{"id":26723,"date":"2021-01-14T19:56:58","date_gmt":"2021-01-14T22:56:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26723"},"modified":"2021-01-14T19:56:58","modified_gmt":"2021-01-14T22:56:58","slug":"fdim-75-anos-em-defesa-das-mulheres-e-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26723","title":{"rendered":"FDIM: 75 anos em defesa das mulheres e da paz"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrilabril.pt\/sites\/default\/files\/styles\/media_photo_embedded_layout-large-horizontal\/public\/imgonline-com-ua-resize-wed9ujqee2ophxvw.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Sess\u00e3o do Congresso Mundial das Mulheres realizado pela FDIM em Moscou, entre 24 e 29 de junho de 1963, que acolheu a primeira mulher a viajar no espa\u00e7o, a cosmonauta Valentina Tereshkova (segunda a partir da esquerda). Eug\u00e9nie Cotton, fundadora da FDIM (ao centro), preside a sess\u00e3o<\/p>\n<p>AbrilAbril<\/p>\n<p>Por Regina Marques<\/p>\n<p>Em 2021, o pensamento da Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Internacional de Mulheres (FDIM) tem plena atualidade e relev\u00e2ncia no combate \u00e0s desigualdades, incluindo as desigualdades entre mulheres e homens.<\/p>\n<p>Em Paris, em dezembro de 1945, nasce uma organiza\u00e7\u00e3o que veio a ser uma das alian\u00e7as mais importantes do movimento de mulheres. Apenas seis meses se passaram desde o fim da Segunda Guerra Mundial, que trouxera sofrimento sem fim a milh\u00f5es de pessoas. Milh\u00f5es de mulheres lutaram contra o fascismo e seus crimes. Lutaram contra os crimes de uma Alemanha hitleriana e defenderam a dignidade humana. Foram submetidas a torturas desumanas nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazi-fascistas. Viveram e lutaram na Resist\u00eancia e na clandestinidade.<\/p>\n<p>Estavam unidas por uma exig\u00eancia: \u00abNunca mais a guerra!\u00bb. Entre elas estavam as mulheres que se tornariam as figuras proeminentes da Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Internacional das Mulheres Democr\u00e1ticas (FDIM). Mulheres de todas as classes sociais e com diferentes posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, pol\u00edticas e religiosas, especialmente francesas e brit\u00e2nicas, formaram um Comit\u00ea Preparat\u00f3rio Internacional para o primeiro Congresso Mundial de Mulheres, que aconteceu em Paris, de 26 de novembro a 1 de dezembro de 1945, e que culminou na funda\u00e7\u00e3o da FDIM.<\/p>\n<p>A cientista francesa e lutadora da Resist\u00eancia Eug\u00e9nie Cotton foi eleita a primeira Presidente da FDIM; outra resistente, Marie-Claude Vaillant-Couturier, foi a sua primeira secret\u00e1ria geral. Esta, mulher de destacada envergadura pol\u00edtica, era uma sobrevivente dos campos de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz e Ravensbr\u00fcck, o campo destinado \u00e0s prisioneiras pol\u00edticas. Ficou conhecida como testemunha no julgamento de Nuremberg.<\/p>\n<p>O juramento das fundadoras<br \/>\nNo congresso fundador, as 850 participantes de 41 pa\u00edses expressaram a sua vontade de unir for\u00e7as e lutar pelos seus direitos como m\u00e3es, trabalhadoras e cidad\u00e3s.<\/p>\n<p>\u00abEm nome de 81 milh\u00f5es de mulheres, juramos solenemente defender os direitos pol\u00edticos, econ\u00f4micos, civis e sociais das mulheres, lutar pela cria\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es essenciais para o desenvolvimento harmonioso e feliz de nossos filhos e das gera\u00e7\u00f5es futuras, lutar incansavelmente para garantir que o fascismo, em qualquer forma que possa aparecer, seja destru\u00eddo e que uma ordem verdadeiramente democr\u00e1tica seja criada em todos os pa\u00edses do mundo; lutar incansavelmente para garantir uma paz duradoura no mundo (&#8230;) o \u00fanico garante de felicidade em nosso lar e no desenvolvimento de nossos filhos.