{"id":26877,"date":"2021-02-16T00:34:29","date_gmt":"2021-02-16T03:34:29","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26877"},"modified":"2021-02-21T13:56:19","modified_gmt":"2021-02-21T16:56:19","slug":"critica-do-trabalho-de-base-dos-aeroviarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26877","title":{"rendered":"Cr\u00edtica do trabalho de base dos aerovi\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/sna.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Jo%C3%A3o-Goulart-ex-presidente-do-Brasil-assina-Regulamenta%C3%A7%C3%A3o-Profissional-da-categoria-aerovi%C3%A1ria-na-sede-do-SNA-.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Sal\u00e3o nobre do sindicato nacional dos aerovi\u00e1rios 1962, assinatura da lei dos aerovi\u00e1rios com o presidente Jo\u00e3o Goulart<\/p>\n<p>Por Marcelo Schmidt e Nelsides Diniz<\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil falar da derrota da avia\u00e7\u00e3o brasileira, principalmente quando ela se mistura com a vida dos narradores, mas \u00e9 muito necess\u00e1rio falar da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores aerovi\u00e1rios dentro da desorganiza\u00e7\u00e3o atual da avia\u00e7\u00e3o brasileira; porque a falta de uma correta organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 parte da derrota dos trabalhadores e da avia\u00e7\u00e3o brasileira nos \u00faltimos 40 anos e falar de organiza\u00e7\u00e3o significa investigar o problema da derrota da classe trabalhadora nos \u00faltimos 40 anos. \u00c9 imposs\u00edvel separar a atual situa\u00e7\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o brasileira da atual situa\u00e7\u00e3o da classe aerovi\u00e1ria, estrat\u00e9gica e trabalhadora.<\/p>\n<p>Esta derrota come\u00e7a a se desenhar no final da d\u00e9cada de 70, atravessa a d\u00e9cada de 80 e se intensifica a partir da d\u00e9cada de 90, e a vemos como um filme de derrota. Uma derrota da estrat\u00e9gia e do processo da organiza\u00e7\u00e3o e do trabalho de base revolucion\u00e1rio dos trabalhadores, substitu\u00eddo pelo novo sindicalismo dito puro, democr\u00e1tico, de base, mas que negava o ac\u00famulo da luta de classes de todo o s\u00e9culo XX, exaltava a democracia burguesa, universal, declarava que a revolu\u00e7\u00e3o fica para depois, talvez, pela via pac\u00edfica. Mas para quem n\u00e3o desejou disputar o poder de Estado e construir o poder revolucion\u00e1rio, aprendeu que at\u00e9 o menor direito mais espec\u00edfico lhe seria arrancado.<\/p>\n<p>Ao falar da situa\u00e7\u00e3o da classe aerovi\u00e1ria \u00e9 preciso falar tamb\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o brasileira, e comparar o per\u00edodo pr\u00e9 1964 com o per\u00edodo p\u00f3s 1979; demonstrar que a avia\u00e7\u00e3o hoje no princ\u00edpio de 2021 \u00e9 a continuidade do per\u00edodo de desmonte da ind\u00fastria brasileira fortalecido na abertura e na nova rep\u00fablica. Este per\u00edodo \u00e9 marcado por um embate feito pelo neoliberalismo e o processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o, do afastamento da ger\u00eancia civil militar na forma\u00e7\u00e3o dos aerovi\u00e1rios e da estrat\u00e9gia da avia\u00e7\u00e3o civil; com a destrui\u00e7\u00e3o das quatro bases da estrat\u00e9gia soberana da avia\u00e7\u00e3o brasileira, algo que n\u00e3o pode ser feito pelo projeto dos governos da burguesia no poder. Na estrat\u00e9gia do capital, primeiro se destr\u00f3i o poder do trabalhador e depois a avia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As quatro bases de compreens\u00e3o da estrat\u00e9gia soberana da avia\u00e7\u00e3o civil brasileira s\u00e3o: a estrat\u00e9gia de inser\u00e7\u00e3o no mundo no contexto da integra\u00e7\u00e3o regional, nacional e latino-americana por via a\u00e9rea de cargas e de passageiros; uma empresa p\u00fablica nacional de bandeira para fabricar e operar aeronaves, treinar pessoal a partir de um fundo administrado pelos trabalhadores, pelo Estado e pelas for\u00e7as armadas, e implementar esta estrat\u00e9gia de inser\u00e7\u00e3o mundial; o combate permanente \u00e0 pol\u00edtica de \u2018c\u00e9us-abertos\u2019 dos grandes tubar\u00f5es da avia\u00e7\u00e3o mundial representado \u2018pelas tr\u00eas alian\u00e7as\u2019: Sky Team, Oneworld, Star Aliance\u2019; uma empresa p\u00fablica de administra\u00e7\u00e3o de aeroportos para incentivar e implementar uma pol\u00edtica de aeroportos p\u00fablicos, com portos secos ao redor. Estas estrat\u00e9gias somente podem ser concretizadas pela classe aerovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds continental inserido em um continente pol\u00edtico-civilizacional com cultura, hist\u00f3ria e geografia pr\u00f3prias chamado: Am\u00e9rica Latina e Caribe. Neste sentido, a principal forma de liga\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses que v\u00e3o do Rio Grande na fronteira do M\u00e9xico com os EUA, at\u00e9 a Patag\u00f4nia Chilena e Argentina na divisa com a Ant\u00e1rtica \u00e9 a avia\u00e7\u00e3o civil e militar. Esta avia\u00e7\u00e3o civil militar para este continente somente pode ser plenamente constru\u00edda e desenvolvida na sua plenitude com planejamento, com planifica\u00e7\u00e3o combinada, com uma administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e estrat\u00e9gia a\u00e9rea que cuidaria da integra\u00e7\u00e3o regional, nacional, e local latino-americana, e da constru\u00e7\u00e3o de Hubs (centros de entroncamento da avia\u00e7\u00e3o e desta com outros modais de transportes) conectando a avia\u00e7\u00e3o nacional e latino-americana com a avia\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>O \u2018mercado\u2019 atrav\u00e9s da estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o privada n\u00e3o integrou, mas precarizou, ou destruiu ou impediu quaisquer das pol\u00edticas citadas acima. Portanto, impediu qualquer possibilidade estrat\u00e9gica no continente, dos pa\u00edses e dos trabalhadores, impedindo a gera\u00e7\u00e3o de trabalho qualificado e de controle dos trabalhadores sobre a produ\u00e7\u00e3o de aeronaves civis, sobre a opera\u00e7\u00e3o de cargas \u2018just in time\u2019 ou r\u00e1pidas ao destino, ou sobre o transporte de passageiros. A burguesia nacional servil, imperial, dependente n\u00e3o possui um projeto de desenvolvimento para a avia\u00e7\u00e3o civil nos tr\u00eas patamares: local, nacional, regional, de inser\u00e7\u00e3o internacional para o continente. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que em 2021 inaugura-se o maior terminal do mundo em Pequim, na China, e ao mesmo tempo, no Brasil, o aeroporto do Rio de Janeiro est\u00e1 completamente vazio. O capitalismo dependente brasileiro \u00e9 deficiente de estrat\u00e9gias de ponta, e ser perif\u00e9rico \u00e9 parte disso.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos vinte anos assistiram ao ataque implac\u00e1vel das pol\u00edticas neoliberais na avia\u00e7\u00e3o. As pol\u00edticas da burguesia de desmonte das pol\u00edticas de avia\u00e7\u00e3o, subservientes ao livre mercado chegaram ao ano de 2021 reduzindo pela metade a avia\u00e7\u00e3o que existia no ano de 2020; que j\u00e1 havia \u2018concentrado o mercado da avia\u00e7\u00e3o\u2019, diminuindo o tamanho da avia\u00e7\u00e3o desde o final dos anos 70 para a segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI; de uma avia\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o nacional para uma avia\u00e7\u00e3o de mercado, e finalmente no governo Bolsonaro, para uma avia\u00e7\u00e3o exclusivamente voltada para a elite brasileira.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o das frequ\u00eancias da malha a\u00e9rea determinou a demiss\u00e3o em massa de aerovi\u00e1rios, e o fim de uma estrat\u00e9gia para a avia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m determinou o quase fim da constru\u00e7\u00e3o e reparo de aeronaves no territ\u00f3rio nacional. O quadro que se coloca no ano da maior pandemia do \u00faltimo s\u00e9culo \u00e9 arrasador, mas 2021 se torna ainda pior por causa da pol\u00edtica inexistente de salvaguardas para a ind\u00fastria e para os trabalhadores no Brasil.<\/p>\n<p>Os representantes da burguesia na avia\u00e7\u00e3o sabem perfeitamente o seu lugar na linha de comando: s\u00e3o os operadores da pol\u00edtica mundial do mercado de avia\u00e7\u00e3o nacional, onde a avia\u00e7\u00e3o brasileira e latino-americana ocupa junto com a \u00c1frica os lugares mais perif\u00e9ricos do mundo. A avia\u00e7\u00e3o brasileira tem lugar marcado e estrutural na depend\u00eancia brasileira e latino-americana. Os trabalhadores brasileiros nas d\u00e9cadas de 70 e 80 resistiram, mas n\u00e3o conseguiram formular e desenvolver qualquer estrat\u00e9gia de defesa dos pontos enumerados acima; o que era ruim fica pior, no p\u00f3s d\u00e9cada de 80, pois se resume a \u2018lutar no salve-se quem puder\u2019 da avia\u00e7\u00e3o brasileira no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes dos trabalhadores n\u00e3o conseguiram criar uma efetiva estrat\u00e9gia de defesa dos trabalhadores; eles foram e s\u00e3o inversamente proporcionais aos desafios colocados, n\u00e3o formulam, n\u00e3o elaboram a estrat\u00e9gia do poder dos trabalhadores para a avia\u00e7\u00e3o, por isso n\u00e3o existe uma estrat\u00e9gia de poder popular na avia\u00e7\u00e3o, e quanto menor o sindicato e o projeto menores s\u00e3o as expectativas de mudan\u00e7a. Apesar de termos iniciativas interessantes em alguns Estados, na maioria existem chefetes com cabe\u00e7a semifeudal cuidando dos seus servos aerovi\u00e1rios reduzidos \u00e0 escravid\u00e3o no contexto da explora\u00e7\u00e3o da mais valia capitalista, inseridos no meio do jogo global pela porta dos fundos.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe limite para o recuo das lideran\u00e7as social-democratas, a trai\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as pelegas, e atrav\u00e9s delas para o recuo da classe aerovi\u00e1ria, 50% da categoria destru\u00edda, os outros 50% com medo e paralisados. Como fazer com que exista for\u00e7a? Mostrando e apontando a supera\u00e7\u00e3o, caminhando junto para construir esta supera\u00e7\u00e3o. Construindo a imagem da avia\u00e7\u00e3o como forma digna de trabalho. Como profiss\u00e3o. Como vida. Alegria. Trabalho. A sensa\u00e7\u00e3o de fundo do po\u00e7o que vive a classe hoje n\u00e3o foi um dia nem foi uma noite, foram muitos anos de acumuladas derrotas. Agora os trabalhadores da avia\u00e7\u00e3o necessitam acumular pequenas vit\u00f3rias que objetivam superar tudo isso.