivadora.<\/p>\n<p>A defesa organizada do trabalhador precisa causar um efeito devastador na cabe\u00e7a do inimigo: \u2018magnitude, impacto, visibilidade\u2019. Come\u00e7a como onda pequena e n\u00e3o pode parar de crescer. A defesa organizada precisa de profundidade para a onda crecer. Ser profunda para um contra ataque de surpresa, que prepara um contra ataque de grandes propor\u00e7\u00f5es. Este \u00e9 o momento que se busca, o momento chave, que derrota o inimigo no territ\u00f3rio \/ tempo, sendo territ\u00f3rio a estiva e o porto, e o tempo antes que a privatiza\u00e7\u00e3o termine seu trabalho. A linha do conflito, no seu paralelo e conflito &#8216;jukoviano&#8217; (Georg Jukov) diante de um inimigo invenc\u00edvel se ap\u00f3ia na linha da hist\u00f3ria e da pol\u00edtica do local e do global no contexto latino-americano. E precisa se utilizar o tempo organizacional permitido pela pandemia de covid 19 para organizar a estiva para garantir o poder, a superioridade do poder pol\u00edtico dos trabalhadores. Quando quadros, base organizada, base geral, trabalhadores de transportes, trabalhadores estrat\u00e9gicos (petr\u00f3leo, el\u00e9trico e correios, cadeia log\u00edstica do transporte), trabalhadores organizados conscientes (professores e funcion\u00e1rios p\u00fablicos), trabalhadores da massa geral, prec\u00e1rios, perif\u00e9ricos, n\u00e3o organizados, desempregados, aposentados, movimento popular e juventude se unem para defender o processo que eles mesmos criaram.<\/p>\n<p>Este movimento, programa, \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019, pode no contexto da unifica\u00e7\u00e3o das lutas no Estado de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Esp\u00edrito Santo, Paran\u00e1, (o que toca o pr\u00e9-sal):resistir, defender, profundamente defender organizadamente para contra-atacar, e prevalecer no territ\u00f3rio \/ tempo, acumulando for\u00e7as para uma mensagem da defesa da Petrobr\u00e1s, a partir do porto, na BR do mar, na privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobr\u00e1s e dos correios. Fazer isso, ao mesmo tempo em que serve de exemplo para movimentos populares, juventude e outras organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais. Atuando contra o desarme da classe, o neoliberalismo, o social liberalismo, a pasmaceira social democrata; diante do imperialismo, do neofascismo e do capitalismo. Propondo em conjunto um grande encontro da classe, agita\u00e7\u00e3o e propaganda local, nacional e internacional; e um novo ascenso de lutas para al\u00e9m da din\u00e2mica eleitoral, mas aprendendo com ela. Ousar tomar o poder a partir da estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o de poder junto a classe, a isso se refere o programa \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019. Tomar posse da organiza\u00e7\u00e3o cr\u00edtica pela cr\u00edtica do trabalho de base, na mensagem da estiva: \u2018a estiva \u00e9 nossa e ousamos viver sem patr\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>Estamos diante do ultimato da patronal para a capitula\u00e7\u00e3o completa. O bom trabalho institucional pode ganhar tempo, mas somente a classe pode decidir o conflito de classes na guerra de classes. Os patr\u00f5es exigem a rendi\u00e7\u00e3o incondicional dos estivadores e portu\u00e1rios, enquanto avan\u00e7am suas for\u00e7as em dire\u00e7\u00e3o dos mar\u00edtimos, trabalhadores de transportes, a destrui\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s, da Eletrobr\u00e1s, dos correios, adotando o trabalho intermitente, a precariza\u00e7\u00e3o e a uberiza\u00e7\u00e3o na periferia da classe. O ataque \u00e9 contra cada um dos trabalhadores. Somente o conjunto dos trabalhadores a partir da sua vanguarda inserida neste conjunto de forma organizada pode parar o ataque global no local.