{"id":26854,"date":"2021-02-10T00:50:23","date_gmt":"2021-02-10T03:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26854"},"modified":"2021-02-10T00:50:23","modified_gmt":"2021-02-10T03:50:23","slug":"modernidade-capitalismo-e-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26854","title":{"rendered":"Modernidade, capitalismo e racismo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/stupiddope.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/French-Street-artist-JR-BlackLivesMatter.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Para al\u00e9m do \u201ccapitalismo racial\u201d: por uma teoria unificada do capitalismo e da opress\u00e3o racial<\/p>\n<p>LavraPalavra<\/p>\n<p>Por Charlie Post, via The Brooklyn Rail, traduzido por Gustavo Guimar\u00e3es*<\/p>\n<p>N.T.: Charlie Post \u00e9 professor de Ci\u00eancias Sociais, Servi\u00e7os Humanos e Justi\u00e7a Criminal na Universidade da Cidade de Nova York; um ex\u00edmio pesquisador de hist\u00f3ria sociol\u00f3gica, especialmente da g\u00eanese e desenvolvimento do capitalismo, das rela\u00e7\u00f5es sociais de ra\u00e7a, das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e seu desenvolvimento; e um hist\u00f3rico militante socialista.<\/p>\n<p>Esse texto \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo de conclus\u00e3o de seu livro The American Road to Capitalism (em tradu\u00e7\u00e3o livre: A Via Americana ao Capitalismo) que, al\u00e9m disso e ao mesmo tempo, enseja adentrar nas discuss\u00f5es levantadas no \u00faltimo per\u00edodo de lutas radicais nos EUA, sobretudo sobre a rela\u00e7\u00e3o entre ra\u00e7a e classe \u2014 ou, melhor, entre racismo\/opress\u00e3o racial e capitalismo. Aqui, o autor combate tanto as teses que defendem uma rela\u00e7\u00e3o \u201cacess\u00f3ria\u201d, \u201coportunista\u201d ou \u201ccontingente\u201d entre ra\u00e7a e as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas, quanto a tese do \u201ccapitalismo racial\u201d: explica\u00e7\u00e3o cada vez mais popular nos meios antirracistas radicais, mas que acaba reproduzindo uma l\u00f3gica fragment\u00e1ria que falha em compreender as ra\u00edzes essenciais da ra\u00e7a e o capitalismo em si, como totalidade contradit\u00f3ria e articulada de rela\u00e7\u00f5es sociais. O artigo foi publicado originalmente em Brooklyn Rail. As notas do autor, do texto original, est\u00e3o indicadas por n\u00fameros em colchetes. As notas da tradu\u00e7\u00e3o, por letras com asterisco. Essa tradu\u00e7\u00e3o foi feita com a autoriza\u00e7\u00e3o do autor do artigo original.<\/p>\n<p>O levante impulsionado pelo assassinato de George Flyod pela pol\u00edcia em Minneapolis colocou novamente a quest\u00e3o racial no centro da pol\u00edtica nos EUA. Enquanto a direita nega enfaticamente a exist\u00eancia do racismo e defende mais repress\u00e3o contra os que protestam contra a viol\u00eancia policial, a esquerda \u2014 tanto a liberal quanto a socialista \u2014 est\u00e1 lutando para lidar adequadamente com a rebeli\u00e3o popular. Para os liberais, o problema \u00e9 simplesmente uma quest\u00e3o de \u201cfalta de diversidade\u201d \u2014 \u00e9 que a pol\u00edcia, as classes m\u00e9dias, as lideran\u00e7as corporativas estadunidenses e o establishment pol\u00edtico n\u00e3o \u201crefletem\u201d a popula\u00e7\u00e3o como um todo. Os liberais esperam desvirtuar essas lutas, como fizeram com aquelas dos anos 1960 e 1970, promovendo uma nova classe m\u00e9dia n\u00e3o-branca sem tratar ou resolver a pobreza e a inseguran\u00e7a crescentes dos trabalhadores n\u00e3o-brancos. Como Asaid Haider [1] argumentou, os neoliberais transformaram a \u201cpol\u00edtica identit\u00e1ria\u201d de um ataque contra o racismo, o sexismo e o capitalismo para uma demanda por diversifica\u00e7\u00e3o da elite pol\u00edtica e econ\u00f4mica, sem interferir minimamente nas desigualdades massivas de riqueza e renda.<\/p>\n<p>A esquerda socialista tamb\u00e9m est\u00e1 tentando se sincronizar com os novos eventos. A principal organiza\u00e7\u00e3o da esquerda estadunidense, o Democratic Socialists of America (Socialistas Democr\u00e1ticos da Am\u00e9rica, de sigla DSA), foi pega de surpresa por essas novas lutas e tem tido dificuldade em se deslocar da rotina da pol\u00edtica eleitoreira do Partido Democrata para se engajar na organiza\u00e7\u00e3o de um movimento cont\u00ednuo contra o racismo e o capitalismo [2]. Alguns no DSA falharam em acolher as demandas mais radicais da revolta \u2014 pelo desfinanciamento, desarmamento e dissolu\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia \u2014 e, em vez disso, argumentaram por uma campanha continuada ao redor de demandas \u201cuniversais\u201d por melhores sal\u00e1rios (incluindo os da pol\u00edcia) e mais verbas para os servi\u00e7os p\u00fablicos [3]. Alguns na esquerda, que querem transcender tanto o identitarismo neoliberal quanto o reducionismo de classe, avan\u00e7aram na ideia do \u201ccapitalismo racial\u201d. A ideia de que o capitalismo e o racismo est\u00e3o interligados pode ser tra\u00e7ada at\u00e9 Marx, atrav\u00e9s dos trabalhos de Eric Williams, Oliver Cromwell Cox, e, mais recentemente, Cedric Robinson; e \u00e9 utilizada, hoje, para defender uma pol\u00edtica que fomente a organiza\u00e7\u00e3o tanto contra a opress\u00e3o racial quanto a explora\u00e7\u00e3o de classe. [4]<\/p>\n<p>Em um post recente no site Dissent, Michael Walzer admite estar \u201cintrigado\u201d pelo termo \u201ccapitalismo racial\u201d [5]. Enquanto reconhece que as hist\u00f3rias do capitalismo e do racismo coincidem nos Estados Unidos, Walzer afirma que nem todos os capitalismos envolvem racismo. Ele argumenta que \u201ca forma de capitalismo patrocinada pelos comunistas chineses \u00e9 obviamente n\u00e3o-racial\u201d, porque mu\u00e7ulmanos perseguidos s\u00e3o \u201ccaucasianos\u201d e todos os trabalhadores que Friedrich Engels estudou em Manchester em 1844 eram brancos. Como \u201co capitalismo \u00e9 o explorador universal\u201d, ele \u00e9 \u201ccego quanto \u00e0 cor\u201d \u2014 \u201cqualquer trabalhador dispon\u00edvel servir\u00e1\u201d. Ent\u00e3o, \u201ccapitalismo e racismo precisam ser analisados separadamente\u2026 a sobreposi\u00e7\u00e3o \u00e9 circunstancial, n\u00e3o necess\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>O argumento de Walzer sofre de dois problemas. Primeiro, ele reduz o racismo \u2014 a no\u00e7\u00e3o de que a humanidade \u00e9 dividida em grupos distintos, com caracter\u00edsticas imut\u00e1veis que tornam um grupo inerentemente superior, e os demais inerentemente inferiores [7] \u2014 a diferen\u00e7as fenot\u00edpicas. Como o marxista brit\u00e2nico Satnam Virdee defendeu, a an\u00e1lise de ra\u00e7a precisa ir al\u00e9m de entend\u00ea-la como \u201cum fen\u00f4meno codificado por cores, para incluir outras modalidades de racismo\u201d [8], como o racismo anti-irland\u00eas e o racismo antissemita. Assim como os irlandeses eram racializados como parte de uma ra\u00e7a \u201cc\u00e9ltica\u201d inerentemente inferior na Gr\u00e3-Bretanha dos s\u00e9culos XIX e XX, as diferen\u00e7as entres chineses han dominantes e os mu\u00e7ulmanos uyghur s\u00e3o racializadas \u2014 feitas essenciais e imut\u00e1veis, permanentes. Em segundo lugar, e de certa forma mais profundamente, Walzer e outros \u201creducionistas de classe\u201d confundem as pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas para a emerg\u00eancia do capitalismo com os efeitos necess\u00e1rios e inevit\u00e1veis da reprodu\u00e7\u00e3o do capital via acumula\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia. Eles s\u00e3o, ent\u00e3o, incapazes de explicar a persist\u00eancia universal da desigualdade racial entre as pessoas trabalhadoras sob o capitalismo [9].<\/p>\n<p>Infelizmente, as tentativas de mobilizar a no\u00e7\u00e3o de \u201ccapitalismo racial\u201d para defender uma rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, em vez de contingente, entre capitalismo e racismo, feitas pelos cr\u00edticos de Walzer, reproduzem a separa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica entre racismo e capitalismo. Em uma resposta espirituosa a Walzer, Ol\u00faf\u1eb9\u0301mi O. T\u00e1\u00edw\u00f2 e Liam Kofi Bright utilizam dos trabalhos de Cox e Robinson para demonstrar como capitalismo e racismo est\u00e3o entrela\u00e7ados. Enquanto tanto Cox quanto Robinson adotam o problem\u00e1tico \u201cmodelo da comercializa\u00e7\u00e3o\u201d para explicar o surgimento do capitalismo, onde ele emerge naturalmente da expans\u00e3o do com\u00e9rcio [11], suas perspectivas sobre a rela\u00e7\u00e3o entre capitalismo e racismo s\u00e3o fundamentalmente incompat\u00edveis. Cox afirma \u2014 corretamente, na minha vis\u00e3o \u2014 que o racismo, como uma forma espec\u00edfica de diferenciar seres humanos, se desenvolveu com as rela\u00e7\u00f5es capitalistas de propriedade e \u00e9 uma caracter\u00edstica necess\u00e1ria desse sistema.<\/p>\n<p>Robinson, pelo contr\u00e1rio, sustenta que o feudalismo europeu j\u00e1 era \u201cracializado\u201d, bem antes da emerg\u00eancia do capitalismo. Assim como as teorias contempor\u00e2neas da interseccionalidade, onde ra\u00e7a e classe s\u00e3o tratados como sistemas separados, mas interligados, de opress\u00e3o [12], a no\u00e7\u00e3o de \u201ccapitalismo racial\u201d de Robinson enxerga a rela\u00e7\u00e3o entre racismo e capitalismo como historicamente contingente \u2014 se o capitalismo houvesse surgido fora da Europa, o racismo n\u00e3o teria sido uma de suas caracter\u00edsticas necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>A alega\u00e7\u00e3o de Robinson de que o racismo existia na Europa antes do surgimento do capitalismo \u00e9 baseada numa confus\u00e3o fundamental entre os modos capitalistas e pr\u00e9-capitalistas de diferencia\u00e7\u00e3o dos seres humanos. Na Antiguidade Cl\u00e1ssica e no feudalismo, os humanos diferenciavam-se uns aos outros por categorias como religi\u00e3o (\u201cpag\u00e3os e fi\u00e9is\u201d) e comunidades de parentesco (\u201cestranhos e vizinhos\/parentes\u201d). Ambas as categorias tendiam a ser altamente flex\u00edveis e vari\u00e1veis atrav\u00e9s de convers\u00e3o, ado\u00e7\u00e3o, casamento e procedimentos similares. N\u00e3o havia necessidade da no\u00e7\u00e3o de divis\u00f5es inerentes, fixas e imut\u00e1veis entre seres humanos, porque a desigualdade social estava legal e judicialmente inscrita nas rela\u00e7\u00f5es de classe pr\u00e9-capitalistas. Em modos de produ\u00e7\u00e3o baseados na servid\u00e3o, escravid\u00e3o e outras formas de coer\u00e7\u00e3o legal, era presumido que a desigualdade fosse a condi\u00e7\u00e3o natural da humanidade. Apenas com o capitalismo n\u00f3s vemos o nascimento da igualdade jur\u00eddico-legal no mercado de trabalho; e a desigualdade substantiva de capital e trabalho na produ\u00e7\u00e3o capitalista requer a inven\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que uma forma de proto-racismo surgiu na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica antes do surgimento do capitalismo. No final do s\u00e9culo XIV e no in\u00edcio do s\u00e9culo XV, as monarquias absolutistas em Castela e Arag\u00e3o, temendo que judeus e mu\u00e7ulmanos convertidos mantivessem secretamente seus rituais religiosos, definiram que apenas os crist\u00e3os de \u201csangue puro\u201d seriam eleg\u00edveis para cargos venais [13]. Mas foi apenas com a emerg\u00eancia da escravid\u00e3o africana, na Virg\u00ednia do final do s\u00e9culo XVII, que ocorreu a cristaliza\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a. At\u00e9 ent\u00e3o, embora a escravid\u00e3o j\u00e1 existisse h\u00e1 mil\u00eanios, ela era apenas uma das in\u00fameras formas de trabalho n\u00e3o-livre (servid\u00e3o, colonato, etc.), e n\u00e3o exigia nenhuma explica\u00e7\u00e3o especial. Na esteira da rebeli\u00e3o