{"id":26719,"date":"2021-01-13T19:32:25","date_gmt":"2021-01-13T22:32:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26719"},"modified":"2021-01-19T22:06:44","modified_gmt":"2021-01-20T01:06:44","slug":"que-saiam-os-patroes-e-fique-o-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26719","title":{"rendered":"Que saiam os patr\u00f5es e fique o trabalho!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3f4Ivgd1Avz81d9SghpBRNXkG5mo6mQtKZbYPyBS5PMDi_1alhdCmJO36lBM8Gxvv-C29jUyRPSL-vmYv228jjawGqMNDRLGnyVGAlxD3shtXGumeVMG00aqDRdVEYllrbUFKEks7gGpG3o9dVgQdAK=w1000-h548-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Nota pol\u00edtica do Partido Comunista Brasileiro &#8211; Bahia, sobre o fechamento da Ford<\/p>\n<p>Na \u00faltima segunda-feira (11) fomos surpreendidos com a not\u00edcia do encerramento das atividades da Ford em Cama\u00e7ari (Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador). Sabemos que a pol\u00edtica neoliberal de desmonte das ind\u00fastrias em territ\u00f3rio nacional n\u00e3o \u00e9 novidade e j\u00e1 est\u00e1 em plena marcha h\u00e1 pelo menos tr\u00eas d\u00e9cadas. No entanto, salta aos olhos a in\u00e9pcia do poder p\u00fablico em estabelecer qualquer tipo de press\u00e3o ou enfrentamento ao fechamento unilateral das atividades da Ford em nosso estado.<\/p>\n<p>A Ford iniciou suas atividades no polo industrial de Cama\u00e7ari em 2001, ap\u00f3s intensa \u201cguerra fiscal\u201d entre a Bahia &#8211; sob a dire\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o senador baiano Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es (ACM) &#8211; e o Rio Grande do Sul, e completaria 20 anos de atividade no estado neste ano. A pol\u00edtica fiscal em favor dos exploradores, gerou ao longo de 20 anos mais de 20 bilh\u00f5es de reais em desonera\u00e7\u00f5es e isen\u00e7\u00f5es fiscais, incluindo desde impostos sobre importa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 desonera\u00e7\u00f5es de imposto de renda. Quantia que contrasta com o investimento feito pela Ford para se instalar na Bahia cerca de 1,2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (em torno de 2,3 bilh\u00f5es de reais com a cota\u00e7\u00e3o da \u00e9poca).<\/p>\n<p>A l\u00f3gica da explora\u00e7\u00e3o capitalista j\u00e1 nos \u00e9 conhecida, sob esta \u00e9gide as empresas transformam as fronteiras em meros espa\u00e7os para retirada de valor. Transformando nosso povo trabalhador em n\u00fameros que devem contribuir incessantemente com os dividendos do empresariado. A estimativa \u00e9 que a Ford empregava diretamente 12 mil pessoas (entre funcion\u00e1rios da Ford e sistemistas) e mais 60 mil empregos indiretos. A sa\u00edda da Ford de Cama\u00e7ari, somada ainda a seu fechamento em Taubat\u00e9 (SP) e Horizonte (CE) representa um duro ataque \u00e0 nossa popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, mas tamb\u00e9m \u00e0 soberania nacional brasileira, que ofertou por d\u00e9cadas condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 transnacional estadunidense, que ora anuncia sua sa\u00edda sem quaisquer contrapartidas.<\/p>\n<p>A sa\u00edda da Ford do Brasil se insere na l\u00f3gica neoliberal de maximiza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, destrui\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas, redu\u00e7\u00e3o dos custos e encargos das empresas e eleva\u00e7\u00e3o das taxas de lucro. De modo que os territ\u00f3rios se tornam apenas ap\u00eandices ou suportes para a realiza\u00e7\u00e3o de maiores taxas de explora\u00e7\u00e3o. As dificuldades pol\u00edticas e jur\u00eddicas brasileiras,a falta de uma estrutura log\u00edstica adequada e o \u201cencarecimento da m\u00e3o de obra\u201d s\u00e3o apontados pela Ford como motivos da sua sa\u00edda do pa\u00eds. No entanto, diferente do que foi alegado a pol\u00edtica de contrarreformas ampliou drasticamente a desregulamenta\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho brasileiro, reduzindo direitos, achatando o sal\u00e1rio m\u00ednimo. O que mostra um total descompromisso do capital internacional com nossa economia dependente.