\u00bb. Este juramento tem percorrido toda a exist\u00eancia da FDIM, mesmo atravessando muitas intemp\u00e9ries.<\/p>\n<p>Um percurso que n\u00e3o foi f\u00e1cil<br \/>\nEm primeiro lugar, o seu aparecimento veio alterar a paisagem das organiza\u00e7\u00f5es internacionais femininas com sede nos EUA. As duas mais significativas eram o Conselho Internacional de Mulheres, que se ligava em v\u00e1rios pa\u00edses aos Conselhos Nacionais de Mulheres (entre os quais mantinha rela\u00e7\u00e3o com o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas) e a Associa\u00e7\u00e3o Mundial para o Sufr\u00e1gio Feminino (depois Alian\u00e7a Internacional de Mulheres) que, vindas do mesmo tronco americano, ocupam espa\u00e7os pol\u00edticos e sociais muito semelhantes. Assumem ambas as reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres da burguesia e n\u00e3o se cansam de denegrir esta nova organiza\u00e7\u00e3o que acusavam de n\u00e3o estar interessada nos problemas das mulheres, sendo apenas uma organiza\u00e7\u00e3o de linha da frente sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>S\u00e3o estas que n\u00e3o se cansam de associar a FDIM aos \u00abperigosos comunistas\u00bb espalhados no mundo ao servi\u00e7o do \u00abpoder sovi\u00e9tico\u00bb1<\/p>\n<p>Mas outros oponentes usavam a mesma argumenta\u00e7\u00e3o2. O Comit\u00ea para Atividades N\u00e3o Americanas (HUAC), fundado em 1938, destacou-se em particular nessa den\u00fancia, num relat\u00f3rio de 1949 sobre a FDIM e a organiza\u00e7\u00e3o americana CAW (Congresso das Mulheres Americanas) que era membro da FDIM. A CAW foi for\u00e7ada a dissolver-se em 1950 devido \u00e0 press\u00e3o massiva do HUAC. No per\u00edodo que se seguiu, a FDIM teve de lidar com outras situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, que obviamente tamb\u00e9m foram devidas \u00e0 press\u00e3o do HUAC.<\/p>\n<p>Como refere Brigitte Triems3, \u00abn\u00e3o foi nada f\u00e1cil transformar tal uni\u00e3o depois da Segunda Guerra Mundial na federa\u00e7\u00e3o que \u00e9 hoje\u00bb.<\/p>\n<p>Naturalmente que a FDIM dava forte \u00eanfase \u00e0 defesa da paz, resultante das experi\u00eancias terr\u00edveis e da luta de resist\u00eancia das suas fundadoras, profundamente convencidas de que deveriam fazer tudo para que tal guerra nunca mais assolasse a humanidade. Mas importa referir que elas tamb\u00e9m viram a paz como um pr\u00e9-requisito necess\u00e1rio para a implementa\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres e crian\u00e7as.4<\/p>\n<p>A FDIM, logo nos seus primeiros anos, tornou-se um p\u00f3lo de atra\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es de mulheres dos pa\u00edses libertados da guerra da europa de leste e de muitas outras que, nos seus pa\u00edses, lutavam contra a opress\u00e3o dos seus povos. Com a sua raiz na luta de resist\u00eancia ao nazismo e fascismo surgiu com um esteio de esperan\u00e7a para as mulheres do continente africano, da \u00c1sia, na solidariedade com as mulheres do Vietname, na sua luta anti-imperialista, mas tamb\u00e9m na solidariedade com as mulheres da China, contra as ditaduras fascistas de Espanha, Portugal, Gr\u00e9cia, do Chile e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica latina.<\/p>\n<p>A universalidade da FDIM e a atra\u00e7\u00e3o de seu programa refletiam-se no seu crescimento constante: em 1945, a FDIM tinha 41 organiza\u00e7\u00f5es membros; no Ano Internacional da Mulher de 1975 havia 103 organiza\u00e7\u00f5es e hoje tem 135 organiza\u00e7\u00f5es membros. Re\u00fane mulheres de diferentes pa\u00edses, independentemente da sua origem, em todos os continentes.