{"id":26771,"date":"2021-01-24T21:23:25","date_gmt":"2021-01-25T00:23:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26771"},"modified":"2021-02-02T01:06:49","modified_gmt":"2021-02-02T04:06:49","slug":"a-imprensa-do-pcb-nos-anos-de-formacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26771","title":{"rendered":"A imprensa do PCB nos anos de forma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outroladodanoticia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/I0000025-12PX001285PY0013932.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Ricardo Costa *<\/p>\n<p>Nos primeiros anos de sua exist\u00eancia, o Partido Comunista Brasileiro, ent\u00e3o denominado Partido Comunista do Brasil (PCB), exerceu importante influ\u00eancia entre os trabalhadores dos grandes centros, verificada, por exemplo, na circula\u00e7\u00e3o da revista Movimento Comunista, criada antes mesmo da funda\u00e7\u00e3o do Partido, em janeiro de 1922, com tiragem m\u00e9dia de mil e quinhentos exemplares e tendo 24 n\u00fameros editados at\u00e9 o ano de 1923, quando se tornou a primeira dentre as in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es comunistas a ser fechada pela repress\u00e3o policial no Brasil.<\/p>\n<p>Os comunistas atuavam primordialmente no interior dos sindicatos e, contando no in\u00edcio com menos de cem militantes, concentrados em sua maioria no Rio de Janeiro e em Niter\u00f3i, buscavam difundir as conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista na R\u00fassia em 1917 e as ideias contr\u00e1rias ao capitalismo atrav\u00e9s de palestras, festas nas sedes dos sindicatos, revistas, livros, panfletos e artigos publicados na imprensa sindical. Militantes do PCB dirigiam pequenos jornais dos sindicatos oper\u00e1rios e controlavam a p\u00e1gina sindical do jornal O Paiz, da chamada grande imprensa. Em fun\u00e7\u00e3o das crescentes rivalidades com os anarquistas nos anos de 1923-24, o PCB realizou alian\u00e7as com setores reformistas do sindicalismo, obtendo por isso acesso a uma coluna denominada \u201cSe\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria\u201d no jornal conservador O Paiz, espa\u00e7o em que Oct\u00e1vio Brand\u00e3o publicou textos de L\u00eanin, documentos da Internacional Comunista e artigos de sua autoria.<\/p>\n<p>Entretanto, seu maior ve\u00edculo de informa\u00e7\u00e3o no per\u00edodo foi o seman\u00e1rio A Classe Oper\u00e1ria, editado pela primeira vez em 1\u00ba de maio de 1925, chegando a alcan\u00e7ar a tiragem de onze mil exemplares no n\u00famero 12, quando tamb\u00e9m foi fechado pela repress\u00e3o. O jornal reapareceria em diversos momentos da hist\u00f3ria do PCB, como num outro 1\u00ba de maio, no ano de 1928, j\u00e1 com uma tiragem entre quinze e trinta mil exemplares, significativa da conjuntura rica em lutas sociais, a prenunciar as mudan\u00e7as pol\u00edticas que se avizinhavam nos estertores da Rep\u00fablica Velha.<\/p>\n<p>Sobre \u201ca nossa muito gloriosa A Classe Oper\u00e1ria\u201d, Astrojildo Pereira comentaria em palestra proferida na Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa, ABI, no Rio de Janeiro, em julho de 1947, evento organizado com o objetivo de angariar fundos para a imprensa comunista, promovida pelo Movimento de Aux\u00edlio \u00e0 Tribuna Popular (di\u00e1rio do PCB):<\/p>\n<p>\u201cPor ela, em anos duros de luta contra a rea\u00e7\u00e3o, deram a vida alguns her\u00f3icos companheiros cujos nomes permanecer\u00e3o para sempre gravados na hist\u00f3ria das lutas populares em nossa terra. Perseguida, batida, suprimida cem vezes, cento e uma vezes ressuscitou A Classe Oper\u00e1ria e n\u00e3o se extinguir\u00e1 jamais, porque \u00e9 imortal como a pr\u00f3pria classe que ela encarna e representa na imprensa deste pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>Astrojildo Pereira Duarte Silva foi uma das principais figuras desta primeira fase de organiza\u00e7\u00e3o do Partido. Nascido em 8 de outubro de 1890, em Rio Bonito, interior do Estado do Rio de Janeiro, era filho de um m\u00e9dico propriet\u00e1rio rural e comerciante, descendente pr\u00f3ximo de portugu\u00eas. Estudou no Col\u00e9gio Anchieta, em Nova Friburgo, educand\u00e1rio de orienta\u00e7\u00e3o jesu\u00edta, de onde foi expulso. Morando com a fam\u00edlia em Niter\u00f3i, come\u00e7ou a trabalhar como gr\u00e1fico e entrou em contato com o universo cultural do Rio de Janeiro. Na d\u00e9cada de 1910, aproximou-se dos n\u00facleos anarquistas. Em 1913, participou ativamente da organiza\u00e7\u00e3o do II Congresso Oper\u00e1rio Brasileiro, que, dirigido ent\u00e3o pelos grupos anarquistas, reestruturou a Confedera\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria Brasileira (COB).<\/p>\n<p>Foi na imprensa oper\u00e1ria que Astrojildo deu in\u00edcio \u00e0 carreira de jornalista, atividade a que se dedicou durante a maior parte de sua vida. Em fins de 1918, participou de uma frustrada tentativa de levante anarquista, raz\u00e3o pela qual foi preso. No entanto, os ecos da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de 1917 na R\u00fassia j\u00e1 se faziam sentir entre os militantes do movimento oper\u00e1rio no Brasil, e Astrojildo acabou por afastar-se do anarquismo. Proferiu palestras defendendo a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e o internacionalismo prolet\u00e1rio e editou a revista Movimento Comunista. Deu in\u00edcio \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de uma se\u00e7\u00e3o brasileira da Internacional Comunista, efetivada em mar\u00e7o de 1922 com a funda\u00e7\u00e3o do Partido Comunista do Brasil, do qual foi eleito Secret\u00e1rio-Geral. Fez sua primeira viagem \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1924 e foi encarregado, em 1927, de estabelecer o primeiro contato do PCB com o l\u00edder do movimento tenentista Luiz Carlos Prestes, ent\u00e3o exilado na Bol\u00edvia. Passou a fazer parte do Comit\u00ea Executivo da IC em 1928, mas, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930, a guinada \u201cobreirista\u201d no partido foi respons\u00e1vel pelo afastamento dos intelectuais, e Astrojildo seria substitu\u00eddo na Secretaria-Geral.<\/p>\n<p>Durante a realiza\u00e7\u00e3o do II Congresso do PCB, em maio de 1925, no Rio de Janeiro, foi aprovada a cria\u00e7\u00e3o de um jornal com o prop\u00f3sito de divulgar as principais propostas e bandeiras dos comunistas junto \u00e0 classe trabalhadora. O Brasil na \u00e9poca vivia sob um regime de persegui\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia constante exercido sobre os setores populares, em virtude do estado de s\u00edtio que vigorou durante o governo de Artur Bernardes (1922-1926). Apesar das dificuldades impostas pelo clima de repress\u00e3o permanente, o registro legal do novo jornal foi obtido, sendo que o ministro da Justi\u00e7a Afonso Pena J\u00fanior indicou dois jornalistas de renome (Alberto Lira e Carlos Sussekind de Mendon\u00e7a) para exercerem a censura do peri\u00f3dico. Fundado por Astrogildo Pereira e Ot\u00e1vio Brand\u00e3o Rego, com o aux\u00edlio de Jos\u00e9 Lago Molares e Laura Brand\u00e3o, assim surgia A Classe Oper\u00e1ria, que n\u00e3o se assumia abertamente como \u00f3rg\u00e3o oficial do PCB, sendo apresentado como um \u201cjornal de trabalhadores, feito por trabalhadores, para trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>Oct\u00e1vio Brand\u00e3o do Rego, alagoano nascido em 1896, entrou para o PCB em novembro de 1922 e integrou seu Comit\u00ea Central entre 1923 e 1930, tendo sido o principal inspirador das teses