{"id":26856,"date":"2021-02-10T00:51:45","date_gmt":"2021-02-10T03:51:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26856"},"modified":"2021-06-03T14:38:14","modified_gmt":"2021-06-03T17:38:14","slug":"a-ujc-da-fundacao-a-primeira-reestruturacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26856","title":{"rendered":"A UJC: da funda\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira reestrutura\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/3.bp.blogspot.com\/-Jut6zqnEPRI\/V7Y--Q33lEI\/AAAAAAAAE9I\/w-it-AxA2-ksCDFqyJw_TQaiMJEwlD28ACLcB\/w1200-h630-p-k-no-nu\/Le%2525C3%2525B4ncio%252BBasbaum%252Bfoto.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Le\u00f4ncio Basbaum, primeiro dirigente nacional da UJC<\/p>\n<p>Autores: Heitor Cesar de Oliveira e Maria Fernanda Scelza (1)<\/p>\n<p>Pioneirismo na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de esquerda para a juventude no Brasil<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica de 1917 impactaria profundamente n\u00e3o apenas a velha R\u00fassia, mas todo o mundo. Seus impactos n\u00e3o apenas confrontaram a corrente internacional do capitalismo como tamb\u00e9m a forma como o movimento internacional dos trabalhadores se organizava. Os bolcheviques, principal for\u00e7a pol\u00edtica e dirigente da revolu\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica influenciaram os novos rumos tanto organizativos como pol\u00edticos da classe trabalhadora internacional.<\/p>\n<p>A Internacional Socialista, ou simplesmente II Internacional, centro pol\u00edtico do movimento internacional dos trabalhadores, sua for\u00e7a pol\u00edtica, organizadora e te\u00f3rica, seria substitu\u00edda pela Internacional Comunista, a III Internacional, inspirada e organizada a partir da vit\u00f3ria dos bolcheviques. Em todo o mundo os velhos partidos social-democratas ou socialistas passariam por rupturas e cis\u00f5es. Novas organiza\u00e7\u00f5es surgiam sintetizando o novo momento pol\u00edtico da luta de classes. Por todo o mundo eram fundados os Partidos Comunistas.<\/p>\n<p>No Brasil, em 1922, foi fundado o Partido Comunista (Se\u00e7\u00e3o Brasileira da Internacional Comunista) &#8211; de sigla PCB &#8211; influenciado tanto pelos bolcheviques, vitoriosos na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, como tamb\u00e9m pelo desdobramento da luta do nascente movimento oper\u00e1rio brasileiro, que n\u00e3o mais se sentia contemplado nas teses do movimento anarquista, carecendo de uma organiza\u00e7\u00e3o que unificasse as novas demandas, mobiliza\u00e7\u00f5es e lutas e que formulasse um programa de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O PCB, que desde sua funda\u00e7\u00e3o buscava se enquadrar nas linhas orientadoras da III Internacional, procurou desenvolver as diretrizes internacionais no Brasil em suas m\u00faltiplas vertentes. Uma importante orienta\u00e7\u00e3o feita pela Internacional Comunista dizia respeito \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de juventudes comunistas em todo o mundo. Esta tarefa j\u00e1 percorria os partidos comunistas desde 1920, ano do II Congresso do Komintern, que na ocasi\u00e3o tamb\u00e9m organizou o I Congresso da Internacional da Juventude Comunista.