<\/p>\n<p>\u00c9 nesta abrang\u00eancia e unidade que reside a sua for\u00e7a ainda hoje.<\/p>\n<p>A FDIM teve a sua primeira sede em Paris. Por\u00e9m, quando protestou contra as a\u00e7\u00f5es do poder colonial franc\u00eas, em declara\u00e7\u00f5es e express\u00f5es de solidariedade ao povo vietnamita durante a Guerra da Indochina, o governo franc\u00eas ordenou a sua expuls\u00e3o da Fran\u00e7a em 1951. O governo da ent\u00e3o RDA ofereceu apoio \u00e0 FDIM para que, a partir de 1951, o seu secretariado fosse baseado em Berlim.<\/p>\n<p>A FDIM sofreu mais um rev\u00e9s quando enviou uma comiss\u00e3o internacional de inqu\u00e9rito com representantes de 17 pa\u00edses \u00e0 Coreia do Norte em 1951 para investigar a situa\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as v\u00edtimas de ataques a\u00e9reos e massacres de civis pelas tropas americanas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio final \u00abN\u00f3s Acusamos\u00bb, publicado em v\u00e1rias l\u00ednguas, levou \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o do seu estatuto consultivo junto do Conselho Econ\u00f3mico e Social das Na\u00e7\u00f5es Unidas sob press\u00e3o dos EUA e da Gr\u00e3-Bretanha em 1954.<\/p>\n<p>S\u00f3 em 1967 recuperou esse estatuto, tendo sido readmitida no Conselho Econ\u00f4mico e Social das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ECOSOC) em 1969.<\/p>\n<p>O I Congresso latino americano de Mulheres (1959) \u00e9 celebrado em Santiago de Chile. Muitas mulheres destacadas foram presas depois de participarem em grandes acontecimentos internacionais da FDIM. Os governos de direita procuraram sabotar estas realiza\u00e7\u00f5es, as ditaduras perceberam cedo esta frente que se alargava em todos os continentes, onde se passou a cantar a solidariedade e a liberdade. A FDIM pugnava pelos direitos das mulheres em todas as partes e intervinha sob as mais variadas realidades. \u00c9 not\u00e1vel como a Resolu\u00e7\u00e3o sobre os direitos das mulheres, aprovada em 1959 no Chile, e difundida por toda a Am\u00e9rica latina, inclu\u00eda reivindica\u00e7\u00f5es pela igualdade, direitos civis, pelo direito de voto, leis de prote\u00e7\u00e3o laboral, igualdade salarial, direitos sociais para mulheres e crian\u00e7as, e o direito das camponesas ao uso e posse da terra5. Um desmentido aos seus detratores, portanto.<\/p>\n<p>Sem descanso durante a Guerra Fria<br \/>\nParticularmente no per\u00edodo posterior \u00e0 Segunda Guerra Mundial, a cria\u00e7\u00e3o da FDIM permitiu aproximar as mulheres para que se conhecessem melhor e compreendessem melhor as diversas condi\u00e7\u00f5es em que trabalhavam em seus pa\u00edses, levando em considera\u00e7\u00e3o as realidades sociais e pol\u00edticas dos seus pa\u00edses. Isso resultou em in\u00fameras a\u00e7\u00f5es conjuntas para a defesa dos direitos das mulheres e da igualdade entre mulheres e homens na sociedade.<\/p>\n<p>Em sua longa hist\u00f3ria, a FDIM tem lutado de forma consistente e ativa pela manuten\u00e7\u00e3o da paz, contra a amea\u00e7a de guerra nuclear e pelo desarmamento mundial. Particularmente not\u00e1vel \u00e9 a sua solidariedade inabal\u00e1vel para com as mulheres dos pa\u00edses que lutam pela sua independ\u00eancia nacional e que se op\u00f5em \u00e0 opress\u00e3o em todas as suas formas. Foram muitas as delega\u00e7\u00f5es da FDIM que visitaram os territ\u00f3rios ocupados da Palestina, do Vietn\u00e3, do Sahara, e de muitos outros pa\u00edses que lutavam pela sua liberta\u00e7\u00e3o, levando o calor das palavras l\u00e1 onde elas eram precisas.<\/p>\n<p>Por sua inestim\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o na luta pela paz e pelo desarmamento, Perez de Cuellar, secret\u00e1rio geral da ONU, atribui-lhe a ins\u00edgnia de \u00abMensageira da Paz\u00bb, no Congresso do Ano Internacional da Paz, que ocorreu em Copenhaga, em 1986.