{"id":2700,"date":"2012-04-18T23:55:42","date_gmt":"2012-04-18T23:55:42","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2700"},"modified":"2012-04-18T23:55:42","modified_gmt":"2012-04-18T23:55:42","slug":"pc-do-mexico-o-que-esta-na-ordem-do-dia-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2700","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o PCM nos 90 anos do PCB"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O que est\u00e1 na ordem do dia na Am\u00e9rica Latina?<\/strong><\/p>\n<p>Trabalho apresentado em nome do PCM no Semin\u00e1rio Internacional do PCB, na Semana dos 90 Anos do PCB, por Diego Torres, Segundo Secret\u00e1rio do Bureau Po\u00edtico do Comit\u00ea Central do PCM.<\/p>\n<p>Queridos camaradas,<\/p>\n<p>\u00c9 uma grande honra para n\u00f3s celebrar com nossos irm\u00e3os de classe os 90 anos de exist\u00eancia do Partido Comunista Brasileiro e, nesse marco, participar do Semin\u00e1rio Internacional: Crise do Capitalismo. A ofensiva imperialista e a luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>A crise se aprofunda.<\/p>\n<p>O contexto geral, sem nenhuma d\u00favida, continua sendo o desenvolvimento da crise de superacumula\u00e7\u00e3o e o seu agravamento. Nos \u00faltimos meses, temos assistido claramente dois de seus sintomas mais graves. O colapso social, que pode ser apreciado em v\u00e1rios lugares na Europa, principalmente na Gr\u00e9cia, Espanha, Irlanda, na regi\u00e3o do B\u00e1ltico, etc, e as crescentes tens\u00f5es b\u00e9licas entre os centros imperialistas, sobretudo na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio, mais especificamente na perigosa luta pelo controle dos fluxos de g\u00e1s, que come\u00e7a a se delinear sobre o terreno da S\u00edria e Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Em nossa regi\u00e3o, mais de uma vez durante os \u00faltimos anos, foram espalhados aos ventos pelas ag\u00eancias estat\u00edsticas governamentais, c\u00edrculos acad\u00eamicos e meios de comunica\u00e7\u00e3o, alguns dados otimistas com o intuito de negar o agravamento da crise. Estes dados se referem aos curt\u00edssimos per\u00edodos (de um a tr\u00eas meses, aos per\u00edodos isolados de 2010 ou princ\u00edpios de 2011, dependendo do pa\u00eds), durante os quais parecem coletar os \u00edndices de produ\u00e7\u00e3o industrial, aumentar os registros de emprego, o sal\u00e1rio nominal, reduzir a infla\u00e7\u00e3o, etc. Com o anterior, se chega a exclamar imprudentemente o \u201cfim da crise\u201d, o \u201ccar\u00e1ter exclusivamente estrangeiro da crise\u201d, a \u201cblindagem anticrises\u201d e outras express\u00f5es semelhantes, com o objetivo de confundir sobre a verdadeira magnitude e sentido do que vivemos. Estas express\u00f5es ap\u00f3iam diretamente a no\u00e7\u00e3o de que o que se deve impulsionar \u00e9 uma gest\u00e3o alternativa nos marcos do capitalismo.<\/p>\n<p>J\u00e1 citado separadamente em an\u00e1lises anteriores e de maneira conjunta nos artigos da primeira edi\u00e7\u00e3o da Revista Comunista Internacional, uma s\u00e9rie de Partidos Comunistas abordaram a natureza da crise, recha\u00e7ando as vis\u00f5es que o reduzem a um problema de gest\u00e3o neoliberal, e alertado a nossa classe sobre seu car\u00e1ter de crise geral do modo de produ\u00e7\u00e3o e sua previs\u00edvel longa dura\u00e7\u00e3o. Em torno dos dados otimistas manipulados na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 preciso esclarecer algumas coisas.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, os dados que se baseiam no curto per\u00edodo n\u00e3o comprovam, por si s\u00f3, que tenha existido uma reestrutura\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o desastre do primeiro impacto da crise, antes mesmo do retorno, em meados do ano passado, de dados de recess\u00e3o (no caso do Brasil, a economia parou de crescer entre julho e setembro de 2011, e falamos de um dos pa\u00edses que evitou durante maior tempo este fen\u00f4meno). Assim, o estancamento de 2010 e o \u201ccrescimento\u201d de 6% durante o ano de 2011, n\u00e3o cobrem o colapso de 16%, com rela\u00e7\u00e3o a 2008-2009. Al\u00e9m disso, os dados iniciais para 2012 n\u00e3o s\u00e3o dos melhores. Quanto ao PIB, o aumento m\u00e9dio de 5,9% de 2010 n\u00e3o supre o pior desempenho dos \u00faltimos 70 anos com rela\u00e7\u00e3o ao bi\u00eanio anterior e desaparece por completo ao surgirem, de novo, os sintomas de recess\u00e3o. Este \u00e9 o comportamento da crise capitalista: podem ocorrer breves per\u00edodos de uma d\u00e9bil recupera\u00e7\u00e3o antes que a curva volte a inverter-se com maior profundidade. Se me permitem a express\u00e3o, esta oscila\u00e7\u00e3o negativa arrasta os trabalhadores e as camadas oprimidas a uma miserabilidade ainda maior.