{"id":26899,"date":"2021-02-19T22:25:38","date_gmt":"2021-02-20T01:25:38","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26899"},"modified":"2021-02-19T22:25:38","modified_gmt":"2021-02-20T01:25:38","slug":"o-desenvolvimento-da-biotecnologia-em-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26899","title":{"rendered":"O desenvolvimento da biotecnologia em Cuba"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/cuba\/imagens\/biotecnologia_1.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->\u2013 Desafios na estrat\u00e9gia econ\u00f4mica depois de 2021<\/p>\n<p>por Omar Everleny P\u00e9rez Villanueva [*]<\/p>\n<p>Apesar do seu grande desenvolvimento e resultados, o setor biotecnol\u00f3gico enfrenta um grande desafio quanto \u00e0 sua concentra\u00e7\u00e3o nos seus destinos de exporta\u00e7\u00e3o e a sua falta de fortes recursos financeiros.<\/p>\n<p>A partir de 1959, Cuba criou m\u00faltiplos programas educativos e aprovou importantes rubricas or\u00e7ament\u00e1rias que permitiram criar a base profissional necess\u00e1ria para o desenvolvimento de uma ci\u00eancia nacional, um objetivo central do novo governo. Entre os primeiros passos estiveram a Campanha de Alfabetiza\u00e7\u00e3o (1961), a reativa\u00e7\u00e3o da Academia de Ci\u00eancias de Cuba (1962) e a cria\u00e7\u00e3o de diferentes institutos de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>A partir de 1962, Cuba realizou um programa de imuniza\u00e7\u00e3o em todo o territ\u00f3rio e introduziu a vacina\u00e7\u00e3o antipoliomielite por via oral, convertendo-se no primeiro pa\u00eds a eliminar essa doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Durante os anos 80, planejou-se uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento para a biotecnologia, com a cria\u00e7\u00e3o, em 1981, de uma frente biol\u00f3gica de que formaram parte diversas institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. A partir da\u00ed come\u00e7aram a instalar-se institui\u00e7\u00f5es, como:<br \/>\nO Centro de Investiga\u00e7\u00f5es Biol\u00f3gicas, o Centro de Engenharia Gen\u00e9tica e de Biotecnologia ( CIGB )<br \/>\nO Centro de Produ\u00e7\u00e3o de Animais de Laborat\u00f3rio (CENPALAB)<br \/>\nO Centro Nacional de Biopreparados ( BIOCEN )<br \/>\nO Centro de Imunoensaio<br \/>\nO Centro de Imunologia Molecular ( CIM )<br \/>\nO Instituto Finlay<br \/>\nO Centro de Qu\u00edmica Farmac\u00eautica.<br \/>\nTamb\u00e9m se constru\u00edram outros centros ou se instalaram equipes em diversas universidades e prov\u00edncias. Em 1965, inaugurou-se o Centro Nacional de Investiga\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas ( CNIC ).<\/p>\n<p>Entre 1990 e 1996, Cuba atravessou um processo de profunda crise econ\u00f4mica e social conhecido por Per\u00edodo Especial. Apesar disso, os investimentos no or\u00e7amento do Estado nessas esferas da alta tecnologia n\u00e3o acabaram e foram dedicadas elevadas quantias para equipamentos.<\/p>\n<p>Em 1992, constituiu-se o Polo Cient\u00edfico do Oeste de Havana, que englobou mais de cinquenta institui\u00e7\u00f5es e dez mil trabalhadores. Essa estrutura permitiu que todas as empresas integrantes tivessem a sua empresa comercializadora para facilitar o processo de exporta\u00e7\u00e3o, ou seja, funcionaram num ciclo fechado.<\/p>\n<p>Esta estrat\u00e9gia baseou-se desde o in\u00edcio em dispor de profissionais de alta qualifica\u00e7\u00e3o que participavam do chamado \u201cciclo fechado\u201d (investiga\u00e7\u00e3o + desenvolvimento + produ\u00e7\u00e3o + comercializa\u00e7\u00e3o) e onde, al\u00e9m disso, se podia medir o efeito de resultados concretos, com base em quantas doen\u00e7as se evitavam e quantas pessoas se curavam. Tamb\u00e9m se ofereciam aos investigadores incentivos laborais, boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, possibilidade de melhoria constante em Cuba e no exterior, embora estes requisitos tenham diminu\u00eddo atualmente.