{"id":26885,"date":"2021-02-17T01:46:57","date_gmt":"2021-02-17T04:46:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26885"},"modified":"2021-02-20T22:25:26","modified_gmt":"2021-02-21T01:25:26","slug":"o-pcb-o-carnaval-e-as-escolas-de-samba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26885","title":{"rendered":"O PCB, o carnaval e as escolas de samba"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3dc24yAnYQBb6UaaCEbHGtPpA8pZN77rH7M26D9puauBSKg6xWFa1nOLXUKMMJ4RLPJOAuKHiIzu051XRTKZ5hkoHB2Jl7Zl4rBnFH9JGIV4LSx57yUrsPuaJqIVJJc7CgU9Ac9-oJuilnDs0m2-_3q=w1089-h608-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Jornal Tribuna Popular de 08\/02\/1947<\/p>\n<p>Heitor Cesar de Oliveira &#8211; membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n<p>O Carnaval \u00e9 uma festa que est\u00e1 profundamente marcada na sociedade brasileira, refletindo suas contradi\u00e7\u00f5es e disputas. Alguns por a\u00ed costumam dizer que carnaval \u00e9 aliena\u00e7\u00e3o, que se a energia gasta no carnaval fosse focalizada em outras demandas poder\u00edamos mudar o mundo&#8230; Quest\u00e3o de opini\u00e3o, e a minha \u00e9 que isso \u00e9 balela. Enquanto se samba se luta, e enquanto lutamos, carregamos diversos sambas na mem\u00f3ria para nos inspirar na luta, afinal, acreditamos na rapaziada que segue em frente e segura o roj\u00e3o.<\/p>\n<p>Os comunistas sempre estiveram profundamente ligados \u00e0 cultura popular brasileira, ao samba e \u00e0 sua festa maior, que \u00e9 o Carnaval. Uma prova disso \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o do PCB com as Escolas de Samba no Rio de Janeiro, com maior express\u00e3o e destaque nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950.<\/p>\n<p>Em 1934 foi fundada a Uni\u00e3o das Escolas de Samba, que viria a se chamar posteriormente Uni\u00e3o Geral das Escolas de Samba, com o objetivo de ajudar a organizar o desfile de Carnaval no Rio de Janeiro e buscar mais apoio tanto do poder p\u00fablico como de poss\u00edveis financiadores da folia na sociedade. Era uma \u00e9poca em que o samba, apesar de come\u00e7ar a ser aceito, ainda sofria preconceitos e persegui\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e das autoridades.<\/p>\n<p>Nos anos 1940, parte dessa persegui\u00e7\u00e3o se dava pela proximidade entre as escolas de samba e o PCB, que, inclusive em 1946 colaborou, atrav\u00e9s do seu jornal Tribuna Popular, com o concurso Cidad\u00e3o do Samba. O PCB nesse ano organizou diversas reuni\u00f5es e com\u00edcios nas quadras das escolas de samba pelo sub\u00farbio carioca.<\/p>\n<p>Em 1947 a prefeitura do Rio fundou a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Escolas de Samba, com o prop\u00f3sito de esvaziar a Uni\u00e3o das Escolas de Samba, que recebia o apelido de &#8220;Uni\u00e3o Geral das Escolas Sovi\u00e9ticas&#8221;, como forma de estigmatizar a entidade, associando-a aos comunistas. Foi um ano que intensificou a repress\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds, momento em que o PCB inclusive foi cassado e novamente posto na ilegalidade. Nesse clima de repress\u00e3o, a sede da UGES chegou a ser lacrada por alguns dias pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o continuou mesmo ap\u00f3s o Partid\u00e3o ser colocado na ilegalidade: a prefeitura passou a destinar verbas somente para as escolas filiadas \u00e0 sua Federa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, ainda pairavam suspeitas de favorecimentos no julgamento das escolas nos desfiles. Tal situa\u00e7\u00e3o fez com que a Mangueira e a Portela voltassem a fortalecer a Uni\u00e3o Geral. O cen\u00e1rio era t\u00e3o ca\u00f3tico que em 1949 ocorreram dois desfiles: um vencido pelo Imp\u00e9rio Serrano, organizado pela FBES, considerado oficial pela prefeitura, e outro realizado pela UGES, vencido pela Mangueira.