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, em meio \u00e0 crise, o que buscam os monop\u00f3lios \u00e9 uma sa\u00edda para seus capitais estanques. Em todo o mundo se buscam mercados, mercadorias, a\u00e7\u00f5es, estoques, setores econ\u00f4micos etc., que permitam a possibilidade de transformar seu dinheiro em capital ativo, de giro, de absorver lucros enquanto se espera a ru\u00edna dos competidores. Em nossa regi\u00e3o, todos os mecanismos poss\u00edveis foram utilizados: transfer\u00eancia de reservas, fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es de empresas, fluxos de IED, empr\u00e9stimos, \u201cajudas financeiras\u201d, \u201cresgates\u201d de empresas etc.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina e o Caribe foi a regi\u00e3o onde mais cresceu a IED em 2010 (15-25%), em detrimento dos pa\u00edses industrializados, onde a IED registrou um retrocesso (-1%). Tudo isso explica a fraca recupera\u00e7\u00e3o de dois anos atr\u00e1s \u2013 insisto em sua debilidade. No caso do M\u00e9xico, seriam necess\u00e1rios outros anos de insustent\u00e1vel fluxo para que seja igual o registro de investimentos recebidos antes de 2009. Estes capitais se transformam em novas sedes, sucursais, unidades de produ\u00e7\u00e3o etc. De maneira correlacionada, a regi\u00e3o experimentou um aumento nas manufaturas de 13%, enquanto, no mesmo per\u00edodo, as economias desenvolvidas experimentaram apenas 8% de aumento. Ao mesmo tempo, \u00e9 preparado o terreno para uma segunda e mais profunda fase da crise. Na Am\u00e9rica do Sul, os investimentos se dirigiram, preferencialmente, aos recursos naturais (43% do fluxo da IED \u00e0 regi\u00e3o, na zona que \u00e9 respons\u00e1vel por 31% da produ\u00e7\u00e3o mundial de biocombust\u00edveis, de 48% da soja, 47% do cobre e 31% da carne), enquanto no M\u00e9xico, na Am\u00e9rica Central e no Caribe, as manufaturas (54%, no caso do M\u00e9xico, em grande parte, se dirigiram aos setores aeroespaciais, agroaliment\u00edcios, automotrizes, de dispositivos m\u00e9dicos, el\u00e9trico, eletr\u00f4nico, energia, nessa ordem de import\u00e2ncia). Em ambos os casos, com fins de abastecer o mercado internacional.<\/p>\n<p>Assim, este fluxo refor\u00e7ou o acordo assinado por estes pa\u00edses no que tange \u00e0 divis\u00e3o internacional do mercado. Tamb\u00e9m refor\u00e7ou a interdepend\u00eancia destas economias, tanto com respeito \u00e0s economias de onde se transfere o capital, como onde se produz e se consome o produto destes investimentos. Como se v\u00ea, o capital caminha, redirige os capitais dos principais centros de concentra\u00e7\u00e3o e manufatura para os nossos pa\u00edses. Sem d\u00favida, esta \u00e9 uma sa\u00edda tempor\u00e1ria, j\u00e1 que o pr\u00f3ximo desastre na regi\u00e3o vir\u00e1 enquanto esta nova produ\u00e7\u00e3o se enfrenta com a baixa na demanda dos mercados da Europa e da \u00c1sia.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, estas transfer\u00eancias de capital n\u00e3o s\u00e3o fortuitas. Os capitalistas se guiam pela lei absoluta do m\u00e1ximo de ganho. Quando se fala sobre a exist\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es atrativas \u00e9 o mesmo que dizer que s\u00e3o tomadas medidas para transferir os custos da crise aos trabalhadores em nossa regi\u00e3o. N\u00e3o pode se constituir motivo de alegria para n\u00f3s que os capitalistas brasileiros mantenham seus lucros sobre os biocombust\u00edveis, quando isto se relaciona diretamente com a eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos alimentos; o que se traduz em 53 milh\u00f5es de seres humanos em nossa regi\u00e3o sem acesso ao n\u00edvel de prote\u00ednas m\u00ednimo; o que se traduz em pobres obrigados a destinarem 70% de seu or\u00e7amento apenas para a compra de alimentos; ou no terr\u00edvel aumento da desnutri\u00e7\u00e3o infantil, baseada em dietas sem carboidratos etc. No M\u00e9xico, n\u00e3o pode ser positiva a atra\u00e7\u00e3o de capitais quando isto significa o sacrif\u00edcio em massa dos sal\u00e1rios ou que a esmagadora maioria dos jovens n\u00e3o conhe\u00e7a \u201cao vivo\u201d o que s\u00e3o os direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>Tudo o que foi citado anteriormente \u00e9 para dizer que, bom, na Am\u00e9rica Latina, em que pese todas as maquiagens estat\u00edsticas, n\u00e3o temos visto ainda o \u00faltimo suspiro da crise capitalista. E que, ent\u00e3o, se levantem diante de n\u00f3s quest\u00f5es estrat\u00e9gicas fundamentais.