{"id":2675,"date":"2012-04-12T17:06:24","date_gmt":"2012-04-12T17:06:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2675"},"modified":"2012-04-12T17:06:24","modified_gmt":"2012-04-12T17:06:24","slug":"as-insurreicoes-no-oriente-proximo-e-as-tentativas-imperialistas-de-desestabilizar-a-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2675","title":{"rendered":"As insurrei\u00e7\u00f5es no Oriente Pr\u00f3ximo e as tentativas imperialistas de desestabilizar a regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>INTERVEN\u00c7\u00c3O DE LEILA GHANEN NO SEMIN\u00c1RIO INTERNACIONAL DOS 90 ANOS DO PCB (Partido Comunista Brasileiro)<\/p>\n<p>Mais uma vez o Oriente M\u00e9dio (o Mundo \u00c1rabe, em espec\u00edfico), mostra que \u00e9 capaz de gerar movimentos de resist\u00eancia (L\u00edbano, Iraque, Palestina), de transformar as aventuras coloniais em derrotas militares categ\u00f3ricas e dar in\u00edcio a um ciclo de revoltas populares (e se trata de um ciclo que foi interrompido pelo Escudo do Golfo[2]) no I\u00eamen, Jord\u00e2nia, Bahrein, Marrocos, ocasionando uma interven\u00e7\u00e3o militar imperialista na L\u00edbia e as tentativas ainda em curso na S\u00edria&#8230; Desde ent\u00e3o estes eventos n\u00e3o s\u00e3o mais um assuntolocal e seu impacto diz respeito a todos n\u00f3s&#8230;<\/p>\n<p>Fa\u00e7o, aqui, uma distin\u00e7\u00e3o na minha an\u00e1lise entre os casos s\u00edrio e l\u00edbio, sujeitos a manobras colonialistas espec\u00edficas do eixo EUA \/ Fran\u00e7a \/ Escudo do Golfo.<\/p>\n<p>I &#8211; O impacto estrat\u00e9gico das revoltas no Oriente Pr\u00f3ximo e as tentativas de desestabilizar os estados da regi\u00e3o<\/p>\n<p>\u00c9 claro que estas insurrei\u00e7\u00f5es se espalham em escala internacional atrav\u00e9s da cr\u00f4nica jornal\u00edstica. Os efeitos das resson\u00e2ncias s\u00e3o propagados nas metr\u00f3poles capitalistas at\u00e9 Wall Street e n\u00e3o \u00e9 por acaso que dois grandes pa\u00edses (EUA e Fran\u00e7a) conduzem suas batalhas eleitorais sob o signo dessas revoltas.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o de sua campanha eleitoral, Obama anunciou seu plano para \u201cestabilizar e modernizar as economias eg\u00edpcia e tunisiana\u201d. Tamb\u00e9m, por ordem de Washington, o Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional discutir\u00e3o este projeto na c\u00fapula G-8, em 26-27 de mai, na Fran\u00e7a. Obama, ainda, anuncia que os Estados Unidos est\u00e3o criando \u201cfundos empresariais para investimentos de empresas no Egito e Tun\u00edsia, como o modelo do que foi sustentado na transi\u00e7\u00e3o da Europa Oriental\u201d[3]. O Egito e a Tun\u00edsia ainda n\u00e3o superaram a sujei\u00e7\u00e3o \u00e0s pot\u00eancias ocidentais, representada nos planos de reajustes estruturais que foram a origem externa das revoltas que estouraram nestes dois pa\u00edses e que queremos transformar em laborat\u00f3rios deste \u201cnovo plano econ\u00f4mico neocolonial\u201d[4]. O aux\u00edlio concedido a estes projetos n\u00e3o excedem 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares e vai apertar ainda mais o garrote da d\u00edvida[5]. Mas, este projeto foi amplamente contestado no Egito[6], onde se viu v\u00e1rias iniciativas, inclusive uma autoriza\u00e7\u00e3o nacional feita por um sheik, para coletar localmente este dinheiro. O povo eg\u00edpcio sabe agora que seu pa\u00eds foi pilhado de cima a baixo. Um dos instigadores da revolta estava de acordo a respeito do g\u00e1s (o que decorre dos tratados de Camps David) em favor do qual o Egito se obrigou a vender seu g\u00e1s a Israel tr\u00eas vezes mais barato do que o pre\u00e7o de mercado, ou seja, \u00e9 ele que d\u00e1 um presente a Israel de 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano[7]. Logo, n\u00e3o apenas poder\u00edamos passar sem a ajuda americana, mas ainda utilizar o 1,5 bilh\u00e3o dado a Israel, para desenvolver uma distribui\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em um pa\u00eds em que 20% da popula\u00e7\u00e3o vive sem nenhum acesso \u00e0 energia. Outros acordos, tais como o Quiz, concedem a Israel uma quota de 11,4% sobre os investimentos ditos \u201cpesados\u201d.