{"id":27070,"date":"2021-03-28T21:17:41","date_gmt":"2021-03-29T00:17:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27070"},"modified":"2021-03-28T21:17:41","modified_gmt":"2021-03-29T00:17:41","slug":"mulheres-comunistas-nos-99-anos-do-pcb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27070","title":{"rendered":"Mulheres comunistas nos 99 anos do PCB"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/anamontenegro.org\/cfcam\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/C%C3%B3pia-de-As-mulheres-comunistas-nos-99-anos-do-PCB-2-1-600x600.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro<\/p>\n<p>\u201cEu a conheci, Maria, na sua pens\u00e3o na Baixa dos Sapateiros, onde recebia a sua hospitalidade, onde bebia q sopa que voc\u00ea me trazia (sem pimenta, eu pedia), onde eu descansava a minha cabe\u00e7a cheia de sonhos, em um travesseiro enfeitado de rendas, onde recebia a for\u00e7a de suas m\u00e3os que me conduzia Tabo\u00e3o abaixo, para o com\u00edcio com os estivadores.<\/p>\n<p>Eu a conheci, Maria, usando uma linguagem que n\u00e3o era a minha \u2013 a linguagem do povo. Eram as express\u00f5es que n\u00e3o tinham me ensinado nas escolas e nem tinha lido nos livros e com as quais voc\u00ea convencia as pessoas, quando ia de porta a porta, pedindo a assinatura da paz.<\/p>\n<p>Eu a conheci, Maria, naquela noite de mar\u00e7o de 1947, na invas\u00e3o do Corta Bra\u00e7o (hoje bairro Pero Vaz), em Salvador, quando eu lhe perguntei onde ir\u00edamos dormir, porque j\u00e1 era muito tarde e voc\u00ea me respondeu: \u201cAqui mesmo, com as mulheres. Amanh\u00e3 vai ser a passeata\u201d. E eu lhe perguntei: Neste escuro? \u2013 \u201cE as estrelas? Para que tem estrelas? \u201d<\/p>\n<p>(Carta de Ana Montenegro a Maria Brand\u00e3o dos Reis, em Mulheres e Participa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica, p. 59)<\/p>\n<p>O c\u00e9u cheio de estrelas visto por Maria Brand\u00e3o e Ana Montenegro na Ocupa\u00e7\u00e3o de Corta Bra\u00e7o, na luta por moradia digna, as lutas contra a Guerra Mundial e a Guerra da Coreia, a luta pela paz, a organiza\u00e7\u00e3o de mulheres perseguidas pela ditadura no exterior, a luta contra a carestia, a luta pelo \u201cPetr\u00f3leo \u00e9 Nosso\u201d fazem parte do que fomos e do que somos, ao comemorarmos os 99 anos do PCB.<\/p>\n<p>Rosa Bittencourt, tecel\u00e3, foi a primeira mulher a ingressar no PCB, ainda em 1922. Estivemos presentes nas principais lutas do Partido. Laura Brand\u00e3o, uma jovem poeta, participou ativamente do Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas e, quando exilada com a fam\u00edlia na URSS, atuou na resist\u00eancia aos nazistas. Na d\u00e9cada de 1930, v\u00e1rias intelectuais e artistas ingressaram no nosso Partido. Patr\u00edcia Galv\u00e3o, a Pagu, exerceu forte atua\u00e7\u00e3o em prol da emancipa\u00e7\u00e3o feminina, seu livro Parque Industrial traz marcas do seu feminismo. Pagu foi duramente torturada pela ditadura Vargas.<\/p>\n<p>Olga Ben\u00e1rio, que veio ao Brasil para colaborar com a constru\u00e7\u00e3o do socialismo, foi presa junto com v\u00e1rias camaradas e deportada para a Alemanha, onde morreu num campo de concentra\u00e7\u00e3o nazista. Nise da Silveira, tamb\u00e9m presa na mesma cela 4, m\u00e9dica psiquiatra, revolucionou o atendimento psiqui\u00e1trico, ao se contrapor ao tratamento desumano dado aos doentes mentais, abolindo os eletrochoques.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras sempre foi o objetivo principal das comunistas. Em 1935, criaram a Uni\u00e3o Feminina do Brasil, que sobreviveu apenas dois meses e lan\u00e7ou um manifesto convocando as mulheres \u00e0 luta.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1940, com a legalidade do PCB, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no Partido cresceu muito. V\u00e1rias camaradas foram eleitas para as Assembleias Estaduais e para as C\u00e2maras de Vereadores, como Adalgisa Cavalcanti, Zuleika Alambert, Arcelina Mochel, Odila Smith, Lucilia Rosa, entre outras. Em 1947, foi lan\u00e7ado o jornal O Momento Feminino, dirigido por Arcelina Mochel, Ana Montenegro e Eneida de Moraes, com uma linguagem voltada \u00e0s trabalhadoras. O Momento Feminino circulou at\u00e9 1957.