{"id":26694,"date":"2021-01-11T22:32:20","date_gmt":"2021-01-12T01:32:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26694"},"modified":"2021-01-11T22:32:20","modified_gmt":"2021-01-12T01:32:20","slug":"joe-biden-o-senhor-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26694","title":{"rendered":"Joe Biden, o Senhor da Guerra"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistaintertelas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Joe-Biden-as-Uncle-Sam-by-way-of-The-Terminator-1.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Cr\u00e9dito: Alex Ross\/https:\/\/www.cbr.com\/<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Galindo da Costa<\/p>\n<p>Di\u00e1logos do Sul<\/p>\n<p>Joe Biden publicou um artigo em uma das revistas mais populares sobre assuntos militares nos EUA, a Foreign Affairs. O nome do texto \u00e9 Why America Must Lead Again Rescuing U.S. Foreign Policy After Trump (Por que a Am\u00e9rica deve liderar novamente. Resgatando a pol\u00edtica externa dos EUA ap\u00f3s Trump). O conte\u00fado do texto serviu como base para as pol\u00edticas externas aprovadas em agosto de 2020 pelo Partido Democrata para a campanha eleitoral de Biden, o que permite extrair um conjunto de elementos que deve pautar as a\u00e7\u00f5es dos EUA no mundo para os pr\u00f3ximos quatro anos.<\/p>\n<p>Cr\u00edticas a Trump<\/p>\n<p>Em seu artigo, Joe Biden deixa claro que ir\u00e1 romper com a doutrina de pol\u00edtica externa praticada por Donald Trump. O novo presidente considera que Trump teria afastado-se de aliados hist\u00f3ricos dos EUA e, com isso, enfraquecido a lideran\u00e7a dos EUA no mundo. Biden garante que na sua presid\u00eancia ir\u00e1 renovar tais alian\u00e7as e fazer com que os EUA tornem-se novamente o grande l\u00edder mundial.<\/p>\n<p>OTAN<\/p>\n<p>Para Biden, a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN) \u00e9 parte intr\u00ednseca da seguran\u00e7a nacional dos EUA. Trump realizou cr\u00edticas constantes e amea\u00e7ou tirar os EUA e reduzir investimentos na OTAN. Joe Biden, por sua vez, anuncia que ir\u00e1 aumentar os investimentos na alian\u00e7a militar e criar est\u00edmulos para que os pa\u00edses europeus fa\u00e7am o mesmo. Os aumentos com despesas em defesa buscar\u00e3o refor\u00e7ar a condi\u00e7\u00e3o da OTAN de mais poderosa for\u00e7a militar do mundo, segundo o presidente eleito.<\/p>\n<p>C\u00fapula pela \u201cdemocracia\u201d<\/p>\n<p>Em seu artigo, ele tamb\u00e9m se compromete a realizar uma c\u00fapula global em defesa da democracia, durante seu primeiro ano de governo. O novo Presidente dos EUA afirma que s\u00f3 far\u00e3o parte desse evento as na\u00e7\u00f5es do \u201cmundo livre\u201d e as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que praticam a defesa da democracia.<\/p>\n<p>Segundo ele, esse evento servir\u00e1 como f\u00f3rum de decis\u00e3o coletiva sobre os regimes que representam uma \u201camea\u00e7a global\u201d. Sendo bastante tendencioso, ao tentar definir o que s\u00e3o na\u00e7\u00f5es do \u201cmundo livre\u201d e \u201camea\u00e7as globais\u201d, a inten\u00e7\u00e3o evidencia que far\u00e3o parte da c\u00fapula apenas pa\u00edses que possuem alinhamento hist\u00f3rico com os EUA: Reino Unido, Fran\u00e7a, Alemanha, Israel, Canad\u00e1, Jap\u00e3o, Col\u00f4mbia, Chile, etc.<\/p>\n<p>Como \u201camea\u00e7as globais\u201d devem ser enquadradas na\u00e7\u00f5es que se contrap\u00f5em \u00e0s investidas imperialistas dos EUA e que possuem projetos mais aut\u00f4nomos de desenvolvimento, como Cuba, Venezuela, Nicar\u00e1gua, China, S\u00edria, Ir\u00e3, I\u00eamen, Bielorr\u00fassia e R\u00fassia. Assim, como o governo de Barack Obama, os EUA devem promover revolu\u00e7\u00f5es coloridas, troca de regimes, golpes de Estado, guerras h\u00edbridas e at\u00e9 mesmo guerras quentes com invas\u00f5es e bombardeios nas na\u00e7\u00f5es que consideram amea\u00e7as globais.<\/p>\n<p>China e R\u00fassia<\/p>\n<p>Biden afirmou que o aumento da capacidade militar da OTAN objetiva conter \u201cviola\u00e7\u00f5es de normas internacionais\u201d e \u201cagress\u00f5es russas\u201d. Tamb\u00e9m prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de uma frente \u00fanica de na\u00e7\u00f5es com o prop\u00f3sito de conter poss\u00edveis viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos e \u201cofensivas chinesas\u201d. Isso faz crer na possibilidade de intensifica\u00e7\u00e3o da inger\u00eancia dos EUA em conflitos na periferia da R\u00fassia: Azerbaij\u00e3o, Arm\u00eania, Ucr\u00e2nia, Ge\u00f3rgia, Quirguist\u00e3o, Mold\u00e1via e Chech\u00eania. H\u00e1 tamb\u00e9m expectativa de acentua\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es militares no mar do Sul da China. Podem retomar a agenda de protestos em Hong Kong e promover a\u00e7\u00f5es que inviabilizem as novas rotas da seda.