de Bacon de 1676, a servid\u00e3o por contrato [indentured servitude] e outras formas de trabalho n\u00e3o livre que haviam trazido europeus para as col\u00f4nias desapareceram na Virg\u00ednia, deixando n\u00e3o livres apenas os escravos de ascend\u00eancia africana at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII. Aqui, pela primeira vez, a liberdade e a igualdade perante a lei (formais) pareciam ser a condi\u00e7\u00e3o \u201cnatural\u201d dos seres humanos \u2014 exigindo uma no\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7a intr\u00ednseca e permanente para explicar porque os africanos permaneceram n\u00e3o-livres [14]. A ra\u00e7a e o racismo n\u00e3o desapareceram com a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do Novo Mundo no s\u00e9culo XX: ao inv\u00e9s disso, generalizaram-se pelo mundo capitalista. Os termos espec\u00edficos da ideologia racista \u2014 quais caracter\u00edsticas espec\u00edficas tornavam alguns grupos superiores e outros inferiores \u2014 evolu\u00edram com o movimento das rela\u00e7\u00f5es de classe e das diferencia\u00e7\u00f5es. Enquanto os escravos racializados eram vistos como ingratos, indignos de confian\u00e7a e est\u00fapidos, os trabalhadores assalariados racializados tornaram-se empregados indisciplinados, irregulares e refrat\u00e1rios. No mundo colonial, a suposta \u201cincapacidade\u201d dos povos nativos de \u201cmelhorar\u201d a agricultura justificava a apropria\u00e7\u00e3o de terras e recursos pelos colonos [15].<\/p>\n<p>Mais importante ainda, a reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas de propriedade atrav\u00e9s das \u201cleis naturais\u201d [dull compulsions] do mercado [a*] \u2014 o que Marx chamou de lei do valor \u2014 torna a rela\u00e7\u00e3o entre capitalismo e racismo necess\u00e1ria, e n\u00e3o hist\u00f3rica ou teoricamente contingente. Colocado de forma simples, a no\u00e7\u00e3o de \u201ccapitalismo racial\u201d \u00e9 redundante \u2014 n\u00e3o existe capitalismo \u201cn\u00e3o-racial\u201d. Muitos marxistas n\u00e3o entendem a rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre capitalismo e racismo porque presumem que a opera\u00e7\u00e3o da lei do valor deve homogeneizar o trabalho, criando processos de trabalho gen\u00e9ricos, igualando lucros e sal\u00e1rios entre e dentro das ind\u00fastrias [16]. Embora esta concep\u00e7\u00e3o da teoria do valor, da acumula\u00e7\u00e3o e da competi\u00e7\u00e3o de Marx seja bastante difundida, ela n\u00e3o reflete nem a teoria madura de Marx nem a hist\u00f3ria real do capitalismo. A reprodu\u00e7\u00e3o do capitalismo n\u00e3o produz homogeneidade, mas heterogeneidade entre capitalistas e trabalhadores, dentro da classe e entre as classes [17] [b*]. As no\u00e7\u00f5es de que a acumula\u00e7\u00e3o e a concorr\u00eancia deveriam homogeneizar as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, os processos de trabalho, as taxas de sal\u00e1rio e semelhantes s\u00e3o, em \u00faltima an\u00e1lise, derivadas da vis\u00e3o idealizada de concorr\u00eancia da teoria econ\u00f4mica neocl\u00e1ssica \u2014 a \u201cconcorr\u00eancia perfeita\u201d. A concorr\u00eancia capitalista real, ao longo da hist\u00f3ria deste modo de produ\u00e7\u00e3o, nunca correspondeu ao mundo dos sonhos da \u201cconcorr\u00eancia perfeita\u201d.<\/p>\n<p>A concorr\u00eancia e a acumula\u00e7\u00e3o reais realizam-se atrav\u00e9s de constantes inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas na forma de uma progressiva mecaniza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, diferenciando capital e trabalho de duas maneiras. Primeiro, o processo de mecaniza\u00e7\u00e3o em um ramo da produ\u00e7\u00e3o leva uma parte da for\u00e7a de trabalho a se tornar dispens\u00e1vel do ponto de vista do capital, e consequentemente, ser dispensada [c*]. Essa constante reposi\u00e7\u00e3o do que Marx chamava de \u201cex\u00e9rcito de trabalho de reserva\u201d (ou \u201cex\u00e9rcito industrial de reserva\u201d) [reserve army of labor], a massa de desempregados e subempregados, n\u00e3o apenas mant\u00e9m os sal\u00e1rios dentro dos limites da lucratividade do capital, mas cria a possibilidade de processos de trabalho, taxas de lucro e sal\u00e1rios heterog\u00eaneos entre os diferentes ramos da ind\u00fastria. Enquanto as ind\u00fastrias cada vez mais intensivas-em-capital desfrutam de maiores lucros e da possibilidade de maiores sal\u00e1rios, a constante reposi\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito de reserva permite a constante reprodu\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias intensivas-em-trabalho com menores lucros e menores sal\u00e1rios. Simplificando, o \u201ctrabalho suado\u201d (menos mecanizado) sob o capitalismo n\u00e3o \u00e9 nenhum tipo de resqu\u00edcio at\u00e1vico [atavistic hangover] de formas anteriores de produ\u00e7\u00e3o, mas a consequ\u00eancia necess\u00e1ria da cont\u00ednua, e necessariamente desigual e combinada, mecaniza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o [18]. A constante gera\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito de reserva, com trabalhadores experimentando diferentes n\u00edveis de precariedade e desespero, produz trabalhadores que t\u00eam poucas outras op\u00e7\u00f5es que n\u00e3o seja aceitar os piores trabalhos \u2014 Setores intensivos-em-trabalho e de baixos sal\u00e1rios podem evitar o aumento dos sal\u00e1rios se alimentando desses estoques de trabalhadores desesperados.