<\/p>\n<p>O PCB procurou cumprir a orienta\u00e7\u00e3o de organizar sua juventude comunista. Descrevendo o II Congresso do PCB, Mois\u00e9s Vinhas aponta a import\u00e2ncia atribu\u00edda j\u00e1 em 1925 para a tentativa de organiza\u00e7\u00e3o de uma juventude comunista brasileira: \u201c(&#8230;) Do tem\u00e1rio constam relat\u00f3rios sobre as atividades (&#8230;) e organiza\u00e7\u00e3o da Juventude Comunista, que atra\u00edra poucos membros no Rio de Janeiro desde sua cria\u00e7\u00e3o em janeiro de 1924, deveria receber aten\u00e7\u00e3o mais s\u00e9ria do coletivo\u201d (2).<\/p>\n<p>Desde janeiro de 1924, quando em uma reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central (CC) foi aprovada a cria\u00e7\u00e3o da JC (3), at\u00e9 a sua funda\u00e7\u00e3o em agosto de 1927, o PCB apresentou enormes dificuldades para p\u00f4r em pr\u00e1tica tal resolu\u00e7\u00e3o do Komintern. Tais dificuldades come\u00e7aram a ser superadas a partir da incorpora\u00e7\u00e3o do trabalho desenvolvido em Recife, Pernambuco, onde a Juventude Comunista come\u00e7ava a dar seus primeiros passos.<\/p>\n<p>Foi encarregado de organizar a juventude o jovem Le\u00f4ncio Basbaum, convidado a participar de uma reuni\u00e3o do CC do PCB por Astrojildo Pereira. Le\u00f4ncio Basbaum j\u00e1 desenvolvia trabalhos com jovens comunistas em Recife e Salvador pelo Partido. O pr\u00f3prio Basbaum explica que \u201cdecidiram que eu seria, a partir de ent\u00e3o, o encarregado do setor juvenil do Partido, com o objetivo de criar uma organiza\u00e7\u00e3o juvenil de car\u00e1ter nacional (&#8230;)\u201d (4).<\/p>\n<p>Ainda em 1926, de maneira bastante embrion\u00e1ria, a Juventude Comunista come\u00e7ou a intervir no seio da sociedade, fazendo um trabalho de recrutamento entre jovens oper\u00e1rios e organizando os primeiros Diret\u00f3rios Acad\u00eamicos do pa\u00eds. No Rio de Janeiro, foram criados diret\u00f3rios na Faculdade Nacional de Direito, Engenharia e Medicina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da milit\u00e2ncia, Le\u00f4ncio Basbaum tamb\u00e9m trabalhava no jornal \u201cA Na\u00e7\u00e3o\u201d, onde passou a escrever uma s\u00e9rie de artigos sobre a juventude oper\u00e1ria e sobre a necessidade de se constituir uma organiza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da juventude. Conseguiu, atrav\u00e9s deste jornal, publicar fichas de cadastros para que os jovens preenchessem e enviassem pedindo ingresso na Juventude Comunista.<\/p>\n<p>Em fins de 1926 j\u00e1 havia centenas de inscritos de v\u00e1rios Estados (Rio de Janeiro, Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, Esp\u00edrito Santo, Pernambuco, S\u00e3o Paulo e Distrito Federal). Apesar de a Juventude Comunista j\u00e1 esbo\u00e7ar um fortalecimento num\u00e9rico, algo ainda faltava para p\u00f4r em marcha seu processo de organiza\u00e7\u00e3o em n\u00edvel nacional. Nas atividades do 1\u00ba de Maio de 1927, data mais que apropriada, a participa\u00e7\u00e3o da nova JC ocorreu com grande destaque.<\/p>\n<p>Mostraram-se as demandas de uma juventude que, logo ao romper a inf\u00e2ncia, era posta em condi\u00e7\u00f5es de trabalho sofr\u00edveis, sem possibilidades de prosseguir com os estudos, al\u00e9m de n\u00e3o possuir uma organiza\u00e7\u00e3o que a representasse. Havia uma demanda organizativa, emulativa, mobilizadora no seio da juventude trabalhadora. Estimulada e estimulando essa demanda, a JC tornou-se pioneira em organiza\u00e7\u00e3o de juventude com caracter\u00edsticas nitidamente de esquerda e com corte classista no Brasil. Ocupando esse espa\u00e7o no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, o espa\u00e7o da juventude organizada n\u00e3o enquanto classe, j\u00e1 que n\u00e3o