{"id":26660,"date":"2021-01-05T23:10:39","date_gmt":"2021-01-06T02:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26660"},"modified":"2021-01-05T23:10:39","modified_gmt":"2021-01-06T02:10:39","slug":"concentracao-de-riqueza-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26660","title":{"rendered":"Concentra\u00e7\u00e3o de riqueza na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>Diego Lopes<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.acritica.net\/upload\/dn_noticia\/2016\/03\/pobrezahorr1.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Marxistas Brasil<\/p>\n<p>Desde tempos imemoriais, a riqueza concentrada nas m\u00e3os de poucos tem sido uma situa\u00e7\u00e3o popularmente desprezada e, como sabemos, existem v\u00e1rias passagens b\u00edblicas, do Alcor\u00e3o e do Budismo nas quais o dinheiro ou a riqueza acumulada s\u00e3o referidos como uma dificuldade em alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A obra de Adam Smith intitulada Investiga\u00e7\u00e3o sobre a natureza e as causas da riqueza das na\u00e7\u00f5es (1776) \u00e9 considerada a primeira a tratar da economia do capitalismo e a inaugurar, assim, a teoria econ\u00f4mica, como um ramo especializado da ci\u00eancia social.<\/p>\n<p>Smith come\u00e7ou a investigar como ocorre a acumula\u00e7\u00e3o da riqueza de uma sociedade, mas n\u00e3o abordou o contraste entre ricos e pobres. Por\u00e9m, ele conseguiu entender que os lucros do capitalista v\u00eam do trabalho do trabalhador, embora considerasse esse fato uma lei natural do sistema.<\/p>\n<p>Foi Karl Marx (1818-1883) que explicou a inconsist\u00eancia te\u00f3rica de Smith e em sua obra Capital (1867) descobriu que, de fato, seguindo Smith, os lucros do capitalista v\u00eam do trabalho do trabalhador, mas o que Smith ele n\u00e3o investigou, Marx o descobriu, pois opera um mecanismo que ele chamou de &#8220;mais-valia&#8221;. Em outras palavras, o valor criado pelos trabalhadores no processo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 superior ao valor de sua for\u00e7a de trabalho e que o capitalista livremente se apropria para manter a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Outro fator relevante \u00e9 a divis\u00e3o social do trabalho, que divide as pessoas entre quem s\u00f3 tem a for\u00e7a bruta para oferecer e quem pode vender seu conhecimento; por outro lado, ele explicou os fatores de produ\u00e7\u00e3o: terra, trabalho e capital,<\/p>\n<p>O problema est\u00e1 na tend\u00eancia inevit\u00e1vel que a acumula\u00e7\u00e3o de capital adquire \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o em poucas m\u00e3os e na preponder\u00e2ncia dada aos propriet\u00e1rios do capital sobre os trabalhadores. Essa tend\u00eancia tem origem na disputa que o agente econ\u00f4mico mant\u00e9m com os demais agentes para obter uma taxa de lucro superior \u00e0 m\u00e9dia de seu mercado, de seu setor e da sociedade; o conflito originou-se, por sua vez, da necessidade de derrubar outros que participam do mercado para evitar a fome de seus neg\u00f3cios. Mas esse esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o para atingir uma taxa superior \u00e0 taxa m\u00e9dia de lucro e, assim, ser capaz de derrubar ou dominar seus oponentes, torna seu trabalho e esfor\u00e7o um instrumento de corrup\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios origin\u00e1rios do mercado.<\/p>\n<p>De acordo com essa hip\u00f3tese, haveria dois momentos nesse intrincado processo: O primeiro, pelo qual o capital \u00e9 acumulado para alcan\u00e7ar uma posi\u00e7\u00e3o de hegemonia no mercado que garanta certo dom\u00ednio da concorr\u00eancia para evitar a fome ou a fal\u00eancia do seu neg\u00f3cio. A segunda, quando a necessidade de garantir esse dom\u00ednio se torna uma necessidade de acumular riqueza. Nesse segundo momento, o capital, que a princ\u00edpio era um mero meio de produ\u00e7\u00e3o (e trabalho para quem n\u00e3o o possu\u00eda), se transmuta em meio de criar riqueza para quem o possui.<\/p>\n<p>Como esta situa\u00e7\u00e3o se \u201cnormaliza\u201d na sociedade, conforme se consolida o setor social dono dos meios de produ\u00e7\u00e3o, o primeiro momento \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para o surgimento de mercados an\u00f4malos, dirigidos por poucas empresas; mercados que permitem lucros maiores do que deveriam existir sem eles. Desse modo, a \u201ctaxa m\u00e9dia de lucro\u201d daquela sociedade sobe acima da \u201ctaxa natural\u201d exigida para o funcionamento \u00f3timo do mercado, gerando com esse movimento um desequil\u00edbrio sist\u00eamico que leva ao uso desnecess\u00e1rio de recursos e remunera\u00e7\u00e3o indevida.