{"id":26777,"date":"2021-01-25T17:48:12","date_gmt":"2021-01-25T20:48:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26777"},"modified":"2021-01-25T17:48:12","modified_gmt":"2021-01-25T20:48:12","slug":"a-cultura-das-armas-e-as-armas-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26777","title":{"rendered":"A cultura das armas e as armas da cultura"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.granma.cu\/file\/img\/2021\/01\/medium\/f0186781.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Foto: Magazinelatino<\/p>\n<p>57 % da venda de armamentos no mundo \u00e9 controlada por empresas dos EUA<\/p>\n<p>Autor: Fernando Buen Abad | internet@granma.cu<\/p>\n<p>Um &#8220;senso comum&#8221;, produzido \u00e0 ponta das baionetas, ensinou-nos a adiar (sen\u00e3o a renunciar) o nosso direito de saber por que \u00e9 que se gasta em armas a enorme quantia que se exerce em n\u00edvel planet\u00e1rio &#8230; sem consulta nem presta\u00e7\u00e3o de contas! Longa hist\u00f3ria. \u00c9 uma esp\u00e9cie de &#8220;valor compreendido&#8221; pelo qual assumimos que \u00e9 &#8220;necess\u00e1rio&#8221; e &#8220;bom&#8221; submeter-nos ao mercado mundial de mercadorias de guerra fabricadas pela ind\u00fastria de guerra transnacional. E sem d\u00favida. &#8220;Gastos militares mundiais crescem 2,6%: \u00e9 uma nova corrida armamentista&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 normal ignorarmos as &#8220;hip\u00f3teses de guerra&#8221; que justificam a aquisi\u00e7\u00e3o de ofertas de guerra. O que nos amea\u00e7a, desde quando, como e onde &#8230; quantos s\u00e3o \u201cinimigos\u201d percebidos pelo establishment, como s\u00e3o definidos e como s\u00e3o detectados? Quem define onde comprar, com que l\u00f3gica de \u201cdefesa\u201d ou \u201cataque\u201d e que emboscadas t\u00e1ticas e estrat\u00e9gicas nos tornam ref\u00e9ns dos \u201cprodutos\u201d de guerra do mercado? D\u00e3o-nos garantia, d\u00e3o-nos descontos, t\u00eam &#8220;ofertas sazonais&#8221;, como s\u00e3o anunciadas?<\/p>\n<p>Ou o neg\u00f3cio consiste em que paguemos sem pedir o plano de obsolesc\u00eancia que os monop\u00f3lios de armas querem de acordo com suas crises de superprodu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m? N\u00e3o merecemos n\u00f3s saber em que se gasta o dinheiro dos trabalhadores, sobretudo quando os arsenais adquiridos n\u00e3o est\u00e3o isentos do perigo real de serem utilizados contra os povos que os pagam? &#8220;De acordo com os dados mais recentes do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (Sipri), os gastos militares mundiais aumentaram 2, 6% em rela\u00e7\u00e3o a 2017 para chegar a 1,8 trilh\u00e3o de d\u00f3lares, 87 bilh\u00f5es a mais que no ano anterior. Hoje, \u00e9 76% maior do que o n\u00edvel mais baixo registrado ap\u00f3s a Guerra Fria em 1998&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 um banquete mercantil pelo qual passam imensas fortunas, dirigidas majoritariamente aos neg\u00f3cios de: 1. Lockheed Martin (Estados Unidos), com vendas em 2016 de 47.248 milh\u00f5es de d\u00f3lares; 2. Boeing (Estados Unidos), com vendas de 29,5 bilh\u00f5es (Divis\u00e3o de Defesa, Espa\u00e7o e Seguran\u00e7a); 3. bae Systems (Reino Unido), com vendas de 25,6 bilh\u00f5es; 4. Raytheon (Estados Unidos), com vendas de 24.069 milh\u00f5es; 5. Northrop Grumman (Estados Unidos), com vendas de 24,508 milh\u00f5es\u2026 eles s\u00e3o os l\u00edderes mundiais no neg\u00f3cio da morte.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso muita imagina\u00e7\u00e3o para entender o tecido empresarial de uma agita\u00e7\u00e3o financeira, onde os propriet\u00e1rios compartilham neg\u00f3cios com o setor banc\u00e1rio global e monop\u00f3lios da m\u00eddia transnacional. Os tr\u00eas maiores neg\u00f3cios &#8220;legais&#8221; do planeta. E n\u00e3o \u00e9 preciso muita ret\u00f3rica para deixar claro que, al\u00e9m de &#8220;dividendos&#8221; suculentos, esses neg\u00f3cios promovem morte, desola\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias. &#8220;Ind\u00fastria Global de Armas: As empresas dos Estados Unidos dominam a lista dos 100 top&#8221;.