<\/p>\n<p>A pandemia n\u00e3o \u00e9 a crise, ela \u00e9 apenas uma foto inserida em um document\u00e1rio de derrotas e de medo. Existe medo e uma atmosfera de medo. Derrota e desalento. Existe o vazio da lideran\u00e7a. Existe o individualismo, extremado, cultivado. A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 como desenvolver e voltar ao trabalho de constru\u00e7\u00e3o do poder dos trabalhadores. Construir comiss\u00f5es? Lideran\u00e7as? Educa\u00e7\u00e3o? Tudo parece pouco quando o muito precisa ser feito. No espa\u00e7o comum da morte por covid 19, a grande fa\u00e7anha pode ser a de descobrir a exata posi\u00e7\u00e3o do aerovi\u00e1rio no tabuleiro do conflito de classes.<\/p>\n<p>De acordo com o camarada Diniz, que tamb\u00e9m contribui para este breve relato sobre a avia\u00e7\u00e3o, ex-secret\u00e1rio geral dos aerovi\u00e1rios no SNA Sindicato nacional dos aerovi\u00e1rios: \u201cCom a pandemia do Covid 19, al\u00e9m da agenda neoliberal de Paulo Guedes, toda a classe trabalhadora do pa\u00eds vem sofrendo as consequ\u00eancias pela op\u00e7\u00e3o genocida feita pelo governo Bolsonaro com o negacionismo da ci\u00eancia e o desprezo da vida humana. Os postos de trabalho est\u00e3o se reduzindo, o desemprego acelerando, a mis\u00e9ria cada vez mais presente nos guetos e favelas, e a economia caminhando para um longo per\u00edodo de recess\u00e3o, pois o que j\u00e1 era um \u201cpibinho\u201d, agora ser\u00e1 um PIB negativo que trar\u00e1 consequ\u00eancias sem precedentes para a classe oper\u00e1ria. Os trabalhadores da avia\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o a esse cen\u00e1rio, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma das categorias que mais est\u00e1 sofrendo na atual crise econ\u00f4mica, social, pol\u00edtica e de sa\u00fade. Com a diminui\u00e7\u00e3o dos voos e consequentemente com a diminui\u00e7\u00e3o do lucro, os empres\u00e1rios do setor a\u00e9reo fazem aquilo que manda a cartilha do capitalismo: demitir para n\u00e3o perder a mais valia, sem se importar como isso prejudicar\u00e1 muitas fam\u00edlias de aerovi\u00e1rios, mandando-os para a rua. A Latam anunciou o corte de 2000 funcion\u00e1rios, Gol e Azul tamb\u00e9m falam na reestrutura\u00e7\u00e3o, empresas terceirizadas fazem acordo para diminui\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, mas o que nenhuma delas apresenta \u00e9 o lucro que tiveram nos anos anteriores, mesmo do in\u00edcio do ano de 2020, antes da pandemia, e agora jogam toda a dificuldade for\u00e7ada pela Covid 19 nas costas dos trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o que n\u00e3o era pouco torna-se ainda mais forte por causa de lideran\u00e7as despreparadas e traidoras que fazem a trag\u00e9dia do aerovi\u00e1rio se transformar em suspens\u00e3o do contrato de trabalho sem remunera\u00e7\u00e3o, em redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio e em demiss\u00e3o. Muitos aerovi\u00e1rios, infelizmente, inclusive s\u00e3o demitidos sem conseguir a almejada aposentadoria especial, depois de terem trabalhado muitos anos em condi\u00e7\u00f5es insalubres. Isso tudo vem acontecendo nas barbas dos sindicalistas burocratas, que dividiram a categoria sem um projeto de unifica\u00e7\u00e3o permanente porque n\u00e3o compreendem a necessidade de um sindicalismo unit\u00e1rio, classista, combativo e internacionalista, ou porque s\u00e3o contra este projeto. Mas estes n\u00e3o podem impedir este avi\u00e3o de decolar, deixar para tr\u00e1s estes anos que deveriam ser apagados, ou lembrados como uma advert\u00eancia de que o aerovi\u00e1rio n\u00e3o pode abrir m\u00e3o do seu poder.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que estes burocratas n\u00e3o encontram um caminho para a luta, ou n\u00e3o querem encontrar. Esses diretores que deveriam ser a vanguarda do movimento, apenas brigam pela sua perpetua\u00e7\u00e3o nos sindicatos ou seus projetos pol\u00edticos pessoais, fazendo dos sindicatos um lugar particular, que distancia ainda mais a categoria da luta organizada pelo poder popular. Os sindicatos da avia\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio de se tornarem \u2018a cavalaria m\u00f3vel e blindada\u2019 da classe trabalhadora organizando a massa para enfrentar o capital, funcionam contra a combatividade destas estruturas. Na presen\u00e7a dos patr\u00f5es tiram as balas e desarmam os trabalhadores, chegam ao ponto de \u2018atirar contra os trabalhadores\u2019 como \u00e9 o caso da atual dire\u00e7\u00e3o do sindicato dos aerovi\u00e1rios do Rio de Janeiro que garante \u2018estabilidades\u2019 aos seus, mas n\u00e3o defende a classe fazendo assembleias nos aeroportos, que est\u00e3o abertos, que n\u00e3o faz protestos, atos pol\u00edticos ou greves.<\/p>\n<p>Os aerovi\u00e1rios, desde a funda\u00e7\u00e3o do SNA (Sindicato Nacional Aerovi\u00e1rio) em 1942, estiveram sempre presentes nas lutas e conquistas dos trabalhadores. Participaram dessas lutas muitos camaradas e companheiros que fizeram parte da hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 dos aerovi\u00e1rios, mas tamb\u00e9m da resist\u00eancia ao golpe militar e ao imperialismo\/capitalismo. Temos como exemplos o camarada Odilon Miranda, o Mirandinha, que participou do Levante Comunista de 1935: militante do PCB &#8211; Partido Comunista Brasileiro -, foi preso e torturado por tr\u00eas anos, expulso do Ex\u00e9rcito e, depois que entra para a categoria aerovi\u00e1ria, contribui ativamente para a cria\u00e7\u00e3o da FNTTA (Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Transportes A\u00e9reos).<\/p>\n<p>O companheiro Otto Canhedo Lopes, militante trabalhista, em cujo mandato como presidente do SNA, em 1962, foi assinada, dentro da sede do sindicato, pelo ent\u00e3o Ministro do Trabalho Jo\u00e3o Goulart, a Regulamenta\u00e7\u00e3o Profissional dos Aerovi\u00e1rios, uma das maiores conquistas da categoria, e que em 1964, junto a outro presidente, Juraci de Camargo, frente ao golpe empresarial\/militar, se entrincheirou de armas em punho ao lado de toda a diretoria na sede da entidade, para defender o governo leg\u00edtimo de Jango. A coaliz\u00e3o de comunistas e trabalhistas foi muito importante para a classe aerovi\u00e1ria no ascenso dos anos 50 e 60. Existia uma excel\u00eancia organizativa que se somava a outras para reivindicar conquistas concretas imediatas, mas tamb\u00e9m hist\u00f3ricas. Neste per\u00edodo houve uma excel\u00eancia organizativa conectada \u00e0 dos trabalhadores aeronautas, dos portu\u00e1rios, dos mar\u00edtimos e dos ferrovi\u00e1rios.<\/p>\n<p>O conjunto dos trabalhadores dos transportes e sua conex\u00e3o com os trabalhadores estrat\u00e9gicos, principalmente na cria\u00e7\u00e3o e fortalecimento da campanha do petr\u00f3leo e da cria\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s, se ligava \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Aerobr\u00e1s, o fortalecimento do Lloyd mar\u00edtimo brasileiro, da luta por uma companhia Docas, de um porto p\u00fablico sob controle dos trabalhadores e de uma estrat\u00e9gia nacional de estradas e caminhos de ferros com planejamento, constru\u00e7\u00e3o e log\u00edstica nacional sob o controle da classe trabalhadora. Admitindo inclusive a forma\u00e7\u00e3o de um trabalho estrat\u00e9gico no batalh\u00e3o de engenharia ferrovi\u00e1ria e no pr\u00f3prio ex\u00e9rcito brasileiro no conjunto da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores estrat\u00e9gicos nos anos 60, incluindo os trabalhadores dos setores de transportes, de energia e de soldados, selava a constru\u00e7\u00e3o do projeto da revolu\u00e7\u00e3o. Havia tamb\u00e9m os institutos que garantiam ao trabalhador, habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, e ajuda m\u00fatua.<\/p>\n<p>Neste mesmo per\u00edodo de ascenso o grande ferrovi\u00e1rio Rafael Martinelli, comunista, presidente do CGT, em visita \u00e0 URSS, de um lado testemunhava que a Uni\u00e3o sovi\u00e9tica tinha um pa\u00eds de ferrovias onde o controle direto era exercido por trabalhadores ferrovi\u00e1rios e soldados, e por outro se reportava em seus pensamentos aos seus pares aerovi\u00e1rios quando em 1959 voou de Estocolmo at\u00e9 Leningrado no avi\u00e3o de passageiros moderno, r\u00e1pido, fabricado e pilotado por trabalhadores conscientes disso. Neste processo a consci\u00eancia do controle da produ\u00e7\u00e3o e do transportes era uma realidade. \u201cSobrevoava os dourados campos do pa\u00eds dos sovietes, a bordo de um TU-114 vers\u00e3o civil do TU &#8211; 95, desenvolvido para rotas de longo alcance em alta velocidade. Seus grandes motores Kunetsov de h\u00e9lice dupla levavam o avi\u00e3o a mais de 850 quil\u00f4metros por hora \u2013 naquele tempo era a aeronave civil \u00e0 h\u00e9lice mais r\u00e1pida do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Mas houve o golpe da burguesia atrav\u00e9s dos militares. Durante a ditadura, houve a interven\u00e7\u00e3o militar nos sindicatos, que vai de 1964 a 1974. Depois da interven\u00e7\u00e3o, em 1982, h\u00e1 nova elei\u00e7\u00e3o no SNA e \u00e9 criado o MANO (Movimento Aerovi\u00e1rio Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o), formado por companheiros que vinham da luta contra a ditadura, dentro dos movimentos sociais e de base, e que militavam no PCB, no rec\u00e9m criado PT, no PDT, al\u00e9m de companheiros que come\u00e7avam suas caminhadas no movimento sindical. Esse movimento foi derrotado em 1982, pois ainda est\u00e1vamos na ditadura, e a m\u00e1quina do governo foi usada para ajudar a candidatura pelega, assim como a amea\u00e7a das empresas com repres\u00e1lias para quem apoiasse o movimento. Nestas adversidades, o MANO se fortaleceu e em 1985 ganhou a elei\u00e7\u00e3o e retirou do sindicato os pelegos, alguns deles ainda nomeados pelo regime militar. Ressalta-se que foi a uni\u00e3o das for\u00e7as pol\u00edticas progressistas comprometidas com a luta que possibilitou esta vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ainda segundo o testemunho hist\u00f3rico ocular do camarada Diniz: \u201cEssa nova diretoria compromissada com a categoria, dentre muitos valorosos companheiros tinha