{"id":26618,"date":"2020-12-24T18:13:45","date_gmt":"2020-12-24T21:13:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26618"},"modified":"2020-12-24T18:13:45","modified_gmt":"2020-12-24T21:13:45","slug":"as-farc-ep-e-a-defesa-do-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26618","title":{"rendered":"As FARC-EP e a defesa do meio ambiente"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-FUW-0dwCZfQ\/X9gwT8d_5dI\/AAAAAAAAto0\/4d3HEyXLywg8qXbTSXLo1w51spoTyuWPwCLcBGAsYHQ\/s800\/FARC-medio-ambiente-14.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Uma hist\u00f3ria pouco conhecida<\/p>\n<p>Mayerli Andrea Pinilla (*)<\/p>\n<p>PACOCOL &#8211; Partido Comunista Colombiano<\/p>\n<p>\u00c9 preciso analisar o car\u00e1ter protetor e de conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente assumido pelas FARC-EP e a lideran\u00e7a que exerciam junto \u00e0s comunidades rurais para controlar ao desmatamento, o exterm\u00ednio de esp\u00e9cies silvestres e a contamina\u00e7\u00e3o dos afluentes naturais.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso chamar a aten\u00e7\u00e3o para a derrubada indiscriminada de montanhas e \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o dos parques naturais nacionais (como La Serran\u00eda de La Macarena, Tinigua, a Cordillera de Los Picachos e a Sierra de Chiribiquete); a contamina\u00e7\u00e3o de rios e riachos (como Ca\u00f1o Cristales, Ca\u00f1o Perdido, Ca\u00f1o Cabras, Ca\u00f1o Rojo, Guayabero, Leiva, Platanillo, Lozada, Guaduas); o aumento das planta\u00e7\u00f5es de coca e a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente em todas as suas dimens\u00f5es (nos departamentos de Meta, Guaviare e Caquet\u00e1) ap\u00f3s o Acordo de Paz e a consequente sa\u00edda da guerrilha das FARC-EP desses territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Embora esta organiza\u00e7\u00e3o tenha percorrido toda a geografia colombiana, neste artigo me referirei principalmente \u00e0 Orinoquia, \u00e0 Amaz\u00f4nia e parte da Regi\u00e3o Andina, onde estive durante o tempo em que fui integrante de suas fileiras. \u00c9 que para as FARC-EP \u201ca selva era algo mais do que uma imensa estepe verde\u201d. Ela era nossa casa.<\/p>\n<p>Os rios representavam vida, e n\u00e3o s\u00f3 para n\u00f3s, mas tamb\u00e9m para as comunidades que neles viviam. Os animais selvagens eram nossos amigos, a companhia mais fiel. Ador\u00e1vamos chegar a locais onde as \u00e1rvores tivessem 20 ou 30 metros de altura (1), e n\u00e3o s\u00f3 porque nos protegiam da vista a\u00e9rea e dos bombardeios posteriores, mas porque, como bons habitantes da floresta, conhec\u00edamos o valor da flora e da fauna para toda a humanidade.<\/p>\n<p>Sab\u00edamos, como os camponeses nativos, que \u00e1rvore alimentava que tipo de animais. Conhec\u00edamos as plantas medicinais, que muitas vezes nos ajudaram a curar nossas pr\u00f3prias feridas e doen\u00e7as tropicais, como mal\u00e1ria, dengue, leishmaniose e tantas outras que ocorrem na floresta tropical.<\/p>\n<p>Habituamo-nos a conviver entre micos noturnos, perus, marimbas, pregui\u00e7as, antas, macacos, chig\u00fciros, veados, pajuiles, guacharacas, tentes, chilacos, gar\u00e7as, corocoras, papagaios, periquitos, araras e in\u00fameros animais que habitam a Amaz\u00f4nia e o Orinoquia colombiana. Devo dizer que alguns dos guerrilheiros, quando entraram, tinham medo desses animais, mas com o tempo aprenderam a conviver com eles. Por isso me d\u00f3i saber que aquela selva, desde que sa\u00edmos dos territ\u00f3rios, se deteriorou cada vez mais.