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o fundamental<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um problema de t\u00e1tica, mas de estrat\u00e9gia. \u00c9 um problema de definir, n\u00e3o as manobras e nem a liga\u00e7\u00e3o das lutas que, espontaneamente, nos s\u00e3o colocadas, mas em qual dire\u00e7\u00e3o deve se dirigir o golpe principal de nossa classe, a qual orienta\u00e7\u00e3o deve se subordinar a atua\u00e7\u00e3o de nossos Partidos na atual conjuntura.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina isto se relaciona com saber identificar o inimigo, a burguesia. Dizemos isto porque, h\u00e1 d\u00e9cadas, parece existir uma paralisia te\u00f3rica, refletidas na leitura de que existem divis\u00f5es na burguesia. Uma burguesia pr\u00f3-imperialista, rentista, reacion\u00e1ria, etc, a qual se op\u00f5e uma burguesia nacional, progressista etc.<\/p>\n<p>Sobre isto, temos estudado, com muita aten\u00e7\u00e3o, as teoriza\u00e7\u00f5es sobre o chamado \u201cgiro progressista\u201d na Am\u00e9rica Latina, sobretudo os casos paradigm\u00e1ticos de Lucio Guti\u00e9rrez ou Lula, no Brasil. Nestas gest\u00f5es do capitalismo, que se promovem como \u201calternativas\u201d, por um lado se mobilizam recursos que estimulam os lucros das empresas com sedes no pa\u00eds, enquanto uma s\u00e9rie de concess\u00f5es \u00e9 entregue \u00e0 classe oper\u00e1ria sob a chantagem de dissolu\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o de suas organiza\u00e7\u00f5es de classe. O resultado desta gest\u00e3o \u00e9 que, uma vez cumprida sua miss\u00e3o, a classe oper\u00e1ria se encontra sem organiza\u00e7\u00e3o independente, frente a uma burguesia muito fortalecida num cen\u00e1rio onde a d\u00edvida p\u00fablica no topo se traduz no corte imediato de todas as \u201cconcess\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Buscando romper com a situa\u00e7\u00e3o anterior, existem companheiros que admitem uma coaliz\u00e3o com tais governos, como express\u00f5es da burguesia nacional, como uma etapa de \u201cliberta\u00e7\u00e3o nacional\u201d, de confronta\u00e7\u00e3o anticolonial contra o imperialismo norte-americano. Pedimos a nossos companheiros que reflitam seriamente sobre isso, \u00e0 luz de nossas ferramentas cient\u00edficas. Por acaso o imperialismo se reduz a um s\u00f3 de seus centros, os Estados Unidos? Realmente existe, como uma camada s\u00f3lida, uma parte da burguesia que possua interesses separados do imperialismo? N\u00e3o \u00e9 este um fen\u00f4meno correspondente \u00e0 \u00e9poca em que se tentava conservar as caracter\u00edsticas do mercantilismo? \u00c9poca que, teoricamente, poderia ser \u201cesticada\u201d at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 teriam que ser revistos os dados e os fen\u00f4menos para constatar que se justifica sua abordagem, como tamb\u00e9m teriam que ser observados quais os limites de tais aproxima\u00e7\u00f5es s\u00e3o apresentados como t\u00e1tica. A totalidade dos processos de liberta\u00e7\u00e3o nacional na \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica n\u00e3o se relacionaram intimamente \u00e0 quest\u00e3o da tomada do poder pela classe trabalhadora. Tornaram-se instrumentos do poder burgu\u00eas que, ao longo de d\u00e9cadas, com seu desenvolvimento, se alinharam com um ou outro centro imperialista. Isso nos leva a refletir que, ou bem existe Poder burgu\u00eas, ou bem existe Poder trabalhador. Aqui n\u00e3o existem mais do que os polos sem intermedi\u00e1rios, e a quest\u00e3o da dualidade do poder tem correspond\u00eancia com muitos breves momentos revolucion\u00e1rios, n\u00e3o a uma estrat\u00e9gia sustentada.<\/p>\n<p>Em certo grau, no chamado \u201cgiro progressista\u201d, s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es o caso Bolivariano da Venezuela, da Bol\u00edvia e do Equador, que constituem cen\u00e1rios fact\u00edveis de interven\u00e7\u00e3o, onde as for\u00e7as classistas podem organizar-se e preparar-se para um futuro choque decisivo com a burguesia. Por\u00e9m, assim como n\u00f3s, o inimigo interv\u00e9m em condi\u00e7\u00f5es mais vantajosas, pois a natureza classista do Estado n\u00e3o se alterou. Estes cen\u00e1rios de interven\u00e7\u00e3o est\u00e3o sujeitos a press\u00f5es e correla\u00e7\u00f5es, como inegavelmente se v\u00ea no caso dos camaradas das FARC detidos na Venezuela por press\u00e3o da Col\u00f4mbia, da UE e dos EUA.