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a concorr\u00eancia dentro das e entre as ind\u00fastrias necessariamente diferencia os processos de trabalho, taxas de lucros e sal\u00e1rios. Os capitalistas est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de adotar o capital fixo (meios de produ\u00e7\u00e3o) mais avan\u00e7ado quando eles entram em um ramo de produ\u00e7\u00e3o ou abrem novas unidades produtivas. Entretanto, \u201ca presen\u00e7a de investimento em capital fixo\u201d torna imposs\u00edvel que essas novas t\u00e9cnicas sejam \u201cimediatamente adotadas por todas as empresas do setor [\u2026] Ao inv\u00e9s de criar empresas id\u00eanticas, a concorr\u00eancia, portanto, cria uma cont\u00ednua re-diferencia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o [19]. De maneira simples, tanto a acumula\u00e7\u00e3o quanto a concorr\u00eancia produzem e reproduzem diferencia\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores \u2014 a matriz social para a produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a e do racismo [20]. A ra\u00e7a \u00e9 a consequ\u00eancia necess\u00e1ria e n\u00e3o-intencional da concorr\u00eancia e acumula\u00e7\u00e3o capitalistas: ra\u00e7a e classe s\u00e3o co-constitu\u00eddas sob o capitalismo [21].<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas d\u00e3o origem a uma experi\u00eancia vivida contradit\u00f3ria para tanto capitalistas e trabalhadores [22]. De um lado, o capitalismo \u00e9 a primeira forma de trabalho social na hist\u00f3ria humana onde a explora\u00e7\u00e3o acontece atrav\u00e9s do que aparece como a troca de equivalentes no mercado de trabalho [23]. Ao inv\u00e9s de depender da domina\u00e7\u00e3o pessoal ou outras formas de coer\u00e7\u00e3o extra-econ\u00f4mica, capitalistas e trabalhadores se confrontam no mercado de trabalho como possuidores de mercadorias distintivas \u2014 os capitalistas possuindo dinheiro, e portanto os meios de produ\u00e7\u00e3o, e os trabalhadores, sua for\u00e7a de trabalho. Os capitalistas geralmente compram a capacidade de trabalho dos trabalhadores por seu valor, as condi\u00e7\u00f5es sociais historicamente constitu\u00eddas de reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho dos trabalhadores. \u00c0 medida que os capitalistas consomem for\u00e7a de trabalho \u2014 colocam os trabalhadores para trabalhar em processos de trabalho sob o comando do capital \u2014, os trabalhadores s\u00e3o obrigados a produzir um valor que exceda o valor de seus sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>A compra e venda de for\u00e7a de trabalho d\u00e1 origem a um vocabul\u00e1rio muito espec\u00edfico da experi\u00eancia vivida que espontaneamente disfar\u00e7a a explora\u00e7\u00e3o e promove a no\u00e7\u00e3o da igualdade entre todos os seres humanos. Em Sal\u00e1rio, Pre\u00e7o e Lucro [Value, Price and Profit] (1865) [24], Marx afirmou que, sob a escravid\u00e3o, todo trabalho aparecia como n\u00e3o-pago, e, sob a servid\u00e3o, a divis\u00e3o entre trabalho pago e n\u00e3o-pago era claramente vis\u00edvel na divis\u00e3o de culturas ou colheitas e trabalho. Em contraste, sob o capitalismo \u201cat\u00e9 mesmo o trabalho n\u00e3o-pago parece ser trabalho pago\u201d porque \u201ca natureza da transa\u00e7\u00e3o inteira \u00e9 completamente mascarada pela interven\u00e7\u00e3o de um contrato\u2026\u201d. No Capital (1867), Marx identificou como isso produz uma experi\u00eancia vivida espec\u00edfica:<\/p>\n<p>\u201cA esfera da circula\u00e7\u00e3o ou troca de mercadorias, em cujos limites ocorre a venda e compra da for\u00e7a de trabalho, \u00e9, de fato, um verdadeiro \u00c9den dos direitos inatos do homem. \u00c9 o dom\u00ednio exclusivo da Liberdade, Igualdade, Propriedade e Bentham. Liberdade, porque tanto o comprador quanto o vendedor de uma mercadoria, digamos, for\u00e7a de trabalho, s\u00e3o determinados apenas por seu livre-arb\u00edtrio. Eles firmam o contrato como pessoas livres, que s\u00e3o iguais perante a lei. Igualdade, porque cada um se relaciona com o outro, como um simples possuir de mercadorias, e eles trocam equivalente por equivalente. Propriedade, porque cada um disp\u00f5e do que \u00e9 seu. E, Bentham porque cada um visa apenas seus pr\u00f3prios interesses.\u201d[25] [d*]<\/p>\n<p>Entretanto, assim que deixamos o mundo idealizado da troca de mercadorias, entramos no mundo real da produ\u00e7\u00e3o, acumula\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia capitalistas \u2014 o mundo real da explora\u00e7\u00e3o. O capitalismo necessariamente produz desigualdades substanciais \u2014 entre capital e trabalho, dentro da classe trabalhadora, e entre diferentes sociedades na economia mundial capitalista. Enquanto antes do capitalismo a desigualdade era pressuposta como \u201cnatural\u201d, no capitalismo ela precisa ser explicada, de uma forma que seja compat\u00edvel com a no\u00e7\u00e3o de que todos os seres humanos devem ser livres e iguais. Isso requer uma re-naturaliza\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a atrav\u00e9s da divis\u00e3o da humanidade em grupos com caracter\u00edsticas imut\u00e1veis, fazendo alguns superiores e outros inferiores. A \u00fanica forma de dar sentido e coer\u00eancia, para trabalhadores e capitalistas, a uma sociedade onde tudo aparenta ser igual \u2014 mas existe desigualdade real e concreta \u2014 \u00e9 retirando de algumas pessoas a condi\u00e7\u00e3o de \u201cplenamente humanas\u201d.<\/p>\n<p>As diferencia\u00e7\u00f5es racial e de g\u00eanero s\u00e3o as maneiras mais comuns de capitalistas e trabalhadores compreenderem e negociarem a heterogeneidade do mercado de trabalho. As diferen\u00e7as de g\u00eanero, que est\u00e3o fundamentadas na constru\u00e7\u00e3o social das diferen\u00e7as biol\u00f3gicas entre homens e mulheres [e*], s\u00e3o ideologicamente naturalizadas. Colocando de outra forma, as diferen\u00e7as de g\u00eanero s\u00e3o ideologicamente reduzidas \u00e0 biologia nas sociedades capitalistas, e esta supostamente explicaria a inferioridade inerente das mulheres aos homens. A ra\u00e7a, \u00e9 claro, n\u00e3o tem exist\u00eancia biol\u00f3gica, apenas uma realidade social e hist\u00f3rica. O racismo naturaliza [e essencializa] diferen\u00e7as em apar\u00eancias f\u00edsicas, religi\u00e3o, linguagem e semelhantes. Dessa forma, a ideologia racista providencia um mapa mental poderoso para a experi\u00eancia vivida contradit\u00f3ria da acumula\u00e7\u00e3o e da concorr\u00eancia capitalistas.