{"id":26991,"date":"2021-03-11T21:00:20","date_gmt":"2021-03-12T00:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=26991"},"modified":"2021-03-11T21:00:20","modified_gmt":"2021-03-12T00:00:20","slug":"o-triunfo-da-barbarie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26991","title":{"rendered":"O Triunfo da Barb\u00e1rie"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3eOjkLiBEzmU4tRf0NbL1aQW-SMj21cOSzqgtS7Lxkkm-3q93w-njEgqwNG_jgEqO-EtrcX8IrGVnvaRcPQXDHs130tEaEK4c-Eo1KrxilzpZK46p2UZcElZSQTJNXdi6PhSvGMcpEisCcmE4A4BnuR=s705-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->H. Suricatto- militante da UJC e do PCB de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>I<\/p>\n<p>H\u00e1 exatamente um ano, a quarentena come\u00e7ava pra valer em muitos lugares do Brasil. N\u00e3o havia ainda muitas mortes confirmadas, mas as not\u00edcias vindas da It\u00e1lia e da China assustavam. Medidas mais duras poderiam ter sido executadas, um lockdown (tranca\u00e7o) de fato e aliado a medidas de conten\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, como viria a cumprir parcialmente o aux\u00edlio emergencial, proposta vinda da oposi\u00e7\u00e3o parlamentar. Na contram\u00e3o do Ministro da Economia, que queria R$ 200 de in\u00edcio, a C\u00e2mara dos Deputados, mais &#8220;sens\u00edvel&#8221; aos interesses de suas bases eleitorais, deu truco de R$ 500 e o Governo cedeu em R$ 600 reais a partir de abril de 2020.<\/p>\n<p>O senso comum das massas atribuiu o \u00eaxito do aux\u00edlio emergencial ao pr\u00f3prio Bolsonaro, que oportunista competente que \u00e9, capitalizou todo o \u00eaxito do programa emergencial de transfer\u00eancia de renda para si, saboreando o populismo propriamente dito. Conversando com os prolet\u00e1rios na espont\u00e2nea sobre estas quest\u00f5es, sobretudo os benefici\u00e1rios do programa, e muitos agradeceriam a Bolsonaro por esse programa. N\u00e3o foi de surpreender que tivesse efeito imediato nos \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o do Governo.<\/p>\n<p>Esse programa emergencial foi necess\u00e1rio para atenuar a mis\u00e9ria absoluta que se abatia sobre as massas de trabalhadores informais e desempregados, que do dia pra noite se viram sem renda e precisavam sobreviver; logo, sairiam mais para as ruas e se sujeitariam \u00e0s piores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de trabalho do ponto de vista sanit\u00e1rio para ter o que comer.<\/p>\n<p>Mas as leis da (cr\u00edtica da) economia pol\u00edtica s\u00e3o perversas: a transfer\u00eancia de renda n\u00e3o gera em si riqueza social, pois ela \u00e9 mera transfer\u00eancia de outras fontes e o Capital exige contrapartidas de outros lugares. A infla\u00e7\u00e3o sobre os produtos de primeira necessidade (alimentos da cesta b\u00e1sica, tarifas de luz, g\u00e1s e combust\u00edveis e produtos de higiene e limpeza) corr\u00f3i a renda do aux\u00edlio e for\u00e7ou novamente essa massa mais tarde a se lan\u00e7ar \u00e0s ruas em suas atividades informais para correr atr\u00e1s do poder de compra perdido. A diminui\u00e7\u00e3o gradual do aux\u00edlio at\u00e9 o final de 2020 potencializou esse movimento.<\/p>\n<p>Outro grupo que sofreu bastante foram os demitidos da pandemia, vindos sobretudo do com\u00e9rcio e dos servi\u00e7os, os quais ocupavam postos de trabalho assalariados mal remunerados e de f\u00e1cil descarte pelo mercado de trabalho por conta da baixa qualifica\u00e7\u00e3o exigida. O problema \u00e9 que estes postos s\u00e3o a maioria de muitas cidades grandes e m\u00e9dias, s\u00e3o as \u00e1reas onde mais se emprega trabalhadores no regime CLT e isso teria grande impacto n\u00e3o s\u00f3 na taxa de desemprego, mas tamb\u00e9m na maior concorr\u00eancia entre o Ex\u00e9rcito Industrial de reserva nas filas do desemprego e nas j\u00e1 inchadas atividades informais. Cenas como as vistas no Br\u00e1s, no centro de S\u00e3o Paulo, em dezembro de 2020, com brigas violentas entre ambulantes, se repetem cada vez mais nas regi\u00f5es onde os ambulantes concentram-se mais.<\/p>\n<p>II<\/p>\n<p>Diante de toda essa press\u00e3o, o programa emergencial da crise do PCB trazia consigo reivindica\u00e7\u00f5es que combinavam com efetivas medidas a permitir o isolamento social, como a aboli\u00e7\u00e3o dos despejos e suspens\u00e3o dos alugu\u00e9is, resid\u00eancias e dos pequenos estabelecimentos comerciais, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas e produtos de higiene, limpeza e de m\u00e1scaras seguras para a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, em suma, muitos dos pontos colocados pelo programa do nosso partido, lastreado nas efetivas necessidades dos trabalhadores, sequer foram feitas pelo Estado. Se n\u00e3o fossem as a\u00e7\u00f5es pontuais descentralizadas, muitas vezes tocadas por bravos lutadores em socorro \u00e0 nossa classe em brigadas de solidariedade, a barb\u00e1rie teria sido bem maior e o oportunismo bolsonarista de est\u00edmulo ao caos teria triunfado por completo.