era esse o cen\u00e1rio, mas enquanto instrumento de uma classe, agrupando jovens trabalhadores e demais jovens, desde que comprometidos com a classe trabalhadora e sua luta por emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o da UJC<\/p>\n<p>O dia 1\u00ba de agosto foi escolhido como data para o Ato de Funda\u00e7\u00e3o da Juventude Comunista, pois congregava na mesma data o Dia Internacional da Juventude e o Dia Internacional de Luta Contra a Guerra, bandeira, esta defendida pelas juventudes comunistas do mundo todo. Como cerca de 80% a 90% da composi\u00e7\u00e3o da JC era de jovens trabalhadores, inclusive a maior parte da dire\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria que seria indicada, existiu uma preocupa\u00e7\u00e3o em vincular a JC com o mundo do trabalho. Assim, o local escolhido para o evento era uma refer\u00eancia para os trabalhadores da \u00e9poca, um importante sindicato: a Uni\u00e3o dos Trabalhadores Gr\u00e1ficos (UGT), com sede no centro do Rio de Janeiro, pr\u00f3ximo ao Campo de Santana.<\/p>\n<p>Comentando a solenidade, Le\u00f4ncio Basbaum descreve \u201c(&#8230;) uma bela festa com discursos, nos quais o que mais se destacou foi o de um jovem metal\u00fargico, de uns 17 anos, Jaime Ferreira, que n\u00e3o sabia como acabar o seu discurso. Ao fim de quase meia hora, tive de pux\u00e1-lo pela manga para que sentasse (&#8230;)\u201d (5).<\/p>\n<p>Com a funda\u00e7\u00e3o da JC foi indicada uma dire\u00e7\u00e3o nacional provis\u00f3ria, onde Le\u00f4ncio Basbaum foi eleito Secret\u00e1rio Geral. Basbaum ocupou o cargo at\u00e9 o ano de 1929, quando completou 21 anos e, seguindo as decis\u00f5es estatut\u00e1rias de ent\u00e3o da Juventude Comunista, deveria ingressar no PCB. A primeira dire\u00e7\u00e3o nacional, de car\u00e1ter provis\u00f3rio, denominado de Comit\u00ea Central, era um reflexo das principais caracter\u00edsticas das juventudes comunistas, suas limita\u00e7\u00f5es e possibilidades de trabalho. Foram indicados como membros da dire\u00e7\u00e3o os jovens trabalhadores, na maioria oper\u00e1rios: Jaime Ferreira, Elisio, Altamiro, Brasilino, Pedro Magalh\u00e3es, e os estudantes Artur, Manuel e Le\u00f4ncio Basbaum.<\/p>\n<p>Com o intuito de potencializar as interven\u00e7\u00f5es da JC, foi criado o jornal O Jovem Prolet\u00e1rio. O jornal tornou-se o porta-voz semanal da Juventude Comunista, que teve seu nome alterado para Juventude Comunista Brasileira &#8211; JCB (6). O grande mote do jornal eram as den\u00fancias, sendo elas de car\u00e1ter geral \u2013 como a visita de navios de guerra dos EUA \u2013 , ou referentes ao cotidiano dos jovens \u2013 situa\u00e7\u00e3o dos jovens trabalhadores e a luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, bandeira defendida pela JCB. Nos primeiros n\u00fameros foram apresentados \u00e0 Juventude Comunista as refer\u00eancias internacionais ao trabalho da juventude: textos de Karl Liebknecht, de L\u00eanin, da UJC Sovi\u00e9tica (Komsomol) e tamb\u00e9m, al\u00e9m das den\u00fancias, reportagens sobre a dura realidade vivida pela juventude trabalhadora brasileira e mundial.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da Juventude com o Partido, Basbaum identificava a maneira como ela seria conduzida no trabalho pr\u00e1tico: \u201cembora por vezes ultrapassamos nosso campo de a\u00e7\u00e3o, procurando tomar atitudes pol\u00edticas, na verdade t\u00ednhamos de seguir a linha tra\u00e7ada pelo pr\u00f3prio Partido. Nossa a\u00e7\u00e3o se limitava a recrutar jovens nas f\u00e1bricas, nas empresas ou no com\u00e9rcio, e mesmo em escolas superiores (&#8230;)\u201d (7).