<\/p>\n<p>Ainda em 1949, tentando salvar a UGES, dirigentes acusados de liga\u00e7\u00e3o com o PCB se afastaram da entidade, e mudaram novamente o nome da liga carnavalesca, desta vez para UGESB: Uni\u00e3o Geral das Escolas de Samba Brasileiras. Por\u00e9m, as persegui\u00e7\u00f5es continuaram nos anos seguintes. Para o carnaval de 1950, outra vez com o objetivo de desestabilizar a entidade que manteria liga\u00e7\u00f5es com o PCB, foi criada a Uni\u00e3o C\u00edvica de Escolas de Samba, a qual foi considerada oficial pela prefeitura, que somente concedeu verbas para as suas escolas filiadas, esvaziando novamente a Uni\u00e3o Geral.<\/p>\n<p>Em 1951, Mangueira e Portela voltaram \u00e0 UGESB, enquanto a Uni\u00e3o C\u00edvica, considerada por muitos como artificial, n\u00e3o conseguia nem realizar o seu carnaval. No ano seguinte, diante da fal\u00eancia da Uni\u00e3o C\u00edvica das Escolas de Samba, as agremia\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a p\u00f4r em pr\u00e1tica o plano de novamente organizar uma disputa unificada. Como resultado dessa busca pela unidade e independ\u00eancia das escolas de samba em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Prefeitura, elas reunificaram os desfiles e criaram uma entidade \u00fanica: a Associa\u00e7\u00e3o das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Cuba Socialista tamb\u00e9m caiu no samba<\/p>\n<p>Segue agora uma breve hist\u00f3ria de quando Cuba caiu no samba e, para isso, teve uma ajudinha do nosso carnaval, especificamente, de uma de nossas mais tradicionais escolas de samba.<\/p>\n<p>A Escola de Samba Acad\u00eamicos do Salgueiro sempre se apresentou n\u00e3o como uma escola melhor ou pior que as outras, mas como uma escola diferente. De fato, o Salgueiro foi e ainda \u00e9 uma escola de samba muito diferente, marcando profundamente o nosso carnaval e nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O Salgueiro foi pioneiro em diversas \u00e1reas no que tange ao carnaval, mudando a forma de se fazer desfiles e de contar e cantar um enredo. Mas n\u00e3o foi somente nos desfiles que a Escola de Samba Salgueiro foi pioneira, sendo tamb\u00e9m pioneira em outras esferas.<\/p>\n<p>Em 30 de abril de 1959 a Escola de Samba Acad\u00eamicos do Salgueiro embarcou para Havana, Cuba. Naquele ano, a convite das autoridades revolucion\u00e1rias cubanas, foi constitu\u00edda uma delega\u00e7\u00e3o de sambistas brasileiros, que a princ\u00edpio seria composta por portelenses e salgueirenses, mas, por coisas da vida, acabou sendo constitu\u00edda somente de salgueirenses, para comemorar o 1\u00ba de Maio em Cuba ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o e festejar a vit\u00f3ria contra a ditadura de Batista.<\/p>\n<p>Apresentando-se na avenida do Malec\u00f3n, a delega\u00e7\u00e3o salgueirense conquistou o entusiasmo e a alegria do povo cubano, fazendo um enorme sucesso e transformou o evento em um grande carnaval fora de \u00e9poca.<\/p>\n<p>Viva o samba, viva o Carnaval, festa maior da cultura popular brasileira!<\/p>\n<p>Viva o PCB, que sempre soube se identificar com as mais genu\u00ednas representa\u00e7\u00f5es culturais da classe trabalhadora!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26885\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[365,50],"tags":[227],"class_list":["post-26885","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-centenario-do-pcb","category-c61-cultura-revolucionaria","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6ZD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26885"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26885\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}