<\/p>\n<p>O baixo custo da for\u00e7a de trabalho altamente qualificada e a sua abund\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses mais desenvolvidos implicavam que os produtos cubanos tivessem custos baixos de investiga\u00e7\u00e3o ou produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Evolu\u00e7\u00e3o dos resultados<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da biotecnologia cubana pode considerar-se com \u00eaxito, segundo determinados crit\u00e9rios empregados para a medir: gera\u00e7\u00e3o de produtos (biof\u00e1rmacos e vacinas), impacto na sa\u00fade p\u00fablica, registo de patentes e peso nas exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esses resultados deveram-se \u00e0 prioridade que se lhes conferiu e aos pesados investimentos feitos nessas \u00e1reas, mas \u00e9 dif\u00edcil apurar se os gastos totais investidos foram recuperados no tempo decorrido.<\/p>\n<p>Em geral, a ind\u00fastria cubana sofreu de falta de autonomia na tomada de decis\u00f5es financeiras. Em muitas ocasi\u00f5es isso impede dispor do capital no momento necess\u00e1rio e faz com que a escassez de recursos financeiros seja uma das suas principais debilidades.<\/p>\n<p>Apesar das numerosas aplica\u00e7\u00f5es da biotecnologia em diversos setores, devido aos recursos limitados com que Cuba tem contado, os produtos biotecnol\u00f3gicos t\u00eam-se concentrado, sobretudo, em tr\u00eas setores: na \u00e1rea da sa\u00fade humana, na investiga\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria e na agricultura.<\/p>\n<p>O impacto social dos produtos biotecnol\u00f3gicos nacionais pode encontrar-se nas diversas vacinas obtidas e na sua repercuss\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o, como nos casos, entre outros, da meningite B\/C e da hepatite B; as tecnologias para o diagn\u00f3stico de defeitos do tubo neural, do dengue, kits para gravidez, vacinas contra o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, medicamentos dedicados a combater doen\u00e7as virais, enfarte do mioc\u00e1rdio e a rejei\u00e7\u00e3o de transplante de \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Obtiveram-se vacinas bivalentes, trivalentes, tetravalentes e pentavalentes, e tamb\u00e9m outros produtos de tipo terap\u00eautico para combater a AIDS, que aumentam o aparecimento da doen\u00e7a em pessoas j\u00e1 contagiadas e em variantes preventivas.<\/p>\n<p>Recentemente, obteve-se uma nova vacina terap\u00eautica contra a hepatite B cr\u00f4nica: a HeberNasvac. Demonstrou ter n\u00edveis de efic\u00e1cia superiores aos principais tratamentos registrados para esta doen\u00e7a. Foi uma das primeiras vacinas no mundo para uso terap\u00eautico e aplica-se por via nasal e subcut\u00e2nea. A primeira tem dois ant\u00edgenos do v\u00edrus da hepatite B, o ant\u00edgeno de superf\u00edcie e o da nucleocaps\u00eddeo do v\u00edrus.<\/p>\n<p>O Centro de Engenharia Gen\u00e9tica e Biotecnologia (CIGB) desenvolveu um dos principais produtos das exporta\u00e7\u00f5es da biotecnologia cubana: o Heberprot-P, medicamento \u00fanico no mundo que reduziu em cerca de 75% o \u00edndice de amputa\u00e7\u00f5es em doentes com \u00falceras diab\u00e9ticas nos p\u00e9s.<\/p>\n<p>O interessante da biotecnologia cubana consiste na sua especializa\u00e7\u00e3o em vacinas preventivas, produzidas localmente. Entre elas, sobressaem as seguintes:<br \/>\nVacina anti hepatite B. Criada pelo CIGB.<br \/>\nVacina anti meningoc\u00f3cica BC. Criada pela empresa Laborat\u00f3rio Farmac\u00eautico Carlos J. Finlay.<br \/>\nVacina antirr\u00e1bica. Criada pela empresa Laborat\u00f3rio Farmac\u00eautico Carlos J. Finlay.<br \/>\nVacina tox\u00f3ide-tet\u00e2nico. Criada pela empresa Laborat\u00f3rio Farmac\u00eautico Carlos J. Finlay.<br \/>\nVacina antidift\u00e9rica-antitet\u00e2nica. Criada pela empresa Laborat\u00f3rio Farmac\u00eautico Carlos J. Finlay.<br \/>\nVacina contra a difteria, t\u00e9tano e tosse convulsa (DTP). Criada pela empresa Laborat\u00f3rio Farmac\u00eautico Carlos J. Finlay.<br \/>\nVacina antileptospirose trivalente. Criada pela empresa Laborat\u00f3rio Farmac\u00eautico Carlos J. Finlay.<br \/>\nVacina tetravalente DTP-HB (TRivac-Hb). Criada pelo CIGB.<br \/>\nVacina pentavalente heberpenta. Criada pelo CIGB.<br \/>\nVacina antiof\u00eddica. Criada pela empresa Laborat\u00f3rio Farmac\u00eautico Carlos J. Finlay.<br \/>\nVacina contra Haemophilus, Gripe tipo B. Criada pela empresa Laborat\u00f3rio Farmac\u00eautico Carlos J. Finlay e pelo Centro Nacional de Biopreparados (BIOCEN). Inicialmente, surgiu como uma investiga\u00e7\u00e3o da Universidade de Havana a partir de um ant\u00edgeno sint\u00e9tico.