[8]<\/p>\n<p>Sarkozy conduz sua batalha eleitoral na Fran\u00e7a sob o signo destas \u201crevolu\u00e7\u00f5es\u201d, empunhando a import\u00e2ncia do papel que ele desempenhou na L\u00edbia e da necessidade, no momento de crise, do patronato franc\u00eas (MEDES e o arsenal militar e banc\u00e1rio&#8230;) definir um novo modelo para a sa\u00fade p\u00fablica. Al\u00e9m disso, Paris se tornou a capital de uma oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria marginalizada no interior e corrompida pelo dinheiro do Qatar.<\/p>\n<p>O paradoxo \u00e9 que o \u201cEscudo do Golfo\u201d, \u00e0 frente do qual se encontram Qatar e Ar\u00e1bia Saudita, age tamb\u00e9m para armar a oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria e libanesa, para financiar Annahda na Tun\u00edsia e a Irmandade Mu\u00e7ulmana no Egito, mas ao mesmo tempo financiar a campanha da direita na Europa, sobretudo a de Sarkozy, que utiliza a ira racista anti-imigra\u00e7\u00e3o \u00e1rabe como cavalo de batalha de sua campanha para se aliar \u00e0 extrema direita. Isso nos leva a uma outra batalha de classe que transpassa as terras francesas. A imigra\u00e7\u00e3o \u00e1rabe na Europa desempenha um papel importante nas lutas sociais, assim como na luta anti-colonial na Palestina (campanha BDS, barcos para romper o cerco \u00e0 Gaza).<\/p>\n<p>II \u2013 O que quer esta coaliz\u00e3o de bandidos (EUA, Israel, Direita Europeia, Ar\u00e1bia Saudita, Qatar)?<\/p>\n<p>Al\u00e9m das raz\u00f5es estrat\u00e9gicas evidentes de controlar as \u201ctorneiras\u201d do petr\u00f3leo e de separar a China da Eur\u00e1sia (assim se mostra na batalha contra a S\u00edria)&#8230; Ela tem por prop\u00f3sito, pura e simplesmente:<\/p>\n<p>1. sufocar, por todos os meios, todas as formas de revolta, impedindo o processo revolucion\u00e1rio na Tun\u00edsia e no Egito, mantendo estes dois pa\u00edses dentro da submiss\u00e3o entreguista e a pauperiza\u00e7\u00e3o na \u201ceconomia de bazar\u201d. Os 20 milh\u00f5es de eg\u00edpcios que foram \u00e0s ruas s\u00e3o um fato de uma import\u00e2ncia hist\u00f3rica ineg\u00e1vel, for\u00e7osamente tornando-se exemplo em escala regional e onde quer quea crise do capitalismo se projete mais duramente.<\/p>\n<p>2. desestabilizar o Egito, que ocupa um lugar de lideran\u00e7a no Mundo \u00c1rabe, mantendo o status quo maldito criado pelos acordos de Camp David (os quais est\u00e3o ligados aos acordos de Oslo, Camps David II, etc&#8230;)[9]<\/p>\n<p>3. Atacar a L\u00edbia e a S\u00edria.<\/p>\n<p>4. Isolar o Ir\u00e3, minando sua base popular na regi\u00e3o (para isso: 1- a revolta xiita do Bahrein foi afogada em sangue; 2 &#8211; a oposi\u00e7\u00e3o iemenita foi sabotada, depois de ter afastado Ali Abdalah Saleh, mas ter mantido toda sua fam\u00edlia e seu cl\u00e3 no poder; 3 \u2013 os fascistas libaneses, aliados de Israel, foram armados contra a resist\u00eancia libanesa do Hezbollah, uma vez que os EUA se recusaram a vender armas ao ex\u00e9rcito legal liban\u00eas, culpado de ter repelido uma agress\u00e3o israelense a suas fronteiras. E enfim, incitar e armar uma resist\u00eancia islamo-fascista na S\u00edria.<\/p>\n<p>5. Desarmar a resist\u00eancia libanesa que mudou o jogo no Oriente Pr\u00f3ximo, desafiando um dos mais formid\u00e1veis ex\u00e9rcitos do mundo[10] e que constitui uma amea\u00e7a real contra o Estado colonialista de Israel. Esta resist\u00eancia se tornou o alvo principal da alian\u00e7a de bandidos americana-israelense, sobretudo porque ela deu um incr\u00edvel exemplo hist\u00f3rico, revivendo os m\u00e9todos vietcongues que j\u00e1 fizeram soar o dobre de finados para os ianques na \u00c1sia e, sobretudo, para romper o muro de medo, apesar da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as desfavor\u00e1vel[11], decidindo lutar , ou &#8220;para escolher a morrer de p\u00e9&#8221;, como dizemos no nosso jarg\u00e3o local.<\/p>\n<p>Esta resist\u00eancia \u00e9 particularmente visada, \u200b\u200bn\u00e3o por seu car\u00e1ter religioso, mas porque \u00e9 de natureza anticolonial. Kissinger havia dito: &#8220;N\u00f3s n\u00e3o temos medo do Isl\u00e3 pol\u00edtico, mas do Isl\u00e3combativo.&#8221; Em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;Irmandade Mu\u00e7ulmana&#8221;, conservadora e pr\u00f3-ocidental, o Hezbollah n\u00e3o reivindica o poder ou a aplica\u00e7\u00e3o da lei isl\u00e2mica &#8220;Sharia&#8221;, ele \u00e9 parte de uma frente composta por partidos de esquerda, a\u00ed inclu\u00eddo o Partido Comunista Liban\u00eas, de partidos pol\u00edticos anti-imperialistas e todas as confiss\u00f5es em conjunto (crist\u00e3, mu\u00e7ulmana, drusa)&#8230; Elecoloca como prioridade a luta contra Israel e contra o imperialismo, proclama reformas sociais e impede as tentativas de grilagem de terras no sul do L\u00edbano, mesmo entre seus aliados.