{"id":26783,"date":"2021-01-26T19:43:39","date_gmt":"2021-01-26T22:43:39","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26783"},"modified":"2021-01-26T19:43:39","modified_gmt":"2021-01-26T22:43:39","slug":"colombia-um-novo-momento-na-luta-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26783","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia: um novo momento na luta de classes"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.elcomercio.com\/files\/content_thumbnail_large\/uploads\/2019\/11\/21\/5dd7267ebea33.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Aureliano Carbonell<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, neste 2021 e nos anos imediatamente seguintes, tende a se travar lutas sociais e pol\u00edticas de maiores dimens\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s que se apresentaram nos \u00faltimos 12 anos, o que, recordemos, t\u00eam marcado desde 2008 um novo ascenso da mobiliza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Dadas as caracter\u00edsticas que est\u00e3o se apresentando, sobretudo nos \u00faltimos tr\u00eas anos, os processos e lutas futuras, al\u00e9m de pressionar por reivindica\u00e7\u00f5es imediatas, tendem a incorporar demandas de maior transcend\u00eancia pol\u00edtica e por mudan\u00e7as, tal como vem sendo a caracter\u00edstica nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Independentemente da pr\u00f3xima conjuntura eleitoral, ou sem nos prendermos exclusivamente a ela, est\u00e1 claro que se configura nos anos recentes, como uma possibilidade real, a emerg\u00eancia de um novo governo que defenda a soberania e mudan\u00e7as; um cen\u00e1rio prov\u00e1vel, mas n\u00e3o inexor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na conforma\u00e7\u00e3o deste cen\u00e1rio incidem os problemas hist\u00f3ricos acumulados e as lutas que v\u00eam do passado, mas tamb\u00e9m quest\u00f5es mais recentes, como a ascens\u00e3o de processos por exig\u00eancias sociais e pol\u00edticas em decorr\u00eancia dos descumprimentos que se arrastam, do desgaste e das dificuldades crescentes que evidenciam a incapacidade do atual governo, com a intensidade que tende a cobrar no imediato e no novo contexto latinoamericano e mundial que se est\u00e1 se desenvolvendo, acelerado agora pela pandemia.<\/p>\n<p>O v\u00edrus barrou temporariamente o ascenso da luta social, que em 2019 mostrou a maior for\u00e7a da \u00faltima d\u00e9cada. N\u00e3o obstante esse par\u00eantesis gerado pela pandemia, no segundo semestre de 2020 puderam se constatar express\u00f5es t\u00e3o vis\u00edveis como as mobiliza\u00e7\u00f5es de 9 e 10 de setembro, brutalmente reprimidas pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Para este 2021 e para os anos imediatamente seguintes, se diagnosticam e se percebem novas e maiores lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es, assim como uma maior confronta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A pandemia imp\u00f4s somente esse par\u00eantesis, que soma raz\u00f5es \u00e0s insatisfa\u00e7\u00f5es causadas pela gest\u00e3o t\u00e3o p\u00e9ssima da mesma.<\/p>\n<p>Novo momento na luta de classes<\/p>\n<p>Se conseguimos ver para al\u00e9m do superficial e do dia a dia, nos daremos conta de que nos anos recentes se esteve perfilando no pa\u00eds um novo momento da luta de classes e das possibilidades de mudan\u00e7a, apesar da continuidade do terrorismo de estado, do paramilitarismo e do terr\u00edvel e crescente assassinato de l\u00edderes sociales e ex-combatentes das FARC desmobilizadas [1].<\/p>\n<p>Col\u00f4mbia n\u00e3o est\u00e1 alheia ao que se apresentou no continente latinoamericano na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo XXI, nem ao que tende a se reeditar na atualidade. Estamos diante de novas realidades, impercept\u00edveis em alguns casos, por\u00e9m, reais e em desenvolvimento, o que demanda a quem est\u00e1 comprometido com as mudan\u00e7as e com outro futuro para os colombianos, a reestabelecer e ajustar v\u00e1rios dos desenhos que hav\u00edamos constru\u00eddo para momentos e situa\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>Neste 2021 e nos dois, tr\u00eas ou quatro pr\u00f3ximos anos, tende a se acrescentar o rep\u00fadio ao atual governo ou a outro de car\u00e1ter igualmente olig\u00e1rquico e mafioso; tende igualmente, como j\u00e1 se tem colocado, a ampliar significativamente a luta social e pol\u00edtica dos de baixo e dos setores m\u00e9dios, desatando-se conjunturas de crises de governabilidade, de maiores e melhores op\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a e de novo governo.