aprovadas no II Congresso do Partido. Farmac\u00eautico por profiss\u00e3o, tamb\u00e9m come\u00e7ou sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica nos meios anarquistas, inicialmente em sua cidade natal, Vi\u00e7osa e, depois, em Macei\u00f3. Estudando no Recife, foi atra\u00eddo para as ideias comunistas com o impacto da Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica no meio intelectual da capital pernambucana. Transferiu-se depois para o Rio de Janeiro, onde o contato com Astrojildo Pereira foi fundamental para sua milit\u00e2ncia no rec\u00e9m-fundado Partido Comunista do Brasil.<\/p>\n<p>Eleito para a Comiss\u00e3o Central Executiva do Partido poucos meses ap\u00f3s a sua filia\u00e7\u00e3o, foi o principal intelectual org\u00e2nico dos comunistas at\u00e9 a sua destitui\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do PCB em 1930, quando foi acusado de \u201cdesvios de direita\u201d, ao lado de Astrojildo e outros dirigentes. A partir de ent\u00e3o, passou a viver o ostracismo partid\u00e1rio, tendo permanecido por quinze anos na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ap\u00f3s ser preso e deportado pela pol\u00edcia de Get\u00falio em 1931. Retornando ao Brasil em 1946, conquistou a cadeira de vereador no Rio de Janeiro (ent\u00e3o Distrito Federal) no ano seguinte, \u00eaxito conquistado gra\u00e7as \u00e0 antiga base oper\u00e1ria que o elegera intendente pelo Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas (BOC) em 1928. Por conta da cassa\u00e7\u00e3o do PCB, foi novamente preso e torturado, passando a viver na clandestinidade entre 1948 e 1956, ap\u00f3s o que voltou \u00e0 milit\u00e2ncia partid\u00e1ria e intelectual, sem o mesmo prest\u00edgio de antes.<\/p>\n<p>A poetisa e professora Laura Adelaide Leopoldina da Fonseca e Silva, mais conhecida como Laura Brand\u00e3o, depois que se tornou companheira do dirigente comunista, embora nunca tenha tido liga\u00e7\u00e3o mais org\u00e2nica com o Partido, foi redatora de A Classe Oper\u00e1ria e revisora das cartas dos oper\u00e1rios publicadas no peri\u00f3dico. Em 1928, participou da funda\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea das Mulheres Trabalhadoras, a primeira entidade feminina influenciada pelo PCB. Laura foi presa quando participava de ato comemorativo do 1\u00ba de Maio em 1930. No ano seguinte, ela, Oct\u00e1vio e as tr\u00eas filhas foram deportadas para a Alemanha. Rejeitados pelas autoridades alem\u00e3s, seguiram para Moscou, onde passaram a viver e onde nasceria a quarta filha do casal. Laura trabalhou na R\u00e1dio Moscou como redatora e locutora de programas em portugu\u00eas, com transmiss\u00f5es para o Brasil. Quando as tropas nazistas se aproximaram de Moscou, ela teve que se refugiar no interior da URSS e acabou morrendo de c\u00e2ncer sozinha num hospital. Em seu \u00faltimo poema bradava: \u201cN\u00e3o tenho medo de morrer, mas tenho um grande amor \u00e0 vida, um grande empenho no processo de humanas maravilhas!\u201d<\/p>\n<p>A partir do segundo n\u00famero de A Classe Oper\u00e1ria, o peri\u00f3dico dos comunistas passou a ser composto e impresso nas oficinas do Jornal O Paiz, o que resultou numa melhora expressiva de sua apar\u00eancia gr\u00e1fica. Segundo Marieta de Moraes Ferreira, em verbete produzido pelo CPDOC da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, o PCB utilizava o seman\u00e1rio para denunciar as adversas condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho do operariado brasileiro, divulgando suas reivindica\u00e7\u00f5es imediatas na se\u00e7\u00e3o de cartas, cujo conte\u00fado recebia um grande destaque do jornal. O trabalho de Laura Brand\u00e3o era garantir que todas as cartas recebidas fossem publicadas e respondidas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por