<\/p>\n<p>A estrutura do mercado de trabalho capitalista, com sua diferencia\u00e7\u00e3o entre os ex\u00e9rcitos de trabalho ativo e de reserva [active and reserve armies of labor] e entre os ramos de produ\u00e7\u00e3o relativamente de baixos sal\u00e1rios\/intensivos-em-trabalho e de altos sal\u00e1rios\/intensivos-em-capital, tanto compele quanto possibilita [26] capitalistas e trabalhadores a estruturarem racialmente a distribui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho pela economia. Em outras palavras, os seres humanos produzem e reproduzem a diferencia\u00e7\u00e3o racial, mas n\u00e3o sob as condi\u00e7\u00f5es de sua pr\u00f3pria escolha. O papel dos capitalistas na organiza\u00e7\u00e3o racial do mercado de trabalho e na promo\u00e7\u00e3o deliberada de divis\u00f5es racializadas entre trabalhadores \u00e9 bem documentado historicamente. O capital \u00e9 confrontado com uma massa de trabalhadores, quase todos eles capazes de executar qualquer tarefa exigida, dado o rebaixamento dos n\u00edveis m\u00e9dios de habilidade e treinamento necess\u00e1rios para a maioria dos empregos. Os empregadores usam \u201ccaracter\u00edsticas\u201d raciais fict\u00edcias para determinar quais s\u00e3o os trabalhadores mais \u201cconfi\u00e1veis\u201d e \u201ceficientes\u201d para diferentes tarefas [27].<\/p>\n<p>Entretanto, as pessoas trabalhadoras, especialmente quando as organiza\u00e7\u00f5es de luta coletiva contra o capital \u2014 como sindicatos \u2014 n\u00e3o s\u00e3o capazes ou n\u00e3o est\u00e3o dispostas a confrontar os empregadores e o Estado, tamb\u00e9m tentam organizar a concorr\u00eancia com outros trabalhadores em linhas raciais. Como Robert Brenner e Johanna Brenner argumentaram, \u201cos trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o apenas produtores coletivos com um interesse em comum \u2014 tomar coletivamente o controle sobre a produ\u00e7\u00e3o social. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o vendedores individuais de sua for\u00e7a de trabalho, em conflito uns com os outros por causa de empregos, promo\u00e7\u00f5es etc.\u201d [28]. Quando a luta coletiva contra o capital e o Estado aparece como \u201cirrealista\u201d, \u201cut\u00f3pica\u201d, os trabalhadores se voltam uns contra os outros. Os trabalhadores tentam construir socialmente a si mesmos como \u201cbrancos\u201d para se protegerem das press\u00f5es do ex\u00e9rcito de trabalho de reserva sempre racializado e da amea\u00e7a de serem facilmente substitu\u00eddos \u00e0 medida que o capital desqualifica o trabalho \u2014 torna-o menos complexo, retira progressivamente a qualifica\u00e7\u00e3o e habilidade necess\u00e1rias para realiz\u00e1-lo [f*] \u2014 atrav\u00e9s da fragmenta\u00e7\u00e3o das tarefas e da mecaniza\u00e7\u00e3o [29]. Foi essa forma de concorr\u00eancia entre trabalhadores no mercado de trabalho que incentivou os trabalhadores brancos altamente qualificados do pr\u00e9-Guerra Civil [Americana] a projetarem \u201cnos trabalhadores negros o que eles ainda desejavam em termos da aus\u00eancia imaginada da aliena\u00e7\u00e3o [imagined abscence of alienation], mesmo quando resistiam a serem tratados como escravos, ou como \u2018white n*ggers\u2019 [g*]\u201d [30]. O resultado da concorr\u00eancia cont\u00ednua entre trabalhadores \u2014 que espelha a concorr\u00eancia entre capitalistas \u2014 \u00e9 a super-representa\u00e7\u00e3o de trabalhadores n\u00e3o-brancos no ex\u00e9rcito de trabalho de reserva (com consistentes maiores taxas de desemprego, subemprego e pobreza) e nos setores mais intensivos-em-trabalho e de menores sal\u00e1rios da produ\u00e7\u00e3o [g*].<\/p>\n<p>A vantagem racial das pessoas brancas est\u00e1 fundamentalmente enraizada nessa concorr\u00eancia, enquanto elas procuram manter menores n\u00edveis de desemprego e pobreza, obter maior acesso \u00e0 moradia e educa\u00e7\u00e3o para seus filhos, e afins. Entretanto, a reprodu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e espont\u00e2nea da ra\u00e7a por meio da acumula\u00e7\u00e3o e da concorr\u00eancia enfraquece a capacidade coletiva dos trabalhadores de resistir \u00e0s demandas do capital, criando uma espiral decadente de sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho para todos os trabalhadores. N\u00e3o \u00e9 nenhuma surpresa que os \u201csal\u00e1rios psicol\u00f3gicos da branquitude\u201d [\u201cwages of whiteness\u201d] [h*] se tornaram no m\u00ednimo bastante minguados na era do neoliberalismo. Por\u00e9m, uma unidade multirracial da classe trabalhadora n\u00e3o ser\u00e1 algo produzido espontaneamente \u2014 demandar\u00e1 a reconstru\u00e7\u00e3o de uma cultura e organiza\u00e7\u00e3o de solidariedade [solidarity] [31]. Claramente, as lutas por demandas universais e que abarcam toda a classe \u2014 maiores sal\u00e1rios, melhor seguran\u00e7a no trabalho e preven\u00e7\u00e3o contra o desemprego, planos de sa\u00fade, assist\u00eancia m\u00e9dica e aposentadoria n\u00e3o ligados a um v\u00ednculo empregat\u00edcio etc. \u2014 ser\u00e3o cruciais para construir um movimento de trabalhadores multirracial. Toda medida que reduz a concorr\u00eancia entre trabalhadores debilita o apelo da supremacia branca. No entanto, um movimento de trabalhadores multirracial n\u00e3o ser\u00e1 constru\u00eddo apenas mediante lutas por demandas \u201cuniversais\u201d. A agita\u00e7\u00e3o e a propaganda \u201ccegas-\u00e0-ra\u00e7a\u201d [\u201ccolor-blind\u201d] feitas aos trabalhadores pelas correntes dominantes do movimento sindical de oper\u00e1rios industriais das d\u00e9cadas de 1930 e 1940 permitiram que as divis\u00f5es raciais entre trabalhadores se aprofundassem e contribu\u00edram para o fracasso do movimento em organizar os trabalhadores do Sul [32]. Assim, demandas raciais espec\u00edficas \u2014 como o desfinanciamento e desarmamento da pol\u00edcia, o fim da segrega\u00e7\u00e3o habitacional e educacional, o fim dos benef\u00edcios e da categoria de antiguidade [seniority] na f\u00e1brica e na ind\u00fastria como um todo [33], a\u00e7\u00f5es afirmativas na contrata\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios, a legaliza\u00e7\u00e3o de imigrantes sem documenta\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de um caminho para sua cidadania, entre outras demandas do tipo \u2014 ser\u00e3o essenciais para construir uma solidariedade de classe multirracial entre trabalhadores. De forma simplificada: uma organiza\u00e7\u00e3o e uma pol\u00edtica classista realmente efetivas \u2014 que sejam capazes de forjar unidade entre uma classe trabalhadora necessariamente racialmente heterog\u00eanea \u2014 deve incluir demandas e formas de organiza\u00e7\u00e3o antirracistas.