<\/p>\n<p>Dentre as dificuldades iniciais ainda havia o fato de possuir um efetivo de jovens com diferentes graus de estudos, desde analfabetos at\u00e9 estudantes de n\u00edvel superior. Era preciso tra\u00e7ar uma pol\u00edtica que garantisse a unidade de um grupo t\u00e3o heterog\u00eaneo e, principalmente, representasse todos, uma tarefa bastante \u00e1rdua. Vislumbrando sanar tais car\u00eancias, a Juventude Comunista lan\u00e7ou m\u00e3o de diversos tipos de atividades de forma\u00e7\u00e3o, recreativas e culturais, organizando em 1928 o Centro de Jovens Prolet\u00e1rios. Tratava-se de um centro cultural e recreativo que buscava agregar os jovens trabalhadores, fornecendo ao mesmo tempo lazer e conhecimento.<\/p>\n<p>O aumento do prest\u00edgio da Juventude Comunista entre os jovens trabalhadores pode ser notabilizado pelas investidas de maiores \u00eaxitos, como as reivindica\u00e7\u00f5es por setoriais juvenis para atenderem demandas espec\u00edficas, dentro dos pr\u00f3prios sindicatos (8). Esse fortalecimento da Juventude Comunista, assim como o do pr\u00f3prio PCB n\u00e3o passaria gratuitamente perante das oligarquias que dirigiam o pa\u00eds, as quais viam com preocupa\u00e7\u00e3o os movimentos sociais e a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora no Brasil. Nas v\u00e9speras de seu primeiro anivers\u00e1rio, a Juventude Comunista sofreu um grande rev\u00e9s. Assim como o PCB, que h\u00e1 pouco havia reconquistado a legalidade, foi posta na clandestinidade pela chamada Lei Celerada (9).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internacionais, a Juventude Comunista solicitou e teve sua inscri\u00e7\u00e3o aceita na Internacional da Juventude Comunista, de onde recebeu o convite para participar do seu V Congresso, al\u00e9m de obter uma bolsa de estudos na Escola Leninista, com direito a enviar um membro. Mesmo na clandestinidade, a Juventude Comunista buscou fazer finan\u00e7as para a viagem at\u00e9 Moscou, sendo representada por seu Secret\u00e1rio Geral, Le\u00f4ncio Basbaum.<\/p>\n<p>O movimento comunista brasileiro come\u00e7ava a esbo\u00e7ar uma formula\u00e7\u00e3o original sobre a realidade brasileira. Este momento de criatividade e originalidade dos comunistas brasileiros teria seu ponto culminante no III Congresso do PCB e no I Congresso da Juventude Comunista, que ocorreriam, respectivamente, em 28, 29, 30 e 31 de dezembro de 1928 e 01, 02, 03 e 04 de janeiro, em Niter\u00f3i. No interior do PCB e, consequentemente, no da Juventude Comunista, o desenvolvimento tanto da conjuntura nacional, como da luta pol\u00edtica fez surgir uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es sobre o car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o brasileira, bem como os mecanismos de interven\u00e7\u00e3o do PCB e da Juventude no conjunto dos movimentos sociais e do pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n<p>Trata-se de um momento de grandes adversidades conjunturais e pol\u00edticas, de grande repress\u00e3o por parte do governo, em que v\u00e1rios com\u00edcios chegaram a ser dispersos com tiros pela pol\u00edcia. Entretanto, o PCB e a Juventude Comunista passaram por um fortalecimento pol\u00edtico e num\u00e9rico, mesmo diante das disputas advindas do Movimento Comunista Internacional.