como presidente o companheiro Roberto Dantas, al\u00e9m dos camaradas Ismael Amud, Sidney Schwartz, Jos\u00e9 Nobre, companheiros, Jos\u00e9 Dantas, Goulart, Nedmar, Norival e M\u00edriam no RJ, Chiquinho (BH), Eduardo (SSA), Jos\u00e9 Rafael (POA) e a camarada F\u00e1tima (BSB). Essa diretoria logo no seu primeiro ano de mandato, com um trabalho de base muito agressivo, subiu o quadro de associados de 4.000 para incr\u00edveis 22.000 s\u00f3cios, fazendo da categoria aerovi\u00e1ria uma das mais participativas e atuantes no movimento sindical brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>No primeiro mandato da MANO, nota-se que houve um salto de qualidade fundamental para a categoria retomar o enfrentamento com a classe patronal. Este seria o segundo grande momento da classe aerovi\u00e1ria, o do p\u00f3s 1964. A categoria aerovi\u00e1ria navegava em c\u00e9us de brigadeiro onde v\u00e1rias conquistas foram obtidas, mas para isso houve uma coordena\u00e7\u00e3o eficiente entre diretoria e categoria para as lutas que viriam como as greves de 1987 e 1988. Com esses movimentos, a categoria conquistou, al\u00e9m dos reajustes de sal\u00e1rios com ganhos reais, 50% de adicional noturno, 100% nas horas extras de segunda a s\u00e1bado e 150% nos domingos e feriados, pagamento em dobro de domingo e feriado, aux\u00edlio creche, folga agrupada, anu\u00eanio e estabilidade de emprego \u00e0s v\u00e9speras da aposentadoria. Essas conquistas inclusive balizaram o Congresso Nacional para a cria\u00e7\u00e3o \u2018da nova CLT\u2019 ou do cap\u00edtulo dos direitos sociais para os trabalhadores na Constituinte de 1986\/88, pois a Conven\u00e7\u00e3o Coletiva dos Aerovi\u00e1rios foi considerada uma das mais progressistas de toda classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n<p>Os aerovi\u00e1rios estavam orgulhosos em fazer parte da categoria. Na greve de 1987, foram mais de 5.000 trabalhadores na quadra da Portuguesa, na Ilha do Governador. Nesse movimento, o \u201ccoruj\u00e3o\u201d da Varig do SDU aeroporto Santos Dumont parou atrasando toda a Ponte A\u00e9rea, e foram cancelados ou atrasados voos que sairiam do GIG aeroporto do Gale\u00e3o. Nesse per\u00edodo a categoria tinha confian\u00e7a na diretoria que se fazia presente e atuante na base, com diretores e delegados trabalhando juntos com a categoria. Em 1995, os mec\u00e2nicos da Varig pararam por seis dias a manuten\u00e7\u00e3o da \u00c1rea Industrial. Essa paralisa\u00e7\u00e3o ficou conhecida como a greve \u201cdos ninjas\u201d. Nesta greve foi conquistada a cesta b\u00e1sica, que depois \u00e9 ampliada para toda a categoria, (mas somente seria equalizada recentemente pela a\u00e7\u00e3o da FNTTA).<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o do neoliberalismo, a d\u00e9cada de 1990 \u00e9 marcada pela terceiriza\u00e7\u00e3o e pelo in\u00edcio da privatiza\u00e7\u00e3o. A introdu\u00e7\u00e3o dessa mentalidade ideol\u00f3gica provocar\u00e1 mudan\u00e7as cada vez maiores nas atitudes da classe trabalhadora. A rela\u00e7\u00e3o capital versus trabalho \u00e9 minimizada pelas empresas, que convocam os trabalhadores para uma \u201cparceria\u201d, atrav\u00e9s de uma \u201cgest\u00e3o participativa\u201d, onde o preju\u00edzo s\u00f3 cair\u00e1 nas costas dos trabalhadores, com demiss\u00f5es, arrocho salarial e fim dos ganhos conquistados, enquanto o lucro fica todo ele para o patr\u00e3o. \u00c9 importante ressaltar que na social-democracia tardia brasileira as sementes da concilia\u00e7\u00e3o de classes estavam presentes nos anos 70 e 80, mas s\u00f3 germinam com for\u00e7a nos anos 90. Existem muitos que se surpreendem porque os combativos de antes conciliavam agora, porque a pol\u00edtica desarmou a classe.<\/p>\n<p>Mesmo com todo cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel, ainda em 1994 \u00e9 idealizada a Campanha Salarial Unificada entre todos os trabalhadores da avia\u00e7\u00e3o, aerovi\u00e1rios e aeronautas, pois era necess\u00e1rio apostar na retomada das lutas. Junto com a Campanha Unificada, outra ideia \u00e9 apresentada, mas que n\u00e3o era nova: da cria\u00e7\u00e3o do Sindicato \u00danico. Essa tentativa de unifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da avia\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi adiante, pelo contr\u00e1rio, foram criados v\u00e1rios outros sindicatos, dividindo ainda mais a categoria aerovi\u00e1ria. Este processo infelizmente continuou. Nos anos seguintes o que vimos foi a tomada dos sindicatos por diretores que usaram os sindicatos como um \u2018feudo\u2019, espa\u00e7o privado onde o que menos importava era a luta de classe, mas sim seus interesses e perpetua\u00e7\u00e3o no poder da m\u00e1quina sindical. No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI o que germinou nos 90 ganhou for\u00e7a, mais do que a concilia\u00e7\u00e3o, o programa do desarme passava a ser integral e geral.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos dizer que a luta dos aerovi\u00e1rios parou, mas houve um descenso muito r\u00e1pido e consider\u00e1vel a partir dos anos 2000, a marca mais expressiva \u00e9 a perda do \u201canu\u00eanio\u201d ou para cada ano trabalhado o acr\u00e9scimo autom\u00e1tico de 1% de aumento no sal\u00e1rio at\u00e9 o limite de 20 anos ou de um acr\u00e9scimo de 20% de sal\u00e1rio. Houve luta, muita luta. Mas esta luta foi desordenada, ou melhor, dizendo, desorganizada, despreparada e desarmando a classe, completamente alheia ao combate nos aeroportos dentro de uma forma\u00e7\u00e3o voltada para a luta de classes. Gostaria de destacar a greve que resistiu ao fim da Sata em 2005\/6, a primeira greve da Swissport em Bras\u00edlia em 2012, as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es feitas em conjunto com os petroleiros do Rio Sindipetro RJ com o MST e nas ocupa\u00e7\u00f5es dos aeroportos no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e em Jo\u00e3o Pessoa a partir de 2010, principalmente em 2012 at\u00e9 o ano de 2017.<\/p>\n<p>Antes, durante e depois do per\u00edodo de ascenso popular entre 2012-2017 cabe ressaltar um importante depoimento em 2014 de Selma Balbino que foi uma importante l\u00edder sindical do novo sindicalismo cutista para o MPT o minist\u00e9rio p\u00fablico do trabalho, \u201cA equa\u00e7\u00e3o \u00e9 perversa: passagens caras e m\u00e3o de obra barata. Assim, as empresas diminuem o sal\u00e1rio do trabalhador, precarizam as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, pois n\u00e3o t\u00eam subs\u00eddio do governo para o querosene. Ent\u00e3o, damos a bola para os estrangeiros de bandeja. S\u00e3o anos de descaso. Em 1995, a folha de pagamento, com encargos, estava na ordem de 32% dos custos das empresas. Hoje, \u00e9 de 18%. Diminu\u00edram os sal\u00e1rios. N\u00e3o tem mais previd\u00eancia complementar. N\u00e3o h\u00e1 mais adicional de antiguidade. Diminu\u00edram o n\u00famero de trabalhadores. Terceirizaram grande parte das fun\u00e7\u00f5es e os terceirizados ganham menos que os celetistas. A empresa terceirizada n\u00e3o paga direito. Demite por qualquer coisa. N\u00e3o paga periculosidade. N\u00e3o faz CAT (comunica\u00e7\u00e3o de acidentes de trabalho). Faz CIPA (comiss\u00e3o interna de preven\u00e7\u00e3o de acidentes de trabalho) fraudulenta somente de fachada. As empresas buscam tirar a diferen\u00e7a em cima do trabalhador. \u00c9 mais f\u00e1cil cortar o sal\u00e1rio do trabalhador, omitir hora extra. Quando voc\u00ea vai cobrar um direito sofre ass\u00e9dio. \u00c9 um ambiente de trabalho ruim\u201d.<\/p>\n<p>Selma, presidente do SNA (Sindicato Nacional dos Aerovi\u00e1rios) por muitos anos, faz parte do ascenso das lutas dos anos 80 \/ 90 quando ela assume o poder no final da d\u00e9cada de 90, que marca o forte decr\u00e9scimo da participa\u00e7\u00e3o dos aerovi\u00e1rios de manuten\u00e7\u00e3o de aeronaves nas greves e na pol\u00edtica sindical, e a maior participa\u00e7\u00e3o de trabalhadores de rampa \/ handling ou da estiva a\u00e9rea, cuja caracter\u00edstica maior foi uma grande falta ou despreparo destes trabalhadores para liderar os trabalhadores nacionalmente e derrotar a burguesia do setor que trabalha para a burguesia internacional. Podemos afirmar que a falta de uma correta pol\u00edtica de quadros no setor para a revolu\u00e7\u00e3o brasileira cobrou um alto pre\u00e7o para a luta da classe aerovi\u00e1ria e brasileira.<\/p>\n<p>Uma consequ\u00eancia do ascenso das lutas populares entre 2012-2017 \u00e9 que a luta aerovi\u00e1ria se torna a luta da classe trabalhadora mais uma vez, continuando a hist\u00f3ria da classe aerovi\u00e1ria como classe trabalhadora. O \u00faltimo sopro destas lutas foi a paralisa\u00e7\u00e3o do \u201ccoruj\u00e3o\u201d da Gol linhas a\u00e9reas no SDU aeroporto Santos Dumont, que de certa forma substituiu a log\u00edstica de malha da Varig e que por isso paralisou toda a avia\u00e7\u00e3o na parte da manh\u00e3 do dia 28 de abril de 2017, dia da greve geral. Esta hist\u00f3ria significou o \u00faltimo suspiro do ascenso de 2012-2017 que n\u00e3o se transformou em vit\u00f3ria, mas em derrota. Compreender as raz\u00f5es disso precisa ser o objetivo de cada quadro aerovi\u00e1rio. \u00c9 preciso transitar de um grupo seleto, para um grupo de massa. A greve geral n\u00e3o foi uma greve de muitos quadros e de massa, mas foi a \u00faltima a\u00e7\u00e3o de luta do sindicato local do Rio de Janeiro. \u00c9 preciso ter consci\u00eancia de que a\u00e7\u00f5es localizadas e fragmentadas s\u00e3o impotentes na avia\u00e7\u00e3o, elas n\u00e3o vencem disputas contra o sistema. Ou se para o sistema com uma estrat\u00e9gia nacional ou n\u00e3o se consegue nada.<\/p>\n<p>N\u00e3o negamos a import\u00e2ncia de um grupo pequeno de qualidade, antes da quantidade \u00e9 preciso ter a qualidade, um grupo pequeno de qualidade para intervir e se inserir na quantidade; mas esta transi\u00e7\u00e3o da vanguarda para a massa \u00e9 a verdadeira a\u00e7\u00e3o que objetiva o trabalho de base cr\u00edtico. A recupera\u00e7\u00e3o ou otimiza\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical. A educa\u00e7\u00e3o do grupo organizado at\u00e9 que ele se torne diferenciado e seja percebido como tal na base. A forma\u00e7\u00e3o de grupos, comiss\u00f5es de trabalhadores para proteger direitos. At\u00e9 que amadure\u00e7am pensamentos mais profundos e se desenvolvam em conselhos, e ir al\u00e9m. O principal fator do poder aerovi\u00e1rio e aeronauta \u00e9 a conectividade da quantidade de trabalhadores envolvidos na opera\u00e7\u00e3o em terra e no ar. Se isso for feito associando a qualidade da interven\u00e7\u00e3o de quadros e a quantidade de massa e impacto seu efeito ser\u00e1 imenso. Os aerovi\u00e1rios s\u00e3o trabalhadores que t\u00eam a possibilidade de parar uma manh\u00e3 inteira do sistema que funciona \u00e0 sua pressa.