<\/p>\n<p>NOTAS E REFER\u00caNCIAS (AUTOR)<\/p>\n<p>Asad Haider, Mistaken Identity: Race and Class in the Age of Trump (Londres: Verso, 2018). [Vers\u00e3o em portugu\u00eas: Armadilha da Identidade: Ra\u00e7a e Classe nos Dias de Hoje. Veneta, 2019]<br \/>\nJustin Charles, Michael Esealuka, Cinzia Arruza, Haley Pessin, Brian Bean, \u201cSocialists and the Uprising: An Activist Roundtable\u201d Tempest https:\/\/www.tempestmag.org\/2020\/08\/socialists-and-the-uprising\/<br \/>\nDustin Guastella, \u201cTo End Police Violence Fund Public Good and Raise Wages,\u201d Nonsite.Org (9 de julho, 2020) https:\/\/nonsite.org\/policing-symposium\/<br \/>\nEric Williams, Capitalism and Slavery (Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 1944) [Vers\u00e3o em portugu\u00eas: Capitalismo e Escravid\u00e3o. Companhia das Letras, 2012]; Oliver C. Cox, Caste, Class, and Race (Nova York: Doubleday &amp; Co., 1948); Cedric Robinson, Black Marxism: The Making of the Black Radical Tradition (Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 1983).<br \/>\nMichael Walzer, \u201cA Note on Racial Capitalism,\u201d Dissent (July 29, 2020), https:\/\/www.dissentmagazine.org\/online_articles\/a-note-on-racial-capitalism and \u201cA Reply\u201d Dissent (7 de agosto, 2020), https:\/\/www.dissentmagazine.org\/online_articles\/a-reply-to-olufemi-o-taiwo-and-liam-kofi-br ight<br \/>\nFriedrich Engels, The Condition of the Working Class in England (1845), https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/download\/pdf\/condition-working-class-england .pdf [Vers\u00e3o em portugu\u00eas: A Situa\u00e7\u00e3o da Classe Trabalhadora na Inglaterra. Boitempo, 2014].<br \/>\nEssas caracter\u00edsticas supostamente imut\u00e1veis [que constituem a ra\u00e7a] podem ser imaginadas tanto como biol\u00f3gicas, como eram das d\u00e9cadas de 1880 a 1940; ou culturais, como s\u00e3o desde os anos 1950. Ver Stephen Steinberg, The Ethnic Myth: Race, Ethnicity and Class in America, 3\u00aa ed. (Boston: Beacon Press, 1989), Parte Dois, Introdu\u00e7\u00e3o e Cap\u00edtulo 4 para uma discuss\u00e3o de como a \u201ccultura\u201d se tornou uma caracter\u00edstica herdada e imut\u00e1vel no pensamento racial do p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial.<br \/>\nSatnam Virdee, Racism, Class and the Racialized Outsider (Londres: Palgrave, 2014), p. 3.<br \/>\nA saudosa Ellen Meiksins Wood, uma estudiosa do capitalismo muito mais sofisticada do que Walzer, comete um erro metodol\u00f3gico semelhante ao argumentar que \u201cigualdade sexual e racial\u2026 n\u00e3o s\u00e3o, em princ\u00edpio, incompat\u00edveis com o capitalismo\u201d. Democracy Against Capitalism: Renewing Historical Materialism (Nova York: Cambridge University Press, 1995), p. 259. [Vers\u00e3o em portugu\u00eas: Democracia contra capitalismo: a renova\u00e7\u00e3o do materialismo hist\u00f3rico. Boitempo, 2003.]<br \/>\nOl\u00faf\u1eb9\u0301mi O. T\u00e1\u00edw\u00f2 e Liam Kofi Bright, \u201cA Response to Michael Walzer\u201d Dissent (7 de agosto, 2020) https:\/\/www.dissentmagazine.org\/online_articles\/a-response-to-michael-walzer]https:\/\/www.d issentmagazine.org\/online_articles\/a-response-to-michael-walzer<br \/>\nEllen Meiksins Wood, The Origins of Capitalism: A Longer View (Londres: Verso Books, 2002). [Vers\u00e3o em portugu\u00eas: A Origem do Capitalismo. Zahar, 2001.]<br \/>\nPara uma excelente exposi\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica da interseccionalidade, ver Holly Lewis, The Politics of Everybody: Feminism, Queer Theory, and Marxism at the Intersection (Londres: Zed Books, 2016), pp. 273-274. [i*]<br \/>\nVer os ensaios coletados em Max S. Hering Torres, Mar\u00eda Elena Martinez e David Nirenberg (org.), Race and Blood in the Iberian World (Zurique: LIT Verlag, 2012); e David Nirenberg, \u201cWas There Race Before Modernity? The Example of \u2018Jewish\u2019 Blood in Late Medieval Spain\u201d em Benjamin Isaac, Joseph Ziegler e Miriam Eliav-Feldon, The Origins of Racism in the West (Nova York: Cambridge University Press, 2009), pp. 232-264.<br \/>\nOs melhores estudos da inven\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a na Virg\u00ednia colonial continuam sendo: Theodore Allen, The Invention of the White Race, Volume Dois: The Origins of Racial Oppression in Anglo-America (Londres: Verso, 2012), Edmund S. Morgan, American Slavery, American Freedom: The Ordeal of Colonial Virginia (Nova York: WW Norton &amp; Company, 1975, cap\u00edtulos 15-16); Barbara J. Fields, \u201cSlavery, Race and Ideology in the United States of America\u201d, New Left Review I \/ 181 (maio-junho de 1990), pp. 95-118.