<\/p>\n<p>Os estivadores v\u00e3o precisar de toda sua cultura, tradi\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria, sabedoria, chamar pela mem\u00f3ria e pelo nome os her\u00f3is do passado e construir com os militantes presentes. Lideran\u00e7as an\u00f4nimas de escravos libertos, de imigrantes, de lideran\u00e7as sob o anarco-sindicalismo, lideran\u00e7as comunistas como Oswaldo Pacheco, Chuvisco, e lideran\u00e7as posteriores como Abelardo, Lu\u00eds Braga, Jos\u00e9 Adilson, M\u00e1rio Teixeira, Ernani, L\u00eanin Braga e Sim\u00e3o; outros tantos que se juntam \u00e0s bases e constroem o programa hoje para lutar: Passados quarenta anos de luta defensiva e paz pactuada \u00e9 preciso ousar recuperar a estiva nas m\u00e3os, a ousadia, o poder, a ponta da lan\u00e7a precisa voltar a furar o inimigo, e os trabalhadores estrat\u00e9gicos precisam avan\u00e7ar sua infantaria. O trabalhador no ascenso da luta compreende sua tarefa na guerra de classes. \u00c9 isso ou capitular e aceitar perder.<\/p>\n<p>Por fim, o grande processo da investiga\u00e7\u00e3o concreta \u00e9 este mesmo, o de intervir para verificar se o trabalhador recua ou avan\u00e7a, como se comporta sua vanguarda, como a classe concretamente enfrenta e constr\u00f3i a sua hist\u00f3ria. Para al\u00e9m das especificidades do programa \u2018estiva em nossas m\u00e3os\u2019, existe uma mensagem, e se faz necess\u00e1rio estudar para avan\u00e7ar com ela de maneira simples e complexa, verificar se ela prop\u00f5e superar o sistema, propondo a supera\u00e7\u00e3o dos atravessadores do porto para o poder de quem manuseia e cuida de todo o processo log\u00edstico da carga. A apresenta\u00e7\u00e3o do programa est\u00e1 no in\u00edcio, vamos precisar estudar se o programa aplicado na pr\u00e1tica supera e vence a mensagem liberal na superestrutura do sistema capitalista. Esta supera\u00e7\u00e3o come\u00e7a por um di\u00e1logo franco e direto dentro de um grupo compacto, que \u2018convive com o p\u00e3o do ataque di\u00e1rio\u2019, em turmas e turnos, que faz sua lingada junto. \u00c9 contra estes que o ataque \u00e9 direto, final e permanente; contra um grupo seleto e compacto que tem por miss\u00e3o defender a organiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da defesa profunda para contra-atacar o inimigo global \u2013 local, um inimigo na estiva, no porto e para al\u00e9m do porto que avan\u00e7a.<\/p>\n<p>O desafio de tomar nas m\u00e3os o poder do trabalho no seu pr\u00f3prio tempo \/ territ\u00f3rio passa por declarar o poder, a profiss\u00e3o e o territ\u00f3rio como seus. O desafio de declarar o porto livre do capital, declarar que alguns quil\u00f4metros quadrados de \u00e1rea estrat\u00e9gica est\u00e3o sob o controle dos trabalhadores, \u00e9 mais do que um manifesto ou programa, \u00e9 a\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o de poder popular. Organizada a defesa, \u00e9 preciso defender organizadamente o trabalho na beira do cais diante do inimigo invasor. Mas n\u00e3o se pode como at\u00e9 agora fazer isso sozinho, toda a classe precisa estar l\u00e1, e para al\u00e9m da classe, o conjunto da classe trabalhadora tem toda a possibilidade para aterrar o inimigo e impor a ele fragorosa derrota com unidade, solidariedade e poder.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o longo caminho onde a unidade apesar de tudo \u00e9 o objetivo mais esperado, como a vit\u00f3ria que n\u00e3o chega r\u00e1pido, a unidade n\u00e3o chega r\u00e1pido. O programa n\u00e3o acaba hoje. O processo de constru\u00e7\u00e3o da unidade da classe tem caminhos que n\u00e3o compreendemos muitas vezes, por isso \u00e9 muito importante estudar. Estudar a estiva para al\u00e9m da estiva. O estivador \u00e9 como o a\u00e7o que n\u00e3o se dobra na vit\u00f3ria e na derrota nos ensina: &#8216;Perder faz parte, hoje \u00e0 noite a gente chora, amanh\u00e3 levanta a cabe\u00e7a e continua&#8217;.