{"id":26925,"date":"2021-02-28T14:13:44","date_gmt":"2021-02-28T17:13:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26925"},"modified":"2021-02-28T14:14:28","modified_gmt":"2021-02-28T17:14:28","slug":"jamais-esquecer-as-lutas-antifascistas-de-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26925","title":{"rendered":"Jamais esquecer as lutas antifascistas de 2020"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Foto-Ato-Antifa-Raissa-Oliveira.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Leonardo Silvestrin*<\/p>\n<p>fotografia por Ra\u00edssa Oliveira<\/p>\n<p>Frente \u00e0s vit\u00f3rias pol\u00edticas que estamos vendo acontecer em uma s\u00e9rie de pa\u00edses das Am\u00e9ricas, muitas pessoas lamentam que o povo brasileiro \u201cn\u00e3o resiste\u201d, \u201cn\u00e3o luta\u201d, \u201cn\u00e3o se mobiliza pelos seus direitos\u201d. Isso, seguramente, n\u00e3o \u00e9 verdade. O Brasil n\u00e3o tem um povo passivo. Tem um povo massacrado pela rotina de trabalho, obrigado a se arriscar para sobreviver em \u00f4nibus lotados mesmo em uma pandemia; censurado, enjaulado, torturado e assassinado pela repress\u00e3o policial e judicial; e anestesiado pela m\u00eddia empresarial, que finge indigna\u00e7\u00e3o com a psicopatia do presidente ileg\u00edtimo, mas que se recusa a apoiar sua deposi\u00e7\u00e3o, desde que o mesmo \u201cse domestique\u201d e siga tocando a agenda podre de retirada de direitos, que tanto excita \u201cnossa\u201d elite.<\/p>\n<p>Do outro lado, entre os que dizem representar a nossa classe trabalhadora, h\u00e1 uma burocracia sindical e partid\u00e1ria corrompida pelo peleguismo, h\u00e1 d\u00e9cadas acovardada. Est\u00e1 presa em suas ilus\u00f5es a respeito de um desenvolvimento pac\u00edfico e igualit\u00e1rio dentro do capitalismo, que tem a viol\u00eancia e a desigualdade no seu DNA. Nessa tentativa de concilia\u00e7\u00e3o, as pessoas exploradas e oprimidas do nosso pa\u00eds seguem sendo sufocadas.<\/p>\n<p>Mas, apesar de tudo isso, no ano de 2020 vimos uma s\u00e9rie de revoltas no nosso pa\u00eds contra o assassinato das pessoas negras pelo regime reacion\u00e1rio brasileiro, seja pelas m\u00e3os de agentes do Estado, seja pelas m\u00e3os de agentes das empresas privadas. Vimos greves e paralisa\u00e7\u00f5es de petroleiros, carteiros, trabalhadores da sa\u00fade, dos entregadores de aplicativo, de trabalhadores do telemarketing, de professores da iniciativa p\u00fablica e privada e de muitas outras parcelas da classe trabalhadora, que travam suas lutas cotidianas \u00e0 despeito do silenciamento da m\u00eddia empresarial.<\/p>\n<p>Dentro desse pante\u00e3o de hero\u00ednas e her\u00f3is an\u00f4nimos do nosso povo, fa\u00e7o quest\u00e3o de lembrar de um grupo em espec\u00edfico: a milit\u00e2ncia antifascista que, em meio a uma pandemia, colocou sua pr\u00f3pria vida em risco e foi \u00e0s ruas enfrentar os bandos bolsonaristas em maio de 2020.<\/p>\n<p>Quando Bolsonaro participou, em 19 de abril desse ano, de um ato em frente ao Quartel-General do Ex\u00e9rcito do Distrito Federal que tinha como pauta a sua consagra\u00e7\u00e3o como ditador, a amea\u00e7a de um golpe de Estado parecia ser um perigo iminente. Todo domingo, os golpistas organizavam suas manifesta\u00e7\u00f5es, saiam em carreatas com seus luxuosos carros at\u00e9 os quart\u00e9is de suas cidades, para levantarem enfim sua bandeira maldita: \u201cInterven\u00e7\u00e3o Militar j\u00e1, com Bolsonaro presidente!\u201d. Em Porto Alegre, no mesmo dia do ato em Bras\u00edlia, os bolsonaristas Paulo Miguel Rempel e Jos\u00e9 dos Santos Martins, conforme informa\u00e7\u00e3o divulgada pela Zero Hora e pela Revista F\u00f3rum, agrediram com soco no rosto e pontap\u00e9s uma mulher vestida de vermelho, quando ela e seu camarada ousaram passar em frente \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Desde a chegada da pandemia em mar\u00e7o, n\u00e3o havia mais manifesta\u00e7\u00f5es da esquerda. Em contrapartida, a carta assinada por 20 governadores contra as bravatas fascistas do presidente, as \u201cnotas de rep\u00fadio\u201d do Congresso e STF, a oposi\u00e7\u00e3o da Globo e outros monop\u00f3lios da m\u00eddia, tudo isso parecia mais causar riso entre os fan\u00e1ticos de Bolsonaro do que qualquer recuo. Para muitos, era a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as ideal: \u201cBolsonaro \u00e9 o antissistema, os corruptos e o establishment o odeiam. \u00c9 a hora de deflagrar um novo 1964, para limpar de vez o Brasil dos bandidos, dos comunistas, da esquerda, das feministas, dos globalistas, das aberra\u00e7\u00f5es gayzistas, para enfim varrermos toda a corja que impede que o Brasil seja grande de novo!\u201d.