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as atuais entre pa\u00edses e sociedades s\u00e3o assustadoras, embora os principais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina j\u00e1 tenham comemorado o segundo s\u00e9culo de sua independ\u00eancia nacional, processo de moderniza\u00e7\u00e3o provocado pela expans\u00e3o econ\u00f4mica e social derivada da domina\u00e7\u00e3o colonial, exercida principalmente pela Espanha. , Portugal, Inglaterra, Holanda e Fran\u00e7a, n\u00e3o geraram uma distribui\u00e7\u00e3o justa de poder, renda e riqueza. Ao contr\u00e1rio, a forte concentra\u00e7\u00e3o de renda e poder foi um dos pilares da r\u00e1pida expans\u00e3o da riqueza, que se desenvolveu desprovida de mecanismos de justi\u00e7a redistributiva como os dos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Causas de concentra\u00e7\u00e3o e desigualdade na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>&#8211; Inser\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias na economia mundial da \u00e9poca. De in\u00edcio, refira-se a disponibilidade das monarquias de Portugal e Espanha para disputar, entre os s\u00e9culos XV e XVIII, as posi\u00e7\u00f5es superiores no sistema economico em desenvolvimento da \u00e9poca. Por outras palavras, a economia-mundo do Atl\u00e2ntico ib\u00e9rico tinha em Espanha uma orienta\u00e7\u00e3o para a expans\u00e3o em forma de imp\u00e9rio universal, enquanto Portugal caminhava para a conquista do mercado internacional. Desta forma, o processo de coloniza\u00e7\u00e3o, tanto na Am\u00e9rica Espanhola como na Am\u00e9rica portuguesa, caracterizou-se fundamentalmente pela explora\u00e7\u00e3o das riquezas associada ao exclusivismo metropolitano, que privilegiou a monocultura de produtos prim\u00e1rios de exporta\u00e7\u00e3o (agricultura, pecu\u00e1ria e a atividade. extra\u00e7\u00e3o de minerais e vegetais) para as metr\u00f3poles. O descompromisso das metr\u00f3poles com o desenvolvimento das col\u00f4nias latino-americanas favoreceu de imediato o enriquecimento de pequenos setores da popula\u00e7\u00e3o local, geralmente ligados \u00e0s atividades de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o (exporta\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o de mercadorias e tr\u00e1fico de escravos). O resto da popula\u00e7\u00e3o colonial em forma\u00e7\u00e3o permaneceu completamente alheia \u00e0 gera\u00e7\u00e3o do excedente econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>&#8211; Constitui\u00e7\u00e3o do sistema agr\u00e1rio. Os colonizadores portugueses e espanh\u00f3is imediatamente tentaram conceber a ideia de que os &#8220;\u00edndios&#8221; ocupavam muito mal a terra, reivindicando e assumindo para si, por isso, o direito de propriedade e a fun\u00e7\u00e3o de dizimar a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, que , na \u00e9poca, eram 100 milh\u00f5es de indiv\u00edduos. A situa\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico, em particular, \u00e9 not\u00e1vel pela rapidez com que a popula\u00e7\u00e3o amer\u00edndia foi reduzida, de 25,2 milh\u00f5es em 1518 para apenas 2,6 milh\u00f5es em 1568. Um verdadeiro genoc\u00eddio. A l\u00f3gica era: menos pessoas, mais territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>A estrutura agr\u00e1ria criada na Am\u00e9rica espanhola e portuguesa foi a de grandes propriedades, que tendiam \u00e0 explora\u00e7\u00e3o extensiva de produtos prim\u00e1rios para exporta\u00e7\u00e3o. Desse modo, a tradicional organiza\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria da Am\u00e9rica pr\u00e9-colombiana \u2013de propriedade coletiva e uso comum da terra\u2013 foi rapidamente substitu\u00edda pelo regime de propriedade privada.<\/p>\n<p>Isso levou ao surgimento de um estrato de aristocratas na Terra. A aristocracia agr\u00e1ria na Am\u00e9rica Latina foi dividida em tr\u00eas sistemas diferentes de ocupa\u00e7\u00e3o da terra e distribui\u00e7\u00e3o da propriedade agr\u00e1ria. Por um lado, a hacienda, que se desenvolveu nas \u00e1reas serranas com grandes propriedades e a explora\u00e7\u00e3o do trabalho por meio da servid\u00e3o por d\u00edvidas, situa\u00e7\u00e3o muitas vezes verificada nos Andes e no M\u00e9xico. Por outro lado, as planta\u00e7\u00f5es, que tamb\u00e9m se voltaram para a produ\u00e7\u00e3o em larga escala de produtos prim\u00e1rios voltados para o mercado externo, com o uso de m\u00e3o de obra escrava, como no Brasil e na Costa Rica. Por fim, a agricultura, nem sempre baseada na utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra for\u00e7ada, mas tamb\u00e9m, por vezes, de m\u00e3o-de-obra gratuita, na forma de