<\/p>\n<p>Todos esses anos, a partir de 2015-2016, os n\u00fameros do desmatamento aumentaram a taxas alarmantes. Por exemplo, segundo o IDEAM, no Parque Tinigua (localizado no departamento de Meta) foram perdidos 3.285 hectares de mata nativa em 2017 e, em 2018, 10.000. Isso significa que, em um ano, o desmatamento aumentou 200% (2).<\/p>\n<p>As FARC-EP dedicam grande parte de sua atividade pol\u00edtica e social \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Prova disso s\u00e3o as normas ecol\u00f3gicas constru\u00eddas com as comunidades dos territ\u00f3rios, pelas quais a ca\u00e7a de animais silvestres era explicitamente regulamentada, bem como a derrubada de \u00e1rvores para o plantio de alimentos, queimadas, percentual de reserva natural que deveria ter cada fazenda (que, em muitos casos, era de 40 ou 60%), e at\u00e9 mesmo a franja de montanha que devia ser deixada de lado perto de c\u00f3rregos e rios para sua conserva\u00e7\u00e3o, manejo de res\u00edduos e conserva\u00e7\u00e3o de terrenos baldios.<\/p>\n<p>Havia esp\u00e9cies de flora e fauna protegidas por serem consideradas em risco de extin\u00e7\u00e3o, como a \u00e1rvore da vaca ou perillo, que fornece alimento para v\u00e1rias esp\u00e9cies. Protegemos animais como o porquinho-da-\u00edndia, a anta, as toninas (boto rosa da Amaz\u00f4nia), o cerrillo e o gurre-trov\u00e3o, entre outros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi levada a cabo a constitui\u00e7\u00e3o de comit\u00eas ecol\u00f3gicos por aldeia, para garantir o cumprimento das referidas normas, e houve multas financeiras para quem n\u00e3o cumprisse. Por exemplo: quem derrubasse mais hectares de montanha do que os estipulados pela comunidade a cada ano pagava um milh\u00e3o de pesos por hectare e esses hectares passavam para as m\u00e3os da comunidade, o que mais tarde permitia que fossem usados \u200b\u200bcomo um corredor biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Mas algumas a\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-militares das FARC-EP tamb\u00e9m produziram danos irrevers\u00edveis \u00e0 natureza, como a dinamita\u00e7\u00e3o dos oleodutos. Oleodutos foram dinamitados para gerar preju\u00edzos para as multinacionais, que se dedicam a extrair recursos naturais de pa\u00edses subdesenvolvidos (como \u00e9 o caso da Col\u00f4mbia), expulsar comunidades de seus territ\u00f3rios, destruir o tecido social, roubar suas terras com artimanhas e, em muitos casos, a forma\u00e7\u00e3o de grupos paramilitares para poder cumprir suas tarefas e dominar regi\u00f5es inteiras, sem parar at\u00e9 provocar a expuls\u00e3o e o assassinato de camponeses nativos, como aconteceu em Ca\u00f1o Jab\u00f3n, Puerto Elvira, Mapirip\u00e1n, Puerto Gait\u00e1n, Meta, Magdalena Medio e muitas outras regi\u00f5es (casos devidamente documentados); tudo isso, sem deixar lucro para o pa\u00eds e suas regi\u00f5es, mas tamb\u00e9m poluindo (irreversivelmente e irracionalmente) a natureza como um todo.