<br \/>\nTrabalhou-se na agricultura para torn\u00e1-la mais produtiva, embora isso n\u00e3o tenha acontecido, mas fizeram-se investimentos para construir uma extensa rede de f\u00e1bricas biol\u00f3gicas visando produzir plantas in vitro e melhorar o setor agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Conseguiram-se variedades mais resistentes a doen\u00e7as e a pragas em culturas como a cana do a\u00e7\u00facar, a batata, o tabaco, a banana, as hortali\u00e7as e os citrinos. A seguir, acrescentou-se a obten\u00e7\u00e3o de vacinas veterin\u00e1rias de nova gera\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de animais e plantas transg\u00eanicas.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Em dezembro de 2012, esta ind\u00fastria sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o: as empresas biotecnol\u00f3gicas passaram a fazer parte do grupo empresarial BioCubaFarma, uma das Organiza\u00e7\u00f5es Superiores de Dire\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica (OSDE) criadas nessa altura (hoje s\u00e3o 32 empresas). Integraram-se no grupo as entidades do setor biotecnol\u00f3gico anteriormente pertencentes ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Meio Ambiente (CITMA) e as do Grupo Empresarial QUIMEFA, encarregado da produ\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos. O grupo come\u00e7ou com estabelecimentos nas 15 prov\u00edncias e era composto por 16 grandes empresas produtoras, 8 comercializadoras, 11 radicadas no exterior e 3 que prestavam servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria biotecnol\u00f3gica com a farmac\u00eautica trouxe benef\u00edcios para ambas. A BioCubaFarma \u00e9 uma entidade nacional de car\u00e1ter empresarial que inclui o conceito de empresas de alta tecnologia. Embora a integra\u00e7\u00e3o de ambas as ind\u00fastrias possa constituir um fator de \u00eaxito com o tempo, h\u00e1 que diferenciar a \u201cempresa\u201d da empresa de alta tecnologia.<\/p>\n<p>No estrangeiro existem 19 entidades dirigidas pela empresa, atrav\u00e9s de diferentes modalidades: trata-se de empresas mistas ou totalmente de propriedade cubana e suas representa\u00e7\u00f5es, entre outras. As suas produ\u00e7\u00f5es comercializam-se em mais de 50 pa\u00edses. Em diversas regi\u00f5es possuem mais de 700 registros sanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>A biotecnologia cubana e a ind\u00fastria farmac\u00eautica est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de fazer uma importante contribui\u00e7\u00e3o para a carteira de exporta\u00e7\u00e3o de produtos de alta tecnologia, a fim de garantir ou de recuperar o investimento nessa \u00e1rea, embora o tema da exporta\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja apenas um problema de volume, mas tamb\u00e9m do conte\u00fado tecnol\u00f3gico do que se exporta. O verdadeiro desenvolvimento tecnol\u00f3gico passa sempre pela sua capacidade de produzir e exportar produtos de alto valor acrescentado e produtos novos ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Apesar disso, as estat\u00edsticas oficiais cubanas mostram que as exporta\u00e7\u00f5es dos produtos qu\u00edmicos e afins \u2013 entre os quais est\u00e3o inclu\u00eddos os medicinais e farmac\u00eauticos \u2013 diminu\u00edram nos \u00faltimos anos, embora essas estat\u00edsticas n\u00e3o estejam a ser publicadas desde 2016. A biotecnologia tem desacelerado o ritmo das suas exporta\u00e7\u00f5es, tal como a queda das exporta\u00e7\u00f5es de bens. N\u00e3o seria muito sensato estimar as exporta\u00e7\u00f5es dos produtos medicinais e biotecnol\u00f3gicos para 2020, dado que a crise econ\u00f4mica provocada pela pandemia \u00e9 muito profunda.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas mostram uma queda de quase 40% das exporta\u00e7\u00f5es de produtos qu\u00edmicos e afins, entre 2015 e 2019. Considerando a participa\u00e7\u00e3o dos produtos medicinais e farmac\u00eauticos no total das exporta\u00e7\u00f5es de produtos qu\u00edmicos em cerca de 90%, podemos estimar que as exporta\u00e7\u00f5es de medicamentos \u2013 entre os quais se encontram, claro, os de origem biotecnol\u00f3gica \u2013 em 2019 haveria um cen\u00e1rio de uns 240 milh\u00f5es de pesos anuais. Trata-se de um n\u00famero muito abaixo do conseguido. N\u00e3o est\u00e1 nos valores a que se aspirava e, por conseguinte, no futuro n\u00e3o est\u00e1 claro qual o valor a que se deve aspirar.