parceria, assentamento ou coloniza\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>&#8211; Divis\u00e3o de trabalho em grandes propriedades. Em geral, durante a coloniza\u00e7\u00e3o, prevaleceu o uso recorrente de trabalho for\u00e7ado por \u00edndios e negros para apoiar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a explora\u00e7\u00e3o em larga escala de minas para comercializa\u00e7\u00e3o estrangeira. Entre os s\u00e9culos 16 e 19, cerca de 14,6 milh\u00f5es de escravos foram introduzidos em todo o continente americano, o que permitiu o enriquecimento dos mercadores do com\u00e9rcio externo e interno de escravos. Al\u00e9m da degrada\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana e da desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho imposta pelo regime escravista, isso atrasou a constitui\u00e7\u00e3o dos mercados de trabalho, que por sua vez formou uma massa de empobrecidos na Am\u00e9rica Latina. A pauperiza\u00e7\u00e3o atingiu n\u00e3o s\u00f3 os segmentos sociais submetidos ao trabalho for\u00e7ado, mas tamb\u00e9m os chamados agregados sociais, formada por homens livres desprovidos de capital. Por isso, a luta pela independ\u00eancia nacional, ao longo do s\u00e9culo XIX, nem sempre foi acompanhada pela supera\u00e7\u00e3o das diferentes formas de trabalho for\u00e7ado. Mesmo nos pa\u00edses nascentes da Am\u00e9rica Latina &#8211; que acabaram imediatamente com a escravid\u00e3o &#8211; prevaleceram v\u00e1rias formas de explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Em grande parte como resultado do prolongamento de um padr\u00e3o ultrapassado de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o dos ricos, caracterizado pela inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica subordinada \u00e0 monocultura e extra\u00e7\u00e3o de bens prim\u00e1rios e \u00e0 estrutura agr\u00e1ria concentrada na grande propriedade. nem sempre foi acompanhada pela supera\u00e7\u00e3o das diferentes formas de trabalho for\u00e7ado. Mesmo nos pa\u00edses nascentes da Am\u00e9rica Latina &#8211; que acabaram imediatamente com a escravid\u00e3o &#8211; prevaleceram v\u00e1rias formas de explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Em grande parte como resultado do prolongamento de um padr\u00e3o ultrapassado de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o dos ricos, caracterizado pela inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica subordinada \u00e0 monocultura e extra\u00e7\u00e3o de bens prim\u00e1rios e \u00e0 estrutura agr\u00e1ria concentrada na grande propriedade. nem sempre foi acompanhada pela supera\u00e7\u00e3o das diferentes formas de trabalho for\u00e7ado. Mesmo nos pa\u00edses nascentes da Am\u00e9rica Latina &#8211; que acabaram imediatamente com a escravid\u00e3o &#8211; prevaleceram v\u00e1rias formas de explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Em grande parte como resultado do prolongamento de um padr\u00e3o ultrapassado de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o dos ricos, caracterizado pela inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica subordinada \u00e0 monocultura e extra\u00e7\u00e3o de bens prim\u00e1rios e \u00e0 estrutura agr\u00e1ria concentrada na grande propriedade.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo nos pa\u00edses emergentes da Am\u00e9rica Latina &#8211; que acabaram imediatamente com a escravid\u00e3o &#8211; prevaleceram v\u00e1rias formas de explora\u00e7\u00e3o do trabalho.&#8221;<\/p>\n<p>Embora a industrializa\u00e7\u00e3o completa tenha sido escassa em todos os pa\u00edses da regi\u00e3o, houve avan\u00e7os \u2013especialmente a partir da primeira metade do s\u00e9culo XX\u2013 nas atividades urbanas, capazes de permitir o surgimento de uma nova gera\u00e7\u00e3o de ricos industriais. Sua conforma\u00e7\u00e3o, por sua vez, refletia-se \u00e0 parte da popula\u00e7\u00e3o como um todo, pois muitas vezes era fruto do maior saque da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora urbana. De certa forma, o processo produtivo associado \u00e0 manufatura gerou uma classe trabalhadora que acabou convivendo com uma massa humana marginalizada das pol\u00edticas p\u00fablicas e sujeita \u00e0 competi\u00e7\u00e3o dentro de um mercado que funcionava com um enorme excedente de m\u00e3o de obra ao mesmo tempo. ao longo do s\u00e9culo 20, mesmo nos pa\u00edses com maior grau de industrializa\u00e7\u00e3o (Argentina, Brasil, Chile, M\u00e9xico e Venezuela). Praticamente, em todos os pa\u00edses latino-americanos que avan\u00e7aram, em alguma medida, na industrializa\u00e7\u00e3o, houve um amplo processo de urbaniza\u00e7\u00e3o da velha pobreza, que se localizava no campo, sem melhora consider\u00e1vel na redistribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>\u201cDe certa forma, o processo produtivo associado \u00e0 manufatura gerou uma classe trabalhadora que acabou convivendo com uma massa humana marginalizada das pol\u00edticas p\u00fablicas e sujeita \u00e0 competi\u00e7\u00e3o dentro de um mercado que funcionava com um enorme excedente de m\u00e3o de obra no ao longo do s\u00e9culo 20, mesmo nos pa\u00edses com maior grau de industrializa\u00e7\u00e3o (Argentina, Brasil, Chile, M\u00e9xico e Venezuela) \u201d.