{"id":26804,"date":"2021-02-02T01:08:31","date_gmt":"2021-02-02T04:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26804"},"modified":"2021-02-02T01:08:31","modified_gmt":"2021-02-02T04:08:31","slug":"pelo-sus-publico-gratuito-e-de-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26804","title":{"rendered":"Pelo SUS p\u00fablico, gratuito e de qualidade!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cnts.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/10658646_731534266964176_7990298580693007428_o-945x462.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por R\u00f4mulo Caires<\/p>\n<p>Jornal O MOMENTO &#8211; PCB da Bahia<\/p>\n<p>Muitas an\u00e1lises sobre o desempenho do governo Bolsonaro no cen\u00e1rio da pandemia de COVID-19 ressaltam seu aspecto negligente ou sua incompet\u00eancia em gerir uma situa\u00e7\u00e3o de crise. Tais an\u00e1lises cometem um erro comum aos pressupostos liberais: tomam os acontecimentos devastadores do capitalismo como meros \u201cdesvios\u201d de um determinado ideal de sociedade harmonizada, e assim n\u00e3o s\u00e3o capazes de captar as determina\u00e7\u00f5es que propiciaram tais eventos.<\/p>\n<p>Se ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro muitas das for\u00e7as pol\u00edticas que facilitaram a sua ascens\u00e3o \u00e0 presid\u00eancia come\u00e7aram a se afastar de suas propostas mais radicais, n\u00e3o foram poucos aqueles que aprovaram e ainda hoje aprovam o n\u00facleo duro de sua pol\u00edtica econ\u00f4mica para o pa\u00eds. Tal fato n\u00e3o pode ser esquecido ao analisar a atua\u00e7\u00e3o de Bolsonaro no per\u00edodo da pandemia. Os mortos que se empilham em escala geom\u00e9trica s\u00e3o o resultado n\u00e3o apenas do governo Bolsonaro em si, mas de um longo processo de continuidades e descontinuidades que marcaram o capitalismo brasileiro nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>No espa\u00e7o dessa nota gostar\u00edamos de avan\u00e7ar sobre dois aspectos diretamente relacionados \u00e0 gravidade da pandemia em nosso pa\u00eds: o desmantelamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, especialmente os servi\u00e7os de sa\u00fade, e o negacionismo que abrangeu amplos setores da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Ainda que saibamos que, numa sociedade capitalista, as institui\u00e7\u00f5es operam nos marcos de uma sociabilidade regulada pela autovaloriza\u00e7\u00e3o do valor, dessa forma n\u00e3o podendo se destacar acima das contradi\u00e7\u00f5es de classe inerentes a essa sociabilidade, as conquistas em mat\u00e9ria de direitos sociais no Brasil n\u00e3o se deram de forma autom\u00e1tica e passiva. Em um pa\u00eds de capitalismo subordinado e origem colonial como o nosso, as garantias formais ou o incremento de direitos sociais nunca esteve na ordem do dia. A dita \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira\u201d se deu pagando alto tributo, e assim, o aumento da produ\u00e7\u00e3o da riqueza se seguiu \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Os momentos de maior mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e setores oprimidos foram capazes de impor algum freio nessa dial\u00e9tica perversa, e dentre os ganhos not\u00e1veis podemos colocar a constitui\u00e7\u00e3o da seguridade social e do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n<p>O SUS foi elaborado no contexto das lutas pela reforma sanit\u00e1ria no fim dos anos 70 e decorrer da d\u00e9cada de 80, intimamente ligadas a todo o processo de contesta\u00e7\u00e3o da ditadura militar brasileira. Apesar da for\u00e7a dos movimentos em torno da reforma sanit\u00e1ria, o SUS nasceu e se estabeleceu abarcando amplas contradi\u00e7\u00f5es, sendo constantemente atacado e fragilizado. Ele se formou em pleno avan\u00e7o do neoliberalismo no mundo, e apesar das inten\u00e7\u00f5es mais progressistas, sempre esteve amea\u00e7ado. O subfinanciamento foi a t\u00f4nica constante, e tentativas de conciliar o sistema com as demandas dos planos de sa\u00fade e das grandes empresas de tecnologia m\u00e9dica mostraram constantemente a impossibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de um aut\u00eantico sistema universal sob o dom\u00ednio do capital. Al\u00e9m disso, a precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas a partir da terceiriza\u00e7\u00e3o de amplos setores da sa\u00fade e a ado\u00e7\u00e3o de mecanismos de gest\u00e3o p\u00fablico-privados contribu\u00edram para uma grande desmobiliza\u00e7\u00e3o dos setores mais combativos. Nesse sentido, o desinteresse em universalizar o SUS e fortalecer sua din\u00e2mica em dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 da mercantiliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade n\u00e3o se deu apenas na atual conjuntura, ainda que seja evidente a tentativa de radicalizar o seu desmonte.