<br \/>\nO aparecimento da BioCubaFarma tornou poss\u00edvel a entrada do capital estrangeiro nesta \u00e1rea, sobretudo na constru\u00e7\u00e3o de plantas e na Zona Especial de Desenvolvimento do Mariel, onde j\u00e1 est\u00e1 se construindo uma instala\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e de investiga\u00e7\u00e3o. Mas o Estado cubano tem sido relutante, em muitos casos, ao investimento estrangeiro na fase produtiva ou de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A biotecnologia cubana perante a maior pandemia do s\u00e9culo<\/p>\n<p>A ind\u00fastria biofarmac\u00eautica cubana tem sido fundamental na estrat\u00e9gia perante a pandemia do novo coronav\u00edrus. Nos protocolos estabelecidos pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a maior parte dos produtos utilizados s\u00e3o nacionais e utilizaram-se com efic\u00e1cia em doentes graves e em estado cr\u00edtico, assim como em determinados grupos de risco. No in\u00edcio, utilizou-se o Interfer\u00f3n alfa-2B recombinante, que j\u00e1 existe, e conseguiram-se resultados aceit\u00e1veis.<\/p>\n<p>O grupo BioCubaFarma trabalha em 16 projetos de novos tratamentos e tecnologias m\u00e9dicas para evitar e combater esta doen\u00e7a. H\u00e1 quatro vacinas candidatas em diferentes fases. Sobressai a vacina Soberana 02, que j\u00e1 est\u00e1 sendo produzida em grandes lotes para uma vacina\u00e7\u00e3o maci\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o. As restantes vacinas s\u00e3o a Soberana 01, a Abdala e a Mambisa.<\/p>\n<p>A vantagem da Soberana consiste em ter aproveitado plataformas pr\u00e9 estabelecidas, uma pr\u00e1tica mundialmente adotada para encurtar os prazos perante o impacto global da pandemia. Esta vacina baseou-se na prote\u00edna RBD como ant\u00edgeno principal.<\/p>\n<p>Os principais produtos cubanos utilizados durante esta pandemia t\u00eam sido:<br \/>\nBiomodulina T . Um imunomodulador de origem natural.<br \/>\nHebertrans. Um fator de transfer\u00eancia.<br \/>\nNasalferon. Uma formula\u00e7\u00e3o nasal de IFN alfa. 2B humano recombinante.<br \/>\nHebr\u00f3n. Um interferon alfa 2B humano recombinante.<br \/>\nHeberfer\u00f3n R. Un IFN alfa-2B + IFN gamma.<br \/>\nJusvinza. P\u00e9ptido imunomodelador.<br \/>\nItolizumab. Anticorpo monoclonal anti-CD6.<br \/>\nO Itolizumab est\u00e1 sendo testado nos EUA. Dois pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina solicitaram-no.<\/p>\n<p>Encontram-se em estudo outros medicamentos como o P\u00e9ptido CIGB 300, inibidor da enzima case\u00edna quinasa, a vacina antimeningoc\u00f3cica VAMENGO-BC e a vacina CIGB 2020. At\u00e9 agora, o esquema de imuniza\u00e7\u00e3o cubano inclui 13 vacinas. Destas, oito s\u00e3o produzidas na Ilha.<\/p>\n<p>Desafios futuros<\/p>\n<p>Cuba j\u00e1 entrou numa \u00e1rea dominada por alguns pa\u00edses desenvolvidos e por poucas empresas transnacionais. Para um desenvolvimento competitivo, este setor precisa de enormes recursos financeiros para a investiga\u00e7\u00e3o, coisa que falta em Cuba. Da\u00ed que o desafio consiste em como conseguir a sobreviv\u00eancia nas condi\u00e7\u00f5es do pa\u00eds a curto prazo. O biotecnol\u00f3gico possui um alto grau de complexidade. Embora se torne muito rent\u00e1vel quando se tem \u00eaxito, para l\u00e1 chegar \u00e9 necess\u00e1rio investir grandes somas e estar disposto a aguardar grandes per\u00edodos antes de recuperar o investimento.<\/p>\n<p>A diversidade de destinos com contextos reguladores diferentes e o incremento das regulamenta\u00e7\u00f5es internacionais constituem uma barreira para a entrada dos produtos cubanos em muitas economias. Em cada pa\u00eds de destino existem regulamenta\u00e7\u00f5es a este respeito, o que requer o reinvestimento permanente para obter altos padr\u00f5es de qualidade, um risco fundamental para o setor biotecnol\u00f3gico cubano, sobretudo porque os mercados mais limitados s\u00e3o os dos pa\u00edses desenvolvidos, que t\u00eam poucas empresas, mas s\u00e3o monopolistas. \u00c9 a\u00ed que se podem obter os maiores benef\u00edcios. Para o seu desenvolvimento competitivo, este setor precisa de enormes recursos financeiros\u2026 coisa que falta em Cuba.