{"id":26879,"date":"2021-02-16T00:38:38","date_gmt":"2021-02-16T03:38:38","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26879"},"modified":"2021-02-16T00:44:47","modified_gmt":"2021-02-16T03:44:47","slug":"a-memoria-de-alberto-passos-guimaraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26879","title":{"rendered":"\u00c0 mem\u00f3ria de Alberto Passos Guimar\u00e3es"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3cD7bTJQ_e0XXuvNXLnxyqoyIPPW79wm1yW553dVzE_igVsm8eX4n8DpbY2eWLZe_VAQI5axTvd6U0l-8VnwfGWXJlfEwB6yP2s09HUE5hgo9weTuov-FM1rEjRXYfv8llV5kYskBV9q9QQMH3ziyc7=w1089-h545-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Arte: Nino Guimar\u00e3es<\/p>\n<p>Por Camila Oliver<\/p>\n<p>\u00c0 mem\u00f3ria de Alberto Passos Guimar\u00e3es \u2013 Alberto Passos Guimar\u00e3es, alagoano, nascido em Macei\u00f3, em 16 de abril de 1908 foi um ensa\u00edsta brasileiro autodidata. Guimar\u00e3es precisou deixar a escola aos nove anos para ajudar o seu pai. Todavia, nunca deixou os estudos e tornou-se escritor de grande relev\u00e2ncia na cena cultural brasileira. Casou-se com Zulmira Taveiros Guimar\u00e3es, com quem teve dois filhos: Zulma Taveiros Guimar\u00e3es e Alberto Passos Guimar\u00e3es Filho (um dos fundadores da revista de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Ci\u00eancia Hoje, da SBPC).<\/p>\n<p>Em Macei\u00f3, trabalhou como comerciante e jornalista e fez parte da cena intelectual, Gera\u00e7\u00e3o de 30, ao lado de Jos\u00e9 Lins do Rego, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aur\u00e9lio Buarque de Holanda, Valdemar Cavalcanti, Jorge de Lima, Alo\u00edsio Branco, Carlos Paur\u00edlio, Manuel Di\u00e9gues J\u00fanior, M\u00e1rio Brand\u00e3o, Rui Palmeira, Raul Lima, Th\u00e9o Brand\u00e3o, Jos\u00e9 Auto, Santa Rosa.<\/p>\n<p>Em 1931, fundou a revista Novidade, que tinha como proposta a difus\u00e3o da cultura local sob uma perspectiva cr\u00edtica, na qual diversos autores relevantes de Alagoas publicaram seus textos, entre eles Carlos Paur\u00edlio, Alo\u00edsio Branco, Willy Lewin, Di\u00e9gues J\u00fanior e Santa Rosa. Tamb\u00e9m em 1931, ainda na juventude, ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), ent\u00e3o com 23 anos, sendo desde o princ\u00edpio um de seus principais dirigentes e formuladores. Tendo ocupado a dire\u00e7\u00e3o estadual do PCB em Alagoas na d\u00e9cada de 1930 e parte da d\u00e9cada de 1940. Dividia-se em dupla atividade na sua milit\u00e2ncia, uma cultural e outra pol\u00edtica. Uma dessas suas atua\u00e7\u00f5es culturais foi a idealiza\u00e7\u00e3o vers\u00e3o alagoana da Feira de Arte Moderna de 1922, a ser realizada no sal\u00e3o nobre do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Alagoas, em 22 de mar\u00e7o de 1932, com apresenta\u00e7\u00f5es de desenhos do artista pl\u00e1stico Santa Rosa, palestras e concertos sobre m\u00fasica moderna.<\/p>\n<p>Em sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, teve participa\u00e7\u00e3o na greve promovida pelos oper\u00e1rios da ind\u00fastria t\u00eaxtil do bairro de Fern\u00e3o Velho em 1932. A greve levou \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o do I Congresso Oper\u00e1rio de Alagoas, coordenado pelo dirigente comunista Olympio Santana. A partir da sua atua\u00e7\u00e3o no Congresso e com a cria\u00e7\u00e3o do comit\u00ea de socorro aos oper\u00e1rios de Fern\u00e3o Velho que tinham sido demitidos e presos, Guimar\u00e3es passou a ser perseguido, partindo para o Rio de Janeiro. Em sua r\u00e1pida estadia no Rio de Janeiro (1932-1933), Passos Guimar\u00e3es participou do Boletim Ariel, organizado por comunistas fluminenses, onde publicou quatro cr\u00edticas liter\u00e1rias. Uma delas, publicada em 1933, foi a do romance Cacau, do escritor baiano Jorge Amado, de quem se tornara amigo.