<\/p>\n<p>Essa inquestion\u00e1vel solidariedade e amizade fez muitas vezes temer as for\u00e7as de direita e do imperialismo, sendo que algumas organiza\u00e7\u00f5es de mulheres, no plano internacional e nacional, colaboraram lan\u00e7ando estigmas e preconceitos sobre esta grande organiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o parou de crescer, n\u00e3o se dissolveu perante os solavancos mundiais e continua a organizar os seus membros e a tra\u00e7ar perspectivas de lutas anti-imperialistas, libertadoras, garantes da igualdade para as mulheres do mundo inteiro.<\/p>\n<p>Na extensa s\u00e9rie de atividades da FDIM devem ser inclu\u00eddos os Congressos mundiais de mulheres que reuniam centenas e at\u00e9 milhares de mulheres de todas as partes do mundo. Depois do congresso fundador, realizou-se o II em Budapeste (1948), seguido de Copenhaga (1953), Viena (1958), Moscou (1963) , Hels\u00ednquia (1969), Berlim (1975), Praga ( 1981). Com a queda do Muro de Berlim, e com a impossibilidade da sua sede permanecer em Berlim, a FDIM n\u00e3o parou. Fez o seu X Congresso em Sheffield (1991), depois em Paris (1994, 1998), no L\u00edbano (2002), em Caracas (2007), em Bras\u00edlia (2012) e o \u00faltimo, o XVI, foi no ano de 2016 em Bogot\u00e1.<\/p>\n<p>O XVII Congresso ser\u00e1, se a Covid-19 nos deixar, em Caracas de novo, neste ano de 2021. \u00c9 um ano de muitas incertezas mas tamb\u00e9m de muitos desafios, que as dirigentes atuais se disp\u00f5em a prosseguir. Tal como no in\u00edcio, a unidade das organiza\u00e7\u00f5es de mulheres e os objectivos da FDIM permanecem v\u00e1lidos e insubstitu\u00edveis.<\/p>\n<p>Os Congressos da FDIM foram sempre espa\u00e7os de profunda reflex\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o das mulheres no mundo, momentos de solidariedade e grande unidade que animaram e entusiasmaram vastos sectores de mulheres, incluindo as organiza\u00e7\u00f5es de profissionais, as sindicalistas, as mulheres de movimentos religiosos, as ativistas da paz, e tantas outras, para uma luta internacionalista e interseccional a favor das mulheres. Forjaram-se redes de solidariedade que alentaram as massas femininas para o desenvolvimento das suas lutas, por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, pelo direito ao trabalho, pela dignidade e igualdade na fam\u00edlia e na sociedade.<\/p>\n<p>Nos intervalos dos congressos, foram imensos os semin\u00e1rios, mesas redondas, os apelos \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas e as den\u00fancias da opress\u00e3o e das viol\u00eancias exercidas sobre as mulheres, alargaram-se as den\u00fancias dos actos criminosos e discriminat\u00f3rios cometidos pelos governos autorit\u00e1rios e repressivos.<\/p>\n<p>As mulheres portuguesas deram uma importante contribui\u00e7\u00e3o para a FDIM<br \/>\nAo tempo do fascismo, em Portugal, as mulheres portuguesas sempre partilharam e arriscaram a liberdade pela FDIM. Maria Lamas e outras mulheres como Georgette Ferreira, Alice Sena Lopes, Margarida Tengarrinha, Maria Lu\u00edsa Costa Dias, Laura Cunha, interv\u00eam em importantes Congressos Mundiais das Mulheres, organizados pela FDIM. Participam nos Congressos de 1953 e 1963 e depois em v\u00e1rias reuni\u00f5es das suas estruturas.