<\/p>\n<p>Os trabalhadores s\u00e3o obrigados a se sujeitar ao transporte lotado, \u00e0 viol\u00eancia urbana e \u00e0 repress\u00e3o policial, \u00e0 prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica e de uma educa\u00e7\u00e3o embrutecedora, ao aumento da infla\u00e7\u00e3o e \u00e0 consequente carestia que se abate sobre suas fam\u00edlias. Riem pra dentro quando veem a intelligentsia chamada pela imprensa clamando pela defesa da democracia, quando em seus locais de trabalho sequer h\u00e1 democracia e n\u00e3o encontram na maioria das entidades que os deveria defender qualquer ajuda em defesa s\u00e9ria dos seus direitos.<\/p>\n<p>III<\/p>\n<p>A barb\u00e1rie, meus camaradas e companheiros, infelizmente foi naturalizada, j\u00e1 era naturalizada antes da pandemia e a COVID-19 \u00e9 s\u00f3 mais uma barb\u00e1rie das v\u00e1rias barb\u00e1ries que j\u00e1 se batem sobre nossa classe. E nada colaborou mais para essa aceita\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de todas estas viol\u00eancias que o desarme da organiza\u00e7\u00e3o independente de nossa classe, promovida pela concilia\u00e7\u00e3o de classes em comum acordo com a burguesia para se manter no poder. O curioso \u00e9 que os mesmos que promoveram a desorganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e enfiaram goela abaixo a barb\u00e1rie s\u00e3o os mesmos que, choramingando pela aus\u00eancia de uma contesta\u00e7\u00e3o maior e organizada ao governo Bolsonaro, clamam por uma rea\u00e7\u00e3o insurgente contra o Governo.<\/p>\n<p>Giram tudo para o institucional, sufocam a organiza\u00e7\u00e3o independente e coletiva da classe, apagam suas tradi\u00e7\u00f5es de luta e n\u00e3o fazem nenhum esfor\u00e7o real para organiz\u00e1-la sob estes termos, sen\u00e3o para ser massa eleitoral para 2022, sendo c\u00famplice desta barb\u00e1rie. Se \u00e9 consciente ou n\u00e3o depende muito de um grupo pra outro, de um indiv\u00edduo para outro.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o \u00e9 a m\u00ednima movimenta\u00e7\u00e3o da esquerda revolucion\u00e1ria contra as aspira\u00e7\u00f5es golpistas de Bolsonaro no meio de 2020 &#8211; a \u00fanica oposi\u00e7\u00e3o consequente ao Governo &#8211; estar\u00edamos em uma situa\u00e7\u00e3o muito, mas muito pior. Devemos nos orgulhar desta iniciativa, mas ela \u00e9 insuficiente para dar conta das tarefas colocadas ao conjunto dos revolucion\u00e1rios nesta conjuntura onde j\u00e1 perdemos 270 mil pessoas para esta doen\u00e7a, onde milh\u00f5es de brasileiros foram lan\u00e7ados a pobreza e mis\u00e9ria e pelas particularidades de nossa desgra\u00e7a, se n\u00e3o nos movimentar-nos est\u00e1 longe de acabar.<\/p>\n<p>IV<\/p>\n<p>Os trabalhadores n\u00e3o devem mais aceitar este estado permanente de mis\u00e9ria e barb\u00e1rie, precisam ter mais que a consci\u00eancia de toda esta condi\u00e7\u00e3o \u2013 pois j\u00e1 tem, mas procurar superar de forma coletiva, n\u00e3o aceitar essa desumaniza\u00e7\u00e3o para si e para os seus pares, encontrar em n\u00f3s, a vanguarda consequente, a sa\u00edda. Devemos reorganiz\u00e1-la dentro de suas demandas para lutar contra o Governo e derrub\u00e1-lo.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos como a falsa oposi\u00e7\u00e3o ao Governo, seja a direita, seja a &#8220;ex-querda&#8221;, que fazem os c\u00e1lculos para 2022 em cima de seus projetos mesquinhos de poder sobre as v\u00edtimas da doen\u00e7a. A rejei\u00e7\u00e3o ao Governo \u00e9 maior que sua aprova\u00e7\u00e3o, mas os seus apoiadores est\u00e3o bem mais organizados e coesos que qualquer oposi\u00e7\u00e3o. As tarefas colocadas aos comunistas depois de um ano de pandemia no Brasil continuam atuais. \u00c9 necess\u00e1rio estar junto \u00e0 classe na supera\u00e7\u00e3o de suas dificuldades, erguer e fortalecer as brigadas de solidariedade, usar a agita\u00e7\u00e3o e propaganda para organiz\u00e1-la em torno de nossas palavras de ordem para al\u00e9m do apoio passivo, mas para a a\u00e7\u00e3o coletiva pela defesa da vacina\u00e7\u00e3o em massa, da retomada dos empregos, contra o aumento dos pre\u00e7os e em defesa do SUS p\u00fablico e da perman\u00eancia do aux\u00edlio enquanto o estado de emerg\u00eancia durar.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nenhum exagero afirmar que estas palavras de ordem encontram converg\u00eancia numa \u00fanica palavra de ordem capaz de mobilizar, por diferentes interesses de classe, amplos setores da sociedade, mas apenas os comunistas podem levar at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias e fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o de nossa classe: FORA BOLSONARO E MOUR\u00c3O!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26991\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[225],"class_list":["post-26991","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-71l","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26991","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26991"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26991\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26991"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26991"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26991"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}