{"id":26741,"date":"2021-01-17T21:22:05","date_gmt":"2021-01-18T00:22:05","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26741"},"modified":"2021-01-17T21:22:05","modified_gmt":"2021-01-18T00:22:05","slug":"45-anos-sem-manoel-fiel-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26741","title":{"rendered":"45 anos sem Manoel Fiel Filho"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/memorialdademocracia.com.br\/publico\/thumb\/2102\/740\/440\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Manoel Fiel Filho: oper\u00e1rio comunista na luta contra a ditadura<\/p>\n<p>Funda\u00e7\u00e3o Dinarco Reis<\/p>\n<p>(artigo publicado em janeiro de 2016 no Jornal O Poder Popular n\u00ba 07)<\/p>\n<p>Era quase meio-dia de 16 de janeiro de 1976, uma sexta-feira, quando dois homens chegaram na ind\u00fastria metal\u00fargica Metal Arte em S\u00e3o Paulo, para levar o oper\u00e1rio Manoel Fiel Filho. Queriam extrair dele informa\u00e7\u00f5es sobre sua milit\u00e2ncia no Partido Comunista Brasileiro. Como sempre mentiam, os agentes do DOI-CODI disseram que o estariam levando por solicita\u00e7\u00e3o da Prefeitura de S\u00e3o Paulo. No dia seguinte, uma nota oficial do Comando do II Ex\u00e9rcito sediado em S\u00e3o Paulo informava que o \u201coper\u00e1rio Manoel Fiel Filho tinha se suicidado com suas pr\u00f3prias meias\u201d. Mais uma farsa era montada, a exemplo dos casos anteriores envolvendo o estudante Alexandre Vanucchi Leme (militante da ALN), o tenente da PM Jos\u00e9 Ferreira de Almeida e o jornalista Vlado Herzog (ambos do PCB), tamb\u00e9m \u201csuicidados\u201d nos por\u00f5es da ditadura.<\/p>\n<p>Fiel Filho era natural de Quebrangulo, Alagoas, de onde saiu aos 18 anos para S\u00e3o Paulo, carregado de sonhos por uma vida melhor. Come\u00e7ou trabalhando como padeiro e cobrador de \u00f4nibus na megal\u00f3pole. Quando foi assassinado em 17 de janeiro de 1976, tinha 49 anos, era oper\u00e1rio metal\u00fargico e membro do PCB. Ganhava pouco mais do que 3.000 cruzeiros por m\u00eas, morava num sobrado na Vila Guarani, era casado com Tereza e tinha duas filhas adolescentes, Maria Aparecida e M\u00e1rcia.<\/p>\n<p>Desde a posse do ditador Ernesto Geisel, em 1974, o regime anunciava uma \u201cdistens\u00e3o lenta e gradual\u201d, mas continuou prendendo, torturando e matando. O PCB foi a organiza\u00e7\u00e3o mais perseguida em meados da d\u00e9cada, com a pris\u00e3o, tortura e assassinato de dirigentes do Comit\u00ea Central e militantes de base. Um dos objetivos da Opera\u00e7\u00e3o Radar, criada pela ditadura para destruir o PCB, era ir \u00e0 ca\u00e7a dos dirigentes e militantes respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do jornal clandestino Voz Oper\u00e1ria, que o PCB fazia circular, apesar de todas as adversidades pol\u00edticas e financeiras.<\/p>\n<p>Manoel foi preso na sequ\u00eancia da captura de Sebasti\u00e3o de Almeida, o Deco, vendedor de bilhetes de loteria que fazia ponto em frente \u00e0 f\u00e1brica Metal Arte, recolhendo contribui\u00e7\u00f5es para o PCB e distribuindo exemplares do jornal Voz Oper\u00e1ria. Depois de torturado, Deco acabou revelando que Manoel Fiel Filho era um dos recebedores do jornal. No dia 16, depois de o pegarem no trabalho, levaram-no at\u00e9 em casa, para revista-l\u00e1 em busca de algum exemplar do peri\u00f3dico comunista, mas nada encontraram. Manoel disse para a mulher: \u201cN\u00e3o chora, nega, que eu vou voltar logo\u201d. Tereza chegou a procurar a delegacia do bairro para denunciar o sequestro, em v\u00e3o.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado \u00e0 noite, por volta das 22 horas, um agente do DOI-CODI entregava a Tereza um saco pl\u00e1stico com as roupas e sapatos dele, avisando friamente que \u201cseu marido morreu, suicidou-se\u201d. Diferentemente do que ocorrera com a morte de Herzog, pouco alarido se fez em torno do assassinato de Manoel Fiel Filho. Uma das raz\u00f5es foi a intimida\u00e7\u00e3o que a vi\u00fava e a fam\u00edlia sofreram: os \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o exigiram que o vel\u00f3rio n\u00e3o durasse mais do que duas horas, for\u00e7aram r\u00e1pido sepultamento e proibiram que outras pessoas, al\u00e9m dos parentes mais pr\u00f3ximos, fossem avisadas. Impuseram o sil\u00eancio, pois sabiam que seria muito complicado ter que explicar outro \u201csuic\u00eddio\u201d nos por\u00f5es do regime.<\/p>\n<p>Seu assassinato contribuiu para a demiss\u00e3o do General do II Ex\u00e9rcito, Ednardo D\u2019\u00c1vila Melo, num momento em que a ditadura come\u00e7ava a recuar e a ceder espa\u00e7os, a partir das primeiras grandes manifesta\u00e7\u00f5es de oposi\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a morte de Herzog e do acirramento das contradi\u00e7\u00f5es sociais que emergiam com a crise econ\u00f4mica. Nos anos seguintes, Manoel Fiel Filho passou a ser lembrado em document\u00e1rios, livros, m\u00fasicas e poemas, como um oper\u00e1rio que lutou em favor dos oprimidos e explorados. Um panfleto questionava: \u201cQue crime cometeu esse trabalhador? Combater o arrocho salarial, reivindicar liberdades democr\u00e1ticas e lutar por uma sociedade sem exploradores, onde os trabalhadores que tudo produzem sejam tamb\u00e9m o poder\u201d. Seu exemplo jamais ser\u00e1 em v\u00e3o.<\/p>\n<p>CAMARADA MANOEL FIEL FILHO, PRESENTE! ONTEM, HOJE E SEMPRE!<\/p>\n<p>PELA CONSTRU\u00c7\u00c3O DO PODER POPULAR NO RUMO DO SOCIALISMO!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26741\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53,46],"tags":[234],"class_list":["post-26741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","category-c56-memoria","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Xj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26741\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}