<\/p>\n<p>Em muitos dos territ\u00f3rios onde estivemos, n\u00e3o proibimos os cultivos para uso il\u00edcito, pois consideramos que esse fen\u00f4meno que atinge o pa\u00eds n\u00e3o se resolve com a proibi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o com a erradica\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, com a fumiga\u00e7\u00e3o com glifosato ou outros agentes qu\u00edmicos (que s\u00f3 causam danos e degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente), mas com mudan\u00e7as estruturais que oferecem possibilidades reais para as comunidades. Muitos dir\u00e3o que n\u00e3o proibimos as lavouras de uso il\u00edcito nos territ\u00f3rios porque serviam de forma de financiamento, mas devo esclarecer que nos financiamos com o que se produzia no territ\u00f3rio onde est\u00e1vamos, fosse milho, banana, gado ou outras culturas que faziam parte da economia da regi\u00e3o. Nossas propostas e nosso ponto de vista para resolver este problema est\u00e3o registrados nos pontos 1 e 4 da agenda de Havana e em v\u00e1rias das exce\u00e7\u00f5es que propomos como organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira nas negocia\u00e7\u00f5es de paz (3).<\/p>\n<p>Com a pol\u00edtica de erradica\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a, os direitos dos camponeses s\u00e3o violados, e o meio ambiente \u00e9 destru\u00eddo. \u00c9 por isso que nunca concordamos com isso e pensamos que as comunidades camponesas, que sofreram o abandono hist\u00f3rico do Estado, devessem ter outras oportunidades de vida. S\u00e3o comunidades que n\u00e3o t\u00eam como plantar outros produtos, porque se os cultivam ningu\u00e9m compra, n\u00e3o t\u00eam vias de transporte ou ningu\u00e9m vai aos seus territ\u00f3rios para comprar os seus produtos (como fazem para comprar um quilo de folha de coca).<\/p>\n<p>Entendemos que a discuss\u00e3o sobre os cultivos il\u00edcitos n\u00e3o deva se concentrar no produtor da folha de coca (para quem esse produto s\u00f3 produz mis\u00e9ria e, ali\u00e1s, \u00e9 o elo menor da cadeia do narcotr\u00e1fico), mas sim nos verdadeiros traficantes de drogas. Deve-se tamb\u00e9m buscar para onde vai o dinheiro do narcotr\u00e1fico, na procura de quem enriquece com tudo isso, para acabar com a demanda e oferecer outras possibilidades de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o aos camponeses e camponesas para que possam substituir gradativamente esses cultivos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 como foi feito historicamente, e como aconteceu nos \u00faltimos meses no bairro Tercer Milenio de Vista Hermosa, Meta: \u201cSeis camponeses foram feridos em confrontos com a for\u00e7a p\u00fablica no bairro Tercer Milenio de Vista Hermosa (Meta) em consequ\u00eancia de opera\u00e7\u00f5es para erradicar planta\u00e7\u00f5es para uso il\u00edcito (El Tiempo, 5 de junho de 2020)\u201d. E em Guaviare, onde os camponeses foram historicamente massacrados: \u201cUm confronto entre camponeses e erradicadores de coca ocorreu neste fim de semana no departamento de Guaviare. No evento, um campon\u00eas foi ferido por um proj\u00e9til de arma de fogo na perna\u201d (El Tiempo, 26 de maio de 2020).<\/p>\n<p>H\u00e1 algo que devo mencionar e que nossos dirigentes reconheceram: em muitas unidades das FARC-EP as consequ\u00eancias que as a\u00e7\u00f5es militares iam produzir no meio ambiente n\u00e3o foram bem calculadas. Por exemplo, quando dutos de \u00f3leo foram dinamitados, entre outras a\u00e7\u00f5es que contradiziam nossa pol\u00edtica ambiental.