<\/p>\n<p>Tudo isso em raz\u00e3o das novas realidades em desenvolvimento no pa\u00eds, no continente e no contexto mundial, em especial, neste \u00faltimo caso, com a decad\u00eancia e a progressiva perda de hegemonia dos Estados Unidos como centro imperialista, quest\u00e3o que se tem feito mais evidente nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Fatos relevantes<\/p>\n<p>a. Em Col\u00f4mbia, desde 2008, quando da Minga (protesto) ind\u00edgena e popular de Cauca, assistimos a um novo ciclo de ascens\u00e3o das lutas sociais e das lutas pol\u00edticas de massas. Esse ascenso, apesar de ter sido irregular, se mant\u00e9m e tem obtido cada vez maiores alcances.<\/p>\n<p>b. S\u00e3o in\u00e9ditos nos \u00faltimos 100 anos de nossa hist\u00f3ria, os resultados dos com\u00edcios presidenciais de 2018, marcando um novo momento na disputa institucional com as for\u00e7as olig\u00e1rquicas e do imperialismo. Recordemos que, nessas elei\u00e7\u00f5es, o candidato da oposi\u00e7\u00e3o de centro esquerda conquistou 43% do total da vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>c. O desgaste do atual governo, a crescente insatisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e as dificuldades crescentes que est\u00e3o se apresentando, junto com o debilitamento da hegemonia da ultradireita uribista.<\/p>\n<p>d. Os efeitos e as tens\u00f5es sociais que est\u00e3o sendo geradas pela crise econ\u00f4mica, agudizada pela pandemia da Covid-19. Ao final de janeiro, j\u00e1 teremos ultrapassado os dois milh\u00f5es de cont\u00e1gios e com cerca de 50.000 mortos; o crescimento do PIB na Col\u00f4mbia, segundo a CEPAL, se fixou, no ano de 2020, em -8%, o que n\u00e3o se apresentava desde h\u00e1 muitas d\u00e9cadas; o desemprego no terceiro trimestre estava em torno de 14% e a informalidade chegou a 60%.<\/p>\n<p>Historicamente, nos momentos de crise econ\u00f4mica, ocorrem grandes revoltas sociais, se multiplicam as lutas dos povos e se desatam situa\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 t\u00e3o cr\u00edtica que Antonio Guterres, Secret\u00e1rio Geral da ONU, advertiu que esta \u00e9 a pior crise para a regi\u00e3o nos \u00faltimos cento e vinte anos. N\u00e3o \u00e9 casual que a CEPAL advirta que \u201cAs cicatrices deixadas pela maior crise em d\u00e9cadas, com um aumento dos n\u00edveis de desemprego e pobreza, assim como da desigualdade, poderiam intensificar as tens\u00f5es sociais latentes\u2026\u201d (El Mercurio. Chile. \u00abLa peor crisis econ\u00f3mica de los \u00faltimos 120 a\u00f1os\u00ab. 16 de dezembro de 2020).<\/p>\n<p>e. Na atualidade persistem as disputas interolig\u00e1rquicas apresentadas nos \u00faltimos oito anos por diferentes raz\u00f5es, o que tem contribu\u00eddo para reduzir o consenso com o setor olig\u00e1rquico e pol\u00edtico que predomina no atual governo, abrindo assim melhores espa\u00e7os ao campo popular, \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e \u00e0s op\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>f. O desprest\u00edgio que no momento registram institui\u00e7\u00f5es como a Promotoria, o ex\u00e9rcito e a pol\u00edcia, assim como outras encarregadas do controle social, \u00e9 o maior nos \u00faltimos quarenta anos, segundo distintos analistas e pesquisas de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>g. Nas mobiliza\u00e7\u00f5es do ano passado, especialmente nas ocorridas no segundo semestre, ganhou for\u00e7a o grito que exigia a sa\u00edda ou queda de Duque. Fica a quest\u00e3o de saber se essa reivindica\u00e7\u00e3o poder\u00e1 seguir agora em 2021, se ser\u00e1 ampliada e articulada com setores mais amplos da popula\u00e7\u00e3o e se ganhar\u00e1 mais for\u00e7a no pa\u00eds, dada a p\u00e9ssima gest\u00e3o deste governo e o clima social de inconformismo que tem se manifestado desde os primeiros meses de sua posse, em agosto de 2018, ao que se somam as situa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o gerando a agudiza\u00e7\u00e3o e o prolongamento da pandemia.