[12]<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 qualquer coisa vencer o medo de todo o estratagema do 11 de setembro que visava aterrorizar n\u00e3o apenas os pa\u00edses da periferia, mas tamb\u00e9m as metr\u00f3poles&#8230; e era uma condi\u00e7\u00e3o para passar ao est\u00e1gio do capitalismo predat\u00f3rio, para o retorno ao colonialismo e a tomada direta de todos os recursos do planeta, incluindo a vida&#8230; N\u00f3s, do Oriente Pr\u00f3ximo, fomos o primeiro laborat\u00f3rio deste terror, em todas as escalas militares, econ\u00f4micas e pol\u00edticas. Vimos desembarcar os americanos no Iraque com um arsenal de armas n\u00e3o-convencionais, e com eles as empresas como Monsanto, Syngenta, Dow Chemical e outras gigantes do agroneg\u00f3cio alimentar, ou da \u00e1gua, como a Bechtel[13].<\/p>\n<p>III &#8211; Por que esta obstina\u00e7\u00e3o imperialista, apesar da derrota do sistema capitalista (crise, fal\u00eancias, enfraquecimento de sua for\u00e7a de ataque, movimentos de massas por todas as partes, inclusive em Wall Street)?<\/p>\n<p>1. As revoltas que assistimos no Oriente Pr\u00f3ximo d\u00e3o a prova de que o capitalismo atingiu seus limites que chegou a um grau tal de centraliza\u00e7\u00e3o que fez desaparecer toda margem de autonomia fora do poder dos monop\u00f3lios. E n\u00f3s n\u00e3o podemos voltar atr\u00e1s, n\u00e3o podemos desconcentrar o capital. O movimento natural do capital em dire\u00e7\u00e3o a uma concentra\u00e7\u00e3o cada vez maior nos conduziu at\u00e9 aqui onde estamos. E dentro dessas condi\u00e7\u00f5es \u201cas solu\u00e7\u00f5es que poderiam perfeitamente funcionar em uma etapa anterior de centraliza\u00e7\u00e3o do capital \u2013 uma vez que o Estado intervinha e que havia setores importantes da economia que podiam responder \u00e0s incita\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas do Estado \u2013 n\u00e3o existe mais. \u00c9 por isso que temos essas ag\u00eancias de rating, que s\u00e3o a voz direta do capital financeiro e j\u00e1 se tornaram o poder final para decidir a pol\u00edtica econ\u00f4mica\u201d.[14]<\/p>\n<p>2. Se \u00e9 verdadeiro que a insurg\u00eancia \u00e1rabe que surgiu na Tun\u00edsia e Egito t\u00eam inclu\u00eddo a pobreza, a corrup\u00e7\u00e3o e a falta de liberdade, \u00e9 verdade que o \u00f3dio contra a domina\u00e7\u00e3o ocidental e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o israelense estava presente devido \u00e0 alian\u00e7a entre estes dois regimes aos Estados Unidos. A natureza ditatorial desses regimes \u00e9 um resultado direto de seu papel na manuten\u00e7\u00e3o dos interesses imperialistas.<\/p>\n<p>3. Ambas as insurg\u00eancias t\u00eam suas ra\u00edzes em um processo de lutas que se acumularam desde o in\u00edcio da feroz liberaliza\u00e7\u00e3o da economia que remonta \u00e0 d\u00e9cada de 70, segundo imposi\u00e7\u00e3o de Bretton Woods (Banco Mundial, FMI, Acordos de Camp David, GATT, OMC) e que tomou forma com os planos chamados estruturais. Para falar apenas da \u00faltima d\u00e9cada entre 2003 e 2010, mais de 3400 movimentos de protesto foram identificados no Egito. Este processo tem sido acompanhado por uma destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das institui\u00e7\u00f5es do Estado, da concentra\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas poderes nas m\u00e3os de uma oligarquia submetida aos Estados Unidos e do estabelecimento de um regime repressivo.<\/p>\n<p>4. O fato de que &#8220;estas revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam cabe\u00e7a&#8221; ajudou a perturbar os analistas da esquerda europeia e do ocidente em geral, que n\u00e3o souberam qualificar estas revolu\u00e7\u00f5es populares, as quais n\u00e3o foram obra dos partidos de esquerda[15], mas um movimento espont\u00e2neo dos jovens e das massas populares, e n\u00e3o resultaram em uma chegada ao poder das for\u00e7as revolucion\u00e1rias. [16]<\/p>\n<p>Pois o fato destas revolu\u00e7\u00f5es serem desprovidas de dire\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica n\u00e3o retira nada do seu car\u00e1ter revolucion\u00e1rio, no