<\/p>\n<p>Em 1949, foi fundada a Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres do Brasil, com o objetivo central de construir um movimento feminino nacional unificado. Participam da funda\u00e7\u00e3o Arcelina Mochel, Elisa Branco e Ana Montenegro. Com a volta da ilegalidade do Partido, as comunistas voltaram a ser perseguidas. Duas militantes comunistas foram assassinadas em manifesta\u00e7\u00f5es pela repress\u00e3o: Angelina Gon\u00e7alves (RS) e Z\u00e9lia Magalh\u00e3es (RJ). Elisa Branco foi presa ao abrir a faixa \u201cOs soldados, nossos filhos, n\u00e3o ir\u00e3o para a Coreia\u201d, durante o desfile militar de 07 de setembro, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>V\u00e1rias mulheres contribu\u00edram para a constru\u00e7\u00e3o da nossa hist\u00f3ria. Nas lutas camponesas, destacamos Elisabeth Teixeira, da Liga Camponesa de Sap\u00e9, na Para\u00edba, Dirce Machado, na Revolta de Trombas e Formoso, em Goi\u00e1s, e Josefa Paulino da Silva, na Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores na Agricultura, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em nossas fileiras, tivemos v\u00e1rias poetas, como Lila Ripoll e Jacinta Passos, escritoras como Alina Paim, Zuleika Alambert e Ana Montenegro, atrizes como Thereza Santos, e tantas outras artistas e intelectuais. Destacamos, ainda, a militante Laudelina Campos de Melo, fundadora do primeiro Sindicato de Empregadas Dom\u00e9sticas do pa\u00eds, em 1936.<\/p>\n<p>Ressaltamos a participa\u00e7\u00e3o de Antonieta Campos da Paz, no Rio de Janeiro, que organizou diversos n\u00facleos de mulheres trabalhadoras nos bairros perif\u00e9ricos e Maria Arag\u00e3o, m\u00e9dica maranhense, que ajudou a organizar o PCB no Maranh\u00e3o e dirigiu o jornal Tribuna do Povo.<\/p>\n<p>Nosso trabalho pela organiza\u00e7\u00e3o das mulheres e pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista prosseguiu na d\u00e9cada de 1960 e durante os mais duros anos da ditadura. Em 1976, perdemos Neide Alves dos Santos, assassinada pela repress\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Ana Montenegro foi a primeira mulher a ser exilada e Maria Brand\u00e3o dos Reis teve que se esconder.<\/p>\n<p>As comunistas Zuleide Faria de Mello e Marly Vianna participaram de uma ousada opera\u00e7\u00e3o para retirar os arquivos de Astrojildo Pereira do pa\u00eds e envi\u00e1-los para a It\u00e1lia. Zuleide foi presidente do PCB de 1992 at\u00e9 2008, ap\u00f3s os liquidacionistas tentarem acabar com o PCB. V\u00e1rias camaradas lutaram pela Reconstru\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria do PCB, como Yeda Maria Ferreira Mesle, na Bahia.<\/p>\n<p>Esse breve hist\u00f3rico das mulheres do PCB ressalta como foi e como continua sendo a nossa participa\u00e7\u00e3o nas mais diversas lutas, a favor da paz, contra a fome e a mis\u00e9ria em nosso pa\u00eds, no combate \u00e0s duas ditaduras do s\u00e9culo XX, contra a carestia, no combate a qualquer forma de opress\u00e3o e viol\u00eancia contra as mulheres.<\/p>\n<p>Com o objetivo de intensificar a organiza\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras, foi fundado em 2006, ano de falecimento de Ana Montenegro, o Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, pelas camaradas Mercedes Lima, Elvira Cavalcante, Ma\u00edsa Lima, Valmiria Guida e Renata Regina.<\/p>\n<p>Atualmente o Coletivo est\u00e1 organizado nacionalmente em 20 estados e continuamos a nossa luta contra o patriarcado e contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista. Na constru\u00e7\u00e3o da luta pelo Poder Popular, rumo ao Socialismo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria desses 99 anos do Partido Comunista Brasileiro \u00e9 marcada pela ativa participa\u00e7\u00e3o das mulheres que contribu\u00edram expressivamente na constru\u00e7\u00e3o do Partido, na hist\u00f3ria do Brasil e na organiza\u00e7\u00e3o das lutas das trabalhadoras e trabalhadores desde sua funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Viva os 99 anos do PCB! Viva todas as mulheres que fazem parte dessa hist\u00f3ria!<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"QzgsC7SmkP\"><p><a href=\"http:\/\/anamontenegro.org\/cfcam\/2021\/03\/28\/as-mulheres-comunistas-nos-99-anos-do-pcb\/\">As mulheres comunistas nos 99 anos do PCB<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;As mulheres comunistas nos 99 anos do PCB&#8221; &#8212; Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro\" src=\"http:\/\/anamontenegro.org\/cfcam\/2021\/03\/28\/as-mulheres-comunistas-nos-99-anos-do-pcb\/embed\/#?secret=QzgsC7SmkP\" data-secret=\"QzgsC7SmkP\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27070\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[365],"tags":[219],"class_list":["post-27070","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-centenario-do-pcb","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-72C","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27070"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27070\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}