<\/p>\n<p>Mas devo dizer tamb\u00e9m que na organiza\u00e7\u00e3o o cuidado e a prote\u00e7\u00e3o da natureza eram uma orienta\u00e7\u00e3o geral. Fomos at\u00e9 informados de quantas folhas poderiam ser cortadas por pessoa para uma caleta (4), quantas \u00e1rvores poderiam ser derrubadas (e elas tinham que ser \u00e1rvores secas na maioria dos casos). Nem as vinhas, palmeiras ou \u00e1rvores altas podem ser cortadas. Quando estritamente necess\u00e1rio, apenas as pequenas \u00e1rvores eram derrubadas. Era proibido jogar lixo nos rios, sempre t\u00ednhamos que fazer buracos para o lixo e, quando sa\u00edamos dos acampamentos, eles tinham que estar completamente limpos, sem deixar vest\u00edgios de lixo.<\/p>\n<p>Tudo isso para conservar a natureza e n\u00e3o fazer tanta trilha (5) que serviria de informa\u00e7\u00e3o \u00e0 intelig\u00eancia inimiga. Por outro lado, o Estado parecia ter declarado guerra ao meio ambiente, como se fosse um dos atores que se propunha derrotar: com o plano do Escudo, no per\u00edodo de 2003 a 2008, foi realizada uma fumiga\u00e7\u00e3o a\u00e9rea que atingiu 26.045 hectares.<\/p>\n<p>De acordo com um Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o de Verifica\u00e7\u00e3o de Fumiga\u00e7\u00e3o do Departamento de Arauca recolhido pelo Centro de Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica, \u201ca maior parte das \u00e1reas fumigadas n\u00e3o tinha planta\u00e7\u00e3o de coca, (&#8230;) outro fen\u00f4meno constatado \u00e9 aquele onde existiam lavouras de uso il\u00edcito que eram fumigadas, afetando principalmente as lavouras de alimentos sem afetar diretamente o cultivo da coca&#8221; (Publicado em \u00a1Pacifista!, Em 7 de junho de 2019).<\/p>\n<p>A Aeron\u00e1utica realizou bombardeios indiscriminados que causaram a demoli\u00e7\u00e3o de hectares inteiros de montanhas, destruindo tudo em seu caminho, por exemplo, quando ca\u00e7as descarregaram at\u00e9 sete toneladas de explosivos dentro dos parques em um \u00fanico bombardeio (como o mesmo Ex\u00e9rcito reconheceu publicamente em v\u00e1rias declara\u00e7\u00f5es) (6). Em La Serran\u00eda de La Macarena houve uma temporada em que bombardeavam quase todos os dias sem nenhum objetivo espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, quando os guerrilheiros monitoravam as comunica\u00e7\u00f5es da avia\u00e7\u00e3o, percebemos que estavam fazendo um pol\u00edgono dentro do parque. Eles tamb\u00e9m bombardearam lugares onde nunca t\u00ednhamos estado, onde havia rebanhos de porcos do mato ou su\u00ednos; talvez porque quando detectaram o calor dos animais pensaram que eram campos de guerrilha.<\/p>\n<p>Os guerrilheiros (apesar de terem cometido alguns erros que n\u00e3o podem ser ignorados, no sentido de n\u00e3o medir as consequ\u00eancias de algumas de suas a\u00e7\u00f5es militares contra o meio ambiente) preservaram por muitos anos grandes \u00e1reas de selva do pa\u00eds, como os munic\u00edpios de Uribe, Mesetas, Lejan\u00edas, San Juan de Arama, Vista Hermosa, El Castillo, La Macarena, El Dorado, San Vicente, El Retorno e Concordia, apenas para citar alguns munic\u00edpios do sul do pa\u00eds. Tamb\u00e9m ajudaram, junto com as comunidades camponesas, a cuidar e preservar muitos parques naturais nacionais, como o parque Tinigua, a cordilheira Chiribiquete, a cordilheira dos Picachos e a cordilheira La Macarena. Isso pode ser verificado com os camponeses e camponesas das respectivas zonas e com os relat\u00f3rios de alguns institutos reconhecidos, que mencionamos anteriormente.<\/p>\n<p>As FARC e os camponeses cuidaram desses territ\u00f3rios, n\u00e3o s\u00f3 estabelecendo normas para controlar o desmatamento, a degrada\u00e7\u00e3o florestal e evitar a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies da flora e da fauna, mas tamb\u00e9m evitando a entrada de multinacionais mineradoras e petrol\u00edferas, al\u00e9m de grandes latifundi\u00e1rios e especuladores da terra.