{"id":26983,"date":"2021-03-10T19:43:37","date_gmt":"2021-03-10T22:43:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26983"},"modified":"2021-03-10T19:43:37","modified_gmt":"2021-03-10T22:43:37","slug":"150o-aniversario-de-rosa-luxemburgo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26983","title":{"rendered":"150\u00ba anivers\u00e1rio de Rosa Luxemburgo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.wsws.org\/asset\/bca702cb-7617-4755-8b8c-0af23763dc09?rendition%3Dimage1280\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Brinda Karat [*]<\/p>\n<p>O dia 5 de mar\u00e7o de 2021 marcou o 150\u00ba anivers\u00e1rio do nascimento de Rosa Luxemburgo. Luxemburgo, conhecida pelos seus camaradas como a Rosa Vermelha, foi uma brilhante te\u00f3rica marxista, internacionalista, revolucion\u00e1ria e ativista nas lutas pr\u00e1ticas da classe oper\u00e1ria. Uma mulher de vontade ind\u00f4mita, a for\u00e7a e a coragem de Rosa lan\u00e7ou o medo nos cora\u00e7\u00f5es cru\u00e9is dos exploradores. Era uma mulher que invadiu muitos redutos num mundo dominado pelos homens e cujo trabalho e exemplo se mant\u00eam cem anos depois da sua morte brutal pelos traidores do movimento da classe oper\u00e1ria, agentes das classes dirigentes.<\/p>\n<p>Rosa Luxemburgo nasceu de pais polacos judeus, numa fam\u00edlia da classe m\u00e9dia na cidade polaca de Zamo\u0153\u00e6. Quando jovem adoeceu gravemente, e as marcas dessa doen\u00e7a, uma grave deforma\u00e7\u00e3o da anca e da perna, condenaram-na a viver com dores f\u00edsicas durante toda a vida. Mas a sua fragilidade aparente e as enfermidades f\u00edsicas n\u00e3o perturbaram a sua enorme energia alimentada pela sua dedica\u00e7\u00e3o pelo socialismo.<\/p>\n<p>A vida pol\u00edtica de Luxemburgo come\u00e7ou aos dezesseis anos, quando ela aderiu ao Partido do Proletariado na Pol\u00f4nia, num momento em que o Partido sofria uma grande repress\u00e3o. Entre as suas primeiras a\u00e7\u00f5es conta-se a sua participa\u00e7\u00e3o na greve geral que mobilizou milhares de oper\u00e1rios. O governo executou quatro dos l\u00edderes do partido. Rosa e outros reuniam-se em segredo, j\u00e1 que muitos deles constavam na lista da pol\u00edcia. Um camarada aconselhou-a a partir para a Su\u00ed\u00e7a, o que ela fez em 1889.<\/p>\n<p>A Su\u00ed\u00e7a nessa \u00e9poca era o centro de muitos emigrados da R\u00fassia e da Pol\u00f4nia \u2013 incluindo o grupo Emancipa\u00e7\u00e3o do Trabalho dos marxistas russos, fundado em 1883 por Georgi Plekhanov, Vera Zasulich e Leo Deutsch. Rosa entrou para a Universidade de Zurique (juntamente com Leo Jogiches, o marxista lituano que seria seu companheiro at\u00e9 ao fim da vida). Uma aluna brilhante, Rosa escreveu a sua disserta\u00e7\u00e3o de doutoramento sobre &#8220;O Desenvolvimento Industrial da Pol\u00f4nia&#8221;. Com Jogiches, fundou o Partido Social Democr\u00e1tico do Reino da Pol\u00f4nia e da Litu\u00e2nia \u2013 o principal partido dos marxistas polacos e lituanos.<\/p>\n<p>A Alemanha, nessa \u00e9poca, era o centro do movimento oper\u00e1rio. Era tamb\u00e9m o centro do pensamento e da a\u00e7\u00e3o marxistas. O principal partido marxista era o Partido Social Democr\u00e1tico da Alemanha (PSD). Rosa partiu da Su\u00ed\u00e7a para Berlim em 1898 e assumiu a nacionalidade alem\u00e3. Rosa envolveu-se inicialmente em quest\u00f5es polonesas, visto que o PSD tinha interesse em se implantar na Pol\u00f4nia sob controle alem\u00e3o. Mas cedo se tornou claro que Rosa n\u00e3o estava interessada em ser apenas uma especialista na Pol\u00f4nia. Sentia-se atra\u00edda por outros debates.