<\/p>\n<p>No Congresso de Hels\u00ednquia, pouco antes da forma\u00e7\u00e3o do Movimento Democr\u00e1tico de Mulheres (MDM), participaram Sofia Ferreira, Maria Lu\u00edsa Costa Dias, Maria da Piedade Morgadinho, Maria Jos\u00e9 Ribeiro e Cec\u00edlia Areosa Feio. Os seus contributos constitu\u00edram uma forte den\u00fancia da situa\u00e7\u00e3o das mulheres em Portugal e da repress\u00e3o fascista que sobre elas se abatia. A grande coer\u00eancia e a convic\u00e7\u00e3o que puseram nas suas interven\u00e7\u00f5es v\u00e3o possibilitar que se desenvolva uma onda de solidariedade da FDIM com as mulheres portuguesas, em particular com as presas pol\u00edticas. Foi assim, que a FDIM decidiu, em 1970, realizar uma Semana de Solidariedade com a mulher portuguesa, quando o MDM, rec\u00e9m-constitu\u00eddo, est\u00e1 representado pela primeira vez numa reuni\u00e3o do seu Conselho Directivo.<\/p>\n<p>Desde a sua cria\u00e7\u00e3o o MDM \u00e9 membro da direc\u00e7\u00e3o da FDIM<br \/>\nComo membro do Direc\u00e7\u00e3o da FDIM desde os anos 706, o MDM participa regularmente e com o maior empenho nas suas realiza\u00e7\u00f5es. Fruto desse empenhamento e prest\u00edgio, o MDM recebeu em Portugal, depois da liberdade conquistada com Abril, v\u00e1rias reuni\u00f5es do Comit\u00ea de dire\u00e7\u00e3o que ajudaram a consolidar rela\u00e7\u00f5es de amizade, alargaram as redes de conhecimento e informa\u00e7\u00e3o dentro do nosso pa\u00eds, aperfei\u00e7oaram as nossas redes de solidariedade e o nosso conhecimento.<\/p>\n<p>Com a liberta\u00e7\u00e3o do fascismo, o MDM teve a oportunidade de participar em muitas atividades da FDIM em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo e sob as mais diversas tem\u00e1ticas. Esteve em Mesas de Solidariedade com a \u00c1frica do Sul, Nam\u00edbia e Zimbabu\u00e9 contra o apartheid; contra a ditadura de Pinochet; nas Filipinas sobre os problemas das mulheres rurais, na Hungria sobre a situa\u00e7\u00e3o da Mulher trabalhadora; sobre as crian\u00e7as em Chipre e sobre o AIC em Moscou.<\/p>\n<p>Em Portugal, deu voz \u00e0 solidariedade com as mulheres brasileiras e dos PALOP, tendo integrado as delega\u00e7\u00f5es da FDIM nas v\u00e1rias confer\u00eancias da ONU para os direitos das mulheres e das crian\u00e7as. Com a FDIM viveu momentos brilhantes da hist\u00f3ria de transforma\u00e7\u00e3o dos povos e dos direitos das mulheres.<\/p>\n<p>No quadro da FDIM, e apesar das tumultuosas altera\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas, o MDM interv\u00e9m para que as rela\u00e7\u00f5es entre as mulheres prossigam na senda da dignifica\u00e7\u00e3o das mulheres do mundo inteiro e para a resolu\u00e7\u00e3o dos graves problemas que est\u00e3o a afetar injustamente a condi\u00e7\u00e3o humana de milh\u00f5es de mulheres, em Portugal e no mundo.<\/p>\n<p>A atualidade e relev\u00e2ncia do pensamento da FDIM<br \/>\nCom o andar dos anos, outros temas surgiram e foram sendo objecto das preocupa\u00e7\u00f5es da FDIM. Por exemplo, \u00abas mulheres e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social em tempos de globaliza\u00e7\u00e3o e neoliberalismo\u00bb concentraram em Havana, no ano 1998, centenas de mulheres de v\u00e1rios pa\u00edses e v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es internacionais, entre as quais uma vintena de mulheres do MDM. A atualidade das tem\u00e1ticas relativas aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o, novas tecnologias e internet, participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e acesso a tomadas de decis\u00e3o, economia e desenvolvimento sustent\u00e1vel, independ\u00eancia nacional, soberania e paz; tem\u00e1ticas e problematiza\u00e7\u00f5es ainda hoje na ordem do dia das nossas preocupa\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixam margem para esquecer ou deturpar o sentido da FDIM como uma organiza\u00e7\u00e3o, que embora atravessando momentos dif\u00edceis, n\u00e3o perdeu o sentido fundador da sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Neste ano 2021, em que se intensificam cen\u00e1rios de guerra, aumento de desemprego e crise econ\u00f3mica e social, na Europa e EUA, aumento do tr\u00e1fico de mulheres para a prostitui\u00e7\u00e3o, num per\u00edodo em que se assiste a uma tremenda crise na \u00e1rea energ\u00e9tica, clim\u00e1tica e alimentar que afeta desigualmente os povos e as mulheres em todas as regi\u00f5es, o pensamento da FDIM tem plena atualidade e relev\u00e2ncia no combate \u00e0s desigualdades, incluindo as desigualdades entre mulheres e homens.