<\/p>\n<p>Em geral, a ind\u00fastria cubana tem tido falta de autonomia na tomada de decis\u00f5es financeiras. Em muitas ocasi\u00f5es, isso impede-a de dispor de capital no momento necess\u00e1rio e converte a escassez de recursos financeiros numa das suas principais debilidades.<\/p>\n<p>Cuba tem uma reduzida procura interna para os produtos biotecnol\u00f3gicos. Nos pa\u00edses pequenos, o mercado dom\u00e9stico n\u00e3o tem dimens\u00f5es que gerem um volume suficiente para internalizar os custos fixos da atividade de investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Deste modo, a orienta\u00e7\u00e3o exportadora constitui uma condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para conseguir a viabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Neste contexto, a diversifica\u00e7\u00e3o do mercado no processo exportador torna-se uma necessidade, apesar de os produtos da biotecnologia cubana se exportarem hoje para v\u00e1rios pa\u00edses de todos os continentes. Ainda se evidenciam problemas de concentra\u00e7\u00e3o dessas exporta\u00e7\u00f5es quanto ao seu valor, uma verdadeira limita\u00e7\u00e3o para a competitividade.<\/p>\n<p>A produtividade a m\u00e9dio prazo depender\u00e1 da penetra\u00e7\u00e3o de novos mercados, mas tamb\u00e9m de criar novos produtos, pelo que as empresas nacionais enfrentam o dilema entre continuar a produzir biogen\u00e9ticos que exigem um esfor\u00e7o menor \u2013 mas de menor rentabilidade \u2013 ou fazer um grande esfor\u00e7o para renovar a sua carteira de produtos. Isto implica um investimento maior, maior risco e uma rentabilidade a longo prazo.<\/p>\n<p>Um elemento importante da biotecnologia \u00e9 a espera no processo que deve levar a efeito todos os produtos biotecnol\u00f3gicos, em especial os medicamentos: da investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento at\u00e9 ao registro do produto. Para desenvolver um medicamento biotecnol\u00f3gico s\u00e3o necess\u00e1rios pelo menos dez anos.<\/p>\n<p>Apesar do grande desenvolvimento e dos resultados, tanto no campo da ci\u00eancia (investiga\u00e7\u00e3o) como da economia (exporta\u00e7\u00f5es), o setor biotecnol\u00f3gico enfrenta um grande desafio quanto \u00e0 sua concentra\u00e7\u00e3o nos destinos das exporta\u00e7\u00f5es e a necessidade de uma forte inje\u00e7\u00e3o de recursos financeiros. O pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de os oferecer, como durante a decolagem dos anos 80.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, a biotecnologia \u00e9 um setor estrat\u00e9gico quanto \u00e0 no\u00e7\u00e3o multidimensional que ter\u00e1 no horizonte as aspira\u00e7\u00f5es de desenvolvimento cubano at\u00e9 2030. Tornar isto uma realidade \u00e9 o que compete aos fazedores da pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A biotecnologia cubana demonstrou excelentes resultados para fazer frente \u00e0 pandemia da COVID-19, em especial a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos nacionais e vacinas pr\u00f3prias para imunizar toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>15\/Fevereiro\/2021<\/p>\n<p>[*] Doutor em Economia pela Universidade de Havana, com mestrado em Economia e Pol\u00edtica Internacional no Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Ensino Econ\u00f4mico (CIDE), M\u00e9xico DF. Obteve a licenciatura em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas na Universidade de Havana.<\/p>\n<p>O original encontra-se em cubayeconomia.blogspot.com\/2021\/02\/el-desarrollo-de-la-biotecnologia-en.html<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira.<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em https:\/\/resistir.info\/cuba\/biotecnologia_15fev21.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26899\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[48],"tags":[234],"class_list":["post-26899","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c58-cuba","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6ZR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26899\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}