<\/p>\n<p>O socialismo alem\u00e3o estava dividido em dois campos principais e rivais: a tend\u00eancia revolucion\u00e1ria e a tend\u00eancia revisionista. Os revisionistas defendiam atuar dentro do sistema e refor\u00e7ar o papel parlamentar. O seu principal porta-voz era Eduard Bernstein. Bernstein defendia que o PSD tinha de se movimentar numa agenda liberal, para obrigar o estado alem\u00e3o a respeitar as suas leis, e pressionar o estado a ser generoso para a classe oper\u00e1ria. A dire\u00e7\u00e3o do estado alem\u00e3o j\u00e1 estava inclinada para o socialismo; a fun\u00e7\u00e3o do PSD era pression\u00e1-lo nessa via evolutiva. Era este o revisionismo que Rosa condenava no folheto Reforma ou Revolu\u00e7\u00e3o. Rosa achava que a contradi\u00e7\u00e3o entre o capital e a classe oper\u00e1ria s\u00f3 podia ser eliminada se o proletariado conquistasse o poder e transformasse o processo de produ\u00e7\u00e3o. Isso nunca poderia ser poss\u00edvel atrav\u00e9s do &#8220;socialismo evolutivo&#8221;.<\/p>\n<p>A ala esquerda do PSD, formada por August Bebel, Karl Kautsky, Wilhelm Liebknecht e Rosa Luxemburgo, opunha-se a Bernstein. Coube a Rosa, que s\u00f3 estava na Alemanha h\u00e1 dois anos, enfrentar Bernstein. O seu brilhante ensaio, Reforma ou Revolu\u00e7\u00e3o, publicado em 1900, abalou o Partido. O ensaio levanta algumas quest\u00f5es fundamentais que se mant\u00eam relevantes mais de cem anos depois. Tra\u00e7a de forma simples, l\u00facida e sem ambiguidades, a rela\u00e7\u00e3o entre t\u00e1tica e estrat\u00e9gia. Mostra que n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o entre lutas pela reforma social dentro do sistema. Rosa n\u00e3o subestima a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o em elei\u00e7\u00f5es. Sublinha o uso dos mecanismos fornecidos pelo capitalismo, que podem ajudar a mobilizar as pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso recordar que uma evolu\u00e7\u00e3o de certo modo paralela estava ocorrendo na R\u00fassia, e que levaria \u00e0 divis\u00e3o entre os bolcheviques e os mencheviques. Tamb\u00e9m a\u00ed algumas das principais diferen\u00e7as estavam na quest\u00e3o do parlamentarismo e no veneno do economicismo. J\u00e1 nessa \u00e9poca, o panfleto de Rosa sobre as teorias de Bernstein tinha lan\u00e7ado novas bases na an\u00e1lise dos diferentes aspectos do revisionismo e das suas ra\u00edzes de classe. Assim, podemos dizer que a contribui\u00e7\u00e3o de Rosa para a luta internacional contra a colabora\u00e7\u00e3o de classes n\u00e3o teve menos import\u00e2ncia que qualquer outra.<\/p>\n<p>Contudo, a teoria apenas n\u00e3o era suficiente para esta revolucion\u00e1ria brilhante. Estava sempre no centro da a\u00e7\u00e3o. Em 1905, quando ocorreu o primeiro levante revolucion\u00e1rio na R\u00fassia, Rosa infiltrou-se no partido da Pol\u00f4nia dominado pelos russos. Todas as reuni\u00f5es estavam proibidas, mas os oper\u00e1rios continuavam a fazer reuni\u00f5es nos seus redutos, as f\u00e1bricas. Rosa levou um documento, ilegalmente, e distribuiu-o entre os oper\u00e1rios. Foi detida e presa em mar\u00e7o de 1906. Ao fim de quatro meses, as autoridades libertaram-na, devido \u00e0 sua m\u00e1 sa\u00fade e ao seu passaporte alem\u00e3o. Foi expulsa do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as de Rosa com os revisionistas, assim como com o grupo liderado por Karl Kautsky foram-se tornando mais agudas e mais intensas. Ela previa o perigo da guerra e do militarismo motivado pelas ambi\u00e7\u00f5es imperialistas das classes dirigentes alem\u00e3s, e estava convencida de que a guerra era inevit\u00e1vel. Rosa receava fortemente que as tend\u00eancias revisionistas no seu partido e em muitos outros partidos socialistas europeus transformassem uma guerra imperialista para conquistas imperialistas num banho de sangue de oper\u00e1rios contra oper\u00e1rios num frenesi nacionalista, que destru\u00edssem o potencial revolucion\u00e1rio nessa situa\u00e7\u00e3o. Escreveu uma s\u00e9rie de ensaios contra o militarismo e contra o Kaiser. Vivendo na Alemanha, na barriga da besta, por assim dizer, n\u00e3o admira que a luta dela contra o chauvinismo nacional precedesse a luta liderada posteriormente por Lenine, na Segunda Internacional. Foi presa diversas vezes, mas usou o tempo na pris\u00e3o para escrever mais artigos.