{"id":270,"date":"2010-01-25T22:39:13","date_gmt":"2010-01-25T22:39:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=270"},"modified":"2010-01-25T22:39:13","modified_gmt":"2010-01-25T22:39:13","slug":"a-politica-da-administracao-obama-ameaca-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/270","title":{"rendered":"A POL\u00cdTICA DA ADMINISTRA\u00c7\u00c3O OBAMA AMEA\u00c7A A HUMANIDADE"},"content":{"rendered":"\n<p>Os media ocidentais dedicam aten\u00e7\u00e3o m\u00ednima a iniciativas que se integram na expans\u00e3o planet\u00e1ria do militarismo estadounidense. Mas esse sil\u00eancio n\u00e3o impede que ela seja uma realidade.<\/p>\n<p>O AFRICOM<\/p>\n<p>A recente visita a pa\u00edses africanos do general William Garnett \u2013 \u00e9 um exemplo \u2013 passou praticamente despercebida. Acontece que esse chefe militar foi dinamizar o AFRICOM, sigla que designa o comando do ex\u00e9rcito permanente dos EUA a ser instalado na \u00c1frica. A miss\u00e3o do general Garnett consistiu precisamente em contactos de alto n\u00edvel com o objectivo de encontrar uma sede para esse ex\u00e9rcito, cuja cria\u00e7\u00e3o foi aprovada h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>Sabe-se que at\u00e9 \u00e0 data somente dois pa\u00edses, a Lib\u00e9ria e Marrocos mostraram disponibilidade para receber o AFRICOM. O general esbarrou, entretanto, com uma recusa frontal da Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica do Sul, SADC, organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane 15 pa\u00edses do Sul do Continente, incluindo Angola e Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Dois s\u00e3o os objectivos do AFRICOM. Segundo a Casa Branca, o principal seria o combate ao terrorismo e o fortalecimento dos \u00abregimes democr\u00e1ticos\u00bb da Regi\u00e3o. O outro seria incentivar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas dos EUA com a \u00c1frica.<\/p>\n<p>Na realidade esse ex\u00e9rcito foi concebido como for\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o para apoiar governos aliados do Continente na sua luta contra movimentos progressistas. Paralelamente, a presen\u00e7a militar dos EUA criaria condi\u00e7\u00f5es muito favor\u00e1veis ao controlo do petr\u00f3leo e dos enormes recursos mineiros africanos.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o se decide qual o pa\u00eds sede do AFRICOM, o Pent\u00e1gono mant\u00e9m for\u00e7as nas Seychelles e em Djibuti (antiga Som\u00e1lia Francesa). Foi a partir da\u00ed que avi\u00f5es n\u00e3o tripulados (os famosos drone) bombardearam a Som\u00e1lia. O general William Ward, do AFRICOM, afirmou recentemente que a Som\u00e1lia \u00e9 hoje um \u00abobjectivo central do ex\u00e9rcito dos EUA no Continente\u00bb.<\/p>\n<p>Simultaneamente a NATO amplia a sua presen\u00e7a no \u00cdndico.<\/p>\n<p>IEMEN<\/p>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o da nova estrat\u00e9gia dos EUA para o \u00cdndico e o Corno de \u00c1frica foi acompanhada no in\u00edcio de Janeiro de uma intensa ofensiva medi\u00e1tica.<\/p>\n<p>O fracassado atentado terrorista de um nigeriano contra o avi\u00e3o da Norwest Airlines que se dirigia a Detroit funcionou como alavanca de uma campanha que atrav\u00e9s de supostas liga\u00e7\u00f5es desse jovem catapultou o I\u00e9men para as manchetes da comunica\u00e7\u00e3o social. De um dia para o outro aquele esquecido pais do Sudeste da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica passou a ser apontado como o foco principal da Al Qaeda e uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a dos EUA.