<\/p>\n<p>Na beira do cais existem tamb\u00e9m dois mundos opostos, se um quer aniquilar o outro, o outro tamb\u00e9m precisa encarar a possibilidade de enfrentar e vencer o patr\u00e3o. Come\u00e7a na base com o programa da base, da estiva, e continua na luta de toda a classe. O inimigo avan\u00e7a com a proposta de privatiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, do trabalho, da vida; do outro lado, a classe estivadora se coloca no caminho com mais do que a atitude defensiva, mas com seu programa e manifesto para al\u00e9m da estiva. Resta saber se ela vai vencer combinando o programa da classe com a vontade irredut\u00edvel de construir um porto sem patr\u00f5es. O poder estivador para al\u00e9m de si mesmo se torna poder trabalhador, apontando para que cada profiss\u00e3o possa valorizar sua ferramenta consciente de luta, organizar, participar de conselhos e comiss\u00f5es, como classe estivadora, de portos, de transportes, estrat\u00e9gicos, conscientes, solid\u00e1rios da massa, prec\u00e1ria, perif\u00e9rica, no conjunto da classe trabalhadora com o programa e a proposta para vencer e ser uma classe sem patr\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o consigo tirar meus olhos \u2026 dedilhando minha dor a cada degrau do agulheiro. Me matando suavemente com sua carga. Contando minha vida inteira. Eu senti toda a for\u00e7a da meu tempo&#8230; Me mantendo na beira do cais encontro minha mente. Num filme passa tudo. Que alegria estar vivo! Para poder fazer minha lingada. Honrando os que a pandemia levou. Pedindo prote\u00e7\u00e3o para o ganha-p\u00e3o de cada dia e que todos os TPAs v\u00e3o para seu trabalho e voltem para aconchego de sua fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>Estivador Jos\u00e9 Sim\u00e3o em 29 de novembro de 2020<\/p>\n<p>A cultura da classe estivadora como contribui\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora foi constru\u00edda nas suas experi\u00eancias hist\u00f3ricas. A teoria da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tantas vezes transformada nos locais de trabalho \u00e9 aprendizado comum; mas tamb\u00e9m disciplina organizativa cr\u00edtica, exerc\u00edcio de poder, que uma vez compartilhado se soma como elo de poder comum no todo da classe, tornando-se patrim\u00f4nio comum de poder da classe no porto e no entorno do porto, nas cidades e para al\u00e9m dos muros da atual sociedade. O programa e a mensagem j\u00e1 passaram dos muros do porto. A batalha contra o capital ser\u00e1 compartilhada por todos. O programa da estiva nas m\u00e3os dos trabalhadores sem patr\u00e3o. N\u00e3o mais s\u00f3 da estiva. O desafio do &#8216;docker&#8217; \u00e9 internacional e est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o dos &#8216;oper\u00e1rios sem patr\u00f5es&#8217;. O desafio organizacional da &#8216;estiva em nossas m\u00e3os&#8217; est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o do poder popular. O desafio da classe estrat\u00e9gica e do conjunto da classe \u00e9 vencer o inimigo global-local na coaliz\u00e3o local-global. O desafio da classe \u00e9 a partir da vit\u00f3ria local, mesmo que isso demore, ousar a vit\u00f3ria da classe, ousar a internacional.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>Manifesto dos Trabalhadores em transportes do Estado do Rio de Janeiro \u2013 FNTTAA \u2013 CONTTMAF \u2013 14\/03\/2017, 26\/09\/2018<\/p>\n<p>Propostas para o manifesto \u201cEstiva em Nossas M\u00e3os\u201d junho 2020<\/p>\n<p>Manifesto &#8216;Estiva em Nossas M\u00e3os&#8217; da Estiva de Santos \u2013 2020<\/p>\n<p>Teixeira da Silva, Francisco &#8211; Oper\u00e1rios sem Patr\u00f5es, Unicamp \u2013 Campinas \u2013 2003<\/p>\n<p>Amado, J. \u2013 Agonia na Noite &#8211; Subterr\u00e2neos da liberdade Vl 2 \u2013 CDL \u2013 S\u00e3o Paulo 1990<\/p>\n<p>Bezerra, Greg\u00f3rio \u2013 Mem\u00f3rias \u2013 Boitempo \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 2011<\/p>\n<p>Jukov, Georgi \u2013 Memorias y reflexiones (Gueorgui Zhukov) URSS, 1969<\/p>\n<p>Estatutos do sindicato dos estivadores de Santos, S\u00e3o Vicente, Guaruj\u00e1 e Cubat\u00e3o, 2003<\/p>\n<p>Documento conjunto da reuni\u00e3o das tr\u00eas federa\u00e7\u00f5es dos portu\u00e1rios sobre a privatiza\u00e7\u00e3o dos portos: FNE, FECOVIB, FNP, de 28 de abril de 2020<\/p>\n<p>Depoimentos do presidente da FNE \u2013 Jos\u00e9 Adilson e da FENCCOVIB \u2013 M\u00e1rio