<\/p>\n<p>Apesar da inser\u00e7\u00e3o na cena intelectual do Rio de Janeiro, Passos Guimar\u00e3es regressou \u00e0 sua terra natal e \u00e0s atividades militantes em Alagoas. Dentre estas atividades, estava a mobiliza\u00e7\u00e3o para a atividade estadual preparat\u00f3ria do Congresso da Juventude Estudantil Popular e Prolet\u00e1ria, em 28 de junho de 1935, na sede da Sociedade Perseveran\u00e7a e Aux\u00edlio dos Empregados do Com\u00e9rcio. Participou tamb\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL) em 7 de maio de 1935, integrando a dire\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n<p>Com a ilegalidade da ANL, Alberto Passos Guimar\u00e3es foi processado com base na Lei de Seguran\u00e7a Nacional e, em novembro, caiu na clandestinidade. Com a intensifica\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o do Estado Novo, buscou o autoex\u00edlio na Bahia, mas foi preso e retornou a Alagoas. Acaba regressando \u00e0 Bahia tempos mais tarde, por volta de 1940, onde atuou na pol\u00edtica do estado e na organiza\u00e7\u00e3o, bem como da comiss\u00e3o editorial de importantes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do PCB, o jornal O Momento e a revista Seiva.<\/p>\n<p>Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro, trabalhando inicialmente como representante comercial e depois no Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em 1949. No final dos anos 1960, passou a trabalhar na Rede Ferrovi\u00e1ria Federal. Ainda na d\u00e9cada de 1950, participou da comiss\u00e3o que redigiu a Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o (de 1958) que produziu uma inflex\u00e3o na pol\u00edtica do PCB, ao atribuir maior relev\u00e2ncia \u00e0 quest\u00e3o democr\u00e1tica, e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no jogo pol\u00edtico democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Ao longo de toda a sua hist\u00f3ria de milit\u00e2ncia no PCB, teve importante atua\u00e7\u00e3o como intelectual e homem de imprensa do Partido. Trabalhou nos jornais Imprensa Popular, Voz Oper\u00e1ria, Novos Rumos, Terra Livre, no seman\u00e1rio sobre cultura Paratodos (dirigido por Jorge Amado e Oscar Niemeyer), nas revistas Problemas (dirigida por Carlos Marighella) e Estudos Sociais (dirigida por Astrojildo Pereira). Al\u00e9m disso, dirigiu o jornal Hoje e a editora Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Alberto Passos Guimar\u00e3es faleceu no Rio de Janeiro em 24 de dezembro de 1993. Contudo, deixou um grande acervo intelectual. Dentre as suas obras publicadas est\u00e3o: Infla\u00e7\u00e3o e Monop\u00f3lio no Brasil \u2013 Por Que Sobem os Pre\u00e7os? (1962); Quatro S\u00e9culos de Latif\u00fandio (1963, reeditado em 1968); A Crise Agr\u00e1ria (1978); As Classes Perigosas: Banditismo Rural e Urbano (1982).<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria originalmente publicada em: https:\/\/omomento.org\/a-memoria-de-alberto-passos-guimaraes\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26879\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[365],"tags":[225],"class_list":["post-26879","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-centenario-do-pcb","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Zx","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26879\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}