sentido de que nos lembra o fil\u00f3sofo comunista Alain Badiou: \u201cEsta a\u00e7\u00e3o coletiva, desprovida da autoridade da lei, aquela que Marx denominou \u2018o desvanecimento do Estado\u2019, este triunfo, ilegal por natureza, da a\u00e7\u00e3o popular, chama-se revolu\u00e7\u00e3o. Sublevar-se, construir o lugar p\u00fablico do comunismo de movimento, defendendo-o por todos os meios e inventar as etapas sucessivas da a\u00e7\u00e3o, este \u00e9 o realsentido da pol\u00edtica popular de emancipa\u00e7\u00e3o. Comunismo quer dizer aqui: cria\u00e7\u00e3o em comum do destino coletivo. Resolver sem ajuda do Estado problemas insol\u00faveis, ou seja, o destino de um acontecimento. \u00c9 isto que faz com que um povo, repentinamente, e por tempo indeterminado, exista, ali onde ele decidiu se reunir\u201d.[17]<\/p>\n<p>No momento atual, este movimento continua, centenas de sindicatos independentes nasceram, bem como comit\u00eas de bairro, comit\u00eas de acompanhamento para julgar os corrompidos, os traidores&#8230;, comiss\u00f5es para discutir a legisla\u00e7\u00e3o e, sobretudo, uma assembleia para garantir a continua\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o a partir de Midan Tahir (esta semana foram definidos de maneirapermanente todos os comit\u00eas da Pra\u00e7a Tahir).<\/p>\n<p>A continuidade deste movimento \u00e9 a \u00fanica garantia da continuidade do processo revolucion\u00e1rio e de parar as manobras imperialistas, e devemos, todos, ser solid\u00e1rios com os movimentos no Egito e na Tun\u00edsia, onde os sindicatos e os partidos pol\u00edticos que fizeram Kasbah II decidiram continuar sua mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s somos militantes comunistas; devemos garantir uma an\u00e1lise de classe e olhar ao mesmo tempo a tradi\u00e7\u00e3o leninista e a din\u00e2mica da hist\u00f3ria.[18]<\/p>\n<p>IV &#8211; Os limites da agress\u00e3o imperialista<\/p>\n<p>Apesar da agress\u00e3o imperialista, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as n\u00e3o lhe \u00e9 favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 verdade que, at\u00e9 o presente momento, as estrat\u00e9gias postas em pr\u00e1tica pelas grandes pot\u00eancias n\u00e3o foram colocadas em xeque pelos movimentos, mas as posi\u00e7\u00f5es do imperialismo dentro da regi\u00e3o s\u00e3o muito fr\u00e1geis. Com a queda das ditaduras abertas que estavam a seu servi\u00e7o, eles perderam um aliado poderoso.<\/p>\n<p>&#8211; Sobre o plano estrat\u00e9gico, os imperialistas sa\u00edram fragilizados de seu duplo fracasso no Iraque e no Afeganist\u00e3o e s\u00e3o incapazes, ao menos num curto prazo, de atacar o Ir\u00e3[19]. (O Estado-maior americano n\u00e3o apoiou esta ideia de uma guerra contra o Ir\u00e3. As press\u00f5es israelenses n\u00e3o tiveram \u00eaxito &#8211; resposta de Obama a Netanyahou).<\/p>\n<p>&#8211; Al\u00e9m disso, o Ir\u00e3 \u00e9 uma pot\u00eancia de porte (n\u00e3o \u00e9 nem o Iraque e nem o Afeganist\u00e3o). Ningu\u00e9m sabe aonde poderia chegar uma aventura militar no Ir\u00e3&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Assistimos a uma concord\u00e2ncia de concep\u00e7\u00f5es e uma alian\u00e7a herm\u00e9tica entre o Escudo do Golfo e Israel<\/p>\n<p>&#8211; Na S\u00edria, a R\u00fassia e a China colocaram todo seu peso para parar a arrog\u00e2ncia estadunidense que quer ditar sua lei como fez na ocasi\u00e3o da guerra contra o Iraque, freando o processo de derrubada do regime [Bashar] Al-Assad e tentando achar uma solu\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>&#8211; Outras manobras de estabiliza\u00e7\u00e3o consistem em exacerbar a ira sunita-xiita e \u00e9 aqui que os wahabitas sauditas e os emires do Qatar atuam plenamente, armando a oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria e corrompendo a oposi\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional S\u00ecrio (CNS, que acaba de entrar em crise por quest\u00f5es financeiras)[20]. O objetivo \u00e9 fechar o cerco ao Ir\u00e3 xiita, para quebrar a alian\u00e7a entre o Hamas (sunita) e o Hezbollah (xiita), cuja alian\u00e7a falhou devido \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o de uma guerra confessional dentro do Isl\u00e3. Esta tentativa foi para tentar frustrar o Hezbollah que conseguiu criar uma frente unida que envolve todas as tr\u00eas resist\u00eancias anti-imperialistas na regi\u00e3o: iraquiana, palestina e libanesas.