<\/p>\n<p>Em 1907, Rosa conheceu L\u00eanin por ocasi\u00e3o da comemora\u00e7\u00e3o do Dia do Partido Oper\u00e1rio Social-Democrata Russo. N\u00e3o h\u00e1 registo do que ocorreu nesse encontro. Ambos partilhavam uma compreens\u00e3o comum quanto \u00e0 necessidade de combater a tend\u00eancia revisionista que estava imperando em muitos partidos da Europa. Pouco depois deste encontro, ela assistiu \u00e0 segunda confer\u00eancia internacional dos Socialistas em Estugarda, onde apresentou uma mo\u00e7\u00e3o, que foi aceita, para que todos os partidos oper\u00e1rios se unissem em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra. Na confer\u00eancia de Stuttgart, Rosa apoiou as brilhantes iniciativas da sua camarada Clara Zetkin, para p\u00f4r na ordem de trabalhos da confer\u00eancia os problemas das mulheres oper\u00e1rias.<\/p>\n<p>Rosa escreveu muitas das suas importantes obras entre 1907 e o seu assassinato em 1919. Em 1913, participou no debate sobre a acumula\u00e7\u00e3o de capital com a Acumula\u00e7\u00e3o de Capital: Uma Contribui\u00e7\u00e3o para a Explica\u00e7\u00e3o do Imperialismo. Rosa observava a extens\u00e3o do capitalismo nas \u00e1reas economicamente atrasadas e as contradi\u00e7\u00f5es internas que isso criava no seio do sistema capitalista. Defendia que o imperialismo \u00e9 uma consequ\u00eancia direta das leis internas da acumula\u00e7\u00e3o capitalista. O capitalismo, por outras palavras, tem tend\u00eancia para o imperialismo. N\u00e3o pode haver luta contra o capitalismo que n\u00e3o seja simultaneamente uma luta contra o imperialismo. &#8220;O supremo objetivo do socialismo&#8221;, escreveu na pris\u00e3o, &#8220;s\u00f3 ser\u00e1 realizado pelo proletariado internacional quando este se levantar contra o imperialismo em todos os seus aspetos e, com toda a sua for\u00e7a e a coragem de fazer sacrif\u00edcios extremos, fizer do slogan &#8220;Guerra \u00e0 guerra&#8221; o guia de orienta\u00e7\u00e3o da sua pr\u00e1tica pol\u00edtica&#8221;.<\/p>\n<p>Todas as suas energias eram dedicadas a organizar e mobilizar atrav\u00e9s do trabalho direto, atrav\u00e9s dos seus escritos, atrav\u00e9s da sua participa\u00e7\u00e3o em numerosas reuni\u00f5es contra a guerra iminente. Os seus esfor\u00e7os eram organizar uma greve geral se a guerra rebentasse. Escreveu: &#8220;O militarismo, nas suas duas formas \u2013 enquanto guerra e enquanto paz armada \u2013 \u00e9 um filho leg\u00edtimo, um resultado l\u00f3gico do capitalismo, que s\u00f3 pode ser vencido com a destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo, e da\u00ed quem quer que deseje honestamente a paz mundial e a liberta\u00e7\u00e3o da terr\u00edvel amea\u00e7a dos armamentos tamb\u00e9m tem de desejar o socialismo&#8221;.<\/p>\n<p>Em 1910, Rosa e os seus camaradas do PSD, incluindo Karl Liebknecht, Clara Zetkin e Franz Mehring, chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que o PSD n\u00e3o alteraria a sua posi\u00e7\u00e3o revisionista. Romperam com o PSD, formando um grupo separado e se intitularam Internacionalistas. Este grupo evoluiu depois para o Spartakusbund (Liga Esp\u00e1rtaco) e depois para o Partido Comunista da Alemanha. As suas atividades contra a guerra levaram a uma s\u00e9rie de processos contra ela que a acusavam de &#8220;incitar \u00e0 desobedi\u00eancia contra a lei e a ordem&#8221;.<\/p>\n<p>Em agosto de 1914, o imp\u00e9rio alem\u00e3o declarou guerra contra a R\u00fassia. No dia seguinte, os representantes do PSD no parlamento aprovaram o financiamento da guerra e a mobiliza\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria. Ao mesmo tempo, o PSD concordou numas tr\u00e9guas com o governo, prometendo abster-se de quaisquer greves durante a guerra. A Liga Esp\u00e1rtaco liderada por Liebknecht e Rosa condenou esta trai\u00e7\u00e3o. Lutaram veementemente contra ela. Rosa escreveu um brilhante panfleto anti-guerra, intitulado A Crise da Social Democracia, sob o pseud\u00f3nimo de Junius. Dentro de um ano, Rosa e Liebknecht foram detidos.