<\/p>\n<p>Definitivamente, o M\u00e9xico n\u00e3o configura um cen\u00e1rio id\u00eantico ou similar ao Bolivariano. Muitas das medidas tomadas nesses pa\u00edses para desenvolver o mercado interno, como a expropria\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera, o estabelecimento de um amplo setor p\u00fablico, a reforma agr\u00e1ria etc, em nosso pa\u00eds j\u00e1 foram transitadas e representam etapas, de fato, j\u00e1 superadas no desenvolvimento capitalista. N\u00e3o se trataria de medidas progressistas, mas reacion\u00e1rias, de voltar economicamente a roda da hist\u00f3ria para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>A burguesia plenamente desenvolvida no M\u00e9xico n\u00e3o est\u00e1 interessada, por muitas raz\u00f5es que abordaremos num dado momento, em estabelecer uma alian\u00e7a com a classe oper\u00e1ria e os camponeses contra o imperialismo. De fato, procede num sentido totalmente oposto.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 crise, gra\u00e7as \u00e0 sua ofensiva, a burguesia em nosso pa\u00eds alcan\u00e7ou fabulosos lucros. A burguesia lan\u00e7ou as for\u00e7as policiais co-militares para cancelar o direito de greve contra os mineiros, os professores, os eletricistas, os pilotos e comiss\u00e1rios de bordo etc. Gra\u00e7as \u00e0 submiss\u00e3o destes poderosos sindicatos foi poss\u00edvel implantar, sem respostas organizadas, uma pol\u00edtica que contempla as demiss\u00f5es humilhantes de meio milh\u00e3o de trabalhadores, o saque das aposentadorias e pens\u00f5es, a aplica\u00e7\u00e3o de demiss\u00f5es sem responsabilidade para o patronato, o esc\u00e1rnio de todos os direitos trabalhistas, mediante a legaliza\u00e7\u00e3o do outsourcing, etc.<\/p>\n<p>Nesta linha de sacrif\u00edcio da classe trabalhadora est\u00e3o de acordo todas as for\u00e7as pol\u00edticas burguesas, todas as for\u00e7as com representa\u00e7\u00e3o parlamentar, como os liberais e socialdemocratas de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sem denunciar o respons\u00e1vel por tudo isso, sem denunciar as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o capitalista, o PRD, L\u00f3pez Obrador, vem pregar a vers\u00e3o de que \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel chegar a um acordo com os empres\u00e1rios, mediante o qual eles, \u201cmovidos pelo amor\u201d, elevar\u00e3o os sal\u00e1rios e os trabalhadores, \u201camorosamente\u201d, se submeter\u00e3o aos seus ditames. Todos os problemas populares s\u00e3o culpa do governo conservador em vig\u00eancia. Por um lado, o governo faz den\u00fancias grav\u00edssimas sobre o TLC e, por outro, se compromete a salvaguard\u00e1-lo frente ao embaixador dos EUA no M\u00e9xico. O auge \u00e9 que, culpando a gest\u00e3o neoliberal por tudo, n\u00e3o pode sequer levantar uma gest\u00e3o alternativa, pois sua proposta de governo inclui a promo\u00e7\u00e3o neoliberal da privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, da \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d em seguran\u00e7a e \u00e9, diretamente, um oligarca not\u00f3rio para a economia.<\/p>\n<p>Para aqueles que n\u00e3o est\u00e3o convencidos do que declaramos, de que Obrador \u00e9 um promotor da concilia\u00e7\u00e3o de classes e da anula\u00e7\u00e3o de sua luta, podem escutar da pr\u00f3pria voz de L\u00f3pez Obrador na entrevista concedida ao jornal La Jornada, em 14 de fevereiro. Na entrevista, admite abertamente que foram organizados, sob sua instru\u00e7\u00e3o, os policiamentos na avenida reformada, a fim de evitar que o movimento estourasse os marcos institucionais. Nessa mesma entrevista, deplora o fato de que a rebeli\u00e3o no Egito tenha tomado formas violentas, pois \u201csomente serviu para que se implantasse uma junta militar\u201d. Sobre isso, n\u00f3s comunistas respondemos: a viol\u00eancia da luta de classes \u00e9 a parteira dos povos e prov\u00e9m dela os triunfos alcan\u00e7ados quando os oprimidos rompem seus grilh\u00f5es. \u00c9 dela que se devem todos os avan\u00e7os sociais e conquistas de nossos povos.<\/p>\n<p>Se, apesar disso, alguns comunistas mexicanos insistirem de todos os modos em tecer uma alian\u00e7a com nossa burguesia nacional contra o imperialismo ianque, como uma etapa pr\u00e9via da luta pelo socialismo, honestamente perguntar\u00edamos: qual burguesia nacional? A que monopoliza, mediante os 157 milh\u00f5es de d\u00f3lares do grupo Claro e do grupo Bimbo, o Paraguai? A que, mediante 716 milh\u00f5es de d\u00f3lares da engarrafadora Arca, da telef\u00f4nica Claro, Mabe e outras, expolia os trabalhadores do Equador? A que mata mineiros no Peru? A que se soma \u00e0 cruzada contra a Venezuela Bolivariana, em defesa dos interesses do CEMEX e do Bimbo? Em resumo: lutar para que nossa burguesia imperialista se fortale\u00e7a?<\/p>\n<p>M\u00e9xico: plenamente inserido nas rela\u00e7\u00f5es imperialistas<\/p>\n<p>O capital no M\u00e9xico se encontra plenamente inserido dentro das rela\u00e7\u00f5es imperialistas. Praticamente n\u00e3o existem ind\u00edcios, no mercado interno ou externo, de que n\u00e3o esteja ligado por in\u00fameros la\u00e7os ao sistema imperialista mundial.