<\/p>\n<p>&#8211; Os modelos desta desestabiliza\u00e7\u00e3o, que se faz no escuro, nos colocam diante dos seguintes cen\u00e1rios:<\/p>\n<p>I \u2013 o Paquist\u00e3o servir\u00e1 como modelo para o Egito ou a Tun\u00edsia;<\/p>\n<p>II \u2013 a somaliza\u00e7\u00e3o da L\u00edbia e da S\u00edria (encontramos hoje na Som\u00e1lia cerca de 45 \u201cgovernos\u201d&#8230; a L\u00edbia est\u00e1 a caminho desde \u201cmodelo\u201d&#8230; a S\u00edria poderia segui-lo&#8230;)<\/p>\n<p>&#8211; No Egito, os servi\u00e7os secretos americanos e israelenses n\u00e3o se desarmam, eles s\u00e3o onipresentes para controlar a situa\u00e7\u00e3o e preservar o status quo e os acordos assinados. A Casa Branca havia aberto uma c\u00e9lula permanente cujo intuito era recompor a institui\u00e7\u00e3o militar[21]: Omar Souleiman, Tantawy e os outrora inimigos da Irmandade Mu\u00e7ulmana. Mas, aqui tamb\u00e9m, nem os militares, nem a Irmandade Mu\u00e7ulmana, podem agir abertamente em favor do bloco Israel-EUA. Por outro lado, os resultados das elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o um dado est\u00e1tico. O que podem os isl\u00e2micos dar \u00e0s massas? Qual \u00e9 seu programa? Por isso, o movimento nas ruas continua e as tropas dos partidos religiosos participam dos movimentos reivindicat\u00f3rios. Como se disse antes, o medo havia mudado de lado e os povos ainda est\u00e3o em alerta.<\/p>\n<p>V &#8211; Que ensinamentos gerais podemos tirar das revoltas populares que ecoam pelos pa\u00edses do mundo \u00e1rabe h\u00e1 mais de um ano?<\/p>\n<p>1. A li\u00e7\u00e3o principal e fundamental \u00e9 que os povos quebraram o muro do medo. Esta \u00e9 uma grande transforma\u00e7\u00e3o qualitativa. Durante d\u00e9cadas, os povos em quest\u00e3o, sejam os eg\u00edpcios ou os tunisianos &#8211; mas poder\u00edamos nos referir a muitos outros &#8211; concordaram em viver sob regimes policiais e mesmo de terror, pensando que era totalmente imposs\u00edvel fazer qualquer coisa. Agora, eles se revoltam.<\/p>\n<p>2. A revers\u00e3o do processo n\u00e3o \u00e9 mais conceb\u00edvel. N\u00e3o importam quais sejam as manobras externas de desestabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e as for\u00e7as que emergem \u00e0 superf\u00edcie, seja qual for a import\u00e2ncia dos entraves diante das oportunidades para avan\u00e7ar, houve uma transforma\u00e7\u00e3o qualitativa enorme, porque n\u00e3o podemos voltar atr\u00e1s &#8211; pelo menos n\u00e3o facilmente \u2013 rumo a regimes de opress\u00e3o como os que havia. Revoltas populares continuam e continuar\u00e3o. Esta \u00e9 a li\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p>3. Um eixo para o movimento revolucion\u00e1rio que chamamos \u201ca mem\u00f3ria das lutas\u201d (ontem, o Hezbollah se inspirou nos vietcongues, hoje aqueles do Occupy Wall Street se inspiram em Qassabah [Tunis] e em Midan Tahrir [Cairo]).<\/p>\n<p>Viva a luta dos povos. Que nosso combate continue para enfrentar o capitalismo que se encontra em crise e mais fraco do que nunca. Reforcemos a solidariedade internacional e criemos liga\u00e7\u00f5es entre as redes de resist\u00eancia anti-colonialista (independentemente de suas ideologias)[22] e os movimentos anti-imperialistas, bem como de todas as formas de luta contra as institui\u00e7\u00f5es financeiras e a ditadura do mercado.<\/p>\n<p>Viva o comunismo, a \u00fanica alternativa \u00e0 barb\u00e1rie do capitalismo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>[1] Doutora em Antropologia e editora da revista &#8220;Alternatives \/ Bada&#8217;el&#8217; distribu\u00edda em dez pa\u00edses \u00e1rabes. Foi organizadora do Tribunal Popular de Bruxelas, em 2008, para julgar crimes de guerra israelenses no L\u00edbano. Participoucomo ju\u00edza do tribunal da Opini\u00e3o de Bogot\u00e1 para julgar sobre os desaparecidos do regime de Uribe. Ela \u00e9 a Coordenadora do F\u00f3rum Social Internacional de Beirute: o F\u00f3rum Social Internacional de Beirute, que aconteceu em 16, 17 e 18 de janeiro de 2009 teve por objetivo criar uma converg\u00eancia entre as resist\u00eancias anti-coloniais (no L\u00edbano, na Palestina e no Iraque) e a luta anti-imperialista em escala internacional, bem como com os movimentos de lutas sociais travadas pelos povos para preservar os suas conquistas sociais e os direitos ao