<\/p>\n<p>Uma massa torrencial de informa\u00e7\u00f5es falsas foi difundida pelo planeta numa repeti\u00e7\u00e3o do que acontecera em 2004 nas v\u00e9speras da agress\u00e3o ao Iraque quando Washington forjou o mito das \u201carmas de extin\u00e7\u00e3o maci\u00e7a\u201d como pretexto para a invas\u00e3o.<\/p>\n<p>O general Petraeus, comandante supremo dos EUA para o M\u00e9dio Oriente e a \u00c1sia Central, visitou Sana, onde foi prometer ao presidente do I\u00e9men, Ali Abdullah Saleh, um aliado, um grande aumento da \u00abajuda\u00bb norte-americana que no ano passado j\u00e1 ascendera a 67 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>O presidente Obama, em Washington, falou do \u00abperigo iemenita\u00bb e o primeiro-ministro brit\u00e2nico, Gordon Brown, apressou-se a alinhar com a Casa Branca e a 3 de Janeiro afirmou em entrevista \u00e0 BBC: \u00abtemos que fazer algo mais\u00bb no I\u00e9men e na Som\u00e1lia.<\/p>\n<p>Quase simultaneamente, o assessor de Obama para a seguran\u00e7a nacional e o antiterrorismo, John Brennan, foi mais longe: \u00abconvertemos o I\u00e9men -informou \u2013 numa prioridade para este ano\u00bb.<\/p>\n<p>A agress\u00e3o militar precedeu, entretanto, essas declara\u00e7\u00f5es oficiais.<\/p>\n<p>Nem Obama, nem Petraeus, nem Brennan esclareceram que a for\u00e7a a\u00e9rea dos EUA bombardeou intensamente o territ\u00f3rio iemenita em Dezembro com m\u00edsseis Cruzeiro e avi\u00f5es n\u00e3o tripulados em opera\u00e7\u00f5es coordenadas com o ex\u00e9rcito da Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Num bem documentado artigo, divulgado por Global Research, Rick Rozoff revela pormenores dessas ac\u00e7\u00f5es militares e das iniciativas politicas que acompanham a escalada imperialista no I\u00e9men.<\/p>\n<p>O encerramento, seguido da imediata reabertura, das embaixadas dos EUA, do Reino Unido e na Fran\u00e7a, foi uma farsa montada com o objectivo de impressionar norte-americanos e europeus e neutralizar eventuais reac\u00e7\u00f5es de protesto contra a abertura de uma nova frente de guerra no I\u00e9men.<\/p>\n<p>Os guerrilheiros das tribos houthis, chiitas, que combatem o Governo de Saleh no Norte, s\u00e3o apresentadas por Washington como perigosos terroristas da Al Qaeda. O mesmo acontece com as for\u00e7as do Partido Socialista do I\u00e9men que, no Sul, lutam pela autonomia que lhes \u00e9 negada.<\/p>\n<p>Segundo porta vozes dos houthy, a Ar\u00e1bia Saudita disparou em Dezembro mais de mil m\u00edsseis contra os seus acampamentos numa guerra n\u00e3o declarada. O n\u00famero de v\u00edtimas civis dos bombardeamentos norte-americanos na \u00e1rea seria muito elevado.<\/p>\n<p>\u00abA pretexto de proteger o territ\u00f3rio dos EUA desta vaga e ub\u00edqua entidade (a Al Qaeda) \u2013 escreve Rick Rozoff \u2013 o Pent\u00e1gono est\u00e1 envolvido em opera\u00e7\u00f5es militares que v\u00e3o do ocidente africano ao leste da \u00c1sia contra grupos de esquerda e outros, n\u00e3o vinculados a Obama Ben Laden, na Col\u00f4mbia, nas Filipinas, e no I\u00e9men, mil\u00edcias chiitas no L\u00edbano e no I\u00e9men, rebeldes \u00e9tnicos no Mali e no N\u00edger, e uma rebeli\u00e3o crist\u00e3 extremista no Uganda.\u00bb A instala\u00e7\u00e3o de sete bases militares norte-americano na Col\u00f4mbia insere-se nessa escalada militarista global. Tamb\u00e9m na Am\u00e9rica Latina a estrat\u00e9gia da actual Administra\u00e7\u00e3o dos EUA \u00e9 mais agressiva e desrespeitadora da soberania dos povos do que a dos governos anteriores (ver odiario.info, 7 de Janeiro de 2010).