<\/p>\n<p>O I Congresso da JC apontava a necessidade de intensificar a atua\u00e7\u00e3o dos jovens comunistas no interior dos sindicatos e desenvolver mais atividades nos setores recreativos e culturais, dando uma maior aten\u00e7\u00e3o aos Centros de Jovens Prolet\u00e1rios. Le\u00f4ncio Basbaum demonstra a import\u00e2ncia das atividades empreendidas nos centros para a JC: \u201cele j\u00e1 nos havia trazido excelentes rapazes e mo\u00e7as para a JC e tamb\u00e9m hav\u00edamos decidido esfor\u00e7ar-nos junto aos sindicatos para a cria\u00e7\u00e3o de departamentos juvenis, a fim de atrair para eles os oper\u00e1rios mais jovens (&#8230;)\u201d (10).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sofrer duras cr\u00edticas por parte do Komintern contra o Bloco Oper\u00e1rio Campon\u00eas (BOC) \u2013 que em 1928 elegeu dois vereadores para o Distrito Federal \u2013 , o PCB desfez aquela organiza\u00e7\u00e3o e come\u00e7ou a afastar do Comit\u00ea Central quadros dirigentes considerados intelectuais, buscando se adequar \u00e0s novas orienta\u00e7\u00f5es do movimento comunista internacional.<\/p>\n<p>Uma inf\u00e2ncia forjada em meio \u00e0 luta de classes<\/p>\n<p>Com o crescimento do movimento fascista na Europa, o Komintern come\u00e7ou a rever a pol\u00edtica de confrontamento direto, buscando alian\u00e7a com os setores democr\u00e1ticos contra a amea\u00e7a fascista. Em 1935 foi levado \u00e0 frente do Komintern Dimitrov, o her\u00f3i na luta contra o fascismo, que efetua um conjunto de ajustes na linha pol\u00edtica do MCI. Relat\u00f3rio apresentado por Dimitrov no VII Congresso do Komintern apontava a necessidade de constru\u00e7\u00e3o das frentes \u00fanicas contra o avan\u00e7o do fascismo, analisando suas caracter\u00edsticas e o seu crescimento. O documento destacou o tema das frentes antifascistas na juventude, buscando fazer um balan\u00e7o das atividades das Juventudes Comunistas:<\/p>\n<p>&#8220;Nossas Juventudes Comunistas continuam sendo, numa s\u00e9rie de pa\u00edses capitalistas, organiza\u00e7\u00f5es sect\u00e1rias, desligadas das massas. Sua debilidade principal reside em que se esfor\u00e7am ainda em copiar as formas e m\u00e9todos de trabalho dos Partidos Comunistas, e esquecem que as juventudes comunistas n\u00e3o s\u00e3o o Partido Comunista da Juventude. N\u00e3o percebem que s\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o com tarefas especiais. Seus m\u00e9todos e formas de trabalho, de educa\u00e7\u00e3o, de luta, h\u00e3o de adaptar-se ao n\u00edvel concreto e as exig\u00eancias da juventude\u201d (11).<\/p>\n<p>No Brasil, sentia-se a necessidade de integrar a JC a um movimento mais amplo diante da fascistiza\u00e7\u00e3o do Estado com Get\u00falio Vargas e da sociedade com a cria\u00e7\u00e3o da A\u00e7\u00e3o Integralista. Era a oportunidade de sair do isolamento na qual se encontrava e de fato come\u00e7ar a intervir novamente na sociedade. Foi com este esp\u00edrito que a organiza\u00e7\u00e3o participou ativamente da Conferencia Nacional de Estudantes Antifascista.<\/p>\n<p>Nesta ocasi\u00e3o, ocorreram grandes mobiliza\u00e7\u00f5es promovidas pela Juventude Comunista e, paralelamente, ocorreu uma s\u00e9rie de conflitos f\u00edsicos entre os comunistas e os integralistas (12). Os mais famosos confrontos foram a chamada Batalha da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo, com diversos feridos e quatro mortos, sendo um militante da Juventude Comunista, e no Rio de Janeiro houve fortes confrontos na Cinel\u00e2ndia, centro cultural da cidade. Tornava-se cada vez maior a necessidade de intensifica\u00e7\u00e3o da luta contra a fascistiza\u00e7\u00e3o do Estado e da sociedade. A conjuntura posta obrigava a Juventude Comunista a diversificar suas formas de resist\u00eancia e lutas.