<\/p>\n<p>Uma caracter\u00edstica principal da fase imperialista de desenvolvimento do capitalismo, conforme definiu L\u00eanin, \u00e9 a exporta\u00e7\u00e3o de capitais, que n\u00e3o s\u00f3 existe como se fortalece. De janeiro de 1995 a dezembro de 1997, a transfer\u00eancia de ativos por empresas e cidad\u00e3os mexicanos para o exterior somou 6.551.6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Para efeitos comparativos, por cada d\u00f3lar de capital exportado pelo M\u00e9xico entre 1995 e 1997, foram exportados 9 d\u00f3lares entre janeiro de 2007 e dezembro de 2009. O montante do capital transferido ao exterior nesses tr\u00eas anos foi um pouco superior ao ingresso de novos investimentos estrangeiros nos seis anos precedentes, que foi de 56.173.5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo o Banco do M\u00e9xico. Para 2010, o M\u00e9xico se converteu no segundo maior receptor de investimentos estrangeiros, somente atr\u00e1s do Brasil, e se colocou como o pa\u00eds latino com mais investimentos no exterior, com uma participa\u00e7\u00e3o de 81%, seguido pelo Brasil. A burguesia mexicana, somente no \u00faltimo ano, injetou 53.185 bilh\u00f5es de d\u00f3lares na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, contribuindo com a expolia\u00e7\u00e3o de seus trabalhadores e, em geral, de seus povos.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que, com o grau de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o, se pode falar sem equ\u00edvocos e, de fato, sem novidades, da constitui\u00e7\u00e3o de monop\u00f3lios. J\u00e1 para 2003, as 500 maiores empresas do pa\u00eds concentravam 28,4% da for\u00e7a laboral. 100 empres\u00e1rios individuais (que representam menos de 0,0001% da popula\u00e7\u00e3o) estavam no comando de 149 dessas empresas, controlando 43% do PIB do M\u00e9xico, movendo 4 de cada 10 pesos que existem na economia mexicana. Como exemplo, 3 empresas de telecomunica\u00e7\u00e3o celular concentram 99% do espectro dispon\u00edvel, na ind\u00fastria dos alimentos 4 empresas possuem 74,7% do total das vendas, na ind\u00fastria automotriz, h\u00e1 mais de 10 anos, os 2% das empresas concentravam 75% da produ\u00e7\u00e3o, no servi\u00e7o de Internet de banda larga, uma s\u00f3 empresa contra 4\/5 partes do mercado, as linhas f\u00e9rreas que sobrevivem s\u00e3o controladas por duas empresas, das 37.500 empresas mexicanas que efetuam com\u00e9rcio exterior, unicamente 400 geram mais de 80% das exporta\u00e7\u00f5es. Trata-se de uma generalidade e n\u00e3o de casos isolados.<\/p>\n<p>Ao formalizar a venda de bancos, em 1992, acelerou-se a fus\u00e3o do capital banc\u00e1rio com o industrial e a forma\u00e7\u00e3o dos grupos financeiros. No M\u00e9xico existe e domina o capital financeiro. De maneira veloz, estes 131 grupos passaram a controlar 100% dos bancos comerciais, 98% do mercado de a\u00e7\u00f5es, 85% dos locadores, 78,9% da atividade de fatoragem, 50% do mercado de seguros e 48% das associa\u00e7\u00f5es de investimentos. De fato, 4 gigantescos bancos exercem seu dom\u00ednio sobre 83% do mercado, atravessando com seus numerosos tent\u00e1culos as opera\u00e7\u00f5es industriais e comerciais.<\/p>\n<p>Podem ser caracterizadas de outra maneira as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico?<\/p>\n<p>Algumas for\u00e7as caracterizam de outra maneira o desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalista no M\u00e9xico, atendendo a tra\u00e7os de car\u00e1ter secund\u00e1rio. Por exemplo, n\u00e3o se caracteriza como capitalista o dom\u00ednio que a burguesia exerce sobre estes enormes meios em virtude do modo como se apropriaram dos mesmos, negam seu car\u00e1ter por tratar-se de despojos, entrega a custos ris\u00edveis por parte do Estado, roubo etc. No entanto, o pr\u00f3prio Marx j\u00e1 havia explicado o papel da acumula\u00e7\u00e3o primitiva na forma\u00e7\u00e3o do capital e como, de fato, este processo se repete constantemente. Independentemente do modo de apropria\u00e7\u00e3o, este capital est\u00e1 utilizando-se de um processo de acumula\u00e7\u00e3o. Acumula\u00e7\u00e3o esta tamb\u00e9m levada a cabo como concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o, o que permite o dom\u00ednio do mercado por parte dos monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s for\u00e7as pol\u00edticas burguesas, conforme a sua t\u00e1tica, alguns admitem e outros negam a realidade da plena inclus\u00e3o do M\u00e9xico nas rela\u00e7\u00f5es imperialistas. Aqueles que, por manobra, tentam ocult\u00e1-la, esgrimem confusamente como argumento a, todavia, ampla