<\/p>\n<p>h. A situa\u00e7\u00e3o do continente est\u00e1 mudando novamente de forma favor\u00e1vel para os povos. Em 2019, no Chile, Equador, Haiti e Col\u00f4mbia, ocorreram os protestos e mobiliza\u00e7\u00f5es sociais mais fortes e mais longos dos \u00faltimos anos em cada um desses pa\u00edses; no final de 2020, estourou a crise de governo e governabilidade no Peru e houve mobiliza\u00e7\u00f5es sem precedentes na Costa Rica. No M\u00e9xico e na Argentina, emergiram governos progressistas e, um ano ap\u00f3s o golpe na Bol\u00edvia, o Movimento pelo Socialismo (MAS) ganhou as elei\u00e7\u00f5es e novamente assumiu o governo. Cuba continua a resistir e irradiar sua voz de encorajamento e a Venezuela sobrevive \u00e0 feroz ofensiva norte-americana e europeia.<\/p>\n<p>i. Um fator recente de grande relev\u00e2ncia, que se soma aos anteriores para configurar um novo momento da luta de classes, adv\u00e9m das situa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ocorrendo nos Estados Unidos, como pot\u00eancia imperialista. Est\u00e1 perdendo sua primazia econ\u00f4mica frente \u00e0 China; \u00e9 o pa\u00eds mais afetado pela pandemia, com quase 25 milh\u00f5es de infec\u00e7\u00f5es at\u00e9 o momento e mais de 400.000 mortes; estourou uma crise paradigma pol\u00edtica, de legitimidade e de paradigma democr\u00e1tico, retratada nas mobiliza\u00e7\u00f5es por ocasi\u00e3o do assassinato do afro-americano George Floyd e, especialmente, nos acontecimentos do 6 de janeiro passado no Congresso, verificadas as tens\u00f5es sem precedentes em torno da transi\u00e7\u00e3o presidencial.<\/p>\n<p>Quando o Imp\u00e9rio central se enfraquece, quando seu decl\u00ednio come\u00e7a a se manifestar, quando sua crise se torna mais aguda, intensa e palp\u00e1vel, ampliam-se as possibilidades de emancipa\u00e7\u00e3o dos povos. Recordemos a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria, quando da crise do imp\u00e9rio espanhol e as melhores condi\u00e7\u00f5es que ela gerou para a luta pela independ\u00eancia do continente.<\/p>\n<p>Possibilidade hist\u00f3rica<\/p>\n<p>Embora nem todos os astros estejam alinhados, come\u00e7a a se configurar um momento hist\u00f3rico favor\u00e1vel \u00e0s lutas populares. Neste contexto, a clarivid\u00eancia, decis\u00e3o, a\u00e7\u00e3o e oportunidade do componente subjetivo s\u00e3o vitais e decisivas e, portanto, \u00e9 necess\u00e1rio o impulso das for\u00e7as populares, progressistas, pelas mudan\u00e7as e o futuro do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Estamos diante de uma possibilidade hist\u00f3rica que pode desaparecer mais uma vez, se n\u00e3o enfrentarmos juntos a situa\u00e7\u00e3o, com lucidez, aud\u00e1cia e unidade, pensando al\u00e9m dos interesses particulares de cada corrente, for\u00e7a ou setor, com uma vis\u00e3o do pa\u00eds e de um contexto continental.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso agir com maior protagonismo e incid\u00eancia das lutas sociais, nas diferentes din\u00e2micas extra-institucionais e institucionais da luta pol\u00edtica, na obriga\u00e7\u00e3o de avan\u00e7ar pela constru\u00e7\u00e3o de um grande bloco popular e democr\u00e1tico, capaz de alimentar e promover as batalhas que aprofundem a crise governamental, contribuindo assim para a alternativa radical de mudan\u00e7a, que se inscreva em uma perspectiva de futuro.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte: Rebeli\u00f3n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26783\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[227],"class_list":["post-26783","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6XZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26783"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26783\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}