trabalho, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 escola &#8230; por dignidade, justi\u00e7a e pelo direito de se organizar &#8230; Nossa batalha se orienta a todos que se tornaram alvo de um capitalismo cada vez mais predat\u00f3rio e destrutivo. Duas novidades deram a este f\u00f3rum um grande impulso: a crise financeira e os acontecimentos em Gaza. Presenciamos uma onda sem precedentes (450 organiza\u00e7\u00f5es e 60 pa\u00edses) da \u00c1sia (\u00cdndia, Ir\u00e3, Paquist\u00e3o, Afeganist\u00e3o), da Europa, dos EUA, da Am\u00e9rica Latina, e de todos os pa\u00edses \u00e1rabes &#8230; A plataforma fundadora deste f\u00f3rum realizou v\u00e1rias reuni\u00f5es preparat\u00f3rias em vista do pr\u00f3ximo f\u00f3rum, adiado por conta dos eventos no mundo \u00e1rabe, particularmente na S\u00edria. (Ver resolu\u00e7\u00f5es do F\u00f3rum em anexo)<\/p>\n<p>[2] Em abril de 2011, em uma reuni\u00e3o na Ar\u00e1bia Saudita, um m\u00eas de intervalo da revolu\u00e7\u00e3o, nasceu no Bahrein &#8220;o escudo do Golfo&#8221;, que inclui todos os pa\u00edses do Golfo em mais de dois reinos: Jord\u00e2nia e Marrocos . O objetivo desta alian\u00e7a \u00e9 proteger estes sistemas contra levantes populares que come\u00e7aram a queimar a grama sob seus p\u00e9s, incluindo Bahrain, I\u00eamen, Jord\u00e2nia ou mesmo as cidades do Reino Saudita como a cidade de Taif. O apoio financeiro foi reservado para festas de islamismo sunita conservador ou o que \u00e9 chamado de &#8220;Os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos.&#8221; A cadeia Al Jazira desempenhou um papel ineg\u00e1vel de mediador para cobrir as revolu\u00e7\u00f5es eg\u00edpcia e tunisina.<\/p>\n<p>[3] Trata-se de uma iniciativa bipartid\u00e1ria promovida pelo senador democrata John Kerry e pelo republicano McCain. O objetivo destes investimentos no Egito e Tun\u00edsia \u00e9 de \u201cpromover o setor privado e de parcerias com empresas estadunidenses\u201d e \u201ca cria\u00e7\u00e3o de uma classe m\u00e9dia\u201d. Os EUA visam assim a conquista de pequenas e m\u00e9dias empresas: no Egito elas s\u00e3o 160 mil, as quais se juntam 2,4 milh\u00f5es de micro empresas. Estes investimentos s\u00e3o dirigidos pelo regulamento do Fundo Empresarial EUA-Egito: ele ser\u00e1 governado por um conselho diretor de 4 cidad\u00e3os estadunidenses, da \u00e1rea da economia privada, e 3 eg\u00edpcios, sendo estes \u00faltimos tamb\u00e9m \u201cnomeados pelo presidente dos Estados Unidos\u201d.<\/p>\n<p>[4] Em primeiro lugar, o Oriente M\u00e9dio nunca foi completamente descolonizado. Possuindo mais da metade das reservas de petr\u00f3leo do mundo, ele tem sido alvo de constantes interfer\u00eancias e interven\u00e7\u00f5es desde que se tornou independente. 2. Ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial a regi\u00e3o foi fragmentada e dividida pelo Tratado Sykes\u2013Picot em estados artificiais. 3. Ap\u00f3s a Segunda Guerra, estamos vendo a implementa\u00e7\u00e3o de um Estado colonial na Palestina. 4. Na d\u00e9cada de sessenta, ele se submeteu a uma press\u00e3o qu\u00e1drupla, dos EUA, Israel, Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a &#8211; golpe de Estado contra Mossadek no Ir\u00e3 (nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo), Guerra de 56 contra Nasser (ap\u00f3s a nacionaliza\u00e7\u00e3o do Canal de Suez), a Batalha de Argel contra a FLN. 5. Em 1967, uma guerra regional irrompe contra o Egito, a S\u00edria e a Jord\u00e2nia. Seguida pela guerra de 73, que resulta em uma vit\u00f3ria militar gra\u00e7as \u00e0 ajuda russa, rapidamente contornada por um compl\u00f4 que destr\u00f3i a moral das tropas que receberam ordens para retirar de D\u00e9fressoire. O L\u00edbano acumula seis guerras destrutivas em 25 anos &#8230; depois vem a ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque em 2003, ap\u00f3s um longo cerco asfixiante, a guerra e o cerco de Gaza &#8230;.<\/p>\n<p>[5] Os EUA concedem ao Egito uma doa\u00e7\u00e3o de 1,5 bilh\u00e3o de d\u00f3lares por ano, dos quais 1 bilh\u00e3o como ajuda militar, contra 7,5 bilh\u00f5es de doa\u00e7\u00e3o a Israel.