camada de pequenos burgueses e o impressionante n\u00famero das pequenas e m\u00e9dias empresas cumpre um papel dentro do capitalismo como pioneira do processo tecnol\u00f3gico, abrindo brecha em novos mercados e em novos ramos e, posteriormente, \u00e9 destru\u00edda pelo aumento constante da taxa de produ\u00e7\u00e3o e a composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital. A pequena e m\u00e9dia empresa constantemente \u00e9 barrada pela crise neste pa\u00eds, funcionando como um amortecedor para o desemprego cada vez maior. As estat\u00edsticas mostram como pouco a pouco a pequena produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passa a ser concentrada e lentamente, com avan\u00e7os e retrocessos, uma propor\u00e7\u00e3o cada vez maior da pequena burguesia se proletariza. Como exemplo, destacamos as lojas de conveni\u00eancia, ramo no qual, em menos de uma d\u00e9cada, passou a dominar a empresa FEMSA-OXXO. Os estabelecimentos de produtos aliment\u00edcios tamb\u00e9m est\u00e3o num evidente processo de se converterem numa ind\u00fastria organizada.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos aprofundaremos nas teorias de outras for\u00e7as pol\u00edticas que falam do car\u00e1ter semifeudal da estrutura econ\u00f4mica de nosso pa\u00eds. \u00c9 claro que podem existir regi\u00f5es e casos onde se combinem formas mais retr\u00f3gradas de rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. Isto n\u00e3o afeta a generalidade como j\u00e1 havia explicado Marx em Gr\u00fcndrisse e v\u00e1rias cartas.<\/p>\n<p>Depend\u00eancia e Interdepend\u00eancia<\/p>\n<p>Outro dos tra\u00e7os do imperialismo \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es imperialistas internacionais. O capital no M\u00e9xico est\u00e1 estruturado no marco destes acordos e parcerias. Destaca-se, sobretudo, o caso do TLCAN, com seu correlato pol\u00edtico-militar que \u00e9 o Plano M\u00e9rida e o ASPAN (o TLCAN maior). Mais de 80% das exporta\u00e7\u00f5es totais de 2008 do M\u00e9xico t\u00eam como destino os EUA, da mesma maneira que dos EUA o M\u00e9xico obt\u00e9m 74,8% de suas importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com base nisso, \u00e9 poss\u00edvel falar de uma situa\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia ou de depend\u00eancia?<\/p>\n<p>Aqueles que afirmam e que tipicamente insistem no fen\u00f4meno da partilha territorial do mundo sob o imperialismo para argumentar que o M\u00e9xico \u00e9 col\u00f4nia dos EUA, geralmente acrescentam a isto a no\u00e7\u00e3o de qual propriedade alguma vez controlada pelo estado que servia \u00e0 burguesia foi \u201cprivatizada\u201d, falam de uma entrega por parte da burguesia nacional \u00e0 burguesia estrangeira.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 inexato. Existem v\u00e1rios erros conceituais em que eles acreditam e derivam da\u00ed uma estrat\u00e9gia, uma t\u00e1tica e uma pol\u00edtica de alian\u00e7as.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a pir\u00e2mide imperialista \u00e9 complementar \u00e0s economias que ocupam uma posi\u00e7\u00e3o dominante, intermedi\u00e1ria e inferior. O mesmo que se estabelecia no par\u00e1grafo do TLC com rela\u00e7\u00e3o ao M\u00e9xico \u00e9 aplicado aos EUA. Para eles, o M\u00e9xico era, em 2008, seu segundo destino de exporta\u00e7\u00f5es e sua terceira fonte de importa\u00e7\u00f5es. Para manter sua economia fluindo, os EUA dependem, no que se refere \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, de quase 1\/5 do que \u00e9 exportado pelo M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Por exemplo, se fala muito da depend\u00eancia aliment\u00edcia do M\u00e9xico com rela\u00e7\u00e3o aos EUA e o caso dram\u00e1tico do milho. Ainda que isto seja realmente certo, n\u00e3o deixa de ser ir\u00f4nico que o principal produtor de farinha de milho no mercado dos EUA seja o Grupo GRUMA (Maseca), capital monopolista que possui sua sede no M\u00e9xico. Assim, \u00e9 poss\u00edvel ampliar suas ramifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, n\u00e3o se pode simplificar a quest\u00e3o de que M\u00e9xico \u00e9 expoliado pelos EUA, ao mesmo tempo em que seus pr\u00f3prios monop\u00f3lios expoliam os trabalhadores e os povos de outros pa\u00edses. Entre as 15 empresas que investem maior capital na Am\u00e9rica Latina, encontramos 6 com sede no M\u00e9xico: Am\u00e9rica M\u00f3vil, Cemex, FEMSA, Tel\u00e9fonos de M\u00e9xico, Grupo Bimbo e o Grupo Alfa. Estas e outras empresas mexicanas exercem um dom\u00ednio monop\u00f3lico sobre ramifica\u00e7\u00f5es inteiras em alguns pa\u00edses. Por exemplo, a Am\u00e9rica M\u00f3vil, nas telecomunica\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Central e no Brasil; a Cemex, no mercado do cimento, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s na Venezuela e na maioria da Am\u00e9rica Central; a Gruma, que domina at\u00e9 dois ter\u00e7os do mercado da Am\u00e9rica Central e at\u00e9 a poucotempo concentrava e especulava com 1\/3 do mercado venezuelano; o Bimbo, com uma participa\u00e7\u00e3o similar na Am\u00e9rica Central; o Grupo M\u00e9xico, que controla grande parte do cobre do Peru, etc.