<\/p>\n<p>Parar por completo um aeroporto \u00e9 um ato de poder pol\u00edtico; e fazer ele funcionar todo dia tamb\u00e9m. Existe algo mais do que a recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta, a educa\u00e7\u00e3o, a escolha do grupo, \u00e9 necess\u00e1rio completar o percurso e integrar estes trabalhadores como trabalhadores em um prop\u00f3sito maior do que o deles mesmos. O da classe. Contar o ascenso aerovi\u00e1rio da greve da Swissport e da visita do Papa em 2013 at\u00e9 a greve geral de 2017. \u00c9 preciso contar a hist\u00f3ria recente do poder aerovi\u00e1rio e associar isso com toda sua hist\u00f3ria e projeto hist\u00f3rico. N\u00e3o se pode parar nas derrotas dos \u00faltimos anos, nas derrotas hist\u00f3ricas, tudo deve servir ao debate, as pequenas e grandes derrotas e vit\u00f3rias pertencem \u00e0 cr\u00edtica da classe aerovi\u00e1ria no contexto da classe estrat\u00e9gica e trabalhadora.<\/p>\n<p>O Salve Tubiacanga, uma associa\u00e7\u00e3o do sindicalismo classista e da comunidade do entorno do aeroporto, significou a ocupa\u00e7\u00e3o da pista de acesso ao aeroporto na visita do Papa ao Rio de Janeiro em 2013 e ao parar a \u2018reta\u2019 do aeroporto, a Ilha do Governador, a principal via expressa da cidade a \u2018linha vermelha\u2019, isso afetou a log\u00edstica da cidade. E, portanto, derrota por completo o projeto de constru\u00e7\u00e3o da terceira pista e de remo\u00e7\u00e3o dos mais de 5 mil moradores que se envolveram. Cada comunidade do entorno do aeroporto precisa compreender que est\u00e1 na \u00e1rea do porto seco, n\u00e3o para ser removida, mas para participar do aeroporto e nos projetos de desenvolvimento. A organiza\u00e7\u00e3o do aeroporto na forma cl\u00e1ssica \/ f\u00e1brica, a classe prec\u00e1ria e perif\u00e9rica, e a cr\u00edtica do trabalho de base. Uma correta pol\u00edtica de quadros, uma prioridade organizativa no local de trabalho e de moradia, ferramentas sindicais guarda chuva para operar junto com movimentos populares, juventude, tudo isso pode ser pol\u00edtica da classe aerovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>O nosso objetivo aqui \u00e9 analisar como fazer para que um grupo seleto de trabalhadores possa parar localmente o sistema capitalista global, os trabalhadores aerovi\u00e1rios s\u00e3o pe\u00e7a chave deste processo. A constitui\u00e7\u00e3o de uma frente de trabalhadores insurgentes e operativos da revolu\u00e7\u00e3o brasileira atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o da greve geral na avia\u00e7\u00e3o como greve pol\u00edtica nasce nos anos 60, ou bem antes, mas nunca foi t\u00e3o necess\u00e1ria hoje no descenso das lutas. Para desenvolver uma defesa organizada, um contra-ataque eficiente, de massa, o trabalho de base precisa ser feito criticamente analisando os \u00faltimos 40 anos olhando a rela\u00e7\u00e3o desarme x armas cr\u00edticas. Associando a avia\u00e7\u00e3o ao projeto da classe, tudo que discutimos acima, a negocia\u00e7\u00e3o aerovi\u00e1ria necessita ser feita com a arma da cr\u00edtica e a cr\u00edtica da pr\u00e1xis; a arma aerovi\u00e1ria \u00e9 estar bem colocada na \u00e1rea do gol.<\/p>\n<p>O aerovi\u00e1rio Fabr\u00edcio Miranda, l\u00edder hist\u00f3rico dos trabalhadores de rampa do Rio de Janeiro, \u00e9 o exemplo desta situa\u00e7\u00e3o: em 2013\/2014 ele lidera greves hist\u00f3ricas no setor, e pudemos testemunhar, desta forma, o auge da luta dos trabalhadores de rampa \/ handing, a estiva aerovi\u00e1ria entre 2012-2017; neste per\u00edodo houve dias que toda a avia\u00e7\u00e3o do aeroporto do Gale\u00e3o foi afetada. Estava claro que os aerovi\u00e1rios haviam vencido batalhas, foram constru\u00eddas sete greves, inclusive uma s\u00f3 de mulheres. Por outro lado, no ano de 2020 o mesmo Fabr\u00edcio, que um dia fora vitorioso filma consternado o vesti\u00e1rio dos trabalhadores da Swissport, mostrando que a destrui\u00e7\u00e3o da rampa ou estiva da Swissport no seu poder foi completa. N\u00e3o existia naquele vesti\u00e1rio abandonado um \u00fanico arm\u00e1rio que n\u00e3o estivesse quebrado, lixo por toda parte e canos quebrados, algo que para quem chega cansado e precisa tomar banho depois de 6 horas de pesado trabalho \u00e9 inimagin\u00e1vel. A Swissport n\u00e3o faliu, o que desapareceu foi a for\u00e7a dos trabalhadores da rampa e da classe aerovi\u00e1ria. Somente lideran\u00e7as ignorantes e canalhas culparam os trabalhadores e n\u00e3o a si mesmas por isso hoje.<\/p>\n<p>A mesma classe que parou completamente o Rio de Janeiro dentro de sete greves na empresa entre 2013\/2014 agora estava imobilizada, prostrada, jogada no ch\u00e3o em 2020. A mesma que tinha colocado a Gol Linhas A\u00e9reas de joelhos com um aeroporto completamente vazio com todos os avi\u00f5es da empresa parados no ch\u00e3o, ali no p\u00e1tio pela for\u00e7a da greve, agora estava completamente aniquilada. Os aerovi\u00e1rios do Rio de Janeiro n\u00e3o foram aniquilados pela pandemia, eles foram massacrados pelo sistema, pelo projeto do sistema, um projeto hist\u00f3rico; mas \u00e9 preciso somar outros fatores para esta derrota. Eles foram massacrados pela combina\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais adotadas no Brasil e pelo desarme dos trabalhadores nos \u00faltimos 40 anos. Um desarme que se acentua tanto mais o ataque do sistema se faz mais forte e a resist\u00eancia mais fraca.<\/p>\n<p>O sistema capitalista precisa amansar e retirar o poder dos aerovi\u00e1rios e do conjunto dos trabalhadores do setor a\u00e9reo no Brasil, no contexto da Am\u00e9rica Latina e do mundo. A maneira de fazer isso \u00e9 atrav\u00e9s de um ataque completo na forma de um assalto direto aos trabalhadores para a sua submiss\u00e3o. A raz\u00e3o disso \u00e9 que os capitalistas viajam de avi\u00e3o, seja da forma mais corriqueira pelas companhias a\u00e9reas, dos t\u00e1xis a\u00e9reos e ou seus avi\u00f5es particulares, mas que principalmente os seus gerentes do sistema viajam mundialmente desta forma. A outra raz\u00e3o, ainda importante \u00e9 econ\u00f4mica, a forma prevalente do capitalismo mundial nos \u00faltimos 40 anos precisa da rapidez para o transporte de cargas. Como j\u00e1 foi dito acima, o capitalismo precisa de um transporte \u201cjust in time\u201d \u00e0 hora, r\u00e1pido local, regional, nacional e principalmente mundial. Neste sentido, os \u2018homens e mulheres boi\u2019 da avia\u00e7\u00e3o amansada, domada, automatizada, sem qualquer perspectiva de exerc\u00edcio de poder para se encaixarem perfeitamente neste programa pol\u00edtico da burguesia mundial s\u00e3o \u2018operados\u2019 pela burguesia local e nacional.<\/p>\n<p>O sistema que enfrentou o ascenso popular de 2012-2017 \u00e9 a mesma for\u00e7a pol\u00edtica que destr\u00f3i a for\u00e7a de greve dos trabalhadores da avia\u00e7\u00e3o. Cooptando de um lado e esmagando do outro. As raz\u00f5es foram explicitadas: o sistema n\u00e3o pode esperar tr\u00eas semanas para uma mercadoria ou gerente chegar ao porto de Dubai, e precisa fazer isso chegando ao aeroporto em menos de 24 horas. O sistema n\u00e3o pode deixar de transportar, segundo seus interesses, a vacina que vai combater a pandemia global de covid 19 sem utilizar as redes globais das tr\u00eas alian\u00e7as globais da avia\u00e7\u00e3o: \u201cOne World, Star Alliance e Sky Team\u201d s\u00e3o seus operadores. As vacinas precisam seguir a rede dominada pelo mercado e seguir tamb\u00e9m a l\u00f3gica dos grupos farmac\u00eauticos. A l\u00f3gica global do transporte mundial, regional e local a\u00e9reo repousa totalmente na l\u00f3gica do capital globalizado, apesar das formas resistentes. \u00c9 preciso construir a luta cientes disso.<\/p>\n<p>Por isso o sistema capitalista precisa retirar qualquer possibilidade de controle e de poder dos trabalhadores do setor a\u00e9reo e em especial da massa aerovi\u00e1ria, respons\u00e1vel pelo transporte, embarque e desembarque de passageiros, da carga e descarga das bagagens, da carga e da descarga dos bens e mercadorias transportados, e da manuten\u00e7\u00e3o das aeronaves nos hangares e na pista. Por isso o sistema precisa separ\u00e1-los em caixas insalubres chamadas aeroportos e impedi-los de conhecer o mundo. A l\u00f3gica global do sistema tem como objetivo retirar o poder estrat\u00e9gico dos trabalhadores aerovi\u00e1rios. Todos eles precisam ser reduzidos \u00e0 mais completa servid\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o capitalista, al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o existente, \u00e9 preciso operar a completa domina\u00e7\u00e3o. Este processo de impedir os aerovi\u00e1rios de conhecer o mundo se acentua e tem uma raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Os aerovi\u00e1rios precisam ser dominados pela cabe\u00e7a, esterilizados da luta e saber, para terem seus corpos cansados e estressados continuamente explorados, completamente dominados e anulados para qualquer forma de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe aerovi\u00e1ria e da classe trabalhadora. O processo de individualiza\u00e7\u00e3o precisa ser completo para anular o pensamento pol\u00edtico e cr\u00edtico do aerovi\u00e1rio por completo. Desta forma \u00e9 quase imposs\u00edvel que o trabalhador aerovi\u00e1rio pense no seu poder. A atomiza\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o e a domina\u00e7\u00e3o na avia\u00e7\u00e3o civil precisa ser levada ao lugar mais distante do projeto. Mas nem tudo est\u00e1 perdido para a luta dos trabalhadores: quando eles sabem da sua derrota, podem come\u00e7ar a pensar na sua defesa; do outro lado de sucessivas derrotas, existe a possibilidade de constru\u00e7\u00e3o do projeto dos trabalhadores aerovi\u00e1rios, que significa conectar o mundo a partir de trabalhadores explorados, roubados da sua mais valia e do seu poder. Conectar hist\u00f3rias de derrota, mas tamb\u00e9m de possibilidades de vit\u00f3ria poder\u00e1 significar um terceiro momento de vit\u00f3rias baseado em 2012-2017.