\u00a0 Se o Egito est\u00e1 endividado em mais de 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, apesar de ser um grande exportador de petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e produtos acabados, tal fato se d\u00e1 porque sua economia \u00e9 dominada por multinacionais americanas e europeias \u00e0s quais Mubarak abriu totalmente as portas. Tal domina\u00e7\u00e3o ser\u00e1 refor\u00e7ada pelo compartilhamento da d\u00edvida do Egito por Washington, para assim permitir que as multinacionais americanas obtenham a\u00e7\u00f5es de empresas e concess\u00f5es de petr\u00f3leo eg\u00edpcias no valor de um bilh\u00e3o de d\u00f3lares, sem qualquer custo para elas. Sempre para &#8220;refor\u00e7ar o crescimento e o empreendedorismo.&#8221; Washington est\u00e1 perseguindo os mesmos objetivos na Tun\u00edsia.<\/p>\n<p>[6] O Egito pagou seus empr\u00e9stimos a uma taxa de cerca de 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Desde 1981, o Egito pagou cerca de 80 bilh\u00f5es em rendimentos de capitais e juros.<\/p>\n<p>[7] Mubarak costumava repetir em seus discursos \u00e0 na\u00e7\u00e3o que \u201cse n\u00f3s n\u00e3o colaborarmos com os EUA, eles cortar\u00e3o sua ajuda e seu trigo, e em tr\u00eas dias voc\u00eas estar\u00e3o famintos.\u201d Outros acordos de trocas (assim ditas) livres obrigam o Egito a vender com preju\u00edzo seu g\u00e1s para a Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Espanha.<\/p>\n<p>[8] Se o Egito est\u00e1 endividado em mais de 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, apesar de ser um grande exportador de petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e produtos acabados, tal fato se d\u00e1 porque sua economia \u00e9 dominada por multinacionais americanas e europeias \u00e0s quais Mubarak abriu totalmente as portas. Tal domina\u00e7\u00e3o ser\u00e1 refor\u00e7ada pelo compartilhamento da d\u00edvida do Egito por Washington, para assim permitir que as multinacionais americanas obtenham a\u00e7\u00f5es de empresas e concess\u00f5es de petr\u00f3leo eg\u00edpcias no valor de um bilh\u00e3o de d\u00f3lares, sem qualquer custo para elas. Sempre para &#8220;refor\u00e7ar o crescimento e o empreendedorismo.&#8221; Washington est\u00e1 perseguindo os mesmos objetivos na Tun\u00edsia.<\/p>\n<p>[9] Estes acordos n\u00e3o s\u00e3o apenas acordos pol\u00edticos e de seguran\u00e7a. Eles cont\u00e9m todos centenas de cl\u00e1usulas concernentes \u00e0 abertura desmesurada dos mercados locais para as empresas internacionais, sobretudo americanas e israelenses. Israel sempre foi ponta de lan\u00e7a na introdu\u00e7\u00e3o do capitalismo predat\u00f3rio. \u00c9 em troca deste seu duplo papel colonial-capitalista que eles t\u00eam todo o apoio ocidental para preservar um Estado de exce\u00e7\u00e3o em escala internacional.<\/p>\n<p>[10] A maior academia militar, de Saint Cyr, na fran\u00e7a, ensina em seus programas as guerras israelenses como exemplos impressionantes da arte da guerra, em especial a guerra de 67. Em 2006, a Academia ajustou seus programas para compreender como um pequeno grupo pode agir \u00e0 maneira vietcongue para colocar em xeque um ex\u00e9rcito moderno dotado de uma for\u00e7a de ataque formid\u00e1vel, em especial na Batalha de Kiam onde um regimento de blindados com mais de 40 carros foi destru\u00eddo em algumas horas&#8230;<\/p>\n<p>[11] A ajuda total dos Estados Unidos a Israel \u00e9 aproximadamente um ter\u00e7o do or\u00e7amento dos EUA de ajuda externa,\u00a0 sabendo-se que Israel tem apenas 0,001 por cento da popula\u00e7\u00e3o mundial e possui uma renda per capita entre as mais altas o mundo. De 1949 at\u00e9 1997 os EUA deram a Israel um total de 83.205 bilh\u00f5es d\u00f3lares. Despesas com juros que t\u00eam sido suportados pelos contribuintes dos Estados Unidos em nome de Israel s\u00e3o de 49,937 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.\u00a0 Assim, o montante total da ajuda a Israel desde 1949 era de 133,132 bilh\u00f5es d\u00f3lares. Isso pode significar que, por ano,\u00a0 o governo dos EUA forneceu mais assist\u00eancia federal para o cidad\u00e3o m\u00e9dio de Israel do que ao cidad\u00e3o americano m\u00e9dio.<\/p>\n<p>[12] Ver meu artigo sobre as raz\u00f5es do aumento das correntes isl\u00e2micas dentro da religi\u00e3o. Discurso pronunciado em Serpa, em 2008 (em portugu\u00eas e espanhol) e tamb\u00e9m minha entrevista em Resumen Latinoamericano.