<\/p>\n<p>Apesar da import\u00e2ncia do rep\u00fadio gerado ap\u00f3s a tentativa de o governo Bolsonaro terceirizar a Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade (APS), n\u00e3o podemos nos esquecer que o modelo de gest\u00e3o p\u00fablico-privada j\u00e1 estava inscrito nos governos anteriores. As Organiza\u00e7\u00f5es Sociais (OSs) e funda\u00e7\u00f5es estatais de direito privado possuem hist\u00f3ricos bastante fartos em incapacidade de oferecer bons servi\u00e7os, m\u00faltiplos exemplos de corrup\u00e7\u00e3o e ainda a precariza\u00e7\u00e3o extensiva das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas. Tais empreitadas, em conjunto com as demais \u201cpol\u00edticas de austeridade\u201d, v\u00eam criando h\u00e1 muitos anos amplo consenso na m\u00eddia hegem\u00f4nica, que ao cabo de estarem lutando contra a \u201cinefic\u00e1cia dos servi\u00e7os p\u00fablicos\u201d ou contra os \u201cgastos excessivos do Estado\u201d, est\u00e3o na verdade contribuindo com o fim desses servi\u00e7os e sua substitui\u00e7\u00e3o pela pura l\u00f3gica do lucro. Tal l\u00f3gica \u00e9 a mesma que impulsionou o governo Bolsonaro e seus diversos aliados pelo Brasil a boicotarem a maioria das medidas de combate ao COVID-19. Mesmo pol\u00edticos que agora parecem representar a vanguarda contra o irracionalismo de Bolsonaro n\u00e3o abriram m\u00e3o de priorizar a expans\u00e3o do capital em prol da prote\u00e7\u00e3o das vidas.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros de mortes por coronav\u00edrus no Brasil refletem em sua mais profunda determina\u00e7\u00e3o o fato de que, para as classes dominantes, existe popula\u00e7\u00e3o em demasia no nosso pa\u00eds &#8211; aqueles que sequer s\u00e3o reconhecidos como seres humanos com direito \u00e0 vida. O darwinismo social espont\u00e2neo das elites brasileiras rep\u00f5e em nosso tempo a estrutura fundamental da constitui\u00e7\u00e3o do capitalismo brasileiro, nascido da escravid\u00e3o e desenvolvido a partir da subordina\u00e7\u00e3o dos setores mais oprimidos de nossa sociedade. O negacionismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gravidade da pandemia, a desvaloriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia a partir da proposta de tratamentos precoces n\u00e3o validados ou o boicote \u00e0 busca por vacinas contra a COVID n\u00e3o s\u00e3o simples acidentes de percurso ou marca tr\u00e1gica da experi\u00eancia brasileira. Tais fatos interagem com o momento de decomposi\u00e7\u00e3o do capitalismo mundial e a necessidade cada vez maior de sustentar a barb\u00e1rie como via de manuten\u00e7\u00e3o da ordem. O processo de fascistiza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira aponta para uma tend\u00eancia geral do atual est\u00e1gio de mundializa\u00e7\u00e3o do capitalismo, em que mesmo os pa\u00edses desenvolvidos lidam com a imensa dificuldade de propor sa\u00eddas cr\u00edveis para a crise do sistema.<\/p>\n<p>Diante de tal cen\u00e1rio, faz-se necess\u00e1rio reconstruir de forma cada vez mais ampla e radical as origens da atual situa\u00e7\u00e3o brasileira. As tentativas mais recentes de domesticar o capitalismo devem p\u00f4r a nu a impossibilidade de racionalizar o que \u00e9 irracional em sua ess\u00eancia. Este diagn\u00f3stico mais geral n\u00e3o pode, por outro lado, nos impedir de visualizar as media\u00e7\u00f5es que apontem os caminhos para al\u00e9m da grave situa\u00e7\u00e3o que vivenciamos. A luta pela expans\u00e3o de um SUS 100% p\u00fablico, estatal, de qualidade e socialmente referenciado \u00e9 uma importante arma para combater a pandemia de coronav\u00edrus e proteger a classe trabalhadora contra a l\u00f3gica de exterm\u00ednio inerente ao capitalismo brasileiro. A trag\u00e9dia brasileira s\u00f3 n\u00e3o foi maior porque ainda temos uma estrutura nacional de sa\u00fade p\u00fablica que pode garantir, entre outras coisas, o acesso aos postos de sa\u00fade, emerg\u00eancias e hospitais, ou ainda a opera\u00e7\u00e3o das campanhas de vacina\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias ao enfrentamento da doen\u00e7a. As for\u00e7as populares devem pressionar pela sa\u00edda imediata de Bolsonaro, Mour\u00e3o e aliados como um dos pressupostos indispens\u00e1veis \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora no Brasil, assim como \u00e0 garantia dos recursos para promover a vacina\u00e7\u00e3o de nosso povo.<\/p>\n<p>Fora Bolsonaro e Mour\u00e3o!<br \/>\nVacina para todos j\u00e1!<br \/>\nPelo Poder Popular, no rumo ao Socialismo!<\/p>\n<p>P\u00e1gina 1 de 4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26804\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[197],"tags":[221],"class_list":["post-26804","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Yk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26804"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26804\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}