<\/p>\n<p>Sob o pretexto legalizado do &#8220;segredo de estado&#8221;, compradores e vendedores constituem uma congrega\u00e7\u00e3o de enormes gastos e mortes \u00e0s custas dos povos e contra os povos. N\u00e3o poucas dessas compras e vendas s\u00e3o produtos de extors\u00f5es muito diversas com as quais uma cultura de guerra \u00e9 inoculada, meticulosamente, a torto e a direito. Filmes, s\u00e9ries de televis\u00e3o, livros, jogos cibern\u00e9ticos para meninos e meninas, can\u00e7\u00f5es, mitos e fetiches em massa inundam a imagina\u00e7\u00e3o coletiva para reproduzir os princ\u00edpios macabros de uma l\u00f3gica de armamentos transformada em entretenimento; enquanto o mundo est\u00e1 banhado em sangue de inocentes. &#8220;57% das vendas de armas no mundo s\u00e3o controladas por empresas estadunidenses&#8221;.<\/p>\n<p>Presos como estamos na l\u00f3gica da viol\u00eancia colonialista, os poderes opressores nos fazem aceitar que precisamos de armas, ex\u00e9rcitos, pol\u00edcia e todo tipo de for\u00e7as de espionagem e repress\u00e3o. Eles nos obrigam a aceitar, mansamente, que algo ou algu\u00e9m est\u00e1 sempre nos amea\u00e7ando e que devemos adquirir todas as novidades sazonais que os &#8220;g\u00eanios&#8221; da morte fabricam incessantemente. Vendem-nos armas e vendem-nos treino, vendem-nos &#8220;conselheiros&#8221; e vendem-nos a ideologia necess\u00e1ria para nos mantermos fi\u00e9is ao seu mercado. E nos vendem, mesmo a cr\u00e9dito, a caducidade de sua parafern\u00e1lia para nos afogar na l\u00f3gica da &#8220;atualiza\u00e7\u00e3o&#8221;, que eles programaram, para destruir os or\u00e7amentos nacionais e os seres humanos. E tamb\u00e9m nos vendem a ideia de que pagamos em dia e somos (n\u00f3s) &#8220;pacifistas&#8221;.<\/p>\n<p>Do outro lado da hist\u00f3ria est\u00e3o os povos que souberam submeter o uso das armas aos seus projetos emancipat\u00f3rios. Todas as lutas pela independ\u00eancia t\u00eam refer\u00eancias fundamentais que conseguiram (e conseguem) levantar-se em armas para livrar-se do jugo da domina\u00e7\u00e3o imperial. Hoje as grandes revolu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas, encurraladas por amea\u00e7as de guerra burguesas, s\u00f3 encontram uma sa\u00edda recorrendo \u00e0s suas populares for\u00e7as armadas. E esta \u00e9 a chave. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa armar bandos de profissionais assalariados para disparar contra os povos e ter os povos armados para se emancipar de todos os canalhas opressores &#8230; ou seja l\u00e1 como se chamem.<\/p>\n<p>Em Cuba, na nossa educa\u00e7\u00e3o e na nossa cultura, as armas tamb\u00e9m desempenham um papel cr\u00edtico aos sistemas econ\u00f4micos e pol\u00edticos, elas est\u00e3o nos hinos e est\u00e3o nos her\u00f3is. Existem avenidas, ruas e bairros que homenageiam as lutas sociais armadas, temos m\u00fasica, pintura, escultura e po\u00e9tica das lutas contra os opressores. N\u00e3o s\u00e3o poucos os monumentos e est\u00e1tuas que se referem a ferramentas ou her\u00f3is com que o povo armado derrotou, militar e culturalmente, o opressor (antigo ou novo) que ergueu as suas trai\u00e7oeiras armas contra o proletariado que, ali\u00e1s, os financiou. A luta entre opressores e oprimidos, a luta de classes, d\u00e1 \u00e0s armas um significado radicalmente oposto. \u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o em que a consci\u00eancia da liberdade e a certeza da emancipa\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para um mundo diferente, em paz, sem classes sociais, sem mestres e sem armas. Humanista.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte:<br \/>\nhttp:\/\/www.granma.cu\/desde-la-izquierda\/2021-01-10\/cultura-de-las-armas-y-armas-de-la-cultura-10-01-2021-23-01-38<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26777\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[13],"tags":[222],"class_list":["post-26777","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s14-cultura","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6XT","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26777"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26777\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}