<\/p>\n<p>[13] O Iraque n\u00e3o s\u00f3 perdeu a sua soberania pol\u00edtica para o benef\u00edcio dos ocupantes. Ele tamb\u00e9m perdeu o direito de produzir suas pr\u00f3prias colheitas. Pouco antes da &#8220;transfer\u00eancia de poder&#8221; em junho de 2004, o administradorprovis\u00f3rio da coaliz\u00e3o, Paul Bremer, imp\u00f4s ao pa\u00eds uma lista de 100 determina\u00e7\u00f5es permitindo aos EUA controlarem todos os aspectos da vida econ\u00f4mica de acordo com sua concep\u00e7\u00e3o do mercado liberal. Este controle inclui a dire\u00e7\u00e3o do Banco Central do Iraque, as regras relativas aos sindicatos e as regras relativas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, de modo que ela obede\u00e7a aos desejos da Monsanto, que de forma agressiva tenta impor a utiliza\u00e7\u00e3o de OrganismosGeneticamente Modificados (OGM). O decreto 81, de Bremer, prev\u00ea a destrui\u00e7\u00e3o de 200 tipos de trigo aut\u00f3ctones e sua substitui\u00e7\u00e3o por sementes \u201cTerminator\u201d produzidas pela Monsanto, semente esta que d\u00e1 uma planta est\u00e9ril, sem sementes, e os agricultores ter\u00e3o de renovar anualmente as suas reservas de sementes da Monsanto que tem o monop\u00f3lio de 99 anos sobre as mesmas. Este \u00e9 o modelo de democracia que os ianques querem exportar ao OrienteM\u00e9dio. Ver meu artigo em espanhol: \u00bfIraque, um Futuro Modelo del Capitalismo americano?<\/p>\n<p>[14] Ver, sobre isso, Samir Amine: \u201cSortir du capitalisme en crise ou de la crise du capitalisme\u201d.<\/p>\n<p>[15] A esquerda esteve bem nas ruas, mas n\u00e3o como dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>[16] Em menos de duas semanas do in\u00edcio da revolta, diferentes setores da sociedade eg\u00edpcia depois de cruzar o muro do medo, reagruparam a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica: comit\u00eas eclodiram no seio da classe oper\u00e1ria, do campesinato, mesmo nas regi\u00f5es mais remotas, como em Sohag (120.000 manifestantes apenas ali, al\u00e9m de Luxor, Kena, Aswan, Al-Kharga, Fayoum), na classe m\u00e9dia (comiss\u00f5es de ju\u00edzes, professores, jornalistas, cineastas, escritores, advogados, m\u00e9dicos, t\u00e9cnicos do Canal de Suez, contabilistas, agentes, telecomunica\u00e7\u00f5es), mas tamb\u00e9m do cintur\u00e3o popular de mis\u00e9ria ao redor de Cairo, como Shubra, Imbaba Mataria, Al Salam. O n\u00famero de manifestantes excedeu os 20 milh\u00f5es durante os dias. Lembro que, na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o de Mubarak, 4 milh\u00f5es de eleitores de 82 milh\u00f5es de habitantes compareceram \u00e0s urnas.<\/p>\n<p>[17] Ver Alain Badiou: \u201cTunisia, Egito: quando um vento do leste varre a arrog\u00e2ncia do Ocidente\u201d.<\/p>\n<p>[18] Na destruidora guerra de Israel no L\u00edbano, em 2006, o militante comunista e escritor Miguel Urbano saudou a resist\u00eancia libanesa, dizendo que &#8220;L\u00e1 onde o imperialismo concentra suas for\u00e7as militares e econ\u00f4micas, aqueles que o enfrentam o fazem em nome da humanidade inteira&#8221;.<\/p>\n<p>[19] As opera\u00e7\u00f5es militares dos EUA, especialmente no Iraque e no Afeganist\u00e3o, custaram 904 bilh\u00f5es de d\u00f3lares desde 2001, segundo um relat\u00f3rio do Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos e Or\u00e7ament\u00e1rios (CSBA). Este valor inclui a retirada das tropas em 2009.<\/p>\n<p>[20] Somos atualmente quatro fragmentos: Irm\u00e3os mu\u00e7ulmanos s\u00edrios (base Istambul), Maha Kodmany (financiamento dos EUA), Burhan Ghalioun (rejeita a ideia saudita de armar a oposi\u00e7\u00e3o), El-Maleh (pr\u00f3-Ar\u00e1bia Saudita).<\/p>\n<p>[21] O ex\u00e9rcito eg\u00edpcio n\u00e3o supera os 350.000 homens, limite imposto pelos acordos de Camps David, enquanto a pol\u00edcia conta com um milh\u00e3o e meio de homens. A maior parte da ajuda dos EUA para o ex\u00e9rcito \u00e9 feita sob a forma de repasses de dinheiro em troca de favoritismo.<\/p>\n<p>[22] Dentro da boa tradi\u00e7\u00e3o leninista que, em 1919, reuniu em Baku os povos do Oriente que lutavam contra o colonialismo para refor\u00e7ar as posi\u00e7\u00f5es dos bolcheviques. Esses povos tinham, na \u00e9poca, formas pol\u00edtico-sociais pr\u00e9-estatais, ou seja, eram tribos e religi\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Leila Ghanem\n\n\n\n\n\n\n\n\nLeila Ghanem[1]\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2675\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-2675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-H9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}