<\/p>\n<p>Deve-se notar que &#8220;uma boa porcentagem das \u00e1reas protegidas pelo Sistema de Parques se sobrep\u00f5e a territ\u00f3rios de povos ind\u00edgenas, comunidades afrodescendentes, camponeses e povos origin\u00e1rios, que foram os guardi\u00f5es da biodiversidade por muitos anos&#8221; (Washington Office for Latin American Affairs -WOLA-, 2008).<\/p>\n<p>Para concluir, quero chamar a aten\u00e7\u00e3o para os seguintes aspectos:<\/p>\n<p>1. Para erradicar as planta\u00e7\u00f5es il\u00edcitas, devem ser atacadas as causas e n\u00e3o as consequ\u00eancias. A expans\u00e3o dessas lavouras est\u00e1 ligada a todos os problemas do meio rural (posse da terra, viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, abandono do Estado, viol\u00eancia generalizada, estigmatiza\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas econ\u00f4micas, entre outros). Portanto, para que haja solu\u00e7\u00f5es verdadeiras, as causas estruturais devem ser revistas e, em consequ\u00eancia, devem ser adotadas solu\u00e7\u00f5es que sejam abrangentes, sistem\u00e1ticas e sustent\u00e1veis, que tenham em conta o ambiente, as comunidades, a sua cultura e as suas necessidades econ\u00f4micas e sociais. E, claro, com as quais concordem as comunidades e organiza\u00e7\u00f5es sociais, camponesas e ambientais que h\u00e1 muitos anos cuidam desses territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>2. Deve haver uma verdadeira pol\u00edtica de conserva\u00e7\u00e3o ambiental para parques nacionais naturais e outros ecossistemas fr\u00e1geis. Uma pol\u00edtica coerente, porque atualmente, enquanto atacam os camponeses por supostos danos ambientais, ao mesmo tempo, est\u00e3o dando concess\u00f5es a mineradoras e petroleiras.<\/p>\n<p>Como sempre aconteceu e como ocorreu no ano de 2016. Por exemplo, quando a Autoridade Nacional de Licenciamento Ambiental (ANLA) concedeu licen\u00e7a ambiental \u00e0 empresa HUPECOL OPERANTE para a explora\u00e7\u00e3o e aproveitamento de 150 po\u00e7os de petr\u00f3leo no projeto denominado \u201c\u00c1rea de Interesse de Perfura\u00e7\u00e3o Explorat\u00f3ria Serrana\u201d, projeto localizado na jurisdi\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios de La Macarena e La Uribe, no departamento de Meta, e San Vicente del Cagu\u00e1n, em Caquet\u00e1. Essa licen\u00e7a ambiental foi concedida por meio da resolu\u00e7\u00e3o 0286 de 18 de mar\u00e7o de 2016.<\/p>\n<p>Trago esse caso para deixar claro o que realmente aconteceu nesses territ\u00f3rios. Muitas pessoas n\u00e3o sabem que esta licen\u00e7a ambiental concedida \u00e0 Hupecol foi suspensa porque as comunidades de Cormacarena (7) prepararam um Plano Integral de Gest\u00e3o Ambiental (PIMA) para o s\u00edtio Ca\u00f1o Perdido, onde a empresa benefici\u00e1ria pretendia desenvolver o projeto petrol\u00edfero. O PIMA foi assinado em 30 de dezembro de 2015 pela Cormacarena e o respectivo documento publicado no Di\u00e1rio Oficial da Companhia desde 5 de abril de 2016. Portanto, a ANLA teve que suspender a referida licen\u00e7a ambiental. E isso n\u00e3o aconteceu apenas no departamento de Meta. Aconteceu em Putumayo, no Norte de Santander, Guaviare, Cauca, Caquet\u00e1, Nari\u00f1o &#8230; aconteceu em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Enquanto as comunidades organizadas