<\/p>\n<p>A resposta fica clara na inversa e proporcional capacidade destes trabalhadores de parar o sistema global localmente. Quando o trabalhador come\u00e7a a estudar e a estudar o seu poder ele se torna capaz de ler a sua grande miss\u00e3o de conectar os trabalhadores brasileiros com o mundo. Uma forma de educa\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica para conectar o mundo e para o socialismo. O sistema capitalista n\u00e3o tem futuro para o aerovi\u00e1rio, somente existe o hoje e o amanh\u00e3 imediatos. Este eterno hoje que n\u00e3o ensina o aerovi\u00e1rio e que o demite sem que ele tenha aprendido nada poderoso precisa ser substitu\u00eddo pelo sistema de excel\u00eancia do trabalho. Ao inv\u00e9s de colocar outro trabalhador para moer na turbina capitalista, o aerovi\u00e1rio precisa se tornar senhor da sua profiss\u00e3o e conectar o mundo. Mas a realidade coloca aerovi\u00e1rios entrando na turbina, com dinheiro e sangue saindo do outro, atrav\u00e9s de um boletim a Latam foi denunciada desta forma: isso precisa parar!<\/p>\n<p>Torna-se necess\u00e1rio educar para educar para uma estrat\u00e9gia de futuro, uma pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o do Brasil com o mundo, explicar o mundo na forma que as conex\u00f5es sejam feitas mais concretamente e pacientemente; o aerovi\u00e1rio do futuro necessita ser o elo da pol\u00edtica de desenvolvimento do Brasil. Atrav\u00e9s do seu preparo e das suas viagens programadas para aprendizado. Pode existir toda uma opera\u00e7\u00e3o que proporcione que o aerovi\u00e1rio possa ir, ver, retornar, e territorializar o aprendizado para a constru\u00e7\u00e3o do poder aerovi\u00e1rio que se reverta no poder da classe trabalhadora. A constru\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia popular insere o aerovi\u00e1rio estrategicamente: ir at\u00e9 o outro lado do mundo, conectar-se na pr\u00e1xis para que este conhecimento possa ser transformado na realidade concreta da luta de classes no Brasil. Assimilar a realidade transformada em capacidade de interfer\u00eancia nesta realidade, na realidade da revolu\u00e7\u00e3o brasileira. Isso que se prop\u00f5e \u00e9 revolucion\u00e1rio e somente pode ser feito em uma revolu\u00e7\u00e3o contra este sistema.<\/p>\n<p>Mas quem s\u00e3o os aerovi\u00e1rios? Pela lei 1232\/62 aerovi\u00e1rio \u00e9 todo aquele que trabalha na avia\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 aeronauta; pode ser dito que aerovi\u00e1rio \u00e9 todo aquele que trabalha na avia\u00e7\u00e3o no solo. Na realidade, t\u00e9cnicos e atendentes de balc\u00e3o de venda e embarque e desembarque de passageiros, de cargas, da estiva a\u00e9rea, opera\u00e7\u00e3o de p\u00e1tio, da seguran\u00e7a, da manuten\u00e7\u00e3o de aeronaves, da preven\u00e7\u00e3o de acidentes em toda a cadeia dos transportes at\u00e9 a entrada na aeronave e a partir da sa\u00edda dela. Se o aeroporto fosse um grande porto no s\u00e9culo XIX e no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, seria f\u00e1cil mostrar como os pa\u00edses foram conectados pelas suas m\u00e3os no s\u00e9culo XX, como eles interagem entre si no s\u00e9culo XXI: velocidade e conectividade. Compreender, portanto, os aeroportos no s\u00e9culo XXI como casas da conex\u00e3o mundial, do transporte r\u00e1pido de mercadorias e trabalhadores no mundo \u00e9 fundamental para compreender as possibilidades de poder.<\/p>\n<p>Qual a conex\u00e3o da hist\u00f3ria da luta popular no Brasil no contexto da hist\u00f3ria da avia\u00e7\u00e3o no Brasil e na Am\u00e9rica latina? Poucos trabalhadores sabem que os primeiros trabalhadores a gozar f\u00e9rias de trinta dias j\u00e1 nos anos 60 foram aerovi\u00e1rios, que a partir da greve da paridade equipararam seus sal\u00e1rios n\u00e3o ao sal\u00e1rio m\u00ednimo, mas aos sal\u00e1rios dos militares, que participaram da primeira greve geral em 1962 e influenciaram as leis que inclusive inspiraram a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que todas as categorias se basearam nos excelentes acordos coletivos dos aerovi\u00e1rios na d\u00e9cada de 80, que participaram da \u00faltima greve geral em 2017. \u00c9 importante perguntar: como foi o auge na participa\u00e7\u00e3o dos aerovi\u00e1rios no CGT comando geral dos trabalhadores at\u00e9 1964? Nas greves dos anos 40, 50, 60 e como pioneiros das lutas, constru\u00edram um novo ciclo de lutas nos anos 80 e 90, entre 2012-2017 e, portanto, podem construir um novo ciclo no s\u00e9culo XXI, com ac\u00famulo das lutas dos trabalhadores. Compreender a luta dos aerovi\u00e1rios no passado ajuda a luta da classe trabalhadora no presente e futuro.<\/p>\n<p>Pois bem, j\u00e1 dissemos que os ac\u00famulos que chegaram aos anos 60 desembocaram no esmagamento dos militares \u2018\u00e0 bala\u2019 da luta aerovi\u00e1ria na sede dos aerovi\u00e1rios no Rio de Janeiro. A rea\u00e7\u00e3o acabou com a resist\u00eancia ou projeto de poder e transformou a representa\u00e7\u00e3o aerovi\u00e1ria que discutia o destino da avia\u00e7\u00e3o brasileira ensaiando todas as propostas que encabe\u00e7am este trabalho, em sindicatos pelegos distribuindo pr\u00eamios e canecas de chope, torneios de futebol e toda forma de assistencialismo. A representa\u00e7\u00e3o da classe que recebia presidentes da rep\u00fablica para pression\u00e1-los para trabalhar para a classe aerovi\u00e1ria e trabalhadora nos seus sindicatos agora dorme nas garras dos seus algozes, tutelada, obediente e castrada de poder. Estas marcas dos embates e das concilia\u00e7\u00f5es do passado ainda prevalecem. A quebra desta realidade \u00e9 um trabalho da massa aerovi\u00e1ria, mas principalmente de quadros capacitados para exercer tal tarefa.<\/p>\n<p>O ac\u00famulo de lutas influenciou as leis da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988? Sim, mas quando o novo sindicalismo substitui o velho sem reconhecer o ac\u00famulo, chega amansado do projeto de poder da classe, do projeto da revolu\u00e7\u00e3o brasileira, para concentrar-se apenas na conquista dos direitos dos trabalhadores aerovi\u00e1rios. Houve por bem desistir do \u2018sonho da Aerobr\u00e1s\u2019, do controle oper\u00e1rio nos hangares, do ascenso revolucion\u00e1rio e insurrecional nas greves. Nunca mais um presidente da rep\u00fablica colocaria os p\u00e9s no sindicato, ainda que as assembleias lotassem o campo da Portuguesa na Ilha do Governador, com milhares de trabalhadores. Seus gritos contra a carestia seriam materializados em conquistas corporativas vociferadas pela base sem que a vanguarda revolucion\u00e1ria pudesse apontar um caminho superior ou exercitar qualquer outro caminho que n\u00e3o fosse o imediato. Podemos discutir tudo isso tomando cerveja, mas somente uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria s\u00e9ria de vanguarda pode assumir tal tarefa.<\/p>\n<p>O ocaso da avia\u00e7\u00e3o civil j\u00e1 se evidenciava na virada do s\u00e9culo, especialmente depois do evento de 11 de setembro de 2001 nos EUA que toca fortemente a avia\u00e7\u00e3o mundial. Neste sentido, TODAS as economias mundiais de ponta investiram pesadamente na retomada das suas companhias nacionais de bandeira. O Brasil fez o contr\u00e1rio, VARIG, VASP e Transbrasil faliram na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo. Os trabalhadores acostumados a pensar o trabalho de forma corporativa e alienados da formula\u00e7\u00e3o da luta de classes n\u00e3o compreenderam que a avia\u00e7\u00e3o brasileira literalmente \u2018caiu na cabeceira da pista\u2019. Os seus l\u00edderes atuaram como os mais despreparados poss\u00edveis. O obreirismo, o basismo, a falta de uma vanguarda preparada cobrou um peso alt\u00edssimo no momento em que se deveria apresentar e cobrar, e pressionar um projeto para a avia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o dependesse da burguesia. Veja bem, as lideran\u00e7as sindicais dos anos 70 e 80 come\u00e7am muito combativas, mas nos anos 90 e no in\u00edcio do s\u00e9culo, ou s\u00e3o cooptadas, ou massacradas, ou levadas ao governo, com um terr\u00edvel resultado para a luta de classes. O novo sindicalismo desarmou o trabalhador na avia\u00e7\u00e3o, mas foi um sindicalismo combativo nos anos 80 e in\u00edcio de 90, contradi\u00e7\u00e3o? N\u00e3o. L\u00eanin j\u00e1 nos adverte da natureza do trade unionismo, mesmo de ponta, bem sucedido, que ensina o trabalhador a lutar pela conquista imediata, mas que n\u00e3o prepara suas ferramentas de poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Enquanto os ferrovi\u00e1rios, mar\u00edtimos e portu\u00e1rios foram esmagados pela m\u00e3o pesada dos militares, ou pelo peleguismo imposto, os aerovi\u00e1rios ficaram d\u00f3ceis pelas m\u00e3os da social-democracia petista e cutista; ou pelo pior, da For\u00e7a sindical. Foram anos e anos domesticando, no fim a \u00fanica contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a democracia burguesa rala versus peleguismo. Os direitos e o trabalho versus assistencialismo, quando n\u00e3o combinados dan\u00e7ando no abismo da avia\u00e7\u00e3o brasileira. Os l\u00edderes sindicais da social-democracia n\u00e3o s\u00e3o l\u00edderes ruins na acep\u00e7\u00e3o moral ou desonestos, disso n\u00e3o se pode acus\u00e1-los, mas eram, s\u00e3o despreparados para enfrentar um inimigo global, nacional e local imensamente superior, por isso foram engolidos pelo projeto capitalista, esmagados pela turbina do capital.<\/p>\n<p>O exemplo mais simb\u00f3lico desta derrota est\u00e1 por ironia no ocaso do projeto nacional, que hoje sabemos que nunca seria levado a cabo pela burguesia. Varig x Aerolineas Argentinas. O poder direto de administra\u00e7\u00e3o e controle obreiro argentino x o PRESA (programa de recupera\u00e7\u00e3o da Varig). Para falar do exerc\u00edcio dos trabalhadores argentinos \u00e9 preciso antes dizer que atrav\u00e9s do BNDES o governo Lula tinha um projeto de estatiza\u00e7\u00e3o para a VARIG que come\u00e7a desde o dia 1\u00ba a fazer \u00e1gua por causa da alian\u00e7a policlassista do governo Lula que evidenciava a primazia do mercado sobre a solu\u00e7\u00e3o de Estado para a avia\u00e7\u00e3o brasileira. Ricardo Ponzi, l\u00edder da CONTTMAF, a confedera\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do setor afirma que ouviu do ent\u00e3o ministro Carlos Lessa que este fez um plano completo de recupera\u00e7\u00e3o estatal da empresa, mas que este plano foi derrotado no pr\u00f3prio governo Lula, nas entranhas deste governo, pelos quadros do PT.