meio do notici\u00e1rio, buscava-se imprimir car\u00e1ter popular ao jornal, com as informa\u00e7\u00f5es sendo divulgadas de forma did\u00e1tica, sem an\u00e1lises rebuscadas e grandes discuss\u00f5es te\u00f3ricas. O peri\u00f3dico criticava a concilia\u00e7\u00e3o de classes e indicava que a contradi\u00e7\u00e3o central na sociedade capitalista se dava entre o trabalho e o capital. A Classe Oper\u00e1ria conquistou seu espa\u00e7o no meio do operariado e das camadas populares, tendo por isso aumentado de forma significativa, para aquele momento hist\u00f3rico, a sua tiragem. Por isso mesmo veio a ser suspenso pelo governo federal ao atingir o terceiro m\u00eas de vida, em consequ\u00eancia tamb\u00e9m de ter movido uma campanha contra Alberto Tom\u00e1s, representante da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), acusado pelo jornal de neutralizar a luta entre o capital e o trabalho, ao defender uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o das classes.<\/p>\n<p>A Classe Oper\u00e1ria ressurgiu em maio de 1928. Meses antes, em dezembro de 1927, o PCB organizou o Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas (BOC), articulado inicialmente sob a designa\u00e7\u00e3o de Bloco Oper\u00e1rio, com o prop\u00f3sito de se constituir como uma \u201cFrente \u00danica Prolet\u00e1ria\u201d na luta contra o imperialismo, pelo reconhecimento da URSS pelo governo brasileiro e em defesa de uma s\u00e9rie de reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dos trabalhadores. Representou a primeira tentativa mais sistem\u00e1tica de uma pol\u00edtica de alian\u00e7as dos comunistas brasileiros. No entanto, devido \u00e0 limitada capacidade do PCB em organizar sua presen\u00e7a junto ao sindicalismo urbano, \u00e0 falta de conhecimentos sobre a quest\u00e3o agr\u00e1ria no Brasil e \u00e0 inexist\u00eancia de um movimento aut\u00f4nomo e expressivo dos trabalhadores rurais \u00e0 \u00e9poca, acabou se transformando, na pr\u00e1tica, numa frente eleitoral dirigida pelos comunistas.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que o PCB seguia como um partido n\u00e3o legal, o Bloco Oper\u00e1rio (nome inicial da frente) serviu efetivamente para que os comunistas elegessem, em 1927, um deputado para a C\u00e2mara Federal, o m\u00e9dico Azevedo Lima, que n\u00e3o era militante do Partido. No ano seguinte, j\u00e1 sob a designa\u00e7\u00e3o de BOC, foram eleitos Oct\u00e1vio Brand\u00e3o e o oper\u00e1rio Minervino de Oliveira para o Conselho Municipal do Rio de Janeiro. Em mar\u00e7o de 1930, na \u00faltima participa\u00e7\u00e3o da sigla eleitoral, lan\u00e7aram-se candidatos comunistas \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, ao Senado Federal e \u00e0s assembleias legislativas, mas as vota\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram expressivas, e nenhum deles se elegeu.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, para o cumprimento dessas tarefas pol\u00edticas e eleitorais, tornou-se necess\u00e1rio dispor novamente de um \u00f3rg\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o dedicado ao trabalho militante junto ao operariado, o que veio a ser preenchido com o relan\u00e7amento de A Classe Oper\u00e1ria. O jornal manteve as caracter\u00edsticas anteriores de um seman\u00e1rio popular voltado a abordar as condi\u00e7\u00f5es de vida e a mobilizar os trabalhadores para as lutas do per\u00edodo. Fechado uma vez mais em meados de 1929 pela a\u00e7\u00e3o repressiva do governo de Washington Lu\u00eds (1926-1930), A Classe Oper\u00e1ria retornaria no ano seguinte de maneira clandestina e irregular. O jornal era composto e impresso num pequeno quarto em Vila Isabel pelo tip\u00f3grafo Ant\u00f4nio Pereira da Silva, ap\u00f3s o que eram levados em caixotes