<\/p>\n<p>O descontentamento na Alemanha aumentava na propor\u00e7\u00e3o das perdas sofridas durante a guerra. Na R\u00fassia, os bolcheviques sob a lideran\u00e7a de L\u00eanin conseguiram transformar a devasta\u00e7\u00e3o da guerra no grito un\u00edssono para a derrubada do czar. Rosa Luxemburgo estava na cadeia quando, sob a lideran\u00e7a de L\u00eanin e do partido bolchevique, foi institu\u00eddo na R\u00fassia o primeiro estado de oper\u00e1rios. O imp\u00e9rio alem\u00e3o recusava-se a aceitar que a guerra estava perdida. Mas o impacto da Revolu\u00e7\u00e3o Russa ganhou um \u00edmpeto avassalador na Alemanha. Em novembro houve uma revolta de 40 000 marinheiros da Marinha Imperial Alem\u00e3. Em Kiel, conselhos de oper\u00e1rios e de soldados, segundo o modelo dos sovietes, assumiram o controle de algumas partes da Alemanha. O Kaiser abdicou pouco depois. Rosa e Liebknecht foram libertados da pris\u00e3o no mesmo m\u00eas. Mas o Conselho de Kiel n\u00e3o durou muito. Mais uma vez o PSD traiu a causa socialista. O seu l\u00edder na \u00e9poca, Friedrich Ebert, assumiu o governo. Como os acontecimentos vieram a demonstrar, Ebert e o PSD agiram como agentes das classes dominantes.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1919, houve mais uma revolta e cresceu em Berlim uma segunda onda revolucion\u00e1ria. Rosa mostrou-se menos entusiasmada, sabendo que n\u00e3o havia hip\u00f3tese de \u00eaxito, mas apoiou os oper\u00e1rios. Por instru\u00e7\u00f5es do governo liderado pelo PSD, come\u00e7ou a repress\u00e3o contra os revolucion\u00e1rios. Em 15 de janeiro, as for\u00e7as paramilitares alvejaram centenas de oper\u00e1rios. Foram detidos milhares. Rosa e Liebknecht foram presos. Foram brutalmente executados. A ordem voltou a reinar em Berlim. O corpo de Rosa foi atirado ao rio. Foi encontrado cinco meses depois.<\/p>\n<p>\u00c9 uma injusti\u00e7a hist\u00f3rica que Rosa Luxemburgo n\u00e3o tenha encontrado o local que merece nos anais do movimento comunista internacional. \u00c9 verdade que, em algumas quest\u00f5es importantes, as posi\u00e7\u00f5es de Rosa provaram ser incorretas. Criticou o conceito leninista de um partido centralizado numa \u00e9poca em que, sem isso, a revolu\u00e7\u00e3o teria ficado extremamente vulner\u00e1vel. Posteriormente, depois do seu assassinato brutal e dos subsequentes desenvolvimentos na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, os que se opunham ao Partido usaram a obra dela para atacar seletivamente a dire\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Isso pode ter contribu\u00eddo para a relut\u00e2ncia de incluir Rosa como uma das personalidades comunistas. Mas isso era contr\u00e1rio \u00e0 abordagem de L\u00eanin na avalia\u00e7\u00e3o do trabalho desta grande revolucion\u00e1ria. Escrevendo sobre a utiliza\u00e7\u00e3o incorreta ou seletiva dos artigos dela sobre determinadas quest\u00f5es pelos revisionistas da Segunda Internacional, em especial sobre a quest\u00e3o de um partido centralizado, L\u00eanin escreveu sobre Rosa, nas suas &#8220;Notas de um Publicista&#8221;:<\/p>\n<p>&#8220;Devemos responder a isto citando duas linhas de uma boa antiga f\u00e1bula russa: as \u00e1guias podem por vezes voar mais baixo do que as galinhas, mas as galinhas nunca podem atingir as alturas da \u00e1guia\u2026 apesar dos seus erros, ela era \u2013 e continuar\u00e1 a ser \u2013 uma \u00e1guia e n\u00e3o s\u00f3 os comunistas do mundo inteiro afagar\u00e3o a mem\u00f3ria dela, como a biografia dela e as suas obras completas (cuja publica\u00e7\u00e3o os comunistas alem\u00e3es est\u00e3o adiando indevidamente, o que em parte s\u00f3 pode ser desculpado pelas terr\u00edveis