em associa\u00e7\u00f5es camponesas, associa\u00e7\u00f5es ambientais, mulheres, c\u00e2maras municipais, conselhos comunit\u00e1rios e uma mir\u00edade de formas de organiza\u00e7\u00e3o existentes no campo conservam, administram, defendem a terra e o territ\u00f3rio, ao mesmo tempo t\u00eam de enfrentar alguns camponeses que n\u00e3o cumprem as normas estabelecidas pela comunidade, mas tamb\u00e9m pelos propriet\u00e1rios que os espoliam e assassinam. At\u00e9 o pr\u00f3prio Estado, que s\u00f3 est\u00e1 presente por meio de suas for\u00e7as militares e policiais, perseguindo-os em suas opera\u00e7\u00f5es de exterm\u00ednio, violando seus direitos, capturando-os e, em muitos casos, assassinando-os.<\/p>\n<p>Diante de tudo isso, a resposta do Estado \u00e9 culpar o narcotr\u00e1fico, os dissidentes, as gangues, a m\u00e1fia, a guerrilha &#8230; a todos. Em vez de reconhecer que enfrentamos um governo comandado pelas elites, incapaz de resolver as causas dos problemas pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sociais e culturais do pa\u00eds. Um Estado que governa para si mesmo, um sistema econ\u00f4mico extrativista que causa formas de superexplora\u00e7\u00e3o das pessoas e da natureza.<\/p>\n<p>Notas:<br \/>\n(1) Algumas destas \u00e1rvores t\u00eam sido nomeadas criativamente pela comunidade: cabo de hacha, macacos deslizantes, leite de cabra, marfim, sangu\u00edneo, cedro caoa, balanta, lagunero, ceiba tolua, cachicamo, caimo, achapo cedro, carrecillo, flor roxa, cuyub\u00ed, defumado, granadillo, caracol, cedro macho, entre outros.<\/p>\n<p>(2) Retirado de: Rico, G. (2018, 18 de maio). A selva na Col\u00f4mbia depois do conflito com as FARC. Mongabay Latam.<\/p>\n<p>(3) As exce\u00e7\u00f5es recolhem opini\u00f5es e propostas de organiza\u00e7\u00f5es sociais, camponesas e c\u00edvicas, entre outras. S\u00e3o pontos e propostas que o Governo n\u00e3o quis abordar nas discuss\u00f5es da mesa de Havana, Cuba.<\/p>\n<p>(4) Caleta \u00e9 onde algo est\u00e1 escondido ou guardado. \u00c9 por isso que a cama dos guerrilheiros tamb\u00e9m era chamada de caleta; eram feitas de folhas de palmeira, paus, guaduas, madeira ou outros materiais.<\/p>\n<p>(5) Trilha \u00e9 o que se abre ao passar por um lugar; podem ser pegadas, lixo, cortes de vegeta\u00e7\u00e3o ou qualquer outra coisa que avise da presen\u00e7a de algu\u00e9m ali.<\/p>\n<p>(6) Fonte: https:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/judicial\/siete-toneladas-de-explosivos-se-usaron-para-dar-de-baja-al-mono-jojoy\/<\/p>\n<p>(7) Corpora\u00e7\u00e3o que administra e gerencia os recursos naturais renov\u00e1veis e o meio ambiente no Departamento de Meta.<\/p>\n<p>Dezembro de 2020<\/p>\n<p>(*) Ex-guerrilheira das Farc-ep, firmante do Acordo de Paz. Foi combatente por quase duas d\u00e9cadas. \u00c9 feminista e ambientalista, e em janeiro de 2021 inicia estudos no curso de Geografia da Universidade del Valle.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro &#8211; PCB<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.pacocol.org\/index.php\/noticias\/nacional\/13792-una-historia-poco-conocida-las-farc-ep-y-su-defensa-del-medio-ambiente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26618\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[234],"class_list":["post-26618","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Vk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26618\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}