<br \/>\nApesar de sua perspectiva te\u00f3rica \u201cp\u00f3s-colonial\u201d, Colonial Lives of Property: Law, Land and Racial Regimes of Ownership (Durham, NC: Duke University Press, 2018), de Brenna Bhandar, descreve como o direito moderno, e suas leis de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 propriedade, nos assentamentos de colonos brancos codificaram as ideologias racializadas que justificaram a expropria\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<br \/>\nPor exemplo, David Roediger e Elizabeth Esch afirmam que \u201cDo Manifesto Comunista em diante, o capitalismo recebeu por mais de 160 anos o cr\u00e9dito das correntes dominantes do marxismo por introduzir um \u2018car\u00e1ter cosmopolita na produ\u00e7\u00e3o e consumo em todos os pa\u00edses\u2019 [\u2026]. O valor surge do trabalho abstrato, n\u00e3o da acentua\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as entre os trabalhadores\u201d. The Production of Dif erence: Race and Management of Labor in US History (Nova York: Oxford University Press, 2012), p. 6. O entendimento de Roediger e Esch da teoria do valor, acumula\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia s\u00e3o extra\u00eddos de Michael Lebowitz, \u201cThe Politics of Assumption, the Assumption of Politics\u201d Historical Materialism, 14: 2 (2006).<br \/>\nAnwar Shaikh, Capitalism: Competition, Conflict, Crisis (Nova York: Oxford University Press, 2016); Howard Botwinick, Persistent Inequalities: Wage-Disparity Under Capitalist Competition (Chicago: Haymarket Books, 2018).<br \/>\nibid., Botwinick, cap\u00edtulo 3.<br \/>\nibid., Botwinick, p.131.<br \/>\nPara uma aplica\u00e7\u00e3o do trabalho de Botwinick sobre diferenciais de sal\u00e1rios para ra\u00e7a por economistas profissionais, ver Patrick L. Mason, \u201cRace, Competition and Differential Wages\u201d, Cambridge Journal of Economics 19 (1995), pp. 545-567.<br \/>\nDavid McNally, \u201cThe Dialectics of Unity and Difference in the Constitution of Wage-Labour: On Internal Relations and Working-Class Formation\u201d Capital &amp; Class, 39:1 (2015), pp. 131-146.<br \/>\nMinha abordagem de ra\u00e7a como uma ideologia e um conjunto de pr\u00e1ticas est\u00e1 enraizada no trabalho de Barbara Jeanne Fields, em particular, \u201cSlavery, Race and Ideology\u201d ibid., p\u00e1g. 110-113. Ideologia [aqui] n\u00e3o \u00e9 o equivalente a propaganda \u2014 ideias produzidas pela m\u00eddia, escolas e similares e \u201cimpostas\u201d a uma popula\u00e7\u00e3o passiva de trabalhadores. Nem \u00e9 equivalente a \u201cdoutrina\u201d \u2014 um conjunto coerente e est\u00e1vel de cren\u00e7as sobre o mundo. Em vez disso, a ideologia \u00e9 o \u201cvocabul\u00e1rio da a\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia do dia a dia\u201d (p. 111). Dito de outra forma, as ideologias s\u00e3o os mapas mentais da experi\u00eancia vivida de opress\u00e3o.<br \/>\nKarl Marx, Capital, Volume I (Harmondsworth, Inglaterra: Penguin Books, 1976), Cap\u00edtulo 6. [Vers\u00e3o em portugu\u00eas: O Capital {Livro I}: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. O processo de produ\u00e7\u00e3o do capital. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011].<br \/>\nMarx, Value, Price, and Profit (Chicago: CH Kerr and Company, 1910), pp. 83-86. [Vers\u00e3o em portugu\u00eas: Sal\u00e1rio, Pre\u00e7o e Lucro. https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1865\/salario\/index.htm].<br \/>\nMarx, Capital, I, p. 280.<br \/>\nA no\u00e7\u00e3o de que as estruturas tanto compelem quanto possibilitam que os agentes atuem de determinadas maneiras \u00e9 extra\u00edda de Alex Callinicos, Making History: Agency, Structure and Change in Social Theory (BRILL, 2004).<br \/>\nVer Roediger and Esch, The Production of Dif erence, Cap\u00edtulo 5.<br \/>\nJohanna Brenner and Robert Brenner, \u201cReagan, the Right and the Working Class\u201d Against the Current (Old Series) 1, 2 (Winter 1981), p30.<br \/>\nHarry Braverman, Labor and Monopoly Capital: The Degradation of Work in the 20th Century (Nova York: Monthly Review Press, 1974) [Vers\u00e3o em portugu\u00eas: Trabalho e Capital Monopolista \u2014 a Degrada\u00e7\u00e3o do Trabalho No S\u00e9culo XX \u2013 3\u00aa Ed. LTC, 2012]. Infelizmente, a maioria dos leitores da obra-prima de Braverman tende a equiparar a desqualifica\u00e7\u00e3o [deskilling] com a homogeneiza\u00e7\u00e3o do trabalho. O pr\u00f3prio Braverman deixou bem claro que a tend\u00eancia de desqualificar [deskill] o trabalho constantemente diferencia os trabalhadores.<br \/>\nibid., Roediger, Class, Race and Marxism, p. 68.<br \/>\nVer Vivek Chibber, \u201cRescuing Class from the Cultural Turn\u201d Catalyst 1;1 (Primavera de 2017).<br \/>\nVer Michael Goldfield, The Southern Key: Class, Race, and Radicalism in the 1930s and 1940s (Nova York: Oxford University Press, 2020).<br \/>\nOs cap\u00edtulos 5-7 de Divided We Stand: American Workers and the Struggle for Black Equality (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2001), de Bruce Nelson, demonstram como a aceita\u00e7\u00e3o da antiguidade departamental [seniority departamental] nas ind\u00fastrias por parte da CIO [Congresso de Organiza\u00e7\u00f5es Industriais, hoje AFL-CIO, maior central oper\u00e1ria estadunidense] preparou o terreno para a reprodu\u00e7\u00e3o das divis\u00f5es raciais entre os metal\u00fargicos e outros trabalhadores industriais organizados no per\u00edodo do p\u00f3s-guerra.<br \/>\nNOTAS DA TRADU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>[a*] O termo utilizado por Marx, \u201cdull compulsions\u201d, invoca uma ideia de for\u00e7as objetivas e desinteressadas que guiam a produ\u00e7\u00e3o capitalista e a vida dos trabalhadores, mas n\u00e3o em um sentido mecanicista. Aqui, adotamos a tradu\u00e7\u00e3o da Editora Boitempo, em sua \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do volume I d\u2019O Capital, que adota a express\u00e3o \u201cleis naturais\u201d.