<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o de uma iniciativa de suposta \u00abajuda humanit\u00e1ria \u00bb ao Haiti, devastado por um terramoto apocal\u00edptico, numa opera\u00e7\u00e3o militar, atrav\u00e9s do envio de uma for\u00e7a de mais de 15000 soldados que ocuparam o pa\u00eds , impondo discricionariamente a vontade de Washington \u2013 \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o da perigosa estrat\u00e9gia imperial da Administra\u00e7\u00e3o Obama.<\/p>\n<p>O discurso farisaico do Presidente dos EUA funciona, por\u00e9m, como um anest\u00e9sico das consci\u00eancias, dificultando muito a percep\u00e7\u00e3o da amea\u00e7a que representa para a humanidade a politica orientada para a domina\u00e7\u00e3o da humanidade pelo sistema de poder imperial.<\/p>\n<p>O discurso de fachada progressista mant\u00eam-se, mas \u00e9 negado a cada semana pelos actos. As medidas anunciadas na \u00e1rea financeira para punir abusos dos banqueiros de Wall Street e a corrup\u00e7\u00e3o dos senhores da finan\u00e7a s\u00e3o, concretamente, um exemplo da hipocrisia do discurso presidencial. Desde que tomou posse, a politica financeira de Obama tem sido orientada n\u00e3o para a solidariedade com a v\u00edtima da crise \u2013 o povo dos EUA \u2013 mas para a salva\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis, os banqueiros e as grandes empresas \u00e0 beira da fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Tendo perdido a hegemonia econ\u00f3mica exercida na segunda metade do s\u00e9culo XX, o sistema de poder estadounidense tenta, atrav\u00e9s da escalada militarista e do saque dos recursos dos povos do antigo Terceiro Mundo, prolongar a domina\u00e7\u00e3o do capitalismo \u00e0 escala universal, superando pela viol\u00eancia a crise estrutural que o afecta e o empurra para o desaparecimento.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a politica externa da Administra\u00e7\u00e3o Obama configura para a humanidade a mais perigosa amea\u00e7a por ela enfrentada desde o III Reich alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma derrota inevit\u00e1vel ser\u00e1 o desfecho do desafio imperialista. Mas vai tardar.<\/p>\n<p>Para lutar vitoriosamente contra essa amea\u00e7a \u00e9 imprescind\u00edvel que dezenas de milh\u00f5es de mulheres e homens progressistas tomem na Terra consci\u00eancia dessa realidade.<\/p>\n<p>Vila Nova de Gaia, 20 de Janeiro de 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\nMiguel Urbano Rodrigues\nRecentes iniciativas do Governo dos EUA confirmam que a actual Administra\u00e7\u00e3o, longe de renunciar a uma estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o mundial, se prop\u00f5e a ampli\u00e1-la em m\u00faltiplas frentes.\nAquilo que parecia imposs\u00edvel h\u00e1 um ano est\u00e1 a acontecer: a pol\u00edtica externa de Obama \u00e9 mais agressiva e perigosa para a \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina do que a de George Bush. Mas essa realidade n\u00e3o se tornou ainda evidente para as grandes maiorias, influenciadas pela campanha de \u00e2mbito mundial que apresenta o presidente dos EUA como um pol\u00edtico progressista e um defensor da paz.\nOs actos desmentem-lhe, porem, as promessas e a orat\u00f3ria.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/270\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-270","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4m","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/270\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}