perdas que t\u00eam sofrido nas suas pesadas lutas) servir\u00e3o de \u00fateis manuais para treinar muitas gera\u00e7\u00f5es de comunistas por todo o mundo&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente porque a obra de Rosa foi muito al\u00e9m dos &#8220;erros&#8221; referidos por L\u00eanin, que ele queria a publica\u00e7\u00e3o de todas as obras dela. Ela foi preponderante na luta contra o revisionismo no Partido Social Democrata alem\u00e3o, contra veteranos como Bernstein e Kautsky. Era uma verdadeira internacionalista, recusando-se a aceitar as posi\u00e7\u00f5es ultranacionalistas dos social-democratas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra. Acreditava na luta de classes. Se as suas formula\u00e7\u00f5es quanto aos perigos da super centraliza\u00e7\u00e3o estavam erradas em rela\u00e7\u00e3o ao partido com L\u00eanin, n\u00e3o se pode negar que, nos anos subsequentes, muitos dos perigos para os quais ela alertava ocorreram em muitos dos primeiros pa\u00edses socialistas. Sofreu o mart\u00edrio apenas um m\u00eas depois de a Liga Esp\u00e1rtaco se transformar num partido comunista. N\u00e3o teve a oportunidade de consolidar o partido rec\u00e9m-formado, que foi desmantelado depois da morte dos seus l\u00edderes. Portanto, n\u00e3o teve a oportunidade de rever as suas ideias anteriores de que um partido de massas podia ser espontaneamente formado por um movimento de oper\u00e1rios. A experi\u00eancia hist\u00f3rica mostrou a validade e a necessidade do conceito de L\u00eanin de um partido baseado no centralismo democr\u00e1tico. Apesar disso, as grosseiras distor\u00e7\u00f5es na pr\u00e1tica do centralismo democr\u00e1tico nos primeiros pa\u00edses socialistas justificam uma profunda aten\u00e7\u00e3o \u00e0s cr\u00edticas feitas por Rosa Luxemburgo, n\u00e3o para rejeitar o centralismo democr\u00e1tico, mas para instituir controles contra a super centraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, outro fator na marginaliza\u00e7\u00e3o do trabalho de Rosa, para al\u00e9m do \u00f3bvio desagrado dos l\u00edderes dos partidos institu\u00eddos na Alemanha e na Pol\u00f4nia e a distor\u00e7\u00e3o do legado dela \u00e9 sem d\u00favida o fator oculto de que a amea\u00e7a na batalha ideol\u00f3gica fosse proveniente de uma mulher. O que devemos real\u00e7ar aqui \u00e9 que Rosa Luxemburgo lutou pelas suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sem freios. As mulheres desempenharam um forte papel no PSD, mas poucas mulheres eram levadas a s\u00e9rio enquanto te\u00f3ricas. Rosa, atrav\u00e9s da sua obra, questionava indiretamente os estere\u00f3tipos de g\u00eanero, n\u00e3o s\u00f3 para si mesma, mas, ao afirmar a sua posi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m punha em causa no\u00e7\u00f5es patriarcais e a din\u00e2mica de g\u00eanero no seio do partido, assentando assim os tijolos para aparecerem outras mulheres revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Clara Zetkin, grande amiga e camarada de Rosa, numa homenagem comovente, disse: &#8220;Ela era a espada, ela era a chama da revolu\u00e7\u00e3o. Rosa Luxemburgo permanecer\u00e1 sempre uma das maiores figuras da hist\u00f3ria do socialismo internacional&#8221;. Ela merece.<\/p>\n<p>[*] Da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica do Comit\u00ea Central do PCI, tendo sido a primeira mulher a nele ingressar.<\/p>\n<p>O original encontra-se em peoplesdemocracy.in\/&#8230; . Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira.<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em https:\/\/resistir.info\/ .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26983\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[233],"class_list":["post-26983","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-71d","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26983\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}