<\/p>\n<p>Eis que veio o dia 3 de maio. Naquele dia, ao chegarem na regi\u00e3o central da cidade que sedia o Comando Militar do Sul, os bolsonaristas de Porto Alegre tiveram uma surpresa ao ver que n\u00e3o estavam mais sozinhos. Mas n\u00e3o eram as massas que vieram ao seu apoio, tampouco os soldados do quartel que ouviram seu chamado. Eram dezenas de militantes vestidos de preto, imbu\u00eddos do mais justo \u00f3dio contra a ditadura, contra o genoc\u00eddio, contra o fascismo, unidos sob um \u00fanico grito: \u201cFORA BOLSONARO!\u201d.<\/p>\n<p>Enfurecida, a extrema-direita foi embora, mas sem antes entrar em um embate com os antifascistas. Os que vestem preto lembram a impunidade do dia 19 de abril, lembram da impunidade de 21 anos de regime militar, vivem a impunidade di\u00e1ria de tr\u00eas d\u00e9cadas de \u201cdemocracia\u201d liberal. Lan\u00e7am seus socos. Se a viol\u00eancia \u00e9 a \u00fanica linguagem que entendem os ditadores, ent\u00e3o talvez falando sua l\u00edngua eles nos entendam.<\/p>\n<p>De domingo a domingo, o grupo de antifascistas em frente ao CMS foi aumentando. Em uni\u00e3o pela liberdade, as torcidas antifascistas do Gr\u00eamio e do Internacional, junto a grupos anarquistas, comunistas, socialistas e social-democratas, impedem que as hordas se criem. No dia 24 de maio, uma corrente humana interrompe as carreatas pr\u00f3-Bolsonaro antes que elas cheguem ao Comando Militar do Sul. A massa, unida, em um s\u00f3 grito: \u201cRecua, fascista, recua! \u00c9 o poder popular que t\u00e1 na rua!\u201d. E, pela primeira vez, os fascistas obedecem.<\/p>\n<p>Humilhados, os bolsonaristas v\u00e3o embora, escoltados pela Brigada Militar (cujos agentes presentes, conforme relatos, n\u00e3o lhes demonstravam muita simpatia). Eles, uma dezena, talvez duas ou at\u00e9 tr\u00eas. N\u00f3s, nas ruas, dezenas, centenas, depois milhares, em Porto Alegre, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Distrito Federal. Pelas janelas, observando atentamente e torcendo, \u00e9ramos milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Desmascarada, a realidade for\u00e7ou a extrema-direita a aceitar que ela n\u00e3o era a \u201csilenciosa maioria\u201d que aspirava ser. Era ela mesmo, afinal, a esc\u00f3ria do Brasil, o mais repugnante resultado do golpismo elitista de 2016, que definitivamente consolidou a posi\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds na lista dos mais deplor\u00e1veis regimes dos nossos tempos.<\/p>\n<p>No dia 1\u00ba de junho, o capit\u00e3o d\u00e1 a ordem: \u201cj\u00e1 que eles marcaram para domingo, deixa domingo l\u00e1\u201d. Era hora de bater em retirada. O novo golpe havia sido derrotado \u2013 pelo menos, por enquanto. Desmoralizados e sem o apoio das ruas, alguns dos agentes mais extremistas do bolsonarismo foram presos e exilados, a mando das fac\u00e7\u00f5es do regime que n\u00e3o querem viver sob a bota de Bolsonaro. Dando tapinhas em suas pr\u00f3prias costas, os \u201cdemocratas\u201d do STF e do Congresso n\u00e3o reconheceram que, se houve um princ\u00edpio de investida institucional contra o fascismo, isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque os antifascistas mostraram sua disposi\u00e7\u00e3o de doar at\u00e9 mesmo o pr\u00f3prio sangue, se for para evitar um novo 1964.<\/p>\n<p>O exemplo daquele 3 de maio se espraiou feito p\u00f3lvora por todo pa\u00eds. N\u00e3o foi obra da iniciativa da burocracia sindical e partid\u00e1ria, muito menos das suas ilus\u00f5es legalistas e pacifistas, ao mesmo tempo ref\u00e9ns e c\u00famplices do genoc\u00eddio di\u00e1rio. As batalhas decisivas de maio foram obra dos mais rebeldes entre os militantes. Estes tinham, como \u00fanica inspira\u00e7\u00e3o, ser apenas mais alguns entre os milh\u00f5es de brasileiras e brasileiros que, sem tempo pra ter medo, ousam resistir \u2013 como j\u00e1 nos ensinava o velho comunista baiano.<\/p>\n<p>Que seu vitorioso exemplo nos inspire em 2021.<\/p>\n<p>VIVA \u00c0S HERO\u00cdNAS E HER\u00d3IS ANTIFASCISTAS DE 2020!<\/p>\n<p>(*) Leo Silvestrin \u00e9 militante da Uni\u00e3o da Juventude Comunista e do Partido Comunista Brasileiro<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"anTb1ajvXz\"><p><a href=\"http:\/\/ujc.org.br\/jamais-esquecer-das-heroinas-e-herois-antifascistas-de-2020\/\">Jamais esquecer das hero\u00ednas e her\u00f3is antifascistas de 2020!<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Jamais esquecer das hero\u00ednas e her\u00f3is antifascistas de 2020!&#8221; &#8212; UJC\" src=\"http:\/\/ujc.org.br\/jamais-esquecer-das-heroinas-e-herois-antifascistas-de-2020\/embed\/#?secret=anTb1ajvXz\" data-secret=\"anTb1ajvXz\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26925\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[223],"class_list":["post-26925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-70h","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}