<\/p>\n<p>Na realidade, o projeto correto que salvaria a empresa foi derrotado por falta da press\u00e3o organizada dos trabalhadores levados pelas suas p\u00e9ssimas lideran\u00e7as despreparadas que olhavam para o governo de um lado com ar servil, e do outro para \u2018investidores\u2019 privados ca\u00eddos do inferno liberal. O governo brasileiro desenvolve a estrat\u00e9gia externa de destrui\u00e7\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o brasileira onde os trabalhadores s\u00e3o apenas os espectadores, comparativamente muito mais espectadores hoje do que nos anos 70, 80, 90.<\/p>\n<p>O olhar \u2018de cachorro de a\u00e7ougue\u2019 de parte das maiores lideran\u00e7as aerovi\u00e1rias do Brasil, foi acompanhado do despreparo dos novos guerreiros na base forjados sem a teoria revolucion\u00e1ria, sem qualquer elo com a quest\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o brasileira e do poder popular na d\u00e9cada de 1990, e na virada do s\u00e9culo. Houve tamb\u00e9m por parte da governan\u00e7a aerovi\u00e1ria do SNA nos anos 90 um esfor\u00e7o de \u2018colocar para fora\u2019 do sindicato qualquer possibilidade de \u2018debater a avia\u00e7\u00e3o brasileira\u2019 a partir da vis\u00e3o estrat\u00e9gica revolucion\u00e1ria. Nos anos 90 \u2018toda pol\u00edtica sai do sindicato\u2019 e com ela saem os comunistas e os socialistas. Ironicamente, aqueles que ajudaram a tomar o sindicato dos pelegos, agora eram \u2018personas non gratas\u2019. O empobrecimento da \u2018palavra de ordem\u2019, somente defender sal\u00e1rios e direitos se mostrou resist\u00eancia rala e fraca.<\/p>\n<p>Os argentinos derrotaram um presidente da rep\u00fablica e sua agenda neoliberal para derrotar os capitalistas, isso nunca esteve no menu brasileiro, porque n\u00e3o se poderia \u2018fazer mal ao governo Lula\u2019. Fazer mal \u00e0 social-democracia era um pecado capital para estes trabalhadores na lideran\u00e7a dos aerovi\u00e1rios. Os trabalhadores argentinos ocuparam os aeroportos, ganharam a sociedade argentina para proteger sua companhia a\u00e9rea de bandeira \u2018aerolineas es Argentina\u2019. Os trabalhadores l\u00edderes brasileiros aerovi\u00e1rios n\u00e3o souberam ou puderam acreditar nisso, acreditaram no governo, nos investidores, at\u00e9 mais do que no seu pr\u00f3prio plano, em tudo que n\u00e3o fosse o poder dos trabalhadores. Resultado: a \u2018aerolineas\u2019 foi estatizada, o governo que n\u00e3o quis fazer isso caiu, o novo governo executou, os trabalhadores tinham inclusive a escolha de exercer o \u2018controle obrero\u2019, mesmo que n\u00e3o o fizessem. A Varig, ao contr\u00e1rio, foi ao enterro com honras de Estado pelo governo popular. O projeto policlassista da social democracia petista n\u00e3o apenas desarmou os trabalhadores, mas tamb\u00e9m operou a estrat\u00e9gia do capital, nunca teve um plano para a avia\u00e7\u00e3o brasileira, ele enterrou a Varig e privatizou aeroportos.<\/p>\n<p>Outro exemplo absurdo de luta de ponta da classe trabalhadora atrav\u00e9s da classe aerovi\u00e1ria foi a prepara\u00e7\u00e3o da greve internacional da classe em 2014. O ano da Copa do Mundo seria vitrine no Brasil para uma greve internacional conectando demandas de aerovi\u00e1rios, trabalhadores de transportes, estrat\u00e9gicos, movimentos populares e juventude envolvidos neste projeto que combinou ascenso popular e um trabalho de quadros da avia\u00e7\u00e3o. Somente analisando o que foi constru\u00eddo no ascenso das lutas entre 2012-2017 podemos perceber a forma desordenada, por\u00e9m ousada para servir de exemplo para o futuro. Estes objetivos se conectam \u00e0s possibilidades do dia a dia. A constru\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es de base, buscar novos quadros, elevar a consci\u00eancia, recuperar as ferramentas sindicais para uma ferramenta unit\u00e1ria da classe, pode se conectar \u00e0 ousadia do planejamento de impacto. Uma a\u00e7\u00e3o de impacto pode apontar para um grande projeto da classe, que combine poder, educa\u00e7\u00e3o, ferramenta sindical classista e conselhos que debatam a total extens\u00e3o do alcance e do poder da classe aerovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Este projeto pode ser investigado como uma tentativa de colocar em evid\u00eancia o programa classista para recuperar o respeito e o poder dos aerovi\u00e1rios: a CCT &#8211; Conven\u00e7\u00e3o Coletiva dos direitos do pr\u00e9 2000; de 5 sal\u00e1rios at\u00e9 10 sal\u00e1rios; trabalho de 6 horas; uma escola de quadros; escola de avia\u00e7\u00e3o, interc\u00e2mbio internacional; auto estima; poder e controle obreiro direto, pode e deve se conectar com cada demanda consorciada com cada aeroporto, porto, navio, ferrovia, garagem ou terminal de \u00f4nibus, refinaria, centro de log\u00edstica de distribui\u00e7\u00e3o e da\u00ed se conectar com lutas populares, perif\u00e9ricas e prec\u00e1rias da juventude e da massa trabalhadora. \u00c9 poss\u00edvel bater forte no sistema, em um \u00fanico dia chave, em um \u00fanico grande evento mundial e trazer a classe para a luz da luta de classes. Mostrar que o trabalho opera o sistema na sua maior vitrine. \u00c9 poss\u00edvel unir a luta imediata e a hist\u00f3rica em um dia chave para o exerc\u00edcio do poder popular.<\/p>\n<p>Contar a experi\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o da greve internacional dos aerovi\u00e1rios durante a copa de 2014 \u00e9 uma pequena parte deste exerc\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o. O aeroporto \u00e9 a vitrine do sistema. Nos anos de 2013\/2014, na Copa do Mundo de futebol, 10 capitais foram visitadas por um quadro conhecedor do sistema e minimamente assistido, Londres, Paris, Amsterd\u00e3, Roma, Bruxelas, Madri, Lisboa, Berlim, Moscou e Buenos Aires. O plano era simples: no dia do embarque das sele\u00e7\u00f5es de futebol, haveria uma greve ou protesto para dar visibilidade \u00e0s lutas locais \/ globais, que cada base poderia ter em cada aeroporto. No embarque das sele\u00e7\u00f5es de futebol para o Rio de Janeiro a partir das cidades chave citadas acima haveria um protesto na forma de greve que seria coberto pela m\u00eddia e conectaria demandas locais e globais. Greves combinadas, coordenadas, executadas por um comando coordenado na a\u00e7\u00e3o local mundializada.<\/p>\n<p>Esta greve foi abortada pela social-democracia brasileira cutista por medo de ferir o governo social democrata da presidente Dilma no grande evento de exposi\u00e7\u00e3o mundial. Houve um desmonte da luta por parte da burocracia social democrata, e houve tamb\u00e9m um despreparo, uma falta de conhecimento t\u00e9cnico, para operar uma luta de tal monta e combinada, que se transformasse em um movimento de massa que pudesse ir por cima dos objetivos colocados, v\u00e1rios motivos agiram para que n\u00e3o desse certo. Apenas os aerovi\u00e1rios e aeronautas poderiam capitanear tal protesto e luta, mas ela teria que ser maior do que eles mesmos, envolvendo toda a classe estrat\u00e9gica e os movimentos populares e juventude que ocupariam os acessos e os aeroportos neste dia. Tamanha visibilidade, tamanha exposi\u00e7\u00e3o, mundialidade, conex\u00e3o. Os aerovi\u00e1rios s\u00e3o a prova de que lideran\u00e7as despreparadas, recuadas, a falta de quadros podem destruir, obstaculizar, que um projeto recuado pode desarmar a for\u00e7a de uma categoria, retirar seu poder central, estrat\u00e9gico de n\u00e3o apenas parar o sistema localmente, mas impactando globalmente. Demonstrando concretamente o impacto disso.<\/p>\n<p>Precisamos hoje do raio x da nossa hist\u00f3ria da classe, de todas as lutas que exercitaram algum tipo de trabalho de base nos aeroportos e na realidade brasileira. Passado e presente com o futuro poss\u00edvel. N\u00e3o a partir da derrota, mas a partir do poder poss\u00edvel. A constru\u00e7\u00e3o da greve classista do velho CGT em 1962 se irmana com as greves dos anos 80, da tentativa frustrada de 2014 e da greve geral de 2017, que para o porto, as barcas e o aeroporto Santos Dumont no Rio, mas que v\u00ea funcionar caminh\u00f5es, \u00f4nibus, trens e metr\u00f4, portanto derrotada. Mar\u00edtimos, portu\u00e1rios, ferrovi\u00e1rios, aerovi\u00e1rios, aeronautas est\u00e3o conectados aos trilhos e rodas nos \u00faltimos 40 anos. Uma grande lideran\u00e7a do setor mar\u00edtimo da modernidade, Ricardo Ponzi, entende que a greve geral do xeque mate \u00e9 aquela que para petr\u00f3leo, porto, log\u00edstica a\u00e9rea, de trens e caminh\u00f5es, parando \u00f4nibus e metr\u00f4s nas cidades. A greve estrat\u00e9gica mar\u00edtima + petroleiros com a participa\u00e7\u00e3o de aeronautas e aerovi\u00e1rios embarcando os petroleiros e mar\u00edtimos, se complementa. Existe hoje a possibilidade de constru\u00e7\u00e3o do caminho organizativo que pode conduzir o quase nada ao quase tudo, da quase completa falta de organiza\u00e7\u00e3o para uma organiza\u00e7\u00e3o para a organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e de poder da classe aerovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos 20 anos viram a piora da representa\u00e7\u00e3o aerovi\u00e1ria com o completo abandono da luta classista, mas tamb\u00e9m do abandono da estrat\u00e9gia local, regional, nacional, e mundial do setor. Lideran\u00e7as intermedi\u00e1rias, nascidas nos anos de descenso da luta de classes, mal preparadas, al\u00e9m de n\u00e3o recuperar o projeto revolucion\u00e1rio, n\u00e3o foram capazes de unificar os trabalhadores, mas os fragmentaram ou contribu\u00edram para fragmentar o sindicalismo aerovi\u00e1rio em in\u00fameras unidades incapazes de opor qualquer resist\u00eancia efetiva aos patr\u00f5es e ao projeto da burguesia para a avia\u00e7\u00e3o; no momento que para colocar os brasileiros nos aeroportos valia \u2018o vale tudo das privatiza\u00e7\u00f5es\u2019. A rebeli\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o aerovi\u00e1ria de 2012 cobrava maior autonomia para as bases do sindicato nacional, maior gasto local do dinheiro arrecadado nacionalmente, e mais democracia na dire\u00e7\u00e3o do sindicato; ela obteve os seus objetivos a um alto custo de fragmenta\u00e7\u00e3o que enfraqueceu a institui\u00e7\u00e3o e a classe. Infelizmente apenas um Estado saiu mais forte da rebeli\u00e3o do que quando entrou e nacionalmente o saldo foi negativo.