<\/p>\n<p>A FDIM continua com os seus 75 anos de hist\u00f3ria sem quebrar la\u00e7os, sem minimizar esfor\u00e7os, ligada \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es e \u00e0s mulheres sempre voltadas para as situa\u00e7\u00f5es vividas e nas quais tantas mulheres foram sacrificadas. Mantendo-se fiel ao juramento feito pelas fundadoras em 1945 continua a trabalhar hoje para melhorar a situa\u00e7\u00e3o das mulheres, para garantir a democracia e a paz, para combater o fascismo e o neofascismo, o colonialismo e o imperialismo, o racismo e preparar o caminho para um futuro feliz para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>\u00c9 esta confian\u00e7a inspiradora que se celebra no 75\u00ba anivers\u00e1rio da FDIM. Vigorosa organiza\u00e7\u00e3o que tem sabido manter e erguer a bandeira da amizade, da solidariedade e da paz indissoci\u00e1veis dos direitos das mulheres, direitos que est\u00e3o em grande parte por cumprir em tantas regi\u00f5es do planeta. Esta \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o que congrega em si as experi\u00eancias e os testemunhos das grandes conquistas e das lutas das mulheres do s\u00e9culo XX. Sem esquecer as perdas e muitos retrocessos que perpassaram este per\u00edodo da hist\u00f3ria, \u00e9 a FDIM &#8211; com a sua rede de filiadas \u2013 que continua a cimentar la\u00e7os e lan\u00e7ar desafios que mobilizam as mulheres do mundo inteiro.<\/p>\n<p>Regina Marques \u00e9 membro da Dire\u00e7\u00e3o e Conselho Nacional do MDM e do Conselho de Direc\u00e7\u00e3o da FDIM<\/p>\n<p>1. Des femmes qui changent le monde. Histoire du conseil international des femmes (1888-1988), in \u00c9liane Gubin et de Leen Van Molie (dir). ed. Racine, Li\u00e8ge, 2005.<br \/>\n2. Committee on Un-American Activities, U.S. House of Representatives [hereafter, HUAC], Report on the Congress of American Women (Washington: United States Government Printing Office, 1950, 23 October 1949, original release date).<br \/>\n3. Brigitte Triems \u00e9 atualmente Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica de Mulheres (Alemanha) e foi durante longos anos secret\u00e1ria da FDIM em Berlim. Com Audrey McDonald escreve um artigo, \u00abWomen of the world unite\u00bb na publica\u00e7\u00e3o australiana Search News, Dec. 2020.<br \/>\n4. \u00abHoffnungen auf eine bessere Welt: Die fr\u00fchen Jahre der Internationalen Demokratischen Frauenf\u00f6deration (FDIM\/WIDF) (1945 \u2013 1950)\u00bb, in Gabriele K\u00e4mper, Regine Othmer, Carola Sachse (Eds.), Gebrochene Utopien. Feministische Studien vol. 27, no. 2 (November 2009): p. 241-257.<br \/>\n5. Francisca de Haan, \u00abLa Federaci\u00f3n Democratica Internacional de Mujeres (FDIM) y America Latina, de 1945 a los a\u00f1os setenta\u00bb (p. 17-44) in Queridas camaradas. Historias iberoamericanas de mujeres comunistas, Adriana Valobra y Mercedes Yusta (Eds).<br \/>\n6. Vide I Congresso do Movimento Democratico de Mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26723\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180],"tags":[222],"class_list":["post-26723","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6X1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26723"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26723\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}