{"id":26893,"date":"2021-02-18T00:45:45","date_gmt":"2021-02-18T03:45:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26893"},"modified":"2021-02-18T00:45:45","modified_gmt":"2021-02-18T03:45:45","slug":"contra-o-retorno-as-aulas-presenciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26893","title":{"rendered":"Contra o retorno \u00e0s aulas presenciais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/08\/2b\/y3\/082by3my4s3j28vr5mu8ajq2o.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por \u00cdcaro Gabriel e Vivian Alves<\/p>\n<p>Jornal O MOMENTO &#8211; PCB da Bahia<\/p>\n<p>Sobre o Retorno das Aulas Presenciais \u2013 Mar\u00e7o se aproxima e a tentativa de retorno \u00e0s aulas presenciais tamb\u00e9m. O Governo do Estado e a Prefeitura de Feira de Santana (BA), personificados respectivamente por Rui Costa e Colbert Martins, endossam e participam das movimenta\u00e7\u00f5es para lotar salas de aula em meio a uma pandemia que n\u00e3o acabou e uma vacina\u00e7\u00e3o que est\u00e1 longe de ser para todos. Desde 18 de janeiro, identifica-se em Feira e em mais 29 cidades do pa\u00eds, uma articula\u00e7\u00e3o dos representantes do setor privado do ensino b\u00e1sico pressionando para um retorno presencial. Donos de escolas particulares organizam carreatas, colocam seus professores (provavelmente preocupados com demiss\u00f5es) na linha de frente e em reportagens da m\u00eddia, com a tentativa de sensibilizar a cidade sobre a \u201cperda\u201d no aprendizado dos alunos. O Sindicato das Escolas Particulares da Bahia (SINEPE-BA), por exemplo, apela ao poder p\u00fablico e se diz preocupado com a situa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>Em entrevista ao BATV, na carreata do dia 18 de janeiro, \u00e9 dito que o movimento est\u00e1 ali n\u00e3o apenas para reivindicar o retorno presencial das aulas nas escolas particulares, mas tamb\u00e9m nas p\u00fablicas. E, claro, o setor p\u00fablico n\u00e3o ficaria parado com o retorno do ensino presencial na rede privada. N\u00e3o nos enganemos com estes apelos c\u00ednicos: a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o do patronato da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o seu pr\u00f3prio bolso. O principal receio do setor privado, dito pelo diretor financeiro da SINEPE-BA, \u00e9 a queda expressiva no n\u00famero de matr\u00edculas, ou seja, a queda expressiva das mensalidades. E se h\u00e1 aqui uma preocupa\u00e7\u00e3o com desenvolvimento interpessoal e pedag\u00f3gico das nossas crian\u00e7as, ela deve come\u00e7ar pela sua sa\u00fade. Se os patr\u00f5es querem um retorno, que comecem pressionando pela vacina\u00e7\u00e3o em massa, tanto dos alunos, quanto dos seus pais e de toda nossa classe trabalhadora, at\u00e9 porque as crian\u00e7as costumam ser assintom\u00e1ticas, o que torna sua capacidade de transmiss\u00e3o bastante silenciosa, transformando as escolas em perigosos focos de cont\u00e1gio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, se a burguesia se movimenta, seus instrumentos se movem junto a ela, acionados a seu favor. A justi\u00e7a burguesa, por meio de uma liminar concedida pela ju\u00edza Juliana de Castro, determinou a volta das aulas em todo o estado da Bahia at\u00e9 o dia primeiro de mar\u00e7o. Segundo a ju\u00edza, \u201cindependente da for\u00e7a da pandemia, n\u00famero de leitos ocupados e n\u00fameros de mortos, o poder p\u00fablico, de fato, vem consentindo um afrouxamento das medidas menos restritivas\u201d. Ora, quer dizer que independente da capacidade de atendimento da sa\u00fade, independente dos que j\u00e1 morreram e dos que podem vir a \u00f3bito, j\u00e1 que existe um descaso do poder p\u00fablico no trato da pandemia, devemos lotar salas fechadas com crian\u00e7as para garantir uma suposta \u201cqualidade do ensino\u201d? \u00c9 importante lembrar que os nossos familiares e conhecidos perdidos n\u00e3o podem aprender mais coisa alguma, e \u00e9 isso que estar\u00edamos naturalizando como banal: os filhos da classe trabalhadora, com o retorno presencial, sem vacina\u00e7\u00e3o em massa, relegados ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do trecho que cita o afrouxamento das medidas, a decis\u00e3o tamb\u00e9m traz o poss\u00edvel aumento da evas\u00e3o escolar como uma consequ\u00eancia do n\u00e3o retorno \u00e0s aulas. Esse \u00e9 um ponto importante para nos preocuparmos, mas n\u00e3o s\u00f3 diante de uma pandemia. A evas\u00e3o escolar j\u00e1 \u00e9 uma realidade. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNADC), de 2019, a evas\u00e3o escolar no estado come\u00e7a a se apresentar na faixa et\u00e1ria de 11 a 14 anos, onde o abandono \u00e9 de 19,9%. Na faixa et\u00e1ria de 15 a 17 anos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais cr\u00edtica com uma taxa de abandono igual a 44,6%. Se a pandemia ainda n\u00e3o era uma realidade, o que provocava a evas\u00e3o escolar? A combina\u00e7\u00e3o de infraestruturas prec\u00e1rias, falta de ferramentas pedag\u00f3gicas atrativas, mecanismos de perman\u00eancia limitados e tantos outros problemas estruturais da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>A correria pela retomada das aulas presenciais durante a pandemia deveria ser convertida em campanhas de vacina\u00e7\u00e3o em massa, planejamento adequado para que as escolas tivessem melhores condi\u00e7\u00f5es de receber os estudantes e os trabalhadores. Junto a isso, buscar por um ensino b\u00e1sico de qualidade, que vise uma escola popular, onde nossas crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o sejam tratados como n\u00fameros e mensalidades, mas como futuros construtores de uma sociedade transformada e emancipada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26893\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60],"tags":[226],"class_list":["post-26893","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6ZL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26893"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26893\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}