<\/p>\n<p>A rebeli\u00e3o falhou no seu objetivo de fortalecer a classe por errar na pol\u00edtica de constru\u00e7\u00e3o de uma unidade classista. O caminho a seguir \u00e9 o inverso ao que se seguiu nos \u00faltimos 40 e especialmente nos \u00faltimos 20 anos, para que se tenha um projeto classista aerovi\u00e1rio. A fragmenta\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o aerovi\u00e1ria precisa acabar. O projeto classista e revolucion\u00e1rio adaptado para o s\u00e9culo XXI precisa ser refeito, assim como se forja a nova espada a partir dos peda\u00e7os da antiga. Novas lideran\u00e7as devem aparecer para substituir os sociais democratas, os pelegos e os traidores da classe, e construir um projeto de transi\u00e7\u00e3o para a classe aerovi\u00e1ria. Este projeto deve ter como norte um sindicalismo aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o ao governo de extrema direita ou qualquer outro social-democrata de plant\u00e3o. Um projeto classista, combativo, unit\u00e1rio (recuperando a representa\u00e7\u00e3o nacional) e internacionalista.<\/p>\n<p>O sindicalismo nacional e sua representa\u00e7\u00e3o precisam garantir os avan\u00e7os obtidos na rebeli\u00e3o de 2012 sem cometer os erros de fragmenta\u00e7\u00e3o da classe, que terminou por desarmar a classe e deixar a classe nas m\u00e3os da dire\u00e7\u00e3o pelega do sindicato do Rio de Janeiro, que conforme dito nunca fez uma \u00fanica greve ou assembleia de massas depois de 2018. Estes oportunistas precisam ser derrotados por um novo projeto de poder das massas e da vanguarda aerovi\u00e1ria. O Rio de Janeiro j\u00e1 foi o local mais importante da luta de classes no Brasil, inclusive para a avia\u00e7\u00e3o brasileira, este pode ser o caminho de recupera\u00e7\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o no Brasil e no continente latino-americano no contexto mundial.<\/p>\n<p>Todas as conquistas da CCT &#8211; Conven\u00e7\u00e3o Coletiva de Trabalho &#8211; de antes de 2000 devem ser recuperadas, os poucos avan\u00e7os mantidos, a regulamenta\u00e7\u00e3o profissional renovada para o s\u00e9culo XXI, um projeto de forma\u00e7\u00e3o com fundo aerovi\u00e1rio administrado por trabalhadores e pela for\u00e7a a\u00e9rea, nos moldes do fundo da marinha mercante apresentado; o poder do trabalhador aerovi\u00e1rio estampado em todos os aeroportos brasileiros com greves e ocupa\u00e7\u00f5es at\u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o unificada seja recebida, e seu plano nacional apresentado. A forma\u00e7\u00e3o da vanguarda aerovi\u00e1ria intensificada, na forma classista e revolucion\u00e1ria recriada nos moldes da guarda portu\u00e1ria e ferrovi\u00e1ria dos anos 60, todo este saber recuperado, um novo comando geral CGT dos trabalhadores combativo e classista com todos os trabalhadores de transportes, independente de pertencimento a central sindical retomado, estimulado e recriado, adaptado no presente.<\/p>\n<p>De acordo com Paulo de Tarso, atual presidente da FNTTA, a hist\u00f3rica federa\u00e7\u00e3o a\u00e9rea. A solu\u00e7\u00e3o do futuro apontar\u00e1 para um comando unit\u00e1rio classista e nacional com sede em S\u00e3o Paulo, isso \u00e9 poss\u00edvel? Sim, porque o convencimento deste movimento deve partir para o antigo centro da avia\u00e7\u00e3o e se voltar para o novo sem anular a import\u00e2ncia hist\u00f3rica do velho centro. \u00c9 com base em um novo projeto nacional de gera\u00e7\u00e3o de um plano local, nacional, regional e internacional de avia\u00e7\u00e3o; um plano nacional que vai da constru\u00e7\u00e3o de aeronaves, de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o, de constru\u00e7\u00e3o de novos aeroportos, de valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho aerovi\u00e1rio, e do controle dos trabalhadores em conjunto com a for\u00e7a a\u00e9rea que se faz esta mudan\u00e7a. A experi\u00eancia das ag\u00eancias civis de mercado falhou. Agora, nos moldes da luta mar\u00edtima, precisa ser o poder do trabalhador aerovi\u00e1rio pressionando nacionalmente o poder militar na uni\u00e3o c\u00edvico-militar. Uma guarda nacional de seguran\u00e7a sob os trabalhadores em conjunto com a aeron\u00e1utica popular reformulada para administrar e securizar os aeroportos. Este corpo se desenvolver\u00e1 em uma escola, no Estado de S\u00e3o Paulo, com filiais em todas as regi\u00f5es do Brasil para formar oper\u00e1rios, construtores, administradores e operadores de aeroportos. Os aerovi\u00e1rios podem ser professores de aerovi\u00e1rios e militares do setor. E vice-versa.<\/p>\n<p>Neste momento de quase 250 mil mortos pela pandemia de covid 19 no Brasil e mais de 2 milh\u00f5es de mortos no mundo, de avia\u00e7\u00e3o quase parada, que afeta a classe aerovi\u00e1ria e que ceifou muitas vidas na classe, de trabalhadores com cabe\u00e7a baixa, de desemprego e emprego prec\u00e1rio; no momento das piores lideran\u00e7as dobradas ao patr\u00e3o impotentes, amarrando o aerovi\u00e1rio e a aerovi\u00e1ria no ch\u00e3o, dividindo o precioso tempo com sua fam\u00edlia, seu trabalho e todas as possibilidades de constru\u00e7\u00e3o de algo muito superior, nos perguntamos como seria poss\u00edvel apontar objetivos elevados baseados na organiza\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que confia no poder dos trabalhadores na base, mas tamb\u00e9m se equipa e se prepara para alcan\u00e7ar todos estes objetivos, atrav\u00e9s do trabalho paciente, persistente, resiliente, ousado como velho trabalho de base cr\u00edtico, com uma vis\u00e3o cr\u00edtica do sistema e com a agita\u00e7\u00e3o e propaganda daquilo que \u00e9 necess\u00e1rio construir.<\/p>\n<p>Nossos objetivos n\u00e3o s\u00e3o pequenos. O sindicalismo classista funciona como resposta \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de base aerovi\u00e1ria. Os aerovi\u00e1rios podem aprender todas as coisas da avia\u00e7\u00e3o brasileira e mundial nas suas pr\u00f3prias escolas. Ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de conhecer o entorno do aeroporto e verificar como seu porto seco pode ser p\u00f3lo de desenvolvimento local e Estadual, como ele se unifica com outros trabalhadores do setor de transportes, estrat\u00e9gicos da infra-estrutura e da energia, e como isso desenvolve as for\u00e7as produtivas. Os aerovi\u00e1rios poder\u00e3o estudar a log\u00edstica nacional, regional da Am\u00e9rica latina e recuperar o seu papel de destaque, compreender o seu espa\u00e7o de poder a partir da sua profiss\u00e3o para a log\u00edstica do sistema mundial e desta forma perceber a total inutilidade da presen\u00e7a do patr\u00e3o no setor, como o patr\u00e3o \u00e9 in\u00fatil para toda a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O conhecimento nacional sob os olhos dos aerovi\u00e1rios depende do seu papel. Os aerovi\u00e1rios s\u00e3o capazes de compreender o Brasil e atrav\u00e9s da avia\u00e7\u00e3o o mundo. As escolas aerovi\u00e1rias em parceria com a aeron\u00e1utica popular podem enviar aerovi\u00e1rios para o mundo que far\u00e3o interc\u00e2mbio de culturas, aprender\u00e3o novas t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o, idiomas e novas tecnologias. Os aerovi\u00e1rios podem ser os embaixadores da constru\u00e7\u00e3o de um programa de visita pioneira aos centros de intelig\u00eancia artificial, dos drones, da computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, da medicina regenerativa, a seguran\u00e7a cibern\u00e9tica, a realidade virtual, a biotecnologia, tecnologia de baterias e energia renov\u00e1vel, dos pol\u00edmeros e os metais de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, e principalmente do transporte automatizado sob o controle dos trabalhadores, que vai garantir o pleno emprego, o fim do trabalho prec\u00e1rio, e o trabalho de 4 horas para cada um sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, mas suficiente para cada trabalhador. Tudo que n\u00e3o pode ser feito sob o capitalismo.<\/p>\n<p>Os trabalhadores aerovi\u00e1rios, em conjunto com os mar\u00edtimos e os trabalhadores soldados, podem e devem ser os trabalhadores cuja vanguarda pode realizar uma ponte para que outros trabalhadores adquiram novos conhecimentos, pela constru\u00e7\u00e3o de pontes mundo afora todo este conhecimento que pode ser dividido por solidariedade, para compartilhar em todos os Estados e comunidades do pa\u00eds e onde existe um aeroporto. Isso pode gerar postos de trabalho no aeroporto e no entorno no porto seco. Mas para que uma estrat\u00e9gia dos trabalhadores prevale\u00e7a por sobre os interesses dos grandes monop\u00f3lios, o capitalismo precisa sair da pista para que o socialismo possa decolar e voar.<\/p>\n<p>As grandes lideran\u00e7as aerovi\u00e1rias existem. Mas este projeto precisa ser apresentado \u00e0queles que est\u00e3o dentro e fora do poder. Todos n\u00f3s precisamos de lideran\u00e7as sens\u00edveis para a transi\u00e7\u00e3o e apresentar estas propostas. Esta vanguarda est\u00e1 agora na base, recuada, despreparada, dominada, desalentada, invis\u00edvel pensando que nunca poderia fazer estas coisas: conhecer o que h\u00e1 de mais novo no s\u00e9culo XXI, voltar e dividir isso com cada brasileiro atrav\u00e9s de um projeto regional nacional e local. Sim, isso \u00e9 poss\u00edvel se o custo fosse sob o lucro expropriado de parte dos voos internacionais que cada companhia brasileira estatal pudesse juntar uma taxa para financiar a educa\u00e7\u00e3o e a opera\u00e7\u00e3o e o projeto de poder dos aerovi\u00e1rios. Este poder dos aerovi\u00e1rios precisa ser constru\u00eddo e financiado construindo paralelamente o poder popular da classe trabalhadora. Se existe algo importante desde a cria\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o de mec\u00e2nicos no fim da d\u00e9cada de 30 at\u00e9 a greve de 2017, \u00faltimo sopro da luta aerovi\u00e1ria \u00e9 apontar um projeto de poder para cada aerovi\u00e1rio, e procurar novas lideran\u00e7as para fazer este projeto, a partir de lideran\u00e7as atuais sens\u00edveis para passar este bast\u00e3o, e construir com eles este futuro, seu legado.