<\/p>\n<p>A partir do \u00faltimo quartel do s\u00e9culo XX, as op\u00e7\u00f5es de avan\u00e7o urbano-industrial foram severamente limitadas pelo surgimento de uma nova maioria pol\u00edtica, mais favor\u00e1vel \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es neoliberais de estabiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e abertura comercial e financeira do que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 expans\u00e3o produtiva. via mercado interno. Assim, com o enfraquecimento das atividades manufatureiras e a r\u00e1pida convers\u00e3o dos pa\u00edses latino-americanos em produtores e exportadores de bens prim\u00e1rios, come\u00e7ou a ganhar import\u00e2ncia um seleto grupo social ligado \u00e0 especula\u00e7\u00e3o financeira, geralmente sustentado pelo endividamento do setor p\u00fablico. Mesmo com a estabiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, acompanhada de abertura comercial e financeira, bem como da modifica\u00e7\u00e3o do papel do Estado,<\/p>\n<p>&#8211; Financeiriza\u00e7\u00e3o da riqueza. Os novos ricos da financeiriza\u00e7\u00e3o aliam-se aos grandes latifundi\u00e1rios ligados ao agroneg\u00f3cio e \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios e vegetais, aos grandes propriet\u00e1rios das atividades urbanas (comunica\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os) e aos grandes financistas. Da mesma forma, o avan\u00e7o da privatiza\u00e7\u00e3o do setor produtivo estatal (telecomunica\u00e7\u00f5es, siderurgia, bancos e avia\u00e7\u00e3o, entre outros) e de bens e servi\u00e7os p\u00fablicos (como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e \u00e1gua) foi acompanhado pela maior concentra\u00e7\u00e3o &#8211; freq\u00fcentemente monopolizado &#8211; de renda, riqueza e poder no setor privado, nem sempre nacional.<\/p>\n<p>Diante da relativa estagna\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina desde o \u00faltimo quartel do s\u00e9culo XX, percebe-se o esgotamento dos mecanismos de mobilidade social. Mesmo os filhos de fam\u00edlias de classe m\u00e9dia foram vitimados pelas d\u00e9cadas perdidas. O baixo crescimento econ\u00f4mico com alto desemprego e a expans\u00e3o de empregos prec\u00e1rios impediram o surgimento de oportunidades e perspectivas superiores de trajet\u00f3ria de vida para a popula\u00e7\u00e3o e, muitas vezes, incentivou a emigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 os ricos t\u00eam se beneficiado dos mecanismos de mobiliza\u00e7\u00e3o de maiores riquezas, principalmente gra\u00e7as \u00e0 especula\u00e7\u00e3o financeira, possibilitada nos \u00faltimos tempos pelas pol\u00edticas neoliberais. Observa-se que de aproximadamente 150 milh\u00f5es de fam\u00edlias latino-americanas, apenas 10% absorvem quase 47% do fluxo anual de renda, representado pelo Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>\n<p>A riqueza da Am\u00e9rica Latina foi constru\u00edda a partir da viol\u00eancia colonial, depois acumulada por uma privilegiada classe crioula, que, embora diminu\u00edsse e erradicasse a escravid\u00e3o formal, se acostumou a gerar e construir fortunas a partir do abuso, da explora\u00e7\u00e3o e do empobrecimento das massas. popular. Essa superestrutura de abuso corrompeu todos os pilares dos Estados modernos e os reais fatores de poder. Pobreza \u00e9 viol\u00eancia, n\u00e3o tanto por seu significado moral e \u00e9tico, mas por sua origem, forma e maneira como os ricos usaram de abusos permanentes para consolidar seus privil\u00e9gios e poder.<\/p>\n<p>https:\/\/www.marxistasbrasil.com.br\/2020\/12\/a-origem-da-concentracao-de-riqueza-na.html?fbclid=IwAR0aBJXAvXOXntoiW6fi5lI3XKuue5mu8BB6B29KIl37iThXbYEqsPFfQk0&#038;m=1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Diego Lopes\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26660\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[223],"class_list":["post-26660","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6W0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26660\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}