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, a distin\u00e7\u00e3o que se faz com respeito \u00e0 burguesia nacional e estrangeira \u00e9 for\u00e7ada. A maioria das empresas e grupos financeiros que dominam o mercado no M\u00e9xico s\u00e3o associa\u00e7\u00f5es de capital estrangeiro e mexicano. Assim, acontece entre FEMSA e Heineken, Banamex e CITIBANK, Am\u00e9rica M\u00f3vil e TR Deals Insight, etc.<\/p>\n<p>Em quarto lugar, o principal acordo interimperialista no M\u00e9xico: o TLC. Embora tenha golpeado numerosos industriais individuais, de fato o TLC preservou o interesse da burguesia em seu conjunto, inclusive o da burguesia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em outros pa\u00edses, o decl\u00ednio dos Estados Unidos e o fortalecimento de outras pot\u00eancias, como a China e a R\u00fassia, impulsionam a forma\u00e7\u00e3o de novos caminhos e alian\u00e7as. No caso da burguesia mexicana, seu interesse se encontra em outro plano. Ele consiste em aproveitar sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e a plataforma do TLCAN que, em seu conjunto, representa um acordo nos marcos do maior mercado do mundo, com 25% do PIB global. Ao anterior, se soma a forma\u00e7\u00e3o de mut\u00e1veis acordos bilaterais, no total de 11 acordos comerciais com 43 na\u00e7\u00f5es, o qual d\u00e1 ao M\u00e9xico o acesso a mais de um bilh\u00e3o de consumidores potenciais.<\/p>\n<p>Prova disto \u00e9 o desenvolvimento acelerado que mostrou a acumula\u00e7\u00e3o dos principais grupos financeiros. As empresas que se encontram atualmente sob a \u00e9gide de Carlos Slim (Telmex, Am\u00e9rica M\u00f3vil, Carso, Sanborns, etc.) no momento da assinatura do tratado, ou se encontravam dispersas ou nem sequer figuravam nas estat\u00edsticas, para em 2008 seu valor conjunto ser elevado a 60 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Tendo somente como base de an\u00e1lise o per\u00edodo de 2004 a 2008, o capital do Grupo Azteca-EleKtra passou de 1,8 a 6,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o Grupo M\u00e9xico, de menos de 1 a 7,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, etc.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, da m\u00e3o deste e de outros tratados, as empresas mais fortes puderam circundar, com menos obst\u00e1culos, a lei do m\u00e1ximo lucro, multiplicar muitas vezes seu capital e conquistar ramos da produ\u00e7\u00e3o para al\u00e9m das fronteiras do M\u00e9xico. J\u00e1 desde a \u00e9poca do manifesto ficava claro que o capital necessitava estender-se a todas as partes, investindo e acumulando-se com ganho m\u00e1ximo, e n\u00e3o a partir das potencialidades de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>No entanto, igual equ\u00edvoco seria estabelecer que os ditos acordos imperialistas s\u00e3o equitativos. No desenvolvimento do imperialismo e do capital em geral, exerce sua influ\u00eancia a lei do desenvolvimento desigual. Estes acordos se firmam e se revisam atendendo ao poder de cada economia capitalista, tomando como base o poder de cada monop\u00f3lio. Sem d\u00favida alguma, o capital que exerce supremacia \u00e9 o norte-americano, e a este corresponde a maior fatia do mercado. Tudo isso explica, por um lado, a destrui\u00e7\u00e3o da anterior base industrial do pa\u00eds, a transfer\u00eancia da propriedade e dos capitais, a busca e promo\u00e7\u00e3o permanente que faz o Estado mexicano de investimento de capital estrangeiro, sobretudo, destacando o ramo banc\u00e1rio. E, por outro lado, o fortalecimento do capital nacional, principalmente nas \u00e1reas de capital-intensivo, como s\u00e3o os das telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s afirmamos<\/p>\n<p>O que n\u00f3s afirmamos \u00e9 que n\u00e3o seria um triunfo que os capitalistas de nossos pa\u00edses mantivessem e elevassem sua cota de lucro. Nem \u00e9 poss\u00edvel, nem \u00e9 papel da classe trabalhadora buscar rela\u00e7\u00f5es \u201cmais justas\u201d para seus capitalistas nos marcos dos acordos interestatais; isto n\u00e3o possui diferen\u00e7a nenhuma com buscar rela\u00e7\u00f5es \u201cmais justas\u201d para nossos capitalistas sobre a base de somar-se a suas aventuras militares. N\u00e3o \u00e9 nossa luta e, de fato, nosso interesse \u00e9 diametralmente oposto.