<\/p>\n<p>O per\u00edodo da greve nacional de 2010, da \u00faltima greve do nacional em Bras\u00edlia em 2012, o que marca um ascenso de lutas que levar\u00e1 a \u00faltima greve de 2017 nunca colocou no meio deste processo de luta de classes esta proposta, a pauta m\u00e1xima de poder da classe, pois isso agora precisa ser feito. O aerovi\u00e1rio vai ter vida plena e digna a partir do poder do trabalho ou vai sucumbir nesta barb\u00e1rie. Vai servir seu pa\u00eds como embaixador do trabalho ao lado do mar\u00edtimo, vai trazer tecnologia de ponta e conhecimento, cultura, e vai partilhar com toda a classe trabalhadora brasileira, ou vai cair nesta luta. Vai controlar a produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o, operar pontes da tecnologia, do desenvolvimento das formas e for\u00e7as produtivas da cultura latino-americana para o mundo, ou ser\u00e1 escravo.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe maior dist\u00e2ncia de poder entre o poder existente do aerovi\u00e1rio e o que ele poderia exercer. N\u00e3o existe maior possibilidade de um setor exercer este poder. Este poder conecta terra e ar e terra internacional e terra nacional no contexto regional. O trip\u00e9 organizativo \u2013 \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical, a constru\u00e7\u00e3o de conselhos de trabalhadores por local de trabalho, e base organizada sindicalizada; agindo por sobre uma correta pol\u00edtica de quadros, priorizando a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do setor a\u00e9reo, e em especial os aerovi\u00e1rios, e fechando a ponta, com estruturas sindicais classistas guarda-chuva tornadas classistas para funcionar como cavalaria m\u00f3vel blindada da classe trabalhadora. A organiza\u00e7\u00e3o dos aerovi\u00e1rios no local e a greve no sistema global: n\u00e3o estamos falando de impossibilidades, mas de uma possibilidade organizativa concreta e real na parte mais sens\u00edvel do sistema.<\/p>\n<p>Tudo aquilo que depende da organiza\u00e7\u00e3o local que ao mesmo tempo ousa lutar de forma internacionalista, depende do internacionalismo prolet\u00e1rio que se constr\u00f3i nas bases. Depende do trip\u00e9: estrutura sindical unit\u00e1ria, combativa, classista, e internacionalista; na prioriza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o organizativa e cr\u00edtica do trabalho de base; e na correta pol\u00edtica de quadros organizativos revolucion\u00e1rios; na tomada e recupera\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o das estruturas sindicais classistas; na organiza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o da base geral em base organizada; e da constru\u00e7\u00e3o de conselhos de trabalhadores nos locais de trabalho e de moradia destes trabalhadores. Na solidariedade e inser\u00e7\u00e3o nas massas prec\u00e1rias e perif\u00e9ricas depende todo um projeto que n\u00e3o come\u00e7a no aeroporto nem pode parar nele.<\/p>\n<p>O aerovi\u00e1rio ouve todos os dias o barulho da turbina, o cheiro do querosene, e v\u00ea voar o mais pesado que o ar. Se pud\u00e9ssemos colocar todas as gera\u00e7\u00f5es passadas ao lado dele, todas diriam que os aerovi\u00e1rios presenciam o imposs\u00edvel. Seu trabalho \u00e9 encarar impossibilidades na forma de possibilidade. Inclusive tudo que est\u00e1 \u00e0 sua volta e desmancha no ar, portanto um novo poder pode se constituir no espa\u00e7o do fim das lutas derrotadas para outras vitoriosas, do fim de um per\u00edodo para o outro, e do fim das lideran\u00e7as para outras. O sistema n\u00e3o \u00e9 eterno e outro pode e deve propor sua substitui\u00e7\u00e3o para direitos, para sal\u00e1rios, para educa\u00e7\u00e3o, para solidariedade e para poder. As lideran\u00e7as aerovi\u00e1rias n\u00e3o sens\u00edveis a estas propostas precisam dar lugar a estas propostas na cabe\u00e7a e nas m\u00e3os de outras, observando e atuando onde cada aerovi\u00e1rio na base pode compreender esta luta como a sua. Est\u00e1 claramente determinado que a falta de quadros, de uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria, de uma pol\u00edtica estrat\u00e9gica para o setor precisa ser substitu\u00edda por outra para que se possa construir concretamente com o poder dos trabalhadores, o poder popular.<\/p>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o de um programa constru\u00eddo pelos trabalhadores aerovi\u00e1rios, operado pela vanguarda destes trabalhadores, submetidos \u00e0 cr\u00edtica constante destes trabalhadores, na medida que eles conquistam, estudam o mundo, visitam o mundo, descobrem a Am\u00e9rica Latina, \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio. O Brasil far\u00e1 desta vanguarda a guarda do poder das conquistas da classe e solid\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Esta vanguarda estrat\u00e9gica pode em condi\u00e7\u00f5es de ascenso das lutas, lutas pol\u00edticas para al\u00e9m da classe aerovi\u00e1ria e em conjunto da classe estrat\u00e9gica e trabalhadora construir um poder popular vis\u00edvel que aponte para o poder popular de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade porque possui as contradi\u00e7\u00f5es materiais para fazer isso e est\u00e1 estrategicamente posicionado para operar isso. Se existiu excel\u00eancia na opera\u00e7\u00e3o aerovi\u00e1ria \u00e9 poss\u00edvel demonstrar como isso aconteceu e pode acontecer novamente.<\/p>\n<p>\u00c9 importante terminar com as palavras do camarada Diniz, este grande l\u00edder dos anos 80 e 90 que continua ativo e militante para pensar uma estrat\u00e9gia para o setor hoje e agora. Junto com Diniz, Fabr\u00edcio, os l\u00edderes da revolta aerovi\u00e1ria, lideran\u00e7as hist\u00f3ricas do outro lado sens\u00edveis a estas propostas, juntos com o trabalhador mais comum na base. Est\u00e1 na hora de deixar as divis\u00f5es que nos colocaram fracos para tr\u00e1s, e juntar todos os l\u00edderes honestos e sinceramente comprometidos na constru\u00e7\u00e3o do bloco da revolu\u00e7\u00e3o. Estes s\u00e3o bem vindos para esta tarefa, do velho e do novo sindicalismo que continuam nos sindicatos, que sejam sinceramente engajados em unificar a classe aerovi\u00e1ria, sem os pelegos; inclusive nos novos projetos de protagonismo da classe, \u00e9 preciso que tenhamos aud\u00e1cia para pensar o poder da classe aerovi\u00e1ria, aud\u00e1cia para derrotar os patr\u00f5es e todos aqueles que se colocam como empecilho de transforma\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria da classe trabalhadora, da classe estrat\u00e9gica e da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>\u201cComo categoria estrat\u00e9gica no enfrentamento dos trabalhadores contra o capital, os aerovi\u00e1rios devem retomar os seus dias de lutas e conquistas, mas para isso \u00e9 preciso se reorganizar, buscando camaradas, companheiros e amigos que estejam compromissados com a luta, dando uma cara nova a essa categoria, que um dia foi orgulho para todos que nela labutavam. A luta dos aerovi\u00e1rios \u00e9 a mesma luta de todos os outros trabalhadores. O medo do desemprego, o arrocho salarial, a perda de conquistas tamb\u00e9m fazem parte de uma mesma luta maior, por isso, o sonho de uma sociedade justa e livre \u00e9 o mesmo para aerovi\u00e1rios, aeronautas, rodovi\u00e1rios, petroleiros, professores, enfim, todos os trabalhadores que t\u00eam um mesmo sonho, de uma sociedade sem explorados e sem exploradores\u201d.<\/p>\n<p>Referencias<br \/>\nL\u00caNIN, Vladmir, I https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/livros\/sindicato\/index.htm<br \/>\nGIANOTTI, Vito \u2013 Trabalhadores da Avia\u00e7\u00e3o de Get\u00falio at\u00e9 FHC, Scritta, 1995<br \/>\nMPT Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho \u2013 Revista Labor, 2014<br \/>\nBASTOS, Roberto G. \u2013 Esta\u00e7\u00f5es de Ferro de Rafael Martinelli, S\u00e3o Paulo, 2014<br \/>\nJornal \/ Boletim dos aerovi\u00e1rios do Rio \u2013 Simarj da greve geral de 28 de abril de 2017 https:\/\/issuu.com\/simarj\/docs\/boletim_internet_greve_geralii<br \/>\nJornal comemorativo SNA &#8211; https:\/\/sna.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Revista-Sobrevoando-SNA-Sindicato-Nacional-dos-Aeroviarios-2014.pdf<br \/>\nSalve Tubiacanga &#8211; https:\/\/youtu.be\/nJHQfqPg5tk<br \/>\nPrivatiza\u00e7\u00e3o dos aeroportos resumo do ataque Bras\u00edlia, Guarulhos, Campinas \u2013 Sindipetro RJ &#8211; https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NoEffC4sBP0<br \/>\nProtestos nos aeroportos contra a privatiza\u00e7\u00e3o Gale\u00e3o Rio de Janeiro CTA Argentina &#8211; https:\/\/youtu.be\/tLjALRxrvpQ<br \/>\nProtestos nos aeroportos contra a privatiza\u00e7\u00e3o Gale\u00e3o Rio de Janeiro CTA Argentina &#8211; https:\/\/youtu.be\/kyQ1ofTxynM<br \/>\nProtestos nos aeroportos contra a privatiza\u00e7\u00e3o Santos Dumont Rio de Janeiro Sindipetro RJ e MST na Rio + 20 &#8211; https:\/\/youtu.be\/VYg7i9QsFkM<br \/>\nProtestos nos aeroportos contra a privatiza\u00e7\u00e3o Santos Dumont Rio de Janeiro Sindipetro RJ e MST na Rio + 20 https:\/\/youtu.be\/l_H9r1yS9gk<br \/>\nProtestos nos aeroportos contra a privatiza\u00e7\u00e3o Santos Dumont Rio de Janeiro Sindipetro RJ e MST na Rio + 20 https:\/\/youtu.be\/Qy5KoZdm8LY<br \/>\nProtestos nos aeroportos contra a privatiza\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pessoa \u2013 MST (o povo n\u00e3o \u00e9 jumento) https:\/\/youtu.be\/l2FTzJSod1s<br \/>\nProtestos nos aeroportos contra a privatiza\u00e7\u00e3o Belo Horizonte \u2013 Confins \u2013 Levante Popular da Juventude, MAB, MST &#8211; https:\/\/youtu.be\/2SvgVgoa9eA<br \/>\nDemiss\u00f5es no setor &#8211; https:\/\/www.esquerdadiario.com.br\/Aeroviarios-ameacados-de-demissao-pela-LATAM-fazem-paralisacao; https:\/\/diariodocomercio.com.br\/economia\/demissao-em-massa-ronda-o-setor-aereo\/<br \/>\nhttps:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/american-airlines-united-anunciam-mais-de-30-mil-demissoes-devido-pandemia-1-24670479<\/p>\n<p>Entrevistas com aerovi\u00e1rios 2020\/2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26877\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[15,31],"tags":[224],"class_list":["post-26877","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s18-sindical","category-c31-unidade-classista","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Zv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26877\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}