<\/p>\n<p>[b*] Para os leitores marxistas e latino-americanos desse texto: a compreens\u00e3o de Post do funcionamento da concorr\u00eancia e acumula\u00e7\u00e3o capitalistas via diferencia\u00e7\u00e3o que ser\u00e3o expostas a partir desse ponto parece derivar fundamentalmente, al\u00e9m, claro, de Marx; da teoria do \u201cdesenvolvimento desigual e combinado\u201d proposta por L\u00eanin em seu Imperialismo e desenvolvida posteriormente por Trotsky e outros intelectuais marxistas (Rosa, Mandel e os demais citados nominalmente pelo autor). No entanto, sabemos que o auge de uma teoriza\u00e7\u00e3o sobre a particularidade da reprodu\u00e7\u00e3o do capital e da lei do valor via diferencia\u00e7\u00e3o e inter-depend\u00eancia de capitais mais e menos produtivos \u00e9 a Teoria Marxista da Depend\u00eancia [TMD] (cf., sobretudo, Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia [Marini, Ruy Mauro. In: TRESPADINI, R. STEDILLE, J. P. Ruy Mauro Marini: vida e obra. S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2011.]). Por isso, \u00e9 especialmente interessante para n\u00f3s, marxistas brasileiros, perceber a compatibilidade da perspectiva de Post com a TMD, vide nossas preocupa\u00e7\u00f5es em relacionar depend\u00eancia, superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho e racismo.<\/p>\n<p>[c*] O termo utilizado no texto original \u00e9 \u201cmade redudant\u201d, que tem o sentido tanto de que essa parte da for\u00e7a de trabalho se torna descart\u00e1vel para o capital quanto que ela \u00e9, efetivamente, demitida; estando os dois processos conectados. Por isso traduzimos como \u201cse torna dispens\u00e1vel\u201d e \u201c\u00e9 dispensada\u201d inv\u00e9s de manter apenas uma express\u00e3o, como no original.<\/p>\n<p>[d*] Tradu\u00e7\u00e3o livre a partir da vers\u00e3o d\u2019O Capital utilizada por Charlie Post. A parte em que Marx cita \u201cBentham\u201d parece ser uma refer\u00eancia ao economista utilitarista Jeremy Bentham e sua ideia de que o mercado era o local em que os agentes obtinham o que lhes era mais \u00fatil, trocando; portanto, satisfaziam seus interesses individuais.<\/p>\n<p>[e*] No original, \u201cGender dif erences, which are rooted in the social construction of biological dif erences between men and women, are ideologically naturalized\u201d. Ao que d\u00e1 a entender, o autor reconhece o g\u00eanero como tendo uma realidade biol\u00f3gica para al\u00e9m de social, enquanto ra\u00e7a, n\u00e3o. Traduzimos fielmente.<\/p>\n<p>[f*] No original, \u201cdesqualifica\u201d \u00e9 \u201cdeskill\u201d e quer representar o fato de que o desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o capitalista via mecaniza\u00e7\u00e3o torna cada vez mais f\u00e1ceis os manejos do trabalho e da<\/p>\n<p>tecnologia na ind\u00fastria e exige cada vez menos qualifica\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e habilidade\/destreza. Entretanto, em portugu\u00eas, \u201cdesqualificar\u201d tamb\u00e9m tem um sentido moral, de menosprezar e\/ou insultar. Por isso adicionamos a frase entre travess\u00f5es, que n\u00e3o estava presente no original, para esclarecer o sentido da palavra.<\/p>\n<p>[g*] A express\u00e3o \u201cn*gger[s]\u201d \u00e9 particular da l\u00edngua inglesa americanizada e est\u00e1 atrelada a um sentido radicalmente pejorativo em rela\u00e7\u00e3o a pessoas negras, quando utilizada por pessoas brancas; e tem um longo hist\u00f3rico de associa\u00e7\u00e3o com a supremacia branca e o racismo nos EUA. Por isso, optamos por n\u00e3o traduzi-la. A express\u00e3o que o autor adota, \u201cwhite n*ggers\u201d se refere a pessoas trabalhadoras brancas sendo tratadas de forma similar, em termos de opress\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de vida, \u00e0s pessoas negras.<\/p>\n<p>[h*] \u201cWages of whiteness\u201d \u00e9 uma categoria hist\u00f3rica do movimento negro estadunidense, especialmente do s\u00e9culo XX, que designa os benef\u00edcios relativos que os trabalhadores brancos tem em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores negros no capitalismo estadunidense; \u00e0s vezes meramente ilus\u00f3rios, visto que funcionam a favor do capitalismo (ou da escravid\u00e3o como sistema) e por isso contra os interesses dos trabalhadores brancos em \u00faltima inst\u00e2ncia. No Brasil, \u00e0s vezes a express\u00e3o foi traduzida como \u201csal\u00e1rio psicol\u00f3gico\u201d, acentuando esse car\u00e1ter mais moral e psicol\u00f3gico dos benef\u00edcios dos trabalhadores brancos em rela\u00e7\u00e3o aos negros sob o capitalismo; e a express\u00e3o \u201cbranquitude\u201d como tradu\u00e7\u00e3o para whiteness parece ser bem recente na literatura antirracista, tendo vindo ao Brasil de outra tradi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Optamos por \u201csal\u00e1rios psicol\u00f3gicos da branquitude\u201d.<\/p>\n<p>[i*] N\u00e3o h\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas do \u00f3timo livro de Holly Lewis que, al\u00e9m de oferecer uma cr\u00edtica \u00e0 interseccionalidade e a epistemologia p\u00f3s-estruturalista que a fundamenta, empreende uma cr\u00edtica geral ao feminismo p\u00f3s-estruturalista e \u00e0 teoria queer p\u00f3s-estruturalista, elaborando novas s\u00ednteses te\u00f3ricas e divulgando o marxismo queer [Queer Marxism]. No entanto, existe material de cr\u00edtica marxista \u00e0 interseccionalidade em portugu\u00eas que parte da mesma perspectiva te\u00f3rica que Lewis, a Teoria da Reprodu\u00e7\u00e3o Social. Recomendamos principalmente a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado Unidade, diversidade e totalidade: a Teoria da Reprodu\u00e7\u00e3o Social e seus contrastes, de Rhaysa Ruas, que tamb\u00e9m funciona como uma s\u00edntese dessas cr\u00edticas; e Feminismos interseccional e da reprodu\u00e7\u00e3o social: rumo a uma ontologia integrativa, de Susan Ferguson publicado pelos Cadernos Cemarx.<\/p>\n<p>*Agradecimentos a Ellara e Dani Corr\u00eaa pela ajuda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26854\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[225],"class_list":["post-26854","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Z8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26854\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}