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7a mundial dos EUA<\/p>\n<p>Biden considerou a possibilidade de os EUA servir como um grande guia do mundo, algo que, segundo ele, aconteceu nos \u00faltimos 70 anos. Para o novo presidente, os EUA teria exercido lideran\u00e7a no estabelecimento de regras internacionais, algo que sempre se deu tanto em governos democratas, como em republicanos, mas que foi interrompido por Donald Trump. Joe Biden afirma que em seu governo a lideran\u00e7a mundial dos EUA ser\u00e1 revivida.<\/p>\n<p>O que esperar do governo Biden?<\/p>\n<p>A diretriz da pol\u00edtica externa de Biden contou com a participa\u00e7\u00e3o de mais de dois mil conselheiros militares e de pol\u00edtica externa. No total, 130 membros do Partido Republicano conhecidos em \u00e2mbito nacional declararam apoio a Biden. Dentre esses republicanos est\u00e1 John Negroponte, diretor de intelig\u00eancia nacional (2005-2007) e secret\u00e1rio de Estado adjunto (2007 \u2013 2009) no governo de George W. Bush. Negroponte exerceu um importante papel nas guerras contra Afeganist\u00e3o e Iraque, sendo o primeiro embaixador dos EUA no Iraque ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o da invas\u00e3o estadunidense em 2004.<\/p>\n<p>Essa alian\u00e7a entre membros do partido republicano, em sua maioria neocons, e democrata, em sua maioria imperialistas humanit\u00e1rios, no apoio a Biden e em oposi\u00e7\u00e3o a Trump evidencia as entranhas do estado profundo (deep state). As diverg\u00eancias entre republicanos e democratas que na pol\u00edtica interna est\u00e3o relacionadas a temas como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e igualdade racial e de g\u00eanero, n\u00e3o se manifestam na pol\u00edtica externa. Esses dois partidos parecem estar alinhados na pauta imperialista de expropria\u00e7\u00e3o estrangeira e, portanto, formam um \u00fanico partido, que \u00e9 o partido da guerra.<\/p>\n<p>Antecedentes de Biden<\/p>\n<p>Como presidente da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Senado, em tr\u00eas ocasi\u00f5es, entre 2001 e 2009, Joe Biden prestou importantes contribui\u00e7\u00f5es para as guerras do Afeganist\u00e3o e Iraque no governo de Georg W. Bush. Em 2001, Biden apoiou abertamente a invas\u00e3o proposta pelo Presidente George W. Bush ao Afeganist\u00e3o em 2001. Em 2002, foi o respons\u00e1vel pela resolu\u00e7\u00e3o do Senado que autorizou a invas\u00e3o de Bush ao Iraque sob a acusa\u00e7\u00e3o de Saddam Hussein manter armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. As provas apresentadas pelos EUA sobre as armas iraquianas resultaram falsas.<\/p>\n<p>Em 2007, Biden aprovou, no Senado, um plano que dividiu o Iraque em tr\u00eas regi\u00f5es aut\u00f4nomas por grupos \u00e9tnicos ou religiosos: curdos, xiitas e sunitas. O desmembramento do Iraque acirrou conflitos regionais internos, enfraquecendo a unidade e gerando um processo de balcaniza\u00e7\u00e3o. Como vice-presidente de Barack Obama (2009 \u2013 2016), Biden foi um fervoroso apoiador das guerras na L\u00edbia e S\u00edria e incitou um confronto com a R\u00fassia. As decis\u00f5es sobre guerras tomadas pelo governo democrata de Obama sempre tiveram amplo apoio dos congressistas republicanos.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>BIDEN, Robinette Joseph. Why America Must Lead Again. Rescuing U.S. Foreign Policy After Trump\u201d. Foreign Affairs, mar\u00e7o\/abril, 2020.<\/p>\n<p>BIDEN, Robinette Joseph. Biden Harris: a presidency for all americans. The power of America\u2019s example: the Biden plan for leading the democratic world to meet the challenges of the 21st century. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/joebiden.com\/americanleadership\/&gt; Acesso em: 21\/12\/2020.<\/p>\n<p>DINUCCI, Manlio. Voltaire Network. La politica estera di Joe Biden. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.voltairenet.org\/article211595.html&gt; Acesso em: 21\/12\/2020<\/p>\n<p>Fonte: Texto publicado originalmente no site Di\u00e1logos do Sul.<br \/>\nLink direto: https:\/\/dialogosdosul.operamundi.uol.com.br\/biden-para-a-america-latina\/67969\/senhor-da-guerra-em-artigo-joe-biden-define-politica-externa-para-proximos-4-anos<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Galindo da Costa<br \/>\nDoutor em Ci\u00eancias pelo Programa de Integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina PROLAM, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26694\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[234],"class_list":["post-26694","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Wy","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26694\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}