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de pol\u00edticas integradas entre produ\u00e7\u00e3o, pesquisa e desenvolvimento no Brasil reduz ainda mais a capacidade de manuten\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria local. A pol\u00edtica de desonera\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas se mostra portanto completamente incapaz de atender aos interesses da classe trabalhadora brasileira e baiana. De modo que a vemos como refor\u00e7o de uma base econ\u00f4mica financista e agroexportadora. O resultado \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o de postos de trabalho em um estado j\u00e1 conhecido pelas altas taxas de desemprego.<\/p>\n<p>Que saiam os patr\u00f5es e que fique o trabalho<\/p>\n<p>O poder p\u00fablico em nosso estado se v\u00ea completamente incapaz de defender os interesses da classe trabalhadora, tendo assistido at\u00f4nito ao an\u00fancio de sa\u00edda da Ford. Sua \u00fanica a\u00e7\u00e3o foi fazer uma consulta ao consulado chin\u00eas, sobre a possibilidade de algum interesse futuro das ind\u00fastrias chinesas virem se instalar em Cama\u00e7ari. Tal medida n\u00e3o contempla de maneira alguma os interesses de nossa classe, que deve ter assegurada seus postos de trabalho, bem como todo investimento do poder p\u00fablico para que as instala\u00e7\u00f5es da Ford se mantivessem atuantes ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. A manuten\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas em atividade e de toda a rede de postos de trabalho sob auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe deve ser nossa bandeira imediata.<\/p>\n<p>A resposta da classe trabalhadora deve ser ao mesmo tempo orientar a sua organiza\u00e7\u00e3o em termos pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m em termos de sua atividade econ\u00f4mica. A auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a partir de seus pr\u00f3prios instrumentos de luta deve pautar urgentemente a tomada dos p\u00f3los industriais. Empresas como a Ford usufru\u00edram por d\u00e9cadas n\u00e3o apenas das j\u00e1 mencionadas isen\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho de nossa classe, aproveitando ainda de log\u00edstica e instala\u00e7\u00f5es cedidas e redu\u00e7\u00e3o de encargos de \u00e1gua e energia el\u00e9trica. Em resumo: d\u00e9cadas de esp\u00f3lio de nosso povo e nossas riquezas.<\/p>\n<p>A sa\u00edda da Ford deve ter como resposta imediata uma pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00e3o consequente das f\u00e1bricas. Que saiam as empresas transnacionais e que fiquem as plantas industriais. A auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora baiana deve avan\u00e7ar no sentido de tomar o controle da produ\u00e7\u00e3o, pautar meios de associa\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o, pesquisa e desenvolvimento, estabelecendo uma nova l\u00f3gica produtiva em associa\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Nosso horizonte pol\u00edtico imediato deve estar cada vez mais preparado para a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica direta, com a tomada de postos de trabalho hoje em risco e cria\u00e7\u00e3o de tantos outros. A nossa alternativa de classe constitui na retomada da produ\u00e7\u00e3o sob base nacional e a press\u00e3o para o financiamento p\u00fablico ao desenvolvimento e \u00e0 pesquisa tecnol\u00f3gica. Tais tarefas fazem parte do estabelecimento do Poder Popular e da pavimenta\u00e7\u00e3o do caminho revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Comit\u00ea Regional do Partido Comunista Brasileiro &#8211; Bahia<\/p>\n<p>Pela ocupa\u00e7\u00e3o imediata das Plantas Industriais pelos trabalhadores e trabalhadoras organizadas, pelo Poder Popular.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26719\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26,15],"tags":[223,246],"class_list":["post-26719","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb","category-s18-sindical","tag-3a","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6WX","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26719\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}