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do jornal &#8220;Juventude&#8221;, em 1935, \u00e9 um reflexo dessa pol\u00edtica de resist\u00eancia ao avan\u00e7o da extrema direita no pa\u00eds. Esse jornal, que sucedera o Jovem Prolet\u00e1rio, buscava ampliar o di\u00e1logo da Juventude com as novas demandas, e conclamava a unidade dos segmentos antifascistas. Um documento do CC do PCB, de maio de 1935, apontava a necessidade de se organizar, al\u00e9m dos espa\u00e7os da JC, os &#8220;mais amplos e variados organismos de massas, culturais, recreativos e esportivos e etc nas cidades e no campo\u201d (13).<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o apontava para que a JC formasse comit\u00eas juvenis da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL) e indicava, tamb\u00e9m, como prioridade organizar o Congresso da Juventude Prolet\u00e1ria, Estudantil e Popular, para que se deliberasse por sua ades\u00e3o \u00e0 ANL, fazendo ainda um trabalho entre os estudantes, os jovens oper\u00e1rios das f\u00e1bricas, sindicatos e etc. A ideia era \u201cformar e ampliar a JC dentro de amplos organismos de massa juvenis&#8221; (14). Destaca-se a participa\u00e7\u00e3o dos jovens comunistas nos com\u00edcios em todo o pa\u00eds, sendo muitos presos. Em atos simb\u00f3licos, eram feitas ironias contra os integralistas, nos quais se enforcavam galinhas verdes em alus\u00e3o \u00e0s fardas verdes usadas pelo movimento fascista.<\/p>\n<p>A Juventude Comunista ampliava sua participa\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os da ANL, assim como seu raio de di\u00e1logo com o conjunto da juventude, come\u00e7ando inclusive a mudar seu perfil, agora com um n\u00famero crescente de estudantes. Em mar\u00e7o de 1935, foi aclamado no Teatro Jo\u00e3o Caetano, na Pra\u00e7a Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro, por proposta de um dirigente da Juventude Comunista, o nome de Prestes para presidente de honra da ANL. Que agora chamava o conjunto dos trabalhadores a derrubar o governo de Vargas e proclamava todo poder \u00e0 ANL.<\/p>\n<p>Em resposta, o governo de Vargas colocou a Alian\u00e7a Nacional Libertadora na ilegalidade, desencadeando e intensificando uma s\u00e9rie de atos arbitr\u00e1rios por parte do Estado, com fechamento de sedes, pris\u00f5es e espancamentos. Radicalizava-se a conjuntura brasileira e, nesse ambiente de confronto, ocorre o levante de novembro de 1935. A derrota do levante p\u00f4s n\u00e3o apenas o movimento comunista brasileiro, mas todo o conjunto de setores progressistas na defensiva. O governo Vargas intensificou a repress\u00e3o contra os comunistas. O momento seguinte foi fortemente marcado pelo desmantelamento do Partido e das organiza\u00e7\u00f5es a ele ligadas, inclusive a Juventude Comunista (15).