Teixeira<\/p>\n<p>Depoimentos de Estivadores de Santos \u2013 2019\/2020, agradecimentos Lenin Braga<\/p>\n<p>Estivadores de Marselha \u2013 2018\/2019<\/p>\n<p>Estivadores do Rio de Janeiro \u2013 2016-2020, agradecimentos Ernani Duarte<\/p>\n<p>https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/dicionario\/verbetes\/s\/silva_oswaldo.htm<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"voYV58DnVk\"><p><a href=\"http:\/\/nucleopiratininga.org.br\/osvaldo-pacheco-porto-gente-que-luta\/\">Osvaldo Pacheco: porto-gente-que-luta<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Osvaldo Pacheco: porto-gente-que-luta&#8221; &#8212; NPC - N\u00facleo Piratininga de Comunica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/nucleopiratininga.org.br\/osvaldo-pacheco-porto-gente-que-luta\/embed\/#?secret=voYV58DnVk\" data-secret=\"voYV58DnVk\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"yczRpP1wp6\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26211\/trabalhadores-dos-setores-estrategicos-e-a-luta-de-classes\/\">Trabalhadores dos setores estrat\u00e9gicos e a luta de classes<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Trabalhadores dos setores estrat\u00e9gicos e a luta de classes&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26211\/trabalhadores-dos-setores-estrategicos-e-a-luta-de-classes\/embed\/#?secret=yczRpP1wp6\" data-secret=\"yczRpP1wp6\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Rc3KcxXrOl8?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent&#038;listType=playlist&#038;list=UUzFLNDRoknpsckfbFR2wOAw\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/q6dD94HBQcY?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; 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A\u00e7\u00e3o Unit\u00e1ria de Luta contra privatiza\u00e7\u00e3o\/ desestabiliza\u00e7\u00e3o de empresas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico, inclusive os portos nacionais.<\/p>\n<p>https:\/\/us04web.zoom.us\/j\/77154358149?pwd=UE81UXlyNjBZQW9STHQxQXl5RDJzdz09<\/p>\n<p>https:\/\/g1.globo.com\/sp\/santos-regiao\/porto-mar\/noticia\/2020\/08\/27\/caminhoneiros-protestam-contra-a-perda-de-trabalho-no-porto-de-santos.ghtml<\/p>\n<p>https:\/\/jornalportuario.com.br\/interna\/destaque-portuario\/eldorado-arremata-area-do-sts14-no-porto-de-santos-por-r-250-milhoes<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"0Pp8Z6SUEQ\"><p><a href=\"https:\/\/www.moneytimes.com.br\/santos-brasil-esta-com-posicao-de-caixa-confortavel-para-aquisicoes-destaca-agora\/\">Santos Brasil est\u00e1 com posi\u00e7\u00e3o de caixa confort\u00e1vel para aquisi\u00e7\u00f5es, destaca \u00c1gora<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Santos Brasil est\u00e1 com posi\u00e7\u00e3o de caixa confort\u00e1vel para aquisi\u00e7\u00f5es, destaca \u00c1gora&#8221; &#8212; Money Times\" src=\"https:\/\/www.moneytimes.com.br\/santos-brasil-esta-com-posicao-de-caixa-confortavel-para-aquisicoes-destaca-agora\/embed\/#?secret=0Pp8Z6SUEQ\" data-secret=\"0Pp8Z6SUEQ\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2020\/11\/10\/guedes-privatizacoes.htm<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/L8KQ4A3O2IM?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>http:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/medida-provisoria-n-945-de-4-de-abril-de-2020-251139750<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mem\u00f3rias do Cais: Cartas de um Bagrinho\" type=\"text\/html\" width=\"747\" height=\"550\" frameborder=\"0\" allowfullscreen style=\"max-width:100%\" src=\"https:\/\/ler.amazon.com.br\/kp\/card?preview=inline&#038;linkCode=kpe&#038;ref_=k4w_oembed_8oP7k1e3NYd7kl&#038;asin=B00HCL1MDE&#038;tag=pc161256-20\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"fb-video\" data-allowfullscreen=\"true\" data-href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fabioclaubert.fernandes\/videos\/256637364466658\/?sfnsn=wiwspwa&#038;extid=E3Luj03gB8ZF8h9i&#038;d=w&#038;vh=i\" style=\"background-color: #fff; 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