cobertos com laranjas at\u00e9 os pontos de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo com toda a repress\u00e3o que continuou se abatendo sobre os comunistas e seu \u00f3rg\u00e3o de imprensa, A Classe Oper\u00e1ria seguiu sendo editada clandestinamente at\u00e9 o fim do Estado Novo, tendo desempenhado importante papel no combate ao fascismo e \u00e0 ditadura de Vargas. Voltou a circular de forma legal e com regularidade ap\u00f3s a queda do regime autocr\u00e1tico, conquistada a legaliza\u00e7\u00e3o do PCB. Dirigido por Maur\u00edcio Grabois, continuou priorizando as not\u00edcias envolvendo o cotidiano dos trabalhadores e suas reivindica\u00e7\u00f5es imediatas, dando destaque tamb\u00e9m aos eventos esportivos. Era um jornal voltado para as massas, num momento em que o Partido, na esteira da enorme simpatia granjeada pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica na vit\u00f3ria contra o nazifascismo e da lideran\u00e7a de Luiz Carlos Prestes, crescia substancialmente no meio da classe trabalhadora e de todos os estratos populares, atraindo ainda in\u00fameros intelectuais e segmentos das camadas m\u00e9dias.<\/p>\n<p>Com o recrudescimento da Guerra Fria veio o cancelamento do registro do PCB no ano de 1947. A Classe Oper\u00e1ria voltou a enfrentar a rotina anterior de persegui\u00e7\u00f5es durante o governo Dutra, at\u00e9 ser fechada em definitivo em maio de 1949. O aparato pol\u00edtico-cultural dos comunistas havia crescido de forma consider\u00e1vel nos anos da chamada redemocratiza\u00e7\u00e3o (1945-1947), por meio de uma ampla cadeia de informa\u00e7\u00e3o que contava com diversos seman\u00e1rios e oito jornais di\u00e1rios distribu\u00eddos pelas principais cidades do pa\u00eds (\u201cTribuna Popular\u201d, depois \u201cImprensa Popular\u201d, no Rio; \u201cHoje\u201d, em S\u00e3o Paulo; \u201cO Momento\u201d, Salvador; \u201cTribuna Ga\u00facha\u201d, Porto Alegre; \u201cFolha do Povo\u201d, Recife; \u201cJornal do Povo\u201d, Jo\u00e3o Pessoa; \u201cFolha Popular\u201d, Natal, entre muitos outros), tendo se constitu\u00eddo numa das maiores redes de comunica\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, talvez apenas suplantada pelos Di\u00e1rios Associados, do empres\u00e1rio Assis Chateaubriand. A tiragem do Tribuna Popular, por exemplo, chegou a atingir entre 30 e 50 mil exemplares nos anos de 1945 e 1946, quando a maior gazeta do Rio alcan\u00e7ava exatamente o n\u00famero de 50 mil jornais impressos.<\/p>\n<p>A nova onda repressiva abalou essa gigantesca estrutura, mas os comunistas jamais deixariam de atuar nas conjunturas seguintes, fosse sob ares mais liberalizantes, entre meados dos anos 50 e os primeiros anos da d\u00e9cada de 1960, ou debaixo da mais violenta repress\u00e3o, durante a ditadura empresarial militar de 1964-1985. Fica a certeza de que a hist\u00f3ria da imprensa do PCB se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da classe trabalhadora brasileira, das suas lutas, das suas desventuras e esperan\u00e7as, por seus direitos e pela constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, a sociedade socialista.<\/p>\n<p>Ricardo Costa (Rico) \u00e9 historiador e Secret\u00e1rio Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o do PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26771\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[365,5],"tags":[225],"class_list":["post-26771","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-centenario-do-pcb","category-s4-pcb","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6XN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26771","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26771"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26771\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}