<\/p>\n<p>De fato, estamos mais \u00e9 interessados que nossas burguesias se enfraque\u00e7am. Queremos concentrar a capacidade de choque de nossa classe, especialmente de seus setores mais decididos e avan\u00e7ados, assim como a de seus aliados, para lutarmos contra o que restou da capacidade burguesa de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, n\u00e3o significa vit\u00f3ria os capitalistas estabelecerem, entre si, uni\u00f5es militares, pol\u00edticas e econ\u00f4micas, que se traduzir\u00e3o em melhores condi\u00e7\u00f5es para nos subjugar. Independentemente de alguns membros excepcionais destas alian\u00e7as, o que predomina nas alian\u00e7as interestatais de nossa regi\u00e3o s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es capitalistas em sua fase imperialista e o que compete, no seio das mesmas, a cada um de seus diversos Estados membros e seus diversos monop\u00f3lios. Somente na UNASUR, por exemplo, predomina a for\u00e7a militar da Col\u00f4mbia e do Brasil. Algu\u00e9m pode duvidar do car\u00e1ter que adotar\u00e1, com essa predomin\u00e2ncia, diante de rebeli\u00f5es ou insurg\u00eancias em nosso continente? Se as burguesias de nosso continente, inevitavelmente, entrar\u00e3o em conflito, \u00e9 melhor que n\u00e3o nos encontrem confusos. O melhor \u00e9 que encontrem os comunistas dispostos a lutar em un\u00edssono contra elas! N\u00e3o se deve repetir o car\u00edssimo erro de prestar nossa ajuda \u00e0s perigosas aventuras de nossas burguesias, como na Primeira Guerra Mundial. No entanto, hoje n\u00f3s escutamos o PC do B declarando que a dire\u00e7\u00e3o tomada pelo BRIC (Brasil, \u00cdndia, R\u00fassia e China, que lutam por uma maior por\u00e7\u00e3o do mercado mundial para seus monop\u00f3lios) \u00e9 uma \u201cconquista da luta popular\u201d.<\/p>\n<p>O dilema n\u00e3o deve ser escolher se nutrimos a barb\u00e1rie dom\u00e9stica ou estrangeira. Por acaso temos de submeter uma ou duas gera\u00e7\u00f5es futuras aos discursos da burguesia sempre p\u00e9rfida e traidora de nosso continente? Mais suor, mais sangue! At\u00e9 o \u00faltimo cent\u00edmetro da peleja prolet\u00e1ria deve ser entregue! Trabalhador, divida o prato em que sua fam\u00edlia e voc\u00ea comem e entregue aos monop\u00f3lios a metade ou mais!<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o de nossos problemas n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ada por nenhuma alian\u00e7a entre capitais, por nenhuma gest\u00e3o de capitalismo. De fato, ela ser\u00e1 obtida pela queda do capital.<\/p>\n<p>Sabemos que para conseguir uma coordena\u00e7\u00e3o \u00fanica, em termos de programa e estrat\u00e9gia, entre os Partidos Comunistas da regi\u00e3o, s\u00e3o necess\u00e1rios mais interc\u00e2mbios e mais debates, maior avan\u00e7o nas a\u00e7\u00f5es comuns etc. Insistiremos nisso e levantamos a quest\u00e3o. Hoje \u00e9 nosso dever fazer todo o poss\u00edvel para fortalecer os Partidos Comunistas.<\/p>\n<p>Em tempos de colapso social e de perigo de guerras interimperialistas, um programa e uma estrat\u00e9gia comum que vise a derrocada de nossas burguesias \u00e9 o que est\u00e1 na ordem do dia. A luta pelo poder prolet\u00e1rio \u00e9 o que est\u00e1 na ordem do dia. O Partido revolucion\u00e1rio organizado \u00e9 o que est\u00e1 na ordem do dia. Um Partido internacional e, neste caso, sua se\u00e7\u00e3o ou estrutura em escala continental, \u00e9 o que est\u00e1 na ordem do dia.<\/p>\n<p>Viva os 90 anos do Partido Comunista Brasileiro!<\/p>\n<p>Viva o internacionalismo prolet\u00e1rio!<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.solidnet.org\/mexico-party-of-the-communists\/2779-cp-of-mexico-ique-esta-a-la-orden-del-dia-en-america-latina-sp\" target=\"_blank\">http:\/\/www.solidnet.org\/mexico-party-of-the-communists\/2779-cp-of-mexico-ique-esta-a-la-orden-del-dia-en-america-latina-sp<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)<\/p>\n<p>Partido Comunista do M\u00e9xico:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.comunistas-mexicanos.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.comunistas-mexicanos.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCM\n\n\n\n\n\n\n\n\nPC do M\u00e9xico: O que est\u00e1 na ordem do dia na Am\u00e9rica Latina?\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2700\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-2700","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Hy","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2700"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2700\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}