<\/p>\n<p>A partir desse momento, que perdurou at\u00e9 meados de 1940, a Juventude Comunista passou por uma fase de sobressaltos e grandes incertezas, buscando manter suas atividades e seu funcionamento em meio \u00e0 ilegalidade e clandestinidade, num cen\u00e1rio de forte criminaliza\u00e7\u00e3o do comunismo. Mesmo nessa quadra marcada pelo adverso, a Juventude Comunista seria central na reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento estudantil brasileiro e na organiza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes. Mesmo sob intensa clandestinidade, a Juventude Comunista, assim como o Partido, cumpriu papel fundamental na luta pela entrada do pa\u00eds na II Guerra ao lado dos aliados contra o Eixo e as pot\u00eancias fascistas, bem como na luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Novas vit\u00f3rias seriam permeadas por derrotas, persegui\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es e mortes. Contudo, mesmo com toda dificuldade, a Juventude Comunista entrava de vez no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, tanto pelo seu pioneirismo, como pela sua permanente capacidade de se reinventar e se reorganizar de acordo com as demandas da juventude brasileira e do conjunto da classe trabalhadora. Inegavelmente a hist\u00f3ria da Juventude Comunista, assim como do PCB, confunde-se com a hist\u00f3ria do Brasil, de seu povo e de suas lutas.<\/p>\n<p>1) Historiadores e militantes do PCB. Heitor \u00e9 membro do Comit\u00ea Central do PCB.<br \/>\n2) VINHAS, Mois\u00e9s . O Partid\u00e3o: a luta por um partido de Massas. SP: HUCITEC, p. 34.<br \/>\n3) PEREIRA, Astojildo. Ensaios hist\u00f3ricos e pol\u00edticos. SP: Alfa-\u00d4mega, 1979, p. 58.<\/p>\n<p>4) BASBAUM, Le\u00f4ncio. Uma vida em seis tempos: mem\u00f3rias. SP: Alfa-\u00d4mega, 1978, p. 45.<\/p>\n<p>5) Idem, p. 45.<\/p>\n<p>6) Ao longo dos anos, a juventude comunista do Brasil recebeu in\u00fameros nomes, como Juventude Comunista (JC), Juventude Comunista Brasileira (JCB), Federa\u00e7\u00e3o da Juventude Comunista Brasileira (FJCB) e Uni\u00e3o da Juventude Comunista (UJC), nome que permanece at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>7) BASBAUM, Le\u00f4ncio. Uma vida em seis tempos: mem\u00f3rias, p. 47.<\/p>\n<p>8) BASBAUM, Le\u00f4ncio. A Hist\u00f3ria Sincera da Rep\u00fablica. vol. II, p. 215.<br \/>\n9) Lei posta em vigor no ano de 1927. Tinha como meta a censura da imprensa e a restri\u00e7\u00e3o das reuni\u00f5es. Objetivava atingir, sobretudo, o Movimento Tenentista e o Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas (BOC).<\/p>\n<p>10) BASBAUM, Le\u00f4ncio. Uma vida em seis tempos: mem\u00f3rias, p. 64.<\/p>\n<p>11) DIMITROV. A Unidade Oper\u00e1ria Contra o Fascismo. MG: Aldeia Global Livraria, 1978, pp. 59-60.<\/p>\n<p>12) Movimento nacionalista de n\u00edtida caracteriza\u00e7\u00e3o fascista. Os integralistas possu\u00edam como principal lideran\u00e7a o intelectual Pl\u00ednio Salgado e foram aliados de Get\u00falio Vargas no in\u00edcio do governo, sendo perseguidos posteriormente.<\/p>\n<p>13) VIANNA, Marly (org.). P\u00e3o, terra e liberdade: mem\u00f3ria do Movimento Comunista de 1935. RJ\/ SP: Arquivo Nacional\/ Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, 1995, p. 53.<\/p>\n<p>14) Idem, p. 53.<br \/>\n15) UJC. Resolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Congresso Nacional de Reorganiza\u00e7\u00e3o \u2013 Hist\u00f3rico da UJC. RJ: Funda\u00e7\u00e3o Dinarco Reis, 2006, p. 10.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26856\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[365,27],"tags":[222,247],"class_list":["post-26856","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-centenario-do-pcb","category-c27-ujc","tag-2b","tag-jd"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Za","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26856\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}